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História After. Paulicia - Capítulo 46


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Capítulo 46 - Seja lá o que nós somos


Quando Paulo enfim encerra nosso beijo, se senta na cama e eu me junto a ele. Ficamos em silêncio e começo a ficar apreensiva, como se soubesse que deveria que comportar de outra maneira agora que somos... algo mais, só não tenho ideia do que fazer. 

“O que vc planejou para hoje?”, ele pergunta. 

“Nada, só vou ficar estudando”, respondo. 

“Legal”, ele estala a língua no céu da boca. Paulo parece apreensivo também e fico feliz que não seja só eu. 

“Vem cá”, ele me chama, abrindo os braços. 

Assim que sento em seu colo, a porta de abre. Marce, Mario e Jaime entram no quarto e fica nos encarando enquanto saio de cima de Paulo e me sento ao seu lado na cama. 

“Então vcs estão trepando mesmo?”, Jaime pergunta sem expressar nenhuma surpresa. 

“Não! Nada disso”, grito. Não sei o que dizer para eles, então fico à espera de que Paulo se manifesta. Ele fica em silêncio, e Mário e Jaime começam a falar da festa de ontem à noite. 

“Pelo visto não perdi muita coisa”, Paulo diz e Jaime da de ombros. 

“Não mesmo, mas só até Majô fazer striptease. Ela ficou peladinha, vc precisava estar lá para ver”, responde Jaime. Faço uma careta e olho para Marce que está encarando Mário, provavelmente torcendo pra que ele não faça nenhum comentário a respeito. 

Paulo da um sorriso. “Não é nada que eu já não tenha visto antes”. 

Solto um ruído estranho e, tento esconder como se fosse um acesso terrível de tosse. Não acredito que ele disse isso. A expressão dele muda quando percebe o que acabou de fazer. Talvez não tenha sido uma boa ideia. Já estava tudo meio esquisito, com a chegada do pessoal piorou. Por que ele não contou pra eles que estamos namorando? Aliás, nós estamos namorando? Não sei. Acho que sim, depois daquela declaração, mas não conversamos sobre isso. Será que precisamos? Essa indefinição está me enlouquecendo. Durante todo o tempo que estive com Jorge, nunca precisei questionar o que ele sente por mim. Nunca tive que lidar com antigas amizades coloridas - sou a única menina que ele beijou na vida, e acho isso ótimo. Queria que Paulo nunca tivesse feito nada com ninguém, ou que pelo menos fosse com menos gente. 

“A gente vai jogar boliche depois que eu me trocar. Quer vir com a gente?”, Marce pergunta e faço que não com a cabeça. 

“Preciso estudar. Não fiz nada esse fim de semana”, respondo e desvio o olhar quando as lembranças do fim de semana invadem meus pensamentos. 

“Vamos lá, vai ser divertido”, Paulo chama e balanço a cabeça negativamente. Não posso mesmo ir, e eu meio que, esperava que ele fosse ficar comigo. Marce entra no armário e volta alguns minutos depois vestindo outra roupa. 

“Estou pronta. Tem certeza de que não quer vir?”, ela pergunta. 

Balanço a cabeça. “Tenho”. 

Eles se levantam para sair, e Paulo se despede de mim com um aceno de mão antes de sair do quarto. Fico decepcionada com seu gesto de despedida e espero que ele tenha combinado de ir jogar boliche antes do nosso fim de semana juntos - e de todo o drama. Mas o que eu esperava? Que ele viesse me dar um beijo e dizendo que vai sentir saudades? É uma ideia risível. Não sei se alguma coisa vai mudar entre nós, além do fato de não tentarmos mais evitar a presença um do outro. Estou acostumada com meu esquema com o Jorge, mas não sei como vai ser com Paulo, e detesto o fato de não estar no controle da situação. 

Depois de uma hora de estudo e de uma tentativa de tirar um cochilo, pego meu celular para mandar uma mensagem para Paulo. Espera aí, eu não tenho o número do Paulo. Não tinha me dado conta disso - nunca conversamos por ligação ou por mensagem. Não precisávamos disso, não queríamos a companhia um com o outro. Isso vai ser mais difícil do que eu imaginava. 

Ligo para a minha mãe já que não tenho nada para fazer, mas principalmente pra saber se Jorge já contou para ela. O caminho daqui até lá é de aproximadamente 2 horas, mas isso não impede que ele tenha ligado para ela, quando o assunto é me dedurar o Jorge é bem rápido. Ela me atende no segundo toque só com um “alô”, e então percebo que ela não sabe de nada. Conto para ela sobre a minha fracassada tentativa de comprar um carro e o possível estágio. Sem mencionar Paulo, é óbvio. A tela do meu telefone se ilumina no meio da ligação, a coloco no viva voz e leio a mensagem. 

Devia ter vindo com a gente. Comigo.  Meu coração dispara. É Paulo. 

Fingindo que estou ouvindo o que minha mãe diz, solto alguns murmúrios de concordância. 

Vc que devia ter ficado. Fico olhando para a tela à espera da resposta. 

To indo buscar vc, ele responde depois do que para mim parece uma eternidade. 

Que? Não, não quero jogar boliche, e vc já está aí. Agora fica ai. 

