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História Agalma (NejiHina - SasuHina - ShinoHina) - Castelo de areia


Escrita por: Pearl-chan

Capítulo 4 - Castelo de areia


Fanfic / Fanfiction Agalma (NejiHina - SasuHina - ShinoHina) - Castelo de areia

 

Agalma

 

Por Pearl-chan e FranHyuuga

 

Capítulo 04

"Castelo de Areia"

 

 

Os perolados expressavam a ira destruidora do gênio atroz, mas o cuidado para ser silencioso o fazia tão cauteloso quanto um gato prestes a caçar sua presa indefesa. Neji empurrou a porta com lentidão, observando a imensa biblioteca aparentemente vazia. Alguns passos o aproximaram da lareira, onde sabia ser o melhor lugar para ler com a confortável poltrona que ali havia. Não demorou para ouvir soluços femininos e as sobrancelhas franziram-se com a possibilidade de sua esposa não estar sozinha. Cerrou os punhos na certeza de que nada de bom aconteceria a partir do que veria. Não tardou para que o CEO vislumbrasse o corpo delicado da mulher encolhido na poltrona. As mãos escondiam o rosto e as lágrimas molhavam a pele alva. Ele ignorou o incomum desconforto ao vê-la tão frágil e foi impossível não pensar que o sofrimento da esposa devia ser fruto de algo que não tivera conhecimento, ainda.

 

A Hyuuga gemeu entre os soluços, como se as lágrimas não fossem suficientes para manifestar sua dor, e Neji inspirou o ar pesadamente, ciente de que não poderia amolecer. Era necessário terminar o que havia começado. A suspeita ainda era latente e o intenso pesar que a prima demonstrava era suficiente para que ele soubesse que algo havia acontecido.

 

Só havia um nome capaz de torná-la tão frágil... Aburame Shino. E se o homem estivesse envolvido, ele não pouparia esforços para resolver a situação de maneira definitiva.

 

– O que aconteceu? – A pergunta soou rude, quase autoritária, e a jovem mexeu-se rapidamente com a surpresa. Quando os perolados chorosos encontraram as esferas frias do marido, houve um intenso silêncio. – Então? – O CEO exigiu, cruzando os braços sobre o torso.

 

Repentinamente, a surpresa e o medo presentes na face delicada da esposa cederam espaço para uma expressão de tristeza. O lábio inferior, tão rosado, tremeu enquanto Hinata tentava conter novas lágrimas e as mãos femininas pousaram sobre os próprios braços, como se abraçasse a si mesma em um gesto desamparado. Aquela cena fez o coração do gênio atroz apertar-se no peito, mas ele não hesitaria em pressioná-la. Ele precisava obter sua resposta.

 

– Hinata, não quero repetir a pergunta. – Apesar da arrogância da frase, o tom soou ameno e a jovem assentiu, encarando-o com orbes marejados.

 

– E-Eu quero v-ver a Hanabi, n-nii-san. – A voz delicada expressou e o Hyuuga a fitou confuso com o pedido. Qual a relação da irmã mais nova com o sofrimento de sua esposa?

 

– E por que está chorando? – Questionou, aproximando-se do corpo esguio da prima e elevando seu queixo para manter o contato entre as pérolas.

 

– Eu... – Ela piscou, deixando grossas lágrimas deslizarem-se sobre o rosto. – Eu m-me sinto t-tão sozinha.

 

Teria questionado e pressionado mais a esposa, se a surpresa de sentir seus braços delicados o envolverem não o tivesse tomado de assalto. Hinata abraçou-o com fervor, escondendo a face em seu peito forte, soluçando e apertando ainda mais o abraço, como se ele pudesse conceder o conforto que precisava.

 

Neji correspondeu ao gesto, sentindo a satisfação invadir o peito pela iniciativa da esposa. Ele sabia que tê-la em seus braços demonstrava algo importante; era um verdadeiro marco no relacionamento do casal. Independentemente do que houvesse acontecido, a prima procurava nele seu conforto e isso, definitivamente, nem Aburame Shino poderia mudar.

 

– Tudo isso é saudade da sua irmã? – Havia uma desconfiança palpável nas palavras de Neji e a jovem tremeu entre os seus braços, visivelmente incomodada com o tom inquisitivo.

