História After The Storm - Capítulo 8


Escrita por: e Uchiha_Sophia

Postado
Categorias Miraculous: Tales of Ladybug & Cat Noir (Miraculous Ladybug)
Personagens Adrien Agreste (Cat Noir), Alya, André Bourgeois, Chloé Bourgeois, Félix, Gabriel Agreste, Marinette Dupain-Cheng (Ladybug), Nathanaël, Nino, Plagg, Sabine Cheng, Tikki, Tom Dupain
Tags Adrinette, Ladynoir, Marichat
Visualizações 181
Palavras 12.342
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Hentai, Romance e Novela, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Estupro, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 8 - Epílogo


- Louise. - O loiro chamou a atenção da morena. - Sempre que colocar a comida de minha esposa coloque um pouco disso. - Falou entregando uma caixinha com um pó vermelho. - É a vitamina dela… Só para Marinette, certo?

- Sim senhor. - Falou pegando a caixinha.

O que continha naquela caixinha era um(a) veneno/droga - que não mataria Marinette - mais a deixaria muito fraca. Ele não queria que Marinette - queria fazê-la sofrer, queria que ela chorasse lágrimas de sangue - ele queria que a dor de Marinette fosse tanta que ela implorasse - para que ele cessasse com a sua vida - ele havia encontrado uma feiticeira que ensinou-lhe a preparar um tônico de ervas que faria com que Marinette - ficasse fora de suas faculdades mentais - e deu-lhe um veneno que não a mataria - que faria ela ter alucinações, dores muito fortes em sua cabeça e a deixaria muito fraca. - para matá-la com este veneno teria que aumentar a dose e o veneno ia a corroer por dentro aos poucos - com a dosagem maior ela estaria morta em um ano. - Mais a feiticeira, Tikki, era uma mulher inteligente e via o que os outros não viam ela tinha o dom de ver o passado, o presente eo futuro - ela sabia que quando Adrien soubesse quem Marinette realmente era, ele iria se arrepender e sabia que muito provavelmente ela não o perdoaria - ela deu a Adrien um veneno que deixaria Marinette, bloqueada em sua mente.


[...]


- Marinette…. acorda… Mari… - Alya tentou acordar, a amiga.

- A-alya… - Falou, a azulada.

- Eu vou chamar o Plagg… para me ajudar a colocar você naquela cama… - Falou, apontando para uma capa velha que havia ali. Marinette acenou fraco.

Alya subiu as escadas e procurou por Plagg, procurou por toda mansão e o achou na cozinha comendo seu precioso queijo.

- Plagg… preciso de ajuda. - Falou a morena, limpando as lágrimas.

- Senhorita Alya. - ele fez reverência. - Precisa de algo?

- S-sim …. - A voz da morena saiu falha. - Vem comigo… - Pegou a mão dele e o puxou.

- Pra onde vamos? - Perguntou curioso.

- Porão…. - Foi a única coisa que a morena falou, Plagg não perguntou mais nada.

Assim que chegaram ao corredor - Alya suspirou - e foi até a escadaria ainda segurando o moreno, começaram a descer as escadas, ao chegarem na porta do porão a morena tentou segurar suas lágrimas - e abriu a porta, Plagg ficou horrorizado com o que viu - Marinette com a suas costas ensanguentadas, mesmo tendo sido poucas chicotadas para uma jovem de 16 anos eram como se tivesse sido mais e a força que Adrien usou não ajudou muito, para alguém de 22 anos, Adrien era muito forte - sempre praticou muitos exercícios - ele estava com ódio de Mari.

- O que aconteceu? - Perguntou o moreno horrorizado.

- Adrien…. - Alya começou a chorar. - Deu-lhe seis chibatadas…. Plagg preciso que coloque ela naquela cama…

Plagg, assentiu e pois Mari deitada na cama - com a barriga para baixo - depois, ele foi até a cozinha pegar água e panos limpos para que Alya limpasse os ferimentos dela - madame Louise separou tudo e entregou a Plagg que levou tudo para Alya.

- Isso pode arde… - Falou, Marinette assentiu.

Alya molhou um pano e limpou primeiro o sangue sem encostar nas partes onde Adrien a chicoteou. - Depois colocou o pano ensanguentado em um pote - e pegou outro pano para limpar as feridas da mestiça.

- Aí… - Algumas lágrimas caíram dos olhos de Marinette ao sentir a água em sua ferida.

- Adrien? O que você fez com a Marinette? - Perguntou Nino.

- Dei a ela o que ela merecia. - Falou tomando um gole de seu whisky. - Essa vadia abriu as pernas para outro, dei-lhe apenas algumas chicotadas, foi pouco comparado com tudo que vou fazer a ela.

- Adrien! - O repreendeu. - Marinette errou! Mais pense em Ladybug... ela também traiu o marido.

- É diferente Nino, My Lady é diferente...

(....)

- Marinette eu trouxe sua comida. - Falou Adrien. - Coma tudo, pois você só ira comer essa quantia de comida todos os dias.


4 meses antes…. - Dia em que Adrien falou com a feiticeira.


“ - Eu quero um veneno….” - Adrien começou sério. - “Me informaram que, você é a pessoa mais indicada para esse tipo de coisa.”

“ - Isso mesmo!” - Sorriu ao ‘ler’ a mente do loiro. - “Você quer um veneno, que faça sua esposa morrer aos poucos…. que ela fique presa em um mundo entre a realidade e o mundo de insanidade.” - Adrien assente. - “ Mas você está disposto a pagar as consequências?”

“ - Estou!” - Falou firme.

“ - Temos um acordo.” - Tikki estende a mão, entregando a Adrien o veneno. - Esse veneno é muito poderoso, de a ela um pouco todos os dias misturado com a comida, ela não irá morrer de imediato - mais se quiser matá-la deve dar a quantia três vezes ao dia por um ano - mas fique ciente que as consequências serão de total responsabilidade sua."


Atualmente....


Já se passaram quatro meses desde que Adrien começará a envenenar Marinette - quatro meses e uma semana que não via sua Lady - O que havia acontecido com sua Lady? Adrien estava muito preocupado e com seus medos e frustrações por não ter notícias de sua Lady voltou a chicotear Marinette - que por sua vez, se fechou em seus pensamentos, seus olhos que eram de com azul com um brilho esplêndido, estavam cinzas e agora eram vazios - Marinette não era nem a sombra daquela jovem que um dia fôra - Mari não falava mais e não desenhava, mas quando por um descuido da parte de Adrien que esqueceu de dar o remédio de Marinette ela voltou a desenhar.

- Marinette “amor”. - Falou sarcástico. - Nossa você está horrível.

Realmente Marinette estava muito magra, pálida e com muitas olheiras, Adrien deu uma risada, Marinette que estava desenhando, lentamente virou a cabeça e olhou Adrien - Marinette não falava e parecia não entender nada o que falavam para ela - mas ela ouvia com muita atenção, mas ela estava tão perdida em seu mundo de fantasias que a realidade para ela não era mais realidade - algumas vezes quando Adrien a chicoteava ela não via Adrie e sim Chat - Adrien riu mais uma vez .

- Olha só a vadia voltou a desenhar… - Adrien botou a mão no queixo. - Hoje você vai tomar duas doses de seu remédio. - Ele da o remédio a Marinette sem nenhuma delicadeza, o que faz a mesma corta um pouco do lábio inferior. - Sabe Marinette? Como suas chicotadas ainda não estão totalmente cicatrizadas não vou te bater hoje. Eu fico pensando… Se você um dia reencontrar o porco de seu amante como ele reagiria com essa cicatrizes horríveis em suas costas, e essas cicatrizes você vai carregar para o resto de sua vida….

Ele passou a mão pelo rosto dela e puxou os seus cabelos.

- Vem… - Ele puxa ela sem delicadeza. - Sua mãe vai passar uma semana aqui, então você vai voltar para seu antigo quarto.

Adrien sobe puxando Marinette sem nenhuma delicadeza - apertando o pulso dela que ficara roxo - quando chegaram no antigo quarto de Marinette, Adrien a joga na cama.

- Depois sua mãe chegara… ela e eu cuidaremos de você, já que Alya está casada com Nino ela não irá trabalhar mais aqui!

Enquanto isso…

- Alya… eu não quero que conviva mais com Marinette. - Nino falou sério.

- O que? Mais porque?

- Ela é uma adúltera, traiu Adrien.

- Nino ela é minha melhor amiga! E se ela não tivesse traído, Adrien, nós não estaríamos casados. - Ela lembrando a ele que se conheceram na Miraculous.

- Mais como pela Marinette? Quem nos apresentou foi Ladybug…. - Ele começou a juntar as peças do quebra cabeça. - M-Marinette? M-Marinette é Ladybug?

- Exatamente… Marinette é Ladybug. - Alya afirmou, Nino botou as mão cobrindo o rosto.

- Não pode ser…


Na mansão Agreste…


- Bom dia senhora Cheng. - Adrien cumprimenou a sogra.

- Bom dia Adrien.. - Ela deu um sorriso triste. - Como está Marinette? E meu neto?

- Minha esposa e meu “filho” estão bem senhora… Venha vou levá-la ao quarto.

Adrien estendeu a mão para senhora Cheng que segurou - eles subiram as escadas até os aposentos de Marinette - Sabine correu até Mari e deu-lhe um abraço.

- Minha filhinha… - Sabine sentiu que Mari estava quente. - Minha nossa, ela está febril…. Adrien me ajude a despi-la para que possa dar um banho frio nela.

- E-eu faço isso senhora Sabine.. - falou nervoso, afinal se Sabine banhasse Marinette, ela veria as cicatrizes nas costas da filhas.

Sabine assentiu e saiu do quarto falando que iria preparar o almoço - Adrien começou a desatar as cordas do vestido de Marinette sem nenhuma delicadeza - o que fez a mesma machucar-se um pouco.

Adrien despiu Marinette até a cintura.

