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História After You - Segunda Temporada - Capítulo 44



Notas do Autor


Boa noite queridos leitores,

Capítulo novo,
Boa leitura!

Capítulo 44 - Desastre de Natal - Parte II


Chocados com a situação, a família toda assistia a cena. Owen só segurou a esposa depois que Barbara já estava do lado de fora, levantando com certa dificuldade.

Seus olhos crispando em fúria. Os pais dela foram embora e a levaram mortos de vergonha.

- Claire?

A ruiva estava vermelha, transtornada.

- Eu vou matar ela, Owen. - Disse trêmula.

- Não vai não. - Com todo o cuidado e paciência o homem a levou para dentro. Owen foi preparar um copo de água com um comprido de calmante após deixá-la sentada no sofá. - Hey... toma aqui...

Um pouco mais calma, Claire o pegou da mão dele e tomou. Algumas lágrimas se formaram em seus olhos.

- E a nossa filha? Onde está? - o encarou.

- Está com as tias. - Carinhosamente, Owen as secou com a ponta dos dedos enquanto o fogo na lareira crepitava. Logo as mãos assumiram o trabalho de segurá-la firme nas duas mãos até ela parar de tremer.

- Eu te amo, tá bom? Não tem que levar em consideração o que ela fala. Ela não sabe o que diz. Tem inveja de nós.

Claire o abraçou com força, enquanto aspirava seu aroma másculo. Só ele conseguia acalmá-la. Então, ela o olhou nos olhos.

- Eu também te amo. Vocês são tudo para mim, faria qualquer coisa por vocês... - Aproximou-se selando seus lábios nos dele em um beijo calmo. - Vamos continuar nosso natal? - disse entre seus lábios doce.

- Está mais calma?

Owen retirou um cacho ruivo da face da esposa quando Clarisse surgiu na porta engatinhando e sem um dos sapatos.

- Sim... - sorriu para ele e ao olhar para o lado e se deparar com aquela cena, toda a raiva que sentia ficou no passado e seu coração se encheu de amor. - Filhotinha... Meu Deus...

Clarisse continuou engatinhando e Claire a pegou nos braços a colocando no meio dos dois a enchendo de beijos.

- Onde foi parar seu sapato, mocinha? - Clarisse balbuciou alguma coisa enquanto o pai se lembrou da primeira vez que incentivou a bebê a se "arrastar" por si só.

- Boa pergunta... - Ele riu encarando o bebê. - Olha a cor da sua meia calça, Clarisse Dearing Grady. De branca está marrom. - a pequena encarou a mãe como se entendesse.

Logo toda a família estava reunida novamente na mesa saboreando a ceia. O barulho das crianças ecoava a casa, era um som bem agradável. Agora eles estavam em paz.

Enquanto enchia o prato de peru assado, Owen aproximou-se da ruiva.

- Você está bem?

Ela o encarou com um sorriso singelo.

- Depois do que aconteceu, ver a nossa filhotinha me chamar de mamãe e começar a engatinhar faz qualquer sentimento ruim desaparecer... - segurou a mão dele fazendo um carinho. - Estou ótima... Além de ter dado para Barbara o que ela merecia há muito tempo.

Owen sorriu, olhando-a.

- Eu tive orgulho de você, hoje. - Ele viu a surpresa no olhar da mulher. - Sim, eu tive. Eu odiei quando ela falou sobre a Clarisse. Você é tempestiva. Era de se esperar. - O loiro sorriu de canto.

Ela sentiu seu rosto arder e o coração derreter.

- Faço qualquer coisa por ela, por vocês dois. São a razão da minha existência. Se for preciso os defenderei com unhas e dentes. - se aproximou o dando um selinho demorado.

- Credo... Vocês não enjoam um do outro, não? - Zach perguntou com um tom brincalhão.

- Quem te chamou na conversa, garoto? - Brincou arremessando uma ervilha no sobrinho, levando bronca da mãe.

- O Owen é um meninão, nunca cresce!

Depois da refeição agradável, Claire ficou um bom tempo conversando com Kate sobre bebês até que deu a hora das crianças dormirem. A ruiva cuidadosamente pegou Clarisse que estava sonolenta nos braços do pai e arrastou Karen junto com elas para o quarto.

- Que princesa mais linda da tia... - Karen brincava com a pequena enquanto a irmã a trocava.

