História Agonie - Capítulo 3


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Abuso, Ação, Drama, Escravidão, História, Originais, Portugal, Sexo, Suspense
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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Romance e Novela
Avisos: Estupro, Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Suicídio, Tortura
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Boa madrugada.
E vamos a mais um capítulo novo.

Capítulo 3 - A donzela


14 de setembro de 1889 – Nas ruas gélidas da cidade média.

Depois do choque, numa atitude de gato altamente rápida e com reflexos, Estevão ordenara a moça que pegasse a pistola caída do oficial no chão enquanto ele arrastaria o seu corpo até na outra ponta da viela, onde se encontrava uma carroça estacionada sem nenhum cavalo que abrigava fenos aparentemente velhos, sujos e inutilizados. Então foi assim que se seguiu, a moça fizera que Estevão ordenara e em seguida se escondera atrás dos barris em um lado do beco, quieta, totalmente imóvel se camuflando no escuro, e Estevão puxava o corpo desmaiado do homem até resolver pega-lo pela cintura e coloca-lo rapidamente na carroça. Não tiveram mais tempo, então ele se escondera atrás da carroça, de maneira furtiva. O cenário se seguia assim, a moça mais a frente, mais próxima da entrada da viela escondida atrás de barris e, Estevão mais para trás, no lado oposto da moça quase próximo da outra ponta escondido atrás da carroça. Nenhum som era emitido pelos dois, nenhum sinal de vida era aparente naquele beco.

Quando o outro oficial chegou à entrada do beco, tudo que viu foi um pedaço de pau no chão. Continuou chamando por seu amigo com a arma em punho e diferentemente de seu parceiro, ele possuía uma pequena lamparina a gás que não se apagava com facilidade no vento, o que facilitava uma corrida noturna sem muitas preocupações. Deu uns passos...

O Suor na testa de Estevão era tanto, que até o fazia coçar, a vontade era grande, mas temia de fazer algum barulho estrondoso e ser notado pelo guarda. A tensão estava aumentando. Aumentou mais quando Estevão se lembrou de que a donzela estava com a arma do primeiro oficial, e nesse momento temeu grandemente que ela pudesse fazer alguma barbaridade, uma em que ele estivesse metido. Mas o que ele poderia fazer? Nada não é verdade? Só poderia continuar quieto e observar o momento que oficial iria embora. O oficial continuou dando uns passos, mais lentos dessa vez, quando chegou próximo aos barris parou, ficou olhando com os olhos semicerrados como se fosse um caçador a espreita de um cervo coagido. Ficou um tempo parado chamando seu companheiro.

No momento que iria avançar mais, ratos saíram de lugares escuros fazendo o oficial se assustar e praguejar bastante. O homem ficou um pouco curvado e ofegante demais com o susto que levara, depois de nenhuma resposta, ele meio enraivado disse.

- Bem, se prefere fazer essas brincadeiras por mim tudo bem! Depois aguente o sermão e as sanções de Joseph, seu tolo. – Desligou a lamparina a gás, guardou sua pistola no coldre em sua perna direita, virou as costas e foi embora praguejando, resmungando para si mesmo.

Mesmo com a saída do oficial, Estevão continuou um tempo olhando escondido para a entrada da frente calculando mentalmente a distância em que o guarda poderia estar. Quando a confiança retornara para si, ele saiu de seu esconderijo, aproximou-se da moça e a chamara, ela viera a seu encontro e então os dois saíram pelo o lado oposto da qual o policial tinha saído. Ao chegar à rua, Estevão meio abraçado à moça que estava assustada e com o lenço em seu corte, avistou a média distância um cocheiro que se aproximava em uma velocidade boa, com seus dois cavalos vindo em sincronia. Tudo o que ele pensou foi parar o cocheiro, indo no meio da rua bem em frente do coche, obrigando a sua parada.

- Pare, por favor, pare – disse Estevão com as mãos para o alto – preciso que pare!

O cocheiro puxou rudemente as rédeas forçando os cavalos a pararem seus passos. O cocheiro praguejou a atitude de Estevão e lhe disse:

- Estás louco homem? Queres partir dessa para a melhor? O que pensas que está fazendo agindo como um louco desse jeito. Você pod...

