História Agnus Dei - Capítulo 15


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Categorias Dragon Ball
Personagens Bulma, Chichi, Goku, Kuririn, Raditz, Vegeta
Tags Bulma, Dragon Ball, Goku, Universo Alternativo, Vegeta
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Palavras 2.758
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Hentai, Policial, Romance e Novela, Saga, Suspense, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


“o homem irritável provoca dissenção, mas quem é paciente acalma a discussão.”

Provérbios 15:18

Capítulo 15 - Exacerbatione


Bra sentia-se enjoada. Engoliu a saliva, tinha um gosto amargo. Estava de olhos fechados, mas ainda sim fez uma careta. Abriu os olhos e o mundo pareceu girar, fechou novamente. Ouvia alguns barulhos, lembrou-se que estava na festa de comemoração de Satan City. Havia muito barulho, mas agora não.

Abriu os olhos devagar, sua visão estava borrada, piscou algumas vezes, respirou fundo para controlar a tontura, mas sentiu um cheiro forte, acre, invadindo suas narinas. Sentiu vontade de vomitar. Percebeu que estava deitada no chão, um chão de madeira velha e suja. Sua visão foi ganhando nitidez.

- Onde estou... – ela falou alto. Ouviu sons de passos, estavam indo na direção dela.

- Acordou princesa?! – um homem olhava para ela, Bra não gostou do olhar dele.

- Quem é você? Onde estou? – ela sentou-se e levantou a cabeça para olhar para ele.

- Você está segura. Fique tranquila. – o homem abaixou-se e acariciou a face dela – Logo seu sofrimento irá acabar. – ele sorriu e se levantou, indo para outra extremidade do cômodo.

Bra seguiu o homem com os olhos e o que viu a fez gelar. Ela se levantou, em uma mesa estava o corpo de uma mulher totalmente nua. Sentiu o cheiro de carne queimada quando ele marcou o pé dela. Seu coração disparou.

- Você?... – a palidez dos mortos tomou conta de sua face, ainda com o sangue correndo nas veias. Olhou ao redor, havia uma banheira cheia de água, do outro lado um armário e uma mesa pequena, com rodinhas e em cima dela uma bandeja de prata com instrumentos cirúrgicos.

As pernas de Bra fraquejaram, ela foi ao chão novamente. Não sabia o que fazer. Olhou para o homem novamente e ele estava fazendo sexo com a mulher desacordada. Dessa vez ela não conseguiu conter a náusea e vomitou. Ouviu os gemidos do homem. Vomitou mais uma vez. Tapou os ouvidos com as mãos, não queria ouvir aquilo. Fechou os olhos e se encolheu.

Ele gemeu alto quando terminou. O corpo inerte de Videl não respondia. Tirou o preservativo e jogou no lixo. Pegou o corpo e foi em direção á banheira, deitando-o e submergindo. Assustou-se quando Videl começou a se debater. Bra ouviu o grito dela e abriu os olhos.

Era sua chance, enquanto a outra lutava ela poderia fugir. Levantou e procurou a porta, estava depois dele, depois da banheira. Deu um passo atrás. A outra mulher se debatia enquanto ele, sem dizer nada, tentava segurá-la embaixo da água. As unhas grandes arranhavam os braços desnudos. Então ela parou, de repente. Bra ficou imóvel, observando.

O homem se levantou e pegou uma toalha. Secava as mãos e os braços devagar, olhando para Bra. Ele sorriu. Foi até o armário e tirou de lá uma arma.

- Não vou perder tempo com você. – Bra não teve reação, não gritou, não correu. O tiro fora certeiro, bem no meio da testa. O corpo caiu devagar, como se estivesse de desmontando. Caiu de bruços, com o rosto no chão, quebrando o nariz. Atrás da cabeça, por onde a bala saiu, pedaços de massa encefálica voaram, grudando na parede.

 

Distrito 59GBV

 

Goku olhava os arquivos federais a procura de algum suspeito. Vegeta havia saído com Whis para falar com Pilaf, a sala era um silêncio total. Bulma olhava as fotos e fazia anotações, tinha um olhar atento e isso fez com que ela soltasse um grito, assustando a todos.

- Como não vi isso antes?! – ela se levantou e foi até o mural de fotos. Goku parou do lado dela.

- O que? O que você está vendo? – ele  perguntou ansioso.

- Veja a posição delas, quando ele deixa o corpo não é de qualquer jeito, ele as arruma. – ela apontava para as fotos.

- Sim, isso sabemos. – Goku respondeu quase sem paciência.

