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História Afogar e Queimar (Eddsworld - TordTom) - Capítulo 25


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Notas do Autor


Oioioi!

Não, não morri!

Estou de volta, e com um capítulo deveras longo. Espero que gostem ^^

Boa leitura! :D

Capítulo 25 - Capítulo 23


Fanfic / Fanfiction Afogar e Queimar (Eddsworld - TordTom) - Capítulo 25 - Capítulo 23






- Uno.

- Teu rabo.

- Olha a cartinha aqui na minha mão, então.

- Você está roubando. - Tom rosnou.

- Eu? Eu nunca faria isso! Sou totalmente honesto. Uma pessoa que luta pela justiça! - Matt colocou uma mão no peito, respirando fundo. - Eu nunca roubaria num jogo como esse. É sério. Não estou mentindo.

- Tenho 90% de certeza que você está escondendo umas cartas aí. - Tom estreitou os olhos, batendo o indicador na mesa. - Anda, mostra aí. Para de graça e jogue com seriedade, inferno.

- Eu já falei! Eu não tô roubando! - Matt ergueu um pouco o volume da voz. - Por que você não acredita em mim, heim? Não consegue aceitar o fato de que está perdendo para alguém como eu? É isso? - Cruzou os braços. - A idéia de perder para mim, um ser menos inteligente, te incomoda?

Tom ignorou o evidente insulto presente na frase do outro, e manteve o semblante neutro. Sabia muito bem como Matt era um manipuladorzinho mesquinho e que gostava de se fingir de vítima para se livrar.

- Eu? Perder para você? Nem morto, nem vivo, nem doente, nem com todos os ossos quebrados. - Tom inclinou a cabeça, o rosto transbordando indiferença. - Se eu tenho certeza de alguma coisa, é a de que eu não vou perder para você.

Matt sorriu de maneira debochada, inclinando-se sobre a mesa.

- Eu tenho apenas UMA carta. E você, cinco. Como planeja ganhar assim? - Colocou os braços atrás da cabeça, mostrando tranquilidade. - Se você admitir a derrota, será menos vergonhoso. Você não tem escolha, Tom.

Tom mordeu levemente o lábio inferior, tentando não rir, e muito menos demonstrar suas intenções.

Ele ergueu o olhar, batendo de frente com aqueles olhos azuis oceano.

- Vou lhe mostrar que está errado. - Tom ergueu uma carta. - Começando agora.

Tom jogou a carta no monte, fazendo as pupilas de Matt se arregalarem.

Era um 4.

- Quem tem cinco cartas agora é você, Matt. - Tom apontou para a pilha ao seu lado. - Compre as quatro cartas, ruivinho. São as regras do jogo.

Tom podia jurar que ouviu o maxilar de Matt trincar.

Ele cerrou um punho ao lado de seu corpo e, relutantemente, estendeu o braço sobre a mesa, pegando mais quatro cartas.

Tom, então, jogou outra carta.

Duas flechas. Inversão.

- Como só tem nós dois jogando, volta para mim. - Disse Tom, cantarolando suavemente.

Matt bufou, apertando o espacinho entre os olhos. Tentava, de maneira falha, manter a raiva e a inquietação para si mesmo.

Tom degustava a impotência do outro com o maior prazer.

Ele jogou outra carta.

Bloqueio.

- Você deve estar brincando comigo! - Exclamou Matt. - Que merda...

- Calma, calma. Você está muito exaltado, Mattzinho. - Tom ergueu suas cartas na frente do rosto, de modo que ficasse evidente para o adversário à sua frente. - Veja bem, agora só tenho duas cartas.

Matt abriu a boca para dizer algo, mas pareceu reconsiderar, e voltou a ficar mudo.

Tom jogou outra carta no monte.

Era para se escolher uma cor.

- Uno. - Cantarolou alegremente. - Meu último golpe vai ser esse, Matt; mas você ainda tem chance de me derrotar. - Tom esticou o canto dos lábios num sorriso cínico, maldoso. - Eu escolho a cor verde.

Matt encarou o baralho em sua mão.

- Não tenho cor verde.

- Então, eu ganhei. - Tom jogou a sua última carta, finalmente, colocando fim ao jogo.

Matt arremessou as cartas na mesa com mau gosto, fazendo uma careta.

- Foi sorte.

- Não, Matt. Foi estratégia. - Tom bateu os dedos na têmpora direita. - Te mostrei que tem como ganhar sem trapacear.

- Eu não trapaceei! - Retrucou o outro. - Que chato!

- Não? Então eu vou contar as cartas do baralho. Ao todo, são 108 cartas. Se faltar...

Matt se levantou com tudo, tirando o pó 'imaginário' das roupas. Saiu da sala batendo os pés.

Tom contou todas as cartas.

106.

Olhou para onde Matt havia sentado, vendo duas manchas coloridas familiares se destacarem no chão. Tom as pegou e juntou com as outras, colocando o baralho na caixinha.

Realmente, aquele ruivinho desgraçado tinha mentido outra vez.


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- Como assim, "diagnóstico indefinido" ?

- Não sabemos o que, de fato, ele tem. - Dr.Josh arrumou os óculos no nariz, focando os olhos no grupo a sua frente. - Os exames não mostraram alterações significantes no organismo. Logo, atribuir um diagnóstico de imediato é uma coisa insensata a se fazer no momento. Precisamos ter certeza. Entende?

- Mas vocês possuem suspeitas, não? - Insistiu Edd. - Uma hipótese, uma idéia... qualquer coisa.

- Olha... - Josh suspirou. - Há milhares, milhares de possibilidades. Infinitas. Que vão de uma simples rinite até um câncer. - O doutor se limitou a encarar Tom por alguns segundos antes de voltar sua atenção ao grupo. - Estamos fazendo de tudo para...

- Mas e os sintomas? - Tord interferiu. - Eles não indicam nada? Josh, com todo o respeito, nós queremos uma idéia, uma hipótese, uma sugestão. Por mais maluca que seja, ou por mais simples que seja. - Tord apertou o ombro do namorado com delicadeza. - É uma tortura para gente não ter nem noção do que tá acontecendo com Tom. Então, por favor...

Josh colocou os óculos na mesa e apoiou o corpo na beirada, esfregando um dos pulsos de maneira aflita, mas discreta. Tom sabia. Isso era um tique-nervoso dele.

Tom se lembrava que ele sempre fazia isso quando precisava dar notícias ruins, ou quando estava nervoso demais para conversar sobre um determinado assunto.

