História AFTER 2 • Depois da Verdade ∞ CAMREN - Capítulo 31


Escrita por: ~

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Categorias Camila Cabello, Fifth Harmony
Personagens Ally Brooke, Camila Cabello, Dinah Jane Hansen, Lauren Jauregui, Normani Hamilton, Personagens Originais
Tags After, Camila Cabello, Camren, Depois Da Verdade, Lauren Jauregui
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Palavras 2.586
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Romance e Novela
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 31 - Trinta


CAMILA


Acordo suando. A cabeça de Lauren está na minha barriga, e seus braços me envolvem num abraço apertado. Sem dúvida está com os braços dormentes pelo peso do meu corpo. Suas pernas estão entrelaçadas nas minhas, e ela está roncando baixo. 

Prendendo a respiração, ergo a mão cuidadosamente para afastar seu cabelo maravilhoso da testa. Parece que faz séculos que não toco seu cabelo, mas na verdade a última vez foi no sábado. Corro os dedos por entre os fios bagunçados, e minha mente repassa os acontecimentos em Seattle como num filme. 

Ela abre os olhos, e eu afasto a mão depressa. "Desculpa", digo, envergonhada de ser pega em flagrante. 

"Não, estava gostoso", ela responde com a voz embargada de sono.

Depois de se recompor e respirar contra a minha pele por um instante, Lauren levanta — rápido demais —, e eu desejo não ter tocado seu cabelo, assim ela ainda estaria dormindo, abraçada comigo. 

"Tenho um trabalho para fazer, então vou passar na cidade", ela anuncia e pega uma calça jeans preta no closet. Lauren calça as botas depressa, e tenho a sensação de que está fugindo. 

"Tá..." O quê? Pensei que ficaria feliz por ter dormido comigo e me abraçado pela primeira vez em uma semana. Achei que algo teria mudado, não completamente, mas imaginei que talvez ela pudesse ver que estou começando a mudar de ideia, que estou alguns passos mais perto de me reconciliar com ela do que estava ontem. 

"É...", diz ela, girando o piercing da sobrancelha antes de tirar a camiseta branca e pegar uma preta na cômoda, sem colocar um sutiã. 

Lauren não fala mais nada antes de sair do quarto, me deixando confusa mais uma vez. De todas as coisas que imaginei que fossem acontecer, essa fuga não era uma delas. Que trabalho ela pode ter para fazer agora? Ela avalia manuscritos, o mesmo trabalho que eu — só que  trabalha em casa, então por que sair hoje? A lembrança do que aconteceu na última vez em que
Lauren disse que ia "trabalhar" faz meu estômago se revirar. 

Ouço-a falando com a mãe brevemente e a porta da frente ser aberta e batida. Me jogo de volta nos travesseiros, esperneando feito uma criança. Mas, ao ouvir o apito que sinaliza cafeína, finalmente saio da cama e vou até a cozinha para tomar um café. 

"Bom dia, querida", Clara cantarola ao me ver passar por ela na bancada da cozinha. 

"Bom dia. Obrigada por fazer o café", agradeço enquanto pego a bebida fresquinha.

"Lauren falou que tinha um trabalho para fazer", diz ela, embora pela entonação pareça mais uma pergunta que uma afirmação.

"É... ela comentou alguma coisa a respeito", respondo, sem saber o que dizer.

Mas ela parece ignorar e diz, com a voz cheia de preocupação: "Estou feliz que ela esteja bem depois da noite passada". 

"Eu também." Então, sem pensar, acrescento: "Não devia ter falado para ela dormir no chão". 

As sobrancelhas de Clara se erguem numa expressão de interrogação. "Ela não tem pesadelos quando não dorme no chão?", ela pergunta, cautelosa. 

"Não, ela não tem pesadelos quando estamos..." Eu me interrompo, mexendo o açúcar no café e tentando pensar numa maneira de sair dessa. 

"Quando você está com ela", ela termina a frase por mim.

"É... quando estou com ela." 

Clara me lança um olhar esperançoso que — segundo dizem — só uma mãe é capaz ao falar dos filhos. "Quer saber por que ela tem pesadelos? Sei que ela vai me odiar por isso, mas  acho que você devia saber." 

