História AFTER, Depois da Verdade - Bughead - Capítulo 45


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Categorias Riverdale
Personagens Archibald "Archie" Andrews, Elizabeth "Betty" Cooper, Forsythe Pendleton "Jughead" Jones III
Tags Bughead
Visualizações 1.415
Palavras 2.277
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Ficção Adolescente, Romance e Novela
Avisos: Heterossexualidade, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 45 - BUGHEAD - Capítulo 44


Elizabeth Cooper

Decido usar o cabelo liso, para tentar algo diferente. Mas, quando termino, acho que ficou estranho, então enrolo de novo, como de costume. Estou demorando muito para me arrumar, e já deve estar na hora de sair. Talvez uma parte de mim esteja enrolando, apreensiva com o que vai acontecer durante o dia.

Espero que Jughead se comporte, ou pelo menos tente.

Opto por uma maquiagem simples, só um pouquinho de base, delineador e rímel. Ia passar uma sombra também, mas tive que tirar a linha torta da pálpebra três vezes antes de enfim acertar.

“Você morreu aí dentro?”, Jughead pergunta pela porta.

“Estou quase terminando”, respondo e escovo os dentes mais uma vez.

“Vou tomar um banho rápido, mas depois a gente tem que sair se você quiser chegar lá na hora”, diz Jughead quando abro a porta.

“Tá bom, tá bom, vou me vestir enquanto você toma banho.”

Ele desaparece no banheiro, e vou para o closet e pego o vestido verde-escuro sem manga que comprei para usar hoje. O tecido é grosso, e o decote é alto. O laço na cintura é muito maior do que parecia quando experimentei na loja, mas vou usar um casaco de lã por cima de qualquer forma. Pego a pulseira na cômoda e sinto um frio na barriga ao reler a citação perfeita.

Não sei que sapato usar; salto alto provavelmente vai criar um visual produzido demais. Escolho as sapatilhas pretas e visto o casaco branco sobre o vestido no mesmo instante em que Jughead abre a porta só com uma toalha amarrada na cintura.

Nossa. Não importa quantas vezes o veja, ainda fico sem fôlego. Olhando para o corpo seminu de Jughead, não consigo entender por que nunca gostei de tatuagens.

“Caramba”, diz ele, me observando de cima a baixo.

“O quê? Qual o problema?” Olho para baixo para ver o que há de errado.

“Você parece… incrivelmente inocente.”

“E isso é bom ou ruim? É Natal, não queria parecer indecente.” De uma hora para outra, me sinto insegura sobre minha roupa.

“Ah, é bom. Muito bom.” Ele passa a língua pelo lábio inferior, e eu finalmente entendo, corando e desviando o olhar, antes de começar uma coisa que não vamos poder terminar. Não agora, pelo menos.

“Obrigada. O que você vai usar?”

“O de sempre.”

Olho para ele. “Ah.”

“Não vou me arrumar todo para ir à casa do meu pai.”

“Eu sei… Que tal você vestir a camisa que a sua mãe te deu de Natal?”, sugiro, sabendo que ele não vai querer.

Jughead dá risada. “De jeito nenhum.” Ele vai até o closet e tira a calça jeans do cabide, que cai no chão — não que ele perceba essas coisas. Decido não dizer nada; em vez disso me afasto do closet no instante em que a toalha de Jughead bate no piso.

“Vou ficar com a sua mãe”, grito do quarto, me esforçando para não olhar para o seu corpo.

“Como quiser.” Ele sorri, e vou para a sala.

Quando encontro Julie na sala de estar, ela está usando um vestido vermelho e saltos pretos, muito diferente do moletom habitual.

“Você está linda!”, digo a ela.

“Tem certeza? Será que não exagerei, com toda essa maquiagem?”, ela pergunta, nervosa. “Não que eu me importe, sério, só não quero estar feia quando encontrar meu ex-marido depois de todos esses anos.”

“Confia em mim, feia é a última coisa que você está”, garanto a ela, o que a faz sorrir um pouco.

“Prontas?”, pergunta Jughead ao se juntar a nós na sala de estar. Ainda está com o cabelo molhado, mas de alguma forma perfeito. Está todo de preto, incluindo o All-Star que eu adoro, que ele usou em Seattle.

Julie não parece notar que o filho está todo de preto, provavelmente porque ainda está preocupada com a própria aparência. Quando entramos no elevador, Jughead olha para a mãe como se fosse a primeira vez, então pergunta: “Por que você está toda arrumada?”.

Ela fica um pouco vermelha. “É uma festa, por que não estaria?”

“Só achei estranho…”

Eu o interrompo antes que diga algo que estrague o dia de sua mãe. “Ela está linda, Jughead. E eu estou tão arrumada quanto ela.”

Ficamos todos em silêncio durante o trajeto de carro, até mesmo Julie. Sei que está ansiosa, e como não entender? Eu também ficaria incrivelmente nervosa. Na verdade, por razões diferentes; quanto mais nos aproximamos da casa de FP, mais apreensiva fico. Queria muito ter um Natal tranquilo.

