História Affogato - Capítulo 1


Escrita por: e Pinkkee

Postado
Categorias Teen Top
Personagens Cap, Chunji, L.Joe, Niel, Personagens Originais
Tags Chunjoe, Nap, Olddays_project, Pktk, Teen Top
Visualizações 21
Palavras 5.013
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Fluffy, LGBT, Shonen-Ai, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olá :3
Para este mês eu decidi ficar mais na minha área de conforto e escrever um romancezinho não muito elaborado xD o objectivo desta fanfic é passar uma mensagem (acho eu), e ela é bem sentimental. É o meu debut na categoria do Teen Top por isso eu estou muito animada também xD S2
Esta fanfic foi inspirada na música Affogato do Niel feat. CAP (que deu o nome à história) e também num FMV (que na verdade é um trailer de uma outra fanfic, mas não é plágio tá, qualquer semelhança é mera coincidência, até porque eu nem li a fanfic pertencente a esse trailer). Links nas notas finais.
Tema: Faculdade

Boa leitura ^^

Capítulo 1 - Bittersweet


Não entendo este clima.” — A mulher suspirou, levando a xícara de chá de gengibre à boca, e dando um gole curto. — “Está cada vez mais estranho.”


Chama-se aquecimento global, mãe. A culpa é nossa.” — O jovem sorriu para a progenitora, vestindo o seu cardigan escuro. — “Nós somos culpados de muita coisa, e depois as consequências caem sobre nós mesmos.” — Pegou as chaves de casa e do carro, colocando-as dentro do bolso, assim como o seu telemóvel. — “Vou sair!” — acenou — “Volto antes da hora do jantar.”


Boa aula, querido.” — Respondeu a sua mãe, acenando de volta, e Daniel saiu, fechando a porta atrás de si. — “Aquecimento global….”


O dia não estava quente nem frio, nem nublado ou soalheiro, estava apenas como uma manhã de verão deveria ser: calma e amena. Na verdade, havia chovido todas as noites na semana passada, mas era possível ver tudo sequinho naquela segunda-feira – e Daniel agradeceu por isso, pois odiava o simples ato de ter que levar o guarda-chuva para todo o lado na faculdade.

É, Daniel não odiava quase nada naquela vida – só mesmo aquelas coisas que o tiravam do sério. Por exemplo, a vizinha do prédio da frente que fumava à janela com o filho bebé no colo, o casal do 2º andar que passava as noites a discutir, ter de apanhar com a chuva mesmo sendo verão e ver o pobre cachorrinho abandonado desde o ano passado choramingar todos os dias quando passava por ele de manhã, a caminho do carro. Tudo isso doía-lhe no peito, também.

Ahn Daniel era uma pessoa simples: vivia com a sua mãe adotiva num apartamento não muito grande na Coreia do Sul, apesar de ter nascido nos Estados Unidos; fazia faculdade de psicologia e queria ser escritor; amava animais, música, natureza e a beleza da simplicidade de todas estas coisas; tinha um carro de segunda mão mas que trabalhava perfeitamente, e apelidou-o de Lorry por razão nenhuma aparente. Era solteiro e tinha poucos amigos, mas era feliz assim.

Depois de dirigir durante três quartos de hora, Daniel finalmente chegou à faculdade. Cumprimentou alguns conhecidos pelo caminho, até encontrar Chanhee – o seu melhor amigo – à porta da sala onde teriam a primeira aula. Estava quase a chegar o fim do ano letivo, o que significava um monte de trabalhos aleatórios de todos os professores.


Se eu não tiver boa nota neste trabalho da professora Song, podes ter a certeza que vou reprovar nesta disciplina e ter que a repetir ano que vem, o que seria a pior coisa de sempre, pois os meus pais disseram que só financiariam as minhas aulas de condução se eu não reprovasse em nenhuma disciplina na faculdade. E eu, obviamente, não tenho dinheiro para isso, por isso teria de andar de transportes públicos para o resto da vida.” — Suspirou. Chanhee conseguia ser muito dramático quando queria.


