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História After the dreams - Capítulo 48


Escrita por: onlyperina

Notas do Autor


Olaaaa! Voltei!!
Fotinha de SantoCek para ilustrar o capítulo que está fofinho demais!
Boa leitura!

Capítulo 48 - Here comes the sun


Fanfic / Fanfiction After the dreams - Capítulo 48 - Here comes the sun

Pov Pedro 


Estava de pé às 7. Não era só eu. Despertei com um barulho vindo da pequena sacada que ficava do lado do meu quarto. Levantei cuidadosamente para não acordar o casal que dormia de conchinha e caminhei devagar até o local.  João estava sentado em uma poltrona olhando para o nada. 

— Foi mal. — Ele disse assim que me sentei do lado dele em silêncio. 

— Tá tranquilo, eu já ia acordar mesmo. — Bati os ombros. — Eu acho que nem dormi de verdade. 

— Eu também não. 

— A Ana atrapalhou vocês? Eu falei com a Bianca, cara! Vocês não precisavam! A Bi está grávida e… — João me interrompeu. 

— Tá maluco? Ana Luz não atrapalhou em nada! Você esqueceu que além de padrinho dela, eu sou seu melhor amigo? — João disse rispidamente. Deixei uma lágrima escorrer, sem graça. — Para de falar merda, pô! A gente sempre se ajudou, não seria agora que seria diferente. Eu fiquei a noite inteira olhando pra sua filha. Ela não acordou em nenhum momento. Eu fiquei observando a Ana a todo tempo, Pedro! 

— Precisou de babador? — Falei para descontrair, arrancando risadas do meu amigo. 

— Você é um idiota! Eu olhava pra Luz e pensava na Karina. Na nossa Karina. Esse pedaço de gente parece tanto com ela que chega ser absurdo! A Ka tem que sair dessa logo, ela não pode nos deixar assim, sabe? — João parecia mais desesperado que eu. Abri a boca algumas vezes tentando falar algo como consolo. Mas não saía nada. — Ela é muito foda, cara! Com todo respeito, eu amo muito a Karina. 


Desde que me entendo por gente, João sempre foi o meu melhor amigo, quando a Karina entrou no meio da nossa amizade, ele tinha medo que ela estragasse tudo, mas eu acho que só melhorou. Com o casamento de Dandara e Gael, João passou a conviver com a Karina mais do que eu e eles formaram uma amizade tão linda que eu até tinha um pouco de inveja. João entendia Karina. Entendia todos os seus traumas e medos, afinal, passaram por coisas parecidas. 

Foi João que encorajou a Karina a ir na sua primeira sessão de terapia e foi ele também que a salvou de algumas das tentativas de suicídio. Era João que cuidava dela, quando eu tinha que viajar em turnê. João era nosso melhor amigo, meu e dela. Ele a amava como irmã, eles eram irmãos, amigos, cunhados e compadres. 

O sentimento dele era verdadeiro. Ninguém suportaria perder a Karina assim, depois de tudo que quem mais amava passou ao lado dela.

— Ela também ama o "nerd esquisito" de estimação. — Disse imitando a voz de Karina, fazendo João sorrir. 

— Com certeza, cara! Ka e eu somos a melhor dupla no FIFA. Não teria como ela NÃO me amar! — Ele diz se gabando, já que eu era horrível em jogos iguais ao FIFA.

— Tá se achando muito, né mané? — cruzei os braços. — Assim vamos ter que excluir a Ka do nosso relacionamento, pô! 

— Exclui você e deixa eu e a Karina! — João debocha. 


Ficamos assim, discutindo e "disputando" a esquentadinha por minutos. João me fazia bem, me fazia esquecer de todos os problemas. Ele era um amigão! Logo, os outros integrantes da casa começaram a acordar e nós fomos ajudar com o café.  Todos estavam tensos e preocupados, por conta de Karina, mas o pior, com certeza já tinha passado.

— Tio Pedro, tio João , eu desenhei muitas coisas no braço do Mi! Olhem só! — Luna disse assim que eu e João adentramos a copa arejada da casa no litoral.