"Ah, por favor, Clara." Engulo em seco. Não quero que ela me conte essa história. "Ela me contou... sobre aquela noite." E engulo de novo ao ver seus olhos se arregalarem de  surpresa.

"Contou?", ela repete, ofegante.

"Desculpa, não queria mencionar o assunto desse jeito. E, na outra noite, achei que você tivesse entendido..." Dou outro gole de café. 

"Não... não... Não precisa pedir desculpas. Eu simplesmente não consigo acreditar que ela tenha contado. É claro que você sabia dos pesadelos, mas saber disso... estou espantada." Ela enxuga os olhos com os dedos e me lança um sorriso do fundo do coração. 

"Espero que você não se importe. Sinto muito pelo que aconteceu." Não quero me intrometer em segredos de família, mas também nunca tive que lidar com algo assim. 

"Estou longe de me importar, Camila, querida", diz ela e começa a soluçar descontroladamente. "Só estou feliz que ela tenha você... Os pesadelos eram tão ruins. Ela gritava e gritava. Tentei colocar Lauren na terapia, mas você sabe como ela é. Não quis falar com ninguém. Nem uma palavra. Ficava só sentada lá, olhando para a parede." Ponho minha caneca na bancada e dou um abraço nela. 

"Não sei o que fez você voltar ontem, mas estou feliz que esteja aqui", ela diz junto ao meu
ombro. 

"O quê?" Ela me afasta e lança um olhar malicioso. 

"Ah, querida, sou velha, mas nem tanto. Sabia que tinha alguma coisa acontecendo entre vocês duas. Vi como ela ficou surpresa ao ver você na hora em que chegamos, e já estava desconfiada quando ela falou que vocês não iam mais para a Inglaterra." 

Bem que eu estava com a impressão de que ela tinha percebido, mas não sabia que era tudo tão óbvio. Dou um grande gole de meu café, agora já morno, e penso no assunto.

Clara pega carinhosamente em meu outro braço. 

"Lauren estava tão animada para levar você para a Inglaterra... bom, na medida do possível para ela... E aí, há alguns dias, disse que você ia passar a semana fora, mas entendi tudinho. O que aconteceu?", pergunta ela. 

Dou outro gole, e nossos olhares se encontram. "Bom..." Não sei o que dizer, porque Ah, a sua filha profanou a minha virgindade por causa de uma aposta não iria cair muito bem
agora. 

"Ela... mentiu para mim", é tudo o que digo. Não quero que ela fique chateada com Lauren, e de verdade não quero falar sobre esse assunto com a mãe dela, mas também não quero passar por mentirosa. 

"Uma mentira muito grave?" 

"Gravíssima." 

Ela me olha, e eu me sinto prestes a explodir. "Ela está arrependida?" 

Conversar com Clara sobre isso é estranho. Nem a conheço, e ela é mãe da Lauren, então vai se sentir inclinada a tomar as dores da filha. Por isso respondo delicadamente: "Está... Acho que está", e viro o restante do café. 

"Ela já pediu desculpas?"

"Já... algumas vezes." 

"E demonstrou arrependimento?" 

"Mais ou menos." Demonstrou? Sei que ela caiu no choro outro dia, e anda mais contida do que o habitual, mas não disse exatamente o que quero ouvir. 

Clara me olha e, por um momento, sinto medo da resposta que vai dar. Mas então ela me surpreende dizendo: "Bom, como mãe dela, é minha obrigação aturar as coisas que Lauren apronta. Mas você não. Se ela quer o seu perdão, então precisa se esforçar para isso. Precisa mostrar que nunca mais vai fazer o que fez — e imagino que tenha sido uma mentira e tanto, para você sair de casa. Tente lembrar que ela não sabe lidar com os próprios sentimentos. Lauren é uma menina... uma mulher... muito revoltada". 

Sei que a pergunta soa ridícula — as pessoas mentem o tempo todo —, mas as palavras saem da minha boca antes que meu cérebro possa processá-las: "Você perdoaria alguém por mentir para você?". 

"Bom, depende da mentira e do quanto a pessoa se arrepende. O que posso dizer é que, quando você aceita mentiras demais, fica difícil encontrar o caminho de volta para a verdade." Ela está dizendo que não deveria perdoar Lauren?

