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História Agora estamos vivendo (segunda temporada) - Capítulo 1


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Notas do Autor


Oieeeeeeeeee
olha a segunda temporada aí, gente!!! Tomara que gostem, Talvez eu faça a terceira, depende aí de vocês. Se gostarem, posso tentar.

Capítulo 1 - Família


- Hermione? – Severus batia na porta do banheiro naquela madrugada fria. Sua mulher não estava na cama e tinha escutado barulhos de alguém vomitando – meu amor, abra a porta!

Não era a primeira vez que a Castanha levantava no meio da noite passando mal, ou não queria comer, mas teimosa do jeito que era, dizia que não iria se submeter aos médicos (mesmo sendo uma) e exames antes da semana de provas na universidade acabar, e estava sendo terrivelmente puxado para ela. Afinal, final de curso sempre deixa os alunos a ponto de explodirem, e mesmo não precisando, ela já pensava em iniciar o TCC dela.

Após vários minutos agonizantes para o mais velho, Hermione saiu do banheiro, limpando a boca que tinha lavado e passado enxagante bucal. Foi para a cama com a ajuda do marido e se enrolou no corpo dele pedindo conforto. Ele a cobriu com o edredom, fazendo carinho nos cabelos dela.

- Tem certeza que não deseja ir ao médico? – ele estava preocupado – você mal está se alimentando corretamente, está mais pálida do que eu. Isso é por si só preocupante.

Ela acabou rindo fraco com o comentário dele, mas continuava de olhos fechados apenas apreciando o carinho nos cabelos.

- Está tudo bem, Sevie – ela o agarrava mais forte – não é nada demais. Estou assim só há dois dias. E coincididamente foi junto com minhas provas. Você sabe como eu fico nessa época. Não é nada demais a não ser estresse. Ficarei em casa hoje descansando.

- Eu assim espero, dona moça – ele a repreendeu – está me dando mais cabelos brancos do que Scorpius. Ele não fala em outra coisa a não ser quanto tempo falta para ir a Hogwarts. Isso me preocupa.

- Porque? Você o preparou para isso desde o primeiro dia que estava cuidando dele, Severus.

- Porque ele é um garoto impulsivo como os pais dele. O mundo bruxo melhorou muito após as guerras, mas eu temo por ele, pelo o que vão falar assim que um Malfoy ressurgir após pouco mais de uma década.

O silencio se instaurou por um tempo. Não apenas um Malfoy, como ela e Severus de certa forma iriam sair do anonimato. Scorpius poderia não ser filho biológico dos dois, mas ninguém poderia negar a afeição e carinho que eles tinham com o menino. Eram os pais dele, nada os faria pensar diferente. Deixar que Malfoy voltasse sozinho e enfrentasse o que fosse sem um apoio, estava fora de cogitação.

Isso a fazia pensar também. Será que não seria a hora de todos voltarem ao mundo mágico? Eles tinham uma ótima vida nos EUA, ainda mais onde moravam, mas eram bruxos, e não trouxas. Mesmo com todas as amizades que cultivaram com o passar dos anos, ainda assim, parecia que algo faltava na vida deles. Hermione poderia dizer que não só ela sentia isso, como na vida do homem que ela escolheu para dividir juntamente.

Severus não mais parecia estar tão animado ou feliz lecionando em uma universidade. E ela se perguntava o porquê de exatamente ele ter escolhido isso. Não achava que ele gostava de ensinar, mesmo na época de Hogwarts. Ah, ele era um ótimo professor, ninguém poderia dizer o contrário, mas gostar mesmo, isso não era possível falar com clareza. Ela conseguia ver o brilho no olhar dele quando fazia as poções para a casa, ou ensinava a Scorpius. Uma vez durante a noite, chegou a confidenciar a ela sua vontade de abrir uma espécie de boticário com as mais várias poções. Ele certamente seria um dos pocionistas mais requisitados. Será que não seria o melhor? Voltar.

Ela estava quase findando o curso, e um dos objetivos era revolucionar o mundo bruxo com a psicologia. Fazer algo diferente por aquelas pessoas. Sabia muito bem o que iria enfrentar. Mesmo para essa sociedade, o que era diferente nem sempre era visto com bons olhos, e levaria muito tempo para eles se acostumarem com um conceito novo, o de saúde mental.

Parou de pensar tanto a respeito de tudo isso quando sentiu o mundo girar perante seus olhos. Respirou fundo e enterrou o rosto no peitoral do esposo. Pouco depois estava dormindo. Que os planos do novo mundo entre sua pequena família aguardasse mais algum tempo.

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Assim que acordou, percebeu que Severus não estava na cama. Na verdade, pela claridade do quarto, deveria passar das dez da manhã. Se sentia um pouco melhor, e sorriu completamente ao ver uma linda bandeja de comida com uma grande variedade de alimentos a esperando. Em cima, um bilhete.

“Precisei ir a universidade. Trate de se alimentar. E vamos voltar a conversar sobre essa sua mania de não querer ir ao médico. Medo de você mesma?”