Acho que isso não seria assim tão mau para ti, não é?” — Questionou Niel, com uma sobrancelha arqueada, e o mais velho riu baixinho, entendendo quais as intenções das palavras do amigo. — “Por que isso significaria encontros ilimitados com o crush do metro, estou certo?”


Digamos que viver longe tem as suas vantagens, andar de metro também, entrar sempre no mesmo vagão e sentar-me sempre em frente ao garoto baixinho de cabelos lilás e óculos redondos, também. Mas são meras coincidências.” — Deu de ombros. Aquele garoto era mesmo lindo.


Acho que deverias falar com ele. Aposto que ele já percebeu que faz quase um ano que o olhas no metro, cinco dias por semana. Um simples Olá, qual é o teu nome?” não fará mal a ninguém e talvez depois possas descobrir se ele também tem qualquer tipo de interesse em ti.”


Felizmente para Chanhee, a professora Song chegou a tempo de o salvar antes que Daniel realmente o conseguisse convencer a ter uma atitude para com o seu crush do metro. O Ahn murmurou um “vou ficar à espera”, e sentaram-se juntos a meio da sala, perto da janela.

Depois de marcadas as presenças, a professora procedeu com a apresentação daquele que seria o trabalho final, que não tinha grande valor, mas ainda poderia ser uma percentagem importante para aqueles com notas mais fracas e em risco de reprovar – como o melhor amigo do loiro. O trabalho era como uma reflexão, onde os alunos teriam de comunicar com diferentes pessoas, com géneros, classes sociais, faixas etárias, religiões e qualquer outro tipo de requisitos diversificados e diferentes. Haviam algumas perguntas básicas para ajuda:

O que faz algo/alguém ser belo?

O que te faz amar algo/alguém?

Podemos amar a simplicidade da beleza nas pequenas coisas? Exemplos.”

Não parecia algo difícil, Daniel gostava daquele tema. Ele mesmo se questionava aquelas mesmas coisas todos os dias, pois todos os dias procurava aceitar e amar as pequenas coisas mais imprescindíveis ou até insignificantes, mas que faziam parte da sua vida. Aquele era, sem dúvida, um trabalho que ele adoraria fazer.


Têm de entregar as reflexões até ao fim de semana para o meu e-mail.”


Mais algumas explicações e esclarecimentos de dúvidas, e a professora terminou a aula mais cedo. Daniel saiu da sala com Chanhee, dirigindo-se à sala da próxima aula.



Passava um pouco das quatro da tarde, e o Ahn caminhava junto com o seu melhor amigo até ao parque de estacionamento da faculdade, pois insistiu ao menor que o levaria até a estação de metro, para ele não ter de ir a caminhar até lá, afinal, ficava um pouco longe. Chanhee obviamente agradeceu, dizendo que a sua gentileza (e o latte que compraria no café junto da estação) iriam lhe dar coragem para falar com o seu crush de cabelos lilás.

Daniel ainda tinha umas horas livres, não havia provas para estudar, logo tudo o que lhe restava era fazer aquele trabalho – por que não começar naquele mesmo dia? Em volta das ruas perto da faculdade, não encontrava muita diversidade de gente: apenas coreanos de origem, uns de pele mais morena que outros, alguns com cores de cabelo ou penteados mais ousados, mas nada de muita diversidade. Claro, para não falar que todos tinham a mesma faixa etária.

Decidiu conduzir até aos subúrbios da cidade. Conhecia uma vila mais empobrecida a uma hora e meia dali, já havia ido lá algumas vezes, era onde morava o seu ex-namorado. À medida que as ruas iam ficando mais e mais familiares, Niel lembrava-se das razões que o fizeram dirigir-se até tão longe ali, e também as quais o fizeram nunca mais ali voltar, desde que acabaram, alguns poucos meses atrás.

Bang Minsoo, o seu nome, era dois anos mais velho e abandonou a escola quando atingiu a maioridade, pois precisava de dinheiro para financiar os vícios que veio a desenvolver. Eles conheceram-se na esquadra da polícia, sim na esquadra da polícia, Minsoo por uma queixa de agressão física e Daniel por ter sido assaltado quando saía de uma festa naquela mesma noite. Eles sentaram-se um ao lado do outro, um agressor e uma vítima, completos desconhecidos. Ao ouvir a conversa do Ahn com o policial, o maior ofereceu o seu telemóvel para o loiro poder telefonar para a sua mãe e avisá-la que chegaria bem tarde, e sobre o ocorrido – e depois de um pouco de insistência, ele aceitou.

