História After - Depois da verdade (Fillie) - Capítulo 24


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Categorias Stranger Things
Personagens Billy Hargrove, Bob Newby, Chefe Jim Hopper, Dr. Martin Brenner, Dustin Henderson, Eleven (Onze), Jonathan Byers, Joyce Byers, Kali "Eight" (Oito), Karen Wheeler, Lucas Sinclair, Maxine "Max" Mayfield / "Madmax", Mike Wheeler, Nancy Wheeler, Personagens Originais, Sam Owens, Steve Harrington, Will Byers
Tags Fillie, Finn Wolfhard, Millie Bobby Brown, Stranger Things
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Palavras 2.212
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Ecchi, Fantasia, Festa, Ficção, Ficção Adolescente, Harem, Hentai, Literatura Feminina, Orange, Romance e Novela, Saga, Shoujo (Romântico), Violência, Yaoi (Gay), Yuri (Lésbica)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Oi gente. Perdão não ter postado ontem. Passei a noite no hospital. Prometo compensar hoje

Capítulo 24 - CAPÍTULO 22


MILLIE

“Finn!”, exclama Mary.

“O quê? Só estou oferecendo uma bebida. Sendo

gentil”, diz ele.

Olho para Eric, e sei que ele está se perguntando se

deve ou não morder a isca e transformar isso numa

discussão acalorada.

“Para”, sussurro para Finn.

“Não seja grosso”, diz Mary.

Eric enfim resolve reagir. “Tudo bem”, ele diz e dá

um gole em sua água.

Olho ao redor da sala. Karine empalideceu. Noah

está com os olhos voltados para a televisão enorme na

parede. Mary baixou seu vinho. Eric parece espantado, e

Finn está encarando o pai.

Em seguida, abre um sorriso dissimulado. “Eu sei

que está tudo bem.”

“Você só está com raiva, então pode dizer o que

quiser”, afirma Eric. Ele não deveria ter dito isso. Não devia ter tratado os sentimentos de Finn com tanta

trivialidade, como se fossem a opinião de um garoto que

ele simplesmente tem que suportar por um momento.

“Com raiva? Não estou com raiva. Estou irritado e

impressionado, mas com raiva, não”, Finn responde calmamente

“Impressionado com o quê?”, pergunta Eric. Ai, Eric para de falar.

“Impressionado com o fato de você estar agindo

como se nada tivesse acontecido, como se você não

fosse um puta de um canalha.” Ele aponta para Eric e

Mary. “Vocês dois estão sendo ridículos.”

“Você está passando dos limites”, repreende Eric.

Meu Deus, Eric.

“Estou? E quem disse que é você quem decide os

limites?”, Finn o desafia.

“Eu, Finn. Na minha casa, quem decide os limites sou eu.”

Finn fica de pé na mesma hora. Agarro seu braço

para detê-lo, mas ele me afasta sem dificuldade. Ponho

minha taça de vinho depressa na mesinha de canto e levanto. “Finn, para com isso!”, imploro e agarro seu

braço de novo.

Estava tudo bem. Estranho, mas bem. E então Finn

resolveu fazer um comentário mal-educado. Sei que está

com raiva do pai por seus erros, mas o almoço de Natal

não é hora de falar disso. Finn e Eric estavam só

começando a refazer seu relacionamento e, se Finn

não parar agora, as coisas vão piorar muito.

Eric se levanta com um ar de autoridade e afirma,

exatamente como um professor faria: “Pensei que a

gente estivesse superando isso. Você foi ao meu

casamento”. Eles estão a apenas alguns passos de

distância um do outro, e sei que isso não vai acabar bem.

“Superando o quê? Você nem admite! Fica aí

fingindo que não aconteceu nada!”

Finn está gritando agora. Minha cabeça está dando

voltas. Como eu queria não ter passado adiante o convite

de Noah para Finn e Mary. Mais uma vez, causei um

problema na família.

“Hoje não é o dia de discutir isso, Finn. Estamos

nos divertindo, e você resolve começar uma briga comigo”, diz Eric.

Erguendo as mãos, Finn pergunta: “Qual é o dia

então? Minha nossa, dá para acreditar nesse cara?”.

“Não no Natal. Faz anos que não vejo a sua mãe, e

este é o momento que você escolhe para falar disso?”

“Faz anos que você não vê a minha mãe porque você

foi embora! Você deixou a gente sem nada — sem

dinheiro, sem carro, nada!”, grita Finn e cola o rosto no do pai.

Eric fica rubro de raiva. E então começa a gritar:

“Sem dinheiro? Eu mandei dinheiro todos os meses! Um

monte de dinheiro! E a sua mãe não aceitou o carro que ofereci”.

“Mentira!”, bufa Finn. “Você não mandou nada. É

por isso que a gente morava naquela porcaria de casa e

ela trabalhava cinquenta horas por semana!”

“Finn… não é mentira”, interrompe Mary.

Ele se vira para a mãe. “O quê?”

Que desastre. É muito pior do que eu podia prever.

“Ele mandava dinheiro, Finn”, explica ela. Em

seguida, baixa a taça e vai na direção dele.

