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História After - Supercorp - Capítulo 7


Escrita por: TommyKurkowski

Notas do Autor


Estou gostando muito de ver e responder os comentários de vocês, saber que estão gostando é muito bom.

Capítulo 7 - Outra festa...


Quando volto para o quarto, Sam está se arrumando para outra festa, que presumo ser aquela que Maggie mencionou, na república onde Lena mora. Entro na Netflix e procuro um filme.

“Queria muito que você fosse. Juro que não vamos passar a noite lá dessa vez. Vamos ficar só um pouquinho. Ficar vendo filme sozinha neste quarto minúsculo vai ser um horror!”, insiste Sam, e eu dou risada. Ela continua falando enquanto arruma os cabelos e muda de roupa pelo menos três vezes antes de se decidir por um vestidinho verde que deixa pouquíssimo espaço para a imaginação. A cor forte cai bem com seus cabelos vermelhos, sou obrigada a admitir, e fico com inveja da confiança que demonstra. Sou confiante até certo ponto, mas tenho consciência de que meus quadris e meus seios são maiores que os da maioria das mulheres da minha idade. Costumo usar roupas que disfarçarem meus peitos, enquanto ela faz de tudo para chamar a atenção para seu decote.

“Eu sei…”, concordo com ela para agradar.

Nesse momento, a tela do meu laptop fica preta. Aperto o botão de ligar e espero… e espero… A tela continua apagada.

“Viu? É um sinal de que você deveria ir. Meu laptop está no quarto do Winn, então não dá pra você usar.” Sam sorri e volta a mexer nos cabelos.

Olhando para ela, percebo que na verdade não quero ficar sozinha naquele quarto sem ter nada para fazer.

“Tudo bem”, digo, e ela sai dando pulinhos, batendo palmas. “Mas só vamos ficar até no máximo meia-noite.”

Tiro o pijama e visto uma calça jeans nova, que nunca usei. É um pouco mais justa que as outras, mas, como não lavei minhas roupas desde que cheguei, não tenho muita opção. Ponho também uma camisa sem mangas, com renda nos ombros.

“Uau, dessa vez adorei sua roupa”, Sam me diz. Abro um sorriso, e ela me oferece o delineador de novo.

“Hoje não”, respondo, lembrando como fiquei toda borrada depois do tanto que chorei da última vez. Por que concordei em voltar àquela república?

“Certo. Quem vai vir buscar a gente é a Maggie, não o Winn. Ela acabou de mandar uma mensagem, vai chegar daqui a pouco.”

“Acho que ela não gosta de mim”, digo enquanto me olho no espelho.

Sam inclina a cabeça para o lado. “Quê? Gosta, sim. É que às vezes ela é meio resmungona e sincera demais. E acho que se sente um pouco intimidada por você.”

“Intimidada? Por mim? Por que ela se sentiria intimidada por mim?”, pergunto, aos risos. Sam estava claramente invertendo a situação.

“Você é muito diferente da gente”, ela responde com um sorriso. Sei que não sou como Sam e seus amigos, mas para mim eles é que são “diferentes”. “Não esquenta com isso. Ela vai estar bem ocupada hoje à noite.”

“Com Lena?”, pergunto quase sem pensar. Continuo me olhando no espelho, mas percebo que ela está me encarando com uma sobrancelha erguida.

“Não, provavelmente com James. Ela fica com alguém a cada semana.”

Não é uma coisa muito gentil para dizer sobre uma amiga, mas Sam simplesmente sorri e ajusta o decote.

“Ela não é namorada da Lena?” A imagem dos dois se pegando na cama surge na minha mente.

“Claro que não. Lena não tem namorada. Ela pega um monte de meninas, mas não namora ninguém. Nunca.”

“Ah.” Isso é tudo que consigo dizer.

A festa é igual à da semana passada. O jardim da frente e a casa estão lotados de gente bêbada. Por que não fiquei no quarto, olhando para o teto?

Maggie desaparece assim que chegamos, e acabo conseguindo um lugar no sofá, onde estou sentada há pelo menos uma hora quando Lena passa por mim.

“Você está… diferente”, ela comenta depois de uma breve pausa. Seus olhos percorrem meu corpo, depois se voltam para meu rosto. Ela nem tenta disfarçar que está me avaliando. Fico em silêncio até que volta a me encarar. “Sua roupa não parece ser maior que você dessa vez.”

Reviro os olhos e ajeito a camisa, desejando ter vestido uma das minhas roupas largas de sempre.

