História After October's Gone - Capítulo 5


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Categorias Girls' Generation
Personagens Jessica, Taeyeon, Tiffany, Yoona
Tags Angst, Shoujo Jidai, Snsd, Taengsic, Taeny
Visualizações 59
Palavras 3.168
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), FemmeSlash, LGBT, Literatura Feminina, Orange, Poesias, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Shoujo-Ai, Violência, Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Self Inserction, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Um pouco do relacionamento Taengsic ♥

*Desculpem qualquer erro, ainda não revisei.

BOA LEITURA!!1

Capítulo 5 - Act Five: Jessica, me and..... Tiffany?


Fanfic / Fanfiction After October's Gone - Capítulo 5 - Act Five: Jessica, me and..... Tiffany?

Não importa o quanto

Eu tente confiar em você

Você evita meus olhos

E meus lábios novamente

Esqueça tudo, eu vou esquecer

Eu não tenho mais nenhuma preocupação ou intenção

Tudo está claro sem deixar nada pra trás

Aquela vez que eu acreditei

Que ficaríamos juntos para sempre

 

- I’m Okay – Taeyeon.

 

 

 

 

De uma maneira estranha, Jessica e eu ficamos mais próximas por causa de Tiffany, foi mais ou menos assim, creio eu. Na verdade, foi por causa de uma cantora e compositora Sunny Lee. Eu iria fazer a abertura de seu concerto no dia do acidente de Tiffany. Quando não pude visitar Tiffany, Sunny veio ao hospital tentar distrair a atenção das pessoas. Ela não teve sucesso. E essa foi à última vez que vi a Sunny até o momento em que I virou disco de platina duplo.

Eu estava em Los Angeles para o MTV Movie Awards. Uma de minhas músicas gravadas e não lançadas foi colocada na trilha do filme americano Se eu ficar e indicada como melhor canção. Não ganhei.

Não importava. O MTV Awards foi apenas a mais recente premiação entre outras, e foi uma colheita grande em termos de prêmios. Poucos meses antes eu havia ganhado no Golden Disk como revelação e música do ano por “I Got Love”.

Foi esquisito. Você acha que um disco de platina, um parte de prêmios importantes, um VMA e alguns míseros prêmios americanos vão fazer seu mundo melhor, mas, quanto mais acumulava prêmios, mais a cena me fazia arrepiar. Havia mulheres, drogas, puxação de saco, além do hype – o hype constante. Gente que eu não conhecia – e não fãs, mas gente do meio musical – correndo para mim como se fossem amigos antigos, dando dois beijinhos, me chamando de “querida”, colocando cartões de visita na minha mão, cochichando sobre papéis de filme ou anúncios para o ramo japonês. Trabalhos de um dia que pagavam milhões.

Eu não conseguia aguentar; foi por isso que, quando terminei meu compromisso no Movie Awards, eu sai e fui para a área de fumantes. Estava planejando minha saída quando vi Sunny avançando em minha direção. Atrás dela havia uma mulher bonita, vagamente familiar, com o cabelo preto cumprido.

- Kim Taeyeon em carne e osso – Sunny disse, envolvendo-me num abraço de urso. Sunny recentemente começara um álbum novo e também andava recebendo prêmios então nos trombávamos bastante em cerimônias. – Taeyeon, esta é Jessica, mas provavelmente você a conhece como a “quente”.

 Balancei a cabeça – Desculpe.

- Perdi para o beijo de um vampiro e um lobisomem. Ação entre meninas não tem mais o impacto que costumava ter – Jessica disse objetivamente.

- Você foi roubada! – Sunny retrucou – Vocês duas. É uma baita vergonha. Mas vou deixa-las a sós para lamberem suas feridas ou se conhecerem melhor. Preciso voltar. Taeyeon, vejo você por aí, espero.

Ficamos lá em silencio por algum tempo. Ofereci um cigarro a Jessica. Ela balançou a cabeça, então olhou para mim. – Isso foi uma armação, caso esteja se perguntando.

- É. Eu percebi.

Ela deu de ombros, nada envergonhada. – Eu contei para Sunny que achava você intrigante, então ela tomou iniciativa. Ela e eu somos iguais nessa questão.