- Esta posição não te lembra nada? Alguém? Alguém sagrado? – Bulma desafiou, apesar de ver que Goku estava irritado, mas ela queria que ele visse.

Afastou-se e foi até a mesa, pegou um cigarro. Fez um sinal para Monaca olhar também.

Goku fixou seus olhos. “não te lembra alguém?”. Ele fechou os olhos por alguns segundos. “Alguém sagrado?”.

- Santa Maria Mãe de Deus... – ele sussurrou. A posição dos braços abertos próximo ao corpo, as mãos abertas, as palmas viradas para cima, como quem convida para um abraço ou para deitar em seu colo, pedindo abrigo, Sanguinem victimae clamant, chore o sangue do teu sacrifício. – Goku continuou olhando as fotos das vítimas.

 

“- E então doutor? – Goku apressou.

O médico puxou a gaveta da câmara de refrigeração.

- Venha aqui. – ele estava descobrindo os pés do cadáver – Veja. – apontou para uma marca na sola do pé direito.

- “A.D.” – Goku leu – Sabe o que significa?

- Não faço ideia. Mas foi marcada com fogo, e pelo aspecto da queimadura ela ainda estava viva.”

 - Agnus Dei. É isso que significa. - Ele olhou para Bulma.

- Existe uma ligação forte dele com a religião, mais especificamente a mãe de Jesus, o pai de Jesus que no caso é Deus e não José e o sacrifício da mulher. Para ele, o que essas mulheres que são assassinadas estão fazendo, é um sacrifício, talvez uma redenção, não é possível definir ainda. – Bulma parou para tragar o cigarro.

- Ele tem raiva das mulheres? – Goku voltou os olhos para as fotografias.

- Talvez. Ele pode ter sido abusado quando criança, negligenciado pela mãe ou até mesmo ter sido abandonado repentinamente em um relacionamento. É difícil dizer com certeza, porque esse envolvimento que ele faz com figuras sagradas, acaba por encobrir alguns traços. Afinal de contas Maria ficou com Jesus até que ele morresse e Deus, bom, Deus é Deus. – ela sentou-se, precisava registrar esses informações.

“- Deus é Deus.” – Goku repetiu mentalmente.

 

Satan City – Festa de comemoração do aniversário da cidade

- Onde está a Bra? – Pan perguntou a Goten, que tentava são ser levado pela multidão.

Estava um verdadeiro caos na cidade. A festa de comemoração de aniversário não foi bem como o prefeito Satan previu. Muitas pessoas bêbadas, furtos, brigas e até pequenos assaltos aos estabelecimentos que estavam aberto.

- Eu não sei, ela disse que ia ao banheiro. – Goten respondeu – Já liguei no celular dela mil vezes e ela não atende.

A polícia já tinha feito dez prisões e o prefeito havia dado ordem para que encerrassem a festa e afastassem as pessoas.

- Você sabe onde ela foi? – Pan também já tinha ligado no celular da amiga.

- Não, ela falou para esperar aqui. Eu disse que ia com ela, mas não queria deixar você sozinha. – um homem trombou em Goten e derramou cerveja nele.

- Sai da frente moleque! – o bêbado esbravejou.

- Filho da puta! Derramou cerveja em mim! – ele sacudia a camiseta afim de tentar tirar o excesso do líquido que já estava começando a azedar – Pan, vamos sair desse inferno. Eu não aguento mais ficar aqui.

De repente a tropa de choque apareceu com um caminhão de água, varrendo as pessoas da avenida principal. Um policial de capacete gritava ordens de evacuação, mandando todos os molhados para suas casas.

- A festa acabou! Todo mundo circulando! – ele berrava com a ajuda do megafone, em cima do caminhão.

Ninguém queria se molhar, a correria começou. Algumas pessoas foram pisoteadas e o prefeito Satan, que assistia tudo pela televisão, arrancava os cabelos. Não seria reeleito na próxima eleição.

Os comércios fecharam as portas e não abriram até o dia seguinte. A tropa de choque conseguiu “lavar” todo o perímetro onde acontecia a festa. De cima do caminhão o  soldado achou engraçado pessoas correndo feito ratos, se esgueirando pelas ruas paralelas. E no final sobrou apenas os incapazes de se levantar devido ao excesso de álcool. Talvez morressem congelados no frio da noite.

Goten deixou Pan em casa e pediu que ela ligasse caso soubesse de Bra. Passou na casa da namorada, mas disseram que ela não estava. Ele não estava com um bom pressentimento. Chegou em casa e tomou um banho. Estava fedendo a cerveja azeda, sentiu-se um chão de boteco. Tomou um banho quente e deitou-se. Mandou mensagem para Bra, adormeceu, embora preocupado, mas relaxado pelo banho quente.

