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História After - Beauany - Capítulo 92


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Notas do Autor


Boa leitura 💕

Capítulo 92 - Cap.91


Em uma clara tentativa de mudar de assunto, Josh pergunta:

— Agora que temos nossa própria casa, acho que você não vai querer dormir lá no meu pai, né? – Faço força para esquecer o episódio com Bailey.

— Achou certo. – Abro um sorriso. — A não ser que Karen convide. Você sabe que não consigo dizer não.

Tenho medo de como vou reagir ao ver Ron depois do que Josh me contou ontem à noite. Estou tentando deixar isso de lado, mas é bem mais difícil do que eu imaginava.

— Ah, quase ia esquecendo. – Ele diz, ligando o rádio. Olho para Josh, que ergue o indicador, pedindo-me para esperar. — Decidi dar mais uma chance para o One Direction. – Ele comunica.

— Sério? E quando foi que você decidiu isso? – Questiono.

— Bom, logo depois do nosso encontro no riacho, mas só ouvi o álbum na semana passada. – Ele confessa.

— Aquilo não foi um encontro. – Provoco, e ele dá uma risadinha.

— Você me deixou enfiar o dedo no meio das suas pernas. Eu diria que foi, sim.

Josh segura e beija minha mão quando tento dar mais um tapa nele. Dou uma risadinha e envolvo seus dedos nos meus. Imagens minhas vestindo uma camiseta molhada enquanto ele me proporciona meu primeiro orgasmo invadem minha mente.

— Foi divertido, né? – Josh se gaba, e eu dou risada.

— Enfim, me diga qual é sua nova opinião sobre o One Direction? – Peço.

— Bom, na verdade eles não são tão ruins. Tem uma música que até é legal.

Agora estou mais curiosa do que nunca.

— Sério?

— É... – Ele diz, voltando a olhar para a pista antes de apertar o botão do rádio.

A música preenche o espaço confinado em instantes, e eu abro um sorriso.

— Chama 'They don't know about us'. – Josh anuncia, como se fosse uma novidade para mim, e não uma das minhas músicas favoritas.

Ficamos ouvindo em silêncio, e não consigo tirar o sorrisinho do rosto. Sei que ele está meio envergonhado de tocar essa música para mim, então não falo nada, simplesmente curto esse momento gostoso.

Durante o restante do caminho, Josh continua tocando as outras faixas do disco, dando sua opinião sobre cada uma delas. Esse pequeno gesto significa muito mais para mim do que ele pode imaginar. Adoro quando me revela um novo lado seu. E esse é um dos meus favoritos.

Quando chegamos à casa do pai dele, a rua está repleta de carros. Ao descer, sinto o vento me atingir com força, e fico toda arrepiada. O casaco fininho que estou usando por cima do vestido não me oferece muita proteção, e a falta de meia-calça, menos ainda. Josh tira o paletó e põe sobre meus ombros. É bem quentinho e tem o cheiro dele, meu perfume favorito.

— Olha só... você sendo todo cavalheiro. Quem diria? – Provoco.

— Não me obrigue a levar você de volta para o carro para dar uma rapidinha bem safada. – Ele responde, e solto um ruído entre um riso e um suspiro de susto, o que ele acha muito divertido. — Você acha que tem lugar nessa sua... coisa... para meu celular?

— É uma bolsinha, e tem, sim. – Abro um sorriso e estendo a mão.

Ele me entrega o telefone e, enquanto o guardo, vejo que seu papel de parede não é mais só um fundo cinza. Na pequena tela, está a foto que tirou de mim quando estávamos no quarto. Meus lábios estão entreabertos e meus olhos cheios de vida. Meu rosto inteiro brilha, e é estranho me ver desse jeito. É isso o que ele faz comigo — faz com que eu ganhe vida.

— Eu te amo. – Digo, fechando a bolsa sem fazer nenhum comentário embaraçoso sobre seu novo papel de parede.

A espaçosa casa de Ron e Karen está cheia de gente, e Josh segura minha mão com força depois de pegar de volta seu paletó e vesti-lo.

— Vamos procurar Lamar. – Sugiro.

Josh balança a cabeça e abre o caminho. Nós o encontramos na sala, perto da cristaleira que substituiu aquele que Josh quebrou na primeira vez em que vim aqui. Parece ter sido há tanto tempo...