“E é uma surpresa ver você aqui.”

“Até eu estou um pouco surpresa de ter vindo aqui de novo”, respondo. Eu me levanto e saio de perto dela. Lena não vem atrás de mim, mas por algum motivo me pego desejando que viesse.

Algumas horas depois, Sam já está bêbada de novo. Assim como todo mundo.

“Vamos brincar de Verdade ou Desafio”, James sugere, e seu grupinho de amigos se reúne em torno do sofá. Maggie passa uma garrafa de bebida alcoólica transparente para Winn, que dá um belo gole. A mão de Lena é tão grande que cobre praticamente o copo inteiro enquanto bebe. Outra menina com visual punk entra na brincadeira, juntando-se a Lena, James, Winn, o colega de quarto de Winn, que se chama Mon El, Maggie e Sam.

No momento que começo a pensar que um jogo de Verdade ou Desafio com tanta gente bêbada não pode terminar bem, Maggie abre um sorrisinho malicioso e me diz: “Você devia participar também, Kara”.

“Não, acho melhor não”, respondo, sem tirar os olhos de uma mancha marrom no tapete.

“Para participar da brincadeira, ela precisaria deixar de ser uma puritana por cinco minutos”, Lena comenta, e todo mundo cai na risada, com exceção de Sam. Aquelas palavras me irritam. Sim, admito que não sou de fazer loucuras, mas isso não significa que seja uma freira. Olho feio para Lena e me sento com as pernas cruzadas em seu pequeno círculo, entre Winn e a menina que não conheço. Lena dá risada e cochicha alguma coisa com James antes de começar a brincadeira.

As primeiras rodadas incluem um desafio para James virar uma lata de cerveja em um só gole, outro para Maggie mostrar os seios para o grupo, o que ela faz, e uma pergunta para que Sam confirme se tem ou não piercing nos mamilos.

“Verdade ou desafio, Karah?”, Lena pergunta, e eu engulo em seco.

“Verdade?”, respondo com um resmungo baixinho.

Ela dá risada e murmura: “É claro”. Eu o ignoro e vejo que Winn está esfregando as mãos.

“Certo. Você… é virgem?”, pergunta James, fazendo-me prender a respiração. Ninguém além de mim parece incomodado com aquela pergunta tão invasiva. Sinto meu rosto esquentar e vejo a expressão de divertimento de todos eles.

“E então?”, insiste Lena. Apesar da vontade de sair correndo e me esconder, confirmo com um aceno de cabeça. Claro que sou virgem. O máximo que faço com Mike é dar uns beijos com algumas apalpadas — por cima da roupa, claro.

Ninguém parece surpreso com minha resposta. A reação geral é de curiosidade.

“Então você namora há dois anos e ainda não transou?”, Sam questiona, deixando-me toda sem graça.

Balanço a cabeça negativamente. “É a vez da Lena”, apresso-me em dizer, tentando tirar a atenção de mim.

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“Desafio”, Lena responde antes mesmo que eu pergunte. Seus olhos verdes se fixam em mim com uma intensidade que revela que quem está sendo desafiada sou eu.

Fico sem reação, sem saber o que pensar, pois não esperava isso. O que poderia desafiá-la a fazer? Sei que faria qualquer coisa para não se sentir diminuído por mim.

“Eu… hã… desafio você a…”

“A fazer o quê?”, Lena questiona, impaciente. Quase peço para ela dizer alguma coisa simpática sobre cada um do grupo, mas acabo desistindo, por mais divertido que pudesse ser.

“Tira a camisa e só ponha de volta depois que a brincadeira acabar!”, grita Maggie, para minha alegria. Não porque Lena vá ficar sem camisa, claro, mas porque não preciso sugerir mais nada, e isso tira a pressão de ter que dar ordens a ela.

“Que criancice”, ela reclama, mas tira a camisa pela cabeça. Contra minha vontade, meus olhos percorrem seu tronco, observando as tatuagens que cobrem sua pele surpreendentemente pálida. Sob os pássaros desenhados em seu peito, há uma árvore na barriga, com galhos desfolhados assustadores. A parte superior de seus braços tem ainda mais tatuagens do que eu esperava, e imagens e figuras pequenas e aparentemente aleatórias se espalham por seus ombros e sua cintura. Sam me dá um cutucão e desvio o olhar, torcendo para que ninguém mais tenha percebido a maneira como eu o encarava.

