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História AFTER - Rubinho e Fernanda - Capítulo 4


Escrita por: e Lashippadora


Capítulo 4 - Doce Lar, Saudade, Cama


 

   Voltar para o lar, e principalmente para os braços do homem amado, alegrou a Fernanda muito mais do que ela imaginava, porque não parou de pensar nele nem por um minuto das vinte e quatro horas do dia do mês que ficou fora. Ela sabia, tinha plena consciência que nem a morte faria Rubinho desistir de esperá-la. Como o próprio costumava declarar: O amor é imortal!

 Rubinho esperou Fernanda fechar a maleta e carregou a bagagem dela enquanto voltavam de mãos dadas para casa. No meio do caminho e de vez em quando, Fernanda olhava para o rosto dele, afagava a barba e sorriam com cumplicidade. Felizmente, a propriedade não ficava longe e em poucos minutos estavam passando pelo jardim das pedras que ele mesmo ornamentou ao redor da área. Fernanda gostava dali. Quando chegou de frente para a porta, Rubinho segurou a maçaneta com uma das mãos e hesitou antes de avançarem.

- Antes de você entrar, por favor, diga que não vai mais me deixar. Por favor, jure Fernanda. Jure por tudo que há de mais sagrado. Eu não suportaria...meu coração não suportaria tamanha crueldade!

- Oh, meu amor. – Disse, acariciando o rosto dele. Rubinho fechou os olhos, sentindo a maciez das mãos dela. – Eu juro! Nunca mais vamos nos separar! Nós vamos ser uma família!

Ele reabriu as pálpebras e fixou o olhar dentro do azul turquesa dos olhos dela.

- Eu te amo mais que tudo, eu te amo demais e ainda é pouco!

- Eu sei que você me ama e eu também te amo, meu bem, mas abre essa porta logo de uma vez, porque a viagem foi longa e cansativa. O bendito ônibus parava tanto que eu pensei que nunca chegaria a Porto do Céu.

 Rubinho fez como a dama pediu, e como um perfeito cavalheiro, deixou Fernanda passar primeiro, depois entrou também, mas esqueceu a porta aberta. Fernanda estava de costas, parada no meio da sala e mexendo nos cabelos, quando se virou soltou uma sonora gargalhada.

- Será que você nunca vai deixar a porta fechada?

 - Desculpe, é o costume! – Justificou-se, voltando prontamente para fechá-la.

- Hum, bem melhor, não é, professor? – Fernanda olhava para Rubinho e sorria com o canto da boca.

- Isso tudo parece um sonho! – Afirmou Rubinho guardando a maleta no chão do corredor e se dirigindo para a sala. Fernanda ouvia as suas declarações enquanto abria a cigarreira para escolher um cigarro e fumá-lo. – Eu não quero acordar, tenho medo!

- Isso depende! – Brincou, olhando-o com o rabo do olho. – Vai depender do quanto você sonha. – Concluiu apontando para ele, em seguida enfiou a mão no bolso traseiro da calça jeans e pegou o isqueiro para acender o cigarro. Rubinho olhava atônito, ansioso, esperando que se explicasse melhor. Ela deu duas tragadas e jogou a fumaça para o alto. Fernanda estava calma, porém se divertia lindamente com a situação, porque era da sua natureza aflorar os nervos alheios. O novo estilo, “aventureira”, menos elegante das suas roupas, deixava Fernanda ainda mais bonita, e para Rubinho era impressionante, porque aquela mulher nunca parava de surpreender.

Todavia, ele não conseguiu esperar.

- Fernanda não me torture mais! – Implorou Rubinho, se jogando de joelhos no chão, agarrando-a e encostando o rosto na barriga dela. Rubinho apertou os olhos com força e em seguida beijou inúmeras vezes o ventre de Fernanda, que se emocionou e parou de fumar para alisar a cabeça do homem mais doce que já conheceu. O único por quem já se apaixonou. Enquanto isso, ela permitiu que ele continuasse acarinhando sua cintura. Se ele soubesse o que Fernanda tem para contar, ficaria muito feliz, mas achou que o momento não era o mais apropriado. Conversariam depois, teriam tempo para isso.