- Mana, preciso de um favor...

- Claro. Diga...

- Você pode ficar com a Cla um pouco?... Mais tarde busco ela no seu quarto...

- Mais é claro, mana... - A loira não era nada boba já sabia as intenções da irmã. - Fico tão feliz de te ver tão realizada.

- Estou sim, mais feliz que nunca. Obrigada. - sorriu a abraçando.

Clarisse que estava deitada na cama, acabou adormecendo. Karen aproveitou que já estava cansada também e a levou para o quarto dela para dormirem. Claire voltou para sala sentando ao lado de Owen.

O mesmo estava na segunda dose de tequila, jogando baralho com o irmão, cunhado e tios de frente a lareira.

- Pára de roubar, seu arrombado do caralho!

- Owen, não fale assim. - O repreendeu. Ela detestava quando ele falava daquela forma.

- Ruiva... O que está fazendo aqui? - Sussurra.

- Não posso ficar aqui? - sussurrou da mesma forma.

- É uma partida entre homens, lógico que vai ter palavrão. E não, não pode.

Ela o encarou com os olhos arregalados.

- Okay... Tchau... - levantou se retirando do cômodo.

Claire foi para o quarto tomar um banho e depois pensou que buscaria a filha.

*

Pouco tempo depois, Owen subia a escadaria com raiva por ter perdido 5 vezes seguidas.

Entrou no banheiro não se importando o fato da esposa estar tomando banho e foi fazer xixi no vaso sanitário ao lado.

- OWEEEEEN JÁ PEDI PARA NÃO FAZER SUAS NECESSIDADES QUANDO EU ESTIVER USANDO O BANHEIRO! - Berrou irritada de dentro do boxe.

- Qual o problema?

- Todo! É algo que tem que fazer sozinho. - Desligou o chuveiro e começou a se secar depressa.

- Não precisa gritar...

Claire não o respondeu. Saiu do banheiro e foi para o quarto colocando sua camisola.

Owen ignorou o mau humor típico da esposa e foi tomar um banho quente.

Claire foi até o quarto de Karen e pegou a filha que dormia como um anjinho. Não demorou muito para a pequena já estar em seu berço e Claire deitada. Um vapor quente tomou conta do quarto, tornando o ambiente esbranquiçado e úmido. Clarisse tossiu no berço um pouco e resmungou, quando o pai começou a cantar no chuveiro.

- IT'S MY LIFEEE IS NOW OR NEVEEEER...

Claire levantou irritada indo até lá.

- Será que dá para você parar, Owen. Vai acordar a Clarisse!

- Ah, me desculpe minha vida. Vou cantar mais baixo.

Prosseguiu com o "show" no banho gastando até mais água que o necessário.

Claire saiu muito irritada e foi ver a filha no berço, aparentemente estava dormindo ainda. Então voltou a deitar.

Pouco depois, o marido subiu na cama bruscamente fazendo a ruiva saltar. Sacudiu o travesseiro audivelmente e curvou-se por cima dela a irritando propositalmente.

- Hey? Tá naqueles dias?

- Sai daqui... - se afastou.

- Está? Sabia. - Deu uma risada áspera, deitando-se.

- Não idiota, não estou! - virou para o outro lado.

- Ok... Boa noite. - Desfere um tapa no bumbum dela e fecha os olhos.

- Feliz natal. - disse apenas e também fechou os olhos.

Owen suspirou fechando os olhos. Só conseguiu se xingar mentalmente ao se lembrar de que havia se esquecido do presente da esposa.

*

Manhã de natal, a casa estava bem movimentada apesar de ser ainda bem cedo. Claire acordou e ficou por um tempo observando o marido então decidiu levantar, tinha dormido muito mal. Depois de fazer suas higienes matinais se trocou, colocando uma calça jeans, jaqueta e botas. Clarisse ainda dormia, aproveitou para ir preparar o seu leite.

- Bom dia, querida. Como foi a noite? Estava bem frio, tive que levantar e aumentar a potência do aquecedor. - Comenta a sogra indo abrir a geladeira pegando o restante da ceia da noite anterior.

- Bom dia dona Tereza... Foi uma noite longa, estava frio mesmo. - Ela pegou o leite e as coisas para fazer a mamadeira. - A propósito... - Foi até ela e a deu um abraço. - Feliz Natal.