Ja sai. Se arruma. Ele é mandão mesmo por mensagem de texto. 

Minha mãe ainda está falando e eu não tenho nem ideia de qual seja o assunto. Parei de ouvir quando chegou a mensagem do Paulo. “Mãe, ligo pra vc mais tarde”, digo a ela. 

“Por que?”, ela pergunta, surpresa e irritada. 

“É... hã... é que eu derramei café no meu material, preciso desligar”. 

Vou correndo até o armário tiro o pijama de Paulo, e visto minha calça jeans e uma blusinha roxa. Dou uma penteada nos cabelos, que não estão tão ruins, considerando que não tomo banho desde ontem. Olho para o relógio e vou até o banheiro escovar os dentes e quando volto Paulo está sentado na minha cama. 

“Onde vc estava?”, ele pergunta. 

“Escovando os dentes”, respondo, guardando minha necessarie. 

“Está pronta?”, Paulo se levanta, e vem andando até mim. Eu meio que fico esperando um abraço que acaba não vindo. Ele só vai até a porta. Balanço a cabeça pego o celular e a bolsa. Quando entramos no carro, ele liga o rádio, mas baixinho. Realmente não quero jogar boliche. Detesto boliche, e quero passar um tempinho com ele. Não estou gostando nada da dependência que eu sinto em relação a Paulo. 

“Quanto tempo vc acha que vamos ficar lá?”, pergunto depois de um tempo de silêncio. 

“Eu não sei... por que?”, ele me olha de lado. 

“Sei lá... não gosto de boliche”. 

“Vai ser divertido. Está todo mundo lá”, ele garante. Espero que esse todo mundo não inclua Majô, sua transa nas horas vagas. 

“Então tá”, resmungo, olhando para a janela. 

“Vc não quer ir?”, seu tom de voz é baixo e contido. 

“Na verdade não. Foi por isso que eu recusei o convite da primeira vez”, dou uma risadinha sem graça. 

“Vamos para outro lugar então?”

“Para onde?” Estou irritada com ele mas não sei direito por quê. 

“Para casa”, ele sugere, e sorrio e balanço a cabeça. O sorriso dele escancara revelando as covinhas de que tanto gosto. “Está decidido então”, ele estende o braço e coloca a mão na minha coxa. Minha pele se acende toda, e coloco minha mão sobre a dele. 

Quinze minutos depois estamos estacionados em frente à república. Não venho aqui desde que Paulo e eu brigamos e eu tive que ir embora a pé. Ele me leva para o andar de cima e os outros cara nem reparam na nossa presença - deve estar acostumado com Paulo chegando cada dia com uma menina diferente. Meu estômago revira só de pensar nisso. Preciso parar, caso contrário vou acabar enlouquecendo e não há nada que possa fazer para mudar o passado.  

“Aqui estamos nós”, Paulo diz enquanto destranca a porta. Ele acende a luz quando entramos, tira as botas, sobe na cama e da um tapinha no colchão. Enquanto caminho em sua direção a curiosidade fala mais alto. “Majô estava lá? No boliche?”, pergunto olhando para a janela. 

“Claro que estava”, ele responde com a maior naturalidade. “Por que?” 

Eu me sento em sua cama macia e Paulo me puxa para junto dele pelos tornozelos. Dou uma risadinha e chego mais perto, pondo os pés ao lado de seu corpo. 

“Só pra saber...” digo e ele sorri. 

“Ela sempre está com a gente, faz parte do grupo”. 

Sei que é bobagem ter ciúmes, mas Majô me incomoda. Age como se gostasse de mim, e sei que não é verdade. Além disso, é louquinha por Paulo. Agora que somos... seja lá o que nós somos, não quero que Majô fique perto dele. 

“Vc não acha que eu quero trepar com ela né?” 

Dou um tapa em seu braço por causa do linguajar. Adoro ouvir as palavras obscenas de sua boca, mas não quando o assunto é ela. 

“Não. Bom, quer dizer... talvez. Sei que vc já fez isso antes e não quero que aconteça de novo”, digo. Como sei que ele vai tirar sarro do meu ciumes, viro a cabeça para o lado. Ele põe a mão no meu joelho e da um apertão de leve. “Não vou fazer isso... não mais. Não precisa se preocupar com ela, tá?” Suas palavras são gentis e suaves, e eu acredito em sua sinceridade. 

“Por que não contou pra ninguém sobre nós?” Sei que o melhor que eu posso fazer é calar a boca, mas isso está me incomodando. 

“Não sei... não sabia direito o que vc queria que eu fizesse. Além disso, o que somos ou deixamos de ser, não é problema deles”, ele responde. Uma resposta bem melhor do que a que tava martelando na minha cabeça. 

“Acho que vc tem razão, achei que vc tava com vergonha ou coisa do tipo...” comento e ele da risada. 

“Por que eu teria vergonha? Olha só pra vc”. Sua expressão fica mais séria e ele passa a mão na minha barriga. Seus dedos levantam minha camisa e Paulo faz movimentos circulares pela minha pele nua. Fico toda arrepiada, e ele sorri. 

“Adoro a maneira como seu corpo reage a mim”, Paulo sussurra. Já sei o que vai acontecer agora e mal posso esperar pra isso.



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