 

Distrito 59GBV

Vegeta chegou com Whis. Já estava próximo das 18h00. Entregou o relatório de Pilaf para Goku.

- Eu preciso comer alguma coisa. – Vegeta falou irritado – Kakarotto, você ainda fica por aqui até que horas?

- Eu não sei, vou analisar esses relatórios. Por que? – Goku simulou uma cara de surpresa.

- Por nada. Eu vou para casa. – Vegeta saiu rápido, sem se despedir. Goku apenas observou.

- Ainda é cedo. – Bulma olhou no relógio de pulso – Monaca, eu também estou faminta e acho que você também. – ela abriu um lindo sorriso para o assistente que se derreteu todo.

- O que vocês querem? – era a primeira vez que ouviam a voz do homem de cabeça grande.

Bulma pensou um pouco. Não queria que Monaca pulasse de restaurante em restaurante, tinha que ser algo que agradasse a todos.

- Yakissoba! Que tal? – ela salivou e todos concordaram – Traga também refrigerantes, por favor. Compre bastante Yakissoba, por que tem gente aqui que come feito um desabrigado!

Goku apenas olhou por baixo e levantou uma sobrancelha.

- Acredito que não seja de mim que você esteja falando. – ele provocou sem tirar os olhos da papelada.

- É claro que é! – Whis respondeu – Eu mesmo já presenciei diversas vezes. – e soltou uma risadinha.

- Whis, - Goku olhou para ele – eu vou deixar que você continue ostentando essa sua pose de elegante. Mas quando a comida chegar, nós todos veremos quem é o verdadeiro Whis, devorador de comida! – Whis ficou sério, mas logo começou a rir, contagiou Bulma e Goku.

Monaca também riu, por dentro. Depois de sua fala, ele voltou a forma impassível que sempre estava. Virou-se e foi em busca do alimento.

Goku pegou o maço de cigarros de Bulma e saiu.

- Hey! – ela chamou – Onde vai com isso? É meu!

- Vou fumar lá fora, preciso de ar. – ele virou de costas para ela e sumiu.

Goku saiu na frente da escadaria do departamento de homicídios. Respirou fundo, sentindo o ar gelado passear por seus pulmões. De cada lado das portas havia um policial militar.

- Está um frio da porra, por que não entram e tomam um café ou um chá? – os homens estavam com seus narizes vermelhos e as bochechas levemente avermelhadas, queimadas pelo frio.

Eles não hesitaram.

- Obrigado senhor! – e correram para dentro, esfregando as mãos e fungando o nariz.

A rua estava escura. Alguns postes tinham suas lâmpadas queimadas. Goku acendeu o cigarro e tragou.

- Merda de concessionária, pelo preço que se paga pela luz, não deveria faltar. – tragou de novo e soltou a fumaça que foi levada rapidamente pelo vento.

Goku odiava o frio. Usar aquele monte de roupas que só atrapalhavam. Prendiam os braços, limitando os movimentos em uma luta corporal. A única vantagem é que escondiam as armas, ninguém saberia o que tinha sob o casaco, pendurado no coldre.

De repente sentiu um par de braços enlaçar seu peitoral, a cabeça encostar em suas costas. Sorriu. Sua dose de calma.

- Um beijo pelos seus pensamentos... – a voz aveludada dela, que conseguia qualquer coisa.

Ele atirou longe o cigarro e se virou devagar. Dois grandes olhos azuis sorriam para ele. A abraçou, enfiando o nariz em seus cabelos, sentindo o cheiro suave do shampoo, desceu mais um pouco e achou espaço no cachecol para respirar a pele dela. Só a pele já tinha um cheiro inebriante, misturado ao perfume, faziam uma combinação viciante. Deliciosamente viciante.

- Eu estava pensando em como eu odeio o frio. – ele falou ainda enterrado no pescoço dela, mas logo ergueu a cabeça – Agora meu prêmio... – ele tomou para si os lábios rosados, que não fizeram resistência, antes, abriram levemente para que ele pudesse entrar.

Goku suspirou, Bulma enterrou os dedos nos cabelos dele, beijavam-se devagar para poder sentir cada um ao outro. Dançavam suas línguas na boca do outro, como uma carícia, Bulma gostava de morder o lábio inferior, para depois chupá-lo devagar e Goku capturar seus lábios de volta para ele. Não era uma disputa, era doação, doavam-se por amor e prazer, gostavam de proporcionar ao outro mutuamente.