Em seguida, tamborila os dedos de leve na bancada. "Mas eu conheço a minha filha, e sei que está bem diferente do que estava no nosso último encontro. Ela mudou muito nos últimos meses, Camila. Nem sei dizer quanto. Agora ela ri e sorri. Até conversou comigo ontem." Ela abre um sorriso animado, apesar da seriedade do assunto. "Sei que, se perdesse você, voltaria a ser como era antes, mas não quero que se sinta obrigada a ficar com ela por causa disso." 

"Não me sinto... obrigada. Só não sei o que pensar." Queria poder explicar a história toda, para ter uma opinião sincera. Queria que minha mãe fosse tão compreensiva quanto Clara parece ser.

"Bom, essa é a parte mais difícil. É você quem precisa decidir. Mas faça as coisas no seu tempo, e faça Lauren se esforçar para isso. Ela tem tudo fácil demais, sempre teve. Talvez isso seja parte do problema, ela sempre consegue o que quer." Eu dou risada, porque essa afirmação não poderia ser mais verdadeira. 

"Isso é verdade." Suspiro e vou até a despensa pegar uma caixa de cereal. Mas Clara me interrompe, dizendo: "Por que não trocamos de roupa e vamos tomar café da manhã na rua, fazer umas coisas de mulher? Estou precisando cortar o cabelo". Ela ri e balança a cabeleira castanha. 

Ela tem um ótimo senso de humor, assim como Lauren, quando fica mais à vontade. Lolo é mais atrevida, claro, mas dá para ver que puxou isso da mãe. 

"Legal. Só preciso tomar um banho primeiro", digo e guardo o cereal.

"Banho? Está nevando lá fora, e vamos lavar o cabelo de qualquer forma! Eu no seu lugar iria assim mesmo." Ela aponta para o moletom preto. "Coloca uma calça jeans ou coisa do tipo e vamos lá!" 

Isso é muito diferente de ir a qualquer lugar com a minha mãe. Eu teria que vestir roupas passadas, arrumar o cabelo e colocar maquiagem mesmo que só estivéssemos indo ao supermercado. 

Eu sorrio e respondo: "Tudo bem". 

No quarto, pego uma calça jeans e um moletom do closet e prendo o cabelo num coque. Calço uma sapatilha e vou escovar os dentes e jogar uma água fria no rosto. Quando me junto a Clara na sala de estar, ela está pronta e esperando na porta. 

"Eu devia deixar um recado para a Lauren, ou mandar uma mensagem", digo. 

Mas ela sorri e me puxa pela porta. "Ela vai ficar bem."

Depois de passar o restante da manhã e a maior parte da tarde com Clara, me sinto muito mais relaxada. Ela é amável, engraçada e tem uma ótima conversa. Mantém o papo descontraído e me faz rir quase o tempo todo. Nós duas cortamos o cabelo. Clara decide fazer uma franja e me desafia a fazer o mesmo, mas recuso com um sorriso. No entanto, ela me convence a comprar um vestido para o Natal. Só não sei ainda o que vou fazer no feriado. Não quero atrapalhar os planos de Lauren e sua mãe, e não comprei presentes nem nada. Acho que vou aceitar o convite de Ally de ir para a casa dela. Parece meio demais passar o Natal com Lauren quando estamos separadas. Estamos num período transitório esquisito: não estamos juntas, mas me sinto como se estivéssemos mais próximas, pelo menos até ela sair de casa hoje de manhã. 

Quando voltamos, o carro de Lauren está na garagem do prédio, e começo a ficar nervosa.

Entramos em casa, e ela está sentada no sofá com uns papéis espalhados no colo e na mesa de centro. Tem uma caneta entre os dentes e olha concentrada para o que está fazendo. Trabalhando, imagino, mas só a vi trabalhar umas poucas vezes desde que a conheci. 

"Oi, filha!", diz Clara, animada.

"Oi", responde Lauren, indiferente. 

"Sentiu nossa falta?", brinca ela, e Lauren revira os olhos antes de juntar as páginas soltas e guardar numa pasta. 

"Vou lá para o quarto", Lauren bufa e levanta do sofá. Encolho os ombros para Clara e sigo Lauren até o quarto. 

