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História Afraid - Medo Invisível - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


Olá Pessoal, tudo bem?
Eu tive uma inspiração para escrever e decidi postar aqui. Espero que gostem. É uma história de suspense, mistério, terror e amor rsrs. Aguardo o feedback de vocês. Muitos membros do Exo, Bts e Nct aparecerão por aqui então não estranhem.
Beijos e até o próximo cap.

Capítulo 1 - Lembranças Veladas


O silêncio da noite era inversamente proporcional ao barulho dos batimentos em meu peito, tamanho o medo que me consumia. Eu estava sendo perseguido por alguém. O barulho de passos fortes começou a crescer novamente, então eu corri o máximo que podia pelas escadas do 10° ao 7° andar. Depois que comecei a fugir, a energia do prédio tinha acabado resultando na impossibilidade de usar os elevadores e ainda a dificuldade de locomoção devido ao breu que os andares tinham se tornado. O prédio encontrava-se vazio, nem meus maiores gritos por socorro e ajuda alcançaram uma mísera alma ao menos. Eu estava sozinho, fugindo entre os andares em meio ao breu tentando uma oportunidade de sobreviver. 

A porta de emergência do 6° andar estava aberta então eu adentrei apressadamente. A visão estava prejudicada devido a falta de iluminação, e encontrava-me na dualidade de seguir pelas escadas ou entrar no corredor. Escolhi a segunda opção. O silêncio denunciava qualquer ruído e isso alimentava a minha tensão. Dei alguns passos escorando pela parede, forçando as portas na tentativa de abri-las mas sem êxito. Então sem preparo escuto o barulho de passos vindo em minha direção. Corri, da forma mais rápida e desesperada que pude. O som de uma lâmina espalhou-se no ar e eu já tinha a plena certeza que morreria. A pessoa que me perseguia estava focada em me matar. Eu havia cometido um grande erro nessa noite, o destino cruzou nossos caminhos e provavelmente eu não sairia vivo desse encontro. Eu só queria sair desse prédio, fugir pra bem longe. Vivo. 

O corredor parecia não ter fim. Eu estava cansado, cheguei no outro lado continuei descendo as escadas correndo desesperado, ouvindo a lâmina me seguir. Eu não aguentaria mais, poderia cair a qualquer momento de cansaço e ceder. Seria mais fácil. Valeria mais a pena continuar? 

O barulho da perseguição crescia, minha boca sugando o ar enquanto as pernas rígidas largavam em altas passadas fazia uma melodia sinistra com o som da bota e da lâmina que vinham logo atrás. Virei no segundo corredor à esquerda sem muito pensar o que me deu alguns segundos de vantagem, e como um presente avistei uma grande janela de vidro. Eu não pensei direito, apenas segui meus instintos. Corri ainda mais na direção daquela que parecia ser minha salvação. Inclinei meu corpo e deixei meu ombro mais a frente enquanto corria ainda mais. A figura que me perseguia vacilou, desacreditando no que eu faria, o que me deu mais alguns segundos de distância e vantagem. E desejando a vida. Desejando sobreviver mas sem saber como, eu me atirei contra a vidraçaria. Joguei o peso inteiro do meu corpo contra o material transparente. Não pensei onde eu cairia, se eu conseguiria fugir da morte ou apenas tinha adiantado meu encontro com ela. Quando senti passar pelos cacos no ar e o vento frio me abraçar, senti alegria, tinha saído do prédio, eu iria viver? Quem me perseguia pulou também? O que aconteceria? Eu agi certo? Eu não sabia. O ar me abraçou e um escuro me tomou por inteiro após um impacto. Engolido pelo breu eu me deixei entregar, se a morte era aquilo, eu estava feliz, era um caos silencioso, escuro e acolhedor. 

 

---

 

Submerso num profundo silêncio, num profundo não existir. Onde nada se movia, nada parecia ter expressão. Era como se eu estivesse angustiado, suspenso entre o início e o fim. E essa angústia era a única amiga durante um tempo que eu nem sabia contar, parecia que eu estava assim a minha vida inteira. No entanto, em algum momento que eu não sabia qual algo diferente surgiu no meio desse nada, um som contínuo, um som irritante que cada vez mais crescia, crescendo tanto que me fez acordar. 

