História Agalma - Capítulo 4


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Categorias Naruto
Personagens Hinata Hyuuga, Neji Hyuuga, Sasuke Uchiha, Shino Aburame
Tags Adultério, Álcool, Drama (tragédia), Drogas, Família, Hentai, Heterossexualidade, Hinata, Hyuuga, Insinuação De Sexo, Linguagem Imprópria, Naruto, Nejihina, Novela, Nudez, Romance, Sasuhina, Sexo Drama, Shinohina, Tragedia, Universo Alternativo, Violencia
Visualizações 7
Palavras 5.255
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Hentai, Romance e Novela, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 4 - Aquilo que nos falta


Fanfic / Fanfiction Agalma - Capítulo 4 - Aquilo que nos falta

 

Agalma

Por Pearl-chan e FranHyuuga

"Aquilo que nos falta "

 

 

 

Os olhos perolados eram severos enquanto Neji lia atentamente o primeiro relatório de Pein e Konan. Seu interior parecia queimar como brasa quando com uma raiva incontrolável lançou a pasta juntamente com vários relatórios sobre o chão do escritório e fitou o casal inexpressivo à sua frente.

 

- Maldito! – Expressou entredentes. – Como ousa querer me desafiar! – Gritou com as mãos sobre os longos cabelos, despenteando-os. – Vocês têm certeza de que ele planeja vê-la!

 

A pergunta soou raivosa. Havia uma ameaça nas entrelinhas, mas Pein e Konan mantiveram-se impassíveis diante do ataque de fúria de seu contratante.

 

- Absoluta. – A voz fria do ruivo confirmou.

 

Neji suspirou pesadamente e andou com passos firmes até a janela do imenso escritório. Shino realmente seria uma pedra em seu sapato se tivesse êxito em seu plano de rever Hinata. Cerrou os olhos tentando acalmar seu ânimo e pensamentos sádicos, mas não conseguiu interromper seus devaneios:

 

FLASHBACK ON 

 

- Você n-não entende! – A voz suave de Hinata sussurrou e as lágrimas cristalinas molhavam sua face.

 

As mãos de Neji seguravam fortemente os braços delicados da prima e seu corpo pressionava o dela contra a parede da sala. Não havia ninguém em casa além dos empregados, mas nenhum deles ousaria se aproximar para interromper o "gênio atroz".

 

- Eu entendo perfeitamente, Hinata-sama. – A voz masculina sibilou e Neji aproximou o rosto de tal forma que seus lábios tocavam os dela. – Você está iludida com a ideia de amar esse tal de Shino.

 

A jovem virou o rosto, impedindo que Neji tomasse seus lábios em um beijo forçado. As lágrimas não cessavam, mas ela controlou o choro e afirmou com convicção:

 

- Não é uma ilusão! Eu o amo!

 

Neji sentiu raiva das palavras da prima. Ela não sabia o que estava dizendo. Seu destino estava traçado e era apenas questão de tempo para que Hiashi-sama aceitasse o casamento.

 

- Não. – Ele expressou rudemente e com um das mãos segurou o rosto delicado com força, obrigando que os olhos perolados se encontrassem. – Você não sabe o que é o amor.

 

O primo fitou o rosto vermelho de Hinata e a expressão de dor em seus orbes chorosos. Aquilo o fez soltá-la e ele encarou o corpo feminino trêmulo descer até o chão.

 

- E-Eu sei o que é amor... – A voz suave ecoou decidida. – Eu morreria por Shino.

 

O cenho de Neji franziu-se com aquela frase. Talvez o que Hinata sentisse fosse significativo para ela, mas isso não tornava sua relação com Shino aceitável. Abaixando-se à altura da prima, as mãos masculinas acariciaram os longos cabelos de um azul índigo e a voz pronunciou em timbre grave:

 

- Sabe qual é a diferença entre você e eu, Hinata? – Ele tocou levemente o rosto molhado pelas lágrimas. – Você morreria por aquele miserável e eu mataria por você.

 

E dizendo isso, Neji abandonou a sala.

 

FLASHBACK OFF 

 

Aquela lembrança o perturbava. Hinata realmente amava aquele babaca e certamente não hesitaria em fazer alguma besteira para revê-lo.

 

- Para onde ele foi depois de sair da cafeteria? – A voz era ácida.

 

- Para casa. – Konan respondeu prontamente, retirando as fotos de uma maleta preta e entregando-as ao embaixador.

 

- Continuem a investigação. – Neji ordenou observando as fotos. – Vou providenciar para que os planos do Aburame não aconteçam.

