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História After - Beauany - Capítulo 55


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Notas do Autor


Boa leitura 💕

Capítulo 55 - Cap.54


Olho pela janela do passageiro, não quero ser a primeira a falar. Depois de alguns quarteirões, Josh liga o rádio e aumenta muito o volume. Reviro os olhos, mas ignoro — até onde dá. Odeio o gosto musical dele, fico com dor de cabeça na hora. Sem pedir, giro o botão do volume para abaixar e Josh olha para mim.

-O que foi?

-Nossa! Tem alguém nervosinha. -Ele diz.

-Não, só não queria ouvir isso, e se tem alguém de mau humor é você. Foi supergrosseiro comigo, e aí envia uma mensagem de texto pedindo para passar a noite com você. Não entendo.

-Fiquei puto porque você falou do casamento. Agora que está resolvido que não vamos, não tenho motivos para ficar assim. -Seu tom de voz é calmo e firme.

-Não está resolvido... nem conversamos a respeito.

-Conversamos, sim. Eu disse que não vou. Então esquece, Gabrielly.

-Bom, talvez você não vá, mas eu vou. E vou à casa do seu pai para aprender a cozinhar com Karen no fim de semana. -Digo.

Josh range os dentes e olha para mim.

-Você não vai ao casamento. E o que está acontecendo? Você e Karen são melhores amigas agora? Você mal a conhece!

-E daí? Eu mal te conheço. -Digo.

Ele parece triste, e eu me sinto mal por isso, mas é verdade.

-Por que você está sendo tão difícil? -Ele pergunta, ainda com raiva.

-Porque você não vai mandar em mim, Josh. Pode esquecer. Eu vou ao casamento, e gostaria que você fosse comigo, se quiser. Talvez você até se divirta. Seria muito importante para seu pai e Karen, não que você se importe com isso.

Ele não diz nada. Solta um longo suspiro e volto a olhar pela janela. O restante do trajeto é feito em silêncio, nós dois estamos irritados demais para falar. Quando estacionamos na fraternidade, Josh pega minha bolsa no banco de trás e a coloca no ombro.

-Por que você faz parte de uma fraternidade? -Pergunto.

Quero entender isso desde que descobri seu quarto. Ele respira fundo enquanto sobe a escada.

-Porque, quando concordei em vir para cá, o dormitório estava cheio, e eu não queria morar com meu pai de jeito nenhum. Então foi a única opção que tive.

-E por que fica aqui?

-Porque não quero morar com meu pai, Any. E dá uma olhada nesta casa: é bonita, e meu quarto é o maior. -Ele sorri um pouco, e fico feliz ao ver que sua raiva está diminuindo.

-Por que não mora fora do campus? -Pergunto, mas ele dá de ombros.

Talvez não queira arrumar um emprego. Eu o sigo em silêncio até seu quarto e espero enquanto destranca a porta. Por que essa obsessão com o próprio quarto?

-Por que você não deixa ninguém entrar no seu quarto? -Pergunto.

Ele revira os olhos e coloca minha mala no chão.

-Por que você faz tantas perguntas? -Ele resmunga e se senta em uma cadeira.

-Sei lá. Por que você não responde? -Pergunto, mas é claro que ele me ignora. -Posso pendurar minha roupa para amanhã? Não quero que fique amassada dentro da minha bolsa.

Ele parece pensar na pergunta por um segundo, mas logo assente e levanta para pegar um cabide no armário. Pego a saia e a blusa e penduro no cabide, ignorando a cara feia que ele faz para minha roupa.

-Preciso levantar mais cedo do que o normal amanhã para estar no ponto de ônibus às oito e quarenta e cinco. Vou pegar o ônibus três ruas acima, e descer a dois quarteirões da editora. -Digo.

-O quê? Você vai lá amanhã? Por que não me contou?

-Eu contei... você estava ocupado demais fazendo birra. -Rebato.

-Levo você lá. Não precisa ficar uma hora dentro do ônibus.

Quero recusar a oferta só para irritá-lo, mas decido não fazer isso. Vai ser muito melhor ir para lá de carro do que em um ônibus lotado.

-Vou comprar um carro logo. Não posso ficar sem. Se eu conseguir o estágio, teria que ir para lá três vezes por semana.

-Eu levaria você. -Ele diz, a voz quase um sussurro.

-Vou comprar um carro. Não posso correr o risco de você não ir me buscar um dia porque está bravo comigo.

-Eu nunca faria isso. -Seu tom é sério.

-Faria, sim. E então eu teria que encontrar um ônibus de última hora. Não, obrigada. -Digo meio na brincadeira.

Sinceramente, acho que poderia contar com ele, mas não quero correr riscos. Josh é instável demais. Ele liga a televisão e levanta para trocar de roupa. Eu o observo. Por mais irritada que possa estar, nunca deixaria passar uma chance de vê-lo tirando a roupa. 

Josh tira a camiseta primeiro, então observo seus músculos se contraírem sob a pele enquanto desabotoa e tira a calça jeans preta. Quando penso que vai ficar só de cueca, ele pega uma calça de algodão da cômoda e veste. Fica sem camisa, para minha sorte.

-Toma. -Ele murmura e me dá a camiseta que acabou de tirar.

Não consigo controlar meu sorriso ao pegá-la. Vai ser assim agora. Ele deve gostar de me ver com a camiseta dele tanto quanto gosto de sentir seu cheiro no tecido.