“E onde foi parar, então?”, pergunta Finn, com um tom incrédulo.

“Está pagando a sua faculdade.”

Finn aponta um dedo furioso para Eric. “Você disse

que ele estava pagando a faculdade!”, grita, e meu

coração dói por ele.

“E está… com o dinheiro que guardei ao longo dos

anos. O dinheiro que ele mandava para nós.”

“Como assim?”. Finn esfrega a testa com a mão.

Eu me coloco atrás dele e enlaço os dedos de sua mão livre

Mary coloca a mão no ombro do filho. “Não usei

tudo na sua faculdade. Paguei as contas também.”

“Por que você não me contou? Ele devia estar

pagando agora — e não com o dinheiro que era para pôr

comida na nossa mesa e pagar uma casa decente.” Ele se

vira para o pai. “Mandando dinheiro ou não, você foi

embora! Foi embora e não ligou nem no meu aniversário.”

Espumando pelos cantos da boca, Eric começa a

piscar rapidamente. “O que eu podia ter feito, Finn?

Ficar? Eu era um bêbado, um bêbado imprestável. E

vocês dois mereciam mais do que eu podia oferecer.

Depois daquela noite… Eu sabia que precisava ir embora.”

Finn fica rígido, e sua respiração se torna irregular.

“Não fala daquela noite! Aquilo aconteceu por sua causa”

Quando Finn puxa a mão da minha, Mary parece

furiosa, Noah, aterrorizado, e Karine… bom, ela

continua chorando, e eu percebo que sou eu quem

precisa interromper a cena.

“Eu sei disso! Você não sabe o quanto eu queria

desfazer aquilo, filho… faz dez anos que aquela noite

vem me assombrando!”, diz Eric, com a voz embargada,

tentando nitidamente conter o choro.

“Assombrando você? Eu vi tudo, seu babaca! Fui eu

que limpei a porra do sangue do chão enquanto você

enchia a cara!”, Finn cerra os punhos.

Karine choraminga e cobre a boca antes de sair da

sala. Dá para entender por quê. Eu mesma não tinha

percebido que estava chorando até as lágrimas quentes baterem no meu peito. Estava com uma sensação de que

alguma coisa iria acontecer, mas nada como isso.

Eric ergue as mãos no ar. “Eu sei, Finn! Eu sei! E

não posso fazer nada para apagar isso! Estou sóbrio

agora! Faz anos que não bebo! Você não pode usar isso

contra mim para sempre!”

Mary grita ao ver o filho avançar contra o pai.

Noah corre para tentar ajudar, mas é tarde demais.

Finn empurra Eric contra a cristaleira — a substituta

daquela que ele quebrou antes. Eric agarra a camisa do

filho, tentando afastá-lo, mas o punho de Finn acerta

sua mandíbula.

Finn está batendo no próprio pai, e eu fico imóvel, como sempre.

Eric consegue se esquivar antes que o filho o acerte

de novo. Em vez do pai, Finn soca o vidro da porta da

cristaleira. Ao ver o sangue, saio do meu estupor e

agarro a camisa de Finn. Ele joga o braço para trás, me

arremessando contra uma mesa e derrubando uma taça

de vinho tinto em meu casaco branco.

“Olha o que você fez!”, Noah grita com Finn e corre para junto de mim.

Mary está de pé perto da porta, lançando um olhar

furioso na direção do filho, e Eric olha da cristaleira

quebrada para mim. Finn interrompe seu ataque contra

o pai e se vira para mim.

“Millie, Millie, você está bem?”, pergunta.

Faço que sim em silêncio, no chão, vendo o rastro de

sangue que escorre dos dedos por seu braço. Não me

machuquei; meu casaco está arruinado, o que é uma

futilidade em meio a este caos.

“Sai para lá”, Finn grita com Noah e toma seu

lugar ao meu lado. “Você está bem? Achei que fosse

Noah”, ele justifica e me ajuda com a mão que não

está sangrando, embora esteja machucada.

“Estou bem”, repito e me afasto de seu toque assim

que fico de pé.

“Vamos embora”, ele rosna e tenta passar o braço ao

redor da minha cintura.

Eu me afasto e olho para Eric, que está usando a

manga da camisa branca impecável para limpar o sangue da boca.

“Acho melhor você ficar, Millie”, sugere Noah.

“Nem começa, Noah”, adverte Finn, mas o

enteado de seu pai parece irredutível. Isso não é bom.

“Finn, para com isso agora”, exclamo. Quando ele

solta um suspiro, mas não discute, eu me volto para

Noah. “Vou ficar bem.” É com Finn que ele deveria estar preocupado.

“Vamos”, ordena Finn, mas, ao passar pela porta,

olha para trás para se certificar de que estou saindo com ele

“Sinto muito… por tudo isso”, digo a Eric ao sair.

Atrás de mim, ouço-o dizer baixinho: “Não foi culpa

sua, foi minha”.