— Top, Lulu! — Depositei um beijo em sua bochecha e fiz o mesmo com o Miguel. Era aliviante vê-los tão bem, nem pareciam as mesmas crianças do dia passado. — Bom dia, amigão! 

— Ficou show, Luninha! Escreve aí: "João, melhor irmão do mundo!" — João disse debochando.

— Mas tio, eu ainda não sei…

— Ele está de deboche, Luna! Anda logo, desenha a Karina, nós temos que mostrar pra ela! — Miguel diz apressado, me fazendo rir. 

— Ela vai ficar muito feliz! 


Tudo voltava ao normal. Menos eu. Minha mente ainda estava no ontem. Nela. Eu tinha certeza absoluta que todos sentiam, igual eu. Poderiam ter voltado para o Rio, mas estavam aqui, comigo, com Ana e com Karina. A vida precisava continuar, por isso talvez não demonstrassem tanto igual a mim. Gael estava calado e em alguns momentos durante o café, deixou cair algumas lágrimas. As mulheres não, estavam firmes e solidárias à minha pequenina que chamava a todo instante por Karina. Tia Dandara deu banho, minha mãe penteou o cabelinho, Tomtom deu mamadeira e agora ela estava com Jade no quintal brincando um pouco no parquinho. 

— Filho, nós estamos indo para o hospital agora. Você quer carona? — Meu pai perguntou. 

— Eu vou na praia com a Luz, pra ela poder se distrair um pouco, obrigado! — Sorri simpaticamente. 

Ir para o hospital e ficar lá não iria adiantar nada. Ana é um bebê e a esquentadinha odiaria se a visse o tempo inteiro em um hospital. Agradeci Jade por ter passado um tempinho com Ana Luz e saí em direção à praia mais próxima. 

— Hoje você vai poder receber um beijinho da sua mãe, filha! — Digo esperançoso. — Eu também estou com saudade do beijo dela. 


A praia estava vazia. O frio de agosto afastava moradores e turistas. Tinha umas pessoas fazendo caminhada, apenas. Sentei na orla e fiquei pensando por uns instantes. Ana amava praia, olhava tudo atentamente e dava gargalhadas das ondinhas que subiam e desciam. Esquentadinha e eu levávamos ela sempre que podíamos, brincávamos que ela era a nossa "garotinha de Ipanema", que era o bairro onde morávamos. Depois, caminhei um pouco pelo calçadão e no caminho, um palhaço nos parou, oferecendo um balão roxo em formato de flor. Ana Luz adorou! Pendurei no carrinho e continuei o trajeto.  

— Bom dia, me vê uma água de coco, por favor! — Disse me sentando e estacionando o carrinho de Ana. — Você está linda, minha princesinha! — Falei tirando uma foto de Luz. Tia Dandara havia colocado um vestidinho lilás com um lacinho da mesma cor nela. Combinava com o balão que havia ganhado do palhaço. 

Com a repercussão do post da Vicki avisando o sumiço de Karina, havia milhões de mensagens não respondidas, fãs querendo notícias, repórteres e imprensas me pedindo entrevistas… Não era o momento ainda. Mas, não podia deixar as pessoas preocupadas. Entrei no Instagram da banda e vi que a Vicki já tinha informado sobre o aparecimento da esquentadinha, mas todos esperavam um pronunciamento meu. Voltei para o meu Instagram e com a foto da Ana Luz, resolvi me comunicar. 

"A Ka está bem. Little Darling, Luna e Miguel também. Momentos difíceis sempre virão, mas não podemos deixá-los tomar conta de tudo! Obrigado a todos que compartilharam e oraram pela minha vida, que é a vida delas. Sem esse sorriso lindo que vocês estão vendo na foto, eu não sou nada! Logo, estarei vendo o meu sorrisinho de lado também. 

Continuem orando por nós, vamos precisar muito! Por enquanto, sigo aqui, com o nosso serzinho que vem me dando todo amor e suporte do mundo. 