Ela revirou os olhos com tamanha afronta, mas decidiu focar em tentar colocar um pouco que fosse de comida dentro de si.

- Mãe? – Scorpius colocou a cabeça para dentro do quarto ao abrir a porta – a senhora esta melhor?

- Estou sim, meu bem – sorriu carinhosamente para o garoto que estava perto de completar dez anos de idade – venha, quer comer algo comigo?

Ele entrou no quarto, deixando o skate de lado e se jogou na cama perto da mãe, quase derrubando o suco de laranja nos lençóis.

Scorpius estava com os cabelos maiores, claramente imitando o Snape. Tinha uma vontade por aprender poções, mas amava mesmo estudar DCAT. O mais velho ensinava tudo o que sabia ao loiro, sempre explicando que magia é magia, porem algumas seria melhor não mexer.  Várias noites ficavam ele e Hermione observando as palestras de Severus, ou o vendo dar aulas de poções. Apesar dos anos, ele não perdeu a prática. E Hermione amava aquela voz rouca e profunda, e ria internamente ao ver o “professor Snape” em ação com o filho.

- O que a senhora tem? Papai disse que ainda continua enjoada – falou pegando uma uva e comendo.

- Eu só devo estar sobre estresse. Não é nada demais.

- Sei – ele olhava o que mais poderia roubar descaradamente da bandeja – você já ficou estressada antes, mãe, tanto comigo quanto com o papai ou com seus estudos, e nunca ficou assim de cama. Está até parecendo a mãe de Paul.

- Quem é Paul? – ela questionou enquanto tomava o iogurte vagarosamente para ter certeza que aquilo ficaria no seu estomago.

- Meu colega de escola. Por sinal ele me chamou para ir ao cinema nesse fim de semana.

- Hummm – ela parou um pouco de comer ao se sentir enjoada, mas percebeu o olhar preocupado do garoto – não se preocupe – passou a mão pelo rosto dele – eu juro que estou bem. Olha só, estou até comendo – e colocou mais uma colherada na boca, se arrependendo amargamente por isso – então, o que tem a mãe de Paul?

- Ah sim – disse ele voltando as lembranças depois de mais um olhar para ver se a mãe estava ok mesmo – ela passou um tempo enjoada e passando mal. Foi ao médico pensando que seria algum tipo de virose.

- É bem provável – Hermione limpava a boca em um guardanapo. Não queria voltar a comer nem tão cedo – a depender da época, é o que mais se tem nos postos de saúde. Era isso que ela tinha?

- Não.

- O que era então? – estava pegando um copo com agua. Isso deveria ajudar um pouco e até limpava a garganta.

- Ela estava grávida mesmo. A irmã Paul nasceu um dia desses por sinal.

Hermione engasgou na mesma hora, e Scorpius correu para ajudá-la, levantando as mãos dela, dando leves tapinhas nas costas.

- Mãe? Tudo bem? Eu não queria te deixar nesse estado.

- Es-Está sim – ela terminava de se acalmar, respirando fundo – é só que... ah não, meu amor, não tem como ser isso. Seu pai e eu tomamos precauções. Nem sabemos se queremos um bebê. Somos tão realizados com você.

- Mãe, acidentes acontecem.

- E o que o senhor sabe sobre isso, Scorpius Granger Snape Malfoy?

O menino ficou rubro, já levantando da cama e pegando o Skate – nada, ue... apenas que acontece. Enfim, vou tomar um banho. Qualquer coisa me chama – deu um beijo nela e se retirou antes que a conversa piorasse.

Hermione estreitou os olhos e dera um sorriso de lado observando o filho naquela saída nada furtiva. Assim que ele se foi, levantou da cama e começou a arrumar o que sobrou do café da manhã. Levou para a cozinha no andar de baixo, e enquanto lavava a louça um detalhe passou pela cabeça dela. Sua menstruação estava atrasada. Não era um grande atraso na verdade, cerca de quatro dias. Ela sabia que isso poderia acontecer levando em conta que tomava poções anticoncepcionais, e estava realmente estressada. Tudo isso pode modificar um ciclo, fazendo com que venha antes ou depois do esperado. Porém, isso nunca aconteceu com ela.

Fazendo uma anamnse melhor em si, notara que os seios estavam maiores, mas, mais uma vez, no período menstrual isso poderia acontecer facilmente. Ela até pedia para Snape ir mais devagar nas caricias dele para não a machucar, pois ficava bem dolorido.

Não notou nenhum ganho de peso, só que era provável que se fosse uma gravidez, ainda não teria dado tempo para isso. Não lembrava de ter deixado de tomar nenhuma dose da poção, então deveria estar tudo bem.

Terminou de lavar os pratos e foi tomar um banho. Em meio aquela agua quente, lembrou-se da noite em que saiu com o marido para uma noite de casal há quase um mês.

FLASH ON

“ Tinham saído do restaurante depois de um jantar maravilhoso, uma sobremesa divina e duas garrafas de vinho. Voltaram para casa tropeçando em tudo, pegando um taxi para chegar a residência. Estavam rindo com tudo e com nada. Scorpius estava na casa de um amigo naquela noite e eles decidiriam que iriam aproveitar ainda mais aquela noite.