Josh se concentra na televisão enquanto visto a camiseta dele e uma legging. É justa, mas confortável. Josh pigarreia e percorre meu corpo com os olhos.

-Hum... que sexy.

Fico corada.

-Obrigada.

-Bem melhor do que a calça larga. -Ele provoca, e dou risada enquanto me sento no chão.

Eu me sinto estranhamente à vontade no quarto dele. Não tenho certeza se são os livros ou Josh.

-Você estava falando sério no carro quando disse que mal me conhece? -Ele pergunta de modo contido.

Eu não esperava por isso.

-Mais ou menos. Não é fácil conhecer você.

-Eu sinto que te conheço. -Ele diz, com os olhos fixos nos meus.

-Sim, porque eu deixo. Conto coisas sobre mim.

-Eu também conto. Pode não parecer, mas você me conhece mais do que qualquer outra pessoa. -Ele olha para o chão, e então para meus olhos de novo.

Parece triste e vulnerável, muito diferente do garoto raivoso de sempre, mais igualmente atraente. Não sei bem o que dizer a respeito dessa confissão. Sinto que conheço Josh num nível muito pessoal, como se de algum modo estivéssemos ligados muito mais profundamente do que se tivéssemos mais informações um sobre o outro, mas não me parece nem de perto suficiente. Preciso saber mais.

-Você também me conhece melhor do que ninguém. -Digo.

Josh conhece a Any de verdade. Não a Any que finjo ser com minha mãe, nem mesmo com Noah. Conto a ele sobre a partida de meu pai, as críticas de minha mãe e meus medos, coisas que nunca contei a ninguém.

Josh parece gostar muito do que eu disse: ele abre um sorriso e se aproxima de mim, pega minha mão e me puxa.

-O que você quer saber, Any? -Ele pergunta, e meu coração se aquece.

Josh finalmente está pronto para me contar mais sobre si mesmo. Estou mais perto de compreender esse cara estourado, mas que sabe ser adorável de vez em quando.

Josh e eu ficamos deitados na cama, olhando para o teto, e eu faço pelo menos cem perguntas. Ele fala sobre o lugar onde cresceu, Hampstead, e diz que era muito legal morar lá. Fala sobre a cicatriz no joelho, da primeira vez que subiu numa bicicleta sem rodinhas, e conta que sua mãe desmaiou ao ver o sangue. Seu pai estava no bar aquele dia — o dia todo —, e foi a mãe quem cuidou de tudo.

Ele me conta sobre a escola e diz que passava a maior parte do tempo lendo. Nunca foi muito social, e conforme foi crescendo seu pai passou a beber cada vez mais, e seus pais brigavam cada vez mais.

Josh me conta que foi expulso do ensino médio por indisciplina, mas a mãe implorou para que a direção o deixasse voltar. Começou a fazer tatuagens aos dezesseis anos, no porão de um amigo. A primeira foi uma estrela, e depois ele quis muitas outras. Diz que não tem um motivo especial para não tatuar as costas.

Detesta pássaros, apesar dos dois que tem acima de sua clavícula, e adora carros clássicos. O melhor dia de sua vida foi quando seus pais de divorciaram. O pai parou de beber quando ele tinha catorze anos e está tentando compensar pelo passado terrível, mas Josh nem quer saber.

Minha mente está confusa com tantas informações e acho que finalmente consigo entendê-lo. Ainda há muito mais coisas que eu adoraria saber sobre Josh, mas ele adormece enquanto me conta sobre a casinha que ele, a mãe e um amigo fizeram com caixas de papelão quando tinha oito anos.

Fico olhando para Josh dormindo, e ele parece muito mais jovem agora que sei sobre sua infância, que foi feliz até o alcoolismo do pai envenenar tudo, culminando no Josh furioso de hoje.

Eu me inclino para a frente e dou um beijo no meu rebelde orgulhoso, então me deito e durmo também. Não quero acordá-lo, só puxo um pouquinho o edredom para me cobrir.

Nessa noite, meu sono é perturbado pelas imagens de um menininho de cabelos encaracolados caindo de uma bicicleta.

-Para!

Acordo com a voz cheia de dor de Josh. Olho ao redor à procura dele, e então o vejo se debatendo no chão. Saio depressa da cama para me aproximar dele e o chacoalho com cuidado para despertá-lo. 

Lembro como foi difícil da última vez, então me abaixo e o seguro pelos ombros, embora ele tente se livrar de mim. Um gemido escapa dos seus lábios, seus olhos se abrem.

-Any. -Josh diz e me abraça.

Está ofegante, suado. Eu devia ter perguntado sobre os pesadelos, mas não quis abusar. Josh me contou muito, muito mais do que eu esperava saber.

-Estou aqui, estou aqui. -Digo para consolá-lo.

Puxo o braço dele, fazendo um gesto para que me acompanhe até a cama. Quando Josh me vê, a confusão e o medo desaparecem aos poucos.

-Pensei que você tivesse ido embora. -Ele sussurra.

Nós nos deitamos e Josh me puxa para perto dele, bem perto. Passo meus dedos por seus cabelos úmidos e desgrenhados, e ele fecha os olhos. Não digo nada, só continuo os carinhos para acalmá-lo.

-Nunca me deixe, Any. -Ele sussurra e volta a dormir.

Meu coração quase explode com esse pedido, e sei que, enquanto me quiser, vou ficar aqui. 


Notas Finais


Mais um capítulo para avisar q o Harry delícia Styles postou clipe novo, quem amou?🍉❤️ Sorry por isso rs


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