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História Afers Exteriors - Capítulo 51


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Capítulo 51 - As horas que se seguiram


Fanfic / Fanfiction Afers Exteriors - Capítulo 51 - As horas que se seguiram

51 — As horas que se seguiram… 


Definitivamente, aquela não era uma manhã para se trabalhar com calma, pensou Lyon. Quando ele chegou de manhã na confeitaria, encontrou as cadeiras arrumadas, um ou outro cliente fazendo seu café da manhã. Tudo normal como sempre, exceto Sherry desesperada sem saber o que fazer, sem Lisanna e sem Juvia.

— Sherry, o que aconteceu? Cadê a Juvia? 

— Foi pedir ajuda pro Natsu! Levaram a Lisanna! 

— Como assim levaram a Lisanna?

— Parece que foi um tal de Gray… 

— Gray? — Lyon teve um infarto na hora. Caiu para trás e todos ficaram preocupados. 


[...]


— Lisanna, o que aconteceu entre você e esse homem? — perguntou Ichiya, apontando para o vidro da sala de depoimentos. Fora dela estavam Gray e Erza, esperando. O moreno não estava nem aí com aquilo, já tinha se acostumado a frequentar delegacias. Erza era a única que estava preocupada, olhando para o chão e conversando com Gray que ele não deveria ter feito aquilo. 

Laxus estava ao lado deles, vestido de terno e gravata. Por um fato que o comissário achava milagre, o loiro exibiu sua licença de advogado europeu, capacitado para atuar em qualquer país do bloco. 

— O que aconteceu? Uma história de muita dor, muita tristeza mesmo… Não quero nem me lembrar… — disse a albina, abraçando os próprios braços.

— Você foi abusada? Em algum sentido? Pode ficar tranquila, seja como foi, vamos te dar a justiça que merece! — perguntou o homem, olhando seriamente em seus olhos. Os traços quadrados em seu rosto eram assustadores.

— Não, eu que me iludi demais com romances durante toda a minha vida… principalmente com o Gray. Alimentei expectativas que eu não deveria ter alimentado, já dizia a minha irmã… Tudo por culpa de umas ovelhas… malditas ovelhas!

Ichiya anotou algumas palavras no tablet, e Lisanna ficou preocupada quanto ao conteúdo delas. 

— Alguma coisa a acrescentar? Você foi realmente sequestrada por aquele homem? O Laxus, o Gray? Ele te forçou a alguma coisa?

— Não. O Laxus é meu ex-cunhado… 

— Que história cabulosa essa sua… — Ichiya fez mais anotações no tablet. — Tem certeza que ele não te forçou a nada? 

— Ele só quis montar um teatro pra saber quem eram as pessoas que eu conhecia, que eu tinha contato, principalmente o Natsu, ex-marido da Lucy… 

— Agora a história fica espinhosa pro meu lado… — Ichiya continuou a anotar no tablet, e Lisanna começou a se sentir mais relaxada. — Eu conheço essa história. Bem, pode ir, Lisanna. Qualquer coisa eu te chamo… O dia vai ser longo pra mim hoje… 

Lisanna levantou-se da cadeira e foi até a maçaneta da porta, mas antes, Ichiya a parou com sua voz. 

— Você pode ferrar com esse homem, Lisanna! Eu já vi um cara folgado como ele e tenho medo de saber o que ele pode fazer, vendo a ficha policial que tenho na minha mão…   

— Não foi sequestro nenhum, comissário. Eu quem quis ir pra saber qual era a dele. Bem, ele só queria fazer alarde pra saber como eu tava aqui em Barcelona. Tenho medo que ele faça mal pra outras pessoas daqui, que não sou eu, eu já falei quem era. Agora que eu já sei o que ele quer aqui, vou dar outro soco na cara dele! 

Ichiya sorriu.  

— Toma cuidado, Lisanna! Principalmente com gente como ele… — disse Ichiya, sorrindo com seu rosto quadrado. Nada de lesões corporais!

— Está bem… — Lisanna partiu e nem sequer quis olhar para Gray ou Laxus. 


[...]


Gray foi chamado para a sala de Ichiya, mas pediu encarecidamente para ter Erza consigo além de Laxus. Estava na cara que o comissário não ia com a cara do moreno.

— Comi? Sim! Com consentimento! Digo que foi o pior sexo da minha vida! Parecia que eu tava transando com um pedaço de carne dura e morta! Depois, ela saiu quebrando a minha casa no fjord até não sobrar nada! Pode isso? Rola processo por dano qualificado de propriedade privada? 

Ichiya não moveu a face inflexível por nada. 

— Senhora Erza, o que acha desses termos que ele usa com a Lisanna?

— Eu acho que é muito falso moralismo do senhor! Ninguém na hora da transa fica falando palavra bonita! Eu também não falo palavra bonita quando me refiro a homens — rebateu Erza. 

Ichiya calou-se, anotando em seu tablet

— Senhor Gray Sørge, o senhor já foi processado por pesca ilegal de baleia. Já até passou um tempo preso.

— Só foi uns três meses. Paguei a multa, não paguei? Tô limpo! Pra que vão continuar fritando o meu fígado? — Gray perguntou.

Ichiya terminou de anotar no tablet e falou sério com ele.