A porta da casa fora aberta e entraram quase caiando no chão em meio aos beijos desesperados e cheios de luxuria. Hermione virou para fechar a porta da casa e Severus a abraçou por trás enquanto ela usava a chave dando duas voltas e passando as proteções mágicas. Ele subias suas mãos em direção aos seios dela, massageando, enquanto beijava o alvo pescoço da jovem, provocando suspiros de aprovação por parte da mulher. Aquilo só o fazia a desejar ainda mais. Ele já estava completamente duro e se esfregou nela para que ela sentisse o feito que ela tinha sobre ele.

Hermione se virou no círculo dos braços forte do seu homem, passando os braços pelo pescoço dele, voltando a o beijar com paixão. Ela ia os levando até onde era o sofá, fazendo ele se sentar e sentando-se ao colo dele. Ela rebolava, o que o fazia ficar de boca aberta puxando por ar, enquanto os olhos fechavam com o tamanho prazer de ter a mulher rebolando em cima do pau dele.

Ele puxou as alças do vestido dela para baixo, agradecendo a Salazar por ela estar sem sutiã. Logo abocanhou o direito, sugando todo para logo depois o morder e lamber no lugar. Ela segurava nos cabelos negros dele como forma de conseguir algum alivio, ainda fazendo movimentos de vem e vai, mesmo que por cima das roupas, como maneira de o deixar ainda mais louco. Ele apertava a bunda dela, fazendo com que ela se esfregasse ainda mais nele e na ereção que clamava para ser libertada e entrar nela com vontade.

Ela logo saiu de cima, se ajoelhando no tapete passando as mãos pela calça dele. Ele entendeu o que ela iria fazer, se recostando no sofá para lhe dar mais espaço. Hermione abriu o botão da calça, desceu o zíper vagarosamente, sempre olhando de maneira provocativa nos olhos do homem, para logo depois o liberar.

Como Severus estava duro, latejando por ela, totalmente apetitoso com aquela forma ereta, com o cheiro da excitação e da masculinidade.

Ela passou a fazer leves movimentos de vem e vai, começando a chupar as bolas dele como ele gostava. Ele estava segurado os cabelo dela, enquanto a outra mão amassava a almofada ao lado. Ela passou a mover a língua quente e molhada por toda a base do pênis dele, quase chegando a glande, mas não ainda lá, o torturando para em seguida o abocanhar por completo, descendo até onde conseguia naquelas condições.

Assim que foi ao máximo que sabia que o comportava, o chupou com vontade, tendo em resposta o gemido rouco e grosso do homem, sentindo que ele se segurava para não inclinar os quadris e enfiar o resto na garganta dela.

Assim que sentiu que não aguentaria mais, a puxou de volta, beijando profundamente, a invadindo com a língua para a deixar deitada no sofá. Subiu o vestido dela, arfando ao ver aquela calcinha rendada verde. Afastou para o lado e lambeu toda a intimidade da mulher. Lambia com vontade, usando toda a língua, a lambuzando completamente, para introduzir um dedo enquanto passou a chupar o botão inchado dela. Hermione se contorcia na boca do homem, segurando firmemente seus cabelos, gemendo cada vez mais alto.

Ele só consegui pensar no quanto ela era gostosa assim, descendo a própria mão que estava livre ao eu pênis, se masturbando a medida que ela gritava ainda mais por ele, ele se tocava com tesão, apenas fazendo vai e vem, imaginando que fosse o interior dela, deslizando por todo o seu comprimento. “Já chega” pensou ele largando o membro para tirar a calcinha da mulher e introduzir nela o pau duro. Ele ia e vinha com vontade, enterrando o rosto no pescoço dela, ela agarrada a sua camisa social azul. Ele era rápido, forte, viril, ela estava o sentindo bater em todo lugar, até que acetou o ponto G. Hermione se agarrava ainda mais, se debatendo em baixo dele para juntar aos movimentos do homem, segurando ele firmemente com as pernas ao redor da cintura dele.

Ela começou a sentir suas pernas tremerem completamente e o ventre se contrair. Foi aí que ele sentiu aquelas ondulações no pênis dele quanto ainda a fodia com gosto. Ela tinha gozando forte o deixando molhado com o suco dela, o grito o chamando era selvagem e ele gozou em seguida forte, quase desmaiando na mesma hora.”

FALSH OFF

- Eu não tomei a poção no dia – ela percebeu ao fechar o chuveiro.

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Hermione estava vestida com sua saia branca e camiseta regata cor de rosa bem folgadinha. Óculos escuros, bolsa bege, pegou a chave do carro e saiu pela porta da frente em direção ao seu carro que estava estacionado do lado de fora da garagem. Scorpius treinava as manobras no Skate quando ouviu o alarme do carro indicando que havia sido destravado.

- Mãe? Vai para onde?

Hermione não tinha visto o menino ali e levou um susto ao abrir a porta do motorista.

- Vou ao posto, meu amor, mas não devo demorar mais do que uma hora e meia. No máximo duas.