- Feliz natal, querida. Que carinha é essa?

- Ah... - se afastou indo para o fogão. - O de sempre... Eu e o Owen não estamos muito bem... - disse cabisbaixa.

- Ah, de novo? Ainda não aprenderam a contornar essas situações? Sabe que o segredo para que dê certo é que um dos lados tem que ceder...

- Eu sei... - Sentou-se. - É que quando ele bebe fica tão insuportável... - respirou fundo. - Dei feliz natal para ele ontem, e nem sequer me respondeu... A senhora acha que um dia, isso vai nos separar?

- O quanto...- Pausou. - ... o Owen bebeu ontem?

- Eu não sei... Mas, odeio quando ele bebe.

- Ah querida, já tentou conversar com ele sobre? Owen sempre bebeu, as vezes é difícil para ele parar definitivamente.

- Ele não vai me ouvir... - disse triste. - Bom, vou levar o leite da Cla.... Deve estar faminta. - pegou a mamadeira.

- Está bem, querida. Se lembre do meu conselho.

*

Quando Claire chegou ao quarto, Owen não estava. Havia apenas um embrulho de presente próximo ao berço de Clarisse, que era o presente de natal da filha.

A ruiva sentiu um nó na garante e então pegou a pequena adormecida e sentou na cama a dando de mamar.

- Oi princesa... - acariciou o rostinho dela. - Acorda... - aos poucos a bebê foi despertando com uma expressão séria, como se não tivesse gostado de ser acordada fazendo a mãe rir.

Sophie que passava pelo corredor correndo, invadiu o quarto e sentou ao lado da tia, os olhinhos curiosos na prima.

- Tia, a Clarisse não pode tomar leite no copo rosa igual ao meu?

Claire sorriu enquanto a beija na cabeça.

- Não princesa, ela é muito bebê, não sabe beber no copo ainda. Mas irei comprar um copo igual ao seu, para quando ela for maior tomar... - sorriu para menor.

- É mesmo? E o que acontece se ela beber no copo?

- Ela pode se engasgar, iria sujar a roupa dela e a Cla ainda não sabe beber sozinha...

- É só ensinar ela tia. Eu também não sabia escrever sabe, aí minha professora ensinou. - Sophie começou a tagarelar sem parar, sobre a escola, o irmão, seus presentes de Natal e por fim voltou o assunto na prima. - Olha o tamanho do pé dela tia, parece o da minha boneca!

Claire ria muito com as histórias da sobrinha. Adorava muito a garotinha e imaginava que provavelmente Clarisse seria tagarela igual a prima.

- Sim... Ela é uma boneca, mas de verdade. - a colocou no centro da cama. Clarisse estava com a mãozinha na boca enquanto olhava para a prima.

- MA... ma...

- Oi Clarisse. Você fala bebenês, não é? Eu não seu falar bebenês mais. - Sophie tentou pegar Clarisse, mas a mesma gritou pelo aperto e Claire riu. - Desculpa. Quer brincar de boneca comigo? Eu deixo você segurar ela um pouco.

Claire achou tão fofo as duas, que suspirou.

- Que tal você ir pegar a sua boneca, enquanto eu dou um banho na sua priminha?

A criança saiu correndo empolgada indo prontamente buscá-la. A ruiva aproveitou e banhou a filha que estava muito agitada. Logo a bebê estava cheirosa e quentinha na cama. E Sophie voltou com a boneca.

- Quer segurar ela Soph?

- Ela vai gritar de novo, tia...

Tereza apareceu na porta do quarto, com o avental na mão.

- Claire, Sophie e Clarisse, que tal as três descerem para o café? Fiz torta de morangos.

- Claro. - pegou a filha que estava bem sapeca perto da prima no colo. - Vem Soph, pega sua boneca.

As três acompanharam a mais velha. Sentaram-se a mesa e começaram a comer junto com o resto da família. Claire estava muito preocupada com o sumiço de Owen, mas não iria atrás dele.

Sophie encheu a boca de torta e parecia querer exibir-se para Clarisse para que ela fizesse o mesmo.

A bebê ficou encarando a prima com atenção e começou a gargalhar, fazendo todos na mesa rir.