 

Com uma reverência formal, o casal deixou o escritório e o embaixador retirou o celular do bolso. Era o momento de lançar ao jogo outra de suas cartadas.

 

-

 

Aburame Shino andava de um lado ao outro da sala, pisando em papéis diversos que continham algumas informações da mansão de Hyuuga Neji, onde Hinata estava. Não sabia ao certo como era a estrutura interna ou a segurança que patrulhava o local, mas possuía algumas imagens significativas extraídas de sites da web ao procurar por dados dos magnatas Hyuuga.

 

Há horas estava concentrado em planejar estratégias de aproximação da mansão para conseguir, ao menos um pouco, rever Hinata. Era incomum sentir-se tão agitado, mas conforme os minutos passavam o receio de não ter êxito parecia querer afogá-lo. Suspirou pesadamente franzindo o cenho em um gesto impaciente. Eram poucas as informações que possuía, mas talvez fossem suficientes se agisse com cuidado. Pegou as chaves do carro, a escada dobrável de metal e o cobertor que havia separado para a ocasião. Eram os únicos recursos realmente importantes que teria em mãos.

 

Longos minutos se passaram até que Shino alcançou o muro alto da mansão. Era coberto por plantas esverdeadas bem aparadas e havia concertina elétrificada instalada em sua superfície. Ele estacionou seu carro entre as árvores um pouco distante, cuidando para que estivesse seguro de olhares curiosos. Rapidamente, retirou do porta-malas a escada e o cobertor, levando-os consigo enquanto se aproximava do muro que ficava aos fundos da mansão.

 

Shino elegeu uma parte do muro que estivesse próxima a uma árvore nos domínios da mansão. Apoiando a escada, subiu agilmente, tão silencioso quanto um predador atento. Esta era, com certeza, uma de suas habilidades, pois quando centrado em determinada tarefa conseguia, geralmente, executá-la com bons resultados.

 

Ao alcançar a superfície do muro, Shino lançou sobre a concertina o cobertor grosso e utilizou-o para poder subir com ambos os pés. Com certo impulso, jogou-se contra a árvore e segurou-se em um de seus galhos, movendo-se conforme podia até ser seguro saltar no chão.

 

Ajeitando os óculos escuros sobre a face, sem perder tempo Shino passou a andar com passos largos em direção à mansão, olhando à sua volta para garantir não ser flagrado. Considerando a ausência de guardas, era fácil suspeitar que ninguém esperaria por intrusos no interior do território pertencente ao poderoso Hyuuga. Se havia algo que Shino nunca faria seria subestimar um potencial inimigo.

 

Não tardou para que os orbes castanhos localizassem a única porta que havia nos fundos da mansão. Era a porta dos funcionários. Seria perigoso abri-la e encontrar alguém, mas seria igualmente perigoso procurar outra forma de entrada. Lentamente, Shino abriu a porta e o que temia aconteceu. Não soube sequer de onde aquele sujeito apareceu, mas um homem alto e obeso logo o recepcionou agitado, dizendo:

 

- Finalmente, você está aqui! – Shino sentiu-se empurrado para o interior do que parecia ser a cozinha. – Estamos com muito trabalho e você está atrasado! Então, por favor, vista logo o uniforme e mãos à obra!

 

- Beh, Chouji. – Uma voz arrastada atraiu a atenção de Shino. – Pare de ser problemático. Deixe o rapaz se ajeitar com calma.

 

- Shikamaru, você ouviu o que o patrão disse. – O gordo logo o alertou e Shino mantinha-se calado, compreendendo aos poucos que tivera a grande sorte de ser confundido com quem quer que fosse. – Hoje haverá um jantar importante!

 

Shino ainda era empurrado, mas agora um uniforme azul lhe foi entregue pelo sujeito gordo que enquanto falava indicava um banheiro no fim do corredor para que se trocasse.

 

- Chouji, ainda são 16 horas. – A voz arrastada continuava inalterável. – Você continua problemático.

 

No banheiro, Shino trocava sua roupa e imaginava como faria para sair da situação embaraçosa em que se encontrava sem levantar suspeitas. Sua mente fervia com a possibilidade de que o sujeito que realmente esperavam aparecesse e fizesse a todos perceberem que ele era, na verdade, um intruso.