- A senhora está se sentindo pior? – ele já pegara o skate na mão, ficando de frente para a mais velha – quer que eu vá junto?

Hermione ponderou. Não era uma emergência, mas o menino parecia bem preocupado com ela. Temia que o pai o ligasse para saber do estado de saúde e Scorpius falasse que a mãe teria saído no começo da tarde para o posto. No mínimo acharia que estaria saindo a trabalho, visto que renegava ajuda por sua saúde.

- Tudo bem, entre no carro e coloque o cinto.

Assim ele fez. Pelo caminho ele ia pensando nas possibilidades do diagnóstico da mãe. O jovem Malfoy não prestava atenção apenas ao que o pai dizia, mas se interessava pelo trabalho que a mãe fazia, bem como o que ela estudava em Psicologia. Ou seja, com quase dez anos de idade ele tinha uma noção até boa sobre Poções, Medicina, Psicologia e Engenharia Quimica.

Chegando ao local, desceram do carro e Hermione foi diretamente para a área de testes de sangue do posto de saúde. Lá encontrou Anne, uma enfermeira de longa data e uma das primeiras a fazer amizade com a Castanha.

- Mione, o que faz aqui? – a senhora de olhos verdes estranhou – recebi seu e-mail informando que estaria em casa descansando. Piorou?

- Eu preciso que me faça um favor – e olhou incerta para o menino ao seu lado – Scorpius, porque você não fica me esperando em minha sala, sim? Não vai demorar.

- Não mesmo – ele olhava para a mulher – se quer fazer um teste e quer que eu saia, então a situação é mais grave do que eu pensava. Vou ficar aqui – e fincou os pés no chão, fazendo Hermione revirar os olhos com aquela atitude.

Isso fez Anne rir – sabe, Mione, ele é tão genioso quanto o pai dele.

- Para a minha infelicidade – ela soltou um suspiro – bom, eu preciso de um exame Beta HCG – esperou que garoto não soubesse o que isso significava. Grande engano.

- A senhora está gravida???? – o espanto dele misturado com ansiedade e felicidade foi uma surpresa.

- Eu não sei – ela achava que sim, mas pelo visto não queria dar esperanças – por isso o teste.

- Como sabe para que serve esse teste? – perguntou Anne indo buscar o que precisava para o pedido da amiga.

- Presto atenção a tudo o que meus pais falam sobre o trabalho deles – respondeu normalmente – é tudo muito fascinante.

- Acho que ele é sua cópia também, Hermione – a mais velha terminava de colher o sangue – um sabe-tudo, como seu marido falava de você.

- Irritante-sabe-tudo na verdade – o menino a corrigiu rindo.

Depois de uma hora, o resultado saiu e o coração de Hermione faltou uma batida. Ao deixa o papel de lado, Scorpius aproveitou a oportunidade para ver, abrindo um sorriso de um lado ao outro.

- Quando vamos poder saber se vou ter um irmão ou irmã? – ele não se aguentava.

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No caminho de volta, Hermione não sabia o que pensar. Não é que ela estava triste por estar com um bebê no seu ventre, mas não tinha ideia do que Severus iria dizer. Não havia dúvidas de que ele era um ótimo pai, bastava para ver a relação dele com Scorpius, mas ainda assim, eles nunca pensaram em ter um filho biológico. Ela ainda nem mesmo tinha findado o curso de psicóloga, apesar que havia avançado tantas matérias que mesmo parando um semestre para quando o neném nascesse, ainda terminaria junto com a turma, e seria antes de Scorpius ingressar em Hogwarts. Ele ainda conseguiria passar um tempo com o bebê.

Scorpius.

Pelo menos parecia que ele estava feliz com essa notícia. Uma parte dentro dela pensava que ele poderia se sentir renegado com isso, que um filho biológico poderia tomar o lugar que é dele. Como pode se enganar assim? O menino era bem maduro para a pouca idade.

Foi tirada dos devaneios quando o primogênito a chamava – O que foi, filho? Acabei viajando aqui em uns pensamentos.

- Eu estava falando que antes de irmos para casa, poderíamos passar em uma loja de bebês, não acha?

- Para fazer o que, amor?

- Bem, eu já vi alguns filmes em que a mulher conta ao marido que está gravida com sapatinhos de bebê, ou com um brinquedo. Acho que seria legal fazer isso com o papai, não acha?

Por um momento esse pensamento passou pela cabeça dela. Sim, seria engraçado, mas as dúvidas sobre o que Severus pensaria dessa gestação ainda a rondava.

- Eu não sei, para ser bem sincera com você. Seu pai não gosta muito de surpresas. E nós nunca falamos em ter mais um filho. Talvez algo assim seja demais para ele.

- Eu acho que ele vai gostar sim – disse olhando para ela e depois para a janela do carro antes de continuar – papai te ama. Eu sei que ele nunca quis ser pai, basta ver a criatura, mas ele foi o melhor pai do mundo para mim. Depois ele se tornou ainda mais feliz quando entrou na vida dele, sabe? Parece que o que faltava se encaixou. E acho que um bebê vai ser ótimo, ainda mais sendo dele.