Mary está quieta. Finn está quieto. E eu estou

morrendo de frio. Os assentos de couro estão gelados

contra minhas pernas nuas, e meu casaco molhado não

está ajudando em nada. Coloco o aquecimento no

máximo, e Finn vira a cabeça para o meu lado, mas

mantenho os olhos na janela. Não sei se devia estar com

raiva dele. Ele arruinou o Natal e agrediu o pai na frente de todo mundo. No entanto, tenho pena dele. Finn já

passou por muita coisa, e o pai é a raiz de todos os seus

problemas — os pesadelos, a raiva, a falta de respeito

pelas mulheres. Ele nunca teve ninguém para ensiná-lo a ser homem.

Quando Finn coloca a mão na minha coxa, eu não

a retiro. Minha cabeça está latejando, e não acredito na

forma como tudo descambou tão depressa.

“Finn, precisamos conversar sobre o que

aconteceu”, diz Mary depois de alguns minutos.

“Não, não precisamos”, responde ele.

“Precisamos, sim. Você passou dos limites.”

“Eu passei dos limites? Como você pode esquecer

tudo o que ele fez?”

“Não esqueci nada, Finn. Decidi perdoar, só isso;

não posso ficar guardando raiva dele. Mas partir para a

violência é sempre passar dos limites. E não é só a

violência, esse tipo de raiva vai consumir você — vai

tomar conta da sua vida se você deixar. Se ficar apegado

a isso, vai acabar se destruindo. Não quero viver assim.

Quero ser feliz, Finn, e perdoar o seu pai faz com que isso seja muito mais fácil.”

A força de Mary nunca deixa de me surpreender, nem

a teimosia de Finn. Ele se recusa a perdoar o pai por

seus erros, mas não perde tempo em pedir o meu perdão

todas as vezes. E, mesmo assim, não é capaz de perdoar

a si mesmo. É o cúmulo da ironia.

“Bom, eu não quero perdoar o meu pai. Achei que

era capaz, mas não depois de hoje.”

“Ele não fez nada para você hoje”, Mary o repreende.

“Você o provocou com a bebida sem motivo.”

Finn tira a mão da minha perna, deixando uma

mancha de sangue na minha pele. “Ele não merece sair

impune, mãe.”

“Não é questão de impunidade. Pensa bem: o que

você ganha com essa raiva dele além de sangue nas

mãos e uma vida solitária?”

Finn não responde. Só continua olhando para a frente

“Pois então”, diz ela, e o restante da viagem se dá em silêncio

Quando chegamos ao apartamento, vou direto para o quarto.

“Você precisa pedir desculpas para ela, Finn”, ouço

Mary dizer em algum lugar atrás de mim.

Tiro o casaco manchado e deixo cair no chão.

Descalço os sapatos e ajeito o cabelo atrás das orelhas.

Segundos depois, Finn abre a porta do quarto; seus

olhos vão para o tecido manchado de vermelho no chão,

e em seguida para o meu rosto.

Ele para na minha frente e pega minhas mãos, com

os olhos repletos de súplica. “Desculpa, Mills. Não tive a

intenção de empurrar você.”

“Você não devia ter feito aquilo. Não hoje.”

“Eu sei… você se machucou?”, pergunta ele,

limpando as mãos feridas na calça jeans preta.

“Não.” Se tivesse me machucado fisicamente,

teríamos problemas muito maiores.

“Desculpa. Tive um acesso de raiva. Pensei que

fosse o Noah…”

“Não gosto quando você fica daquele jeito, tão

irritado.” Meus olhos se enchem de lágrimas quando me

lembro dos cortes em sua mão.

“Eu sei, linda.” Ele dobra os joelhos de leve para ficar

da minha altura. “Nunca machucaria você de propósito.

Você sabe disso, né?” Ele acaricia minha têmpora com o

polegar, e eu faço que sim com a cabeça com um aceno

lento. Sei que ele nunca me machucaria, ao menos

fisicamente. Sempre soube disso.

“Por que você tinha que comentar da bebida? Estava

indo tudo bem”, questiono.

“Porque ele estava agindo como se nada tivesse

acontecido. Estava sendo um babaca pretensioso, e

minha mãe estava indo na onda. Alguém tinha que ficar

do lado dela.” Sua voz é suave e confusa, o exato oposto

de trinta minutos atrás, quando estava gritando na cara do pai.

Meu coração fica apertado de novo. Esse é o jeito

dele de defender a mãe. Não é o jeito certo, mas é o

instinto de Finn. Ele afasta o cabelo da testa,

manchando a pele de sangue.

“Tenta imaginar como ele se sente… Ele tem que

viver com essa culpa para sempre, Finn, e você não

facilita as coisas. Não estou dizendo que não pode sentir raiva, porque é uma reação natural, mas, entre todas as

pessoas, você devia ser mais compreensivo.”

“Eu…”

“E tem que parar com a violência. Você não pode sair

por aí batendo nos outros toda vez que fica chateado.

Não é certo, e não gosto nem um pouco.”

“Eu sei.” Ele olha para o piso de cimento.

Eu suspiro e pego suas mãos. “A gente precisa

limpar você; seus dedos ainda estão sangrando.” Levo

Finn até o banheiro para limpar suas feridas pelo que

parece ser a milésima vez desde que o conheci.


Notas Finais


4/10


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