 

A verdade é que seu coração estava quebrado. Como dizer que há poucos minutos vira a dor e a decepção nos olhos castanhos e calorosos do grande amor de sua vida? Como dizer que Shino conseguira entrar na mansão supostamente protegida por seguranças e a beijou com paixão, demonstrando a intensa saudade que ela despertava e o quanto ainda a queria para si? Céus, ela nunca se perdoaria por tê-lo perdido. Ela não se perdoaria pela maneira como a conversa entre ambos se encerrou, com mágoa e tristeza.

 

– Eu ainda não me sinto em casa. – Explicou, omitindo a verdade. – Eu sei que você disse não querer que eu visse minha família tão cedo, mas... – Ela fungou, afastando-se um pouco para encará-lo. – Mas, está tão difícil!

 

Neji estudou a expressão melancólica de Hinata, notando que mesmo em meio às lágrimas ela continuava a mulher mais linda que conhecia. Era óbvio que não havia total verdade em suas palavras, mas também não havia mentira.

 

A solidão era algo que a esposa realmente sentia, notou. No entanto, o sofrimento daquela tarde não estava totalmente relacionado a esse sentimento. Algo havia acontecido. E quando descobrisse, tomaria todas as providências necessárias para que nada e ninguém interferisse em seu caminho novamente.

 

 

-

 

 

Pensar que teria que trabalhar e na pilha de processos que o esperava além de tudo no outro dia só deixava o Aburame mais fracassado do que já se sentia. O que havia acontecido tinha tirado todo o empenho que continha para pensar que a própria existência ainda havia algum significado. A maneira como Hinata tinha revelado os fatos tinha estilhaçado parte de todos os ideais que ele pensara para os dois. E se sua amada estivesse se cativando pelo crápula do marido?

 

A raiva era tanta que a aquele comportamento sóbrio que ele sempre tivera foi se esvaindo, dando lugar às lagrimas que teimavam escorrer pelos olhos âmbar. Coisa que quase nunca em sua vida acontecia. Virou-se de lado dentro do quarto, e riu, mesmo choroso. A mente humana era incrível em acreditar no acaso, enquanto ele tentava esquecer o que viu e ouviu naquela tarde a Hyuuga aparece à sua frente em um retrato dos dois para atormentar ainda mais a sua ressaca amorosa.

 

Na fotografia estavam abraçados, ele atrás rodeando a cintura daquela que tanto amava com os dois braços, pousando a cabeça na curva do pescoço da mulher - ela como sempre ruborizada, mas com um sorriso tão simples e puro que jamais era de se imaginar que pertencesse àquela família. Os dois estavam com camisas frouxas e pretas de bandas, tinham ido a um show de rock juntos. Fora um dia perfeito, nada de Neji, nem Hiashi para atrapalhar.

 

Como num relance, lançou o porta-retrato na parede oposta, que caiu no chão se estilhaçando em vários pedacinhos de vidro. Era isso que a relação deles significava para Shino no momento, apenas pequenos fragmentos.

 

Resolveu tomar um banho quente, quem sabe assim conseguiria melhorar seu ânimo precário e dormir até o outro dia? A água quente que descia pelos cabelos e costas realmente o havia sossegado fisicamente, mas nada que mudasse o que experimentara mais cedo. Ao sair do banho, com a toalha enroscada na cintura, mais lembranças dela o atingiram, quando normalmente saía do banho daquele jeito para encontrá-la na cozinha cantarolando alguma canção e preparando alguma coisa deliciosa, ou em sua cama analisando a figura dele, ficando espontaneamente corada, o que ele acharia lindo, e os dois voltariam ao que possivelmente estavam fazendo antes dele ter ido tomar banho. Suspirou voltando os olhos para a foto sobre o chão, ainda no meio dos cacos de vidro.

 

Era ainda inacreditável como alguma pessoa conseguia submergir em sua mente e arrancar sua paz com tanta facilidade. Apanhou a foto e no instante seguinte flagrou-se lembrando da fatídica conversa que tiveram...

 

[Flashback]

 

A jovem corou com a insinuação da pergunta e disse nervosamente:

 

– Isso... te-teria que... acontecer em algum momento. – Ela fitou o chão.

 

– O que você sentiu, Hina!? – A voz elevou-se e Shino sentiu raiva ao imaginá-la nos braços do CEO .