Hermione sentiu uma pontada. “Ainda mais sendo dele”.

- Você é dele, Scorpius. Dele e meu.

- Eu sei, não estou dizendo que não me acho filho de vocês. Mas eu deveria ser o afilhado dele. No fundo eu sei que seria ótimo para meu pai ter um menino ou menina que seja dele. E eu quero muito um irmão ou irmã de vocês. Você sempre serão meus pais. Só queria que soubesse disso, mãe.

Ela estava com os olho cheios de lagrimas. E depois de mais uns segundos pensando, decidiu mudar de rota e ir ao shopping. Como era no meio da semana, estava quase vazio. Indo diretamente para uma loja de roupas e produtos para bebês que ficava no terceiro andar, viram várias roupinhas, banheiras, berços, produtos de banho. Era tudo tão delicado, perfeitinho e ... caro. Misericórdia, como coisa para recém-nascido era caro. Hermione agradeceu por ela e o marido ganharem bem.

No final foram para casa com um pacotinho na mão, planejando qual seria a melhor forma de contar ao futuro papai de segunda viagem que um morceguinho irritante-sabe-tudo estava para chegar. Hermione ainda pensou em levar um desfibrilador para o momento magico.

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Severus chegou de um dia cansativo de trabalho. Tinha terminado de corrigir os trabalhos do alunos, mas o que o cansava mesmo era que não se sentia realizado com o que estava fazendo. Achou que quando aceitou ser professor de uma Universidade tão renomada, seria bom para si. Era espeitado ao extremo, tinha prestigio de tudo e todos, recebia extremamente bem, o que foi ótimo para criar o filho sozinho, mas agora ...

Como ele iria dizer a Hermione que não desejava mais essa vida, que de certa forma não se sentia mais realizado entre os trouxas. Talvez quisesse mesmo voltar ao mundo bruxo, a fazer as poções. Criar e inventar para melhorar o que já existia no mundo da alquimia. Voltar a usar magia como sempre fez. Não ensinar em Hogwarts, isso não. As lembranças de lá ainda o assustavam. A morte de Dumbledore, mesmo sendo um pedido do mago, era extremamente amargo para seu psicológico. Ele deveria ser um dos pacientes de Hermione futuramente.

Nada disso importava agora, não agora. Não seria justo com ela ter que fazer com que desista do curso porque está aborrecido. Seria a crise de meia idade? Sacudiu a cabeça tentando colocar as ideias no lugar enquanto fechava e protegia a porta de casa. Conseguiria suportar tudo isso ao menos até ela se formar. Isso sem falar que em breve Scorpius estria iniciando os estudos no mundo magico, e Hermione tinha ideias, ou talvez ainda tivesse, ele não sabia, de voltar para lá e tentar aplica a ciência da Psicologia nos magos. Pobre. Teria que ter muita paciência para faze-los aceitar algo que fora criado por trouxas, ainda mais no que dizia respeito aos puro sangues. Mas ele sabia que sua esposa era extremamente inteligente e esforçada, e que conseguira pensar em algo para isso.

Estendeu o paletó em uma cadeira e viu que tinha correspondência na mesa. A pegou passando uma por uma. Algumas contas, outros panfletos de viagens, sofás, mudanças e... ele parou os olhos em um.

- Exame laboratorial – leu em voz alta e viu que o envelope estava aberto, então achou que poderia ler – Hermione Granger Snape... Reagente...Teste Beta HCG.

Se ele era pálido, ficou transparente com o sangue sumindo do seu rosto.

- HERMIOOOOONEEEEEEEEEEE!

Ele não poderia estar lendo certo. Certamente era uma piada, uma brincadeira, um teste para ver se o coração dele não tinha sido terrivelmente forçado pelos inúmeros anos de crucciatos que sofreu nas mãos de Voldemort.

Ao ouvir passos, olhou para cima se deparando com Hermione e Scorpius, cada um com uma mão para trás escondendo algo. Quando ele arqueou a sobrancelha, ainda com o papel do exame na mão, os dois, cada um com um sapatinho de tricô branco na mão, colocaram em cima da barriga da mulher.

A boca dele caiu juntamente com o exame que escorregou da mão dele.

- Eu... vou... ser... – a voz de trovão não passava de um sussurro quando ele tentava juntar as poucas células neurais para formar uma frase completa.

- Você vai ser papai novamente, meu amor – Hermione estava com lágrimas de felicidade.

Severus saiu correndo para abraçar a mulher, a levantando em seus braços. Como ela estava aliviada com essa reação dele, profundamente aliviada. Ele a colocou no chão para logo mais se ajoelhar e beijar a barriga dela.

- Oi – ele disse encarando a barriguinha dela – como será que você é?

- Bom, eu não sei, mas acho que vai ser traquina, e se não for, eu ensino – Scorpius falava na maior cara de pau.

- Traquina? – o pai o olhou de forma interrogativa – acha que vai ser uma menina? Porque?