Um clarão feriu meus olhos e com muito esforço e dificuldade eu abri aos poucos a janela de minha alma. Eu estava vivo. Pisquei inúmeras vezes e umedeci meus lábios. Eu não sabia onde eu estava e sentia que alguma coisa tinha acontecido comigo. Parecia que algo faltava e isso começou a me assustar, o medo veio e na medida que meus olhos percorriam aquele espaço desconhecido o pânico também crescia. 

- Você está em um hospital.

    A voz grave se fez presente chamando minha atenção para o outro lado que eu estava deitado. A partir de suas vestes conclui ser um policial. O homem de cabelos pretos, alto e pele clara aparentava ser jovem para a profissão que eu deduzi. A camisa branca estava impecavelmente alinhada em seu corpo, assim como a calça social em seus membros inferiores. Ele se levantou e alisou os fios que já estavam organizados e deu cautelosos passos até a minha cama.

- Bom dia, sente-se bem? - Seus olhos negros me fixaram e senti uma tenção com sua presença. Só consegui balançar a cabeça em afirmação.

- Sou Wong Yuk Hei, diretor do Departamento de Investigações de Casos Especiais da China. Seu nome?

- Wong Kunhang, mas me chamam de Hendery. - O que a polícia queria comigo? O que eu teria feito? Meu coração começou a acelerar e o barulho da máquina apitava mais rápido com as batidas do meu peito.

- Quem te chama de Hendery? - Ele não desviava em nenhum momento do meu olhar, eu tentei sentar, mas parecia que eu não controlava mais meu corpo como se eu estivesse sedado. 

- Amigos… 

- Então porque nenhum de seus “amigos” ou familiares vieram te procurar? - Ele estava desconfiando de mim? Aquele homem começou a me assustar. Como assim me procurar? O que houve comigo? 

- Não sei, não tenho muitos amigos… Por que estou em hospital? Por que você está aqui? - Minha voz vacilava e algumas lágrimas começavam a transbordar diluindo minhas preocupações. - Não consigo me mexer.

Wong Yuk Hei então foi até uma mesinha e encheu um copo descartável com água, não contive o gesto de engolir seco e umedecer ainda mais meus lábios percebendo o que ele faria. Aproximou-se pedindo licença e com um dos braços ergueu minhas costas e com o outro aproximou o copo cuidadosamente em minha boca. Quando a água desceu por mim eu tomei consciência de quanta sede eu tinha, aquilo foi renovador. Meu corpo e minha mente agradeceram o gesto e aos poucos eu fiquei mais relaxado e com os sentidos mais claros.   

- Há oito dias você chegou nesse hospital desacordado e muito machucado, aparentemente você se jogou do sexto andar de um prédio afastado do centro, e o impacto foi forte o suficiente para te deixar em estado de inconsciência. Você não carregava nada além de suas roupas, nenhuma identidade. 

Eu não conseguia assimilar o que o agente falava. Aquilo não era possível. 

- Você não se recorda disso? 

Wong Yuk Hei levantou uma sobrancelha escaneando cada mínimo movimento da minha face, ele estava pronto para pegar qualquer vacilo meu, afinal, se aquilo era verdade, eu era um sujeito sem identidade nenhuma, que ele não sabia nada a respeito. Aquilo era assustador. Eu tentava lembrar do que ele acabava de me contar, mas não vinha nada em minha mente, ele poderia estar enganado ou mentindo? Não era possível. Eu não lembrava de nada, e isso começou a me assustar, forçava a mente e não vinha nenhuma imagem, comecei a me exaltar, olhava para todos os cantos da cama, das minhas mãos enfaixadas, das paredes brancas, da janela, das máquinas ao meu redor, nada, eu não lembrava de absolutamente nada. Minha última lembrança era eu me arrumando para algo importante e depois eu apareci aqui. Eu comecei a entrar em choque, mais lágrimas desciam de meus olhos e um pânico me tomava, jogado em minha mente escavando todas as suas partes e nada emergia além de um vazio. Era como se eu tivesse guardado todas minhas informações em algum lugar que eu não tinha mais acesso. Eu estava assustado, eu não sabia como tinha ido parar naquele leito de hospital, não lembrava dos últimos acontecimentos e uma sensação de estar em perigo se alastrava sobre todo o meu corpo, sentia que alguém tinha tirado algo de dentro de mim e um medo me invadia com a noção da minha vulnerabilidade. 