- Preciso muito da sua ajuda – disse Estevão cortando o diálogo do outro homem - eu não faria essa loucura se não fosse urgente. Minha prima fugida de seu marido violento precisa de apoio, e eu irei leva-la a um amigo meu que é médico para examina-la. Ele sim, o marido dela é o verdadeiro louco da história.

Nisso Estevão se aproximou novamente da moça e mostrara ao homem o corte e o sangue que caíra em uma boa parte do seu vestido ralo, de tecido simples de cor também branca, o que contrastava com o lenço que utilizava.

- Por favor – implorava Estevão – é urgente.

O cocheiro relutante bufou de uma forma muito áspera e forte. – Está bem meu caro, entre, só me passe o local onde devo leva-la.

- Vila dos antoninos – Disse Estevão, é o local onde meu amigo mora.

Com isso o cocheiro levantou as suas rédeas e deu ordem para os cavalos retomarem a velocidade, e o fluxo perdido. Enquanto isso dentro da carruagem, os dois se sentaram frente a frente, e Estevão ficava observando com atenção o corte da moça que essa altura já parara de sangrar, remanescendo no lugar sangue seco, assim como havia em seu vestido branco. Não houve muito diálogo dos dois, e a moça ainda permanecia assustada, a única coisa que disse foi:

- Para onde estamos indo? – disse em um sussurro a modo que só Estevão ouvisse.

- Para a minha casa – Respondeu na mesma altura, se aproximando mais dela para dizer – Não preciso anunciar isso a um estranho - disse fazendo menção ao cocheiro - mas seria interessante que você me desse àquela arma que pegou lá trás.

A moça mudou sua feição para surpresa, abriu a boca para dizer algo, mas logo balançou a cabeça negativamente e devolveu a arma para Estevão que a guardou muito bem na parte de trás de sua calça, coberta pelo paletó.

Durante o trajeto, o cocheiro alçando a voz lá de fora perguntava vez ou outra se tudo estava bem, ou se tudo estava nos conformes.

Após uns 20 minutos de viagem, o cocheiro parou a carruagem simples e disse através de uma pequena abertura atrás dele.

- Senhores, chegamos.

Os dois desceram e como uma forma de agradecimento deu ao homem 50 euros, coisa que nessa viagem seria no máximo, 20.

- Pode ficar com o troco – disse – é a forma de minha gratidão e agradecimento.

O cocheiro não insistira muito em não aceitar, meneando com a cabeça e desejando sorte aos dois, principalmente a donzela. Fez um cumprimento mexendo em sua cartola e deu um audível “yaa” para os cavalos mexendo em suas rédeas e partindo dali, para um local desconhecido por Estevão.

Os dois então caminharam poucos metros, ela ao lado dele permanecia no mesmo passo e quieta. Ao chegar à casa de Estevão, ele abriu os portões e dera passagem para a moça. Continuaram andando pelo corredor até chegarem a grande e mobiliada sala que para a surpresa dele estava limpa e bem cheirosa, dando um aspecto bem nobre ao dono da casa.

- Imaginei um cenário totalmente diferente – dissera Estevão baixinho, mas a garota ouviu.

- Como assim? – ela perguntara.

- Ahn, ah, nada não. São apenas alguns devaneios meus – respondeu-lhe.

O que se seguiu foi que Estevão pedira para a mulher se acomodar em um dos sofás confortáveis da sala enquanto fora a suas duas malas, cujo de fato estavam na casa dele como fôra prometido por Herbert. Para procurar uma caixinha que possuía com itens medicinais. Ao achar abriu a caixa, e dentro dela havia potes de cores diferentes, cinco no total. Um amarelo, um preto, um verde, um azul e um branco.

- Para o seu caso eu vou precisar desses dois potes – disse, pegando os pequenos potes amarelo e azul – O amarelo vai servir para desinfetar o corte causado pela coronhada, e o azul será o anestésico. Para eu poder dar os pontos.