Adrien sentiu seu chão cair - sua esposa aquela que queria ver morta - era sua tão amada Lady, como foi tão tolo de não ter percebido antes? - se tivesse percebido estaria feliz com sua Lady - e ela? Ela não estaria assim, presa em seus próprios pensamentos, não estaria machucada e não correria o risco de morrer.

Mais ele podia estar errado, certo? Afinal, essa marca não pode provar que Marinette era sua Lady - provaria um grau familiar - ele tinha que tirar essa duvida. Mas como? Adrien estalou a língua no céu da boca - a tornozeleira - o loiro suspirou e continuou a despir a azulada - mais desta vez, ele estava sendo delicado - afinal, ela poderia ser sua Lady.

Ao terminar de despir a azulada - Adrien suspirou mais uma vez - e puxou a azulada para que ela ficasse em pé. Ao ver a tornozeleira - que ele havia dado a sua Lady - seus olhos encheram de lágrimas. Havia condenado a mulher que ama e seu filho a morte - por machismo - o loiro abraçou a azulada - que continuou imóvel - Adrien permitiu-se a chorar, abraçado a sua Lady.

Marinette estava muito magra para uma gestante de cinco meses - estava fraca, via-se os ossos de tão magra que estava - o loiro quebrou o abraço quando a azulada começou a tossir - Adrien colocou um pano sobre a boca de Mari e ela tossiu mais uma vez - ao tirar o pano, o Agreste ficou preocupado ao ver a quantidade de sangue que lá havia. Ele deu um beijo na testa dela e a levou até o banheiro.

Adrien colocou Marinette com delicadeza sentada na banheira - e começou a limpá-la - ele lavou os cabelos azulados da mestiça, que estavam batendo um pouco abaixo de seus seios - tirou-a com muito cuidado da banheira, para que ela não caísse - e enrolou uma toalha em volta dela. Ele escolheu uma roupa bem bonita e simples - azul claro com fitas brancas - ele olhou para as costas dela - antes de amarrar as cordas do vestido - ele mordeu o lábio e conteve as lágrimas ao ver as marcas de chicotadas, que seriam marcas permanentes.

Adrien penteou os cabelos de Marinette - os deixando soltos - e colocou uma fita, ele deu um beijo na bochecha dela e a colocou deitada na cama deitando-se ao seu lado, sussurrando sempre “Me perdoe My Lady” “A culpa é minha” “Eu vou arrumar um jeito para você ficar boa”.

O loiro não soube ao certo - se foram minutos ou horas - quanto tempo ficou ali deitado ao lado de Marinette, para ele foram apenas alguns segundos que foram interrompidos quando a senhora Cheng deu leves batidinhas na porta avisando ao loiro que o Duque Nicolas estava o esperando em seu escritório. Adrien suspirou levantando-se da cama.

- Eu vou da um jeito, My Lady, você vai melhorar. - Falou, dando um selinho nela, a cobrindo com o lençol. - Eu volto logo.

Adrien lavou o rosto e desceu as escada - indo até seu escritório - chegando lá, cumprimentou Nino e Alya.

- Onde está Marinette. - Perguntou Alya receosa.

- Está lá em cima, no quarto dela. - Falou virando-se, para que Alya não visse as lágrimas em seus olhos. - Pode ir lá, se quiser. Só peço que não faça barulho para não acordá-la.

- Certo. Com licença. - Falou se retirando.

- Adrien… eu preciso te contar uma coisa. - Começou Nino. - A….. a Marinette…. ela…

- A Marinette é My Lady…. - Falou deixando as lágrimas caírem. - E agora ela corre risco de vida por culpa minha… - Falou colocando as mãos no rosto. - E tudo culpa minha….

- Pode salvá-la ainda…. - Nino falou e Adrien o olhou. - Encontre a feiticeira…..

- Tikki….. - Falou com um sorriso. - Sim, Tikki, pode salvar My Lady.

- Eu te ajudarei a procura-lá. - O Duque falou colocando a mão no ombro de Adrien.

- Sério? - Perguntou, o Duque assentiu. - Obrigado amigo.

O Grão-Duque e o Duque, foram em busca da feiticeira - no acampamento onde ela morava - ao chegarem lá, Tikki, deu um sorriso debochado ao ver Adrien, que engoliu em seco. Estava preocupado, e se Tikki não tivesse o antídoto? O que aconteceria com sua Lady? Com seu filho?

Não com toda certeza, ela o ajudaria, ele tinha esperança que, Tikki, tivesse o antídoto para curar Marinette.

- Quem é vivo sempre aparece. - Falou provocando a Adrien.

- Preciso…. do antídoto…. do veneno que lhe comprei…. - Tikki deu uma risada. - N-não tem o antídoto?

- Tenho! Mas….. - Falou olhando para suas poções. - Se minha memória não falha…. Você falou que assumiria as consequências.

- Por favor, minha esposa nunca me traiu como eu pensei…. - Falou (implorou).

- Para curá-la é preciso, pagar um preço. - Falou sentando-se. - Mas o preço por usar a magia é muito alto.

- Eu pago… dou minha fortuna toda…. se salvar Marinette e meu filho… - Tikki riu.

- O preço por usar a magia não é pago com ouro nenhum, meu caro. - Falou Tikki.

- Por favor… - Implorou o loiro. - Eu a amo.. não posso viver sem ela.

Tikki pensou em algo. Olhou para Adrien e riu, começou a mexer em suas prateleiras e tirou de lá um franco rosa e o entregou a Adrien.

- De a ela duas doses todos os dias por duas semanas. - Ela falou com a mão no queixo. - Isso vai ser divertido. - Concluiu quando o loiro retiraram-se.

(....)

Adrien voltará para casa com Nino - o cocheiro conduzia a carruagem velozmente - o Agreste queria chegar em sua casa o mais rápido possível - queria ver sua Lady - e ao pensar nela naquele estado, por sua culpa, deixou as lágrimas caírem de seus olhos.

Como pode ser tão idiota de não ter percebido antes? - E a pergunta que mais passava por sua cabeça, era aquela que apertava seu coração - “Marinette, seria capaz de perdoá-lo?” “Ela seria capaz, de voltar a amá-lo?”

Adrien balançou a cabeça afastando esses pensamento - “Ela vai me perdoar! Tenho certeza! Vamos ser felizes com nosso filho, nós três!” pensou o loiro - enxugando suas lágrimas e abraçando o antídoto que faria sua Lady melhorar. Ele ficou o caminho todo com uma expressão séria, mas ao chegar em frente a sua casa sorriu ao ver Marinette no jardim com Alya - a mestiça como sempre estava sem expressão, mas ao ver um gatinho preto escondido atrás de uma árvore sorriu - Adrien entrou pelo portão e foi até sua Lady e a abraçou.

Marinette virou o rosto para ver que estava abraçando-a, ao ver que quem estava lhe abraçando era Adrien - ela começou a se debater e tentou empurrar o loiro - o Agreste desfez o abraço e olhou para Nino com uma expressão triste. Em seguida agachou-se para ficar da altura da azulada que estava sentada de bruços no chão.

- M-my lady…. - A voz de Adrien saiu falha, ele tentou tocá-la, mas a mesma se afastou bruscamente.

- N-n-n-n-ã-o…. - Falou com muito esforço. Ela ainda estava sobre o efeito do veneno, mas como faziam alguns dias que Adrien não o dava para ela, ela conseguiu falar. Sua expressão era de medo.


Adrien olhou para Marinette com lágrimas nos olhos e logo em seguida olhou para Alya - a morena o lançara um olhar de pena - o que fez o loiro culpar-se mentalmente de tudo que fez.


- E-eu vou levar Marinette para dentro para tentar acalmá-la. - Falou a morena, Nino assentiu.

Alya entrará com a mestiça, enquanto isso Adrien chorava no jardim - sem se importava com o que os outros iriam comentar - não se importava o que as pessoas iriam pensar de ver o Gão-Duque de Paris chorando no jardim de sua casa.

A única coisa com que ele se importava era ela…

Sua Lady….

Sua Mari….

Sua esposa….

Sim, sua ESPOSA, nunca quis se casar com Marinette e nunca sequer a olhou com carinho.

Ele sentia ódio de si mesmo. Como foi tolo de desejar a morte dela. Como Tikki havia dito “Você se arrependerá” mesmo assim ele quis envenenar Marinette

“ - Eu quero um veneno…. - Adrien começou sério. - Me informaram que, você é a pessoa mais indicada para esse tipo de coisa.

- Isso mesmo! - Sorriu ao ‘ler’ a mente do loiro. - Você quer um veneno, que faça sua esposa morrer aos poucos…. que ela fique presa em um mundo entre a realidade e o mundo de insanidade. - Adrien assente. - Mas você está disposto a pagar as consequências?

- Estou! - Falou firme.

- Temos um acordo. Mas tenho que afirmar-te Você se arrependerá - Tikki estende a mão, entregando a Adrien o veneno.

- Não vou, eu garanto”

- Adrien melhor entrarmos. - Alertou Nino. - Estão todos a olhar.

- Não me importa. - Falou entre lágrimas. - O que me importa é Marinette…. não percebes? Ela tem medo de mim!

- Mais chorar no jardim de sua propriedade não adiantará nada. - Falou com a mão no ombro do loiro. - Tenho certeza que quando Marinette estiver melhor, ela vai perdoar-ti. Mais se ficar chorando pelos cantos não adiantará em nada, você deve reconquista-la.

- Tens razão. - Adrien falou limpando as lágrimas. - Vou reconquistá-la pois eu a amo!

Adrien e Nino entram dentro de casa - o loiro viu a azulada sentada na sala com a mão na barriga - o Agreste sorriu fraco, afinal, poderia estar agora com ela, sorrindo, poderia está pensando nos nomes para seu bebê. O loiro mordeu o lábio inferior, ao pensar ir até a azulada e dar-lhe um beijo. Foi aí que teve uma ideia.

Chat Noir!

Chat Noir, iria vir visitar a sua Lady essa noite, iria poder beijá-la e está perto de seu filho.