Minsoo tinha tatuagens pelos braços e peito e parecia até intimidante, mas quando ele sorriu de lado para si, parecia apenas mais um badboy qualquer, longe de realmente ser perigoso. Ele elogiou Daniel, bem, elogiou as suas calças justas que demarcavam cada curva do seu corpo, e a blusa larga que exponha o seu pescoço e clavículas. Na altura, o Ahn não era exatamente a pessoa mais confiante com o seu próprio corpo, por isso ouvir um elogio de um desconhecido fê-lo sentir-se bem de qualquer forma.


Eu gosto de caras magrinhos, acho sexy.”


E depois de uma pequena conversa sobre o porquê de Minsoo ter agredido um sujeito qualquer (algo que ele justificou apenas com um ele roubou-me a namorada”), ambos saíram juntos da esquadra. Quando o Bang jogou Daniel na parede e o beijou – algo que talvez o loiro tenha deixado, e talvez tenha gostado muito também – foi aí que o romance deles começou. O mais velho entregou-lhe um papel com o seu número, e disse para lhe telefonar quando recuperasse o seu telemóvel, ou quando tivesse um novo. E assim aconteceu.

Porém, depois de serem amigos coloridos durante alguns meses, a coisa entre eles ficou séria. Daniel passou muitas noites na casa de Minsoo, ali mesmo, no bairro onde acabara de chegar. Minsoo fumava em excesso, bebia em excesso, e ainda consumia vários tipos de drogas de tempos em tempos. Obviamente, o seu trabalho não dava para pagar tudo, então acabava por roubar ou ameaçar até mesmo os dealers que lhe vendiam as drogas. Minsoo não tinha uma vida boa, mas ele tinha Daniel, e Daniel tinha-o a ele. Eles amavam-se. E isso foi o suficiente para aquela relação durar cerca de três anos, até o loiro não aguentar mais todo o peso na consciência que era namorar com um criminoso, e todo aquele aperto no peito de ver Minsoo afundar-se cada vez mais na própria merda.

Estacionou o carro perto de um estabelecimento público – uma mercearia – pois achou mais seguro, sabia que ali viviam pessoas boas, mas também pessoas más. É sempre melhor ser precavido.

A primeira pessoa que avistou foi uma menina adolescente sentada na berma da estrada, a poucos metros de si. Ela tinha fones nos ouvidos e cabelos longos e negros. Parecia triste.


Olá.” — Começou, mas ela não o ouviu. Sentou-se então ao seu lado, e ela deu um pulinho no lugar, assustando-se, antes de desligar a música – “Não te queria assustar. Eu sou o Niel, e tu?”


Misaki.”


Eu estou aqui para um trabalho da faculdade, Misaki. Se quiseres me ajudar, só precisas de responder a algumas coisas. Gostarias de participar?” — Sorriu.


É sobre o quê?”


Ah, bem… Sobre beleza, amor, simplicidade, e admirar tudo isso.”


Eu não admiro muita coisa, mas podemos tentar.” — ela sorriu, tímida. Daniel achou-a fofa, e ficou feliz por poder trabalhar com ela. — “Primeira pergunta?”


O que faz algo ou alguém ser belo?” — leu, escrito no seu pequeno bloquinho de notas. A garota riu, irónica, e o Ahn olhou para ela, estranhando a reação.


Acho que basta nós sermos estereotipicamente bonitos” para sermos considerados belos por toda a gente, ou quase. Tudo o que não se enquadra, como eu, já não o é.”


Daniel ficou em silêncio. Ela tinha razão, era uma triste verdade.


Algumas pensam assim, mas eu não, e tu também. Aposto que os nossos pontos de vista podem até ser iguais. O que achas bonito?”


Ahm…” — Ela olhou em volta — “Nuvens?”


Isso é interessante. Há muitas pessoas que não gostam de nuvens.”