 

De qualquer forma, ele estava sob o mesmo teto que sua amada. E nada poderia tirar dele a oportunidade de revê-la como desejava. Após sair do banheiro, Shino não encontrou Chouji ou Shikamaru. Deviam estar demasiado ocupados em suas atividades e certamente nem sentiriam sua falta. Foi com este pensamento que Shino abandonou a cozinha e seguiu com passos cautelosos até a sala de jantar, observando a prataria refinada e os móveis luxuosos que a ornamentavam. Seria apenas uma questão de tempo até finalmente encontrar Hinata.

 

-

 

Aquele dia estava deixando-o cada vez mais nervoso. Além das notícias extremamente irritantes que obteve de Pein e Konan, havia ainda as reuniões repletas de problemas políticos a serem resolvidos, o que deixava o humor de Hyuuga Neji ainda pior. Tudo seria mais simples se aquele estúpido ex-namoradinho de sua esposa decidisse deixá-la em paz. E tornar-se-ia ainda mais simples se aqueles malditos políticos a quem precisava subornar parassem de exigir valores ainda maiores para a propina mensal que pagava aos seus favores. Chegaria o dia em que Neji contrataria um bom atirador para matar todos aqueles abutres que exigiam dele mais do que se dispunha a oferecer.

 

No entanto, antes disso, teria que resolver o assunto "Aburame", o que certamente merecia atenção especial. Foi por esse motivo que decidiu chamá-la até seu escritório naquela tarde irritante. A única pessoa capaz de manter o idiota do Shino longe de seu caminho até conquistar o coração de Hinata; até que tivesse segurança de que sua própria esposa o escolheria se pudesse.

 

Eram 16h30min quando Yamanaka Ino adentrou o escritório mais alto da torre empresarial. O corpo esbelto era coberto por um vestido vermelho de tecido leve que moldava as curvas femininas. A cor combinava com os lábios rubros. Aquela mulher era extremamente atraente e sexy. E igualmente audaciosa.

 

- Neji, imagino que não tenha me chamado para uma conversa casual agora que está casado. – Ela falou com a voz manhosa enquanto caminhava em sua direção com um sorriso convidativo.

 

- Sempre perspicaz, Ino. – O embaixador respondeu indicando a cadeira em frente à mesa. – Tenho um trabalho para você.

 

- Isso é realmente uma pena. – Ino suspirou fingindo decepção enquanto jogava o longo cabelo loiro para trás com um movimento lento. – Sinto falta do seu corpo. Mas parece que elegeu sua... – Ela contorceu os lábios à procura de uma palavra que provavelmente já tinha em mente. – Favorita.

 

Neji pigarreou propositalmente, controlando-se para não responder de forma rudemente desnecessária. O gesto foi notado pela loira. "Hyuuga Hinata" sempre seria um assunto proibido para ela.

 

- O que posso fazer por você? – Ino questionou sentando-se e cruzando as pernas bem torneadas, ciente do olhar masculino sobre si.

 

- Quero que se aproxime de alguém e o conquiste. – Respondeu sem rodeios, lançando sobre a mesa uma foto. – Este é Aburame Shino. Quero ele longe do meu caminho.

 

- Você quer dizer... longe de sua esposa, não é? – Ela questionou desdenhosa, sabendo perfeitamente que um homem com aquela aparência desleixada como a da foto só seria ameaça ao poderoso Hyuuga se envolvesse a opinião pessoal da "doce" Hinata.

 

- Isso não é da sua conta. – Neji afirmou resoluto, franzindo o cenho e fitando os orbes azuis da mulher à sua frente com raiva contida. – Preciso que você o faça se envolver ao ponto de se considerar apaixonado. Ao ponto de esquecer... – Ele não concluiu a frase, mas odiou a certeza de que Ino o entendera. – Enfim, se você falhar, vou matá-lo.

 

Ino manteve-se impassível, mas seu interior revolveu com violência ao ouvir aquela palavra. Parecia tão simples àquele arrogante e mesquinho Hyuuga acabar com a vida de alguém por simplesmente amar a pessoa errada. Ela estava cansada de canalhas como Neji que acreditavam poder fazer tudo o que quisessem para obter o que bem entendessem. Tinha vontade de jogar na cara dele aquela foto e dizer que ele não poderia matar aquele sujeito. Especialmente porque ela saberia que foi ele e não ficaria calada! Ela contaria a alguém... À polícia talvez. Não... a quem ela estava enganando? Não poderia fazer isso. Jamais. Neji a havia salvado quando não tinha mais nada. Ele havia dado a ela condições para sobreviver. Mesmo que para isso ele a tivesse explorado em todos os sentidos mais sujos que uma pessoa fosse capaz de conceber. Devia àquele maldito Hyuuga tudo o que era capaz de conquistar atualmente.