 

– Nada. – Ela afirmou incerta. Shino leu em sua expressão que ela mentia.

 

– Você gostou de estar com ele, Hinata? – Questionou novamente, com um tom rude. Ele se afastou do corpo feminino, a raiva consumindo seu corpo.

 

– Não é isso, Shino! – Ela gritou desesperada, tentando se aproximar do amado. – É... muito complicado! – Explicou, triste.

 

– Complicado? – A voz soou agressiva. – Eu te amo, Hina! E você está casada! Para quem tudo isso é complicado?

 

A jovem se calou e seus belos olhos perolados alargaram-se em uma repugnante surpresa. Shino notou quão destruída e confusa a mulher que amava estava, mas não pôde conter a onda de angústia e raiva que parecia cativá-lo naquele momento.

 

– Você se entregou tão facilmente, Hinata. – Acusou com silabada impotência. – Você realmente me amava?

 

– Shino, não fale assim, por favor! – A dor impressa na voz dela não reduziu a profunda decepção que sentia. Parou de fitá-la, porque assistir as lágrimas que causava era tão incômodo quanto aceitar perdê-la de um modo tão injusto, de um modo tão tolo e inevitável. – Neji não me deixou escolha!

 

– Então, ele a forçou? – O questionamento não soou preocupado ou protetor, apenas sutilmente acusatório.

 

Hinata gemeu em negativa enquanto seu corpo tremia e as lágrimas transbordavam toda a culpa que sentia. Não, Neji não a havia forçado, mas também não aceitaria que lhe negasse seu direito como seu esposo. Ele a havia controlado, manipulado, subjugado, de um jeito que talvez nem Shino pudesse compreender. E mesmo que seu corpo correspondesse àquelas carícias, a verdade é que seu coração não estava em sintonia. Como dizer isso ao homem que realmente amava? Como explicar tal confusa e constrangedora verdade sem que o ferisse como fazia agora?

 

– Eu não tenho mais nada a fazer aqui. – Shino afirmou resoluto, recompondo-se com a comum postura fria que escondia seus sentimentos.

 

Aquilo doeu. Era como se ela deixasse de ser digna de vê-lo sem aquela máscara. Como se o verdadeiro Aburame Shino já não pudesse ser acessado, como se Hyuuga Hinata o tivesse perdido verdadeiramente – e agora, para sempre.

 

– Shino... – Chamou-o enquanto o via dar-lhe as costas, mas sua voz não o impediu de sair pela porta. Nem mesmo quando seu pranto soou alto o suficiente para alcançá-lo no longo corredor, ele não cessou os passos.

 

[Fim do flash back]

 

No momento, num ato irrefletido e de pura cólera rasgou a fotografia, em quatro pedaços. Foi a única coisa que fez até escorar o braço na parede e novamente cair em lamúrias.

 

 

-

 

 

Algumas pessoas diriam que Hinata possuía tudo: Um grande legado, beleza, um lindo e extraordinário marido, uma linda casa... Ela pensou com sarcasmo ao vislumbrar sua imagem em uma das muitas fotografias que tinha guardado no closet junto com as tralhas de artesanato. Passou os dedos pela figura mais uma vez, ansiou melancólica e a guardou novamente. É como se aquelas fotos fossem uma fortaleza que a manteria ligada com o amor de sua vida, elas a ajudariam a passar por esse casamento.

 

Após ter tomado um banho, estava pronta para colocar suas roupas. Pensou que agora, casada com Neji, não poderia mais se vestir como se vestia quando ia com Shino encontrar os amigos. Teria que ser formal, nada de moletons e nem camisetas largas como aquela de uma das fotos.

 

Apanhou um vestido azul marinho de corte reto que ia até os joelhos e um cinto fino cinza para usar como adorno. Não era muito formal, mas para agradar o marido atroz talvez fosse elegante o suficiente.

 

Os olhos analíticos dele pairavam sobre a esposa saindo do closet com as roupas nas mãos, talvez ela ainda não tivesse notado que ele estava no quarto a esperando. Pigarreou com a intenção de que ela o percebesse.

 

– Ne-Neji... – Assustou-se. – O que está fazendo aqui?

 

Ele arqueou uma sobrancelha e sorriu com o canto dos lábios. Não deixava de achar inexplicavelmente sexy a maneira como ela parecia uma garotinha indefensa quando era surpreendida por ele.