- eu sei lá – dera de ombros – meio que sonhei com uma menina de cabelos pretos uma vez. Então acho que vai ser menina. Estava ao lado de um menino de olhos verdes.

Severus achou isso estranho, mas não disse nada. Abraçou o filho e a esposa. Todo o peso do dia sumiu rapidamente. Ele seria pai mais uma vez.

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- Eu acho que está muito cedo para isso, não é não? – Hemione estava deitada na cama, com a barriga para cima e sua blusa um pouco levantada – estou começando a sentir dores nas minhas costas!

- Silencio, mulher! Não vê que assim não vamos escutar nada? – Snape a repreendia.

Ele e o filho estava com as cabeças em cima do ventre de Hermione para escutar o bebê, que obviamente era algo impossível já que a gravidez estava de apenas quatro semanas, porem ambos eram cabeças duras e juravam que o feto, por ser filho de quem era, era mais desenvolvido do que qualquer outro bebê que já existiu.

- E se a gente receber um chute? – Scorpius brincava tirando risos do pai com a imaginação fértil.

- Então eu vou saber que vai ser Grifinório e insolente como a mãe – Severus segurava o riso.

Hermione simplesmente bufou em falsa indignação, colocando uma mão em cada cabeça que estava sufocando ela e a criança, os empurrando para longe, para poder ir ao banheiro tomar um merecido banho, advertindo que se um dos dois fosse atrás dela, iriam sofrer as consequências desse ato impensado, além de que ela alegaria que não poderia ser punida porque estava sobre os hormônios da gravidez que teriam muito mais poder sobre ela do que uma maldição imperious.

Dentro do banheiro, se despiu enquanto enxia a banheira com agua quente e sais de banho. Entrando, desceu e relaxou com o calor da agua, aproveitando aqueles momentos de paz, e sua mente se pôs a trabalhar mesmo que ela não desejasse.

Passara anos em um colégio interno com amigos que conheceu por lá. Era verdade que essas amizades não era necessariamente “naturais”, uma vez que você está trancado em um local e que só há aquelas pessoas para conviver. Não apenas isso, o colégio ainda por cima é dividido entre casas e que disputam um troféu idiota. Meio que ajuda a criar certos tipos de intimidades entre as casas, ou pelo menos entre Sonserina e Grifinoria. Era notório como as outras eram mais tranquilas, enquanto que as Serpentes e os Leões era naturalmente instigados a lutarem entre si.

Quem ela fez amizade fora da torre vermelha e dourada? Luna? Cedrico? A maioria das pessoas que falava era do seu clã, o que por vezes resumia intensamente a Ronald e Harry, que a colocaram em mais problemas do que qualquer outra coisa. Ela pensava nisso. Todos os anos esbarravam em um fragmento do Lorde das Trevas, sempre salvando aqueles dois dos perigos e Harry era o pior. Acreditava que se existisse um arbusto das trevas, ele conseguiria tropeçar e ela teria que estar lá para o salvar. Revirou os olhos e percebeu que estava parecendo muito com o esposo nesse aspecto. Sorriu com isso.

Severus era o professor que ela nunca teve um elogio, uma nota pelos feitos que fizera. Hoje ela compreendia o porquê, depois que ele a explicou, mas mesmo assim não custava nada ele não ser cruel. Talvez fosse porque ela era amiga do filho do inimigo dele, ou simplesmente porque ela era uma grifinoria irritante sabe tudo que passava até por cima da inteligência sonserina do afilhado dele em poções.

Então esses pensamentos a levaram a pensar em Draco. Eles nunca foram amigos, e provavelmente nunca seriam. Ela chegou a quebrar o nariz dele, mas ele fez muito pior, a chamou de sangue-ruim. Nome esse que estava em uma cicatriz no braço dela que ela escondia com o Glamour. Ainda doía pensar nessas lembranças, mas era complicado não fazer uma vez que era mãe do filho dele. Hermione Granger mãe de um Malfoy. Não, não era isso, Hermione Granger Snape, mãe de um Malfoy. Casada com o ex terrível professor e mãe do filho de uma das famílias de sangues puros mais antigas do mundo bruxo, longe dos seus melhores amigos que dividiram a infância e adolescência com ela.

Se sentia mal com isso. Foi embora sem uma única palavra. Será que eles ainda a procuravam? E se a encontrassem? A perdoariam por ter abandonado a todos.

Acabou reclamando com ela mesma, afundando ainda mais na agua até quase estar submersa. A ideia aqui era de relaxar. Foi quando a porta foi aberta e sorriu ao ver o marido a observando de maneira tão carinhosa e safada ao mesmo tempo.

- oi – ela o olhou de cima a baixo – posso saber o que o senhor está fazendo ai? Me olhando dessa forma.

- Admirando minha linda esposa – a voz dele estava ainda mais rouca, se é que isso era possível.

- E vai ficar só me admirando?

Ele deu um sorriso safado, olhando se tinha trancado a porta do quarto deles antes de entrar na suíte. Fez os encantamentos para silenciar. Sabia que Scorpius estava jogando no quarto com os fones, e quando isso acontecia, o mundo poderia desabar que o menino não estava nem ai.