- Entendi.

- Isso te incomoda?

- Por que incomodaria?

- Incomoda muitas mulheres aqui. As atrizes costumam a ser muito inseguras. Ou hetéros.

- Não sou daqui.

 

Ela sorriu com isso. Então olhou para minha jaqueta.

 

- Está saindo de fininho ou algo assim?

- Acha que vão soltar os cachorros atrás de mim?

-Talvez, mas aqui é Los Angeles, então seriam uns chihuahuas minúsculos todos metidos em bolsas de grife; que mal eles podem fazer? Quer companhia?

- Sério? Não precisa ficar para lamentar ter perdido seu melhor beijo?

 

Ela me olhou firme nos olhos, como se aproveitasse a piada que eu fazia e estivesse nessa também, do que eu gostei. – Prefiro comemorar ou discutir meu beijo em particular.

O único plano que eu tinha era voltar ao hotel na limusine que estava esperando. Então fui com Jessica. Ela dispensou o motorista e pegou as chaves de seu enorme SUV e nos levou morro abaixo para a costa.

Seguimos pela rodovia para uma praia ao norte chamada Point Dume. Paramos no caminho para pegar uma garrafa de vinho e Donuts para viagem. Quando chegamos à praia uma neblina desceu pela água escura.

- A penumbra de julho – Jessica disse, tremendo em seu vestidinho preto curto e sem alça – nunca deixa de me congelar.

- Você não usa suéter nem nada assim? – perguntei.

- Não combinava com o meu visual.

- Aqui – passei para ela minha jaqueta.

Ela levantou a sobrancelha, surpresa. – Uma cavalheira.

Nós sentamos na praia, dividindo vinho direto da garrafa. Ela me contou sobre o filme que tinha recém-terminado e aquele que iria gravar no mês seguinte. Além de contar sobre sua empresa de moda.

- Então você é basicamente uma princesa? – perguntei.

Ela riu. – Eu nasci em São Francisco, mas cresci em Sokcho, onde em toda minha vida minha mãe disse que eu era linda, que eu deveria ser modelo, atriz. Ela nunca nem me deixou brincar lá fora no sol porque não queria que eu estragasse minha pele. Era como se tudo que eu tivesse fosse um rosto bonito. – ela se virou para me encarar, e eu podia ver a inteligência nos olhos dela, que estava contida num rosto bem bonito, era preciso admitir. – Mas, tudo bem, que seja, meu rosto foi um passaporte para sair de lá. Fui trainee de uma empresa famosa, debutei em um grupo e logo após voltei para os EUA. Mas agora Hollywood é igual. Todo mundo me considerou ingênua, mais um rosto bonito. Mas eu sei das coisas. Então, se eu quiser provar que tenho cérebro, se quiser brincar no sol, assim por dizer, cabe a mim encontrar um projeto que me ajude. Acho que estou em melhor posição para isso se for produtora também. É tudo questão de controle. Acho que quero controlar tudo.

- É, mas algumas coisas não se podem controlar, não importa o quanto você tente.

Jessica olhou para o horizonte negro, enfiou os dedos dos pés descalços na areia fria. –Sei. – ela disse, E se virou para mim – Sinto muito por sua namorada. Tiffany, certo?

Eu tossi. Não era um nome que eu esperava ouvir agora.

- Sinto muito. É que, quando perguntei para Jessica sobre você, ela me contou como vocês se conheceram. Não estava fofocando nem nada. Mas estava lá, no hospital, então ela soube.

Meu coração acelerou no peito. Apenas concordei.

- Meu pai partiu quando eu tinha sete anos. Foi a pior coisa que já aconteceu comigo – Jessica continuou – Então, não posso imaginar perder alguém assim.

Eu assenti novamente e bebi vinho – Lamento. – consegui dizer.

Ela balançou levemente a cabeça. O vinho estava saindo pelo meu nariz. Levou alguns momentos para eu recuperar minha respiração e poder falar. Quando recuperei, contei para Jessica que Tiffany não estava morta. Ela havia sobrevivido ao acidente, tinha se recuperado totalmente.