- O que foi princesa? - perguntou para a filha e ao ver o motivo, olhou para Sophie. - Hey... Não pode...

A mesma riu para a tia assentindo com a cabeça.

- Claire, e o Owen? - Karen perguntou achando estranho ele não estar ali.

- Não faço idéia...

- Owen saiu com o irmão e uns amigos para pescar no lago congelado. Homens tem cada idéia...

- Nem fala, mãe. Não é atoa aquela frase de que as mulheres irão dominar o mundo.

- Frase perfeita! - Tereza acrescentou servindo-se de mais torta.

- Ótima frase Jess... - Claire concordou.

Os minutos se passaram e já tinham terminado o café. Todas estavam na sala tomando chocolate quente, enquanto conversavam e as crianças brincavam no tapete. Claire e Kate estavam com as bebês no colo, falavam sobre elas e como estava sendo ser mãe.

Um pouco antes do almoço, Owen, Harry e alguns homens estranhos chegaram com alguns peixes para prepararem o jantar. Os 5 homens riam e se xingavam entre si, como um bando de brutamontes.

Sophie torceu o nariz e foi brincar em outro canto.

- Que algazarra é essa na minha casa? Vocês estão cheirando a peixe e cachaça, por Deus! - Tereza e a filha trataram de guardar os peixes da pescariq depois os expulsaram da cozinha.

Claire pegou a Clarisse e foi para o quarto, bem longe de todo aquele barulho.

- Da...Da...

- Olha só, quer conversar? - sentou na cama colocando a bebê deitada no meio dela. - Oi minha vida...

A pequena coçou os olhinhos e sorriu para a mãe, dava gritinhos e falava palavras sem sentido.

Depois que foram obrigados a tomar banho e trocar de roupa, os homens se juntaram a mesa para almoçar. Tereza foi chamar Claire outra vez.

- Vai ficar só no quarto, filha? Estamos só esperando vocês para começar.

- Podem começar sem mim dona Tereza. Estou sem fome e indisposta... Depois desço para fazer a papinha da Cla...

- Está bem, querida.

Ela sorriu para a sogra e a mesma se retirou. Após algum tempo, Claire desceu indo direto para a cozinha, colocou Clarisse na cadeirinha. A pequena brincava com a boneca de pano, enquanto a mãe fazia sua papinha de abóbora.

Clarisse começou a gritar na cadeirinha impaciente quando sentiu o cheiro da comida, chamando a atenção de todos na mesa.

Claire riu colocando tudo no pratinho.

- Aqui está faminta da mamãe... - sentou na frente de dela. Começou a lhe dar a comida, e durante cada colherada a pequena conversava com a mãe.

- Que boneca falante titia... - Karen sentou perto delas. - O que está rolando com você e o Owen?

- Discutimos... - disse olhando para a filha.

- De novo Claire? Vocês estavam tão bem...

- Eu sei Karen... E também estou cansada disso, não gosto de brigar com ele.

Clarisse empurrou a comida irritada. Pareceu entender o rumo daquela conversa.

- Hey... Não pode fazer isso filha! - a repreendeu e a pequena começou a chorar. - Não meu amor... - a retirou da cadeirinha e a abraçou. - Não chora...

Quando o almoço acabou, os homens trataram de sair para o quintal aproveitar que a tempestade de neve havia dado uma trégua e tirar o excesso de gelo da entrada. Enquanto Claire e Karen conversavam, do lado de fora do vidro dava para ver nitidamente Owen conversando com uma mulher estranha.

- Mana... - a loira viu a cena pela janela. - Quem é aquela mulher com o Owen?

A ruiva levantou rapidamente olhando, ela sentiu um embrulho no estômago misturado com raiva.

- Deve ser mais uma dando em cima do Owen, e pelo jeito ele está dando bola... - trincou os dentes de raiva.

- E você não vai lá?

- Não Karen... Por mim ele pode fazer o que quiser... - respirou fundo. - Quer saber... Eu cansei... - pegou a filha e foi rumo aos quartos.

- Como assim, Claire? - Foi rapidamente atrás da irmã.

*

- Ah foi bom te rever, Owen. Quando puder, pode passar lá em casa.

- Vai me dizer que seus pais ainda fazem aqueles biscoitinhos de chocolate dos deuses?

- Sim, é receita tradicional da família Grimmes. Está convidado, leva seus irmãos.