A moça nada disse, apenas continuava sentada e olhava com atenção a casa de Estevão que era ricamente mobiliada, mas sem exageros, ela não percebera nada que tivesse bronze, prata, ouro ou até safiras e diamantes como era comum de ser visto em casas de barões ou fazendeiros riquíssimos. Mas ela também não poderia negar que a casa tinha seu encanto, um conforto demasiado e beleza. Na sala onde estavam, havia estantes vazias, como se ninguém tivesse ali por um tempo, mas tinha mobília, tais bonitas e bem ornamentadas com madeiras maciças e com bom cheiro. Havia pinturas a óleo de barcos e grandes rios, e de uma donzela que ela não sabia especificar quem era. E também os dois sofás principais no centro da sala e poltronas que ficavam perto da lareira central, tudo isso somado ao chão de madeira marrom escuro e também maciço, que suaviza os barulhos de passos. - Bem senhorita, se me der licença – disse Estevão – vou passar primeiro esse aqui – abriu o pote amarelo onde de imediato subiu um cheiro forte, como se fosse concentração de várias ervas. Tinha feito alguns preparos e suas mãos se encontravam limpas, pegou uma colherzinha de plástico e passou dentro do pote, na mistura amarela e passou direto no machucado da donzela. Com o ato ela deu um pulo no sofá e soltou um “ai!” – É normal, vai doer um pouco, mas tudo que for bactéria vai morrer com essa pomada. Vamos deixar alguns minutos assim até que possamos prosseguir.

A moça somente assentiu com uma leve careta no rosto, ocasionada pela pomada ela ficou encarando o homem a sua frente para dizer:

- Stella.

- Oi, o que disse? – perguntou Estevão meio perdido encarando a moça.

- Stella. É como me chamo. Você tinha perguntado o meu nome mais cedo.

- Ah sim Stella. Bonito nome. Como sabes me chamo Estevão e bem, temo que seja necessário eu lhe fazer mais perguntas além de seu nome.

Guardando o pote amarelo dentro da caixinha, Estevão continuava a falar das diferenças dos potes como se a moça fosse a sua aprendiz ou algo do gênero.

- O pote branco são comprimidos feitos de ervas que serve como um sonífero potente, podendo chegar a umas 5 ou 6 horas fáceis de sono. Se tomado em excesso pode ocasionar o óbito. Já o preto eu não mexo muito na verdade. Pode ser uma arma. Isso na verdade é um extrato de químicas poderosas que origina um poderoso e letal veneno, alguns de meu ramo proclamam isso como um “arsênico botânico”.

Estevão percebendo a cara meio de assustada da moça disse se defendendo:

- Calma Stella. – Disse de forma boba, sorrindo - eu não sou assassino e não matei ninguém. Arsênico para a medicina serve para auxiliar na amputação de um membro necrosado, de modo que conserva a vida do sujeito, terminando de matar o membro necrosado.

Ela continuou quieta. Estevão continuou:

- Bem, está na hora de passarmos o remédio azul agora. – Pegou o pote da cor requerida, limpou a colherzinha e repetiu o procedimento na moça – Vai começar a arder um pouco de início, você vai sentir como se fosse uma sanguessuga puxando sua pele, ou uma cola tendo aderência a ela. Mas isso é normal, é o efeito da anestesia local, relaxa que você vai continuar acordada e falando comigo.

Estevão então pegou um rolo de linha cirúrgica e uma agulha. – Vamos fazer isso – disse.

Com suavidade e máxima delicadeza Estevão se encontrava de pé em frente da moça que estava sentada no sofá olhando pra cima, pra direção do rosto dele. Enquanto ele com cuidado começava a fechar o corte, continuou a perguntar:

- E então. Vai me dizer como você foi parar naquele beco? – disse – Mesmo antes de vê-la, eu pude ouvir algo como “não me mate, me dê uma segunda chance ou eu posso voltar”. Ao que você se referia exatamente? – indagou Estevão.

Stella que olhava pra cima de modo quieto e pensativo, demorou um tempo para dizer:

- Fugi. – Houve uns segundos de silêncio da parte dela até retomar – sou fugitiva da ultima expedição, e por isso me caçam e me querem a vida.

- Expedição – disse Estevão repetindo a si mesmo o que ela disse, enquanto fechava o corte com a agulha – E qual foi a última expedição?

- Você não é da política ou inerente ao Imperador? – retrucara a moça de modo surpreso.

- Não, não. Meu relacionamento com o Imperador é de somente amizade de longa data. Fora isso eu não tenho nenhum cargo ou laços inerentes a ele.