 Quase cinco minutos ajoelhado aos pés da mulher que amava mais que tudo, com medo de soltá-la, traumatizado pelas perdas, finalmente o professor tomou coragem e subiu até a boca dela. Os dois se beijaram após Fernanda passar os dedos atrás da nuca dele e se declarar, pedindo desculpa por não ter voltado antes. O beijo progrediu para abraços mais urgentes. Rubinho passava as palmas das mãos nas costas dela, descendo e subindo. Fernanda, por sua vez, bagunçava os cabelos dele, tirando as mechas que deslizavam pela testa. Rubinho sentiu o sangue ferver, ateando fogo pelo corpo inteiro, e mais ainda quando a dama arrancou o casacão que ele vestia em pleno sol de 38° graus.

- Ai, Rubinho, como eu senti a tua falta, sabia?! – Fernanda sussurrou com dificuldade por causa da boca dele sugando a sua. Em seguida, Rubinho desceu para o pescoço e ali se deteve por um longo período, até deitá-la no sofá. Olhou-a com veneração, tomou o rosto dela entre as mãos e mordiscou o queixo. E Fernanda se entregava.

- Rubinho? – Chamou ela, franzindo o cenho e tentando fazê-lo parar. – O sofá é pequeno demais.

  Ele viu que ela tinha razão, o móvel era desconfortável e apertado. E então, antes que falasse qualquer coisa, tomou-a nos braços e carregou-a para a cama, enquanto recebia carícias em sua têmpora e era olhado com paixão. Rubinho entrou no quarto e lhe deitou horizontalmente sobre as cobertas desarrumadas. Rapidamente removeu a blusa e jogou-a de qualquer jeito, deixando o dorso nu à vista dos olhares dela, em seguida, deitou sobre seu corpo e continuou de onde parou. Passeou com as mãos nas curvas de Fernanda e nas coxas, e depois se sentou para abrir todos os botões da roupa que ela usava. Após a última casa do último botão da blusa, ele abriu as duas partes da peça como o marido despe a noiva na lua-de-mel. E logo a lingerie branca apareceu. Contemplou toda a beleza feminina encarnada naquela deusa exposta para seu poder, e enfiou o nariz e a boca no colo dela, beijando o espaço entre os seios guardados no sutiã.  Fernanda se contorcia e revirava os olhos, cruzando as pernas no quadril de Rubinho. Estava pronta para ser novamente mulher dele.

 Enquanto Rubinho a amava com uma parte de si dentro dela, se sentia o homem mais feliz do mundo. Nenhum livro da literatura de todos os tempos continha uma história tão maravilhosa quanto a sua. Fernanda estava viva! Seu coração batia muito forte e a respiração ofegava ouvindo a voz dela descompassada durante os movimentos repetidos e cada vez mais loucos. Quando o suor se misturou, o casal se entregou à explosão absoluta e houve a satisfação do amor exigente, desesperado e fortemente correspondido. Rubinho se deixou cair para o lado e a trouxe para o peito. Fernanda ficou sobre o dorso do seu amado e fechou os olhos, recuperando-se depois do prazer.

Foi ela quem adormeceu primeiro. Rubinho, porém, mesmo exausto, não conseguiu dormir facilmente, porque não parava de contemplá-la como objeto dileto do seu coração. Ele Lhe olhava com ternura, vigiando o sono, agradecendo a vida por tê-la de novo. Quem dos amantes de Shakespeare teve a mesma sorte? Envolvendo-a ainda mais em seu abraço, beijando-a centenas de vezes, ele fechou os olhos e adormeceu tranquilamente como não fazia há semanas.

 

....

 Rubinho acordou sereno. Abriu os olhos e viu Fernanda, por isso sorriu aliviado, porque não tinha sido um sonho, ela realmente estava de volta. E nesse momento de alegria chorou como um menino bobo.