- Calma, você não precisa lembrar de nada agora. - Suas mãos repousaram em meu ombro brevemente tentando me relaxar. O policial percebeu que eu estava apavorado. 

- Como eu cheguei aqui? - Minha voz trêmula e baixa se faziam difíceis de ouvir. 

- Ainda estamos tentando achar essa pessoa. Mas os enfermeiros do pronto atendimento disseram que um homem te trouxe de carro, e te deixou aqui alegando ter te encontrado enquanto voltava de uma viagem, ele dirigia pela rua e momentos antes tinha visto você caindo do prédio. 

- Eu me joguei? - A hipótese de cometer suicidio nunca passou pela minha cabeça. - Eu tentei me matar? - Aquilo era estranho.

- Não - Wong Yuk Hei fez uma pausa antes de revelar- A perícia constatou que você se jogou porque estava fugindo de alguém. 

Um gelo me tomou.

- Eu estava sendo perseguido? Mas por quem? E por que? O que eu fiz? Em qual prédio isso aconteceu? 

- Hendery calma. 

A voz do agente era grave e imperante, de alguma maneira me recolocava em ordem. 

- Então por que você está aqui? - Meus olhos desviaram dos dele por frações de segundo, eu estava com problemas já que um policial estava em meu leito.

- Primeiro porque você é uma pessoa que chegou sem passado nenhum, aparentemente. Precisamos saber quem é você. O que estava fazendo naquele prédio e por que alguém possivelmente estava te perseguindo ao ponto de você se jogar do sexto andar. Aquele prédio está ligado com outro caso que eu já investigava e esse acontecimento é muito atípico para deixar passar. 

Batidas na porta ecoaram pelo espaço e quando a porta foi aberta um homem de jaleco entrou apressado digitando coisas num tablet ignorando totalmente a figura do policial. 

- Eu disse que não era pra incomodá-lo. Você pode aumentar o trauma dele.

- Perdão Xiaojun. Eu só precisava fazer algumas perguntas…

- Faça depois. 

O médico parecia exercer uma influência maior sobre o policial, já que a figura impermeável de antes vacilava ao seu lado. O doutor mediu minha pressão, verificou meus olhos e boca assim como minha respiração e em nenhum momento o agente Yukhei saiu da sala. 

- Agora que você acordou teremos que fazer alguns exames específicos. - Ele era ágil, digitava coisas no tablet em sua mão, mexia nos aparelhos ligados a mim sem perder o foco. - Você ficará no hospital para finalizarmos os exames e fechar um diagnóstico mais preciso. Precisamos avaliar sua perda de memórias, se será momentânea devido ao trauma, ou se será permanente. Qual sua última lembrança clara? 

- Eu estava me arrumando para sair a algum lugar importante, não sei onde. - Senti uma dor intensa na cabeça quando tentei processar os dados da minha memória, uma dor agoniante que surgia de dentro pra fora do meu cérebro.

Enquanto eu tentava pescar no poço escuro que estava sendo minha mente, imagens borradas tentavam se formar diante de mim, mas nada era legível. Eu pegava roupas e as vestia rapidamente, parecia que eu tinha descoberto algo muito importante e precisava sair logo de onde eu estava. A dor aumentava e as imagens se desfaziam. Era frustrantemente agonizante. Tentei continuar lembrando, mas minha cabeça doía muito, por fim uma imagem se formou. 

- Eu falava com alguém no celular, um amigo, acho... 

