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História After Jortini - Capítulo 19


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Notas do Autor


Desculpe a demora, ando meio atarefada com a escola e enfim.
Boa leitura!

Capítulo 19 - Capítulo 17


    Jorge me dá uma encarada agressiva, mas ao mesmo tempo insegura. “Por que está me perguntando isso?”

   “Sei lá… porque sempre fui legal com você, e você só me trata mal.” Em seguida acrescento: “E achei que poderíamos ser
amigos…”. Essa frase soa tão idiota que aperto meu nariz com força com o indicador e o polegar enquanto espero sua resposta.
                “Nós dois? Amigos?” Ele dá risada e joga as mãos para cima. “Não está na cara por que não podemos ser amigos?”

    “Pra mim, não.

    “Bom, pra começar, você é certinha demais… Deve ter sido criada em uma daquelas famílias ideais, em uma casa igual a todas as outras do bairro. Seus pais deviam comprar tudo o que você queria e nunca deixaram faltar nada. E aquelas saias de prega… Fala sério, quem ainda usa isso aos dezoito?”

     Fico de queixo caído. “Você não sabe nada sobre mim, seu babaca arrogante! Minha vida não é nada disso! Meu pai é um alcoólatra que foi embora de casa quando eu tinha dez anos, minha mãe teve que se matar de trabalhar para eu poder entrar na faculdade, e eu arrumei um emprego assim que fiz dezesseis anos para ajudar a pagar as contas. E eu gosto, sim, das minhas roupas…sinto muito se não me visto como uma piranha, como as outras meninas que você conhece! Para alguém que faz tanta questão de ser diferente, você é bem preconceituoso com pessoas que não são como você!”, grito, sentindo as lágrimas se acumularem nos meus olhos.

   Eu me viro para que Hardin não tenha a satisfação de me ver assim, mas percebo que ele está com os punhos cerrados. Como se sentisse raiva.
               “Quer saber, Jorge, não quero ser sua amiga”, digo antes de pôr a mão na maçaneta da porta. A vodca, que me dá mais coragem,
também torna mais aguda a tristeza de uma situação como essa.

  “Aonde você vai?”, ele pergunta. Tão imprevisível. Tão genioso…

  “Pegar o ônibus pra voltar pro meu quarto e nunca mais pôr os pés aqui. Estou cansada de tentar ser amiga de vocês.”
              “Está muito tarde pra pegar o ônibus sozinha.”

   Eu me viro para encará-lo. “Por acaso faz diferença para você se vai ou não acontecer alguma coisa comigo?” Dou risada. Não
consigo entender aquelas mudanças de tom.

“Não estou dizendo que faz… só estou avisando. Não é uma boa ideia.”

“Bom, Jorge, não tenho outra opção. Está todo mundo bêbado…inclusive eu.”
            Nesse momento as lágrimas começam a rolar. Sinto-me mais humilhada do que nunca porque, de todas as pessoas no mundo, é Jorge quem está me vendo chorar.

“Você sempre chora em festas?”, ele pergunta baixando um pouco a cabeça, com um sorrisinho no rosto.
            “Pelo jeito, sim, ou pelo menos quando encontro você. Como estava nas duas únicas que fui…”, respondo, já abrindo a porta.

"Martina", ele diz tão baixinho que quase nem ouço. A expressão em seu rosto é indecifrável. O quarto começa a girar, e eu me
seguro em uma cômoda perto da porta. "Está tudo bem?", ele quer saber. Faço que sim com a cabeça, apesar de estar tonta. “Por que
você não senta um pouco antes de ir pegar o ônibus?”
          “Pensei que ninguém podia ficar no seu quarto”, digo antes de sentar no chão.

Solto um soluço, e ele me avisa imediatamente: “Se você vomita aqui…”.

“Acho que preciso beber água”, falo, e começo a me levantar.

“Toma”, ele diz, pondo a mão no meu ombro e me entregando seu copo vermelho.

Reviro os olhos e afasto o copo. “Eu disse água, não cerveja.” 

“Isso é água. Eu não bebo”, ele diz. 
             Um barulho no meio do caminho entre um suspiro e uma risada escapa da minha boca. Nem acredito que Jorge não bebe. “Que
ironia. Mas você não vai querer ficar aqui de babá, né?” No estado patético em que estou, só quero ficar sozinha. O efeito da bebida está passando, fazendo com que eu me sinta culpada pela maneira como falei com ele. “Você desperta o que existe de pior em mim”, murmuro, apesar de não querer dizer isso.

“Agora você pegou pesado”, ele falou, em um tom bem sério. “Mas, sim, vou ficar aqui de babá. Você está bêbada pela primeira
vez na vida e tem mania de mexer nas minhas coisas quando não estou por perto.” Ele se senta na cama e estica as pernas. Pego o copo com água e dou um gole. Sinto um gosto de menta na borda do copo e me surpreendo perguntando a mim mesma qual seria o sabor da boca dele. Em seguida a água dilui o álcool no meu estômago, e o fervor diminui um pouco.
 

Minha nossa, nunca mais vou beber de novo, lembro a mim mesma, sentada no chão.

Depois de alguns minutos em silêncio, Jorge finalmente resolve falar. “Posso fazer uma pergunta?”

O olhar em seu rosto me diz para responder “não”, mas o quarto ainda não está totalmente imóvel, e acho que conversar um pouco vai me ajudar a recuperar o foco. “Claro.”

“O que você quer fazer depois da faculdade?”