Fernanda, meu amor. - Dizia ele com o pensamento, observando mais uma vez a docilidade do rosto dela quando dormia. Em seguida, o professor coçou os olhos, limpou o excesso de lágrimas e espiou através do vidro da janela, ele viu o escuro lá fora, pois tinha anoitecido. Rubinho decidiu se levantar para preparar o jantar, gostaria de deixar tudo pronto para quando a amada despertasse. Ele saiu lentamente da cama e catou as roupas pelo chão, pegou as da Fernanda e guardou sobre a poltrona, depois pegou a calça e se vestiu. Em um determinado momento, descobriu que Fernanda já tinha acordado, porém, ficou quietinha olhando para ele. Rubinho sorriu e foi correspondido.

- Você me faz tão feliz, sabia? – Disse Fernanda puxando os lençóis para se sentar na cama. Feito isso, Rubinho lhe deu um beijo estalado. - Já é noite? – Perguntou Fernanda olhando pela janela.

- É sim, meu amor, nós pegamos no sono. – Ele continuou se vestindo.

- Aonde o senhor vai? – Ela se interessou, bancando a mandona.

- Eu vou preparar nosso jantar e depois tomar banho. Você pode tomar banho primeiro, se quiser. Tem toalhas limpas no armário.

- Nãoo. – Falou Fernanda, esticando os braços para ele. – Fica aqui na cama comigo, fica!

- Minha querida, nada me alegraria mais do que passar a vida inteira fazendo amor com você, mas eu sei que você está com fome como eu estou faminto. Vou preparar uma macarronada para nós e..

- Eu tenho uma idéia melhor! – Retrucou Fernanda, arqueando a sobrancelha.

- Qual? – Agora foi ele quem se interessou.

- Vamos jantar na casa do meu pai!

- Fernanda você tem certeza?

- Claro que tenho. Por que perguntou? Aconteceu alguma coisa com meu pai? Rubinho, por favor...

- Não é nada disso, meu amor, fica calma. Eu perguntei por perguntar, mas se quer tanto, assim faremos.

- Ótimo. – Comemorou Fernanda pulando da cama, andando descalça e seminua pelo quarto. – Vamos tomar banho! – Insinuou ela, chamando-o com o dedo indicador. Rubinho sorriu, adorando a idéia.

 Uma hora depois, Fernanda estava pronta. Usava um vestido preto, curto, acima do joelho. As costas bem cobertas, mas com o decote maravilhosamente ousado na frente. Muito elegante, ela conclui o look botando sobre os ombros um terno branco e para os pés calçou escarpin preto. Rubinho aguardava na sala, sentado no sofá, completamente diferente do homem que deu aula pela manhã, porque fez a barba, arrumou os cabelos e vestia-se bem. Quando ela veio do quarto, Rubinho se levantou admirando sua beleza incomparável.

- Você está linda!- Os olhos dele brilhavam.

- Eu sei! – Afirmou Fernanda, segura de si. – E você está muito bem, também! – Disse segurando o braço dele.

 ...

 Na casa do Aníbal, Cacilda ainda não tinha servido o jantar porque Vivi, Pedro, Julia e Miguel ainda não tinham chegado. Fernanda e Rubinho não sabiam, mas naquela noite, Aníbal havia marcado um jantar em família, porque depois da morte de sua filha querida, ficou mais apegado aos parentes.

 No meio do caminho, dirigindo o carro, Rubinho quis saber dos detalhes do acidente do avião, ele não conseguia esquecer e nem compreender como as coisas aconteceram, por isso pediu para ouvir toda a história pela boca dela. Fernanda respirou profundamente, torceu um pouco o nariz e em seguida narrou os fatos.

- Foi muito simples, meu bem. Eu sabia que o Mauro era um péssimo nadador, como, aliás, ele era péssimo em tudo, menos em destruir a vida das pessoas.