 

Ela olhou mais uma vez para a foto que lhe foi entregue. Um homem que sequer conhecia tinha agora a vida em suas mãos. E ela sabia o que devia responder. Porque muito embora ela própria já não valesse nada... Talvez o tal de "Shino" valesse.

 

- Eu aceito. – E então ela se levantou. – Vou fazê-lo se apaixonar e então o abandonarei amargurado. – Um sorriso falso moldou os lábios.

 

- Não é tudo. – A voz grave soou novamente. – Vai jantar em minha casa esta noite. Quero que se aproxime de Hinata e ganhe a confiança dela.

 

Os orbes azuis expressaram surpresa com a frase. Neji a queria como amiga da esposa? Entendera bem?

 

- Você não comentará nada sobre Shino, por enquanto. – Ele continuou, levantando-se e dando as costas à Ino enquanto mirava o céu límpido pela janela. – Quando forem bem amigas, você dirá que tem um namorado. Irá mentir o que quiser e o que for necessário para que ela pense que seu relacionamento com Shino realmente é sólido e duradouro.

 

- Não acha que está indo longe demais? – Ino perguntou impulsivamente e logo arrependeu-se ao ver Neji virar-se para encará-la com uma seriedade cortante. – Como quiser. Estarei pronta às 20 horas. – Falou por fim em uma tentativa inábil de encerrar a conversa. – Sabe onde mandar me buscar.

 

- Providenciarei. – Neji concordou. – Você será bem paga para isso. – E abrindo a gaveta, as mãos masculinas envolveram um envelope que foi entregue à Yamanaka. – Aqui estão todos os dados que precisa saber. Comece imediatamente procurando Shino e planejando a aproximação. Ele deve estar em casa segundo a última informação que tive.

 

- Farei como pedido. – Concluiu a loira caminhando calmamente em direção à porta.

 

Neji voltou a encarar o céu novamente. Por um breve segundo foi capaz de reconsiderar o que estava fazendo. Mas recordar todos os anos desejando Hinata sem conseguir tê-la logo o levou a notar que faria qualquer coisa para mantê-la ao seu lado. Porque era assim que devia ser.

 

Hinata era sua e de mais ninguém.

 

-

 

Ela estava na biblioteca. Havia inúmeros livros empoeirados e enfileirados nas enormes prateleiras. Hinata adorava livros, mas infelizmente não sentia vontade de ler nenhum. Na extremidade do aposento havia uma lareira com uma poltrona de aparência aconchegante. Não estava frio para que a lareira fosse acesa, mas aquele lugar era convidativo de qualquer maneira.

Sentou-se na poltrona e recostou a cabeça mirando o teto alto e branco. Um branco que brilhava com o sol que invadia o ambiente pelas janelas, tornando-o ainda mais ofuscante. Ironicamente, aquele teto a fazia lembrar-se dos olhos de Neji  durante o jantar na noite anterior, vislumbrando-a como se pudesse ler seu interior...

 

FLASHBACK ON 

 

- Preparei o jantar. – Hinata informou pousando os olhos sobre a mesa arrumada e afastando-se disfarçadamente. Seu braço, entretanto, foi envolvido pelos dedos delgados do esposo que a fitou longamente antes de aproximar-se e beijá-la em um selinho demorado.

 

Encararam-se antes de sentarem-se um diante do outro e silenciosamente apreciarem a comida de Hinata. O sabor estava delicioso, mas Neji não sabia como elogiá-la. Ele nunca fora bom em reconhecer dotes, mas Hinata merecia um agradecimento especial.

 

- Você aprecia vinho, Hinata? – Ele questionou com o timbre suave, assustando-a por quebrar o silêncio.

 

- Vi-Vinho? E-Eu... não costumo beber. – A voz melodiosa e incerta fluiu fazendo Neji sorrir quase imperceptivelmente em divertimento pelo nervosismo da esposa.

 

- Tenho uma adega com os melhores vinhos. Certamente um irá agradá-la. – Ele respondeu enquanto se levantava. – Eu mesmo vou escolher. Quer ir comigo?

 

Hinata sentiu o coração palpitar depressa com a iniciativa de Neji. Ele parecia tão gentil e agradável que a fazia se culpar por querer enganá-lo. Lentamente, levantou-se para acompanhá-lo, deixando que ele tomasse uma de suas mãos e a guiasse ao seu lado como se fossem um verdadeiro casal em seu lar.

