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História Affection - Capítulo 21


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Notas do Autor


Ola!
Outro cap aqui e não estamos nem perto do fim.
Sinceramente eu queria muito ter lembrado que essa musica existia, pq seria o nome da fanfic, mas é uma musica beeeem das antigas que eu não escuto a anos, então...
Bom, cap que as coisas estão andando onde todo mundo é muito bb uwu
Desculpe qualquer erro e espero que gostem!

Capítulo 21 - Entre a Serpente e a Estrela


  Aziraphale podia dizer que estava satisfeito com seu trabalho de cupido, bem, não havia recebido os resultado de seus esforços ainda, mas sentia que estava se saindo muito bem para um iniciante.

  Conversara muito com Gabriel no dia anterior, porque o arcanjo era realmente um perdido quando se tratava dos humanos, e mesmo que Crowley não fosse um, estava a tempo de mais na Terra para não acabar sem todas aquelas manias, por sorte o principado era um expert em romances, não que já tivesse de fato vivenciado um, mas todas aquelas noites maratonando todos aqueles livros teriam de servir para alguma coisa, não é ? Além das explicações e entendimentos, também resolveram por programar aquela data e hora para que o arcanjo pudesse falar com o demônio. E assim só restava-lhe o guiar ao caminho certo e deixar o resto para o futuro casal, afinal, não tinha como ele simplesmente escrever e reescrever as falas de alguém no mundo real.

  Numa falsa inocência ele chamou o ruivo para lhe ajudar na organização de alguns livros novos que conseguira, o real motivo não sendo esse – mesmo tendo achado uma graça como o demônio se prontificara de primeira -, abrira aquela livraria sozinho, não iria então precisar de ajudar com aquela pequena quantidade, estava só querendo conferir que tudo estava nos conformes até dar a hora. Então estavam ambos ali, mudando alguns dos milhares de livros de lugar, recolocando outros, aproveitando a bagunça para tirar o pó que conseguia se juntar com uma facilidade extraordinária, Crowley sendo muito prestativo, como sempre costumara ser, felizmente parecendo bem melhor do que da ultima vez que se viram, e era até irônico pensar que isso vinha de uma fé que não deveria ter, Aziraphale sabia, mesmo que o tal ainda não tivesse comentando nada sobre se ele havia conseguido ou não falar com o arcanjo, o anjo sabia que o que fazia com que continuasse ali era esperança.

  Foi quando o telefone tocou, teve que conter o sorriso, indo atender, então, casualmente a ligação que já esperava por vir, os comprimentos sendo breves assim como a conversa que logo acabara, afinal era só uma confirmação. Não deixou de notar aquele olhar curioso que o demônio colocara sobre si quando voltara a estar próximo do mesmo, e não deixara de esperar que lhe perguntasse quem era, mas talvez ele achasse que estaria se intrometendo de mais em sua vida e acabara por deixar a pergunta de lado, o que ia contra o enredo que já havia planejado em sua mente, mas tudo bem, teria que seguir o curso, sorrindo serenamente ao pegar o livro que o ruivo segurava.

 - Era o Gabriel.

  E Crowley realmente tinha um milhão de coisas para falar, mas acabou que nada saiu, a boca se manteve aberta, um pequeno sorriso se fazendo presente no canto dos lábios, e mesmo que os olhos estivesse atrás daquelas lentes escuras, podia se ver nitidamente a surpresa carregada por aquele mar de esperança. Só depois de um tempo que poderiam ter sido muito bem  apenas segundos, mas que pareceram uma eternidade, a voz pareceu voltar a seu devido lugar e depois de um som que pareceu um engasgo, conseguiu falar:

 - Eu pensei que você ainda não tivesse conseguido falar com ele.

 - Surpresa! – Deus, ele estava realmente animado com isso, afinal, essa historia daria um ótimo livro ou quem sabe uma fanfic, ele lia esse tipo de coisa, não tinha muito para que usar aquele computador também.- Ele esta no St. James Park, é bom não deixa-lo esperando.

  Crowley, que ainda tinha aquela cara surpresa, não soube mais uma vez o que dizer, estava realmente feliz, era uma ótima surpresa, daquelas que você não suspeita nenhum pouco e quando vê tudo que consegue fazer é sorrir feito um idiota, porque era simplesmente o que você mais queria todo esse tempo, e agora é seu! Seu olhar foi para àquela pilha de livros, havia dito que ajudaria o anjo, mas Gabriel agora lhe esperava, então olhou para porta do outro lado da sala, tinha que ir, felizmente quando seu olhar encontrou com o de Aziraphale, teve certeza do que deveria fazer, porque ele sorria docemente, apenas esperando que ele fosse rumo ao seu arcanjo e faria isso! Mas antes teve que abraçar o principado, agradecido.