 

– Vim avisá-la que esta noite teremos uma convidada para o jantar. – Hinata encarou-o atenta. – É uma colega de trabalho que acredito ser capaz de animá-la. – Caminhou até próximo da esposa e estendeu-lhe uma caixa preta retangular e aveludada, possivelmente alguma jóia, a Hyuuga concluiu. – Vim também lhe dar um presente. Quero que o use de agora em diante. – Diante da esposa, Neji abriu a caixa e tirou dela um formoso bracelete completamente adornado de brilhantes. Com delicadeza envolveu a jóia no pulso de Hinata, virou-a de costas para ele e na frente do espelho levantou um pouco seu braço para que ela visualizasse. A jovem manteve-se paralisada, nenhuma emoção conseguia ser expressa pelo rosto trepidante. – Quando o vi pensei que ficaria perfeito em você. E ficou.

 

A peça era realmente muito bonita, e provavelmente deveria ter custado uma pequena fortuna. Neji faria questão que a esposa sempre fosse a mais linda, a mais maternal, a mais fina, mais tudo, porque era assim que uma boa esposa devia ser; a imagem refletida do marido, pensava ele. E esse seria apenas um dos muitos agrados que ele ofereceria a ela naquela noite.

 

Esperou que ela terminasse de se vestir enquanto permanecia encostado à parede, chegava a ser cômico o jeito como tentava esconder a nudez diante dele. Não havia nada ali que ainda não tivesse visto, sentido ou memorizado. Finalmente quando terminou de se vestir, ele a deixou só e desceu para o escritório com a desculpa de que precisava resolver um pequeno contratempo do trabalho.

 

Sozinha e aliviada, Hinata permaneceu no quarto terminando os últimos retoques no cabelo e na leve maquiagem, imaginando como seria a tal 'amiga' a quem Neji apresentaria naquela noite.

 

 

-

 

 

Pensar que Shino poderia ser estúpido o bastante para tentar ver sua esposa não o agradava de jeito nenhum. Desde o momento em que Ino lhe disse que o Aburame não estava em casa, essa ideia fazia-o se sentir irritado e, ao mesmo tempo, malditamente preocupado.

 

Neji estendeu o braço, pegou o celular e discou, aborrecido, o número da linha particular do casal de detetives. Deixou o telefone tocar sem parar, até por fim sendo atendido.

 

– Sim? – Quando a voz feminina atendeu, ele criticou:

 

– Aconteceu algo importante e achei que você gostaria de saber de sua incompetência, hm. – Breve e arrogante.

 

– Se explique melhor antes de acusar, senhor Hyuuga. – A mulher também não parecia de bom humor do outro lado da linha, mas mesmo assim não deixava de ser polida. – O que aconteceu?

 

– Hoje tive a notícia de que o verme Aburame não estava em casa. Sabe me dizer onde ele andava durante a tarde?

 

– Não.

 

O Hyuuga pensou que só poderia ser uma brincadeira. Ela respondera com tanta tranquilidade... Como se ele fosse um mero clientezinho xexelento. Ninguém falava assim com ele!

 

– Minha acusação, portanto, não é em vão. Não quero saber desse miserável perto da minha casa ou da minha esposa. Entendido? Não pago uma fortuna para vocês dois passarem a tarde furando a cara.

 

– Entendido...

 

Por um momento, Neji pensou que ela fosse argumentar. Não dando mais tempo para aquela conversa, ainda colérico, desligou o telefone e se esforçou em recuperar a fachada atenuante que mostrava ao público. Não devia se enfurecer quando tudo ainda estava ao seu favor. Logo Yamanaka Ino chegaria para o jantar e seu plano para mudar os sentimentos da esposa teriam início, não havia pelo que temer.

 

Hinata já descia as escadas quando ele saiu do escritório. Céus, como estava linda! Pensava que, realmente, o melhor negócio da sua vida tinha sido a prima. Rodeou a cintura dela e a levou até um dos confortáveis sofás da sala de TV. Ela, introvertida, sentou-se um tanto afastada, coisa que ele fez questão de mudar aproximando-se e pousando a mão sobre uma das coxas que o vestido revelava. A mulher teria que se acostumar com esse tipo de proximidade uma hora ou outra, então seria melhor aos dois que fosse o mais rápido possível.

