História Agonie - Capítulo 2


Escrita por:

Postado
Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Abuso, Ação, Drama, Escravidão, História, Originais, Portugal, Sexo, Suspense
Visualizações 21
Palavras 2.863
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Romance e Novela
Avisos: Estupro, Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Suicídio, Tortura
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Boa tarde.
Segue o segundo capítulo no capricho.
Espero que apreciem.

Capítulo 2 - O primeiro encontro


13 de setembro de 1889 – Restaurante de Abner.

Depois de nosso almoço, Herbert se despediu de mim porque tinha que retornar aos trabalhos de seu projeto, antes de partir me dissera que iria despachar minhas malas direto até minha casa, então fiquei sossegado em relação a elas. Eu continuei por um tempo sentado à mesa olhando para o ambiente da rua. As pessoas passavam em uma constância real, umas mais rápidas, outras mais descontraídas com a vida, mais sossegadas. Havia aquelas também que passavam um tanto desconfiados. Jovens, velhos, casais, a distinção era grandiosa. Depois de um tempo eu saí, Herbert já tinha pagado a conta ao sair.

Era tarde e o sol continuava brilhando no lindo e grandioso céu azul, um céu muito bonito sem nuvens totalmente limpo. Era por volta das 14:00 e Estevão sinceramente não queria ir para sua casa direto, esperara tanto tempo que não seria mau esperar mais um pouco até realmente ir para lá. Mas o que ele poderia fazer naquela tarde ele ainda não sabia. O que fez foi andar a esmo pelas calçadas da cidade, com as mãos nos bolsos e os pensamentos aflorados, cumprimentava uma pessoa ou outra e continuava seu caminho desconhecido. Via também alguns escravos negros executando serviços como varrer a rua, coletar o lixo nas grandes caçambas ou carregar grandes caixas com mercadorias para seus senhores, cada escravo tinha próximo de si um capataz geralmente raivoso e com um chicote como arma, vigiando o desempenho e os passos deles. A rua tinha isso, para onde fosse sabia que haveria escravos executando serviços sob olhares de seus “superiores”. Andou por volta de 15 minutos até encontrar uma grande praça elegante, que tinha em seu centro uma grandiosa fonte circular onde em seu interior tinha águas incrivelmente cristalinas. Tinha bancos próximos a essa fonte, e também muitas árvores e flores que abrilhantavam o parque. Estevão no momento que a viu se culpou por não ter lembrado-se dela assim quando chegou, pois já passara muitos momentos sentado naqueles bancos olhando atentamente aquela fonte, mas com o seu pensamento em outros ares. Entretanto a cabeça dele estava tão cheia que ele poderia facilmente esquecer algo assim, tão importante. Poderia repetir a dose porque não, e assim o fez, sentou de modo descompromissado no banco que ficava ao lado norte da fonte de frente a mesma, quis repetir um hábito do passado. E ali ficou.

O tempo passou, e já estava perto de escurecer. Quando Estevão olhou para o céu e o viu todo alaranjado com o sol tímido indo à direção oeste, pôde balbuciar a si mesmo. – Meu Deus, deve ser umas 18:00 agora, preciso tomar rumo. – E se levantou com o movimento seu corpo doeu um pouco por ter ficado tanto tempo sentado. Mas a dor rápida valeu a pena pensou ele. Quando estava novamente na rua caminhando ele preferiu ir a um bar que sempre ia quando mais jovem, ia como fornecedor, com seu pai, o ajudando a vender as bebidas para aquele local. Local esse que tinha o nome de Plancton Bar´s e Estevão já batera muita carteirinha ali.

Logo ao adentrar, Plancton já o reconheceu o olhando como se não acreditasse no que estava vendo. Então numa atitude quase automática deu a volta pelo balcão e foi ao encontro de Estevão, dizendo:

- Você. Você voltou? – disse Plancton de forma totalmente abobalhada, como se visse um fantasma. – Oh meu jovem, venha para cá, me dê um abraço eu senti saudades, como anda seu pai?

Após o apertado abraço o pequeno senhorzinho a minha frente tinha suas duas mãos apoiadas em meu rosto, esperando minha resposta.

- Sim sou eu, senti saudades também Plancton, meu pai falecera em agosto. – Disse de modo educado e direto.

- Oh! Céus! – disse com o rosto surpreso e entristecido – aposto que foi a bebida que o levou. Eu falava para ele maneirar nas suas noites com as doses, pelo visto ele levou esse hábito nas malas para Europa.