Antes de Sabine levar Marinette para seu quarto, Adrien, ou melhor, Chat Noir, entrou no quarto de sua Lady e escondeu-se embaixo da cama de Marinette - Sabine deixará Marinette adormecida e retirou-se para seu quarto - Chat Noir, saiu com muito cuidado de debaixo da cama, não queria assustar sua Lady.

Chat foi até a porta e a trancou - logo após voltou sua atenção para a azulada que dormia calmamente - ele se aproximou dela e sentou-se em uma poltrona que havia ao lado de sua cama. Chat começou a fazer carinho no rosto de Marinette.

- Me perdoa My Lady… - Falou com a voz embargada pelo choro.

Chat a abraçou e Marinette começou a se mexer - ela começou a abrir os olhos lentamente - estava muito escuro não daria para a mestiça ver que estava ali, Chat então acendeu uma vela, para que sua amada não se assustasse.

A visão de Marinette começou a centralizar-se e ao ver o seu amado gatinho.

Marinette encarou o homem parado ao lado de sua cama - o loiro continuou a fazer carinho no rosto dela -, a azulada colocou sua mão em cima da mão de Chat Noir.

Chat deu um sorriso e beijou a ponta de seu nariz.

- My Lady! - Falou sorrindo.

A azulada deu um sorriso e tocou no rosto do loiro - ele a ajudou a sentar-se na cama - e sentou ao lado dela. Ah, sua Lady. Ele deu um abraço nela - e ela, não recuou, ela o abraçou também - Chat sorriu. Poucas horas atrás ela estava com medo dele, como Adrien, claro! Mesmo assim, abraçá-la e ela ceder ao abraço o fez ficar com um sorriso enorme.

- C-c-c-c-c-h-a-a-t! - Ela falou com muita dificuldade, mesmo assim, o loiro ficou feliz por ela está melhorando.

- Eu senti tanto a sua falta, My Lady! - Ele roçou seus lábios nos dela.

- C-c-c-c-o-m-m-o - Ela respirou fundo. - M-m-e e-n-c-c-o-o-n-t-r-o-o-u?

Chat ficou um tempo em silêncio.

- Sua amiga Alya me falou, sobre você e sobre nosso filho, eu deveria estar sempre com você Marinette.

- C-c-o-m-o-o d-d-i-s-s-e? R-e-p-i-t-a

- Que sua amiga Alya….

- N-n-ã-o-o, a-a p-a-a-r-t-t-e o-n-d-e-e v-o-c-ê d-i-s-s-e o-o m-e-u n-o-m-e. - Ela o interrompeu.

- Marinette. - Ele falou dando um sorriso. - Marinette, minha Marinette.

- E-e-u t-e a-m-o C-c-h-a-t. - Uma lágrima caiu do olho do loiro.

- Eu também te amo! - Ele deu um selinho nela. - Te amo muito. - Chat beijou Marinette com carinho.

Marinette separou o beijo - quando sentiu sua barriga mexer - ela olhou para sua barriga e o loiro olhou também sem entender.

- Alguma coisa errada com nosso filho? - Perguntou ele preocupado.

- N-n-ã-o… e-l-e e-e-s-t-a c-h-u-t-a-a-n-d-o. - Ela falou passando a mão pela barriga. Chat mordeu o lábio inferior.

- E-eu posso…. tocar na sua barriga? - Ele perguntou olhando para a barriga dela.

- C-c-l-a-r-o. - Ela pegou a mão dele e pois em sua barriga.

- Ei princesinha o papai está aqui. - Falou com voz boba.

- P-o-d-e s-e-r u-m m-e-n-i-n-o. - Falou Mari dando um sorriso.

- Se for um menino eu vou amar do mesmo jeito.

- F-i-c-a c-o-m-i-g-o?

- Sempre, eu te amo Mari.

Marinette deitou-se e Chat deitou ao lado dela, e a puxou a fazendo deitar-se em seu peitoral, ele fazia carinho - ora em sua barriga, ora em seus cabelos - sempre que o bebê chutava Chat dava sorrisos bobos. Ele estava feliz, estava ao lado de quem amava.

Seu filho.

E sua esposa.

- Eu te amo muito, e quando nosso filho nascer vamos ser felizes eu você e nosso filho.

- N-ó-s t-r-ê-s. - Falou ela por fim.

Marinette adormeceu alguns instantes

Chat não queria deixá-la, afinal, mesmo ficando com ela por perto sendo Adrien - o que não era grande coisa, já que a mesma tinha medo dele - era diferente estar com ela como Chat, como Chat ele podia beijá-la e acariciá-la.

Ele levantou com cuidado para não acordá-la, o que foi em vão, já que o mesmo esbarrou no pé da cama, o que fez a mestiça acordar.


- C-c-h-a-t? V-v-o-c-ê v-a-i m-m-e d-e-i-x-a-r?

- Você quer que eu fique? - Ela assente, com os olhinhos de cachorro sem dono. - Ah, você sabe que eu não resisto a esses olhinhos.

Ele sabe na cama e começa a beijar Marinette, ele amava sentir o gosto de morango dos lábios dela como ele a amava.

Ele deitou ao lado dela novamente, mas desta vez dormiu ao lado de sua amada.

Chat acordou com alguém mexendo em seus cabelos. Ao ver Marinette ele deu um sorriso.

- Bom dia, amor. - Ele falou dando um selinho nela.

- B-o-m d-i-a, m-e-u g-a-t-i-n-h-o. - Ela falou.

- Mari… eu preciso ir.

- C-h-a-t e-u n-ã-o q-u-e-r-o c-o-n-t-i-n-u-a-r a-q-u-i …. e-u t-e-n-h-o m-u-i-t-o m-e-d-o.

- Mari eu tenho que te contar uma coisa!

Chat Noir, colocou a mão na máscara e olhou para Marinette, ele tinha que lhe contar a verdade, pedir desculpas - tentar reconquistá-la se fosse o caso -, não podia mais esconder, sua identidade, não para ela, para ela não!

- M-mari… - Ele se praguejou por sua voz ter saído falha. - E-eu..

- C-h-a-t……. - ela falou com dificuldade.

- Mari eu te amo…. E quero que saiba que me arrependo de todo mal que te fiz… eu te amo Mari…. e peço que me perdoe por tudo. - Ele falou com a mão ainda na máscara.

- V-o-c-ê n-u-n-c-a m-e f-e-z m-a-l. - Ela suspirou algumas vezes para tentar falar direito. - V-você s-só m-e d-deu alegrias… e a m-maior prova está aqui! - Disse, pegando a mão livre dele e colocando em sua barriga, que já estava maior.

Ele deixou uma lágrima solitária escapar - ele sabia que - provavelmente ela ficasse com medo dele depois de ele se revelar. Lentamente ele foi tirando a máscara - até que a mesma estivesse fora de sua face - Marinette o olhou e arregalou os olhos.

- Mari eu…. - Ele tentou tocá-la, mas ela se afastou.

- N-não e-encosta em…. em mim! - Ela se encolheu na cama.

- Mari…. por favor….. eu te amo My Lady…

- V-você n-não m-me a-ama…. - Ela o interrompeu. - V-você…. e-está c-com r-remorso…. E-está c-com r-remorso…. p-por ter d-descoberto que e-eu sou a L-Ladybug…. e p-por eu e-está grávida….

- Mari por favor…. eu te amo…. - Ele tentou abraçá-la.

- N-não t-toca em mim….

Semanas depois……

Adrien tentava de todas as maneiras reconquistá sua Lady - mais era quase impossível - ele havia perdido as esperanças - seis semanas - foi o tempo que ele correu atrás dela, seis semanas que ela o rejeitava, seis semanas em que ele ficava de coração partido.

Marinette, tentava de todos os modos não ceder às tentativas falhas do loiro de reconquistá-la - ela estava sentada na sala de visitas - acariciando sua barriga - seis meses de gestação - e sua barriga não estava tão grande - sua mãe dissera que “Na primeira gravidez a barriga não crescia muito.” - e ela tinha razão.

Marinette pensou com quem seu bebê iria se parecer com ela ou…. ou com Adrien - embora que, ela iria adorar um bebê com cabeleira loira e com os olhos azuis ou um bebê com madeixas azuladas e com os olhos verdes - ela riu com o pensamento, mesmo tentando negar, ela ainda o amava, ela ainda amava o maldito loiro. Ela suspirou ao lembrar de seus beijos, abraços e noites de amor. Estava tão distraída que nem notara quando Alya voltará com o bule de chá.

Seus pensamentos foram interrompidos por um barulho vindo da porta - Adrien estava com suas bagagens no chão - Marinette sentiu um aperto no coração, então perguntou fria:

- Vai viajar? - ele negou com a cabeça. - E-então onde vai?

- Embora… - ele falou com lágrimas em seus olhos.

Qual o motivo de ficar? Sua Lady o desprezara agora, não trocavam mal cinco palavras - porque ficar se ela estaria melhor sem ele? - Marinette merecia alguém melhor, mas mesmo que se apaixonasse por outro, não poderia ficar com ele se Adrien continuasse vivo.

- P-pra onde vai? - Perguntou com a voz falha.

- Para Portugal.. - Ele falou pegando suas bagagens.

- N-não pode ir. - Disse/Gritou. - Não pode ir! - Afirmou.

- Porque não? - Perguntou cabisbaixo. - Você não me ama mais…

- E nosso filho? - Ela chegou perto do loiro. - Vai nos abandonar? Vai deixar que ele cresça sem um pai?

- Ele ficará melhor sem mim!? - Falou deixando uma lágrima cair.

Antes que ela respondesse - Adrien já estava na carruagem - que começou a seguir seu caminho, alguns instantes depois, Marinette, estava com seus olhos ardendo.

Virá o amor de sua vida ir embora, escapar por seus dedos e não fez nada! Ela começou a chorar, ele não podia abandona-la.

Alya vendo o desespero de Marinette - pela janela - correu até a amiga.

- Marinette… vamos atrás dele! - Falou, abraçando a mestiça.

- Não podemos… a outra carruagem está com Nayara. - Falou, lembrando que a cunhada havia ido dar um passeio.

- Vamos em uma carruagem de aluguel (Táxi da época). - Ela ajudou Marinette a se levantar.