 

A campainha soou em meio à voz monótona do repórter que apresentava uma fila de pensionistas. O casal Hyuuga ainda estava sentado sobre o sofá em um silêncio tenso, acompanhando as notícias do jornal na televisão gigante enquanto aguardavam sua visitante.

 

– Com licença, Hyuuga-sama. – Uma empregada solicitou em uma respeitosa reverência. – A Srta. Yamanaka Ino chegou.

 

E com um movimento suave, deu um passo para o lado revelando a figura esbelta da jovem de longos cabelos loiros, belíssima em seu vestido de cetim branco. Os orbes de um cristalino azul fixaram-se nos perolados de Hinata e por um breve momento a estudaram. A morena se sentiu incomodada sob o olhar atento, mas o sorriso caloroso que a visitante lhe concedeu pareceu reduzir o sentimento.

 

– Boa noite, Neji. – Cumprimentou educadamente, concedendo a mão suave para que fosse beijada. – Suponho que esta linda mulher seja sua esposa. – O elogio fez Hinata corar enquanto se aproximava da loira.

 

– Sim. – Havia certa tensão na voz do Hyuuga. – Hinata, esta é Yamanaka Ino. – A voz grave expressou e a morena logo foi envolvida em um abraço caloroso da visitante.

 

– Estou feliz em poder conhecê-la. – O tom alegre gerou um sorriso constrangido da Hyuuga. – Tudo o que seu marido me disse sobre você não lhe faz justiça. – A loira completou com um sorriso amigável.

 

Hinata se flagrou confusa pelo comentário. Nunca imaginou que Neji, sendo tão reservado e sério, falasse alguma coisa sobre alguém tão sem graça quanto ela.

 

– Obrigada, Srta. Yamanaka. – A morena agradeceu com um sorriso tímido.

 

– Ah, que fofa! – A loira quase gritou entusiasmada. – Você não precisa me chamar pelo sobrenome, por favor. – E tomando as mãos delicadas entre as suas, completou: – Afinal, seremos amigas, não é?

 

O sorriso afável da visitante era tão bonito e caloroso que Hinata não duvidou que aquilo fosse possível. Em tão pouco tempo, a Hyuuga já notava não ser difícil se sentir descontraída na presença animada daquela mulher. Neji estava certo. Aquela mulher poderia animá-la um pouco.

 

– Sim. – Respondeu por fim, retribuindo o sorriso com uma honestidade tão pura que fez Ino se surpreender.

 

Assim que adentrou a mansão e pousou as safiras perspicazes sobre a figura pequena e frágil da Hyuuga, sentiu o coração pesar pelo que estava fazendo. Ela era tão delicada que foi impossível não sentir pena por saber das crueldades que as mãos rudes do CEO eram capazes de fazer.

 

Os olhos, no entanto, foram o que mais atraiu a atenção da Yamanaka. Duas pérolas tão cristalinas e bondosas que lhe causavam repulsa por ter de enganá-las de maneira desonrosa. Havia calor naquelas esferas e Ino compreendeu, imediatamente, a razão para que Neji não permitisse que ninguém ameaçasse tirar-lhe aquela jovem. Era claro que somente Hyuuga Hinata poderia salvar a alma podre daquele homem.

 

- Vou buscar um vinho enquanto o jantar não está servido. – Neji anunciou encarando Ino como um aviso mudo para que iniciasse o plano. – Fiquem à vontade.

 

Tão logo ficaram sozinhas, a loira exclamou contente:

 

- Hinata, estava ansiosa para conhecê-la! – A morena se surpreendeu com a confissão sincera. – Afinal, não é sempre que vejo Neji tão apaixonado por uma mulher.– O riso suave não foi acompanhado pela Hyuuga. – Ele parece ter muito carinho por você.

 

A morena se sentia incomodada com os comentários consideravelmente invasivos da visitante, mas era impossível não se admirar pelo seu conteúdo. Neji, apaixonado? Não, ele era uma pessoa demasiado fria para se envolver com sentimentos tão nobres.

 

– Ele é uma pessoa atenciosa. – Expressou, educada. Não poderia dizer o que verdadeiramente pensava, mas nada a impedia de contar meias-verdades.