  Seu Bentley já estava no aguardo assim que saiu da livraria, girou a chave, o motor deu sinal de vida e os pneus cantaram quando o trajeto começou. Se estava ansioso ? Estava mais para transbordando ansiedade, aquela boa que te da uma energia surreal, mas também a ruim que o consumia de apreensão, porque tudo podia acontecer naquele encontro, por um lado podia acabar usando um vestido de noiva e sendo carregado por Gabriel para fora da igreja – já que pisar nela estava fora de cogitação – mas por outro lado podia acabar chorando no sofá de Aziraphale enquanto o mesmo lhe fazia um cafuné falando que iria ficar tudo bem.

  Fez uma curva não muito segura e acabou por ouvir o grito de algum pedestre – que para a felicidade do mesmo saiu ileso -, mas não era como se a pessoa não soubesse dos riscos que estava correndo ao estar no meio da rua.  E ele sabia muito bem que não se deve ir àquela velocidade bem no centro de Londres, mas seus motivos eram muito mais nobres para ter de respeitar as leis de transito.

  Considerando a distancia, todos os outros carros e os sinais, havia chego ao parque em um tempo muito mais curto do que o previsto, estacionou deixando muito a desejar, e sabia que, por milagre, ele estaria trancado e livre de furtos, porque não estava com tempo para tranca-lo manualmente ou até mesmo pensar na futura multa que ganharia, já havia se colocado a caminhar com passos largos e apressados.

  Quando viu a figura alta e esbelta de Gabriel sua primeira reação foi querer correr em sua direção, pular em seus braços e o beijar como se o amanha nunca fosse chegar, mas foi nesse mesmo instante que travou no lugar, pensando um pouco em todos os fatos que rondavam sua atual situação com o arcanjo, sendo esse não os melhores, era provável que ainda estivesse bravo com ele – e com motivos! Não tinha como negar -, então tentou ser o mais natural possível, mesmo que seu modo de andar não fosse o que se pode considerar natural.

 - Gabriel!

  Falou assim que próximos, o tom apesar de animado sendo receoso, acabando por piorar quando o sorriso que recebera do anjo não fora tudo aquilo que esperava, também não estava cheio de encanto e ele se perguntou se isso era porque ele próprio estava esperando por algo a mais – sendo esse o fato, mas não era como se ele pudesse ler mentes – ou se o próprio estava desgostoso em vê-lo, que não quisesse isso e só estivesse ali por obrigação, para por os pingos nos Is e finalmente dar um final para toda aquela historia de milênios.

 - Crowley.- O nome saiu em um suspiro, porque talvez não houvesse palavras o suficiente para descrever o quão contente estava de o ter ali mais uma vez, mesmo que já não tivesse começado da maneira que esperava, porque é claro que queria ter tido um reencontro todo romantizado, mas por outro lado entendia a situação que se encontravam, então seria paciente. Só que então o silencio veio incomodo e ficar ali em pé apenas se encarando não os levaria a lugar nenhum, e é claro que sentar no banco de madeira não mudaria nada, mesmo assim o fez, convidando o demônio a vir ao seu lado.- Acho que a gente tem muito pra conversar.

 - É.- Assentiu, as mãos inquietas enroscando-se uma nas outras, estava receoso, no mínimo, a fala sumindo mais uma vez até seu olhar se encontrar com o do arcanjo, que sorriu, fazendo parecer que no fim estava tudo bem, porque não acreditava de fato que as coisas não estavam o caos que sua mente dizia.- Me desculpa, eu sei que já é meio tarde, mas...

 - Esqueça isso, esta tudo bem.

 - Não, não ta. Eu sempre faço essas merdas com você e você não devia me perdoar fácil assim!

 - Todos merecem perdão, apesar dos apesares.

 - Você pegou raiva dos humanos por séculos, não me venha com essa de que sai distribuído perdão.

 - Ta certo, você disse coisas que me magoaram, mas não quer dizer que estavam erradas, eu tive que aceitar e..

 - É claro que estavam erradas! Eu estava errado esse tempo todo.