- Qual amigo? - Falou o policial se aproximando concentrado. 

- Kun. - Eu lembrava de meus lábios pronunciarem esse nome.

- Quem é ele? - O policial olhava-me como um caçador, parecia que abriria minha cabeça para ter suas informações desconsiderando totalmente meu estado. Isso me deixou aborrecido e a dor aumentou me impedindo de conseguir assimilar mais nada nos meus pensamentos. 

- Tudo bem, não force sua mente. - O Dr. Xiaojun tocou no braço do policial olhando-o sério, indicando com a cabeça para que se afastasse, suspirou brevemente e focou pela primeira vez em mim. Eu estava confuso, assustado e me sentindo vulnerável, mas consegui captar algo de muito estranho no ar, eles estavam escondendo algo, sabiam de informações e não me falariam.

- Você teve algumas fraturas, cortes e muitos hematomas devido a queda, cedamos você para o controle da dor, logo mais você retomará o controle de seus membros, mas em geral seu corpo se recupera rápido, afinal você está aqui a mais de uma semana.  - O Doutor Xiaojun coçou a testa, passou seus olhos por meu corpo e focou em meus orbes, diria que compaixão era o que se apresentava de sua face. - Tudo vai ficar bem. Não se preocupe. - Sorriu.

Antes de sair da sala ele olhou novamente para o policial afirmando com a cabeça e se retirou deixando-nos a sós outra vez. 

Por que alguém tentaria me perseguir? O que eu tinha feito pra isso? Essa pessoa me mataria? Como eu fui parar nesse prédio? Quem era esse homem que me ajudou trazendo-me ao hospital? Por que ele sumiu? Como eu não consigo lembrar de nada disso? E para onde eu estava indo? Para esse tal prédio? E Kun realmente era um amigo? Eu só lembro de pronunciar seu nome, mas não me vem nenhum sobrenome ou contato. Aquela sensação de estar faltando algo somente crescia, era revoltante, como se tudo ficasse branco sem motivo nenhum de uma hora pra outra. E toda vez que eu tentava acessar esses lugares essa dor insuportável me atingia. Ninguém me procurou, como isso poderia ser possível? Eu não seria importante pra ninguém? Amigos, ou família, ninguém sentiu minha falta durante esses oito dias? Algo estava errado. 

- E agora? - Virei meu rosto a Wong Yuk Hei preocupado e poderia jurar que ele também compartilhava das mesmas sensações que eu.

- Você ficará aqui, fará os exames com o Dr. Xiaojun. Enquanto isso, minha equipe localizará seus dados e esse tal de Kun. - Seus olhos eram penetrantes, me causavam medo e pareciam ter visto muita coisa perturbadora nessa vida. - Amanhã eu volto e farei algumas perguntas pra você. Fique tranquilo.

Nos encaramos ainda mais tentando ler o máximo possível um do outro, mas não passávamos de barreiras frias e impenetráveis, eu impossibilitado de acessar minhas próprias memórias e ele querendo esquecer muita coisa que eu nem poderia imaginar. Mas entre a frieza de seus olhos eu identifiquei preocupação.

- O que foi Hendery? - Ele questionou sem piscar.

- Não está tudo tranquilo como você disse. - Engoli em seco. - Eu estou apavorado e perdido, e sei que se eu me joguei daquele andar eu estava fugindo de alguém. E esse alguém está aí fora, e a gente não sabe quem é. 

Yukhei seguiu a lágrima que escorria de meu olho sendo absorvida pelo tecido apático da cama de hospital. 

- Esse alguém queria me ferir, me matar. Não conseguiu lá, mas pode conseguir aqui fora. 

Eu virei meu rosto abandonando a figura imóvel no quarto, me desprendi e chorei sem me preocupar, pondo pra fora todo medo, toda pressão, toda angústia que eu estava vivendo. Deixando-me consumir pelos sentimentos e todo caos do meu ser. A única sensação verdadeira era aquela que me engolia aos poucos: a sensação de perigo, do alvo fácil, da presa que estava esperando seu caçador.

 


Notas Finais


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:)


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