Esfregar os pulsos, principalmente o esquerdo, era uma mania que Tom havia notado nele com facilidade logo nos primeiros dias em que tinha sido internado.

Como toda criança curiosa, Tom tinha até perguntando diretamente à ele a razão daquele hábito. Porém, agora, não se lembrava da resposta que Josh tinha lhe dado. Se é que tinha dado uma.

- Os sintomas que me descreveram são bem... isolados, digamos assim. - Começou Josh, batendo os dedos no joelho de forma distraída. - Vômito, sangramento nasal, sangramento dos ouvidos, fortes dores de cabeça... É difícil relacionar todos eles à uma só doença ou condição. - Ele estalou os dedos, esticando-se um pouco para alcançar algumas pastas. - Gostariam de ver os resultados dos exames? Talvez isso traga um pouco de luz à vocês.

Josh abriu as pastas, organizando os papéis na mesa.

- Aqui está o hemograma.

- Hemo...grama? - Matt inclinou a cabeça, claramente não sabia o que era aquilo.

- Exame de sangue. - Tom esclareceu.

- Isso mesmo. - Josh ergueu o papel, de modo que ficasse visível para todos. - Pelo hemograma, está tudo em ordem. - Com o dedo, indicava os espaços na tabela. - Exame para infecção. Negativo. Exame para anemia. Negativo. Hemácias, ok. Linfócitos, ok. Exames para outro tipo de anormalidade. Negativo.

Matt parecia estar boiando totalmente no assunto.


Puta merda, Matt sempre faltava às aulas de biologia? - Tom pensou.

Bem não vai ser eu que vai explicar essas coisas para ele agora.


- Então, o exame não está indicando nada de estranho? - Edd perguntou. - Nadinha mesmo?

Josh voltou os olhos para o papel. Depois de uns instantes, voltou a olhar para o grupo.

- Há uma pequena alteração, sim.

- E o que é?

- As plaquetas. Elas estão acima do limite considerado normal.

- Plaquetas? - De novo, Matt interrompendo a conversa com sua falta de noção em ciência básica.

- Ajudam na coagulação sanguínea, Matt. - Tom respondeu, mordendo levemente o interior da bochecha. - Elas que impedem que você sangre até morrer. De maneira simples, elas que fazem a casquinha do seu machucado.

- Exatamente. - Disse Josh, sorrindo. - Te eduquei muito bem, garoto. - Apontou para o papel novamente. - Mas, agora, voltando ao assunto.

- Plaquetas altas indicam o quê? - Tord questionou. - Muita coagulação sanguínea?

Josh piscou uma vez. Depois, piscou de novo. Parecia que estava acabando de acordar de seus pensamentos.

- Ah, sim. Tecnicamente, sim. Mas eu só destaquei esse ponto porque quero que vejam outro exame.

Josh tirou outro papel da pasta. Era em preto e branco, e mostrava um complexo sistema de vasos sanguíneos, principalmente na parte superior do corpo. Eram as artérias e veias de Tom.

O britânico de azul se encolheu. Estava um pouco desconfortável. Se sentia, de certa forma, exposto.

- Isso é de Tom?

- Obviamente. - Josh respondeu. - Agora, reparem bem. Conseguem notar algo?

Todos se aproximaram, estreitando os olhos em concentração. Balançavam a cabeça de um lado para o outro, colocavam a pontinha da língua para fora, apoiavam a mão no queixo. No entanto, não conseguiam entender o que Josh queria mostrar.

- Hum, não vejo nada, doutor. - Disse Edd, coçando a parte de trás do pescoço. - Seria mais fácil se você nos mostrasse.

- É quase imperceptível. Somente o olho bom de um médico conseguiria notar. Olhem aqui. - Apontou para os vasos abaixo do coração, assim também como os da região abdominal. - Nesses locais parece haver uma pequena... alteração.

Tom engasgou.

- A-alteração?

- Quase que de maneira imperceptível, esses vasos sofreram uma espécie de pressão. - Josh circulou a superfície do papel com os dedos. - Estão inchados e irritados. Não sei explicar muito bem, mas parecem ter sido "esticados", entende?

- Doutor, não estou entendendo. - Edd o interrompeu. - O que isso tem a ver com o aumento das plaquetas?

- Bem, se os vasos foram prejudicados, as plaquetas teriam que ir até lá arrumar o estrago. - Josh colocou os óculos acima da cabeça. - Chuto que poderia ter ocorrido um significativo sangramento interno.

Tom estremeceu.


Aquele dia que ele ficou se contorcendo no chão do quarto, sentindo como se uma faca o tivesse rasgando por dentro, parecendo cortar seus tecidos em finos filetes.

Se lembrava da sensação irreal de sentir o sangue escorrer dentro de si. A forte dor no abdômen, o surreal aperto no peito.


Sem ao menos perceber, Tom se arrepiou por inteiro. O calafrio passou por seu corpo como uma onda de choque. Podia sentir os pelos se enrijecerem, assim como acontecia quando se estava com frio.


- Quais as causas para esse sangramento interno? - Perguntou Tom, com a voz ligeiramente trêmula.

- Pode se considerar tanto fatores externos quanto internos. Uma pancada muito forte pode prejudicar os vasos, fazendo eles se romperem, por exemplo. - Josh passou a mão pelos cabelos, como se estivesse confuso. - Mas, por alguma razão, os danos parecem ter sido causados internamente. De dentro para fora. É como se... - Fez uma pausa. Umideceu os lábios. - É como se algo de dentro de você tivesse causado isso. Não sei explicar ao certo.


Tom assentiu, olhando para o chão.


Amaldiçoou a si mesmo. Murmurou um xingamento baixinho.


O destino gostava de brincar com ele. Nós gostamos dos nossos brinquedos.

Até enjoarmos.

E jogarmos fora.



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Haviam se passado duas semanas desde que tinha encontrado Daniel na biblioteca.

Tom acordava no meio da noite, de súbito. Sentia a sensação de ter pulado de uma ponte e, no momento que iria atingir água, acordava.

Despertava com frio, o corpo todo arrepiado e as mãos geladas.

Tom passou a dormir com Tord, achando que seu problema desaparecia. Afinal, aquele idiota privilegiado não sentia frio, pois na Noruega nevava sem dó ou piedade. O desgraçado tinha uma imunidade de aço.


Tord era um maldito aquecedor gigante.


Tom morria de vergonha de pedir para dormir com ele. Chegava quase a desistir.

- Por quê? - Tord sempre perguntava, por mais que soubesse o motivo. Ele gostava de ouvir a resposta da própria boca de Tom.