Fechou a porta do banheiro, retirou as roupas na frente da mulher, que encarou aquilo como um show particular a qual estava se deliciando. Logo ela abre espaço para ele, que se acomoda atrás dela e ela se reencosta nele.  Severus passa a fazer carinho nos ombros dela, beijando o pescoço, descendo as mãos pelos braços e descanando nas coxas dela.

- Como está se sentindo? – ele perguntou ao descansar a cabeça nos cabelos molhados dela.

- Diferente e igual ao mesmo tempo – ela disse pensativamente – é estranho saber que tem uma vida dentro de mim. E ao mesmo tempo, muito feliz por você ter tido uma boa reação ao saber do nosso filho.

- Oh – ele parecia surpreso com a declaração.

- Nós nunca falamos em termos um filho. E somos muito felizes nós três. Ultimamente vejo você cada vez mais cansado e estressado com o trabalho. Não sabia se a notícia de uma gravidez inesperada seria bem aceita nessa situação em especifico.

- O meu humor não é devido a isso, mas peço desculpas. Tentei disfarçar. Claramente não deu certo.

- Para o resto do mundo você consegue, Severus, mas a mim não. Eu conheço você agora, e consigo ler suas emoções através dos seus olhos. Se não foi isso, o que era?

Ele suspirou pesadamente. Queria falar com ela, mas não achava que essa poderia ser a melhor hora. Deveriam estar festejando com a noticia de uma vida nova se formando, e não falando sobre suas frustações.

- A verdade é que não estou mais satisfeito com o que tenho feito na universidade ou com a vida que venho levando. Não tem nada a ver com aqui em casa e com vocês. Isso está perfeito. Mas lecionar, não está mais me favorecendo como estava há uma década atrás. Eu não sei, Hermione, mas acho que sinto falta da minha antiga vida no mundo magico, no meio das poções, sabe? Algo assim.

- E porque não me disse?

- Eu não sou tão egoísta a ponto de te fazer parar tudo só porque não estou satisfeito onde estou. Você ainda precisa terminar a psicologia. E não é como se eu fosse me jogar da próxima ponte que encontrasse se tiver que lecionar por mais um tempo.

Ela ponderou o que ele estava falando a ela. Foi muito gentil e cuidadoso da parte do seu marido pensar nas prioridades dela antes mesmo das dele.

- Você não é o único nessa situação – ela entrelaçou as mãos na dele – eu também ando pensando que seria bom retornarmos ao mundo magico. Claro que vai ser um choque a nossa volta, ainda por cima casados, com dois filhos, mas... eu não sei. Parece que lá é o nosso lugar. Estar aqui foi um exilio necessário, mas talvez já tenhamos cumprido nossa pena. Scorpius também vai começar a jornada dele por Hogwarts, e me sentiria mais segura se estivesse por lá – ela esperou um pouco, colocando o restante dos seus pensamentos em ordem, e para ele absorver antes de continuar – logo me formo e esse pequeno sai daqui – colocou as mãos deles na barriga fazendo carinho – posso colocar em prática o que sempre desejei desde que conheci os efeitos de uma boa psicoterapia, e você pode fazer o que quiser.

- Um boticário de renome.

- Foi o que pensei – ela sorriu com isso – poderemos ser felizes, e enfrentar os fantasmas do passado.

Ele fez um som de positivo, voltando a relaxar. Foi bom que tivessem tido aquela conversa. Não muito bem decidido de fato, mas um plano relativamente traçado. Scorpius se mudaria, e eles iriam juntos com ele.

Quando acreditava que estava quase dormindo nos braços dele, sente uma mão atrevida deslizar pelo ventre, indo ao meio das pernas dela. Pensou em protestar, mas ele estava fazendo muito bem, como sempre fez. Primeiro fazendo carinhos lentamente, indo e vindo, enquanto beijava a curvatura do pescoço dela. Os dedos então fizeram maior pressão, chegando ao ponto que a deixava arrepiada. Aquele botão inchado que dá prazer a toda mulher. Snape levou a outra mão ao seio dela, massageando com cuidado, e nunca deixando de beijar e mordiscar o pescoço dela. Entre as pernas, ela podia sentir ele fazendo movimentos de vem e vai, para mudar para círculos lentos, precisos, com a pressão certa. Ela abria mais ar penas para dar mais espaço, e ele massageava com mais vontade, sentindo deslizar mesmo sobre a agua. Hermione estava arfando com o desejo crescendo. Foi quando em meio a esses círculos, ele deixou um dedo entrar vagarosamente nela, indo e vindo sobre a parede esponjosa e ela sentiu ele escovar bem no ponto G. Naquele momento ela só queria gritar de prazer. Ele esfregava com vontade, em movimentos de chamar alguém, e depois de um tempo, sentiu as paredes dela ondulando ao redor do dedo dele e ela o chamando em meio aos gemidos sôfregos.

Ele estava presunçoso com o que conseguiu fazer com ela.