Eu gosto. São lindas, especialmente ao pôr do sol. Às vezes, eu gostaria de saber pintar só para pintar as nuvens e poder tê-las mais perto...”


A medida que o Ahn ia fazendo as perguntas, a japonesa ia respondendo-as, e o resultado agradou muito Daniel. Agradeceu à garota, e continuou o seu caminho, caminhando pelas ruas à beira da estrada. Entrou num café, pediu um copo de água e aproveitou para fazer as perguntas ao senhor ao balcão, um idoso de cicatrizes no rosto e histórias para contar, que fora militar e lutou pelo seu país. Algumas das suas histórias inclusive emocionaram Daniel, fazendo-o chorar ali, e ser consolado com mais um copinho de água.



Niel planeava usar apenas as respostas de três ou quatro pessoas, pois achou suficiente. Já eram dezanove horas, mas o sol apenas se punha às nove, por isso ainda teria um tempinho para encontrar mais alguém. Depois de caminhar chutando pedras pelo caminho, deparou-se com dois homens, muito musculados e nus da cintura para cima. A pele de ambos era morena e coberta de tattoos. Eles conversavam sobre qualquer coisa bem animadamente, com garrafas de cerveja nas mãos, e mais algumas no chão. Com certeza, dariam um bom testemunho, pois contrastavam com todas as outras pessoas com quem falou. Porém, reconhecia o perigo, pois aquela rua era mais remota e havia apenas eles naquele lugar. Quando deu por si, já era tarde demais, já havia sido notado por ambos, que agora atravessavam a estrada e se dirigiam a si.


Boa tarde, princesa. O que vossa majestade faz aqui?” — Um deles disse, empurrando Niel contra a parede. Aquela doeu, mas sabia que era o mínimo que lhe podia acontecer. — “A que damos a honra da sua visita?”


Pensava que as prostitutas só saiam de noite.” — o outro disse, tentando segurar o braço do loiro, mas ele conseguiu desviar-se.


Pára de ser viado, Suk! Que nojento da merda.”


Podem me deixar? Estava de saída.” — Engoliu em seco. Minsoo sempre lhe disse que não devia mostrar fraqueza. — “Eu… Eu tenho quem me proteja aqui. Ele pode ir atrás de vocês.”


O primeiro que falara anteriormente riu, segurando e puxando o cabelo de Niel, fazendo-o ficar de joelhos no chão e inevitavelmente chorar baixinho. Só esperava que o seu plano funcionasse e que pudesse voltar para casa e chorar encolhidinho na cama.


E quem seria esse?”


O-O… Bang.”


É a putinha do Bang, ele. Infelizmente esse gajo desde que virou viado andou a trabalhar mais na base da musculatura, mas não passa de um filho da puta desgraçado.” — E jogou Niel no chão. — “Oh Bang! Anda cá ver nós fodermos com a tua mulherzinha linda.”


Da esquina mais abaixo, apareceu Minsoo, com um andar relaxado e um cigarro de não exatamente tabaco entre os lábios. Ele franziu o cenho com a cena, e só quando o tal Suk segurou e levantou Daniel pelos cabelos, ele pôde o reconhecer, as suas feições bonitas, mas chorosas. Minsoo trancou o maxilar, jogou a droga no chão e cerrou os punhos, mas mantendo o seu andar vagaroso. Quando chegou em frente aos dois homens enormes, sorriu de lado, intercalando o olhar entre os dois e o Ahn.


Eu não te disse para não voltares aqui? A tua sorte é que eu estava aqui por perto. Suk, larga-o. Não querem ter problemas de novo comigo.” — e a sua pose controlada desmorunou-se quando acertou com um soco diretamente no rosto do homem que segurava Daniel, para logo puxar este para os seus braços e afastar-se, longe daqueles dois — “Desapareçam daqui. Jamais se metam comigo e muito menos com ele.


E Minsoo seguiu rua abaixo, de onde veio, puxando Daniel pela mão. Ambos não disseram uma palavra sequer até chegarem ao seu destino.



Estavam sentados no meio de uma estrada, com vista privilegiada para o horizonte, onde o Sol já desaparecia. O silêncio, antes compreensível, começava a ser incómodo.