- Mais Nicolás… ele irá vir buscá-la.

- Eu me resolvo com meu marido depois. - Ela sorriu para a azulada.


Alya pediu para que um dos criado fosse pegar uma carruagem de aluguel - elas estavam a caminho do porto - o navio para Portugal iria partir em trinta minutos.

Ao chegarem ao porto - havia várias pessoas - Marinette começou a andar, passando pelas pessoas - muitas delas abriam caminho por ela estar grávida e outras por ela ser a Gã-Duquesa. Os passageiros estavam a embarcar - Marinette sentiu seu coração falhar uma batida - ela vira Adrien - não estava tão longe, mas haviam várias pessoas em seu caminho - ela começou a andar em meio às pessoas.

Estava chegando perto de Adrien, mais haviam muitas pessoas, e a azulada acabou caindo - um jovem loiro estenderá a mão para ela, Felix, seu cunhado - ele ajudou-a a se levantar.

- Lady Marinette o que faz aqui sozinha? Onde está Adrien? Está grávida!? Porque não me contaram?

- Sr. Felix preciso de sua ajuda.. para chegar em Adrien... ele vai partir.

Felix não fez mais nenhuma pergunta só ajudará a Marinette chegar mais perto de Adrien que estava prestes a subir a rampa de embarque. Ela começou a correr, o que era difícil em seu estado. Mesmo assim o fez!

- Adrien. - Chamou mais ele não a ouvira. - ADRIEEEEN... - Ela gritou. Ele olhou para trás.

E lá estava ela sua azulada - que fora até onde ele estava e o abraçou - ele correspondeu ao abraço, quando ele ia lhe perguntar algo a ela, ela o beija.

- Adrien.. fica... por favor... eu te amo...

- Eu também te amo My Princess. - Ele falou tomando os lábios dela…

Alguns anos depois....

Na primeira vez, Adrien tinha ficado uma pilha de nervos.

Na segunda, tinha sido ainda pior. A lembrança da primeira vez não o tinha ajudado muito a se acalmar. Muito pelo contrário, na verdade. Agora que sabia melhor o que acontecia (Marinette não havia poupado nenhum detalhe, o lado ruim de sua alma meticulosa), cada pequeno ruído estava sujeito a análise mórbida e especulação.

Era uma coisa maravilhosa os homens não poderem ter filhos. Adrien não tinha nenhuma vergonha em admitir que a raça humana teria se extinguido gerações antes.

Ou, pelo menos, ele não teria contribuído para a atual tropa de pequenos Agrestes travessos.

Mas Marinette parecia não se importar com o parto, desde que mais tarde pudesse descrever a experiência a ele em impiedosos detalhes.

Sempre que desejasse.

Assim, na terceira vez, Adrien ficará um pouco mais à vontade. Ainda se sentará em frente à tudo, não fora devastado pela ansiedade.

Na quarta vez, ele trouxera um livro.

Na quinta, apenas um jornal. (Parecia mesmo estar ficando mais rápido a cada criança. O que era conveniente.)

O sexto filho o pegara completamente de surpresa. Ele tinha saído para uma rápida visita com um amigo e, quando voltara, Marinette já estava sentada com o bebê nos braços e um sorriso alegre e nem um pouco cansado no rosto.

Mas ela fazia questão de sempre lembrá-lo de sua ausência, então Adrien tomara todo o cuidado para estar presente na chegada do sétimo bebê. E conseguira, desde que não lhe descontassem pontos por ter abandonado seu posto em frente à porta dela em busca de um lanche no meio da noite.

Depois desse sétimo, Adrien achou que já estava bom. Sete era um número perfeitamente razoável de filhos, e, como dissera a Marinette, ele mal se lembrava de como ela era quando não estava grávida.

– Lembra bem o suficiente para garantir que eu engravide de novo – respondera ela, atrevidamente.

Adrien não tinha argumentos contra isso, então lhe dera um beijo na testa e saíra para visitar Sophie, para explicar as muitas razões pelas quais sete era o número ideal de filhos. (Sua irmã não achou graça.)

Mas então, como era de imaginar, seis meses após o sétimo parto, Marinette timidamente lhe dissera que estava grávida outra vez.

– Agora chega! – declarou Adrien. – Mal podemos arcar com as despesas dos filhos que já temos.

(Isso não era verdade – o dote de Marinette tinha sido generosíssimo, e Adrien descobrira que possuía grande talento para investimentos. Quando aumentou sua fortuna como Grã-Duque)

Mas, de fato, oito tinham de ser o bastante.

Não que ele estivesse disposto a reduzir suas atividades noturnas com Marinette, mas havia coisas que um homem podia fazer – coisas que ele provavelmente já devia ter feito, para dizer a verdade. Assim, como Adrien estava convencido de que aquele seria seu último filho, decidiu que poderia muito bem ver como as coisas aconteciam, e, apesar da reação horrorizada da parteira, permaneceu junto de Marinette durante o parto (ao lado do ombro dela, é claro.)

– Ela é uma especialista nisso… – disse o médico, levantando o lençol para dar uma olhada. – Sinceramente, a esta altura já sou desnecessário.

Adrien olhou para Marinette. Ela tinha pegado seu bordado, e deu de ombros.

– Sim, é verdade que fica cada vez mais fácil. – E, de fato, quando chegou o momento, ela pousou a costura, deu um pequeno gemido e… Uuush! Adrien piscou ao olhar para o bebê aos berros, todo vermelho e enrugado.

– Bem, isso foi muito menos complexo do que eu esperava…. – comentou, Marinette olhou para o marido com ar impaciente e irritado.

– Se você tivesse assistido na primeira vez, teria... Aaaaaaai! – Adrien olhou depressa de volta para ela.

– O que foi?

– Eu não sei – respondeu Marinette, os olhos cheios de pânico. – Mas isso não está certo.

– Calma, calma – disse a parteira –, você só está…

– Eu sei o que deveria sentir... – retrucou Marinette. – E não é isso.

O médico entregou o bebê recém-nascido – uma menina, Adrien ficou feliz em saber – à parteira e voltou para o lado de Marinette. Colocou as mãos na barriga dela.

– Hum.

– Hum? – repetiu Marinette, sem muita paciência, o médico levantou o lençol e olhou por baixo.

– Minha nossa! – deixou escapar Adrien, voltando para o lado do ombro de Marinette. – Eu não queria ver isso.

– O que está acontecendo? – perguntou ela. – O que você... Aaaaai!

Uuush!

– Santo Deus... – exclamou a parteira. – São dois.

Não, pensou Adrien, sentindo-se decididamente enjoado. Eram nove.

Nove filhos.

Apenas um a menos do que dez.

Que tinha dois dígitos. Se eles tivessem mais um filho, Adrien estaria na casa dos dois dígitos paternidade.

– Ah, Santo Deus. – sussurrou ele.

– Adrien? – chamou Marinette.

– Preciso me sentar. – Ela abriu um sorriso fraco.

– Bem, pelo menos sua mãe ficará contente.

Ele assentiu, quase sem conseguir pensar. Nove filhos. O que se faz com nove filhos?

“Você os ama”, pensou.

Então olhou para a esposa. O cabelo dela estava desalinhado, o rosto, inchado, e as olheiras já tinham começado a se tornar cinza-arroxeadas.

Ele pensou como ela era linda.

O amor existe, pensou. E é bem grande. Sorriu. Nove vezes grande. Enorme, na verdade.

– Não consigo fazer isso de novo.

Marinette Agreste já dissera isso antes, sete vezes para ser mais precisa, mas agora realmente falava sério. Não era só pelo fato de ter dado à luz seu nono filho apenas trinta minutos antes -ela se tornará especialista em parir e conseguia colocá-los para fora com o mínimo de desconforto.- Era só que... gêmeos! Por que ninguém lhe dissera que podia estar grávida de gêmeos? Não era de admirar que estivesse tão desconfortável naqueles últimos meses. Tinha dois bebês na barriga, claramente envolvidos em uma luta de boxe.

– Duas meninas – disse o marido. Adrien olhou para ela com um sorriso. – Bom, isso desequilibra a balança. Os meninos vão se decepcionar.

– Os garotos terão propriedades, poderão votar e usar calças – disse a irmã de Adrien, Sophia, que fora até lá para ajudar Mari no fim da gravidez. – Eles vão aguentar.

Marinete conseguiu dar uma pequena risada. Sophia nunca deixava de ir ao cerne da questão.

– Seu marido sabe que você se tornou um cruzado? – perguntou Adrien.

– Meu marido me apoia em tudo – disse Sophia docemente, sem tirar os olhos do bebê embrulhado em seus braços. – Sempre.

– Seu marido é um santo – comentou Adrien, arrulhando para seu próprio embrulhinho. – Ou talvez seja apenas insano. De qualquer maneira, somos eternamente gratos a ele por ter se casado com você.

– Como você o aguenta? – perguntou Sophia, curvando-se sobre Marinette, que começava a se sentir muito estranha.

Marinette abriu a boca para dar uma resposta, mas Adrien foi mais rápido.

– Eu torno a vida dela uma alegria sem fim – disse ele. – Cheia de doçura, luz e tudo de bom e perfeito que existe.

Sophia parecia estar com vontade de vomitar.

– Você está só com inveja – disse Adrien.

– De quê? – perguntou Sophia.

Com um aceno de mão, ele descartou a pergunta como se não fizesse sentido. Marinette fechou os olhos e sorriu, apreciando a interação. Adrien e Sophia estavam sempre provocando um ao outro – mesmo agora que estavam perto de fazer 35 anos. Ainda assim, apesar das constantes alfinetadas – ou talvez por causa delas –, havia uma ligação muito sólida entre eles. Sophia em particular era ferozmente leal; levará dois anos para gostar de Marinette depois de seu casamento com Adrien.

Sophia agora era uma irmã para ela, assim como todas as irmãs de Adrien. Tinha sido maravilhoso entrar para uma família grande. E provavelmente era por isso que Marinette estava tão feliz com o fato de ela e Adrien acabarem tendo também uma grande prole.