 

– Ele parece se preocupar muito com o seu bem-estar. – Ino continuou, alheia ao desconforto da Hyuuga. – Convidou-me para jantar para que você tivesse alguém com quem conversar e se distrair. – A confidência soou tão honesta que a morena sentiu o coração apertar pela preocupação do marido. – Eu sei que não sou a pessoa ideal para isso. – Os orbes azuis fitaram as próprias mãos sobre o colo. – Não estou à altura de fazê-la se sentir à vontade.

 

A autopiedade causou impacto sobre o coração altruísta da morena. Céus, aquela mulher estava disposta a ser uma amiga e Hinata parecia não lhe dar espaço para que se conhecessem. Por um momento, sentiu-se horrível pelo que estava fazendo.

 

– Não, Ino! – A voz delicada soou corretiva. – Você está sendo uma boa companhia. Eu é que sou tímida demais.

 

A expressão compassiva no rosto bonito da anfitriã fez o interior de Ino revolver com força. Devia ser crime manipulá-la de maneira tão fácil. Ela era tão boa que sequer desconfiava de suas intenções, ou melhor, das intenções de seu marido. Estaria ciente do monstro com quem se casara? Suspirou. Não era de sua conta. Precisava manter a amabilidade e mascarar um sorriso amigável em seus lábios se desejasse cumprir com seus objetivos. Afinal, era responsável indiretamente por uma vida e, mesmo que não conhecesse o "tal" Aburame Shino, não desejava que Neji o matasse por não ser capaz de fazer a Hyuuga se apaixonar pelo próprio marido.

 

Ino faria de tudo para que Hinata visse no gênio atroz o que ele não era. Era triste, mas toleraria ver alguém tão doce quanto a Hyuuga viver com um monstro, desde que o monstro não a machucasse. E enquanto a jovem de olhos bondosos fizesse tudo o que seu marido desejasse, nada a tornaria alvo de sua maldade.

 

– Você que é gentil, Hinata. – A loira comentou, sorrindo de forma cúmplice à bondade da morena. – E tem sorte por viver com alguém que a quer feliz.

 

Os perolados nublaram-se com a mágoa e a Yamanaka não deixou de notar a profunda tristeza que a morena sentia. O sorriso melancólico nos lábios rosados, a postura abatida, o rosto fino inexpressivo, formavam um conjunto perigoso ao coração de Ino. Não, ela definitivamente não poderia se envolver com aquela mulher. Por seu próprio bem, para o bem da Hyuuga, teria de seguir fiel ao que Neji estabelecera.

 

Levantou-se rapidamente, segurando as mãos de Hinata entre as suas e puxando-as para que a jovem se colocasse à sua frente.

 

– Eu sei o quanto é difícil começar uma nova vida com alguém tão importante quanto seu marido. – A loira começou, compreensiva. – Mas, saiba que algumas vezes a felicidade se esconde em uma embalagem que não nos atrai.

 

Os perolados alargaram-se com a afirmativa. As palavras lhe eram um recado claro para que procurasse aceitar seu caminho, sua atual condição. O semblante sério da loira era convidativo para que suas palavras fossem refletidas e Hinata sentiu um profundo pesar ao constatar que, talvez, estivesse tão relutante com o futuro que poderia se tornar incapaz de ser feliz algum dia.

 

Em pensar que Shino era o único homem de sua vida. O único por quem se apaixonara e que acreditara poder fazê-la feliz. Agora, havia Neji e – aceitasse ou não –, qualquer que fosse seu futuro, seria com ele que o partilharia.

 

Acabou por assentir, ainda mais triste quanto antes. Logo, o Hyuuga chegou à sala e serviu-lhes taças de vinho. A conversa prosseguiu durante o jantar com suavidade, mas a morena estava visivelmente abalada.

 

Após a deliciosa sobremesa, Neji despediu-se de Ino e seguiu para seu escritório, deixando as duas mulheres sozinhas e solicitando que a esposa se encarregasse de entreter a convidada. O silêncio entre ambas era palpável e a Yamanaka começava a se sentir receosa de que tivesse dado um passo em falso.

 

– Hinata, desculpe se fui atrevida. – A loira parecia realmente preocupada. – Espero não a ter ofendido. Sou tão descuidada!