- Você me faz isso e eu quero te carregar para casa agora... – Goku acariciou seu rosto e Bulma sorriu. Eles não viram de onde veio, mas foi rápido.

Um estampido e algo atravessou o peito de Goku do lado esquerdo, passando de raspão pelo rosto de Bulma, ferindo-a superficialmente. Goku gritou e curvou-se sobre Bulma que empalidecera na hora. Ele a aparou com o braço direito e caminhou para dentro.

- Whis! – ele gritou. Os plantonistas já iam em seu socorro com as armas nas mãos.

Outro tiro, mas ficou na parede. Goku conseguiu entrar, Whis surgiu.

- Fechem as portas! – os policiais militares correram para fechar. As portas eram blindadas.

- Goku... – Bulma conseguiu se restabelecer – Você precisa de um médico, urgente.

Mais alguns tiros foram dados, até que a arma do atirador ficasse descarregada.

- Bulma, você está ferida! – ele passou a mão sobre o ferimento, era superficial, mas estava desesperado ao ver que a roupa dela tinha sangue, muito sangue.

- Eu estou bem, é você quem precisa de cuidados. – a dor era lancinante, Goku mal  conseguia respirar, lutava para se manter consciente. Já havia levado tiros antes, mas não um desses. Quem atirou sabia muito bem onde queria acertar.

- Whis, vamos. – ele sacou a Glock G17 9mm.

- Goku, você precisa ir para o hospital... – ele foi interrompido.

- Eu preciso pegar esse desgraçado! – Goku gritou – Ele quase matou Bulma! Anda Whis, você é um agente especial! – Goku virou-se em direção a porta. Contou cinco tiros no vidro. Andava com dificuldade, o sangue saia de seu ferimento com facilidade e em muita quantidade.

Ele deu mais dois passos e caiu de joelhos. Bulma foi ao encontro dele, Goku desmaiou nos braços dela.

Monaca apareceu na porta e todas as armas foram apontadas para ele. Bulma gritou, chamando os homens para a realidade, era Monaca, com a comida. Abriram a porta e ele foi direto para a sala de reuniões. Achou melhor não perguntar quem queria comer agora.

 

Capital do Oeste – algumas horas antes

 

Vegeta mordeu o hambúrguer com vontade. Era um tal de X-tudo, e a maionese fugia por um canto, o ketchup e a mostarda por outro. Na frente dele um copo comprido cheio de um líquido preto gaseificado.

Algumas pessoas olhavam para ele, admiradas, pois já era o quarto X-tudo. Mas ele parou por aí, tomou o líquido preto quase de um gole só e segurou o arroto. Afinal ele era um glutão, mas não um mal educado. Pagou e saiu.

O carro do departamento estava estacionado nos fundos da lanchonete, Vegeta não gostava de chamar atenção. Encaixou a chave na porta e girou, mas antes que abrisse uma voz atrás dele o parou.

- Vegeta... – ele reconheceu – há quanto tempo.

- Conseguiu sobreviver? – enfiou a mão sob a jaqueta – E seu filho, como vai, babando muito?

- Não ouse falar do meu filho, seu desgraçado! – a voz era carregada de ódio – E solte a arma. – Vegeta sentiu um metal gelado em sua nuca. Um dos capangas pegou a arma dele. Em seguida um soco em suas costelas o fez dobrar do lado direito.

- Doeu? – uma outra voz, desconhecida perguntou.

- Você bate como uma moça... – Vegeta riu.

- Mas vai doer. Vai doer muito. – Red fez um sinal e o homem que apontava a arma para a cabeça de Vegeta lhe deu uma coronhada. Vegeta apagou, foi colocado no banco de trás de seu carro, que foi levado por um dos homens de Red.

Red usava um casaco com capuz, não era possível ver seu rosto. E nem o sorriso sádico que ele tinha nos lábios. Entrou em seu carro e seguiram o automóvel que Vegeta usava. 

 

Satan City

Amanheceu. Outro dia, mais cinza e frio que os demais. Parecia querer castigar quem quer que fosse. Quando o homem abriu a porta de seu restaurante, pelo lado de dentro, ficou petrificado com a imagem que viu. Videl estava nua, encostada na parede, seu corpo era suspenso por uma corda, amarrada ao pescoço.

Não muito longe dali estava o corpo de Bra, deitado sobre um carro onde se lia 59º Divisão de Homicídios - Unidade Especial. Ele estava no estacionamento de uma lanchonete na Capital do Oeste.


Notas Finais


Exacerbatione – Provocação


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