- Ouso-me em dizer que não fôra esse o motivo de seu infortúnio. – Disse – e sim um câncer que o levara, depois de alguns anos de sofrimento.

- Meus sentimentos, sinceramente fui equívoco em minhas palavras, me perdoe – por fim disse Plancton.

Plancton não mudara praticamente nada, era um sujeito pardo e mantinha sua média estatura de 1,60 ou 1,65 cm, sua grande pança avantajada e muito facilmente perceptível, e suas rugas e verrugas bem visíveis em seu rosto achatado e gordo, que tinha por sua vez um formato de ovo, tinha pouco cabelo na sua superfície bem rala, e mantinha um cavanhaque com muitos pelos. Por falar em pelos, ele possuía muito em seu corpo, principalmente em seus braços, nas costas de suas mãos e no que dava para ver em seu peito. Era um sujeito amável, tendo um único problema de ser equívoco e acusador sem muita necessidade por várias ocasiões pensou Estevão.

- Enfim meu jovem venha cá, tenho uma coisa que tenho certeza que você vai gostar. – Nisso voltando para dentro do balcão de seu bar, Plancton tirara de uma das gavetas atrás de si uma garrafa muito bonita de 1 litro, e seu conteúdo tinha uma cor marrom claro como uma verdadeira potência.

- Macieira – disse Estevão, tão baixinho que praticamente só Plancton ouvira.

- Sim, lembro-me bem que você gostava de beber ocasionalmente às noites essa bebida. Eu não entendo uma bebida tão gostosa e tão boa e não sai com tanta frequência assim quanto os vinhos ou os conhaques. – Suspirou o senhorzinho de modo inconformado.

A conversa continuou, e Estevão com um belo convite de Plancton se sentou em um dos bancos que ficavam fixados próximos ao grande balcão de madeira maciça escura, que com a noite e com a pouca iluminação poderia até ser confundida por cima como se fosse mármore, deduziu Estevão. Pegou um copo entregue por Plancton de sua macieira favorita e bebeu refrescando sua garganta e até sua mente. Estevão gostava de beber para refrescar sua mente e suas ideias. Durante seu momento bebendo e pensando uma mão encostou-se a um leve toque em seu ombro direito. Estevão olhou para ver quem era, e percebeu um homem relativamente jovem com um aspecto de um dândi ou crioulo, na verdade poderia ser ambos pensou, não conseguira reconhecer quem era, ficou o encarando com um rosto perdido, como se tivesse tentando pescar alguma memória por um tempo até que o homem se pronunciou:

- Sr.ª Silva, não se lembra de mim? – perguntou-lhe de braços abertos e um sorriso animador – sou eu, o Luca, a pequena criança muda que acompanhava meu pai para cima e para baixo. O rude fazendeiro que frequentava a adega de seu pai e adorava as suas bebidas e seus modos.

Agora está explicado refletiu Estevão. Os dois aspectos se confirmara e ele se lembrara automaticamente de Luca, depois de sua breve explicação. Ele crescera e ficara com um cabelo social moderno, sua cor era preto e seu tom de pele pardo, um pouco mais claro do que Plancton, e seus olhos castanhos, acompanhado de um rosto mais quadrado.

- Me recordo sim. Quanto tempo Luca, há muito que não o vejo. Por favor, não precisa de tamanha cordialidade, me chame por Estevão – disse.

- Tudo bem Estevão. Vejo que está apreciando uma bela dose de macieira. Gostaria que nos acompanhasse.

- Nos acompanhasse. Acompanhar quem? – perguntou Estevão.

- Nós – disse Luca apontando para a mesa mais para o fundo do salão onde tinha mais 3 jovens de aspectos similares ao dele  sentado conversando e bebendo.

 Depois de um tempo Estevão conseguiu reconhecer os demais jovens. Também acompanhavam seus pais a adega, porém de modo menos frequente se comparado ao Luca, que realmente não se distanciava tão facilmente de seu pai. – Nos acompanhe quem está lá é Paul, Ron e Vincent. Seria interessante a nós sua companhia, por favor, eu insisto.

Com a insistência de Luca, Estevão concordou e se juntou àquela mesa que já tinha abrigada seus 3 acompanhantes que agora se totalizavam 5. De início o grupo dos 3 que não haviam conversado com Estevão ficaram meio desconfortáveis, meio silenciosos, mas com a ajuda de Luca e sua ávida animação todos começaram a conversar e o desconforto não se fazia mais presente ali. Conversaram sobre uma série de coisas, desde esportes, os transportes que proviam ser promissores a Portugal, a segurança, as cidades e até sobre os escravos. Ao chegar nesse assunto, Estevão aguçou mais seus ouvidos, e ouvira com atenção o que Ron, o moço ruivo dizia.