Claro, o britânico não era fácil, e não dava o braço a torcer. Ele gostava de jogar na defensiva.

- N-não precisa se não quiser. - Respondia, jogando as mãos para cima. Suas bochechas coravam de vergonha. - Foi só uma sugestão.

- Não, não. Tudo bem. - Tord retrucava, sorrindo feito um bobo. - Eu só estava brincando. É claro que quero dormir com você. Você é irresistível demais para não ser abraçado.

Tom se sentia muito melhor dormindo nos braços de Tord. Claro, ele gostava da privacidade de sua cama, mas compartilhar calor com seu namorado era uma coisa mais convidativa. Isso ele não podia negar.

Agora, quando acordava com frio e assustado, conseguia sentir a respiração quente de Tord perto de si, assim como seus batimentos cardíacos suaves. Isso lhe trazia paz e tranquilidade, fazendo Tom fechar os olhos e dormir novamente.


Agora eram cerca de duas da manhã. Mesmo com Tord ao seu lado, Tom não conseguia dormir de jeito nenhum. Se contorcia, se revirava, trocava de posição diversas vezes, mas não conseguia dormir.


Choramingou baixinho, começando a ficar irritado consigo mesmo.


E se ele acordasse Tord? Tom poderia ficar conversando com ele até ficar com sono.


Não! Quem em sã consciência faria isso? Que pessoa egoísta. - Pensou. - Acordar o namorado só porque ele próprio não consegue dormir.


Que egoísta, que ignorante.


Tom se levantou silenciosamente, com muito cuidado para não acordar Tord.

Foi para a cozinha, andando e zanzando por pelo menos cinco minutos.

Estalou a língua, sentindo a boca seca.

Abriu o freezer, dando um sorrisinho.

Sim, ele tomaria sorvete duas horas da manhã.

Não, não era Smirnoff. Quem toma isso em plena madrugada? Tom gostava de um álcool queimando a garganta, mas tinha juízo.


Colocou o sorvete num copo, e foi para o quintal dos fundos. Tom se sentou na escadinha, degustando o gosto de flocos em sua língua.

A brisa fria e suave movimentava as folhas, fazendo-as rodopiarem no ar. Os grilos cantavam, e as cigarras gritavam mais ao longe.

O cheiro de grama era forte. Tom não sabia como descrever. Percebeu que só sentia isso de noite. De dia, quase nada. De noite, o cheiro de grama, de terra e de sereno ficava mais evidente. Era gostoso.


Tom ficou tomando sorvete enquanto observava as estrelas. A única coisa que desejava era que Edd não o pegasse fazendo isso. O sermão que levaria seria enorme. Já podia escutar a voz dele em sua cabeça dizendo coisas do tipo "Você deveria estar dormindo", "Sorvete não dá sono", "Vá para a cama antes que eu te carregue como um saco de batatas", "Sorvete é pura gordura, você quer ter um ataque cardíaco, é?"


Tom fez uma careta repentina, colocando a mão na testa.

- Congelou o cérebro, congelou o cérebro! - Murmurou com desgosto.


Quando o desconforto passou, encarou o copo em sua mão, pensando em como tinha colocado muito sorvete para si. Torceu o canto da boca.

Guloso.


Tom quase gritou quando sentiu dois braços o apertarem. Ele olhou para cima.

- Te peguei no flagra.


Tom fez beicinho.

- Droga. Fui pego.


Tord se sentou atrás do britânico, e inconscientemente trouxe Tom para o colo.

- Nããããooo. - Tom protestou.

- Siiiimmm. - Tord retrucou. - O que você está fazendo aqui fora?

Tom ergueu o copo. O norueguês franziu a testa.

- Tomando sorvete à essa hora?

- Sim.

- E por quê?

- Porque eu... quero? - Tom disse, mais como uma pergunta do que como uma resposta. Querendo ou não, acabou parecendo rude, o que não foi sua intenção. Tord sabia disso. Era o jeito de Tom.

- Nossa, quanta frieza. - Tord se queixou, fingindo estar chateado.

- O sorvete ou eu?

- Os dois. - Sorriu, abraçando Tom mais apertado.

Um minuto de silêncio. Depois, Tom perguntou, baixinho:

- Eu te acordei?

- O quê? Não. - Tord respondeu. - Eu senti falta do meu travesseiro humano, vulgo você. Quando vi que você não estava lá, vim te procurar.

- Ah, sim. Entendi.


Outro momento de silêncio. Os grilos cantavam mais alto. O tilintar da colher de Tom no copo era menos frequente.

- Você não estava conseguindo dormir? - Tord perguntou.

- Não. - Tom disse, colocando a colher na boca. - E eu não queria te incomodar, então vim para cá.

- Eu não iria ficar bravo se você me chamasse. - Tord esfregou o rosto no cabelo do outro. - Da próxima vez, pode me chamar. Eu estou aqui para isso.

Tom corou um pouco, mas soltou um risinho descontraído.

- Tudo bem. Eu chamo você da próxima vez.

O britânico se arrepiou quando sentiu as mãos quentes de Tord apertarem sua pele por baixo do moletom. Ele arqueou as costas, quase fazendo o copo cair.

- Ei!

- Você está gelado. - Tord reclamou, quase que num tom manhoso. - Vamos lá para dentro.

- Mas eu tenho que terminar de tomar o sorvete.

- Você termina lá dentro.

- Mas eu quero terminar aqui.

- Nem um pouco teimoso, né? - Tord bufou. - E se você ficar doente?

- Eu não vou ficar doente, Tord. - Suspirou, se virando para ele. - Credo, virou a mamãe Edd agora?

Tord franziu as sobrancelhas, entortando a boca.

- Vou fingir que não fiquei ofendido. Obrigado.

Tom tinha reparado num detalhe engraçado: sempre que Tord ficava bravo, ou até mesmo chateado, seu sotaque ficava mais forte, mais evidente. Tom achava isso muito fofo.

O britânico se reencostou no peito de Tord, fazendo o norueguês apoiar o queixo em seu ombro.

- Toma. - Tom ofereceu uma colher de sorvete para ele, levando-a até sua boca.

Tord virou o rosto.

- Não quero.

- Quer sim.

- Não quero.

- Tooord~ - Tom apelou para a carência. - Por favor, me ajuda a tomar o sorvete~ - Ele se virou, olhando para Tord. Deu um sorriso travesso. - Se você me ajudar a terminar o sorvete, eu deixo você me levar para dentro e me esquentar.