A brincadeira continua. Maggie beija John e depois James. Sam conta sobre sua primeira transa. Winn beija a outra menina.

Como vim parar no meio desse grupo de roqueiros universitários incapazes de controlar seus impulsos?

“Kara, verdade ou desafio?”, pergunta John.

“Precisa perguntar? Todo mundo sabe que ela vai dizer verdade…”, provoca Lena.

“Desafio”, respondo, surpreendendo até a mim mesma.

“Humm… Kara, desafio você a… beber uma dose de vodca”, John diz com um sorriso.

“Eu não bebo.”

“Por isso é que é um desafio.”

“Escuta só, se você não quiser fazer…”, Winn começa a dizer, e eu vejo que Lena e Maggie estão rindo de mim.

“Certo, uma dose”, respondo. Fico pensando que Lena provavelmente vai fazer mais uma de suas caretas de desprezo, mas o olhar que vejo em seu rosto é um tanto estranho.

Alguém me entrega a garrafa de vodca. Para meu azar, encosto o nariz no gargalo e sinto o cheiro forte da bebida, que queima minhas narinas. Torço o nariz, tentando ignorar as risadinhas ao redor. Tento também não pensar na quantidade de bocas por que aquela garrafa passou antes de chegar até mim, e a inclino levemente para dar um gole. A vodca desce queimando desde minha boca até meu estômago, mas consigo engolir. O gosto é horrível. O grupo aplaude e ri um pouquinho — todo mundo menos Lena. Se não a conhecesse, pensaria que está brava ou desapontada. Ela é muito estranha.

Depois de um tempinho, sinto meu rosto ficar quente e, em seguida, o álcool se espalha pelas minhas veias à medida que me desafiam a tomar dose após dose. Eu aceito, e tenho de admitir que consigo relaxar pela primeira vez em muito tempo. Estou me sentindo bem. Em meio àquela sensação, tudo parece mais fácil. As pessoas ao redor parecem mais divertidas do que antes.

“O mesmo desafio”, James diz dando risada, e dá um gole na bebida antes de passar a garrafa para mim pela quinta vez. Já nem me lembro mais das verdades e dos desafios das últimas rodadas. Dessa vez dou dois grandes goles na vodca antes de a garrafa ser arrancada da minha mão.

“Acho que você já bebeu o suficiente”, diz Lena, e passa a garrafa para Winn, que dá mais um gole.

Quem Lena Luthor pensa que é para me dizer se já bebi o suficiente? Está todo mundo bebendo, então eu também posso. Pego a garrafa da mão de Winn e bebo mais um pouco, dando um sorrisinho para Lena antes.

“Não acredito que você nunca bebeu antes, Kara. É divertido, não?”, comenta James, e dou uma risadinha. Os sermões da minha mãe sobre condutas irresponsáveis me vêm à cabeça, mas não dou atenção a eles. É só por uma noite.

“Lena, verdade ou desafio?”, pergunta Maggie. Ela responde “desafio”, obviamente.

“Desafio você a beijar Kara”, ela diz com um sorriso forçado.

Os olhos de Lena ficam arregalados e, apesar de o álcool tornar tudo mais interessante, sinto vontade de sair correndo dali.

“Não, eu tenho namorado”, respondo, fazendo todo mundo cair na gargalhada pela centésima vez na noite. O que estou fazendo aqui com essas pessoas que só sabem rir de mim?

“E daí? É só um desafio. Beija logo”, pressiona Maggie.

“Não, eu não vou beijar ninguém”, protesto, e me levanto. Sem nem olhar para mim, Lena dá mais um gole da bebida em seu copo. Espero que esteja se sentindo ofendida. Na verdade, tanto faz. Cansei de me preocupar com o que ela pensa. Lena me odeia e é uma tremenda grosseirona.

Quando fico de pé, o efeito do álcool se revela por inteiro. Saio cambaleando, mas consigo me recompor e me afastar do grupo. De alguma forma, consigo atravessar a multidão e chegar até a porta. Assim que saio da casa, sinto a brisa de outono no rosto. Fecho os olhos e inspiro uma boa lufada de ar fresco antes de ir sentar na já conhecida mureta de pedra. Sem nem me dar conta do que estou fazendo, já estou com o celular na mão, ligando para Mike.

“Alô?”, ele atende. O som familiar de sua voz e a vodca no meu organismo fazem com que eu sinta ainda mais saudades dele.

“Oi… gato”, respondo, e me sento, trazendo os joelhos junto ao peito.