Nesse momento eu o vejo com novos olhos. Aquela era a última pergunta que eu esperava. Pensei que fosse querer saber por que ainda sou virgem ou por que não bebo.

“Bom, quero ser escritora ou editora, o que acontecer primeiro.” Provavelmente não é uma boa ideia me abrir com ele, porque isso pode acabar se voltando contra mim. Mas, como ele não diz nada, tomo coragem e faço a mesma pergunta, recebendo em troca uma revirada de olhos e nenhuma resposta.

Por fim, apesar de saber que é inútil puxar conversa, decido perguntar: “Esses livros são seus?”.
           “São”, ele murmura.
           “Qual é seu favorito?”
           “Não faço listas.”
            Solto um suspiro e fico mexendo em um fiapo na minha calça.
            “O seminarista sabe que você saiu de novo?”
            “Seminarista?”, pergunto, olhando para ele, sem entender.
            “Seu namorado. O maior bobalhão que já vi na vida.”

“Não fale assim, ele é… ele é… bonzinho”, respondo, hesitante. Jorge cai na risada, e eu me levanto. Ele não sabe nada sobre Pepe. “Você jamais conseguiria ser como ele”, faço questão de acrescentar.

Bonzinho? Essa é a primeira coisa que vem à sua cabeça quando fala do seu namorado? É só uma forma educada de dizer que ele é chato.”

“Você não sabe nada sobre ele.”

“Bom, que ele é chato eu sei. Dá pra dizer isso só de olhar pro cardigã e o mocassim que ele usa.” Jorge cai na gargalhada, e suas covinhas imediatamente chamam minha atenção.

“Ele não usa mocassim”, respondo, mas preciso pôr a mão na boca para não rir do meu próprio namorado. Dou mais um gole na água.

“Bom, se vocês namoram há dois anos e ele ainda não comeu você, está na cara que é um trouxa.”

Cuspo a água de volta no copo. “O que foi que você disse?” Quando começamos a nos entender, ele solta uma dessas…

“Você ouviu o que eu disse, Martina.” O sorriso no rosto dele é cruel.

“Você é um cretino, Jorge”, falo com um grunhido e arremesso sobre ele o copo pela metade. Sua reação é a esperada: perplexidade absoluta. Enquanto enxuga o rosto, faço força para ficar de pé, apoiando-me na prateleira. Alguns livros caem no chão, mas nem dou bola e saio do quarto. Desço a escada com passos cambaleantes e vou abrindo caminho pela multidão que lota a cozinha. A raiva que sinto é maior que o mal-estar, e só quero tirar a imagem do sorrisinho presunçoso de Jorge da minha cabeça. Consigo localizar os cabelos pretos de Sebastian na outra sala e vou até o local onde ele está sentado com outro menino bonito.

“Oi, Tini, esse é meu amigo Mau”, Sebastian nos apresenta.

Mau sorri para mim e me oferece a garrafa que está segurando.

“Quer um pouco?”, ele diz antes de passá-la para mim. Aqueimação produz uma sensação boa, reanimando meu corpo, e por ora me esqueço de Jorge.

“Você viu Stephie?”, pergunto, mas Sebastian faz que não com a cabeça.

“Acho que ela foi embora com Jerry.”

Ela foi embora? Como assim? Deveria ficar mais preocupada, mas a vodca altera meu juízo, e me pego pensando que ela e Jerry ormam um belo casal. Alguns goles depois, estou me sentindo ótima.

Deve ser por isso que as pessoas bebem o tempo todo. Eu me lembro vagamente de ter jurado a mim mesma que ficaria longe do álcool para sempre, mas no fundo não é tão ruim assim.

Quinze minutos depois, estou rindo tanto com Sebas e Mau que minha barriga dói. Eles são uma companhia muito melhor do que Jorge. “Vocês sabem que Jorge é um babaca, né?”, digo a eles, que abrem um sorriso largo.

“É, às vezes é mesmo”, admite Sebas, passando os braços em torno de mim. Sinto vontade de me mover para me livrar de seu toque, mas sei que vai parecer estranho, já que para ele foi um gesto natural, sem segundas intenções. Pouco depois a multidão começa a se dispersar, e o cansaço bate com força. É quando me dou conta de que não tenho como voltar para o campus.

“Os ônibus circulam a noite toda?”, pergunto de repente. Sebas dá de ombros, e nesse exato momento os cabelos castanhos de Jorge aparecem diante de mim.

“Você e o Sebas, então?” A voz dele sai carregada de um sentimento que não consigo identificar exatamente.

Eu me levanto e passo por ele, que me segura pelo braço. O sujeito não tem limites. “Me larga, Jorge.” Procurando outro copo para jogar na cara dele, digo: “Só estou tentando descobrir como voltar de ônibus”.

“Desencana… são três da manhã. Não tem mais ônibus. Seu recém-descoberto gosto pela bebida fez com que ficasse presa aqui.” O brilho em seus olhos quando diz isso é tão zombeteiro que me dá vontade de bater nele. “A não ser que você queira ir pra casa
com Sebas…”

Quando ele solta meu braço, volto para o sofá com Sebas e Mau, porque sei que isso vai irritá-lo. Depois de ficar parado por um momento balançando a cabeça, ele vira as costas, bufando. Na esperança de que o quarto em que dormi na semana passada esteja vago, peço que Zed vá comigo lá para cima para tentar encontrá-lo.


 


Notas Finais


Jorge com ciúmes? Sim ou com certeza?


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