– Nove – disse ela suavemente, abrindo os olhos para olhar para os dois embrulhinhos que ainda precisavam de nomes. E cabelo. – Quem imaginaria que teríamos nove?

– Minha mãe com certeza vai dizer que qualquer pessoa sensata teria parado em oito – disse Adrien. Ele sorriu para Marinette. – Quer segurar uma?

Ela se sentiu tomada por aquela familiar felicidade materna.

– Ah, sim.

A parteira ajudou-a a ficar mais ereta, e Marinette estendeu os braços para segurar uma das filhas.

– Ela é muito vermelhinha – murmurou, aninhando o embrulhinho perto do peito. Amenininha berrava, mas Marinette concluiu que era um som maravilhoso.

– Vermelho é uma cor excelente – declarou Adrien. – Meu tom da sorte.

– Está aqui segura forte – observou Sophia, virando-se para o lado para que todos pudessem ver seu dedo mínimo preso pela pequena mão da bebê.

– As duas são muito saudáveis – disse a parteira. – Gêmeos muitas vezes não são, sabe?


Adrin se curvou para beijar Marinette na testa.

– Sou um homem muito afortunado – murmurou, Marinette sorriu fracamente. Sentia-se feliz também, de maneira quase milagrosa, mas estava cansada demais para falar qualquer outra coisa além de:

– Acho que já chega de filhos. Por favor, me diga que já chega. - Adrien sorriu amorosamente.

– Já chega – declarou ele. – Ou, pelo menos, até onde eu posso garantir.

Marinette assentiu com gratidão. Ela também não estava disposta a abrir mão dos prazeres do leito conjugal, mas devia haver algo que pudessem fazer para acabar com o fluxo constante de bebês.

– Como vamos chamá-las? – perguntou Adrien, olhando com ar bobo para a bebê nos braços de Sophia.

Marinette acenou para a parteira e entregou-lhe a bebê para poder deitar-se novamente. Seus braços pareciam um pouco trêmulos e não confiava que pudesse segurar direito a bebê, mesmo ali na cama.

– Você não queria Queren? – murmurou ela, fechando os olhos.

Tinham dado aos filhos os nomes: Emmanuelle, Felipe, Guilherme, Nayara, Michael, Otávio e Penelope. Queren era a próxima escolha óbvia para uma menina.

– Eu sei – disse Adrien, e ela podia notar o sorriso em sua voz. – Mas não esperava duas.

Ele segurava uma das bebês de novo, embora Marinette não fizesse ideia de qual delas. Ele provavelmente não sabia também.

– Ela é linda – disse ele, levantando os olhos para sorrir para Mari. – Porém pequena. Menor do que os outros, acho.

– Gêmeos são sempre pequenos – disse a parteira.

– Ah, é claro – murmurou ele.

– Elas não parecem pequenas – retrucou Mari. E tentou se levantar novamente para segurar a outra bebê, mas seus braços cederam. – Estou tão cansada…

A parteira franziu a testa.

– Não foi um trabalho de parto demorado.

– Havia dois bebês – lembrou Adrien.

– Sim, mas ela já teve vários antes – respondeu a parteira com uma voz animada. – Os partos vão ficando mais fáceis à medida que se tem mais bebês.

– Não estou me sentindo bem – disse Mari.

Adrien entregou a filha a uma criada e olhou para ela.

– O que há de errado?

– Ela está pálida... – Mari ouviu Sophia dizer.

Mas a voz dela não soou como deveria. Parecia metálica, como se estivesse falando através de um tubo longo e fino.

– Mari? Mari?

Ela tentou responder. Achou que estava respondendo. Mas se seus lábios estavam se movendo, ela não sabia dizer, e com certeza não ouviu a própria voz.

– Tem alguma coisa errada – afirmou Adrien. Ele parecia sério. Parecia assustado. – Onde está o Dr. Jack?

– Ele foi embora – respondeu a parteira. – Havia outro bebê... a esposa do advogado.


Marinette tentou abrir os olhos. Queria ver o rosto dele, para lhe dizer que estava bem. Só que não estava. Não sentia dor exatamente; bem, não mais do que a dor natural depois de se ter um bebê. Não sabia descrever direito. Simplesmente parecia haver algo errado.

– Mari? – A voz de Adrien abria caminho em meio ao torpor dela. – Mari! – Ele pegou sua mão, apertou-a, depois sacudiu-a.

Ela queria tranquilizá-lo, mas se sentia tão distante... E aquela sensação de que havia algo errado se espalhava por toda parte, deslizando da sua barriga para os seus membros e até os dedos.

Não era tão ruim se ficasse completamente imóvel. Talvez se dormisse…

– O que há de errado com ela? – perguntou Adrien, atrás dele, as bebês berravam, mas pelo menos se contorciam, rosadas, enquanto Mari.

– Mari? – Ele tentou fazer sua voz soar urgente, mas para ele parecia apavorada! – Mari?

O rosto dela estava pálido, os lábios, sem cor. Ela não estava exatamente inconsciente, mas também não parecia reagir.

– O que há de errado com ela?

A parteira correu até o pé da cama e olhou por baixo das cobertas. Ela arquejou e, quando ergueu os olhos, seu rosto estava quase tão pálido quanto o de Mari.

Adrien olhou para baixo, bem a tempo de ver uma mancha vermelha se espalhando pelo lençol.

– Arrumem mais toalhas – disparou a parteira, e Adrien não pensou duas vezes antes de obedecer. – Vou precisar de mais do que isso – disse ela com severidade, colocando várias sob os quadris de Mari. – Vá, vá!

– Eu vou – disse Sophie. – Você fica.

Ela saiu depressa para o corredor, deixando Adrien ao lado da parteira, sentindo-se impotente e incompetente. Que tipo de homem ficava parado enquanto sua mulher sangrava?

Mas ele não sabia o que fazer. Não sabia como fazer nada além de entregar as toalhas à parteira, que as comprimia contra Mari com força brutal.

Ele abriu a boca para dizer... alguma coisa. Talvez tivesse chegado a dizer uma palavra. Não tinha certeza. Podia ter sido apenas um som, um som horrível de pavor que veio de dentro dele.

– Onde estão as toalhas? – exigiu a parteira, Adrien assentiu e saiu rápido para o corredor, aliviado por ter recebido uma tarefa.

– Sophie! Sop…

Mari gritou.

– Ah, meu Deus. – Adrien se virou, segurando a moldura da porta em busca de apoio.Não era o sangue; ele podia lidar com o sangue. Era o grito. Nunca tinha ouvido um ser humano fazer um som como aquele.

– O que você está fazendo com ela? – perguntou, sua voz soou trêmula ao se afastar da parede. Era difícil assistir e ainda mais difícil ouvir, mas talvez ele pudesse segurar a mão de Mari.

– Estou manipulando a barriga dela – resmungou a parteira, ela pressionou com força. Mari soltou outro grito e quase arrancou os dedos de Adrien.

– Não acho que seja uma boa ideia – disse ele. – Você está empurrando o sangue dela para fora. Ela não pode perder…

– Vai ter de confiar em mim – retrucou a parteira secamente. – Já vi isso antes. Mais vezes do que posso contar.

Adrien sentiu seus lábios formarem a pergunta: “Elas sobreviveram?” Mas não disse nada. O rosto da parteira parecia muito sombrio. Ele não queria saber a resposta.

Àquela altura, os gritos de Mari tinham se transformado em gemidos, mas de alguma forma isso era ainda pior. Sua respiração era rápida e superficial e ela estreitava os olhos para suportar a dor das pressões feitas pela parteira.

– Por favor, faça-a parar – choramingou ela.

Adrien olhou freneticamente para a parteira, que agora usava as duas mãos e estendia uma até…

– Ah, Deus. – Ele se virou de costas. Não podia assistir. – Você tem de deixá-la te ajudar. - Disse ele a Mari.

– Eu trouxe as toalhas! – exclamou Sophie, irrompendo no quarto. Ela parou de repente, olhando para Mari. – Ah, meu Deus. – Sua voz vacilou. – Adrien?

– Cale a boca!

Ele não queria ouvir a irmã. Não queria falar com ela, não queria responder suas perguntas. Ele não sabia. Santo Deus, ela não via que ele não sabia o que estava acontecendo? E forçá-lo a admitir isso em voz alta teria sido o tipo mais cruel de tortura.

– Está doendo... – choramingou Mari. – Está doendo.

– Eu sei. Eu sei. Se eu pudesse fazer isso por você, eu faria. Juro.

Ele segurou a mão da mulher nas suas, desejando que um pouco de sua força passasse de alguma forma para ela. A mão dela estava ficando fraca, apertando apenas quando a parteira fazia um movimento particularmente vigoroso.

E então a mão de Mari perdeu por completo a força.

Adrien parou de respirar. Olhou para a parteira apavorado. Ela ainda estava junto ao pé da cama, seu rosto uma máscara de sombria determinação enquanto trabalhava. Então ela parou, estreitando os olhos enquanto dava um passo atrás. E não disse nada.

Sophie ficou paralisada, as toalhas ainda empilhadas em seus braços.

– O quê... o quê… - Mas sua voz não era nem um sussurro, sem forças para concluir seu pensamento. A parteira estendeu a mão, tocando a cama ensanguentada perto de Mari.

– Acho que... isso é tudo – disse ela.

Adrien olhou para a mulher, que estava terrivelmente imóvel. Em seguida, virou-se para a parteira. Ele podia ver o peito dela subir e descer, inspirando todo o ar que não se permitira enquanto estava cuidando de Mari.

– O que você quer dizer com isso é tudo? – perguntou ele, quase sem conseguir fazer as palavras deixarem seus lábios.

– O sangramento parou.

Adrien se virou lentamente de volta para Mari. O sangramento parou. O que isso queria dizer? Todo sangramento não... acabava parando?

Por que a parteira estava ali parada? Ela não devia estar fazendo alguma coisa? Ele não devia estar fazendo alguma coisa? Ou será que Mari…

Ele se virou de volta para a parteira, sua angústia palpável.