 - Mas já passou, não podemos viver do passado, Crowley.

  E era bem claro que essa frase fora muito mais para si do que para o demônio, o mesmo percebendo isso, acabando por levar para um outro lado, era para esquecer só esse passado ou todo o resto? Queria dizer, então, que acabava ali ? Mas se era isso por que ele parecia tão amigável ? Se quisesse cortar tudo de uma vez não teria nem se dado o trabalho de estar ali, como o ruivo já havia achado ter acontecido, mesmo que já tivessem ficado muito mais tempo sem se ver, era mais por conta do trabalho e toda aquela burocracia, não porque havia o mandado embora, então as duvidas continuavam sem respostas.

 - Então vai só fingir que não aconteceu ?

 - Exatamente.

 - Por que ?

 - Porque não tem mais o que se discutir.

 - É claro que tem, seu sem noção, não pode ficar passando a mão na cabeça dos outros quando eles fazem merda, não é assim que se educa um filho.

  Gabriel acabou por rir, porque Crowley falava em um tom tão serio, não deixando a indignação de lado. Mas como parecia não estar entendendo as coisas, o arcanjo se viu obrigado a levar as mãos em seu rosto, retirando-lhe os óculos – o demônio ficava mesmo uma graça quando corado, o encarando daquela maneira -.

 - Eu não estou bravo com você.

 - Então o que ta fazendo aqui ?

  Foi quando o seu sorriso se desmanchou, o suspiro foi pesado e o ruivo logo se arrependera de perguntar, com certeza não viria algo bom.

 - Eu falei com Aziraphale.

 - Uhum.

 - E ele me contou que vocês trocaram de lugar...nisso acredito que lhe devo desculpas pelo que disse naquele julgamento.

 - Não foram para mim, então não posso me sentir ofendido.

  O arcanjo assentiu, tornando a falar.

 - Ele também me falou que você recuperou algumas lembranças e que conversaram sobre o...sobre o Raphael.

  Crowley engoliu em seco, a forma com que o de cabelos negros pronunciara aquele nome carregava muitos sentimentos, o que quebrava sua teoria de que não se lembrava dele, o que era confuso, porque com certeza teria o reconhecido no Egito, então havia muito a se explicar ali, era por esse momento que há tanto esperava.

 - Ah, Crowley.- O passado voltava com tudo, mesmo que já tivesse tomado sua decisão, que já soubesse sua resposta absoluta naquele mundo cheio de perguntas, ainda batia fundo em seu peito.- Eu o amei tanto, com tudo que tive, porque o universo gritava que era tudo por ele, minha existência só fazia sentido ao lado dele.- Os olhos marejavam e o sorriso saiu falho, não havia como esconder.- Ele era a minha estrela.

  Podia sentir o ar entrar com dificuldade, os nós dos dedos doerem sendo que nem se lembrava de ter cerrado os punhos, porque agora ele parecia valer tão menos do que achava – e olhe que suas apostas nunca foram altas – porque Raphael havia sido alguém que ele jamais conseguiria ser, e não sabia se era a ele quem Gabriel queria, não quando falava com tanto esmero sobre o seu anjo, como um demônio como ele poderia se comparar a um criador de estrelas ?

 - E eu tentei convencê-lo a parar de andar com Lúcifer...mas falhei.

 - E ele caiu, suponho.

  Disse, encolhendo um pouco no banco, porque naquele momento havia deixado de ser Raphael, naquele momento em que todo o corpo doía, em que as asas ardiam como se queimassem, e mente era confusa, com um borrão no lugar das memórias, Lúcifer lhe estendera a mão e o ajudara a se levantar, e olhando em volta via todos aquele anjos caídos feridos, em fúria e lagrimas, Baal havia perdido as asas, e mesmo que isso nunca tenha a impedido de se torna o Príncipe do Inferno e Senhor das Moscas, não era uma cena prazerosa de se lembrar. Assim como ela havia mudado seu nome para Beelzebub, os outros demônios o fizeram, e ele não viu problemas em mudar o seu, Raphael lhe parecia vazio de mais.

 - Ele caiu...e eu não sabia a quem culpar. Sinceramente, não sei como Aziraphale não me odeia depois que tanto o crucifiquei.

 - “Todos merecem perdão”, não é ?