Lamar está cercado por um grupo de homens que parecem ter no minino sessenta anos, e um deles está com a mão em seu ombro. Um sorriso aparece em seu rosto quando nos vê e ele pede licença para sair da conversa. Está muito bonito, com um terno bem parecido com o de Josh.

— Uau, pensei que não ia viver para te ver de terno e gravata. – Brinca Lamar.

— Se continuar com as gracinhas, não vai viver para ver. – Josh ameaça, mas o tom bem-humorado de sua voz é claro, e ele sorri.

Dá para dizer que está começando a gostar de Lamar, e isso me deixa contente. Lamar é um de meus melhores amigos, e gosto muito dele.

— Minha mãe vai ficar felicíssima. Any, você está linda. – Ele diz enquanto me dá um abraço.

Josh não larga minha mão, e tenho que me virar para retribuir o gesto de Lamar usando apenas um dos braços.

— Quem são essas pessoas? – Pergunto. Sei que Ron e Karen só moram aqui há pouco mais de um ano, e fico surpresa de ver quase duzentas pessoas na casa.

— A maioria é lá da universidade, e o restante são amigos e pessoas da família. Só conheço metade desse pessoal. – Ele dá risada. — Querem beber alguma coisa? Vamos lá para fora daqui a uns dez minutos.

— De quem foi a ideia brilhante de fazer um casamento ao ar livre em dezembro? – Josh reclama.

— Da minha mãe. – Conta Lamar. — Mas as tendas têm aquecedor. – Ele olha para os convidados ao redor, depois para Josh. — Você devia avisar seu pai que já está aqui. Ele está lá em cima, e a minha mãe está escondida em algum lugar com minha tia.

— Hã... acho que vou ficar por aqui mesmo. – Diz Josh. Faço um carinho em sua mão com o polegar, e ele aperta minha mão. Lamar balança a cabeça.

— Bom, preciso ir, mas vejo vocês mais tarde. – Ele diz, retirando-se com um sorriso.

— Já quer ir lá para fora? – Pergunto a Josh, que faz que sim com a cabeça. — Eu te amo. – Complemento. Ele abre um sorriso, revelando suas covinhas por inteiro.

— Eu te amo, Any. – Ele responde, dando beijo no meu rosto.

Josh abre a porta dos fundos e me oferece de novo seu paletó. Ao sair, vejo que o quintal está maravilhosamente transformado. Duas tendas enormes ocupam a maior parte do gramado, e as árvores estão cobertas com dezenas de lanterninhas acesas. Mesmo à luz do dia, está tudo lindo, um belíssimo cenário para se admirar.

— Acho que é aqui. – Diz Josh, e faz um gesto para que eu entre na tenda menor.

Passamos pela abertura estreita, e vejo que ele tem razão. As fileiras de cadeiras de madeira estão voltadas para um altar bem simples, com lindas flores brancas penduradas ao redor, e todos os convidados estão de preto ou branco. Cerca de metade dos assentos está ocupada, e nos sentamos na penúltima fileira, pois sei que Josh não quer muita proximidade.

— Nunca pensei que viria ao casamento do meu pai. – Ele me diz.

— Eu sei. E estou muito orgulhosa por ter vindo. Eles vão ficar muito felizes. E talvez isso seja bom para você também. – Encosto minha cabeça em seu ombro, e ele me abraça.

Faço elogios à decoração da tenda em preto e branco. Simples e elegante, o que faz parecer que se trata de um momento íntimo e pessoal em família, apesar do grande número de convidados.

— A festa deve ser na outra tenda. – Ele diz, brincando com uma mecha do meu cabelo com o dedo indicador.

— Acho que sim. Aposto que está ainda mais linda que...

— Josh? É você? – Pergunta uma voz de mulher.

Nós dois viramos a cabeça para a esquerda. Uma senhora mais velha com um vestido florido branco e preto e sapatos baixos nos observa com os olhos arregalados.

— Ah, é você mesmo! – Ela diz, ofegante.

Seus cabelos grisalhos estão presos em um coque, e ela usa uma quantidade mínima de maquiagem, apenas o suficiente para parecer saudável e radiante. Josh, por sua vez, fica pálido ao se levantar para cumprimentá-la.