Eu não sou o tipo de garoto inocente que vai cair aos teus pés e fazer tudo o que tu queres só por te ter aqui. Só por me teres salvo. Não me irás colar de novo numa parede e beijar-me, fazer-me teu. Não vou voltar para ti.” — Disse, a voz firme, enquanto olhava Minsoo nos olhos. Este sorriu de lado, desviando o olhar para o sol que se punha em meio às paisagem de casas baixas e de classe igualmente baixa. O céu coloria-se de laranja que refletia nos cabelos loiros de Niel e faziam-no parecer o príncipe que ele era aos olhos do Bang. — “Estou a falar a sério.”


Eu sei, não esperava outra coisa. Também não pretendo seduzir-te e levar-te para a minha cama. Só queria ajudar-te, entende. Eu não sou um homem mau, no fim de tudo. Eu nunca quis perder-te.”


Daniel mastigou aquelas palavras diversas vezes antes de por fim as engolir. Minsoo não era um homem mau, não. Ele não estragou a sua vida, nunca o obrigou a nada; ele apenas foi quem era e esperava ser amado assim. E foi amado assim. Não, Minsoo não era perfeito, mas foi sendo imperfeito que o Ahn o amou durante anos.


Eu… Obrigada. Por aquilo de há pouco. Se não fosses tu, provavelmente eles iriam me espancar, estuprar ou pior. Eu não sou forte ou ameaçador como tu, mas isso não são necessariamente coisas más. Obrigado, Minsoo.” — E suspirou. Sentia-se mal por ter sido rude com o maior quando este só o estava a ajudar.


Não precisas de agradecer. Faria tudo o que fosse possível para te proteger daqueles filhos da puta.”


Minsoo riu, antes de pegar um cigarro do bolso. Daniel levantou os olhos do alcatrão da estrada para ver o Bang com o cigarro não aceso na boca, ainda olhando o horizonte. Vê-lo assim, tão distante, mas tão perto, lembrou-o dos tempos em que namoravam, das madrugadas acordados a ver o sol nascer, nus, Daniel entre os lençóis enquanto apreciava a silhueta do corpo de Minsoo ser beijada pelos primeiros raios da manhã, soltando fumo pela boca; e este apenas vagueando com os pensamentos. Niel tinha ciúmes do tabaco e de todas as outras drogas e vícios, pois eram os únicos que sempre foram capazes de tirar o Bang de si – e foi pensar isto que o levou a retirar o cigarro de entre os lábios do outro e puxá-lo para um beijo.

Daniel tinha razão quando dizia que já não era um garoto inocente e fácil; pois ele não era mesmo. Daniel beijava Minsoo com o sabor da mágoa, da dor e da saudade agridoce sobre os seus lábios fartos, e era retribuído de igual forma, com uma mão forte apertando a sua coxa fina como um pedido para que ele ficasse e o beijasse mais um pouco, ao que o cigarro rolou pela estrada e o céu ficou imensamente bréu sem ambos darem conta.

Já passava, eventualmente, da hora de jantar quando o loiro chegou a casa. A casa estava escura, o relógio da cozinha marcava as dez da noite, e um bilhete deixado no frigorífico para si:


Deixei-te jantar feito, só tens de o aquecer, caso ainda não tenhas comido. Não te mandei mensagem pois sei que és crescido o suficiente. Boa Noite. Da mãe.”


Niel sorriu, abrindo o frigorífico e pegando o prato com comida, aqueceu rápido, e sentou-se na pequena mesa na cozinha a jantar. Era um pouco tarde e os seus olhos começavam a pesar, acordar cedo todos os dias custava muito para si. Mas quando o telemóvel na sua mão tremeu e pôde ver uma mensagem de um número não salvo, porém conhecido, uma descarga de energia encheu seu peito, e não evitou revirar os olhos e sorrir.


Se for para ter uma recompensa destas, eu salvaria-te de gangstas bêbados todos os dias.

PS – Pois é, eu nunca apaguei o teu número, espero que não o tenhas mudado.

PPS – Também espero que não tenhas ficado com medo de verdade, juro que eles nunca mais voltarão sequer a olhar para ti.