– Ela não está morta – disse a parteira rapidamente. – Pelo menos acho que não.

– Você acha que não? – repetiu ele, elevando a voz, a parteira cambaleou para a frente. Estava coberta de sangue e parecia exausta, mas Adrien não dava a mínima se ela estava prestes a desabar.

– Faça alguma coisa – exigiu ele.

A parteira pegou o braço de Mari e sentiu seu pulso. Então acenou com a cabeça brevemente quando o encontrou, mas em seguida disse:

– Eu fiz tudo o que podia.

– Não – disse Adrien, porque se recusava a acreditar nisso. Havia sempre algo a mais a fazer. – Não – repetiu. – Não!

– Adrien! – Chamou Sophie, tocando seu braço, ele se afastou.

– Faça alguma coisa. – ordenou ele, dando um passo ameaçador em direção à parteira. – Você tem de fazer alguma coisa.

– Ela perdeu muito sangue – retrucou a parteira, deixando-se cair contra a parede. – Só nos resta esperar. Não tenho como saber como ela vai reagir. Algumas mulheres se recuperam. Outras…

Sua voz foi sumindo. Podia ser porque ela não queria dizer aquilo. Ou pela expressão no rosto de Adrien.

Ele engoliu em seco. Não tinha um gênio muito difícil; sempre fora um homem razoável. Mas o desejo desesperador de atacar alguém, de gritar ou socar as paredes, de encontrar alguma maneira de reunir todo aquele sangue e colocá-lo de volta dentro dela…

Ele mal podia respirar, tal era a força daquela sensação.

Sophie se moveu silenciosamente até o seu lado. A mão dela encontrou a dele e, sem pensar, ele entrelaçou os dedos nos dela. Esperou que ela dissesse algo como: “Ela vai ficar bem.” ou “Tudo vai ficar bem, basta ter fé.”

Mas ela não disse nada. Aquela era Sophie, e ela nunca mentia. Mas estava ali. Graças a Deus, estava ali.

Ela apertou a mão dele, e ele soube que ela ficaria pelo tempo que precisasse.

Ele piscou, olhando para a parteira e tentando encontrar a voz.

– E se... – Não. – E quando – disse ele, hesitante. – O que fazemos quando ela acordar? – A parteira olhou para Sophie primeiro, o que, por algum motivo, o irritou.

– Ela vai estar muito fraca – disse ela.

– Mas vai ficar bem? – perguntou ele, praticamente pulando diante das palavras dela, a parteira olhou para ele com uma expressão horrível. Era algo que beirava a pena. Misturado a tristeza. E resignação.

– É difícil prever – disse ela por fim.

Adrien procurou no rosto dela, desesperado, algo que não fosse superficial ou uma meia resposta.

– Mas o que diabos isso significa? – A parteira olhou para algum lugar que não era bem seus olhos.

– Pode haver uma infecção. Acontece com frequência em casos como esse.

– Por quê? – A parteira piscou.

– Por quê? – Perguntou Adrien praticamente rugindo, Sophie apertou a mão em volta da dele.

– Não sei. – A parteira recuou um passo. – Mas acontece.

Adrien se virou de volta para Mari, incapaz de continuar olhando para a parteira. Ela estava coberta de sangue – do sangue de Mari –, e talvez não fosse culpa dela... talvez não fosse culpa de ninguém, mas ele não suportava olhar para ela nem por mais um instante.

– O Dr. Jack tem que voltar – disse ele em voz baixa, pegando a mão inerte de Mari.

– Vou cuidar disso – falou Sophie. – E vou mandar alguém vir trocar os lençóis.

Adrien não ergueu os olhos.

– Eu também vou embora – disse a parteira.

Ele não respondeu. Ouviu o som de pés se movendo pelo chão, seguido do clique suave da porta se fechando, mas manteve o olhar no rosto de Mari o tempo todo.

– Mari – sussurrou ele, tentando forçar a voz em um tom de provocação. – La, la, la, Mari.

Era um refrão bobo que sua filha Penelope tinha criado aos 4 anos. – La, la, la, Mari.

Adrien olhou com atenção o rosto dela. Mari acabara de sorrir? Ele pensou ter visto sua expressão mudar um pouco.

– La, la, la, Mari. – Sua voz tremia, mas ele continuou. – La, la, la, Mari.

Ele se sentia um idiota. Parecia um idiota, mas não fazia ideia do que dizer além daquilo. Não costumava ficar sem palavras. Certamente não com Mari. Mas agora... o que se dizia em um momento como aquele?

Então ficou lá sentado. E continuou pelo que pareceram horas. Ficou e tentou se lembrar de respirar. Ficou e cobriu a boca toda vez que sentiu um enorme soluço vindo, sufocando-o, porque não queria ouvi-lo. Ficou ali tentando desesperadamente não pensar em como seria sua vida sem ela.

Ela era todo o seu mundo. Depois, tiveram filhos, e ela já não era tudo para ele, mas, ainda assim, estava no centro de tudo. Era o sol. Seu sol, em torno do qual tudo de importante girava.

Mari. Ela era a garota que ele não percebera que adorava até ser quase tarde demais. Era tão perfeita - sua Ladybug -, tão absolutamente sua metade que ele quase não a notara. Esperava por um amor cheio de paixão e drama e não lhe ocorrera que o verdadeiro amor podia ser algo totalmente confortável e fácil.

Com Mari, podia ficar sentado por horas sem dizer uma palavra. Ou podiam tagarelar como gralhas. Ele podia dizer algo estúpido e não se importar. Podia fazer amor com ela a noite toda ou passar várias semanas simplesmente aconchegado ao seu lado à noite.

Não importava. Nada disso importava, porque eles dois sabiam.

– Não posso fazer isso sem você – ele deixou escapar. Maldição, tinha passado uma hora sem dizer nada e essa era a primeira coisa que dizia? – Quero dizer, posso, porque teria que fazer isso, mas seria horrível e, sinceramente, eu não faria um bom trabalho. Sou um bom pai, mas só porque você é tão boa mãe.

Se ela morresse…

Ele fechou os olhos com força, tentando expulsar aquele pensamento. Vinha se esforçando tanto para manter essas três palavras longe de sua mente.

Três palavras. “Três palavras” deveria significar eu amo você. E não…

Respirou fundo, estremecendo. Tinha de parar de pensar dessa maneira.

A janela tinha sido ligeiramente aberta para deixar entrar a brisa, e Adrienouviu um grito alegre vindo do lado de fora. Um de seus filhos – um dos garotos ao que parecia. Fazia sol, e ele imaginou que estavam brincando de correr no gramado.

Marinette adorava vê-los correr do lado de fora. Adorava correr com eles também, mesmo quando estava tão grávida que se movia como um pato.

– Mari. – sussurrou ele, tentando manter a voz firme. – Não me deixe. Por favor, não me deixe. Eles precisam mais de você – desabafou, mudando de posição para segurar a mão dela entre as suas. – As crianças. Elas precisam mais de você. Sei que você sabe disso. Você nunca diria isso, mas sabe. E eu preciso de você. Sei que você sabe disso. Você nunca diria isso, mas sabe. E eu preciso de você. Acho que sabe disso também.

Ela não respondeu. Não se mexeu. - Mas respirava. Pelo menos, com a graça de Deus, respirava.

– Pai? – Adrien levou um susto ao ouvir a voz da filha mais velha e se virou rapidamente, desesperado por um instante para se recompor.

– Fui ver as bebês – disse Emma ao entrar no quarto. – Tia Sophie disse que eu podia.

Ele balançou a cabeça, não confiando em si mesmo para falar.

– Um amor – continuou Emma. – As bebês, quero dizer. Não tia Sophie.

Para seu completo choque, Adrien sentiu que sorria.

– Não, ninguém chamaria tia Sophie de “um amor” – falou.

– Mas eu a amo – disse Emma rapidamente.

– Eu sei – respondeu ele, finalmente se virando para olhar para ela. Sempre leal, sua Emma. – Eu também.

Emma deu alguns passos à frente, parando perto do pé da cama.

– Por que mamãe ainda está dormindo? – Ele engoliu em seco.

– Bem, ela está muito cansada, querida. É preciso muita energia para se ter um bebê. Dois, nesse caso.

Emma assentiu, mas ele não tinha certeza se ela acreditava nele. Ela olhava para a mãe com a testa franzida – não exatamente preocupada, mas muito, muito curiosa.

– Ela está pálida. – disse ela finalmente.

– Você acha? – indagou Adrien.

– Está branca como um papel.

Ele achava o mesmo, mas tentava não parecer preocupado, então se limitou a dizer:

– Talvez um pouco mais pálida do que de costume.

Emmanuelle olhou para ele por um momento, em seguida sentou-se na cadeira ao seu lado. Ela estava bem aprumada, as mãos cruzadas elegantemente no colo, e Adrien não podia deixar de se maravilhar com o milagre que ela era. Quase treze anos antes, Emmanuelle Hazel Agreste tinha vindo ao mundo e ele se tornara pai. Essa era sua verdadeira vocação, percebera no instante em que ela fora colocada em seus braços. Sua missão na vida era ser um fidalgo rural.

E pai.

Quando olhou para a bebê Emmanuelle, os olhos dela ainda com aquele tom de cinza-escuro igual ao de todos os seus filhos quando pequenos, ele soube. Por que estava ali, a que estava destinado... foi então que soube. Existia para guiar aquela milagrosa pequena criatura até a vida adulta, para protegê-la e cuidar dela.

Adorava todos os seus filhos, mas sempre teria um vínculo especial com Emma, porque fora ela que lhe ensinara quem ele devia ser.

– Os outros querem vê-la – disse ela, observando o pé direito enquanto o balançava para a frente e para trás.

– Ela ainda precisa descansar, querida.

– Eu sei.

Adrien esperou que a filha continuasse. Ela não estava dizendo o que realmente pensava. Ele tinha a sensação de que era Emma que queria ver a mãe. Queria sentar-se na beirada da cama e rir e gargalhar e, em seguida, explicar cada detalhe da caminhada de observação da natureza que fizera com sua professora.