"Aonde vocês foram?", pergunta ela, colocando a pasta sobre a cômoda. Uma página se solta, e ela a empurra depressa para dentro da pasta, fechando a divisória com um estalo. 

Sento na cama com as pernas cruzadas. 

"Tomar café da manhã, e depois cortar o cabelo e fazer compras." 

"Ah." 

"E você, aonde foi?", pergunto. Ela olha para o chão antes de responder. 

"Trabalhar." 

"Amanhã é véspera de Natal. Eu não caio nessa", argumento num tom de voz que me diz que Clara me cansou um pouco. 

Seus olhos verdes me fulminam. "Não estou nem aí se você não cai nessa", diz ela num tom zombeteiro e senta no lado oposto da cama. 

"Qual é o problema?", retruco. 

"Nada. Problema nenhum." Ela está uma muralha agora.

"Claro que tem um problema. Por que você saiu daquele jeito hoje de manhã?" 

Ela passa as mãos no cabelo. "Já falei." 

"Mentir para mim não vai ajudar em nada, foi isso que colocou você... ou a gente... nesta situação", lembro. 

"Ótimo! Quer saber onde eu estava? Estava na casa do meu pai!", ela grita e se levanta. 

"Na casa do seu pai? Por quê?" 

"Fui falar com Ally." Lauren senta na cadeira. 

Reviro os olhos. "Estava acreditando mais na história do trabalho do que nisso."

"Fui sim. Pode ligar para ele se não acredita em mim."

"Tudo bem, e sobre o que você estava falando com Ally?" 

"Você, é claro."

"O que tem eu?" Levanto as mãos. 

"Tudo. Sei que você não quer estar aqui." Ela me encara. 

"Se não quisesse, não estaria." 

"Você não tem para onde ir, sei que não estaria aqui se tivesse."

"O que faz você ter tanta certeza? Dormimos na mesma cama ontem." 

"É, e você sabe por quê... se não fosse meu pesadelo, você não teria concordado. É o único motivo por que me chamou para a cama e o único motivo por que está falando comigo agora. Porque tem pena de mim." Suas mãos estão tremendo, e seus olhos são penetrantes. Dá para enxergar a vergonha por trás de seu tom de verde. 

"Não importa por que aconteceu." Balanço a cabeça para ela. Não sei por que Lauren sempre chega a essas conclusões. Por que é tão difícil para ela aceitar que é amada? 

"Você está com peninha da pobrezinha da Lauren que tem pesadelos e não consegue dormir numa merda de cama sozinha!" Ela está falando alto demais agora, e nós temos companhia. 

"Para de gritar! Sua mãe está na sala!", grito de volta. 

"Foi isso que vocês duas fizeram o dia todo... falaram de mim? Não preciso da merda da sua piedade, Camz." 

"Meu Deus! Você é tão decepcionante! Nós não falamos de você, não desse jeito. E, para a sua informação, não sinto pena de você, queria você na cama comigo independente dos seus sonhos." Cruzo os braços. 

"Ah, claro", ela rosna. 

"A questão aqui não é o que eu sinto; é o que você sente a respeito de si mesma. Você precisa parar com essa autopiedade", digo num tom tão duro quanto o dela. 

"Não sinto pena de mim mesma." 

"Parece que sente. Você acabou de começar uma briga comigo sem motivo. A gente devia estar andando para a frente e não para trás." 

"Para a frente?" Seus olhos encontram os meus. 

"É... Quer dizer, t-talvez", gaguejo. 

"Talvez?" Ela sorri. 

De repente, Lauren fica muito feliz. Está sorrindo feito uma criança no Natal. Num minuto estava brigando comigo, com o rosto vermelho de raiva. E, estranhamente, sinto a minha própria raiva evaporar também. O controle que ela exerce sobre minhas emoções me aterroriza. 

"Você é louca, literalmente", digo a ela.

Ela me lança um sorriso fatal. "Seu cabelo está bonito."

"Você precisa se tratar", provoco, e Lauren dá risada. 

"Isso eu não nego", responde ela.

Não consigo segurar o riso... Talvez seja tão maluca quanto ela.


Notas Finais


Bom dia, meninas!

Vou tentar postar mais um pouquinho hoje ❤️


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