Jessica pareceu aterrorizada, tanto que eu senti pena por ela em vez de mim mesma – Nossa, Taeyeon, eu estou acabada. Eu fiz uma suposição. Sunny me disse que não tinha ouvido mais nada de Tiffany, e assim, cheguei nessa conclusão. Você havia desaparecido por alguns tempos, então, My Voice, quero dizer, as letras são tão cheias de dor e raiva e traição de ter sido deixada para trás.

- É – eu disse.

Então Jessica olhou para mim. E pude ver que ela entendia tudo, sem eu ter de dizer uma palavra. Não precisava explicar, e isso parecia meu maior alívio. – Ah, Taeyeon. Isso ainda é pior de certo modo, não é?

Quando Jessica disse isso, proferindo tudo em voz alta tudo aquilo que eu às vezes sentia, me apaixonei um pouco por ela. E pensei que fosse o suficiente. Que essa compreensão implícita e aquela primeira empolgação iriam florescer até meus sentimentos por Jessica me consumissem tanto quanto meu amor por Tiffany um dia. No final daquele dia eu beijei Jessica e também fui para sua casa. E durante toda aquela primavera eu a visitei em Vancouver, então em Chicago, depois para Budapeste. Quando fomos para Coréia, ela sugeriu que eu me mudasse para a casa dela que ela tinha no país ou para sua casa em Hollywood Hills – na qual tem uma casa de hóspedes nos fundos que eu nunca uso podíamos transformá-la em seu estúdio – ela disse.

A ideia de sair da Coréia, longe da empresa, por toda aquela história, um novo começo, uma casa cheia de janelas e luz, um futuro com Jessica, parecia tão certa naquela época.

Então foi assim que nos tornamos um casal de celebridades. Agora tenho uma foto tirada com Jessica enquanto fazemos coisas comuns, como ir a um café ou caminhar em um parque.

Eu deveria estar feliz. Deveria ser grata. Mas o problema é que não consigo me afastar da sensação de que minha fama não se baseia em mim. My Voice foi escrito com o sangue de Tiffany em minhas mãos. E, quando me tornei realmente famosa, foi por estar com Jessica, então tinha mais a ver com a pessoa com quem eu estava do que com a música que eu fazia.

E a garota. Ela é ótima. Qualquer pessoa mataria para estar com ela, teria orgulho de pegá-la.

Só que, mesmo no começo, quando estávamos naquela fase que nunca tínhamos o bastante uma da outra, havia uma parede invisível entre nós. Inicialmente eu tentei demoli-la, mas era preciso tanto esforço até para criar rachaduras. Daí me cansei de tentar. Então me justifiquei. É assim que os relacionamentos adultos são, como fica o amor depois de umas cicatrizes de guerra.

Talvez fosse por isso que eu não conseguia aproveitar o que tínhamos. Por isso que, no meio da noite, quando não consigo dormir, eu saio para ouvir as ondas de filtro da piscina e para tentar compreender essa obsessão de Jessica que me deixa louca. Mesmo quando faço isso, tenho consciência de que é café pequeno - a forma como ela dorme com o iPhone ao lado do travesseiro, como malha por horas todo dia e anota tudo que come. E sei também que há muitas coisas boas para contrabalançar entre as más. Ela é generosa como um novo-rico e leal como um pitbull.

Sei que não sou fácil de conviver. Jessica me diz que sou reclusa, evasiva, fria. Ela me acusa – dependendo do seu ânimo – de ter ciúmes da carreira dela, de estar com ela por acidente. Não é verdade. Eu não toquei em nenhuma fã desde que estamos juntas; eu não quis.

Sempre digo a ela que parte do problema é que dificilmente estamos no mesmo lugar. Se eu não estou gravando, ou em turnê, então Jessica está numa locação ou numa de suas infinitas viagens promocionais. O que não conto para ela é que não consigo nos imaginar juntas ao mesmo tempo. Porque não é que quando estamos no mesmo quarto tudo seja ótimo.

Às vezes, depois que Jessica toma algumas taças de vinha, ela alega que Tiffany está entre nós. – Por que não volta para seu fantasma? – ela diz. – Estou cansada de competir com ela.