- É incrível – começou – incrível como a cada ano que passa esses malditos animais sarnentos e escuros como torra de carvão ficam mais caros. – Cuspira no chão como ato de nojo. - Estou vendo o momento de ter que vender alguma de minhas propriedades para arcar o custo deles. – Disse de modo carrancudo e reflexivo.

- De fato – continuou Vincent, o loiro com pintas no rosto – É vero como eles estão caros. Mas pelo que ouvi dizer dos comerciantes da cidade alta, tudo isso se deve pelo fato de a Europa querer novamente complicar o transporte e a venda deles para cá, em nossa amada terra. A situação dos dois não se encontra muito bem, e alguns boatos permeiam dizendo que poderá haver até uma guerra. Talvez o imperador tenha feito algum acordo embaixo dos panos que no final não veio a calhar.

- Besteira – disse o Paul, o branco – Na verdade eles estão caros porque a febre amarela está voltando com força na Europa e os doentes aumentando. São poucos os médicos especializados em cuidar desses negros, e muito menos os que querem fazê-lo mesmo se oferecido uma quantia alta para isso. O que ocasiona na reformulação de preços. Guerra não irá acontecer, pois é perceptível que o imperador e seu reino tem visão de fazer outras coisas, como vocês podem perceber a construção da ferrovia que está sendo realizada em uma boa parte de Portugal. Talvez ocupe as três grandes áreas, e porque vocês acham que essa obra está sendo realizada? – incitou Paul aos demais.

- Pra favorecer a população portuguesa que não é – resmungou Ron.

- Pra transportar os negros com facilidade. Só os barcos não é o suficiente. – Interveio Vincent.

- Exato – disse Paul com um sorriso.

- Bem, bem, muitas teorias e histórias – disse Luca – O que você acha de tudo isso Estevão?

Estevão ouvindo todas aquelas conversas suspirou ao ser questionado e disse: - Acho que isso tudo deveria acabar, ter um fim – Estevão deu uma pequena pausa para então retomar - Eliminarmos essa distinção e diferenças seria muito mais interessante e produtivo caso tudo se ajuntasse, e se todos fossem visto de forma similar.

Ron se engasgou ao ouvir isso, e teve que rir com o comentário do novo chegado. Com a intensidade de sua risada, ele fez com que Vincent risse um pouco também. Depois do riso os três exceto por Luca, se encontravam olhando de forma pretensiosa e acusadora para Estevão, como se o mesmo fosse totalmente insano ou maluco das ideias.

- Está me saindo um excelente abolicionista ou pregador de ideias, poderia arrumar um lugar especial para você expô-las. A Praça de Mársea, ou da fonte se preferir. – disse sardonicamente Ron, depois de sua risada alta.

- Penso eu que é mais fácil ruir a estrutura monárquica do que ser abolida a causa da escravidão – disse Paul de forma respeitosa e séria. Olhando seu copo quase vazio de vinho.

Depois de um momento constrangedor, ao menos para Estevão, Luca foi o salvador da vez mudando de assunto e aplicando a sua graça a conversa fazendo que os minutos anteriores fossem esquecidos pelos demais. Conversaram bastante, as horas passou voando, e Estevão se despediu para tomar rumo de casa. Agora sim iria para casa.

Devia ser por volta das 22 ou 23 horas, não sabia ao certo. Estevão praguejou, decidiu que deveria comprar um relógio de bolso para lhe facilitar a vida.

Estevão então saiu do bar de Plancton para a noite que estava um pouco gélida e não tão iluminada assim. Como não via nenhum cocheiro passando com seus cavalos foi tomando o caminho a pé, mas atento com o movimento em sua volta. Enquanto caminhava via alguns salões iluminados e bem movimentados em seus interiores. Os salões eram diversos, desde prostibulos ou casa de jogos, bares e até hotéis. Continuava caminhando, ia a ruas largas para as mais estreitas, passava por algumas vielas até que em uma delas, próximo de uma média indústria que armazenava feno, Estevão pôde ver um oficial da polícia com arma em punho dando grito de complacência a alguém, não conseguia ver quem era a pessoa, mas viu que essa levara uma coronhada. Como o oficial não percebera sua presença e propositadamente Estevão quis assim, ele foi avançando de mansinho sem intenção de ser notado. Como a viela estava muito mal iluminada e o guarda não tinha consigo nenhuma fonte apropriada de luz ficou difícil de ver quem era a pessoa coagida contando também que o próprio guarda estava na frente. Estevão não podia fazer muita coisa e também não sabia o que estava acontecendo pra aquela abordagem acontecer, até pensou que poderia ser alguém bêbado causando algum tipo de discórdia, mas quando estava pronto para se retirar igualmente de mansinho ele ouvira uma voz feminina que dizia em alto som “não, por favor, não me mate. Poupe minha vida, eu posso voltar, eu posso trabalhar de novo, mas, por favor, não me mate aqui. Me de uma segunda chance”.