De algum modo estranho Stella pôde sentir certa sinceridade no homem que disse tais palavras. Ela não dissera e tampouco admitira, mas achara que o homem que a ajudava era muito além de médico, como demonstrava a ela.

- Pois bem – disse retomando o tempo do silêncio – Eu fui transportada da França para cá, e eu e mais dois escravos fugimos quando fomos colocados no trem a algumas estações daqui. E agora eles nos procuram e querem nos castigar por afrontar a lei. Se um deles me pegarem, não estarei viva no dia seguinte para contar a história.

- Oh entendo. Mas se veio da França creio eu que não fôra somente por trem.

- Não – respondeu Stella – Inicialmente viemos por um barco a vapor. Incrivelmente pequeno sujo e doente – ficou um tempo calada, olhar distante como se estivesse caçando lá no fundo da memória suas lembranças - 18 era o nosso número e acabamos chegando aqui com 12 antes da fuga, quando fugimos o número caiu para 9.

- E o que aconteceu com os demais? – indagou Estevão.

- Dois se mataram pulando ao mesmo tempo no mar revolto no meio do caminho, não dando chance alguma de serem salvos – Nesse momento Estevão deu uma parada na pequena cirurgia e olhara para a moça, onde inconscientemente baixara um pouco a cabeça e olhava fixamente a lareira onde tinha uma pintura de um barco a vapor em um grandíssimo e bonito rio, parecia para Estevão que aquela pintura a óleo só ajudou ela a reviver esses momentos agoniantes ou no mínimo tristes. O seu olhar era profundo constatou - o tempo estava tempestuoso e os dois sabiam que estavam pulando para a morte. Três morreram com a doença extrema do barco, e um se matou enforcado com o chicote do capataz no banheiro.

- Cruzes – respondeu Estevão.

- Aí o resto você já sabe – disse Stella.

Estevão com habilidade que tinha terminou de dar os pontos no corte da moça.

- Espere aqui, vou fazer um chá pra evitar que você pegue um resfriado, já que estava desde o início sem blusa, somente com esse vestido fino. Deveria saber que as noites por aqui na cidade média costumam ser frias como hoje. – Estevão então caminhando em direção à cozinha, perguntou a Stella – gosta de erva doce?

- Sim – respondeu

- Ok, me aguarde que já volto. Só não durma porque assim não conseguirei ser indelicado a ponto de te acordar.

Em menos de 10 minutos o chá de erva doce já se encontrava pronto em um bule que deveria conter umas 3 xícaras média, e com cautela Estevão jogara gelo na lenha para diminuir e assim apagar o fogo daquele fogão a lenha.

Estevão voltara à sala com uma bandeja que carregava o bule de ferro no centro e duas xícaras pequenas nas laterais, como ainda não tinha colocado nenhuma mesa de centro na sala, o espaço estava vago, então como forma de improviso ele utilizou uma das poltronas próximas da lareira para servir as duas xícaras. Então uma ele entregou diretamente as mãos mulatas de Stella.

- Espero que aprecie – disse Estevão com suavidade.

A moça olhou para o interior da xícara e viu aquele conteúdo sem cor definida, porém com um aroma muito gostoso. Como estava quente ela foi sorvendo o chá bem devagar, de modo que ele ia esfriando e era mais fácil de bebericar o líquido. Ela continuara bebendo. Enquanto bebia olhou ao homem que agora estava sentado na mesma poltrona que servira de mesa momentos atrás cujo dava de frente pra ela, ainda o olhando perguntou:

- Éres um homem de negócios?

- Não, não sou senhorita – respondeu Estevão olhando pra ela. – Somente sou um homem que está de volta ao seu lar depois de anos fora. – Estevão bebericou um gole de seu chá, fazendo um leve barulho com os lábios.

- Fora? Então isso explica as estantes vazias – disse Stella.

- Exato, pelo visto é observadora.

- Eu tento – respondeu a moça – Mas o que você fazia fora e onde estava?

- Bem, estava em Londres, em específico em Mayfair. Fui tentar ajudar nos negócios de meu pai, ele era dono de uma adega e com a crise que houve aqui em Portugal nós decidimos mudar para lá.

- Entendi. Temos um bom apreciador de vinhos. – Disse ela olhando agora fixamente para os olhos do homem a sua frente.