Quando enfim chegamos e estacionamos junto ao meio-fio, ouço Julie suspirar. “Esta é a casa dele?”

“Pois é. Falei que era grande”, diz Jughead e desliga o carro.

“Não achei que fosse tão grande”, ela comenta baixinho.

Jughead salta do carro e abre a porta para a mãe, que permanece sentada, em estado de choque. Saio do carro sozinha e, enquanto subimos os degraus que levam à casa, vejo a apreensão no rosto de Jughead. Seguro sua mão para tentar acalmá-lo, e ele olha para mim com um sorriso discreto, mas perceptível. Ele não toca a campainha, simplesmente abre a porta e entra.

Mary está de pé na sala de estar com um sorriso radiante e acolhedor, tão contagiante que imediatamente me sinto um pouco melhor. Jughead atravessa o hall de entrada com sua mãe, e eu vou atrás dos dois, ainda de mão dada com ele.

“Obrigada por terem vindo”, agradece Mary, aproximando-se de Julie, ciente que Jughead não é de fazer apresentações. “Oi, Julie, sou a Mary”, diz ela e lhe estende a mão. “Que bom conhecer você. Fico muito feliz que tenha vindo.” Mary parece completamente calma, mas já a conheço bem o suficiente para saber que não é o caso.

“Oi, Mary, é bom conhecer você também”, responde Julie e aperta sua mão.

Nesse instante, FP aparece na sala e parece surpreso aos nos ver. Ele detém o passo e olha para a ex-mulher. Eu me apoio em Jughead, torcendo para que Archie tenha avisado FP que viríamos.

“Oi, FP”, diz Julie, mais confiante do que parecia estar durante toda a manhã.

“Julie … Uau… Oi”, gagueja ele.

Julie, que suponho estar satisfeita com a reação dele, acena com a cabeça uma vez e diz:

“Você está… diferente”.

Tento imaginar como era FP naquela época — olhos avermelhados por causa da bebida, testa suada, rosto pálido —, mas não consigo.

“É… você também”, diz ele.

A tensão está me deixando tonta, então fico mais do que aliviada quando Mary de repente exclama: “Archie!”, e ele se junta a nós. Mary está obviamente mais calma ao ver o menino dos seus olhos, e ele parece digno de representar o papel, de calça social azul, camisa branca e gravata preta.

“Você está linda.” Ele me elogia e me dá um abraço.

Jughead aperta minha mão, mas consigo me soltar e abraçar Archie de volta. “Você também está ótimo, Archie”, digo.

Jughead engancha o braço em minha cintura e me puxa de volta para ele, mais perto do que antes. Archie revira os olhos para o filho de seu padrasto, então se vira para Julie. “Olá, sra. Daniels, sou o Archie, filho de Mary. É muito bom finalmente conhecê-la.”

“Ah, por favor, não me chame de senhora.” Julie ri. “Mas é muito bom conhecer você também. Betty falou muito de você.” Ele sorri. “Espero que só coisas boas.” “Na maior parte”, ela brinca.

O charme de Archie parece aliviar um pouco a tensão na sala, e Mary anuncia: “Bom, vocês chegaram bem na hora. O pato vai ficar pronto em dois minutos!”.

FP nos leva para a sala de jantar, enquanto Mary desaparece na cozinha. Não fico surpresa de ver a mesa posta com perfeição, o melhor aparelho de jantar, talheres de prata polidos e elegantes anéis de guardanapo feitos de madeira. A mesa está repleta de travessas arrumadas com primor. O pato está cercado de grossas fatias de laranja, com um montinho de frutas vermelhas no topo. É tudo muito elegante, e o cheiro é de dar água na boca. Bem na minha frente, vejo um prato de batatas assadas. O aroma de alho e alecrim enche o ar, e eu admiro o restante da mesa. No centro, um arranjo grande com flores e enfeites em tons de laranja e vermelho. Mary é sempre uma anfitriã incrível.

“Alguém aceita uma bebida? Tenho uns tintos deliciosos na adega”, oferece ela. Suas bochechas ficam vermelhas ao perceber o que acabou de perguntar. Álcool é definitivamente um assunto delicado com este grupo.

Julie sorri. “Na verdade, eu aceito, sim.”

Mary desaparece, e ficamos num silêncio tão profundo que, quando ela tira a rolha na cozinha, o som é tão alto que parece reverberar nas paredes à nossa volta. Quando ela volta com uma garrafa aberta, penso em pedir uma taça para acalmar a sensação desconfortável na barriga, mas mudo de ideia. A anfitriã está de volta, e nós sentamos à mesa — FP na cabeceira; Mary, Archie e Julie de um lado; Jughead e eu do outro. Depois de alguns elogios à arrumação da mesa, ninguém diz uma palavra enquanto serve os pratos.

