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História Age of Heroes (Histórias dos fundadores) - Capítulo 9


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Capítulo 9 - Hugor da Colina


Fanfic / Fanfiction Age of Heroes (Histórias dos fundadores) - Capítulo 9 - Hugor da Colina

— Esta criança é especial — decretou a Velha Ama do príncipe Hugor, logo quando ele nasceu. — Sobre os ombros deste garoto está o futuro do nosso povo. Um futuro de conquistas e glórias.

 

A região de Ândalos abrigava muito mais do que um povo homônimo ao local, pois se tratava de uma terra cheia de colinas, entre as quais podiam ser encontradas fissuras sobre o solo rochoso, de onde uma estranha substância gasosa exalava para a superfície. Qualquer homem ao entrar em contato com a substância, sofria de agravadas crises de alucinações.

Diziam os anciãos que aquela era uma forma que os deuses haviam escolhido para se comunicar com o povo, porém os mais céticos, diziam ser esta uma ferramenta usada pelo inimigo de R’hllor com o propósito de confundir a mente de homens. Já os menos fanáticos alegavam simplesmente não haver nenhuma explicação para tal fenômeno, principalmente que deuses poderia se referir a um ajuntamento variado de divindades adoradas pelos ândalos, desde os deuses de Valyria, aos deuses ibbenenses e o Senhor da Luz.

Mesmo assim Hugor decidiu se certificar pessoalmente do que se tratava aquela manifestação, afinal ele era um líder guerreiros, filho do homem que havia unidos todas as tribos ândalos em um único povo. Se tudo aquilo fosse mesmo um meio de conexão entre deuses e homens, Hugor estava disposto a descobrir por conta própria, mesmo que isso lhe custasse a vida — algo que ele não temia desde a primeira vez em que um homem de face coberta tentou matá-lo quando criança, provavelmente um Homem Sem Rosto contratado para assassinar o futuro Rei dos Ândalos.

Ao descer do sol de uma lua minguante, com o céu estrelado, o rei vestiu sua armadura e embainhou sua espada, ambas fabricadas por Aulë, o melhor ferreiro de todos os ândalos. Em sua cabeça pôs a coroa dada por seu próprio pai, Hukko, antes deste padecer em seu leito de morte. Vestido como um guerreiro, o Rei dos Ândalos soube que deixaria orgulhoso seu mestre Tulkas, o homem que o ensinou a lutar.

Enquanto Hugor saía com passos curtos de sua cabana (os ândalos não construíam casas naqueles tempos), quase atravessando a entrada, ele olhou para trás, contemplando sua bela esposa e rainha, dormindo os filhos aconchegados em seus braços.

— Nos veremos mais tarde, minha rainha — ele disse.

A Rainha Nessa era tida como a segunda mulher mais bela de Ândalos, perdendo em formosura apenas para Nienna, uma jovem donzela que por não aceitar o arranjo de casamento feito por seus pais, atirou-se do alto de uma colina. Uma tragédia que pouco seria lembrada posteriormente, mas a donzela em questão, de uma forma ou de outra, seria eternizada.

Hugor em sua juventude havia também se enamorado por Nienna, assim como muitos outros jovens ândalos, contudo conseguiu encontrar um lugar em seu coração para amar Nessa. No início do matrimônio o casal enfrentou dificuldades para ter filhos, mas Elbereth, mãe de Hugor, sendo portadora do milenar conhecimento de ervas e plantas medicinais, trouxe fertilidade à esposa de seu filho.

 

O séquito particular do rei estava composto por duas dezenas de homens apreensivos, enquanto viam seu senhor dirigir-se ao encontro à essência gasosa que havia levado homens bons para o caminho da loucura, acompanhado até meio-caminho por grande número de sacerdotes dos mais variados deuses e observado por uma multidão de súditos ansiosos.