Ele não tinha intenção de parecer luxurioso. Não havia segundas intenções em sua frase. Simplesmente... saiu.


Tord revirou os olhos, rindo.


- Ok. Passa o sorvete pra cá.


Tom ficou tratando do namorado, como uma criança. Não sabia o porquê, mas se sentia muito feliz. Se sentia realizado em estar tomando sorvete com ele enquanto ouviam o canto gentil das cigarras. Gostaria de passar mais momentos assim com ele.

Depois que o sorvete acabou, foram para dentro.

Eles se deitaram na cama, abraçados.

Tord ficou mimando Tom, passando as mãos por suas costas, cabelos, cintura.

Tom aos poucos foi ficando com sono. Aos poucos a tensão de seu corpo foi se esvaindo.

- Por que você não consegue dormir? - Tord perguntou gentilmente. - Há algo que te incomoda?

Tom se remexeu um pouco, respirando fundo. Manteve os olhos fechados, o rosto enterrado no peito de Tord.

- Me sinto estranho desde aquele dia em que encontrei com Daniel. - Disse, de forma sonolenta. - Não sei porquê. Ele me fez eu me sentir um pouco... desconfortável? O jeito que ele... Ah, não importa.

Tom sentiu o corpo de Tord se enrijecer. A respiração do norueguês cessou, fazendo Tom ficar confuso. Ele abriu os olhos, vendo que Tord olhava para ele com preocupação.

- Ele fez alguma coisa para você?

- O quê?

- Ele te disse algo? Te ameaçou? - Tord torceu o rosto com raiva. - Eu vou matar aquele filho da...

- Não, não. Ele não fez nada. - Tom o interrompeu. - Ele não fez nada para mim! Ele foi gentil comigo.

- Não está dizendo isso para amenizar as coisas, não é? - Tord o encarou profundamente, deixando a voz mais suave, porém firme. - Se ele fez algo, por favor, não hesite em me contar. - Ele colocou uma mão na bochecha de Tom, amolecendo os olhos. - Eu me preocupo com você.

- Ele não fez nada, é sério. - Tom abraçou Tord, massageando seu braço. - Eu só me senti esquisto perto dele. Só isso.

Tord relaxou o corpo. Beijou a clavícula de Tom, respirando fundo, sentindo seu cheiro.

- Você acha que ele não é uma pessoa boa? - Tord perguntou.

- Eu não sei. Ele só me deixa estranho. Deve ser o jeito dele, algo assim. - Tom virou o rosto, beijando os lábios de Tord. - Não ligue para isso. Foi só uma observação, ok? - Levou a mão à boca, bocejando. - Podemos dormir agora?

- Uhum, claro.


Tom fechou os olhos, adormecendo logo em seguida.

Tord, no entanto, ficou pensativo.

Não gostava de Daniel desde o primeiro momento em que o viu.

E agora tinha uma hipótese.




Não era só ciúmes.




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Tom acordou primeiro, e foi fazer o café da manhã.

Quando terminou, foi acordar Tord.

Tom o cutucou.


- Vamos, Tord! Levanta! Você vai ficar sem café.

O norueguês nem se mexeu.

- Tord, estou falando sério. - Tom o cachoalhou. - LE-VAN-TA!

Tord murmurou alguma coisa, mas continuou deitado. Colocou um travesseiro na cara, puxando a coberta acima da cabeça.

- Não podemos dormir mais um pouco? - Perguntou Tord, com aquela voz rouca e profunda que sempre fazia Tom estremecer.

Tom balançou a cabeça, afastando os pensamentos. Tentou empurrar Tord para fora da cama, mas o outro nem mesmo saiu do lugar.

- Vai! Levanta! - Tom continuava a empurrar ele para a beirada, sem sucesso. - Tord! Vai!

- Não.

- Sei o que está fazendo, Tord. E, não, eu não vou apelar para a carência. Eu me recuso! - Tom bufou, colocando as mãos nos quadris. - Pode ficar aí. Tchau! - E saiu do quarto, batendo a porta.


Tom, levemente irritado, foi até o quarto de Edd. Percebeu que a porta estava entreaberta. Mesmo assim, resolveu bater duas vezes.

- Edd? Seu idiota, você sempre é o primeiro a acordar! Levanta daí, coala humana! - Bateu mais três vezes. - Edd? Tá me ouvindo?

Sem resposta.

- Ah, então vai ser assim. Tudo bem!

Tom abriu a porta do quarto com tudo, e arregalou os olhos ao se deparar com a cena mais fofa já vista: Edd e Matt, abraçados. Um fio de saliva escorria do queixo de Edd, e Matt roncava baixinho, com o cabelo todo bagunçado. As posições em que estavam eram desengonçadas, frouxas, engraçadas. Edd estava com o pé para fora da cama, e o braço de Matt estava pendurado na borda.

Tom segurou o riso, tirando o celular do bolso. Era óbvio que não iria perder um momento como esse. Nunca.

Agora, tinha provas. Tom poderia zoá-los a vontade, e eles nem teriam como negar ou rebater.

Imaginou a cara espantada que fariam quando vissem a foto. Edd apelaria e ficaria gritando com ele feito um papagaio enquanto Matt coraria como um tomate.


Quando eles se vão se assumir, afinal? Poxa, estava tão na cara, só faltavam escrever na testa.


Tom saiu do quarto, fechando a porta com cuidado.

É, parece que ele estava sozinho nessa.




Numa casa de preguiçosos, quem tem disposição é rei.


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- Edd, porra... - Tom gemeu, inclinando o corpo para frente. - Continua, ah...

- Você parece uma cadela no cio. - Edd riu.

- O que posso fazer? Sua massagem é tão boa.

- Obrigado. Fico feliz em saber que tenho utilidade. - Edd apertou as mãos sobre os ombros do outro, fazendo movimentos circulares com os polegares. - Por que você não pede para Tord fazer isso? Ele que é seu namorado.

- É vergonhoso. - Tom murmurou, e logo em seguida suspirou de prazer. - E ninguém é um massagista profissional como você. Você tem um talento natural.

- Sou bom em cuidar dos outros. - Edd moveu uma mão para a parte inferior das costas. - Tenho que ser, não é? O que seria de vocês sem mim?

- Uhum, eu concordo plenamente... - De repente, Tom sentiu uma dor aguda passar por seu dorso, ele arqueou o corpo, ofegando.

- Seu filho da... - A dor passou quase que instantaneamente, sendo substituída por uma sensação de leveza, de suavidade. Tom puxou o ar entre os dentes. - Você acabou de estalar minhas costas, seu desgraçado?