 

– Não, Ino. – A morena respondeu suavemente, surpreendendo-se por não ter gaguejado. Seria possível que já se sentisse tão à vontade na presença amigável daquela outrora desconhecida? – Eu agradeço suas palavras. – Completou com um pequeno sorriso.

 

– Ah, se for assim, fico feliz. – A loira expressou, aliviada. – Sabe, entendo como é a instabilidade de uma paixão. Há algum tempo, conheci alguém. – O tom confidencial fez com que Hinata se inclinasse sobre o sofá onde estava sentada, com interesse genuíno. – Uma pessoa admirável! Séria, introvertida, responsável...– Havia admiração na voz feminina e a morena se sentiu subitamente envolvida por aquela felicidade. – Estamos saindo desde que um relacionamento dele não deu certo. No início, senti que não me correspondia como gostaria... – As safiras pareceram momentaneamente tristes. – Mas, agora, sei que corresponde o que sinto, pois me procura e saímos várias vezes.

 

No término do relato, Hinata descobriu-se torcendo pela felicidade daquela mulher que parecia tão gentil e agradável. Era bom saber que havia encontrado alguém especial. Era bom saber que algumas pessoas conseguiam viver ao lado daquelas por quem haviam se apaixonado.

 

– Fico realmente feliz por você, Ino-san. – A jovem expressou comovida, ignorante de que o homem a quem Ino se referia, muito em breve, seria revelado como Shino.

 

– Ah, Hinata! Eu fico feliz por conhecer uma pessoa como você! – A resposta soou animada e Ino abraçou a morena, sem sequer dar-lhe a chance de recuar.

 

A Hyuuga retribuiu o gesto com uma felicidade autêntica, alheia ao triste fato de que aquele abraço caloroso selaria o início de uma amizade perigosa.

 

 

-

 

 

A morena sorria sob o chuveiro, ensaboando-se com lentidão enquanto repassava em mente as lembranças de sua nova amiga. Ino não era nada do que havia imaginado quando Neji informou que apresentaria a uma de suas colegas de trabalho. Pensou, a princípio, se tratar de uma pessoa tão fria quanto o marido, mas o sorriso caloroso da loira e seu jeito espontâneo e alegre de ser a cativara.

 

O dia havia sido um borrão lamentável. Pensar que horas atrás esteve entre os braços de Shino e, agora, encerrava a noite preparando-se para dormir com Neji, fazia seu coração pesar. Era verdade que sentia uma profunda tristeza por perder o único homem que amava e até o momento considerava o primo uma pessoa austera e extremamente cruel.

 

No entanto, Ino fez evaporar ao menos um pouco aquele pesar. A fez sorrir. A fez pensar que talvez, um dia, pudesse ser feliz novamente. E não poderia ignorar o que a loira dissera sobre o marido.

 

Seria verdade que Neji a amasse como a nova amiga dizia?

 

Resolveu ignorar a reposta. De qualquer maneira, teria de agradecê-lo pela preocupação de tê-la apresentado.

 

Concluiu sua higiene e vestiu uma de suas camisolas, pois a noite estava bastante abafada com o calor do verão. O tecido fino, de cor escura, ressaltava suas curvas graciosas e o tom alvo da pele suave. Ao abandonar o banheiro, a Hyuuga estava tão absorta em seus próprios pensamentos que não notou o olhar de luxúria de seu marido sobre si.

 

Ela se surpreendeu quando as mãos masculinas pousaram em sua cintura, puxando-a de encontro ao corpo musculoso. As costas femininas chocaram-se com o torso desnudo de Neji e um gemido temeroso ecoou pelos lábios rosados. O coração descompassado pelo medo de encerrar a noite entregando-se ao marido a fez tremer.

 

O dia havia sido exaustivo e a expressão dolorosa de Shino ainda se mantinha em suas retinas. Ter as mãos grandes e possessivas, passeando sobre sua pele, gerou uma angustiante vontade de afastá-las o mais rápido possível.

 

– Neji! – Exclamou, repreensiva, ao sentir um de seus seios envolvidos entre os dedos do marido.

 

Ele cessou o movimento ousado e de forma ágil, virou o corpo feminino de frente para o seu, fixando perolados raivosos sobre a expressão medrosa da esposa.

 

– Quer dizer alguma coisa, Hinata? – A jovem sentiu certa hostilidade sob as palavras e temeu uma represália se negasse ao primo seu direito conjugal.