 

Em relação à situação, Neji não estava muito diferente. Ele sentia a mão delicada da prima envolver-se com a sua de uma forma tão carinhosa. Talvez o carinho não viesse dela – e muito provavelmente não – mas a sensação era tão boa que isso pouco importava. Era desta forma que a queria junto de si. Sentindo-se segura em andar ao seu lado em uma casa que agora pertencia a ela.

 

Foram à cozinha, ignorando os olhares curiosos de alguns funcionários ainda acordados. Neji abriu a porta de ferro que havia em uma das extremidades do local e revelou um lance de escadas que os levariam ao porão da mansão. Hinata estava um pouco nervosa com o que poderia encontrar. Claro que ela sabia como era uma adega, mas o comportamento doce de Neji a estava deixando um pouco desconfiada. Ele não seria louco de manter um cativeiro no porão da própria casa, seria?

 

- Hinata, não se preocupe. – Ele falou à sua frente, ainda mantendo suas mãos unidas enquanto desciam os degraus. – É só uma adega. – Concluiu com certo humor.

 

Hinata permitiu-se sorrir ainda nervosa, mas um pouco mais relaxada pelas palavras do marido. Palavras que só revelavam como ele se preocupava e se mantinha atento aos seus sentimentos, algo que até então somente Shino era capaz de fazer. Isso a estava sensibilizando. Talvez Neji não fosse tão mal quanto pensava.

 

- Ob-Obrigada. – Ela sussurrou e com a penumbra do local não pôde ver um sorriso satisfeito moldar-se nos lábios de Neji.

 

Alcançaram finalmente o chão e Neji acendeu as luzes da adega surpreendendo Hinata com o tamanho do local. Havia muitas garrafas de vinho guardadas em uma estrutura de madeira que aparentava estar envelhecida. O chão era de pedras, assim como as paredes. Um ambiente muito peculiar e retrógrado comparado a toda a tecnologia e requinte que a mansão possuía.

 

Neji soltou a mão de Hinata deixando-a vagar por entre as prateleiras de madeira, visualizando algumas garrafas e suas datas, assustando-se com o tempo que algumas delas possuía. Ela estava tão linda daquele jeito. Com os orbes perolados brilhantes pela curiosidade e as mãos trêmulas pelo receio de tocar qualquer coisa que não pudesse. Ela sorriu ao ver uma garrafa com a data de 1865, aproximando o rosto dela para ter certeza do que lera.

 

- Vina San Pedro. – A voz grave de Neji expressou, mas estava muito próxima. Ela pôde sentir o hálito quente contra a sua nuca, o que a fez voltar-se bruscamente contra o corpo masculino, desequilibrando-se ao ponto de precisar ser segurada para não ir ao chão.

 

Os braços fortes de Neji envolviam sua cintura e ela o encarou assustada, lendo em seus olhos a luxúria da noite de núpcias. Seu corpo foi invadido por uma onda de calor inevitável e irritantemente agradável, fazendo-a respirar com dificuldade. 

 

Neji a olhava com intensidade, mas seu corpo não se movera um centímetro. Seu desejo era tomar Hinata ali mesmo e fazê-la sua mais uma vez, no entanto, temia assustá-la. Ela havia se esforçado tanto para o que a noite fosse suportável...

 

- É um vinho muito bom. – Ele falou por fim, soltando-a delicadamente. Seu maxilar estava rígido pela vontade de beijá-la. – Proveniente do Chile. – Concluiu retirando a garrafa do suporte. – É uma boa escolha, Hinata.

 

E dizendo isso, Neji afastou-se em direção à escada. Hinata, entretanto, não conseguia se mover. Suas pernas estavam trêmulas pelo poder daqueles orbes sobre si. Um brilho malicioso, carinhoso... Neji era capaz de engolí-la naquele mar pálido que eram seus orbes. Ele poderia ter devorado sua alma como fizera na noite anterior. Mais uma vez, ela se surpreendera com o marido.

 

- Venha, Hinata. – Ele a chamou, estendendo-lhe a mão.

 

Voltavam de mãos dadas, ele à frente e ela o seguindo. Os degraus eram ainda mais difíceis de enxergar e Hinata logo tropeçou sendo amparada pelos braços masculinos mais uma vez.

 

O corredor estreito da escadaria, a penumbra que tornava os orbes pálidos ainda mais brilhantes, a respiração descompassada que aquecia a face... Tudo formou um conjunto tão confuso à Hinata. Era como se ela estivesse em outra dimensão. Em outra vida. Onde não havia sofrimento... Apenas ela e Neji.