— Oi, vó. – Ela o abraça com força.

— Nem acredito que esteja aqui, faz anos que não vejo você. Mas que menino bonito. Quer dizer, homem. Olhe só como está alto... E o que são essas coisas? – Ela franze a testa e aponta para os piercings em seu rosto.

Josh fica vermelho e dá uma risadinha sem graça.

— Como vai você? – Ele pergunta, balançando-se para a frente e para trás.

— Estou bem... Estava morrendo de saudade de você. – Ela diz, limpando os cantos dos olhos.

Depois de um instante, lança um olhar dramático ao redor e me olha com um interesse visível.

— E quem é essa mocinha linda?

— Ah... desculpa. Essa é Any... Gabrielly. Minha... namorada. – Ele diz. — Any, esta é minha avó.

Abro um sorriso e fico de pé. Jamais imaginei que encontraria os avós de Josh. Pensei que já tivessem morrido, como os meus. Ele nunca falou a respeito, mas isso não chega a ser surpresa. Nunca mencionei os meus.

— Muito prazer. – Digo, estendendo a mão para cumprimentá-la, mas ela prefere me dar um abraço e dois beijos no rosto.

— O prazer é todo meu. Que menina mais linda! – Ela diz com um sotaque ainda mais carregado que o de Josh. — Meu nome é Adele, mas pode me chamar de vó.

— Obrigada. – Digo, ficando vermelha. Ela bate as mãos uma na outra, toda contente.

— Não acredito que está aqui. Tem visto seu pai? Ele sabe que você veio? – Ela pergunta para Josh. Ele enfia as mãos nos bolsos, sem jeito.

— Sabe, sim. Tenho aparecido mais ultimamente.

— Ora, que bom saber. Eu não fazia ideia. – Ela responde, e vejo que está à beira das lágrimas outra vez.

— Muito bem, pessoal, podem se sentar, a cerimônia já vai começar. – Anuncia um homem com um microfone na plataforma elevada perto do altar.

Ela puxa Josh pelo braço antes que ele esboce qualquer reação.

— Venha se sentar com a família, vocês dois não podem ficar aqui no fundo. – Ele me olha como quem pede socorro, mas sorrio e sigo os dois até lá na frente.

Nós nos sentamos ao lado de uma mulher parecida com Karen, que presumo ser sua irmã. Josh pega minha mão, e sua avó abre um sorriso antes de segurá-lo pela outra. Ele fica todo tenso, mas não se mexe.

Ron assume sua posição, e o olhar em seu rosto ao ver o filho sentado na primeira fileira é indescritível: emocionante e comovente ao mesmo tempo. Josh abre um sorrisinho, que Ron retribui de bom grado. Lamar está de pé ao seu lado no altar, mas Josh não parece se importar. Ele jamais aceitaria subir ali.

Quando Karen entra, um suspiro coletivo ressoa pela tenda. Ela está linda de morrer. Seu olhar quando vê o noivo me faz apoiar a cabeça no ombro de Josh. A felicidade em seu rosto é mais que visível, e seu sorriso ilumina o ambiente. Seu vestido roça o chão, e seu rosto está reluzente, acrescentando um toque de luz a mais ao ambiente.

A cerimônia é belíssima, e me pego chorando quando Ron declama seus votos com a voz embargada. Josh olha para mim e sorri, largando minha mão por um tempo para limpar meu rosto. Karen é uma noiva muito linda e seu primeiro beijo como mulher oficialmente casada arranca gritos e aplausos dos convidados.

— Quanta bobagem. – Josh provoca quando apoio a cabeça em seu ombro enquanto os convidados se retiram.

Depois de um tempo, vamos com a avó de Josh até a outra tenda, que, como eu esperava, está ainda mais bonita que a primeira. As mesas estão cobertas com toalhas brancas, guardanapos pretos e arranjos florais em preto e branco em cima.

O teto está coberto de lanterninhas, assim como as árvores, conferindo um brilho interessante ao ambiente, que se reflete nos vidros e nos pratos brancos. Na parte central da tenda, há uma pista de dança feita de lajotas em branco e preto, e os garçons já estão a postos, só esperando que todo mundo se acomode.