- Ninguém pode competir com você, meu amor – eu digo, beijando-a na testa. E não estou mentindo. Ninguém pode competir com Jessica. Então digo que ela não é Tiffany, não é nenhuma outra garota. Jessica e eu vivemos numa bolha, rodeadas por holofotes, uma panela de pressão. Seria difícil para qualquer casal.

 

 

 

 

Mas nós duas sabemos que estou mentindo. E a verdade é que não há como evitar o fantasma de Tiffany. Jessica e eu nem estaríamos juntas se não fosse por ela. Por meio de um destino tortuoso, Tiffany também é parte de nossa história, e estamos entre os cacos de seu legado.

 

 

 

Já ouviu aquela história do cachorro que passa a vida perseguindo carros e, finalmente, quando consegue alcançar um, não sabe o que fazer?

Sou esse cachorro.

Porque aqui estou, de frente a este fantasma.

Sozinha com Tiffany Hwang, algo que fantasiei por anos, e é tipo: e agora?

 

 

Estamos numa lanchonete, de frente de uma para outra. Falando sobre estacionamentos. É, provavelmente não é uma conversa comum e apropriada para a situação. Oras, por acaso você gostaria de um “Oi, quanto tempo. Como você está depois de ter sumido da minha vida?”.

Tiffany não para de tagarelar. E mais uma vez eu penso: Estamos mesmo conversando sobre estacionamentos? Quando nenhum de nós, até onde eu sei, está de carro. Sou atingida novamente, como não sei mais nada sobre ela, nem o menor detalhe.

O atendente nos leva até uma mesa e Tiffany de repente faz um careta – Eu nunca deveria ter te trazido aqui. Você provavelmente não come mais em lugares como esse.

Ela está certa. Não porque eu preferia lugares escuros, exclusivos e caros demais, mas porque são nesses que me levam e é nesses que geralmente me deixam em paz. Mas este lugar está cheio de velhos grisalhos e taxistas, ninguém que me reconheceria. – Não aqui está bom.

Sentamo-nos próximo a janela de frente ao estacionamento que Tiffany havia elogiado. Logo, um senhor não tão alto nos entrega um cardápio e sorri gentilmente para mim. – Finalmente trouxe sua namorada para nós conhecermos!

Tiffany fica vermelha e, mesmo que haja algo ofensivo no fato de ela ficar tão envergonhada por ser considerada minha namorada, há algo reconfortante em vê-la corar. Essa garota é bem mais parecida com aquela que eu conheci o tipo que nunca teria conversas abafadas em celulares.

- E-ela não é minha namorada. É uma velha amiga. – Tiffany diz.

Velha amiga?! Isso é um rebaixamento ou promoção?!

- Velha amiga, hein?! Você nunca veio aqui com ninguém. Uma menina bonita e talentosa como você. Herin! – ele berra – Venha cá. A maestrina trouxe uma colega!

O rosto de Tiffany fica roxo. Quando levanta o olhar, ela balbucia: - A esposa.

Saindo da cozinha, cambaleia o equivalente feminino do senhor. Uma mulher baixa de cabelos curtos e com maquiagem em seu rosto. Ela esfrega as mãos no avental e sorri para Tiffany – EU sabia! – ela exclama – Sabia que estava escondendo um namorado ou uma namorada. Uma menina bonita como você. Agora entendi por que não quer namorar o Nichkhun.

Tiffany faz um bico e levanta a sobrancelha para mim. Ela dá para Herin um falso sorriso. Me pegou.

- Venha agora às deixe aí. – o homem diz – o mesmo de sempre Maestrina?

Tiffany faz que sim.

- E a sua namorada?

Tiffany de fato faz uma careta, e o silencio na mesa se estende – Quero um hambúrguer, fritas e cerveja.

- Maravilha – ele diz – Sua garota é muito magrinha. Assim como você.

- Vocês nunca terão filhos saudáveis se não colocar carne nesses ossos – Herin acrescenta.

 Tiffany esconde o rosto com as mãos, como se estivesse desejando sumir. – Deus, isso foi bem... Desconfortante. Claro que eles não reconheceram você.

- Eles não parecem muito fãs de música atual, ainda mais de uma cantora rebelde. – brinco.

Logo após isso, um silêncio desconfortável tomou conta. Até que decido puxar assunto.