- Pode deixar, Stella.

Os dois sorriam amigavelmente um para o outro.

*

- Claire? Pelo amor de Deus... O que vai fazer.

A ruiva andava de um lado para o outro nervosa.

- O que acha de darmos uma volta?

- O que?

- Por favor Karen... Não quero ficar aqui...

- Está bem... - revirou os olhos. - Vou pegar as chaves do carro que eu aluguei.

Saiu, Claire foi arrumar a filha a deixando bem agasalhada e pegou a bolsa da pequena. As três saíram indo para o carro.

- Não vai avisar para a mãe do Owen que vamos sair?

- Não. Preciso respirar...

- Como exatamente foi a briga de vocês? Parece ter sido séria para você agir desse jeito, mana...

- Na verdade, já tivemos brigas piores... - começou a chorar. - Estávamos tão bem Karen... Fazia meses que não tínhamos uma discussão sequer. Ele bebeu ontem, o Owen quando bebe fica insuportável... Odeio quando ele bebe. Pensei que ele pararia depois que virasse pai... Aí nos desentendemos, antes de dormir dei feliz natal, ele não me respondeu. Depois passou o dia fora... Ah Karen... Talvez o problema seja eu mesmo. Mas eu sempre vou atrás... Não vou mais. Eu estou cansada de ser magoada... - desabafou soluçando.

- Calma... - A irmã a abraçou a consolando. - O que quer fazer?

- Eu não sei... Eu o amo demais... Não sei o que fazer sem ele Karen...

- Então vocês precisam conversar Claire... Vai por mim. Acabei de sair de um divórcio. Não é nada agradável. E vocês se amam muito.

Clarisse observando a cena quietinha enquanto mordia o mordedor.

- Ah, mana pára com isso. Já notou que se magoa facilmente? Os homens são diferentes da gente. Gostam de passar um dia inteiro em busca de aventuras e coisas desafiadoras do que a gente que prefere passar o dia de mãos dadas trocando juras de amor. Eles são assim, é da natureza deles. O Owen vem ver a família uma vez ao ano, não vejo problema dele tirar um dia com os irmãos e amigos. Ele fica na ilha 365 dias com você. Só com você. Pensa bem se não está exagerando... Você é muito sentimental. Isso é bom, mas não podemos deixar nos cegar.

Claire ficou pensativa e encarou a irmã.

- Tem razão... Devo agir menos com o sentimento. Igual antes... - respirou fundo. - Fica um a Cla um pouquinho? Preciso dormir um pouco... E pensar...

- É, acho que deve ir pensar mesmo. Porque pelo visto me interpretou mal... - Karen pega a sobrinha e começa a niná-la nos braços.

- E o que eu tenho que fazer? - encarou a irmã.

- Agir normalmente?

- Tá bom... - assentiu com a cabeça e deu um beijo na filha. - Te amo filhotinha.... - se afastou e foi para o quarto. Estava exausta pela noite mal dormida, mal se deitou e adormeceu.

*

- Owen, a Claire não almoçou hoje. Ela parece doente, vai ver o que ela tem.

- Como doente? É só eu ficar fora por oito horas e ela já fica doente?

- Então, vai por ela para comer. Estou preocupada, ela está em fase de amamentação, não pode ficar sem nutrientes...

- Ok, Ok! Já entendi!

Owen subiu as escadas encontrando com a ruiva deitada na cama, do lado dele.

- Claire? Claire!

Ela escutou aquela voz tão distante, que achou estar sonhando. Então abraçou mais o travesseiro dele.

O loiro sentou-se no espaço vazio ao lado, colocando a mão direita na testa dela.

Ao sentir a mão gelada do marido, ela acabou acordando. Aos poucos foi abrindo os olhos se acostumando com a luz. Quando viu Owen se assustou.

- Acho que dormi demais... - sentou.

- Está tudo bem? - Ele afastou os cabelos ruivos do rosto dela, preocupado.

- Sim... - desviou o olhar. - Como foi seu dia?

- Certeza? Um passarinho veio me contar que a senhora não almoçou hoje...

- Ah... Sabe como é... Estava sem fome.

- Você está amamentando, não pode ficar esse tempo todo de jejum. Vamos. - Disse de forma séria, se levantando e estendendo o braço para que ela se levantasse.