 

E foi assim que ela sentiu os lábios dele sobre os seus e cedeu ao beijo sôfrego, sentindo o sabor de seu marido. Sentindo o corpo dele tão próximo, fazendo-a desejá-lo como não desejara antes. 

 

O beijo foi se encerrando aos poucos e com isso Hinata retornava à razão. Seu corpo foi tomado por um calafrio de repulsa de si mesma pelo ato impulsivo e sujo que tivera.

 

- Nii-san... – Ela sussurrou com lágrimas nos olhos. E então, suas próprias mãos foram colocadas sobre os lábios, repreendendo-se por beijá-lo. Repreendendo-se por chamá-lo de "irmão" quando ele era seu marido. Ela pensou que seria punida por isso. Ela sabia que ele odiava quando o chamava assim. Especialmente em uma ocasião como essa.

 

- Tudo bem, Hinata. – Novamente a voz suave e o toque singelo da mão masculina sobre a face da esposa.

 

O que era isso, afinal?

 

A noite se encerrou sem vinho. Mas Hinata se sentiu respeitada quando Neji não a procurou ou forçou para sua satisfação sexual. Ele apenas a abraçou e ambos dormiram assim, como um casal.

 

FLASHBACK OFF 

 

Ela estava realmente confusa com seus sentimentos. Sabia perfeitamente que Shino era quem amava, porque ele foi o único com quem podia ser ela mesma. Shino era o único a quem realmente se entregaria. Mas, por que seu corpo parecia não pensar o mesmo? Por que seu corpo reagia às investidas de Neji? Ela temia que Neji realmente fosse capaz de dominá-la por completo. Temia se apaixonar por seu próprio marido.

 

Hinata nunca se sentira tão ameaçada como se sentia neste momento. Ela não poderia deixar que Neji matasse o único sentimento nobre que tinha dentro de si. E pela única pessoa que realmente o merecia. 

 

Se ao menos pudesse rever Shino.

 

Sons de passos invadiram o ambiente antes silencioso e ela ficou em pé, alerta para qualquer pessoa que pudesse aparecer por detrás das prateleiras repletas de livros. Foi então que seus olhos vislumbraram a figura de uma pessoa que a fez assustar-se ainda mais.

 

- Shi-Shino? – A voz melodiosa era um sussurro. Os orbes perolados estavam fixos com incredulidade sobre a figura masculina que se aproximava. A Hyuuga ofegou com a postura altiva e elegante da única pessoa que desejava rever em sua vida.

 

Os castanhos estavam desprovidos dos óculos escuros e a intensidade de seu olhar parecia engolir a pequena mulher à sua frente.

 

- N-Não pode... ser. – Exclamou com dificuldade em crer que seu grande amor estava tão próximo. Um nó na garganta se formou, impedindo-a de gritar com a euforia que dominava seu corpo.

 

Shino não interrompeu seus passos, vislumbrando o rosto de traços delicados pálido pela surpresa. Em pouco tempo, seus dedos deslizavam pelos braços nus de Hinata, arrepiando-a pelo toque quente dos dedos delgados.

 

Somente o carinho a fez despertar. Não era uma miragem ou sinal de insanidade, mas o próprio Shino quem estava ali, com ela. Os braços delicados envolveram o pescoço masculino e a voz rouca soou pela primeira vez, próxima ao ouvido de Hinata:

 

- Senti sua falta! – E uma sequência de beijos desesperados foram depositados sobre o pescoço, testa, queixo, como se quisessem solidificar a presença um do outro.

 

Finalmente os lábios se encontraram com sofreguidão. Um amor doloroso os fazia consumir a boca do outro, sorvendo seu sabor de forma intensa, passeando com as mãos sobre o corpo amado. O coração parecia doer no peito pela saudade, as lágrimas abandonavam os olhos e davam ao beijo o sabor salgado da ausência.

 

Havia tanto a dizer! E tão pouco tempo para expressar o que sentiam! Hinata afundou as mãos sob a camiseta do uniforme que Shino usava, sentindo os músculos retesarem pelo contato íntimo, apreciando os desenhos que tanto adorava sentir em seus dedos.

 

O Aburame inalou a fragrância dos longos cabelos, beijando os ombros delicados enquanto baixava a alça do vestido de seda que a Hyuuga usava. Ele aproximou o rosto dos seios fartos, ainda cobertos pelo vestido, sentindo um desejo incontrolável dominar seu corpo. Hinata arfou com o prazer das carícias ousadas, arranhando o torso masculino, deixando marcas de que um dia ele lhe pertenceu.