Ficamos em silêncio por um momento. “Kara, você está bêbada?” Pelo tom de voz, dá para notar que Mike está me julgando. Eu não devia ter ligado.

“Não… claro que não”, minto, e encerro a ligação. Em seguida, desligo o celular. Não quero que Mike ligue de volta. Ele está arruinando a sensação boa proporcionada pela vodca, ainda mais do que Lena.

Volto cambaleando lá para dentro, ignorando os assobios de uns universitários bêbados. Apanho uma garrafa com uma bebida marrom no balcão da cozinha e dou um gole exagerado. O gosto é ainda pior que o da vodca, e minha garganta fica queimando. Minhas mãos saem à procura de alguma coisa para tirar aquele sabor da minha boca. Acabo abrindo um dos armários e pegando um copo de vidro, que encho com água da torneira, o que ajuda um pouco com a queimação, mas não muito. Abrindo caminho em meio à multidão, vejo que meu grupo de “amigos” ainda está sentado em um círculo, fazendo aquela brincadeira idiota.

Aqueles são mesmo meus amigos? Acho que não. Eles só me querem por perto para ficar rindo da minha inexperiência. Como Maggie teve a audácia de dizer a Lena para me beijar? Ela sabe que tenho namorado. Ao contrário dela, não saio por aí beijando todo mundo. Só beijei dois garotos na minha vida, Mike e Jimmy, um menino sardento que estudava comigo no terceiro ano e me deu um chute na canela depois do beijo. Será que Lena teria topado o desafio? Duvido. Os lábios dela são rosados e carnudos. Na minha cabeça surge uma imagem de Lena se inclinando na minha direção para me beijar. Meu coração dispara dentro do peito.

O que está acontecendo? Por que estou pensando nela dessa forma? Nunca mais vou beber.

Alguns minutos depois, a sala começa a girar, e eu me sinto tonta. Meus pés me levam para o banheiro do andar de cima, e eu me sento diante do vaso, achando que vou vomitar. Nada acontece. Solto um resmungo e me levanto. Quero voltar para o alojamento, mas sei que Sam só vai estar em condições de fazer isso daqui a algumas horas. Eu não devia ter vindo. De novo.

Antes de me dar conta do que estou fazendo, abro a porta do único cômodo que considero até certo ponto familiar naquela casa imensa. O quarto de Lena se abre para mim sem resistência. Ela diz que sempre mantém a porta trancada, mas não parece ser bem assim. Está tudo como da outra vez, a única diferença é que o chão está se mexendo sob meus pés instáveis. O morro dos ventos uivantes não está mais na prateleira, mas o encontro sobre o criado-mudo, ao lado de Orgulho e preconceito. Os comentários de Lena a respeito do romance se repetem dentro da minha cabeça. Ela claramente já o leu — e o entendeu —, o que é raro entre as pessoas da nossa idade, especialmente alguém como ela. Talvez ela tenha sido obrigada a ler por causa de um trabalho escolar. Mas por que o exemplar de O morro dos ventos uivantes não está na prateleira? Apanho o livro e sento na cama, abrindo-o na metade. Meus olhos percorrem as páginas, e o quarto para de girar.

Estou tão perdida no mundo de Catherine e Heathcliff que não ouço quando a porta é aberta.

“Que parte de ‘ninguém pode ficar no meu quarto’ você não entendeu?”, esbraveja Lena. Sua expressão furiosa me assusta, mas por algum motivo também me diverte.

“D-desculpe. Eu…”

“Sai daqui”, ela ordena, e faço uma careta. A vodca ainda está fazendo efeito, pelo menos o suficiente para eu não permitir que Lena me trate daquela maneira.

“Por que você precisa ser tão babaca?”, rebato em um tom muito mais alto do que pretendia.

“Você está no meu quarto outra vez, mesmo depois de eu ter dito que não quero você aqui. Então se manda!”, ela grita, chegando mais perto.

Com Lena parada na minha frente, irritada, exalando desprezo e fazendo com que eu me sinta a pior pessoa do mundo, alguma coisa dentro de mim se transforma. Deixando de lado a compostura, faço a pergunta que ronda minha mente há um tempo, mas que não tinha coragem de encarar:

“Por que você não gosta de mim?”, exijo saber, olhando-a nos olhos.

É um questionamento justo, mas, para ser sincera, não sei se meu ego ferido aguenta ouvir a resposta.


Notas Finais


Amo vocês, e continuem comentando é muito legal saber a opinião de vocês.


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