Os outros – os menores – provavelmente não tinham percebido nada.

Mas Emma sempre fora bastante ligada a Mari - ele se arrepiava ao pensar que se não tivesse descoberto que Marinette era sua Lady, talvez ela e seus filhos não estivessem aqui - Elas eram muito parecidas. Não fisicamente; Emma tinha uma semelhança impressionante com a cunhada de Adrien de mesmo nome, a atual condessa de Agreste.

Isso não fazia o menor sentido, já que as duas não eram parentes de sangue, mas as duas Emmanuelles tinham o mesmo cabelo escuro e o mesmo rosto oval. Os olhos não eram da mesma cor, mas o formato era idêntico.

Por dentro, no entanto, Emmanuelle – sua Emma – era igual a Mari.

Adorava a ordem. Precisava ver o padrão nas coisas. Se pudesse contar à mãe sobre a caminhada do dia anterior, começaria pelas flores que tinham visto. Não se lembraria de todas, mas com certeza saberia quantas havia de cada cor. E Adrien não ficaria surpreso se a professora o procurasse depois e dissesse que Emma insistira para que caminhassem um pouco mais a fim de que o número de flores rosa se igualasse ao de amarelas.

Equidade em todas as coisas, essa era a sua Emmanuelle.

– Mimsy disse que as bebês vão receber os nomes da tia Queren e da tia Rharynnea. – disse Emma, depois de balançar o pé 32 vezes.

- Ele tinha contado. Adrien não podia acreditar que tinha contado. Estava ficando mais parecido com Mari a cada dia. -

– Como de costume, Mimsy está certa – respondeu ele.

Mimsy era a babá e enfermeira das crianças, e candidata a canonização, se é que ele já tinha conhecido alguma.

– Ela não sabia quais vão ser os nomes do meio. – Adrien franziu a testa.

– Acho que ainda não tivemos oportunidade de pensar sobre isso. – Emma lançou a ele um perturbador olhar direto.

– Antes de a mamãe precisar descansar?

– Hã, sim – respondeu Adrien, seu olhar fugindo do dela.

Ele não estava orgulhoso de desviar o olhar, mas era a sua única opção se não queria chorar diante da filha.

– Acho que uma delas devia se chamar Sophie. – anunciou Emma, ele assentiu.

– Queren Sophie ou Rharynnea Sophie? – Emma pressionou os lábios, pensando, então disse com firmeza:

– Rharynnea Sophie. Tem um lindo som. Embora… – Adrien esperou que ela completasse seu pensamento, e então, quando ela demorou a falar, disse:

– Embora...?

– Seja meio floreado.

– Não sei como se pode evitar isso com um nome como Sophie.

– Verdade – disse Emma, pensativa –, mas e se ela não for doce e delicada?

– Como a sua tia Sophie? – murmurou ele, algumas coisas imploravam por serem ditas.

– Ela é bastante impetuosa – disse Emma, sem um pingo de sarcasmo.

– Impetuosa ou temível?

– Ah, só impetuosa. Tia Sophie não é nem um pouco temível.

– Não diga isso a ela. – Emma piscou sem entender.

– Você acha que ela quer ser temível?

– E impetuosa.

– Que estranho – murmurou ela. Então levantou a cabeça com olhos especialmente brilhantes. – Acho que tia Sophie vai adorar se uma das bebês tiver o nome dela.

Adrien sentiu que sorria. Um sorriso de verdade, não só algo para fazer com que sua filha se sentisse segura.

– Sim, ela vai – disse, calmamente.

– Ela provavelmente achou que isso não ia acontecer – continuou Emma –, já que você e a mamãe seguiram a ordem. Todos sabíamos que o nome seria Queren se fosse uma menina.

– E quem teria esperado gêmeas?

– Mesmo assim ainda teria tia Rharynnea na frente – disse Emma. – Mamãe teria que ter tido trigêmeos para uma receber o nome de tia Sophie.

Trigêmeos. Adrien não era católico, mas era difícil conter o desejo de se benzer

– E todos os bebês teriam de ser meninas – acrescentou Emma –, o que parece uma improbabilidade matemática.

– De fato – murmurou ele. Ela sorriu. E ele sorriu. Então eles se deram as mãos.

– Eu estava pensando... – começou Emma.

– Sim, querida?

– Se Rharynnea vai ser Rharynnea Sophie, então Queren deveria ser Queren Marinette. Porque mamãe é a melhor mãe do mundo.

Adrien lutou contra o bolo que subia em sua garganta.

– Sim, ela é – disse ele com a voz rouca.

– Eu acho que mamãe ia gostar disso – sugeriu Emma. – O senhor não acha?

De alguma forma, ele conseguiu fazer que sim.

– Ela provavelmente ia dizer que deveríamos escolher o nome de outra pessoa para dar à bebê. Ela é muito generosa.

– Eu sei. É por isso que temos que fazer isso enquanto ela ainda está dormindo. Antes que ela tenha a chance de discutir. Porque ela vai, o senhor sabe. – Adrien riu.

– Ela vai dizer que não deveríamos ter feito isso, mas, no fundo, vai adorar – Emma.

Adrien sentiu outro bolo na garganta, mas esse, felizmente, nascia do amor paternal.

Gregory sentiu outro bolo na garganta, mas esse, felizmente, nascia do amor

– Acho que você está certa.

Emma sorriu, radiante.

Ele bagunçou o cabelo dela. Logo ela estaria muito grande para essas brincadeiras e lhe diria para não desmanchar seu penteado. Mas, por enquanto, aproveitava para bagunçar seu cabelo tanto quanto podia. Ele sorriu para a filha.

– Como você conhece a sua mãe tão bem?

Ela olhou para ele com uma expressão indulgente. Já tinham tido aquela conversa antes.

– É porque eu sou exatamente como ela.

– Isso mesmo – concordou ele. Ficaram de mãos dadas por mais alguns instantes. Adrien suspirou e olhou para a mulher, ainda dormindo em sua cama. Então sentiu a mão da filha deslizar para a sua, pequena e quente.

– La, la, la, Mari... – falou Emma, e ele pôde ouvir um sorriso discreto em sua voz.

– La, la, la, Mari…. – repetiu ele. E, surpreendentemente, ouviu um sorriso na própria voz também.

Poucas horas depois, o Dr. Jack voltou, cansado e amarfanhado depois de fazer outro parto no vilarejo. Gregory conhecia bem o médico; Peter Jackson tinha acabado de se formar quando Adrien e Marinette decidiram fixar residência perto de Montreux e era o médico da família desde então. Ele e Adrien eram quase da mesma idade e tinham jantado várias vezes juntos ao longo dos anos. A Sra. Jackson também era uma boa amiga de Marinette, e seus filhos brincavam juntos muitas vezes.

Em todos os anos de amizade, porém, Adrien nunca tinha visto aquela expressão no rosto de Peter. Os lábios estavam contraídos nos cantos, e ele não fez nenhuma das brincadeiras habituais antes de examinar Marinette.

Sophie estava lá também, depois de ter insistido que Marinette precisava do apoio de outra mulher no quarto.

– Como se qualquer um de vocês pudesse entender os rigores do parto… – comentara ela, com algum desdém.

Adrien não dissera uma palavra. Tinha acabado de chegar para o lado a fim de permitir que a irmã entrasse. Havia algo reconfortante em sua presença decidida. Ou talvez inspirador. Sophie era tão forte que quase dava para acreditar que ela poderia forçar Marinette a se curar.

Os dois ficaram afastados enquanto o médico sentia a pulsação de Marinette e ouvia seu coração. E então, para total espanto de Adrien, Peter agarrou-a bruscamente pelo ombro e começou a sacudi-la.

– O que você está fazendo? – gritou Adrien, saltando para a frente para intervir.

– Acordando a sua mulher… – disse Peter resolutamente.

– Mas ela não precisa descansar?

– É mais importante que ela acorde.

– Mas…

Adrien não sabia exatamente contra o que estava protestando e a verdade era que não importava, porque, quando Peter o interrompeu, foi para dizer:

– Pelo amor de Deus, Agrestes, precisamos saber que ela pode acordar. – Ele a balançou novamente e, dessa vez, disse em voz alta: – Lady Marinette! Lady Marintte! – Adrien se aproximou e chamou: – Mari ? Mari ?

Ela mudou de posição, resmungando algo em seu sono.

Adrien olhou atentamente para Peter, todas as perguntas do mundo em seus olhos.

– Veja se consegue fazê-la responder. – disse Peter.

– Deixe-me tentar. – interveio Sophie decididamente, Adrien viu quando ela se curvou e disse algo no ouvido de Marinette.

– O que você está dizendo? – perguntou ele, Sophie balançou a cabeça.

– Você não quer saber.

– Ah, pelo amor de Deus. – murmurou ele, empurrando-a para o lado. Ele pegou a mão de Marinette e apertou-a com mais força do que tinha feito antes. – Mari! Quantos degraus existem na escada dos fundos da cozinha até o primeiro andar?

Ela não abriu os olhos, mas fez um som que ele pensou que parecia com…

– Você disse dezessete? – perguntou ele, ela bufou e dessa vez ele a ouviu claramente.

– Dezesseis.

– Ah, graças a Deus. – Adrien soltou a mão dela e desabou na cadeira ao lado da cama. – Viram só? – disse ele. – Viram só? Ela está bem. Ela vai ficar bem.

– Adrien... – começou Peter, mas sua voz não era tranquilizadora.

– Você me disse que tínhamos de acordá-la.

– Nós conseguimos. – disse Peter, sério. – E isso foi um ótimo sinal. Mas não significa…

– Não diga isso. – pediu Adrien, em voz baixa.

– Mas você deve…

– Não diga isso!

Peter ficou em silêncio. Continuou lá parado, olhando para ele com uma expressão horrível. Era piedade, compaixão, pesar e nada que quisesse ver no rosto de um médico.

Adrien desmoronou. Tinha feito o que lhe pediram. Tinha acordado Marinette, mesmo que só por um instante. Ela estava dormindo de novo, agora curvada de lado, virada na outra direção.