- Você está todo tenso. Procura relaxar, cara. - Mesmo que Tom não pudesse ver, ele tinha certeza que Edd estava sorrindo maldosamente, desfrutando dos segundos de desconforto que havia causado em Tom. - Está tudo bem entre você e Tord? Digo, o relacionamento está dando certo?

- Por enquanto, sim. - Disse Tom arrumando a postura de modo que ficasse mais fácil para Edd continuar a massagem. - Não tivemos uma briga muito feia até agora, então acho que é um progresso, certo?

- É claro.

- Nós ficamos acordados tomando sorvete lá fora às duas e pouco da manhã. - Tom sorriu, dando um suspiro suave. - Foi legal.

Edd parou o que estava fazendo por um momento, mas depois soltou uma risada consideravelmente alta.

- Aww, isso é tão fofo, Tom! - Edd deu dois tapinhas em seu ombro, voltando à massagem. - Nunca pensei que você diria algo tão adorável. É estranho ver você, um baixinho rabugento e mal-humorado, dizer coisas assim.

Tom se virou para olhar para o moreno. Não escondeu a evidente carranca de desgosto em seu rosto.

- Eu não sou mal-humorado. - Argumentou.

- Sim, você tem razão. Você era mal-humorado. Agora que Tord entrou na sua vida...

- Por que você não cala a boca e continua quietinho, Edd? - Tom grunhiu, olhando para frente. Cruzou os braços, fazendo o de verde gargalhar.

- Tudo bem, tudo bem. Eu paro.

- Mudando de assunto... - Tom coçou a garganta, fazendo um gesto para que Edd continuasse os movimentos. - Lembra do dia em que eu fui na biblioteca há algumas semanas?

- Aquele dia em que você saiu puto daqui porque te chamamos de Pinscher? - Debochou o outro, em uma mistura de escárnio e satisfação.

- Sim, esse mesmo. Então, adivinha quem é o novo bibliotecário de lá?

- Hum... Não faço a mínima idéia. - Disse Edd, parecendo curioso. - Quem é?

- O Daniel. - Quando o silêncio estabelecido fez Tom perceber que Edd ainda não sabia de quem se tratava, acrescentou: - O cara do shopping, que fez Tord ficar com ciúmes e tal.

- Ah! Sim, sim. Agora me lembro! - Exclamou Edd, entusiasmado. - Daniel está trabalhando lá? Nossa, que mundo pequeno! Quem diria, hein? É uma baita coincidência.

A palavra piscou em sua mente.


Coincidência.

Coincidência.

Coincidência.


"Que besteira a minha. Eu trabalho aqui há pouco tempo. A antiga bibliotecária se aposentou".


Coincidência.

Um acaso.


"É um prazer te ver de novo".


Era impressão dele, ou essa frase tinha sido muito mais pretensiosa do que imaginava, coisa que não havia percebido na hora?


- É. Creio que sim. - Sussurrou, baixinho.


Em seguida, silêncio. Cada um estava perdido em pensamentos, navegando em suas próprias cabeças.

Tom suspirava de vez em quando em razão dos exatos pontos que Edd tocava e pressionava. Ah, como estava grato. Edd tinha o dom da massagem.


Os acontecimentos daquele dia ainda estavam frescos em sua mente.

A vertigem que havia o atingido em cheio, distorcendo seu mundo, sua realidade. O som do relógio ecoando em seus ouvidos. O andar frequente dos passos que se aproximavam.

A voz dizendo repentinamente Estão vindo. Estão vindo.

Se lembrou de como seu corpo inteiro tinha se arrepiado rapidamente quando havia tocado a mão de Daniel para um cumprimento, lá na biblioteca.

Isso tudo era...


- Edd?

- Sim?

- Você acredita em instinto?

- Instinto?

- Digo, intuição.

Edd comprimiu os lábios. Se encontrava hesitante em responder.

- Eu acredito em intuição, sim. Acho que ela é um sexto sentido nosso, que apita quando percebe algo de errado. - Edd exalou profundamente, como se tivesse acabado de explicar algo complexo à uma criança. - Gosto de pensar que a intuição é como se fosse um marujo no alto do mastro dizendo que a ilha está perto, mesmo que você não consiga vê-la. - Edd riu levemente. - Metáfora estranha, eu sei. Mas você entendeu o que eu quis dizer, não é?

- Sim. - Tom assentiu com a cabeça. - Eu entendi. Obrigado.

Então, Edd se levantou, fazendo o outro olhar para ele com curiosidade.

- Quer fazer algo diferente hoje?

Tom conhecia esse sorriso. Um sorriso aventureiro. Um sorriso encorajador. Um sorriso provocativo, que emanava êxtase.

Edd planejava algo.

Não sabia se era algo necessariamente bom ou ruim.

- No que você está pensando? - Tom perguntou, não escondendo a evidente diversão em sua fala.

- Ora, nada demais. - O moreno encolheu os ombros, piscando de modo travesso. - Apenas algo envolvendo água.

Tom arqueou uma sobrancelha.

Edd sorriu e acrescentou:

- E barcos também.


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- Oh, é claro que as duplas já estão definidas. São sempre as mesmas! - Tom cruzou os braços. - Fala sério.

- Você quer mesmo ficar com Matt? - Perguntou Edd, apontando para o ruivo na beira do lago. Matt estava tentando equilibrar o remo na cabeça, o que obviamente não deu certo. A madeira acertou o seu rosto, fazendo Matt soltar um grito fino.

- Ok. Obviamente não quero ficar com aquela anta acéfala. - Tom suspirou, dando um tapinha nas costas do amigo. - Vamos eu e você então, Edd.

- Mas e eu? - Choramingou Tord ao seu lado. - Você vai mesmo me trair assim? Você não quer ir comigo?


Mimado.


- Tord, você pode ir com o Matt. - Tom insinuou. - Qual o problema?

- Nããão. - O norueguês o abraçou de lado, todo manhoso. - Eu quero ir com você, Tommy. - Tord piscou para Edd, um gesto que passou despercebido para Tom.

- É, Tom. Acho que você deveria ir com Tord. - Disse o de verde. - É a melhor opção. Pense bem.


Mas que porra...?


- Arrgh, está bem! Eu fico com Tord. - O de azul esfregou o rosto, respirando fundo. Olhou para Edd, suspirando. - Boa sorte com Matt, então.