PPPS – Boa Noite.”


E Daniel não conseguiu evitar sorrir, e chorar. Porque podia ter morrido mas não morreu porque sabia que podia contar com Minsoo. Porque, se não fosse por Minsoo, ele teria ficado nas mãos daqueles dois – e essa ideia era tão aterrorizante, que por momentos só quis abraçar o corpo quente do Bang e ficar nos braços dele até todas as mágoas passarem. Respondeu com um Boa noite, meu herói.” mas na verdade, tudo o que ele queria dizer era um No fim de tudo, eu ainda te amo.”


Mas palavras como aquelas não precisavam de ser ditas, ou escritas, eram apenas lidas nas entrelinhas.



O metro parou na estação onde Chanhee entrava. O vagão era exatamente o do meio, e lá estava ele: os cabelos lilás, os óculos redondos na pontinha do nariz, enquanto tinha um livro no colo, cujo lia atentamente. Havia um lugar vago ao seu lado então, pela primeira vez, Chanhee teve a coragem de se sentar lá.

Estava pronto para colocar os fones nos ouvidos, quando ouviu uma risada baixinha ao seu lado, e o baixinho fechou o livro, olhando-o nos olhos. O seu sorriso era lindo, tão lindo especialmente tão perto, que se não tivesse sentado, possivelmente teria caído ao chão por tê-lo direcionado a si.


Olá.” — Chanhee nunca pensou que uma simples palavra poderia valer o Mundo, mas aquela para si, valeu.


Olá.” — O outro respondeu. A sua voz era tão boa de ouvir que o mais velho quis poder ouvi-la por horas a fio. — “Eu sou o Byunghun.”


Chanhee.” — Sorriu envergonhado, e Byunghun riu de si. — “O que tem graça?”


Finalmente teres tido coragem para falar comigo. Eu já estava até disposto a ser eu mesmo a fazê-lo.”


Por que não o fizeste?”


Ah, vergonha acho eu.”


Eu também tinha, e tenho, muita vergonha. Acho que poderíamos sair um dia destes para perder esta vergonha, o que achas?” — Havia esperança e dúvida na sua voz. O de cabelos coloridos colocou os óculos para cima com o dedo médio, depois pegando o seu telemóvel do bolso – para ver as horas, calculou – antes mesmo de uma voz robotizada avisar qual seria a próxima paragem.


Tenho tempo, por isso se sairmos agora mesmo posso te mostrar a minha pastelaria favorita e podemos conversar melhor. Aceitas?” — Sem dúvida, aquilo soava a encontro, e Chanhee queria muito um encontro com ele. Por isso aceitou.


Byunghun era mesmo baixinho como previu, apesar de só o ter visto sentado antes, e teve as certezas disso quando ele levantou-se junto a si e segurou a sua mão por segundos, para o puxar para fora dali. Fora um ato simples mas que deixou ambos com as bochechas ruborizadas.

Os bolos da pastelaria que o mais novo indicou eram, sem dúvida, os melhores, e por essas e outras razões, Chanhee intitulou-a de sua favorita também. Acabou por descobrir que Byunghun fazia teatro e queria ser um ator reconhecido, que colocava o leite antes dos cereais e que era Team Cap na Civil Warum completo contrário de si. Mas isso não era mau, porque quando estavam de volta à estação, o menor segurou a sua mão e desta vez não a largou, mesmo quando se sentaram nos mesmos lugares um ao lado do outro, e os seus dedos entrelaçados encaixavam na perfeição. E quando se despediram, Chanhee teve a coragem de lhe deixar um beijinho na bochecha, com a promessa que repetiriam aquele encontro no dia seguinte, e no seguinte, e quem sabe no seguinte também.



Pensei que não viesses. Estás atrasado.” — disse, com um sorriso brincando nos lábios. Daniel riu, aproximando-se dele para abraçá-lo pelo pescoço, sentindo os braços dele em volta à sua cintura como resposta. O cheiro de Niel era tão bom, como um calmante, que para Minsoo era ainda melhor que qualquer droga. — Senti a tua falta.”


Eu senti a tua falta mais que tudo na vida.”


