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História Afeição - Capítulo 68


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Capítulo 68 - Compras


Samuel passou a fazer total segredo dos planos que ele tem passarmos um tempo sozinhos juntos. Quando perguntei, ele só me cantarolou que não era para estragar a surpresa e não falou mais nada. Sendo assim, o deixei em paz com seus planos e segui com os meus. Samuel me deu uma indicação de quais seriam os melhores e mais simples modelos de notebook para comprar para Samia, já que ela não é tão adapta a tecnologia assim.

Arrumo algumas fraldas e outras coisas em um bolsa mediana branca. Não sou de sair tanto com Andréa, já que eu mesmo não tenho saído. Mas, já que consegue um meio de passar o dia todo com Samia, por que não fazer o mesmo com a minha pequena Andréa? Só uma pena que Enrico não pode estar aqui para ir conosco. Apesar que duvido que conseguisse o arrastar para um passeio assim de novo. Ainda tenho esperança, no entanto. Como pai, é tudo o que posso me agarrar.

Com a malinha com as coisas de Andréa pronta, pego. A deixo ao meu lado perto do berço.

— Vamos ter um bom dia, não é mesmo?

Andréa se mexe no berço, me abrindo um lindo sorriso.

— Seria ainda melhor se seu irmão pudesse estar conosco, não acha?!

Pego Andréa no colo, usando o braço livre para apoiar a bolsa. Ainda levo comigo o carrinho de bebê que mamãe me deu no ano passado. Vou com ela na sala. Deixo a bolsa em cima do sofá, e a apoio o carrinho fechado ao lado do sofá. Passo no quarto aonde ela dorme, e não a encontro. Passo no banheiro, e também não a encontro. Finalmente a encontro na cozinha, tomando um refrigerante e quase se sujando ao comer rapidamente um sanduíche cheio de Ketchup.

— Não precisa se apressar tanto. — digo, entrando na cozinha.

Samia pula de susto, quase derrubando o copo. Algumas gotas do refrigerante caem no chão. Ela se abaixa para limpar. Me apresso, a seguro de leve pelo ombro para a impedir.

— Não precisa. Deixa que eu limpo.

Ela se afasta. Passo Andrea para Samia. Pego um pano em cima da pia, e limpo o que sujou o chão. Samia brincava com Andrea, até se esquecendo do lanche que ela comia a pouco.

— Pode comer devagar. Não estou com pressa.

Ela assente. Segurando Andréa que lhe puxava os cabelos, ela lentamente comeu o lanche e tomou o resto do refrigerante. Lavei o pano que limpei o chão para não encher de formiga. Ainda passei no banheiro, assim dando um tempo para Samia comer. Quando volto, Samia brincava de caras e bocas para Andrea que ria alto, se divertindo com ela.

— Está pronta?

Ela olha para mim, assentindo positivamente incerta.

— Sabe, Samia, eu sei que você se sente mais confortável assim, mas você pode falar se quiser. Estou certo de que Andréa iria adorar ouvir sua voz.

Ela engole os ombros de leve, abaixando a cabeça ligeiramente.

— Vamos lá, então.

Ela se levanta e vem comigo para a sala. Iria me passar a pequena Andréa, mas a peço para continuar a segurando enquanto levo a bolsa e o carrinho dobrável para o carro. Ela me seguiu, segurando Andréa com destreza. Coloco o carrinho e a bolsa no banco de trás. Peço para ela me passar Andrea, que a prendo cuidadosamente na cadeirinha de bebê. Verifico se está bem presa, e em segurança antes de fechar a porta. Puxo a chave do carro do bolso da calça.

— Quer dirigir?

Ela olha para a chave do carro na minha mão como se fosse uma arma apontada para ela. Negou com a cabeça diversas vezes, quase assustada. Me arrependi na hora de ter oferecido. No final das contas, a morte de Jamil e o fato dela estar dirigindo ainda a abala demais. Já um avanço enorme ela sair de casa, mesmo que não consiga o fazer sozinha. Na época em que fiquei sabendo que ela conseguiu tirar carta de motorista, fiquei realmente surpreso e feliz por ela. Acho que ela estava avançando muito, o que se perdeu depois que ele morreu.

— Vamos então.

Ela entra no carro, do lado do passageiro. Eu assumo a direção.

Dirigi tranquilo. O trânsito não foi um problema. Dirigir para o centro da cidade foi um tanto libertador. Samia que estava tensa antes, acabou relaxando depois de um tempo. Quando avisto um grande shopping, eu pago o estacionamento e atravesso o grande e cheio estacionamento. Estaciono o carro na primeira vaga que encontrei. Tirei o cinto, e saí do carro.