- Quem é aquela mulher que estava conversando? - perguntou sem rodeios.

- Que mulher?

- A loira, que estava lá fora com você...

- Ah... A Stella? - Riu achando estranho a pergunta. - Velha amiga de infância. A família dela tem uma fazenda no fundo da nossa, nossos pais trabalhavam juntos na época de colheita...

- Uhmmm... - fez com a garganta ficando em silêncio. Estava visivelmente com ciúmes.

- Vai descer comigo para comer ou não?

- Não tenho fome...- levantou e foi até o guarda-roupa e retirou uma caixa, colocando em cima da cama. - Feliz Natal...

- Para mim? - Abriu o embrulho um pouco sem graça notando o eletrônico de última geração. Um IPad. - Nossa... obrigado... feliz Natal. - A abraçou.

- De nada... - retribuiu o abraço e se afastou rapidamente. - Acho que precisamos conversar... - disse séria.

- Certo. Não vai comer mesmo, não é?

Claire não o respondeu.

- Gostaria de falar sobre a sua bebida... - disse com cautela. - Já pensou em parar de beber?

- "Parar" de beber?

- Sim... Olha, você quando bebe vira outra pessoa... Fica chato e particularmente você sabe que detesto bebida alcoólica...

- Não me lembro de ter ficado chato. Me lembro de você me rejeitando só porque tomei 2 doses miseráveis de bebida em uma ocasião especial, que a propósito nem me deixou bêbado.

Ela o encarou e assentiu com a cabeça.

- Tem razão...

- Vou descer, vou pedir para minha mãe te fazer comer já que minha palavra, preocupação e zelo não valem de nada. Faça o que quiser a partir de hoje. - Deu-lhe as costas, saindo dali.

Claire foi atrás dele segurando seu braço.

- Você odeia quando te dou as costas, mas pode fazer isso comigo? O que quer dizer "Faça o que quiser a partir de hoje "?

- Não vou ficar no seu pé para fazer as coisas. Não sou seu pai.

- Não Owen... Não é meu pai. - o soltou. Falar de seus pais era tocar em seu ponto fraco. - Digo o mesmo para você e quer saber, acho que vou passar uns dias na casa da Karen...

- Não vamos para a Karen, temos uma ilha inteira para administrar.

- Eu e a Clarisse vamos... Amanhã... Voltamos antes da virada do ano...

- Oi? Não pode fazer isso, vou ficar sem vocês no fim de ano?

- Mas acho que é necessário, eu te sufoco Owen. Merece um tempo só seu...

- Me sufoca?

- Sim Owen...

- Eu disse isso?

- Não... Mas não quero mais que briguemos, quando voltarmos para Nublar, vou passar com a psicóloga.

Owen a fitava tentando de alguma forma desvendá-la. Era como tentar decifrar códigos em hebraico.

- Não vai dizer nada?

- O que quer que eu diga?

Ela respirou o fundo e balançou o ombro.

- Não sei Owen... Bom, é isso...

Owen assentiu ainda a olhando.

- Sairemos amanhã de manhã, voltamos em dois dias. - o olhou por alguns segundos e voltou para o quarto.

Ele voltou para sala contrariado e puto da vida. Segurou Clarisse no colo e resolveu levá-la para passear.

Claire temia perder Owen e sentia que o estava afastando mais e mais. Vestiu um casaco, jantou rapidinho na cozinha e saiu, precisava refletir. Acabou andando até a casa na árvore de Owen. Tantas lembranças maravilhosas, foi ali que ele havia pedido em casamento. Ali começaram um laço forte. Sentou-se no degrau da escada, refletindo as palavras de Karen.

- Quando você vai parar de ser tão burra Claire? - falou para si mesma chorando. Fechou os olhos e começou a cantar baixinho.

Lovers in the night

Amantes da noite

Poets tryin' to write

Poetas tentando escrever

We don't know how to rhyme but,

Nós não sabemos rimar, mas,

damn, we try

caramba, nós tentamos

But all I really know

Mas tudo o que eu realmente sei

You're where I wanna go

Você está onde eu quero ir

The part of me that's you will never die

A parte de mim que é você, nunca irá morrer

Owen retornava para casa quando escutou a voz. Tinha certeza de quem se tratava aquela voz, então teve uma idéia. Aproveitou que tinha deixado Clarisse com a avó e se escondeu entre as árvores, fazendo um som estranho nos arbustos próximo a ela.