Após algumas garfadas, Archie faz contato visual comigo, e sei que está se perguntando se deve ou não falar. Dou um pequeno aceno de cabeça; não quero ser a pessoa responsável por quebrar o silêncio. Levo uma garfada de pato à boca, e Jughead coloca a mão na minha coxa.

Archie limpa a boca com o guardanapo e se vira para Julie. “Então, o que está achando dos Estados Unidos, sra. Daniels? É a sua primeira vez aqui?”

Ela faz que sim com a cabeça algumas vezes. “Sim, é a minha primeira vez aqui. Estou gostando. Não moraria aqui, mas gosto. Você está pensando em ficar em Washington quando terminar a faculdade?” Ela olha para FP, como se estivesse perguntando a ele, e não a Archie.

“Não sei ainda; minha namorada está de mudança para Nova York no mês que vem, então vai depender do que ela quer fazer.”

Por mim, torço para que Archie não mude tão cedo.

“Bom, vou ficar feliz quando Jughead terminar os estudos, para poder voltar logo para casa”, comenta Julie, e eu deixo o garfo cair no prato.

Todos os olhos se voltam para mim, e eu sorrio, pedindo desculpas, antes de pegar o talher de volta.

“Você vai voltar para a Inglaterra depois da faculdade?”, Archie pergunta a Jughead.

“Vou, claro”, responde Jughead, abruptamente.

“Ah”, diz Archie, olhando diretamente para mim. Jughead e eu não fizemos planos para depois da faculdade, mas jamais imaginei que fosse voltar para a Inglaterra. Precisamos discutir isso mais tarde, e não na frente de todo mundo.

“E você… gosta dos Estados Unidos, FP? Pretende ficar de vez?”, Julie pergunta.

“Sim, amo aqui. Vou ficar, com certeza”, responde ele.

Julie sorri e dá um gole lento no vinho. “Você sempre odiou os Estados Unidos.” “É… odiava”, ele responde, meio que sorrindo de volta para ela.

Mary e Jughead se remexem desconfortavelmente em suas cadeiras, e eu me concentro em mastigar o pedaço de batata em minha boca.

“Dá para falar de outra coisa que não os Estados Unidos?” Jughead revira os olhos. Eu o chuto de leve por baixo da mesa, mas ele não demonstra ter percebido.

Mary intercede rapidamente, perguntando para mim: “Como foi sua viagem para Seattle, Betty?”.

Tenho certeza de que já falei sobre isso com ela, mas sei que Mary  está só tentando preencher o silêncio, então conto a todos sobre a conferência e sobre o meu trabalho novamente. Com isso, chegamos ao final da refeição, pois todos seguem me fazendo perguntas num claro esforço para manter a conversa num tópico seguro, que não envolva ex-mulheres e ex-maridos.

Depois que todos terminam de comer o delicioso pato e os acompanhamentos, ajudo Mary  a levar os pratos para a cozinha. Ela parece um pouco abalada, então não puxo conversa enquanto arrumamos a cozinha.

“Aceita mais uma taça de vinho, Julie?”, pergunta Mary, depois que todos se acomodam na sala de estar. Jughead, Julie e eu sentamos num dos sofás, Archie fica na poltrona, e Mary  e FP ficam no outro sofá diante de nós. Parece que somos dois times, com Archie como árbitro.

“Sim, por favor. Está muito bom”, responde Julie e entrega a taça vazia a Mary .

“Obrigada, compramos na Grécia, no último verão; uma delícia de…” Ela se interrompe no meio da frase. Depois de uma pausa, acrescenta: “Um lugar interessante”, antes de devolver a taça.

Julie sorri e faz um pequeno aceno de cabeça. “Bem, o vinho é excelente.”

Não entendo muito bem esse constrangimento a princípio, mas então percebo que Mary tem o FP que Julie nunca teve. Viagens à Grécia e ao resto do mundo, uma casa enorme, carros novos e, o mais importante, um marido amoroso e sóbrio. Tenho que exaltar Julie por ser tão forte e tolerante. Está fazendo um esforço tremendo para ser educada, sobretudo diante das circunstâncias.

“Mais alguém? Betty, aceita uma taça?”, pergunta Mary ao terminar de servir Archie.

Olho para Julie e Jughead.

“Só uma, para comemorar o Natal”, insiste Mary .

Acabo cedendo e respondo: “Aceito, por favor”. Se o dia for continuar assim tão estranho, vou precisar de uma taça de vinho.

Enquanto ela me serve, vejo Jughead acenando a cabeça perto de mim várias vezes. E, em seguida, ele comenta: “E você, pai? Quer uma taça de vinho?”.

Todos olham para ele com os olhos arregalados, boquiabertos. Aperto sua mão para tentar silenciá-lo.

Mas ele continua com um sorriso perverso. “O quê? Não? Qual é, tenho certeza que quer. Sei que você sente falta.”

 



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