Samia me acompanhou. Abri a porta do carro, tirei o carrinho e o montei. Tirei Andréa da cadeirinha de bebê. A coloquei no carro e prendi com o cinto para ela não cair. Coloco a bolsa no apoio de baixo do carrinho. Tranco o carro. Pegamos o elevador até o primeiro andar. 

O shopping está cheio, há muitas pessoas indo e vindo com crianças, adolescentes rindo e casais, pessoas sozinhas. Samia paralisou assim que ela viu tantas pessoas circulando ao mesmo tempo. Com paciência, eu a espero se acalmar, dando um estimulo leve ao passar o braço sobre o ombro dela.

— Não precisa ter medo. Eu estou aqui com você, está bem?! — Ela me olhou assustada. Eu sorri como incentivo. — Me ajuda a levar Andréa, está bem!? Você consegue?

Ela olha para os lados, e depois para mim. O medo desenhado no seu rosto.

— Estou aqui, bem ao seu lado. Não precisa ter medo de nada, está bem?!

Ela acabou assentindo, cedendo ao meu incentivo. Para a manter calma, deixei ela levar o carrinho de Andrea, me mantendo bem perto dela para que se sentisse segura. Nos primeiros minutos, caminhei com ela ao redor do shopping, passando entre as pessoas, pensei que ela iria desmaiar, ou sair correndo a qualquer momento de tanto que tremia. Aos poucos, ela foi se acalmando, e eu fiz o que pude para manter a minha presença marcante para ela. Minutos depois, ela está mais calma, só não menos amedrontada. Pegamos o elevador de novo.

O segundo andar está um pouco mais vazio, e ela finalmente relaxou um pouco. Ainda enrolei um pouco mais até ter certeza de que ela estava calma, a deixando ver as vitrines de roupas e outras coisas para enfim, passar na loja de eletrônicos. Mal entramos e um vendedor ansioso veio nos atender. Samia ficou nervosa de novo. Senti que não é bom forçar a barra. Dispensei o vendedor sorridente demais educadamente, dizendo que apenas estava olhando.

Ele se afastou depois de dar seu nome.

Adentramos a loja com muitos televisores de vários tamanhos e tipos, todos nos mesmos canais. Diversos aparelhos de vários tipos e uma vitrine enorme com celulares novos. O setor de Notebooks ficava bem ao fundo da loja, perto dos eletrodomésticos. Uma mulher de cabelos curtos era quem estava atendendo, para meu alívio e o dela.

Samia tem medo de todo mundo, mas sempre consegue ficar menos nervosa quando está perto de mulheres. Considerando tudo o que ela passou, já uma surpresa que ela consiga ficar numa casa cheia de homens. Creio o convívio anterior fez uma grande diferença disto, além de sermos gays. E Enrico, eu estou certo de que ela confia nele já que tiveram um bom convívio desde crianças.

— Em que posso ajudar?

— Olá. Vim ver um notebook para minha cunhada aqui.

A vendedora olhou para Samia, sorrindo gentil.

— E que tipo de modelo gostaria, mocinha?

Samia desviou o olhar, sem responder. Como sempre, eu tive que falar por ela.

— Ela é muito tímida. — justifico assim que a vendedora jovial fica sem graça. — Hm... acho que seria bom um que fosse portátil e tivesse uma interface simples.

Puxei Samia para perto de mim, junto do carrinho com Andréa para verificar os modelos e os tipos de aparelhos que a vendedora oferecia. Usei todo o conhecimento e informações que Samuel me deu para escolher um modelo que me pareceu melhor para ela, a deixando escolher a cor. Ela escolheu um branco, de um tamanho mediano e que cabia dentro do que ela poderia usar.

— E os celulares?

— Posso mostrar-lhe os modelos.

Acompanhamos a vendedora até a sessão de celulares. Entre vários, eu escolhi dois. Um cinza e um preto. Samia me olhava questionadora, ficando somente nisto como sempre. Paguei tudo a vista com o cartão de débito. E pedi para que os celulares fossem embalados para presente, separados. Saímos da loja com duas sacolas.

Samia me olhava bastante constrangida.

— Quero comprar um presente para Samuel. Quer me ajudar?

Ela fica pensativa alguns segundos antes de concordar com a cabeça novamente.

Fomos em uma loja de roupas masculinas. Mesmo sem falar, pedi para Samia me ajudar a escolher uma peça que combinasse com Samuel. Dei autonomia para ela escolher e depois avalie se é do gosto de Samuel. Acabei comprando uma camiseta, uma calça e um relógio. Paguei com o meu cartão pessoal.

Andando pelo shopping, notei que Samia olhava algumas lojas com interesse. Uma delas, especialmente, foi uma loja com bijuterias e maquiagem árabes, muito coloridas. Ela abaixa a cabeça depois de alguns segundos, seguindo o caminho. Toco o ombro dela.