Tinham combinado por mensagem tentar de novo. E por isso Daniel estava ali de novo, o carro em frente à mercearia, com a garota sentada na beira da estrada – desta vez com um sorriso nos lábios que dirigiu ao Ahn, quando o viu, e este acenou-lhe – e, claro, Minsoo ao seu lado, segurando a sua mão para o proteger.

O apartamento de Minsoo não tinha mudado muito naqueles meses; apenas três cómodos (cozinha, casa de banho e um quarto) e a mesma falta de decoração evidente, como se na verdade não morasse lá ninguém. Pela falta de cheiro a ganza e tabaco, Niel pode perceber que fora limpo recentemente.


Sei o que estás a pensar. Eu não toco em nada que não seja álcool desde que estivemos juntos há uns dias. Quando tenho vontade de fumar, bebo e depois durmo. Ou então mandava-te um SMS para me lembrar das razões para não o fazer.”


Queres deixar os vícios por mim?” — Havia espanto na sua voz. Quando estavam juntos antes, mesmo tendo proposto isso várias vezes, Minsoo nunca esteve disposto a fazê-lo. O Bang assentiu, ao que Daniel sentou-se na beirada da cama, onde tantas vezes esteve com Minsoo. Aquele quarto trazia-lhe tantas memórias. — “Isso é romântico.”


Nunca acreditas quando eu te digo que sou um romântico nato.” — Sorriu de lado, fazendo uma pequena vénia como se Daniel à sua frente fosse realeza. — “Mas eu sou.” — E segurou a sua mão com delicadeza, beijando as suas costas.


Sabes que não vai ser fácil…” — Murmurou, puxando o maior pela mão para cima de si, deitando-se na cama sob o corpo dele.


Nada na vida é fácil.”


E os seus lábios encontram-se de novo. Daniel abriu as pernas para Minsoo ficar entre elas, e este puxou-o para o meio da cama, podendo então descansar a cabeça sobre uma almofada, ao que o mais velho retirava a própria regata e beijava o seu pescoço. Niel passou as mãos pelos braços e depois pelo tronco dele, sentindo que sim, ele tinha andado a trabalhar mais no físico. E isso era o maior tesão do loiro.


N-Não podemos agora, tenho que fazer o trabalho.” — Suspirou, sentindo um arrepio percorrer-lhe a coluna quando Minsoo chupou a sua pele sensível. — “A minha mãe não vai gostar disso.” — riu.


A tua mãe nunca gostou de mim, de qualquer maneira.” — E os seus lábios voltaram a encontrar-se. As mãos fortes de Minsoo subiram pelo seu tronco, levantando a sua blusa, para depois a retirar e jogar algures. O contacto das peles fez Daniel gemer baixinho rente ao ouvido do maior. — Não faças isso…”


Por quê?” Sorriu de lado, levando as mãos para dentro das calças de Minsoo.


Porque eu não irei querer parar assim.”


E eu pareço-te querer parar?”


Bem, não, ele não queria. Porque amar e estar longe de quem se ama foi uma das piores coisas na vida de ambos, e agora a maior vontade era de estarem juntos. Juntos de qualquer e todas as formas.



Daniel estava sentado entre as pernas de Minsoo, com as costas encostadas no peito deste, sendo abraçado por si. Nunca se sentira tão bem desde que acabou com ele, e sabia que o Bang sentia o mesmo – o mais velho confessou-lhe, que depois de terminar com Niel, tudo na sua vida se resumia a arrependimentos.


O que faz algo ou alguém ser belo a teu ver?”


Minsoo demorou um pouco a perceber que aquela era a primeira pergunta à qual deveria responder, pois talvez (e só talvez!) estivesse um pouco distraído a brincar com os fios de cabelo loiros cheirosos do agora novamente namorado (eles tinham acabado de tomar banho, juntos).


Ah, bem… Talvez ser assaltado e precisar de o meu telemóvel para telefonar para a mãe?”


É uma pergunta séria, Bang Minsoo!” — Niel deu um tapinha na perna do namorado, rindo da sua resposta. — “Ah, vá lá! Eu não sou a única coisa que achas bela na tua vida. Pensa em algo.”