- Você planejou tudo? – Rubinho ficou horrorizado com a frieza dela.

- Digamos que eu tive uma ajuda importante.

- De quem?

- De Deus. Quem mais seria?

- Fernanda você está me confundindo.

- Está certo! Eu explico. Quando voltei para o quarto reuni todas as minhas forças e pedi para voltar a enxergar, não por mim, é claro. Eu não merecia. Mas, pela Vivi e também pelo Miguel. Aquele desgraçado ia matar a minha irmã. Eu não podia deixar.

- Foi milagre?

- Eu não sei! Mas quando acordei tinha luz nos meus olhos.

- Então você fugiu pela janela, não me disse nada, pegou meu carro e foi direto pro Hangar!

- Se te contasse você jamais me deixaria ir, Rubinho.

- Claro que não! Eu seria um louco se te deixasse sair naquela noite. Era loucura! Suicídio!

- Pois muito bem, eu já sabia disso, por isso fui sem avisar.

- E agiu muito mal. Eu quase morri quando não te achei no quarto. Fernanda você tem noção do que você me fez?

- Eu não tive escolhas. Quando cheguei encontrei o Mauro aterrorizando a Vivi, então eu me ofereci para ficar no lugar deles. Ele aceitou e o jogo começou.

- Não era jogo, Fernanda. Nunca mais fale assim. Você trata a vida e a morte como se fosse um tabuleiro de xadrez!

- E não é?

- Não! É a vida, a vida. Pelo o amor de Deus! Eu morri com você quando soube do acidente. A minha vida voltou pro mesmo inferno...

- Desculpa! Eu não queria. Jamais quis! – Ela gritou dentro do carro, por causa da voz alterada dele. Rubinho silenciou, segurando a direção. – Eu não queria magoar você!

Houve um breve silêncio dentro do automóvel.

- Perdão, Fernanda, eu não queria brigar. Eu perdi a cabeça.

- Você não foi o único.

- Como foi que sobreviveu? O avião explodiu, eles disseram que seria impossível encontrar o seu...o seu.. – Ele não conseguia concluir a frase porque ainda doía demais. Somente a idéia já o perturbava.

- Quando direcionei o monomotor para a água eu soltei meu cinto, abri a janela e pulei antes do impacto. Mauro jamais sobreviveria. Ele não tinha chances.

- E você não teve medo?

- Muito. Eu só pensava na minha família, mas pensar em todos vocês me dava força. Então eu nadei até a ilha mais próxima para descansar. Quando recuperei o fôlego, nadei para a praia e sai antes que o helicóptero da policia me achasse.

- Não pensou em voltar imediatamente? Você sabia que pensaríamos que também tivesse morrido.

- Era arriscado! Eu queria ter certeza da morte do Mauro, por isso peguei um táxi, fui pra São Paulo e me hospedei numa pousada. No dia seguinte comprei o jornal e li sobre a morte do desgraçado. A manchete e a foto do corpo todo carbonizado..

- Chega, Fernanda. Não precisa mais falar do Mauro. Agora me diga por que não me ligou ou mandou uma carta? Por que me deixar sofrendo por uma mentira?

- Eu liguei, mas você nunca atendia as minhas chamadas! Depois de um tempo, achei melhor esperar. Meu amor eu sinto muito, eu juro que não foi a minha intenção largar vocês, eu precisava saber o rumo das coisas. Me perdoa, Rubinho! – Pediu virando-se para ele e acariciando sua barba.

- Eu sempre vou te perdoar, Fernanda. Você é a minha vida!

- Eu te amo tanto! – Afirmou ela beijando eufórica a bochecha dele. – Agora acelera meu bem, porque nós três estamos com muita fome.

- Nós três? – Estranhou Rubinho, retirando ligeiramente os olhos da estrada.

- Eu disse “nós três?”

- Você disse!

- Eu me confundi. – Justificou Fernanda olhando para Rubinho com cara de apaixonada.

CONTINUA



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