- Faz muito tempo que você se formou?

- Não, exatamente. Na verdade, faz nem dois anos.

- Uau e isso foi o suficiente para você conquistar as coisas tão rápido?  - pergunto surpresa.

- Sim, eu acho. Eles diziam que eu era talentosa demais e isso fez com que as oportunidades aparecessem rápido demais.

E assim o assunto seguiu. Até nossos pedidos chegarem. Eu estava sem fome, até sentir o cheiro do Cheeseburguer que me aguardava, fazendo com o que meu estômago roncasse.

- Comam tudinho – diz Herin com um tom doce.

E com isso, mais uma vez o silêncio se instalou ali dando espaço apenas para o som dos garfos entrando em contato com o duro prato.

- Hm... Como está sendo? Digo como está a vida de celebridade? – Tiffany pergunta.

- Difícil. Pelo incrível que pareça.

Estaria melhor se você não tivesse me abandonado.

E logo um assunto complemente incomum acontece. Estamos falando sobre minha entediante rotina e sobre a carreira de Tiffany no mundo da moda.

E com isso, passamos a entrar em assuntos

Sensíveis

Para nós

Mesmo sem perceber.

 

- Ah sim, meus irmãos estão bem. Seohyun está cursando medicina, mesmo contraditório não? E Minho conseguiu se tornar um jogador profissional – Tiffany diz animada ao falar sobre seus irmãos.

Isso me faz lembrar que também que fui dispensada do meu lugar na família Hwang e sinto um gosto amargo em minha boca.

- Tirei uma foto no verão passado, está um pouco velha, mas dá pra ter ideia de como todo mundo está.

- Ah, tudo bem. – digo.

Mas Tiffany já está revirando sua bolsa. – Você não acredita como Yoona não mudou nadinha – ri – onde está minha carteira? – Ela deixa sua bolsa sobre a mesa.

- Não quero ver suas fotos! – Minha voz é afiada como uma faca, alta como uma reprimenda de pai.

Tiffany para de revirar sua bolsa – Ah, tá – Ela parece desconcertada como se tivesse levado um tapa. Fecha o zíper da bolsa e a coloca de volta no banco, e, nesse movimento derruba minha garrafa de cerveja. Começa freneticamente a pegar um guardanapo para limpar, como se tivesse ácido de bateria vazando na mesa – Droga! – ela diz.

- Não tem importância.

- Tem sim. Fiz uma bagunça danada – Tiffany diz, sem ar.

- Você enxugou a maior parte. Apenas chame seu amigo e ele limpa o resto.

Ela continua a limpar feito louca, até ter esvaziado o porta-guardanapos e acabar com todo papel seco do lugar. Faz uma bola com guardanapos molhados e acho que está prestes a limpar a mesa com os próprios braços. Fico observando tudo, levemente perplexa. Até que acaba o combustível de Tiffany. Ela para, abaixa a cabeça. Então levanta os olhos. – Me desculpe.

Sei que o certo seria dizer que tudo está bem, que não tem nada de mais, nem caiu cerveja em mim. Mas de repente não sei se ela está falando da cerveja, e, se não estamos falando da cerveja, se Tiffany está se desculpando por uma outra coisa...

Desculpar pelo o que, Tiffany?

Mesmo que eu conseguisse perguntar isso – o que eu não consigo -, ela passa suas mãos por seu rosto e salta do banco e correndo para o banheiro para limpar a cerveja dela mesma.

Ela se foi há um tempo, enquanto fico tentando entender a ambiguidade que ela deixou em mim. Porque imaginei muitas coisas nos últimos anos. A maioria delas, versões de algum tipo de Grande Engano, um mal-entendido enorme, e muitas das minhas fantasias envolvem as formas que Tiffany me pede perdão. Desculpas por retribuir meu amor com crueldade do seu silêncio. Por agir como se três anos da vida – aqueles três anos da nossa vida- não significassem nada.

 

 

 

 

 

 

Mas eu sempre paro de fantasiar as desculpas dela por ter ido embora. Mesmo que ela não saiba, só fez o que eu disse a ela que poderia fazer.

 

 

 

 

 

 

 


Notas Finais


AOG já está acabando :(


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