- Obrigado. - Edd se afastou, acenando para eles. - Divirtam-se! - Apontou um dedo acusatório. - E usem o colete, heim! Ele não está aí de enfeite!


Um passeio de canoa no lago era para ser relaxante, não é?


O grupo teve que se dividir. Não havia um barco coletivo, onde todos pudessem ficar juntos. Então, as canoas eram a única escolha. Dois em cada, perfeito.


Tom queria ir com Edd, mas Tord insistiu em ir com ele. E, parando para pensar, Edd pareceu empurrar Tom pra cima do norueguês.

Ok, nada de afirmações, mas Tom começou a pensar que os dois estavam tramando alguma coisa. Uma pegadinha, talvez?


- Vamos? - Tord entrelaçou os dedos de suas mãos, conduzindo Tom até o pequeno barco.

- Hum... Alguém está animado. 

- Eu sempre estou animado. - Retrucou o outro.

- Sim, mas hoje você está muito mais animado que o normal. Posso saber o motivo?

Tord o fitou por cima do ombro. O seu olhar era tão doce que Tom achou que fosse possível contrair uma diabete.

- Vou passar uma linda tarde ensolarada num lago tranquilo e na companhia da pessoa que mais amo no mundo. - Tord sorriu. - Isso é motivo suficiente para você?


Ok, Tom já previa os efeitos dessa declaração.


As bochechas vermelhas, o coração errando a batida, o calor se embolando no estômago.

Eram sensações nas quais já estava familiarizado. Não era novidade se sentir assim perto de Tord, era comum. Ele era seu namorado.

Então por que toda a vez que Tord dizia algo fofo Tom sentia como se tivesse sido a primeira vez? Mesmo sendo comum, por que não conseguia se acostumar com isso nunca?


O britânico soltou uma risada nervosa, tímida. Aquela que damos sempre que alguém aponta uma qualidade nossa, uma coisa que você faz sem perceber e que, sem ao menos ter noção, encanta quem está olhando.


É como se você estivesse dançando em um teatro vazio. Não, você pensa que está vazio. Mas não está. Alguém está lá. Uma, duas, três pessoas. Não importa. Sempre vai ter alguém te observando, quieto e silenciosamente, na penumbra, na sombra, apenas degustando você, e a maravilha que é você. Sua beleza mais pura, sua natureza mais linda.


Tom só queria ter coragem de dizer coisas assim à Tord também.


Ambos chegaram à beira do lago. A canoa estava presa por uma corda, e os remos não eram fixos, estavam dentro do pequeno barco.


Eles colocaram os coletes - se eles não morressem por afogamento, Edd com certeza terminaria o serviço depois - e desamarraram a corda.

Tord fez uma reverência exagerada; sua voz saiu cortês.

- Primeiro as damas.

- Eu vou enfiar aquele remo em lugares onde o sol não bate. - Tom grunhiu para ele.

Se encaram por um momento, e logo em seguida caíram na risada.

Tord fez uma expressão debochada.

- E eu vou enfiar o MEU remo no s...

- V-vamos logo, sim? - Tom o cortou de imediato, apontando para a barco. - Temos que ficar em pontas opostas para poder manobrar a canoa com mais facilidade.

- É uma pena não poder ficar grudadinho com você. - O norueguês suspirou, ajudando Tom a entrar na canoa. - Vamos ser como aqueles casais dos filmes, que navegam pelos rios de Veneza ao pôr-do-sol. Muito romântico.

- Com uma música melosa tocando ao fundo. - Completou Tom, com diversão. - Muito romântico.

- E então o cara ajoelha e faz uma declaração inesperada e altamente sentimental. - Usando o remo, Tord deu o primeiro impulso. A canoa deslocou, se afastando da beira do lago. - Muito romântico.

- E depois os dois quase caem do barco de tanta felicidade. - Tom deu um suspiro alto e fingido, colocando a mão no peito. - Oh, tão romântico! Tão poético. Tão apaixonante.

- Qual a probabilidade de isso acontecer na vida real? - Tord questionou, trocando o remo de mão. Girou o pulso, manobrando o barco na direção desejada. - Quer dizer, isso só pode ser coisa de filme clichê, não é?

- Deve acontecer na vida real também, obviamente. - Tom encolheu os ombros. - O ser humano não tem limites para a breguisse.


O britânico guardou os detalhes para si mesmo: era uma breguisse que adoraria receber.

Claro, Tord não precisava saber disso.


Era meio da tarde. Os raios de sol refletiam na água, dando à ela um aspecto cristalino, brilhante.

Tom se inclinou levemente, colocando a ponta dos dedos na água. Estava morna.

Cantarolava baixinho, fazendo movimentos circulares no líquido nem tão quente, nem tão frio.


Não havia muitas pessoas no lago. Havia uns casais aqui ou ali; uns solitários, algumas pessoas apenas molhando os pés na beira do lago, outras lendo livros nas sombras das árvores, fazendo piqueniques, ouvido músicas em caixas de som.


Tom ficou observando como os pequenos peixes bicavam timidamente sua mão. Fazia cócegas.

O sol aquecia seu rosto, mas não ao ponto de queimar.

Sem perceber, sorria calorasamente, e tão genuinamente, como um diamante puro, intocado pelo mundo.


Então, percebeu que o barco parou. Quer dizer, Tord parou de remar, então a canoa estava a deriva.

- Você se cansou? - Tom ergueu os olhos. - Quer que eu...

O jeito que Tord estava olhando para ele fez o britânico perder as palavras na hora.

Não conseguia entender essa expressão, esse brilho nos olhos; como se estivesse encarando a coisa mais preciosa do mundo.

Era um olhar tão afetuoso, tão sonhador.

- Tord? O que foi?

- Pare com isso. - Murmurou, de maneira séria.

- Hã? - Tom inclinou a cabeça. - Do que você está falando?

- Eu odeio quando você faz isso. - Tord colocou as mãos no rosto, bufando. - Eu odeio, odeio, odeio!

Tom não estava entendendo.


Tord estava bravo com ele? O que ele tinha feito?

Tord o odiava? Odiava algo que ele fazia? Ele irritava Tord de alguma forma?

Tom encarou as próprias mãos, com vergonha, com tristeza.


Não sentia vontade de chorar. Não havia necessidade de chorar, mas se sentia como uma criança sob a repreensão de um adulto.


- Eu odeio quando você me desestabiliza desse jeito. - Disse Tord, fazendo Tom erguer os olhos novamente, surpreso. - Odeio como um simples olhar, ou um simples sorriso seu, consegue mexer tanto comigo. Você tem noção do quanto você tem influência sobre mim? Você sabe, não é? Você sabe que me tem na palma na sua mão?