 - Claro.- Sorriu, se deixando levar naquela imensidão âmbar antes de voltar ao mundo real.- Foram tempos terríveis, eu não entendia o porquê ele teve que cair e já havia perdido a fé de que um dia poderia revê-lo. Então foquei em outras coisas, em todo aquele trabalho que tinha que ser feito e parecia que tudo ia dar certo, Deus me apresentou os planos para Jesus e eu estava tão feliz por estar envolvido.- Seu sorriso fora verdadeiro, porque era tão inocente, porque aquela criança lhe trouxe tantas alegrias, podia estar como honra para os demais anjos, mas para ele fora muito mais que isso, era uma família.- Miguel não aguentava mais me ouvir falando disso e Maria foi uma amiga maravilhosa, infelizmente não a vi muito depois de sua morte, os departamentos são distantes...E eu achei mais um motivo para existir, estar com aquela família me trazia uma alegria que parece impossível de por em palavras, e então eu o vi de novo, com aquele sorriso, brincando com Jesus, era inacreditável, não tinha como eu estar mais feliz, só que...

 - Ele não se lembrava de você.- Completou, porque essa parte ele já sabia de cor, se lembrava de ter aquele estranho sentimento de que já conhecia Gabriel, mas não sabia se podia confiar nessas paranoias de sua cabeça, então optou por não se questionar, não tinha como saber a verdade, diferente do arcanjo, que a escondera de si até aquele momento.- Por que não me contou naquela época ?

 - Não parecia que adiantaria.

 - As coisas teriam sido com certeza diferentes, Gabriel, sabe disso.

 - Não, não teriam, porque quando Jesus...quando ele morresse, eu agiria da mesma forma e te perderia do mesmo jeito.

 - Então a onde você quer chegar com isso ?

 - Eu cheguei a uma conclusão.

 - Sobre o que ?

 - Que se por algum motivo nós dois estivéssemos enganados, que o Raphael estivesse por ai e de repente colocassem vocês lado a lado, eu te escolheria.

 - Gabriel...

 - Anjos não costumam mentir, Crowley.

 - Mas por que ? Se todos esses anos você só estava atrás dele...

 - Porque eu te amo.

  O ar entrou engasgado e Crowley tinha certeza que o coração havia batido em falso, sentia as mãos tremerem quando as do arcanjo as seguraram com todo aquele carinho. Foi quando achou que seria a sua vez de falar, utilizando as mesmas falas antes já projetadas para a desculpa, porque apesar de não ser exatamente o mesmo contexto, ainda valiam em forma de sentimento, até porque o raciocínio já não estava muito bom, agora estando desconcertado com tais declarações.

 - Me desculpa por não ter percebido antes que não era o Aziraphale.- O ruivo molhou os lábios, aumentando o aperto naquelas mãos.- E por tudo que eu te fiz passar ao longo disso.

 - Pelo menos a maioria arrancou algumas risadas.

  Brincou, porque seu demônio parecia bem tenso e fazê-lo sorrir foi mesmo uma vitoria.

 - É, e você é péssimo dançando.

 - E você, sabendo disso, me fez dançar em publico muitas vezes.

 - Uma hora você tinha que aprender! - Se defendeu, as coisas parecendo ficar mais leves e os risos começando, casuais e divertidos, daqueles que sempre termina em um suspiro e naquele olhar bobo.- Eu também te amo, Gabe.

  E aquele sorriso valia mais do que o mundo poderia dar, e era seu(!), todos os sorrisos agora eram seus, porque agora o tinha para si, seu arcanjo, envolvendo-lhe o rosto, dando inicio àquele beijo necessitado. E seria esse o momento ideal, enquanto enroscavam-se, para dar um fim a essa historia de amor, o fato que impede isso sendo que Crowley ainda era um demônio assim como Gabriel continuava a ser um anjo e todos bem sabemos que romances proibidos no estilo Romeu e Julieta nunca acabam tão fácil assim.


Notas Finais


I cabo!
A fic poderia muito bem ter acabado aqui, mas eu achei que faltava algo e acabou que isso vai se estender, e muito ainda, o que eu adorei.
O titulo meio que tem muito mais significado do que eu acabei mostrando na fic, mas acho que já da pra ter uma noçãozinha, né ?
Bem, as coisas estão se resolvendo e logo teremos cenas bem amorzinho entre esses dois uwu
(mas isso não quer dizer que td vai ser um mar de flores, mas sem spoilers hehe)
Muuuuiiito obrigada por ter lido até aqui e até ~~


Musica:
https://www.youtube.com/watch?v=GLPHJMWD600


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