Assim que ouviu o barulho, Claire parou na hora se engasgando com a própria voz. Levantou rapidamente olhando para os lados.

- Tem alguém aí?

Owen aproximou-se ainda escondido e fez o som amedrontador novamente.

Claire lembrou que Owen dizia ter lobos nas redondezas, ficou apavorada. Olhou para a casa na árvore e a casa Grady, pensando em qual das duas entraria.

- Owen... É você? - como não obteve respostas, subiu quase que correndo as escadas da casa da árvore.

- Se assustou com o lobo? - Owen saiu de seu esconderijo rindo igual um desgraçado.

A ruiva olhou para baixo séria, detestava essas brincadeiras dele. Desceu o encarando.

- Você é um idiota, sabia?

- Sei disso. - Owen agarrou na cintura dela, a encostando na árvore. O hálito de vodka batendo contra o rosto dela. Tão próximos. - Agora vamos conversar...

Claire sentiu-se as pernas bambas com aquela a proximidade e o olhou no olhos.

- Sobre? - disse com um tom suave.

- Sobre você ficar na sua irmã. Longe de mim...

- Eu só quero te dar espaço... Para não enjoar de mim....

- De onde tira essas idéias imbecis, Claire? - Quando notou ela se encolher, mudou o tom de voz e as palavras. - Desculpe. Não passamos o dia juntos hoje para você chegar e falar isso... Mesmo que fosse, não faz sentido algum.

Ela o encarou em silêncio. Respirou fundo e continuou.

- Eu só não quero que nosso casamento acabe um dia... E ontem... Quando me expulsou da sala... Eu tinha planos para nós ontem à noite... - confessou.

- Você é muito exagerada, sabia? Onde eu te expulsei?

- Quando você disse que eu não podia ficar lá. Não lembra?

- Só tinha homem lá, a Kate não estava do lado do Harry regulando os palavrões que ele falava. Não era ambiente para você, simples.

- Você até hoje não se deu conta que eu não sou como as outras mulheres?

- Sim, por isso mesmo não podia ficar naquele ambiente hostil.

- Eu só queria ficar perto de você... Mas já passamos tempo demais juntos, você precisa do seu tempo também... A Karen me fez entender isso...

Owen soltou ela.

- Ah, tudo bem. Te deixo no aeroporto amanhã de manhã.

Ela se aproximou dele segurando sua mão.

- Só estou te explicando Owen. Não quero ficar longe de você...

- Então não quer ir de verdade?

- Não... – sussurrou.

Owen beijou Claire docemente, e esta correspondeu aos beijos dele. Isso durou por minutos a fio. Porém, dessa vez o clima não esquentou. Estava esfriando mais quando ambos notaram um floco de neve cair entre eles.

A ruiva cessou o beijo com um selinho demorado, depois passando o nariz no dele.

- Eu amo seus lábios... - Sussurrou. - É melhor entrarmos, está frio... - O puxou pela mão em direção a casa Grady. Ao entrarem na sala, depararam-se com o mundo deles sorrindo e gritando ao ver os pais. Clarisse que estava no chão, sentada com Sophie, foi engatinhando ao encontro dos pais.

Owen catou ela do chão, colocando sentada no ombro e foi passeando pela casa.

A pequena agarrou o cabelo dele. Toda feliz dando gritinhos, começou a babar todo o pai.

- Pa... pa...

- Ah, não baba no papai não... Clarisse. - Coloca ela no colo, sentando-se próximo a árvore de natal. A criança pareceu ficar hipnotizada com a iluminação e os enfeites, fazendo Owen se lembrar de três natais passados quando Sophie arrancou e espalhou vários enfeites de natal pela casa. - Vamos ter uma dessas em casa, o que acha, Cla? - Beijou a bochechinha rosada. - Hm?

A pequena deu um gritinho em resposta sem tirar os olhos da árvore. No colo do pai, se esticou tentando pegar uma bolinha. O pai atendeu o pedido dela oferecendo a bolinha.

- Só não vai fazer igual sua prima...

Ela olhou para o pai e sorriu, segurou a bolinha com as mãos gordinhas a olhando com um brilho nos olhos. Parecia a coisa mais interessante do mundo.