Minsoo assentiu, decidido em pensar em algo sério, filósofo e poético o suficiente para Daniel – pois parecia que para o Ahn, só assim uma resposta era válida. O seu olhar percorreu o quarto de chão de madeira velha e paredes brancas, a janela aberta por onde era possível ver o alaranjado do pôr do sul. Na sua cabeça, pensava em como parecia consumi-lo por inteiro a vontade de fumar qualquer coisa que seja, e em como era difícil manter-se longe de tudo isso. Sentiu o menor aninhar-se melhor nos seus braços, e sorrir com os olhos fechados. Era tudo tão bonito quando ele estava consigo: o quarto já não era vazio, a vida já não era difícil.


Acho que, para algo ser bonito, tem que me fazer feliz. Tudo o que eu acho bonito faz-me ser feliz.”


E consideras-te uma pessoa feliz?”


Agora, sim.” — E Daniel sorriu, não precisando de mais que aquilo. Apontou tudo no caderninho à sua frente, seguindo para a próxima pergunta. — “O que te faz amar algo ou alguém?”


Essas perguntas são muito difíceis.” — Suspirou. O que é que ele amava? Ele amava Daniel, era um facto. Amava os sentimentos que o faziam sentir-se vivo, como o prazer e a euforia. Amava a sua mãe, que partiu daquele mundo cedo demais. Amava a sua irmã, que se entregou à prostituição e foi morta. Amava-se a si próprio por ainda estar ali, por ter sido forte o suficiente para isso – e, por ter conseguido reconciliar-se com Niel, e tê-lo consigo de novo. — “Daniel?”


Sim?”


És quem eu mais amo. Escreve isso, e lembra-te disso todos os dias. Resposta válida?”


Não, mas posso viver bem com ela.” — Sorriu, bobo. — “Pareces um apaixonado idiota.”


E sou. Tu também.”


Como podes ter a certeza?”


Ah, eu reconheço esse teu brilho no olhar, nem vale a pena tentar mentir.” — E abraçou-o mais forte. — “Próxima pergunta?”


Podemos amar a simplicidade da beleza nas pequenas coisas? Exemplos.”


Sim. A beleza é bem simples até, não é? E muita gente torna-a algo fútil.” — Minsoo fez uma pausa, não tendo a certeza do que prosseguir dizendo. Era nestes momentos que ele não se achava culto e inteligente o suficiente para o Ahn, que era um poço cheio de conhecimento.


Continua, por favor. Gosto de te ouvir falar assim, gosto da tua voz.” — Confessou. O Bang sorriu.


E… Eu acho que a beleza verdadeira está nas pequenas coisas, como disseste, na simplicidade. Por exemplo, a forma como me olhas quando abres os olhos de manhã e vez que estou ao teu lado. Por exemplo, como cantas baixinho enquanto estás distraído. E também a forma como a fumaça se dissipa no ar, acho tudo isto bonito. E posso dizer que amo tudo isso.”


Daniel moveu-se, saindo de entre os braços e pernas do namorado, para ficar de joelhos na cama à sua frente. Sorriu, pois tinha apontado todas as suas exatas palavras no caderno, e estava feliz. Segurou o rosto bonito entre as suas mãos, aproximando-se lentamente antes de selar os seus lábios. O beijo deles agora era doce, como sorvete num fim de tarde junto de quem se ama, e não amargo como café sem açúcar de madrugada e cigarros à janela enquanto nos afogamos em arrependimentos. Entre um beijo e outro, Daniel teve a oportunidade de murmurar um Deverias ver como ficas atraente falando sobre mim.”, antes de ser colocado deitado no colchão, com Minsoo o abraçando por trás.


Agora já podemos dormir? Ou ainda tens que mandar uma mensagem à tua mãe, dizendo que agora namoras de novo com o genro favorito dela?”


É melhor esperar até amanhã para lhe dar esse desgosto.”



Notas Finais


https://youtu.be/bsS3YauDs6k
https://youtu.be/1CaCoFodHlM
Espero que tenham gostado ^^
Kissus~

Capa: DaraWolf
Beta: Nanaby


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