As palavras pareciam tão próximas, mas tão distantes ao mesmo tempo.

Tom estava mesmo ouvindo essas coisas?

O que era isso? Um sonho clichezinho do qual tanto sonhara?


- Você não faz idéia do que está dizendo. - Disse Tom, desviando o olhar. As bochechas ganharam cor, um leve vermelho que tinha certeza que se aprofundaria posteriormente.

- Eu não faço idéia do que eu estou dizendo? Eu tenho plena consciência do que eu estou dizendo. - Tord gesticulava com os braços, dando ênfase. - Você faz eu me sentir assim: completamente louco, idiota e indefeso... - Deu um suspiro alto. - Estou à sua mercê. Sou completamente seu. Meu coração... - Tord apertou o peito. - Você pode fazer o que quiser com ele. Ele é seu.


Um momento de silêncio.


O coração do britânico galopava; corria rápido, forte.

Estava tão nervoso, tão aflito...


Mas estava feliz.


Uma felicidade estranha, diria.

Um misto de vergonha e alegria.

Quem diria, Tord mais uma vez fazendo-o se sentir como se caísse de um penhasco.


Tom olhou ao redor, mordendo o lábio. A adrenalina estava solta em seu sangue.


O que ele poderia dizer à Tord? Que palavras doces e sinceras ele poderia dizer em troca?


Tord sempre o elogiava e o enaltecia como uma divindade. Por que Tom não poderia fazer o mesmo com ele? O que o impedia?


- Eu amo você.

As palavras saíram de sua boca antes que percebesse que estava dizendo-as.

Escorregaram de sua língua, como água, sem controle, sem consciência. Apenas saiu.

Tom não imaginou o impacto que elas teriam.

Era uma frase tímida, porém potente e grandiosa, carregada de emoção, de segredo, de lealdade.

Como é espetacular essa simples frase de três palavras ser tão esclarecedora e misteriosa ao mesmo tempo. Tom ama Tord, mas o que ele ama em Tord? O que isso significa?


Quando viu a reação do norueguês, cuja a expressão se resumia à olhos arregalados e o rosto corado, Tom engoliu em seco e disse com mais fervor:

- Eu amo você, Tord. - Ele respirou fundo, tentando se acalmar. - Desculpa se eu não digo isso com frequência, mas eu amo você. De verdade. Eu... - Tom sentia o rosto ferver a cada segundo, o calor acumulava em suas bochechas. - Você foi a melhor coisa que já aconteceu comigo. Você tem noção do quão importante você é para mim? Você é tão incrível, tão maravilhoso, tão...


O britânico colocou as mãos no rosto. Em parte para esconder o rubor, e em parte para não ter que encarar Tord.


- Eu não mereço você. - Tom murmurou. - Eu não sei o que você viu em mim, afinal. O fato de você estar comigo é muito... - Ele esfregou uma mão na bochecha. - Irreal, eu diria. É quase como se fosse um sonho. Eu tenho que martelar várias vezes na minha cabeça; olhar para você e pensar que você me escolheu, que você me ama.


Como sua mente apitava, explodia, se agitava. Ah, sua cabeça estava gritando. Seu peito vibrava, vibrava fortemente, com entusiasmo, com amor, com desespero. O medo de dizer muito mas não significar nada o dominava.


- Você é tudo o que eu sempre sonhei. Na adolescência eu só pensava em você, e em como eu queria você. Como eu queria que você gostasse de mim de volta. - Tom balançou a cabeça, abaixando os olhos. - E eu... Eu estou me enrolando, não é? - Deu um riso sem graça. - Meu Deus, Tord. Você quer mesmo que eu diga isso, não é? Meu coração é seu também, idiota. Sempre foi.


Tom não teve tempo de registrar o que aconteceu em seguida.

Antes, olhava para as aves que planavam sobre a água reluzente, manchada pelo sol. Agora, suas costas pressionavam o pavimento de metal frio da canoa. Tord enfiava a língua na sua boca com fervor.


Isso era o que diziam ser uma reação positiva?


- T-Tor-Humpf! - Tom tentava afastá-lo, tentava empurrá-lo para longe, mas Tord persistia, resistia, apronfudava. Quão necessitado Tord parecia, quão selvagem, carente.


Se não pode vencê-los, junte-se a eles.


Tom ofegava, a canoa balançava de um lado para o outro.

Os dedos de Tom alcançaram os cachos da nuca do outro, enroscando-se ali. Tord grunhiu.


Haviam poucas pausas. Um fio de saliva desceu pelo queixo do britânico.


Tanta euforia, tanta necessidade. Uma chama que acendia seus corpos e esquentava o sangue.


As línguas rolavam, dançavam, se mesclavam. Tord o trazia cada vez mais perto, como se fosse possível fundir-se completamente. Afundava as unhas na cintura do outro, fazendo Tom gemer.


A canoa tremia, mas o receio de tombá-la na água com certeza não importava agora.


Tiraram os coletes, eles estavam atrapalhando.


Bocas quentes, corpos quentes. Dois mundos diferentes se colidindo, se encontrando, se perdendo, e se reecontrando de novo.


As barreiras não pareciam existir, elas existiam? Para que serviam? Para nos impor limites?

Existiam limites?

Limites não são uma idéia inventada para que possamos fazer o nosso melhor?

Limites não foram feitos para serem quebrados?

Atrito, precisavam de atrito.


Eles queriam mais, mais e mais...






Eles pararam.





Ambos respiravam com dificuldade, como se tivessem corrido uma maratona.

Se sentiam quentes, muito quentes. Em um espaço pequeno, dois corpos quentes.

Estavam recuperando o fôlego, o ar nunca pareceu tão escasso.

A respiração pesada de Tord batia em seu pescoço. Tom estava atordoado demais para pensar em qualquer outra coisa no momento.

Ficaram assim por algum tempo. Tentavam assimilar e entender o que havia acabado de acontecer.

Não precisam entender, caramba. Só aconteceu, e pronto.


A perspectiva caiu sobre Tom como uma balde de água fria:

Eles estavam se devorando em uma canoa. Em público. No meio da porra de um lago.


Quando se deu conta disso, teve que se limitar a suspirar. A boca de Tord estava trabalhando em seu pescoço.

- Tord, estamos em público. - Sussurrou Tom.

- Dane-se.

- As pessoas podem nos ver. Edd e Matt podem nos ver!

- Dane-se.