Karina vai ficar muito feliz com as inúmeras mensagens de carinho que está recebendo. Saber que vocês amam a minha família é gratificante demais. Muito obrigado por sempre fazerem tudo, espero um dia poder retribuir de pertinho esse carinho a vocês! 

Little Darling está me chamando, por isso, tenho que parar de escrever, a vozinha dela me deixa bobo! Beijos." 

— Vamos ver a mamãe, princesa? — Digo me levantando e pagando o funcionário do quiosque. 


O hospital não ficava tão longe dali. Cantarolava baixinho "here comes the sun" para Ana. Ela sempre amou essa música e é daí que vem nosso apelido "little darling". Essa música nunca  fez tanto sentido como agora. 


"Queridinha

Tem sido um inverno longo, frio e solitário

Parece que faz anos desde que ele esteve aqui

Lá vem o Sol

E eu digo

Está tudo bem"


Estava tudo ficando bem. Meu pai, Tomtom e Tiago, que foram para lá mais cedo, me avisaram que Karina já havia descido para o quarto de enfermaria. Ela estava fora de perigo! 

— Até de tarde ela acorda, Pê! O médico nos prometeu! — Tomtom disse me abraçando. — A sua mamãe vai acordar, Luzinha! 

As horas foram passando e João, Bianca, tia Dandara e Gael chegaram. As conversas já não eram tão enlutadas,  agora eram de esperança.

— Eu comprei isso aqui pra Ka, será que ela vai gostar? Queria agradecê-la por ter protegido a minha luninha tão bem— Jade conversava comigo me mostrando um pijama que comprou para a esquentadinha. Era estilo moletom e todo preto.

— Claro, ela vai amar! Vai ficar lindo nela— Sorri simpaticamente para Jade, que logo se virou para Bianca e as duas tagarelava sem parar.

Sentia as minhas mãos suarem e Ana Luz já não estava mais em meu colo de tanto que eu tremia as pernas. Já não tinha mais unhas para roer, nem cabelo para bagunçar, acho que o próprio já estava cansado de ser levado para longe do rosto. Minha barriga estava quase congelando de tanto frio e meu coração parecia uma escola de samba inteirinha. Era ansiedade e vontade de vê-la novamente. Decidi ir até o corredor vizinho para buscar um copo d'água, quando voltei, vi a cena que eu esperava desde ontem. O médico vinha em direção a pequena reunião formada pelos meus familiares e logo, todos se aprontaram de pé. 

— E aí, doutor? Ela acordou? — Gael perguntou depressa. 

— Como está a Karina? — João completou ansioso. 

— Bom, eu nem sei como falar isso para vocês… — O médico disse coçando a nuca, nessa hora, meu coração errou as batidas e o choro de Bianca soava alto. — Ela… Ela é um milagre! A Karina acordou e está extremamente bem! Ela está consciente e respondendo tudo, ela é um milagre! — Completou com entusiasmo. Todos pulavam e se abraçavam como  se estivéssemos vendo a Karina ganhar mais um campeonato. 

— Eu já posso ir visitar ela? — Pergunto. 

— Claro, eu vim aqui te chamar para isso, Pedro Ramos. Vamos!

Acompanhei o médico por todo o corredor e, enfim, estava no quarto ocupado por Karina.

 — Karina, esse rapaz aqui não saiu um segundo do seu lado, tive que expulsá-lo daqui ontem! — Ele disse chamando a atenção da Ka para nós dois. 

— Achou que eu ia te deixar sozinho, né? — ela gargalhou. — Vem me dar um beijo!

 Eu estava em choque. Não conseguia parar de chorar. a Karina estava bem. Eu pensei que ela ia acordar cheia de traumas e todo o mal de anos atrás voltaria.  Mas ela estava bem. Caminhei até a sua cama depositando um beijo em sua testa e um em sua boca. 

— Pê, eu tô viva! Eu estou aqui! Para de chorar, amor. — Karina falava calmamente, limpando as minhas lágrimas. 

— Você é tão incrível, eu te amo, minha lutadora, você é incrível! — disse beijando todo o seu rosto. 