— Não desapareçam. Ainda quero falar com vocês hoje à noite. – A avó de Josh avisa antes de sair de perto de nós.

— É o casamento mais chique que eu já vi. – Ele diz, olhando para os panos brancos pendurados no teto.

— Não vou a um casamento desde que era criança. – Eu conto, e ele sorri.

— Que bom. – Ela comenta, e me dá um beijo no rosto.

Não estou acostumada com suas demonstrações públicas de afeto, mas acho que não vou ter problemas com isso.

— Por quê? – Pergunto enquanto ele se senta.

— Gosto que você nunca tenha ido a um casamento com Noah. – Ele diz, e eu dou risada para não acabar franzindo a testa.

— Eu também. – Respondo, e ele sorri.

[...]

A comida está deliciosa. Como frango, e Josh, carne. Está tudo arranjado em um balcão, para parecer simples, mas a comida é tudo menos isso. Passo um pedaço de frango do molho cremoso e levo o garfo à boca, mas Josh o arranca da minha mão, abrindo um sorriso enquanto mastigo. Ele dá uma tossida, tentando rir e mastigar ao mesmo tempo.

— Isso é castigo por roubar minha comida. – Brinco, pondo logo um pedaço na boca antes que ele me tire o garfo de novo.

Josh dá risada, apoiando a cabeça no meu ombro. Olho para o outro lado da mesa e vejo uma mulher nos encarando. Sua expressão não é das mais agradáveis quando Josh dá um beijo no meu ombro. Retribuo o olhar hostil, e ela vira a cabeça para o outro lado.

— Quer que eu pegue outro prato para você? – Pergunto, alto o suficiente para a grosseirona ouvir.

Ela olha para o homem ao lado de Josh e ergue uma sombrancelha. Ele não parece nem se dar conta de sua presença, o que a irrita ainda mais. Eu sorrio, e ponho minha mão sobre a de Josh. Assim como o homem ao seu lado, ele nem se deu conta do que aconteceu, e fico contente por isso.

— Hã, claro. Obrigado. – Dou um beijo em seu rosto e volto para a fila da comida.

— Any? – Uma voz conhecida me chama. Quando olho para trás, vejo Simon Fuller e Pedro logo atrás de mim.

— Oi. – Abro um sorriso.

— Você está linda. – Comenta Pedro, e eu agradeço baixinho.

— Está curtindo o fim de semana? – Pergunta o Sr. Fuller.

— Bastante. E a semana também. – Garanto.

— Até parece. – Ele dá risada e pega um prato.

— Nada de carne vermelha! – Yonta diz atrás dele, que finge dar um tiro na têmpora. Ela manda um beijinho de volta.

Yonta e o Sr. Fuller? Quem diria? Vou querer saber mais detalhes na segunda-feira.

— Mulheres. – Ele brinca, e faz o prato dela enquanto eu faço o de Josh.

— Falo com você daqui a pouco. – O Sr. Fuller abre um sorriso e volta até onde está sua acompanhante.

Ela sorri para mim, e pede para o garotinho em seu colo fazer o mesmo. Eu aceno de volta, perguntando-me como não sabia que ela tinha um filho. Pedro chega mais perto e esclarece.

— O menino é filho dele.

— Ah. – Eu digo, desviando os olhos de Yonta. Pedro continua de olho no Sr. Fuller.

— A mulher dele morreu cinco ano atrás, logo depois que o menino nasceu. Ele não tinha namorado ninguém até Yonta, e só faz alguns meses, mas dá para ver que está louquinho por ela. – Pedro se vira para mim e sorri.

— Bom, agora eu sei quem procurar para saber as fofocas do escritório. – Eu brinco, e nós dois damos risada.

— Linda... – Josh me abraça pela cintura, em uma clara tentativa de demarcar seu território.

— Legal ver você. Josh, certo? – Pedro pergunta.

— Isso mesmo. – Josh responde secamente. — Melhor voltar lá para a mesa. Lamar está procurando você. – Ele me puxa para mais perto, dispensando Pedro discretamente.

— Até mais, Pedro! – Abro um sorrisinho educado e entrego o prato para Josh enquanto voltamos para a mesa.



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