Antes de ir encontro ao que poderia ser a morte de sua sanidade, Hugor virou-se para todos os seus observadores e declarou:

— Povo de Ândalos, se hoje eu cair em delírio eterno, lembrem-se que o que mantém um povo unido é muito mais do que um rei, mas peço que prestem atenção em minhas palavras enquanto eu estiver sob o efeito da insanidade.

 O rei não se deu ao trabalho de ouvir e entender a enxurrada de palavras que vieram em seguida, concentrando sua atenção no que estava à sua espera. Dando os últimos passos de encontro à fonte da loucura, Hugor sentiu o gás invadir seu olfato, inflar seus pulmões, turvar sua visão e atormentar seus pensamentos. O povo todo ali presente prendeu a respiração quando viu seu rei cair no solo pedregoso, com o corpo se contorcendo.

Para Hugor, o mundo todo havia desaparecido e aos seus olhos, toda a existência se resumia a uma planície sob um cheio iluminado por apenas sete estrelas. Não estava mais nas colinas e provavelmente não estava mais nem em Ândalos. Erguendo-se do chão, o rei guerreiro descobriu que não estava sozinho, pois sete figuras imponentes estavam à sua frente, o observando com olhares séries, mas não severos.

Começando da esquerda para a direita, Hugor identificou sua Mãe Elbereth, a mulher que não só lhe trouxe ao mundo, como também havia tornado sua esposa fértil e ao lado dela estava Hukko, seu Pai, elevando em suas mãos uma coroa de estrelas muito mais bela que aquela dado por ele anos atrás.

Ao ombro esquerdo de seu Pai, encontrava Nienna, a Donzela que há muito havia partido deste mundo, seguida pela Velha Ama de Hugor, a sábia anciã dos ândalos que o havia anunciado como um grande líder.

Percorrendo a sua visão, mais à esquerda, Hugor viu Tulkas, o Guerreiro que o havia treinado nas artes militares, e Aulë, o melhor Ferreiro de Ândalos, responsável pela confecção de suas armas e armadura.

O último ser presente foi reconhecido por Hugor como o Homem Sem Rosto que tentou matá-lo quando criança, com o rosto coberto pelo capuz, apresentando feições de um homem Estranho e misterioso.

— Hugor, venha até aqui — sua Mãe o chamou.

Hugor não soube dizer porque obedeceu, apenas se dirigiu até o grupo de pessoas e instintivamente ajoelhou-se perante elas. Com a cabeça curvada, ele sentiu seu Pai pôr-lhe a coroa com sete pontas ornamentadas por estrelas e lhe dizer:

— O futuro do nosso povo não está aqui. Estas terras são duras e improdutivas. Conduza os ândalos até as terras estrangeiras do Continente do Oeste e as conquiste, pois esta é a sua missão.

 

Hugor abriu os olhos apressadamente, respirando com dificuldade, sentindo os batimentos acelerados e seu corpo carregado por alguns de seus soldados, enquanto outros aparentemente o protegiam de sacerdotes enfurecidos.

— Isto é uma blasfêmia! — ele ouviu alguém falar. — Estes Sete são demônios! São servos do Grande Outro.

— Esse é o futuro de nosso povo! — outra pessoa declarou. — Nosso Rei foi escolhido pelos verdadeiros deuses para nos transmitir a mensagem. Teremos terras e glórias conquistadas em terras estrangeiras!

O brado rompante dos que acreditaram nas palavras de Hugor (às quais ele não se lembrava de ter dito), sufocaram os protestos dos poucos adoradores remanescentes dos diversos deuses cultuados até então pelos ândalos.


Notas Finais


A região de Ândalos fica em Essos, ao sul das terras de Braavos.

Hugor da Colina é um personagem canon, tido como o Rei dos Ândalos que os guiou até Westeros. Para breves informações, consultar a wiki dele:
https://wiki.geloefogo.com/index.php/Hugor_da_Colina

Alguns dos nomes usados para nomear os personagens que representam a origem dos Sete foram retirados diretamente do Silmarillion, sendo na verdade nomes de entidades tolkenianas.


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