 

O corpo feminino aproximou-se mais e a ereção pressionou o ventre de Hinata, fazendo-a quase perder a razão. Ela o queria! Era um desejo insano que a fazia desejar estar em seus braços para sempre.

 

Shino gemeu pelo movimento e soube imediatamente que não conseguiria parar se aquilo continuasse. Com os músculos tensos, segurou firmemente os ombros frágeis da Hyuuga e afastou-a, fitando seus olhos enevoados pelo desejo.

 

- Não podemos. – Ele ofegou, cerrando os punhos para não tocá-la como realmente queria. – Eu vim porque preciso de uma resposta.

 

Hinata leu nos olhos do amado a tristeza que o envolvia e desejou abraçá-lo, consolá-lo da dor que ela própria causara. Que os céus a castigassem por matar o sentimento nobre que havia entre os dois.

 

- Você ainda me ama? – A voz rouca soou e a jovem sentiu vontade de bater em si mesma por deixá-lo em dúvida de um sentimento tão forte que habitava em seu coração. Ela desejou poder dizer que tudo ficaria bem, que viviam um pesadelo, mas que em breve os dois ficariam juntos e casariam! Poderiam viver o que sentiam um pelo outro, livres das restrições da família Hyuuga.

 

Ela sabia que sua resposta manteria Shino ainda preso àquele amor impossível. Era egoísta e mesquinho, mas em seu interior havia o enorme desejo de que ele se mantivesse assim. Esperando-a. Amando-a.

 

Não! Não podia ceder ao que queria! Não podia manter Shino esperançoso... Não podia amá-lo tanto quanto amava.

 

Shino observava as reações da Hyuuga. Não havia dúvidas de que os olhos perolados gritavam o que ela sentia. Era como se ele pudesse ler o coração puro de Hinata.

 

- Não. – Ela balbuciou fitando o chão. As lágrimas escorriam sobre a face de mármore e Shino pensou ter ouvido errado. – Eu não te amo mais. – As mãos femininas seguraram uma à outra em frente ao peito, como se Hinata protegesse seu coração ferido em dizer aquelas duras palavras.

 

Era mentira. Estava tão óbvio quanto o sofrimento de Hinata em dizer o que não sentia. Mas apesar de reconhecer que a Hyuuga não havia sido sincera, seu peito doeu por ouvi-la dizer que não o amava.

 

- Olhe para mim. – Pediu com a voz grave. Lentamente, os orbes perolados o encararam e Shino sentiu-se triste pela melancolia que eles expressavam. – Você ainda me ama? – Repetiu, fitando-a como se pudesse abraçá-la.

 

A jovem suspirou, compreendendo que jamais poderia mentir que não amava aquele homem. Ela o amava tanto que doía! Ela o desejava tanto que não se importava de sofrer as mais terríveis punições apenas para tê-lo um pouco ao seu lado, olhando-a como neste momento.

 

- O que sinto por você é o que me mantém viva. – Respondeu com uma sinceridade que comoveu o Aburame.

 

Ele se aproximou de Hinata e beijou seus lábios com uma ternura que a aqueceu por dentro. As mãos envolveram a cintura fina e aos poucos o beijo tornou-se voluptoso. Estavam ofegantes quando se separaram e Shino olhou-a uma vez mais.

 

- Fuja comigo, Hina! – Ele propôs. – Eu a protejo de Neji. Eu a manterei segura. – Afirmou resoluto, com uma convicção que a fez tremer.

 

- Ele nos encontraria, Shino. – Respondeu com tristeza. – Ele nos mataria!

 

O medo era evidente naquelas pérolas e Shino questionou-se a razão daquele temor. Seria possível que Neji a tivesse maltratado?

 

- O que ele fez? – A voz tornou-se raivosa e Hinata o abraçou na tentativa de acalmá-lo.

 

- Ele tem me tratado muito bem, Shino. – A frase causou efeito contrário.

 

- Vocês dormiram juntos? – O timbre era desgostoso. É claro que ambos haviam casado e era natural que Neji exigisse seus direitos de marido. Mas, no interior de Shino, havia a pequena esperança de que o embaixador fosse um pouco humano e se importasse com os sentimentos da esposa. O suficiente para não a forçar a deitar-se com ele.

 

A jovem corou com a insinuação da pergunta e disse nervosamente:

 

- I-Isso... te-teria que... a-acontecer em al-algum momento. – Ela fitou o chão.