- Nunca imaginei que um dia te veria assim... - Jess disse sentando próximo a eles, mas no sofá.

- Assim como? - Pergunta retirando o laço da cabecinha da bebê e colocando de novo.

- Casado, calmo... E com uma filha. - fez um carinho nos cabelos da sobrinha. - Depois de tudo que aconteceu com você no passado irmão... Achava que não iria mais querer ter uma família. E eu fico tão feliz por você estar com uma família hoje.

- Se não fosse a Claire... estaria do mesmo jeito. Ela é tudo para mim.

- Eu sei... Dá para ver na forma como a olha. Ela é uma mulher única, assim como você é único irmão. Por isso vocês dois dão tão certo, não é atoa que tiveram essa perfeição juntos... Não é princesa? - Clarisse a olhou e sorriu, logo voltando a atenção para a bolinha. - O que vocês tem... Esse amor... É um privilégio para poucos.

- Tenho certeza que sim. O problema é ela ser sensível demais e eu sempre fui um cara grosseiro. É difícil as vezes... ela não tolera.

- Se ela não tolerasse, não estaria com você, não concorda? - esperou ele refletir e continuou. - Owen, nenhuma mulher aguenta grosseria por nada. Essa mulher passa muitas vezes por cima dos próprios sentimentos por você. A Claire é sim muito emotiva, mas você sabe a história dela, por tudo o que passou e teve que lidar com tudo sozinha. Por anos ela não teve ninguém... E hoje ela tem vocês dois.

- Sim... Mas ficamos afastados.

- Por que se afastaram?

- Não sei.

- Vocês dois são muito orgulhosos Owen. E certas coisas desgastam o casamento... Vocês agora tem uma filha. Precisam amadurecer.

- Sei disso. - Revira os olhos. - Acho que ela quer mamar. Vou procurar a Claire...

Mal ele sabia que ali perto na cozinha, Karen estava tendo a mesma conversa com Claire. Era algo que as duas loiras tentariam fazer, ajudar os irmãos já que elas eram mais experientes.

- Vai lá... Mais não esqueça disso irmão. E a demonstre o quanto a ama...

- Pode deixar. Eu nem comprei o presente dela, vou ser massacrado, não é?

- Você errou feio, maninho... Comprou para todo mundo, menos para a sua esposa, a mulher que ama. Como acha que ela se sente? Devia se desculpar...

- Eu sei, eu sou um ogro...

- É, você é... um ogro machista. - brincou. - Agora vai lá...

Karen e Claire estavam sentadasna mesa tomando um chá e conversando baixinho.

- Então Claire, é o que eu te disse mais cedo.

- Eu sei Karen... - sussurrava.

Owen apareceu na cozinha com Clarisse, sacudindo a bolinha de enfeite.

- Ruiva?

Claire olhou rapidamente com um sorriso de canto.

- Oi... E essa bolinha aí mamãe?

- Ela gostou da bolinha da árvore da vovó, viu?

- Sim... Acho que está na hora dessa mocinha dormir, não é? - levantou. - Vou indo irmã, obrigada por tudo... - piscou para a loira.

- Disponha... Boa noite para vocês...

- Boa noite... - se aproximou deles. - Vamos?

- Vamos onde?

- Para o quarto... Dormir, já é bem tarde... - se passava das dez da noite. Na verdade, era só a Clarisse que precisava dormir. A conversa que teve com a irmã foi muito bom para ela.

- Subo mais tarde, bebê. - A beijou na testa se despedindo.

- Okay. - pegou a Clarisse e foi para o quarto. A deu um banho quentinho e depois de mamar, adormeceu.

Claire a colocou no berço. Pegou um vinho que tinha comprado há alguns dias e o abriu com seu canivete. Precisava relaxar, encheu a banheira e se sentou relaxando com a água quente e com espumas, enquanto bebia de vez em quando suaves goles na garrafa mesmo, já que tinha esquecido a taça. Fechou os olhos tentando se esquecer do mundo em volta e se concentrando, apenas na sensação da água quente em seu corpo.


Notas Finais


Mais brigas. O que estão achando desse natal?

Sua opinião é muito importante para nós.
Até a próxima!

Nosso Instagram: @owenmgrady @clairedearinggrady @clarissedearinggrady


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