- Diga isso aos seus superiores – respondeu o oficial rispidamente – não fui eu quem licitou a você que escapasse – o guarda então levantou a sua pistola em direção ao alvo, e a destravou causando um sonoro clic – espero que seja indol... Urgh!

Antes que o oficial pudesse terminar sua frase, ele fôra nocauteado por um golpe na nuca dado por Estevão com um pedaço de pau que encontrara no chão.

Estevão se aproximou da mulher, ela estava sentada ao chão, mas alerta, estava totalmente assustada e a sua respiração era totalmente ofegante. Estevão também reparou que quando mais se aproximava, mais a mulher ia se rastejando para trás em uma tentativa de se afastar, e ela soltava baixos gritinhos de desespero como se não soubesse direito o que estava acontecendo ou o que iria acontecer.

- Calma moça, calma. Eu não pretendo machucar você – disse por fim Estevão, tentando amainar o desespero da moça – pretendo somente ajuda-la. Como você se chama?

Silêncio...

 Tudo que Estevão conseguia ouvir era o barulho das arfadas de sua respiração, e o barulho de seu tecido ao se rastejar no chão da viela. Ele insistiu, chegou um pouco mais perto e quando a luz da lua cheia batera no rosto dela, vira que seu supercílio direito estava com um corte onde brotava muito sangue, sangrava consideravelmente bem, e o sangue descia pela sua roupa.

- Meu Deus! – exclamou Estevão – se continuar assim você poderá se contaminar ou enfraquecer dependendo da força dessa corrente de sangue. Deixe-me ajudar, venha aqui – disse da forma mais suave que pôde, esticando a mão para a moça e se ajoelhando para se aproximar dela. Ela fôra relutante, mas ainda com medo aceitou e parou de tentar fugir se rastejando. Simplesmente parou e ficou a “mercê” daquela estranha figura que lhe causava medo e ao mesmo tempo uma incerta segurança.

Estevão já ajoelhado somente com seu joelho direito, tirou do bolso interior de seu paletó de cor creme, um lenço de tamanho médio branco que trazia sempre consigo. Pressionou levemente no corte, ouviu um “ai” algumas vezes da moça, os dois permaneceram em silêncio e o bom médico deixou a cabeça dela apoiada para cima, olhando para o céu.

- Fique assim por um tempo, mantenha esse lenço pressionado sem muita força no corte, quando você sentir que o sangue diminuiu o fluxo, volte à cabeça para a posição normal.

A mulher nada disse, somente obedeceu e fez o que Estevão recomendou.

Antes que Estevão pudesse fazer ou dizer qualquer coisa, ele ouviu próximo a eles especificamente na rua, barulho de passos de alguém, e uma voz que dizia:

- Mike, terminou aí? – disse a voz – Vamos, eu disse pra você que era só maldito de um animal. Um rato, ou um gato talvez, esse barulho que tu ouviste foi só coisa da sua cabeça, e ademais, há quanto tempo não aparece um marginal por essas bandas. Vamos cara, nosso turno tá sossegado e a Evra já está esperando você no quartinho especial, ela já está na cama aproveite a noite por minha conta.

Como o homem teve só o uivo do vento como resposta, entrou em estado de alerta e dissera o nome do companheiro mais algumas vezes com a arma em punho. Enquanto que os dois permaneciam totalmente imóveis, em choque. Estevão ainda permanecia ajoelhado e a moça já olhara para frente antes do fluxo diminuir. Os dois tinham feições assustadas, ou ao menos surpresas.

O silêncio era algo cortante, tudo que conseguiu quebra-lo foi um leve sussurro da moça diretamente ao Estevão.

E agora. O que vamos fazer?

 

 

 


Notas Finais


Até a próxima.


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...