 

– É... que... – Ela refletiu, mordendo o lábio inferior sem notar que o gesto despertava ainda mais o desejo do marido. – Obrigada pela preocupação em trazer Ino-san para jantar. – Concluiu, sentindo a face aquecer pelo constrangimento. Ela havia sido sincera e o Hyuuga pareceu desarmar diante do reconhecimento.

 

Inferno, ele simplesmente não poderia estragar tal momento!

 

- Eu farei o que puder para deixá-la feliz, Hinata. – A voz soou rouca e a mão masculina, antes repleta de malícia, pareceu transbordar carinho ao tocar o rosto delicado. – Pensei sobre a solidão que sente e, se desejar, poderá convidar Hanabi para visitá-la.

 

A jovem se surpreendeu com a carícia e com a preocupação expressa na permissão. Um sorriso tímido moldou-se nos lábios rosados e Neji notou ter, finalmente, acertado um passo.

 

Ele se aproximou lentamente da mulher à sua frente, colando seus corpos com um movimento sutil e menos impaciente. Apesar do desejo latente em suas veias, era importante conquistar o coração partido da adorada esposa com calma. Seus planos estavam seguindo o curso que programara e logo a jovem esqueceria completamente qualquer pessoa que não importasse.

 

Os lábios estavam tão próximos que Hinata se assustou ao notar o cuidado do primo em tornar aquele momento mais suave do que as demais vezes. Talvez, ele realmente se importasse. Talvez, pudessem ser felizes juntos e...

 

Não! Algo em seu interior a alertou do perigo. Ela fizera uma promessa! Ela precisava manter Shino em seu coração, porque seu amor por aquele homem era a única coisa boa que lhe restara. Que lhe pertencia! Neji não poderia roubar-lhe tudo! Não poderia tornar aquele casamento forçado em um relacionamento abençoado. Não poderia fazê-la esquecer a única pessoa que verdadeiramente a conheceu e amou. Ele poderia ter seu corpo, seu tempo, sua privacidade, mas nunca seu coração!

 

O som da campainha soou cortante no silêncio da mansão e a jovem afastou-se rapidamente dos braços do marido, encarando os perolados decepcionados com constrangimento.

 

– Eu atendo! – Quase gritou enquanto seguia para a porta. – Os empregados já devem estar dormindo! – Explicou e sumiu pelo corredor, tentando acalmar o coração aos pulos e a odiosa sensação de ser uma leviana!

 

Sequer pensou em seus trajes ou no horário ao abrir a porta como um rompante, revelando uma figura que jamais conhecera antes.

 

À sua frente, estava um homem com proporções admiráveis e cabelos arrepiados de aparência sedosa, tão pretos quanto uma noite sem estrelas. Os olhos negros dançaram com ousadia sobre o corpo feminino, fazendo-a sentir a pele arrepiar pela intensidade com que era observada. A face parecia queimar quando as esferas ônix alcançaram os perolados, fixando-se com uma intimidade tão grandiosa que a fez recuar.

 

– Você deve ser a esposa do Hyuuga. – A voz profunda era melodiosa e autoritária, mas os negros queimavam com um brilho lascivo. – É um prazer conhecê-la. – Ele se aproximou e tomou uma das mãos femininas entre as suas, sentindo com prazer a pele aveludada e cheirosa.

 

– Uchiha, afaste-se dela! – O tom raivoso de Neji soou tão alto que Hinata deu um pulo, afastando-se do visitante.

 

– Ora, Neji... – O tom em descaso era totalmente alheio à fúria que queimava nos perolados do CEO. – Você nunca se importou em dividir.

 

Hinata encarou boquiaberta a expressão homicida do marido. As sobrancelhas franzidas e o olhar feroz a fizeram temer pelo sujeito desconhecido.

 

– Suba para o quarto, Hinata! – A ordem soou rude e a jovem não hesitou em acatá-la. Enquanto subia os degraus da longa escadaria, pôde ouvir o comentário maldoso do "tal" Uchiha:

 

– Ainda não tem intimidade com sua esposa para conversar sobre suas brincadeiras?

 

O som de um grunhido irritado fez Hinata ter certeza de que Neji e aquele estranho viviam uma relação nada convencional.

 

Continua...

 



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