 

- O que você sentiu, Hina! – A voz elevou-se e Shino sentiu raiva ao imaginá-la nos braços do embaixador.

 

A pergunta a pegou desprevenida. "O que ela havia sentido?". Como dizer que Neji havia se preocupado em dar-lhe prazer, que havia sido cauteloso ao tê-la nos braços... E que ela havia gostado? Aquela era a pior parte da verdade. Era terrível, mas Hinata sabia o que havia sentido ao estar nos braços do esposo. Ela havia se arrependido simplesmente porque não era Shino. Seu corpo havia correspondido às carícias de Neji. Não, isso era algo que ela não poderia dizer a ele.

 

- N-Nada. – Ela afirmou incerta. Shino leu em sua expressão que ela mentia.

 

- Você gostou de estar com ele, Hinata? – Questionou novamente, com um tom rude. Ele se afastou do corpo feminino, a raiva consumindo seu corpo.

 

- N-Não é isso, Shino! – Ela gritou desesperada, tentando se aproximar do amado. – É... muito complicado! – Explicou, triste porque Neji a havia deixado confusa.

 

- Complicado? – A voz soou agressiva. – Eu te amo, Hina! E você está casada! Para quem tudo isso é complicado?

 

Shino bufou, irritado por saber que estava sendo egoísta. Ele sabia que Hinata também sofria, mas reconhecer que talvez Neji estivesse tomando seu espaço no coração da Hyuuga foi um golpe forte para suportar.

 

-

 

Hyuuga Neji não acreditava nas palavras que ouvira ao telefone. Sua raiva parecia emanar pelos poros enquanto imaginava que Ino brincava consigo.

 

- Repita, Yamanaka! – Ordenou, a voz frívola.

 

- O Aburame não está em casa. – Ela repetiu pausadamente, levemente irritada. – O que devo fazer?

 

A mão masculina espalmou-se sobre a mesa em um tapa. Maldito Shino! Para onde diabos havia ido! Repentinamente, lembrou-se amargamente do casal de investigadores. Seria possível que ele já tivesse colocado seu plano em ação?

 

- Arrume-se para o jantar com Hinata! – Exclamou seco, desligando o telefone em seguida.

 

Com passos largos, guardou os papéis que estavam sobre a mesa na maleta de couro amassando-os, sem se preocupar em organizá-los. Precisava ir para casa urgente! Tinha um mal pressentimento de que Shino já estaria lá.

 

Avançou pelos corredores da Embaixada Japonesa ignorando os olhares curiosos que o sondavam. Os olhos perolados eram severos e frios, expressando o perigo a quem tivesse despertado o lado obscuro do "gênio atroz".

 

O carro esporte corria em uma velocidade incrível com destino à mansão. Os sinais de trânsito mal eram notados e as pessoas voltavam os rostos para a mancha negra que avançava em meio à cidade, sumindo em curvas sinuosas sem reduzir o ritmo.

 

Neji segurava fortemente o volante, os dentes trincados e o cenho franzido. Ele não era capaz nem de pensar o que faria se flagrasse Shino em sua casa. Tampouco qual seria o destino de Hinata se ela correspondesse aos afetos do ex-namorado.

 

"É bom que ela se mantenha fiel a mim...", refletia sombriamente, ciente de que não toleraria traições.

 

O carro parou abruptamente diante das portas da mansão e Neji saltou do veículo sem sequer fechar a porta. Correu ofegante, com os músculos tensos, e abriu a porta da entrada com um movimento brusco. Uma empregada que estava próxima veio em sua direção.

 

- Meu senhor! – Ela expressou assustada, fitando a face sombria do patrão.

 

- Onde está minha esposa? – A voz autoritária questionou e a empregada gemeu em hesitação.

 

- E-Está... na biblioteca, senhor! – Não se deu ao trabalho de encará-la, apenas seguiu com passos largos em direção à biblioteca. Subiu os degraus com uma rapidez incomum, os punhos cerrados e as sobrancelhas franzidas.

 

A porta estava entreaberta. A luz da janela iluminava o assoalho. Neji segurou a maçaneta, silencioso, tentando ouvir quaisquer sons que denunciassem Hinata.

 

Continua...


Notas Finais


FranHyuuga: Oh, meu Jashin! *-* Nós atualizamos! *desmaia* Desculpem, desculpem e desculpem! Problemas de ambos os lados... Correria de ambos os lados... Mas, enfim, esperamos que vocês ainda acompanhem a história que começará a esquentar a partir de agora! *olhar malicioso* E, vocês sabem, Flores ou pedras... 


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