– Eu fiz o que você pediu! – disse Adrien em voz baixa. Então olhou de volta para Peter. – Eu fiz o que você pediu! – repetiu, desta vez com mais severidade.

– Eu sei e não posso lhe dizer como é reconfortante o fato de ela ter falado – retrucou Peter gentilmente. – Mas não podemos encarar isso como uma garantia.

Adrien tentou falar, mas sua garganta estava se fechando. Aquela horrível sensação sufocante tomava conta dele de novo e tudo o que conseguia fazer era respirar. Se pudesse apenas respirar e nada mais, talvez conseguisse não chorar na frente do amigo.

– O corpo precisa recuperar as forças depois de uma hemorragia... – explicou Peter. – Ela pode dormir por um tempo ainda. E pode... – Ele limpou a garganta. – E pode não acordar novamente.

– É claro que ela vai acordar – disse Sophie categoricamente. – Ela já fez isso uma vez, pode fazer de novo.

O médico olhou para ela rapidamente, antes de voltar a atenção outra vez para Adrien.

– Se tudo correr bem, acho que podemos esperar uma recuperação bem normal. Pode levar algum tempo. – alertou ele. – Não tenho como saber exatamente quanto sangue ela perdeu. Pode levar meses para o corpo reconstituir os fluidos necessários.

Adrien balançou a cabeça lentamente.

– Ela estará fraca. Acho que vai precisar ficar de cama por pelo menos um mês.

– Ela não vai gostar disso. – Peter pigarreou sem jeito.

– Pode mandar alguém me chamar caso haja alguma mudança? – Adrien assentiu silenciosamente.

– Não – disse Sophie, dando um passo à frente para barrar a porta. – Eu tenho mais perguntas.

– Sinto muito – falou o médico em voz baixa. – Eu não tenho mais respostas.

E nem mesmo Sophie podia argumentar contra isso.

Quando o alvorecer chegou, radiante e infindavelmente animadora, Adrien acordou no quarto em que Marinette estava acamada, ainda na cadeira ao lado do leito. Ela dormia, mas estava inquieta, fazendo seus barulhos sonolentos de costume enquanto mudava de posição. E então, surpreendentemente, ela abriu os olhos.

– Mari ? – Adrien agarrou sua mão, então teve de se forçar para segurá-la mas de leve.

– Estou com sede... – disse ela com a voz fraca, ele balançou a cabeça e correu para pegar um copo d’água.

– Você me deixou tão... Eu não…

Mas ele não conseguiu dizer mais nada. Sua voz se perdeu e tudo o que saiu foi um soluço doloroso. Ele ficou paralisado, de costas para ela, enquanto tentava recuperar a compostura. Amão tremia, a água salpicando sua manga. Ouviu Marinette tentar dizer seu nome e sabia que precisava se acalmar. Fora ela que quase morrera; não podia desmoronar enquanto ela precisava dele. Adrien respirou fundo. Depois mais uma vez.

– Aqui está. – disse ele, tentando manter a voz alegre quando se virou.

Levou o copo para ela, então imediatamente percebeu seu erro. Ela estava fraca demais para segurar o copo, que dirá para conseguir se sentar. Ele o pousou em uma mesa próxima, em seguida passou os braços em volta dela em um abraço carinhoso para ajudá-la a se sentar.


– Deixe-me arrumar os travesseiros. – murmurou, mudando-os de lugar e afofando-os até estar convencido de que ela tinha o apoio adequado.

Então levou o copo aos lábios dela e o virou quase nada. Marinette bebeu um pouco, depois se recostou, respirando com dificuldade por causa do esforço.

Adrien a observou em silêncio. Não achava que ela havia conseguido beber mais do que algumas gotas.

– Você devia beber mais! – disse ele, ela assentiu, quase imperceptivelmente, então disse:

– Em um instante.

– Seria mais fácil com uma colher?

Ela fechou os olhos e acenou com a cabeça bem fracamente mais uma vez. Ele olhou ao redor do quarto. Alguém lhe trouxera chá na noite anterior e ainda não tinham ido recolher. Provavelmente não quiseram perturbá-lo. Adrien concluiu que diligência era mais importante do que limpeza e pegou a colher do açucareiro. Então pensou que provavelmente um pouco de açúcar lhe faria bem e levou tudo.

– Aqui está – murmurou, dando-lhe uma colher de água. – Quer um pouco de açúcar também?

Ela assentiu e então ele colocou um pouco em sua língua.

– O que aconteceu? – perguntou ela, ele olhou para ela em choque.

– Você não sabe? – Ela piscou algumas vezes.

– Eu estava sangrando?

– Bastante – desabafou ele.

Não podia entrar em detalhes. Não queria descrever a perda de sangue que tinha presenciado. Não queria que ela soubesse e, para ser sincero, ele mesmo queria esquecer. Ela franziu a testa e virou a cabeça de lado. Depois de alguns instantes, Adrien percebeu que ela estava tentando olhar para o pé da cama.

– Nós limpamos – disse ele, os lábios se abrindo em um pequeno sorriso.

Aquilo era tão a cara de Marinette, certificar-se de que estava tudo em ordem. Ela acenou de leve a cabeça. Então disse:

– Estou cansada.

– O Dr. Jack disse que você vai ficar fraca por vários meses. Acho que vai ficar de cama por algum tempo.

Ela deixou escapar um gemido, mas mesmo o gemido saiu fraco.

– Odeio ficar de repouso na cama.

Ele sorriu. Marinette gostava de ação; sempre fora assim. Gostava de consertar coisas, fazer coisas, deixar todos felizes. A inatividade quase a matava.

Uma metáfora ruim. Mas ainda assim.

Ele se inclinou em direção a ela com ar sério.

– Você vai ficar na cama nem que eu tenha de amarrá-la.

– Você não faz o tipo – disse ela, movendo ligeiramente o queixo.

Ele achou que ela tentava exibir uma expressão despreocupada, mas ser insolente parecia demandar energia. Ela fechou os olhos novamente, soltando um suspiro suave.

– Já fiz isso uma vez. – disse ele.

Ela deixou escapar um som engraçado que ele achou que pudesse ser mesmo uma risada.

– Fez, não foi? – Ele se curvou e beijou-a suavemente nos lábios.

– Eu salvei o dia.

– Você sempre salva o dia.

– Não. – Ele engoliu em seco. – É você quem salva.

Os olhos deles se encontraram e havia ali algo forte e profundo. Adrien sentiu uma dor por dentro e por um momento teve certeza de que ia chorar outra vez. Mas então, justamente quando sentiu que começava a desmoronar, ela deu de ombros e disse:

– Eu não posso me mover agora, de qualquer maneira. – O equilíbrio dele se restaurou um pouco e ele se levantou para ver se havia sobrado algum biscoito na bandeja de chá.

– Lembre-se disso em uma semana. – Ele não tinha dúvidas de que ela ia tentar sair da cama muito antes do recomendado.

– Onde estão as bebês? – Adrien fez uma pausa, então se virou.

– Eu não sei – respondeu ele lentamente. Santo Deus, tinha esquecido por completo. – No quarto das crianças, imagino. As duas são perfeitas. Rosadas e barulhentas e tudo o que deveriam ser.

Marinette sorriu de leve e deixou escapar outro som cansado.

– Posso vê-las?

– É claro. Vou mandar alguém buscá-las imediatamente.

– Mas não traga os outros. – disse Marinette, os olhos se enevoando. – Não quero que me vejam assim.

– Acho que você está linda. – retrucou ele. Então se aproximou e se sentou na beirada da cama. – Acho que você deve ser a coisa mais linda que eu já vi.

– Pare. – disse ela, uma vez que nunca fora muito boa em receber elogios.

Mas ele viu os lábios dela tremerem um pouco, oscilando entre um sorriso e um soluço.

– Emma esteve aqui ontem – disse ele, os olhos dela se abriram.

– Não, não, não se preocupe – acrescentou ele rapidamente. – Eu disse a ela que você só estava dormindo. Que é o que estava fazendo. Ela não está preocupada.

– Tem certeza? – Ele assentiu.

– Ela chamou você de La, la, la, Mari. – Marinette sorriu.

– Ela é maravilhosa.

– É igualzinha a você.

– Não é por isso que ela é marav…

– É exatamente por isso. – interrompeu ele com um sorriso. – E quase me esqueci de lhe dizer. Ela escolheu os nomes das bebês.

– Achei que você tivesse escolhido.

– Escolhi. Aqui, tome mais água. – Ele parou por um instante para ajudá-la a beber um pouco mais. Distração seria a chave, concluiu. Um pouco aqui, um pouco ali, e ela acabaria tomando um copo inteiro. – Emma pensou nos segundos nomes Rharynnea Sophie e Queren Marinette.

– Queren…?

– Marinette! – Completou ele. – Queren Marinette. Não é lindo?

Para sua surpresa, ela não protestou. Apenas assentiu, o movimento quase imperceptível, os olhos cheios de lágrimas.

– Ela disse que era porque você é a melhor mãe do mundo. – acrescentou ele carinhosamente, então ela chorou, grandes lágrimas silenciosas rolando de seus olhos.

– Quer que eu traga as bebês agora? – perguntou ele, ela fez que sim.

– Por favor. E... – Marinette fez uma pausa, e Adrien notou quando ela engoliu em seco. – E traga os outros também.

– Tem certeza? – Ela assentiu novamente.

– Se me ajudar a me sentar um pouco mais ereta, acho que posso aguentar alguns abraços e beijos.

As lágrimas, aquelas que ele vinha tentando tanto conter, escorreram de seus olhos.

– Não consigo pensar em nenhuma outra coisa que possa ajudá-la a melhorar mais rápido.

Ele caminhou até a porta, em seguida se virou com a mão na maçaneta.

– Eu amo você, La, la, la, Mari. Minha My Lady. Eu nunca me cansarei de dizer que é você quem eu amo, é você quem eu quero e é o seu lado que eu quero acordar todos os dias.

– Também amo você. Mon Chaton.




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