Estevão ficara quieto. Não respondera absolutamente nada, apenas colocou o seu olhar distante, e ficara mudo até que Stella cortara seu pensamento.

- Ei, ei, eu ainda estou aqui. Na verdade gostaria que me desse um pouco mais desse chá. Quero ter certeza que ficarei bem.

- Tudo bem, é pra já – replicou Estevão.

Quando ele pegara a xícara da bela donzela percebera que ainda tinha um pouco de chá dentro, mas preferiu não dizer nada, somente reabastecer o pires. Então suavemente se virou em direção ao bule que agora se encontrava no chão próximo da poltrona. Ao dar três passos à frente, Stella em um rápido movimento e reflexo tirara embaixo do paletó do homem e porventura atrás de sua calça a arma que este guardava desde a viagem do coche. Fora tão rápido, tão preciso, tão exato que Estevão apenas se virou assustado colocando a mão rapidamente no lugar onde estava segundos atrás a pistola.

Ao olhar para frente vira uma mulher completamente tensa e rígida que agora apontava uma arma em sua direção. De modo instantâneo levantou as mãos. Ela ficou alguns segundos calada, apenas muito nervosa e atenta. Estevão percebera que ela não tinha total controle da situação, então tentando amainar seu nervosismo disse:

- Abaixa a arma. Você está fora de si e isso pode ser perigoso para nós – dizia essas palavras de forma mais calma possível encarando diretamente Stella.

- Não será. Tudo acabará bem se você cooperar – replicou Stella.

- Agora sou o refém? – perguntou Estevão – também serei uma vítima?

- Eu espero que não – replicou também encarando Estevão – tenho plena convicção que não precisarei chegar a isso.

O embate era agoniante, e o conflito não era dado somente pela a arma que Stella roubara e apontara ao homem, mas também aos olhares fixos e profundos dado pelos dois. Uma batalha olho no olho. Nesse clima, de forma quase natural os dois começaram a andar em círculo pelo espaço que havia no centro da sala, no lugar onde era pra estar uma mesinha. Stella focara seus olhos rapidamente em um local, tão rápido que ao retornar a atenção para Estevão disse:

- A maleta.

- Quê? – pronunciou Estevão

- Pegue a maleta, e o pote branco – disse Stella tentando transpassar firmeza, mesmo que tremesse bastante.

Estevão ficou alguns segundos olhando pra ela com uma careta em seu rosto de não compreensão, porém a moça o obrigara a seguir a ordem.

Pegou a maleta, e em seguida o pote branco. Parou, olhou pra ela.

- Agora pegue a xícara e coloque um comprimido no chá – disse Stella totalmente dura por tamanho nervosismo.

- Aonde você quer chegar com isso Stella? – indagara Estevão.

- O comprimido. A xícara. Vamos

Obedecendo a ordem, colocara o comprimido branco em seu chá, esperou dissolver coisa que demorou alguns segundos e depois franziu o cenho olhando para a moça como se estivesse esperando a ordem seguinte, mesmo que parecesse óbvia e clara como as lindas águas transparentes da Praça de Mársea. Estevão fazia uma expressão como se não soubesse o que iria acontecer a seguir. E uma parte dele realmente não sabia.

- Agora beba – disse por fim Stella.

Preferiu não dizer nada, ainda com um olhar fixo e sério para Stella, como de indignação e julgamento Estevão obedecera novamente bebendo todo o chá, mas sem tirar os seus fixos olhos dos dela.

- Está feito – disse Estevão.

Não demorara nem um minuto, e começara a sentir seus sentidos ficarem confusos, a tontura lhe fazer companhia, e a força nas pernas ameaçar a faltar. Tentara resistir, cambaleara um pouco pra frente e pra trás, Stella estava completamente irreconhecível devido ao tamanho do embasamento que sua vista alcançara. Quando tentou dizer algo, sua força e sua voz se perderam na garganta. Não aguentou mais ficar em pé...

Seus joelhos se curvaram sobre o chão de madeira. Respirou pesadamente mais duas vezes.

Então caíra de bruços.

 Seu rosto estava na direção da lareira e, portanto tinha uma breve visão mesmo que precária do relógio que estava na parede.

A última coisa que viu foi o horário que marcava 1:36.

Adormeceu.


Notas Finais


Espero que tenham apreciado.
Até a próxima.


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