- Estamos numa canoa, no meio do lago!

- Dane-se. Mil vezes dane-se!


Tord afundou os dentes em sua clavícula. Tom arqueou as costas, mordendo o lábio.

- Tord! A-ah. Chega, para. - Tom segurou seu ombros, o afastando de modo que pudesse encará-lo. - Tord, por favor.


Longos segundos. Longos sólidos segundos. Olho no olho. Nada podia ser escondido, nem disfarçado.


- Por favor. - Tom colocou uma mão na bochecha do outro. - Aqui, não.

A expressão de Tord amoleceu.

- Desculpa. - Ele se sentou, trazendo Tom para junto de si. - Desculpa.

- Isso foi...

- Eu sei. Desculpa, eu fui idiota. - Tord beijou sua têmpora, colocando uma mecha de cabelo atrás do cabelo do britânico. - Me perdoe, Tom. Eu não deveria...

- Não, não. Está tudo bem. - Tom o tranquilizou, beijando seus lábios suavemente. - Eu gostei. Eu adorei. Só acho que devíamos parar por aqui.

O norueguês acenou com a cabeça, em concordância.

- Sim, você tem razão. - Soltou um riso baixo, rouco. - Você se divertiu?

- Ah, muito.

- Pretende continuar em casa? - Tord ronronou em seu ouvido.

- Depende. - Tom sorriu, mas um poço de nervosismo afundava em seu estômago.


Como ele contaria à Tord que nunca tinha feito isso em toda a sua vida?

Tord já havia sacado? Ele já sabia?





Olhe para o lado.


Um calafrio percorreu seu corpo.


Olhe. Agora.


Tom girou a cabeça.


Além da água, no parque. Na sombra de uma árvore, um vulto. Uma forma, figura estranha, mas familiar.

Piscou, e já não estava mais lá.

Ele arregalou os olhos.


- Tord, acho que já devemos voltar. - Disse da maneira mais natural que conseguia. - Edd e Matt devem estar esperando por nós.

- Chega de barcos por hoje. - Brincou o outro, colocando o remo na água, direcionando a canoa para a costa. Tom o ajudou, mesmo que agora suas mãos tremiam.


Desembarcaram em terra firme. Amarraram a canoa num toco de madeira com uma corda.

- Eu realmente achei que tombaríamos a canoa. - Admitiu Tom. - Nós iríamos tomar um belo banho surpresa.

- Ah, isso seria divertido. - Assentiu Tord. De repente, ele parou de andar, colocando as mãos na cabeça. - Merda! Esqueci meu celular na canoa! Eu já volto!


Tom só pôde rir.


Esse cabeça de abóbora. Esquece de tudo.


O britânico colocou as mãos nos quadris, suspirando alto.


Que dia perfeito tinha sido esse.

Ah, como tinha sido maravilhoso.

Uma nova memória havia sido criada em sua mente. A lembrança desse dia não morreria tão cedo.

A sede, a fome, a necessidade, a carência.

Um desejo inacabado, insaciável.






Então, veio a preocupação.



O que tinha sido aquele vulto?

Por que estava ali? E por que sumiu tão repentinamente?

Por que sempre quando acontece algo bom em sua vida, acontece algo de ruim também? É uma balança irônica do destino? Tem que haver um equilíbrio, universo?



- Tom?

- Finalmente, hein. Conseguiu achar o...


O britânico se virou.

Inclinou a cabeça, confuso.


Lá estava Tord. O braço estendido. Uma caixinha na mão.


- O que é isso?

- É para você. Quer dizer, para nós.

- Não estou entendendo.


Tord abriu a caixinha. Um par de anéis delicados residiam ali. Seus aros formavam um coração no meio.

Eram tão lindos, pequenos. Perfeitos. Sem exageros, emanavam simplicidade, pureza.


- Tord, isso é...

- Eu deveria ter feito isso na canoa, mas acabei me esquecendo, já que... né, estávamos ocupados. Então eu vou ser direto, porque de enrolado já basta o carretel de lã. - Sorriu, pegando delicadamente a mão de Tom. - Thomas, você quer namorar, oficialmente, comigo?


O britânico sentiu os olhos arderem.

Ah, esse idiota.

Esse tonto, bobo e idiota!

Mas pelo menos era seu idiota.


- Achei que já estávamos namorando. - Tom se inclinou para beijar sua bochecha. Não conseguia tirar o sorriso do rosto. - Claro que sim. Mil vezes, sim!

Tord colocou o anel em seu dedo anelar esquerdo. Tom fez a mesma com ele, porém, no anelar direito. Quando davam as mãos, os anéis se tocavam.

- Você sabe que não precisava fazer isso, não é?

- Eu sei, mas eu queria. E você também, admita.


Tom o abraçou pelo pescoço, rindo. Os dois giraram, e quase caíram.

Colaram as testas, olhando profundamente nos olhos do outro. Os lábios quase se tocavam.


- Eu te amo tanto, Tord.

- Eu te amo mais.


Ao longe, um assovio, um bater de palmas alto.


- Finalmente, hein, Tord! - Exclamou Edd, levantando o polegar. - Conseguiu?


Filho da puta!


- Então você e Edd armaram tudo isso? - Indagou Tom, com brincadeira, cutucando o peito de Tord.

O norueguês encolheu os ombros.

- Talvez.

- Babaca.

- Você me adora.


Matt, ao lado do moreno, estava com o celular na altura do rosto, gravando.


- Vai, vai! Se beijem logo, porra!


Como poderiam negar um pedido desses?

O dia havia se encerrado da melhor maneira possível.


E assim selaram aquele pacto inabalável, eterno, duradouro.

Na beira de um lago de Londres.

Às 17:45 da tarde.







Notas Finais


Perdão pelos erros ortográficos, quase não houve revisão, então, perdón :V

Ficou BREGA EU SEI TÁ


MDS ACHO QUE FOI EU QUE CONTRAI UMA DIABETE AQUI


Espero que tenham gostado ^^


Até a próxima :)




LAVEM AS MÃOS CARAMBA


EVITEM MULTIDÕES


TOSSAM/ESPIRREM NO BRAÇO


ÁLCOOL EM GEL NAO TA DE ENFEITE PORRA

>>>>>>>FIQUEM EM CASA<<<<<<


VAMOS SER CONSCIENTES E NÃO ESPERAR A ÁGUA BATER NO UMBIGO!!


se cuidem, a situação tá crítica. Se todos fizermos nossa parte, mais rápido isso acaba.
Cuidem de seus avós, e fiquem bem SZ


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