— Eu voltei por você. — Sorrimos juntos. — Eu te amo. — Ela sussurrou. 

— Eu tive tanto medo, Ka… Todo mundo teve, está todo mundo lá fora te esperando! — Falava emocionado. Karina também chorava. 

— E o Lobão? Ele foi… — Karina temia pelo que estava por vir. Era visível nos olhos dela. 

— Ele está morto, meu amor! O pesadelo acabou! Finalmente acabou! — Disse a abraçando enquanto ela desabava em lágrimas. 

Depois de anos, todos nós poderíamos viver sem medo. Mesmo preso, Lobão sempre fora uma assombração na vida de Gael e principalmente de Karina. 

— Podemos entrar? — Gael bateu na porta a empurrando. 

— Tem uma bonequinha que quer ver a mamãe! — tia Dandara disse entrando com a nossa pequena em seu colo. Atrás dela, vinham todos que estavam na sala de espera. 

— Meu serzinho! — Karina exclamou quando Dandara colocou Ana Luz em seu colo. Nossa bebê não largava o balão que o palhaço tinha lhe dado. 

— Ela não parou um segundo de te chamar! — Tomtom disse depositando um beijo na cabeça de Karina. 

— Mamãe! — Little Darling repetia a palavrinha em meio a gargalhadas. 

— Ela me chamou de mamãe! — Karina falava com a voz chorosa. Não era pra menos. Todos no quarto estavam do mesmo jeito. — Eu voltei para isso, minha vida! Voltei pra ser a sua mãe! — Ana Luz se acolheu no colo de Karina. 

— Eu nunca tinha visto a Ana Luz tão tristinha sem você, irmã. Ela parecia outra criança. Nós não saberíamos o que faríamos se você partisse. Nem ela, nem ninguém aqui suportaria viver sem você. — Bianca disse chegando mais perto. 

— Vocês acreditam que quando eu estava grávida e ainda não sabia, eu sonhei com a minha mãe me dando um vasinho de violetas e hoje, eu sonhei com ela dizendo que Pedro e eu estamos cuidando muito bem da violetinha dela. — Ka riu. — Acordar e ver a Ana vestida de roxo e com um balão de flores roxas quer dizer muito para mim! 

— Foi um palhaço aleatório que ofereceu esse balão pra ela e ela adorou! — ri. 

— Que lindo, minha princesa! Eu acho que ela fica tão bem com essa cor que resolvi colocar… 

Ficamos por horas conversando sobre o sonho da esquentadinha e era emocionante demais tudo que estávamos vivenciando. Ana não queria desgrudar de Karina e nem Karina dela, tanto que a pequenina chegou até cochilar. Dandara, Gael, mamãe e meu pai se despediram e foram para casa, pois teriam que trocar com Cobra, que ficou com as crianças na casa. Ficando só Joanca, Tomtom, Thiago e Jade. 

— Karina, falando sério agora. Nunca mais brinca de morrer, tá? Eu estou desidratado de tanto chorar. — João disse. 

— Vaso ruim não quebra, João! — Karina riu.

— Não, Ka. Vaso precioso é que demora pra quebrar. A Lulu não para de falar de você, de como você cuidou dela mesmo com medo. — Jade se aproximou. — Você salvou a minha filha e eu vou ser sempre grata a ti por isso, a Luna já era sua fã, agora virou obcecada por você! E não é por menos, eu também virei. Obrigada pela coragem e por ter protegido um pedacinho de mim, cunhadinha. 

— A Lu é minha sobrinha, Jade. Eu não fiz nada demais! — Karina sorriu. — Ainda bem que eles estão bem, eu estou aqui, começando a sentir dor, mas saber que os três estão bem, passa tudo. 

— A gente te ama horrores, você sabe disso! — Tomtom disse. 


Tudo estava bem. Com certeza, enfrentaremos uma nova fase, talvez seria difícil, mas tê-la aqui é o mais importante de tudo. 

Lá vem o sol



Notas Finais


O que acharam? Ainda bem que está tudo bem com a nossa Karininha né!?🥺💖


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