— Quer entrar?

Ela olha para a loja, e me devolve o olhar incerta.

— É muito bonito. Não quer ver?

 Sem ela concordar ou discordar, acabo a levando comigo para dentro da loja. Uma moça muito maquiada com um véu azul veio nos atender. Samia ficou nervosa e envergonhada no começo, mas não demorou muito para que eu percebesse que ela ficou fascinada com as cores de algumas bijuterias e algumas sombras.

Ela quase nunca usa coisas femininas como bijuterias e maquiagem, não porque a proibimos, mas porque ela não quer. Jamil sempre reclamou de nunca a conseguir fazer se soltar nesta área.

— Escolha o que quiser. — Tomo a sacola da mão dela delicadamente, segurando o carrinho também. — Está tudo bem mesmo, Samia. Pegue o que quiser.

Ela olhou incerta para tudo ao redor dela.

— Não tem nada de errado em usar maquiagem. Você vai ficar ainda mais linda, meu bem.

Até a moça da loja soltou algumas frases de incentivo para ela.

— Você tem uma pela boa e belos olhos. Vai ficar ainda mais bonita. — O sotaque da moça era ainda mais forte do que o de Jamil.

Samia deve ser sentido confortável, acho que por se lembrar do irmão e finalmente cedeu. Nos próximos vinte minutos, ela ficou muito entusiasmada em escolher diversas pulseiras, brincos e um colar vermelho, além de algumas maquiagens de cores escuras e um batom vermelho. Quando ela terminou, me olhou como se estivesse prestes a devolver tudo no lugar.

Antes que ela mudasse de ideia, tomei a cesta que ela encheu da mão dela e dei para a moça da loja. Paguei com o mesmo cartão que paguei o notebook de Samia. Consegui, com algum esforço, fazer a mesma coisa numa loja de roupas, em que consegui a incentivar a comprar um short preto que ela pareceu gostar muito.

Ficamos fazendo compras por quase duas horas.

Cansado de andar, a convenci a ir para a praça de alimentação. Sentamos a mesas de um restaurante que escolhemos. Deixei Samia sozinha com Andréa por alguns minutos para pedir os lanches. A praça não estava cheia. Até fiquei preocupado em deixar ela sozinha por alguns minutos, mas quando voltei com os lanches, ela ainda estava mostrando o colar vermelho para Andréa. Pus a bandeja com os lanches em cima da mesa, me sentando perto do carrinho de Andréa. A tirei do carrinho, e a coloquei no meu colo.

Samia ficou séria de repente, observando o colar em suas mãos.

— Tudo bem!?

Ela assente, ainda séria.

— Samia, eu preciso de um favor seu. — Ela me olha séria. — Samuel e eu vamos sair no final de semana e nós precisamos que vocês fiquem nos meus pais. Espero não ser um problema para você. Mas se for...

Ela move a cabeça para os lados, passando a ideia de que pode lidar com isto. A seriedade ainda está em seu belo e jovial rosto, tanto que poderia fazer uma verruga no rosto dela. Noto que ela olha demais para o colar ainda com a etiqueta de preço presa na ponta.

— Não precisa se preocupar quanto ao dinheiro. — Ela me olha com a testa levemente franzida. — Eu só estou usando o dinheiro que seu irmão deixou para você.

Ela arregala de leve os olhos, surpresa e um pouco desconfortável.

— Sabe, Samia, eu quero fazer uma conta no seu nome e passar o dinheiro que seu irmão te deixou para você usar como quiser. Mas ainda preciso esperar Enrico fazer aniversário. — digo. — Ele se importava muito com você. E só queria o melhor para você. Não deixe que o houve com ti impeça de fazer o que quiser fazer. Só você sabe como esta dor pesa para você, mas seu irmão gostaria muito que você fosse livre. A essa altura, só você pode se libertar. — Puxo do carrinho o celular que comprei e empurrei em cima da mesa para ela. — Se quiser usar roupas curtas, maquiagem ou conversar, desenhar, ou até fazer faculdade, se sinta livre para fazer isto. Eu e Samuel, Enrico também, vamos te apoiar sempre. Você é livre, especial, forte e uma linda mulher, Samia. Não deixe que o que eles te fizeram roubem seu brilho.

Algumas lágrimas escorriam pelos cantos dos lábios dela. Estico a mão, tocando o rosto dela paternalmente.

— Seu irmão estaria orgulhoso de você, e eu também estou.

Um sorriso discreto, como não vejo há meses nasce nos lábios dela quando com uma vozinha fina, gentil e sussurrada, porém audível, ela fala:

— Obrigada, tio Victor.



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