— Estou de olho no senhor e nas suas operações de pesca aqui na Catalunya. Um passo fora da linha e você está frito de verdade! 

— Eu também tô de olho no senhor também! Não pense que eu vou levar esse tapa e não bater depois! Tô com um arranhão na testa, eu poderia ter sido morto! Posso processar o Natsu por tentativa de assassinato? E aquele fuzil no meu pescoço que o Jellal colocou? Quem vai responder? 

— E aquele seu maldito florete nas mãos, rapaz? — Ichiya perdeu a paciência e começou a discutir com Gray.

— Se eu for fundo com isso, eu ganho na justiça! Você que não se cuide com seus protocolos policiais errados! E outra: eu tenho licença europeia pra porte de arma branca. De fogo também. — Gray falou.

— Você que não se atreva a ir fundo com isso! Eu também vou! — disse Ichiya batendo na mesa.

Nesse instante, Leo entrou na sala, um homem de cabelos loiros castanhos e óculos de lentes esverdeadas no rosto. Ele era o advogado pessoal de Lucy e foi enviado pela loira para defender Gray.

— Com licença, comissário. Não posso permitir que meu cliente seja interrogado sem que ele queira! Ele tem direito constitucional de se manter calado e só responder em juízo. O que não é o caso. Nem mesmo o de produzir provas contra si mesmo. Com licença! — disse Leo.

— Não há crime sem lei anterior que o defina. Não há pena sem prévia proibição legal, sob ameaça de alguma penalidade — disse Ichiya, sem desgrudar os olhos deles. Eu conheço as leis, sei o que estou fazendo… diga isso pra minha sobrinha… 

— Eu direi… — Gray, Laxus e Erza saíram da sala e Leu fechou a porta.


[...]


Eram onze horas da manhã.

Depois de uma manhã turbulenta, Lisanna voltou para a confeitaria de Lyon. Ainda estava com a camisa azul manchada de sangue, fruto do ferimento feito pelo arpão de Erza. Quando Juvia a viu, recebeu-a de braços abertos. Sherry também estava surpresa, mas continuou a servir os clientes para não interromper a rotina da confeitaria e criar mais alardes do que os que já haviam. 

— Mulher, o que aconteceu com você? — indagou a azulada, vendo o curativo no nariz e a bandana na cintura. 

— Só uma briga de rua que um lobo selvagem como eu travou contra uma filhote de dragão… só isso… — Juvia abraçou Lisanna, trêmula de preocupação.

— Lisanna! — disse Lyon. — O que o Gray te fez? 

— Muita coisa que não vale a pena dizer aqui… nem se compara com o que ele fez pra Juvia… — disse Lisanna, desabafando. — Conhece ele? — indagou a albina, percebendo a familiaridade com que Lyon falava sobre o homem de cabelos espetados.

— Lis… não precisamos falar da Noruega aqui… — disse Juvia. — Isso dá gatilho! 

— Eu nunca entendi esse negócio de gatilho! Se eu não gosto de uma coisa que eu ouvi, eu me afasto da pessoa. Se eu caí na neve, eu me levanto e continuo andando! — disse Lisanna. Lyon levantou as mãos para o ar.

    — Juvia, sou eu quem pergunto: você conhece o Gray? — perguntou o azulado de cabelos espetados. 

— Se eu conheço? Me fala o senhor também… eu também tenho meus gatilhos… — respondeu Juvia

O sino na porta soou. Um cliente entrou na confeitaria. Era Gray.

— Então vamos tratar de disparar esses gatilhos e resolver essa parada entre a gente aqui e agora! Principalmente você, Juvia! — disse o homem, olhando sério para eles. 

Lyon e Juvia arregalaram os olhos. Lisanna o olhava com desprezo. 

— Vou embora… — disse a albina de olhos claros. — Vou fazer minha hora do almoço mais cedo hoje… 

— Pode ir o dia todo, Lisanna. Me avise se precisar de mais um dia. Cuide de seus ferimentos. Amanhã a gente se fala… — disse Lyon, sorrindo timidamente. Ele nunca fazia esse tipo de coisa. Era um dos que mais se preocupavam com o andamento do trabalho. 

Até mesmo Juvia se assustou, mas o momento era excepcional demais para questionar qualquer coisa que Lyon fizesse naquele momento. A azulada olhou para Lisanna, fazendo sim com a cabeça e confirmando a decisão dele. 

— Amanhã a gente se vê, Lis… — disse Juvia.

— Espere! — disse Gray, segurando o braço dela. — Eu também quero falar com você, Lisanna! 

— Mas eu não quero falar com você e pronto! Avisa pra Erza que quero revanche! Dessa vez eu vou com tudo! — A albina se soltou das mãos dele e saiu pela porta. Lyon e Juvia continuaram a olhar para ele. 

— Quanto tempo, irmão! — disse Gray. 

— Irmão? — perguntou Juvia, comparando os dois.

— É uma história complicada essa, que envolve abandonos e uma general louca no meio do gelo… Mas eu pude aprender, Gray, eu aprendi muito dela sim! Vamos esclarecer esse passado de vez? — disse Lyon, socando as mãos. O clima do local ficou frio sem precisar de um ar condicionado para isso.


Continua… 



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