Ela se virou, passando uma perna de cada lado do homem e ele a ajudou, guiando o membro para a entrada dela. Assim que a penetrou, gemeu no fundo da garganta. Ela já era apertada, mas depois de gozar, teve que fazer força para entrar completamente de tão estreita que ela estava. Ela passou a rebolar vagarosamente dele, o torturando. Ele estava hipnotizado pelas sensações dos seus corpos em contato com a agua, dos seios rígidos e empinados dela na frente dele, subindo e descendo enquanto ela o cavalgava mais seriamente, e o pênis dele totalmente enterrado dentro dela, a penetrando e pulsando nas paredes dela e tamanho tesão que sentia pela mulher.

Abocanhou um dos seios, o chupando com volúpia, enquanto suas mãos seguraram a bunda dela, fazendo com que ela fosse mais rápida. Ele chupava aquela carne, mordendo com cuidado e depois lambendo o bico que estava durinho de prazer, indo para o outro enquanto sentia seu pau de deliciar dentro daquela buceta molhada dela, entrando e saindo, fazendo vem e vai com ela cavalgando selvagemente nele. Ele soltou os seios para beijar o pescoço dela, fazendo com que ela fosse mais rápido. Sentiu que ele foi apertado e ela mordia seu ombro em total desespero enquanto o segundo orgasmo violento passava pelo corpo dela, e ele a seguiu, jorrando todo o gozo dentro dela.

Estavam rubros depois disso, com as testas coladas uma a outra, beijando com ternura e paixão após aquele ato.

- Eu te amo, Severus.

- Eu te amo muito mais, Hermione.

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Os primeiros meses foram passando e Hermione começou a mostrar a barriguinha de grávida, e correr dos dois homens da casa, já que volta e meia um passava a mão na barriga dela tentando sentir um chute, um movimento, qualquer coisa que mostrasse que aquilo era real mesmo. Isso estava dando gastura a jovem. Snape sabia o que era ser pai, mas de um recém-nascido já formado. Ele não tinha visto a mãe de Scorpius grávida, e só pegou o menino nos braços no nascimento dele e naquela noite fatídica. Além disso, ao longo dos anos ele não teve contato com tantas mulheres, muito menos uma que estivesse gerando uma vida, e que ainda por cima tivesse um nível de intimidade para passar a mão no ventre. Mas ali estava ela, sua esposa esperando um bebê seu. Em breve seria possível saber o sexo do bebê e finalmente começar a arrumar o quarto.

Para a surpresa dos mais velhos, Scorpius começou seu próprio negócio. Ele sabia como construir skates. Não só isso, era um verdadeiro artista. Fazia tão bem o trabalho que tinha fila de espera para uma obra dele, sendo que o público não se destinava apenas aos meninos, mas havia meninas interessadas. A arte para os meninos era mais fácil para ele, mas as meninas... era outra história. Hermione ajudava o filho, dando ideias do que ele poderia fazer, contudo, uma jovem que morava do outro lado da rua foi sua inspiração.

Laura Smith.

A garota de cabelos castanhos, puxados para um louro escuro, de olhos verdes penetrantes fazia o loiro suspirar. Aquele perfume dela que lembrava a um campo de lavanda inebriava seu olfato, e sempre que ela se aproximava o coração dele batia mais forte.

Severus e Hermione já haviam percebido isso. Como os negócios de Scorpius estavam indo de vento e poupa, chegando a dar um bom dinheiro, e não atrapalhava na escola, eles separaram uma parte da garagem, que era suficientemente grande, para ser a oficina do filho e expositor de algumas das obras para os futuros clientes verem. Assim, quando estavam do lado de fora, com Snape cortando a grama, ou Hermione olhando bichento brincar de caçar alguma pobre alma viva que adentasse o local, riam com as reações do filho, mas sempre de forma muito discreta. O primeiro amor era interessante.

Assim, o aniversário de dez anos de Scorpius chegou, e lá estava ele de frente da porta de Laura, com um convite na mão. Estava respirando fundo e quase pálido quando finalmente tocara a campainha. Quem atendeu dessa vez foi o pai da garota.

- Bom dia, senhor Smith – ele estava fazendo o máximo que conseguia para não tremer a voz, lembrando das aulas de oclumetencia do pai para ter estabilidade – a Laura está?

O pai de Laura já era um senhor, tinha seus cabelos grisalhos, mas um dia foram loiros. Os olhos eram um verde vivo, mais do que os da menina. Não era tão alto quanto o Snape, mas Scorpius estava com tanto receio que enxergava o homem como se fosse do tamanho de Hagrid. O mais velho apenas disse que sim e chamou pela filha, que prontamente atendeu o pai.

- Sim, pai – disse a menina e logo viu o amigo – ah oi, Scorpius! O que te traz aqui.

- Vou deixar vocês a sós – Sr. Smith voltou para a poltrona, ao lado da esposa, onde estavam assistindo as notícias naquela manhã de feriado.

- Er... bom, esse final de semana vai ser meu aniversário, e eu queria te fazer um convite para saber se você quer ir – entregou o pequeno pedaço de papel de forma rápida. Queria acabar logo com aquilo. E se amaldiçoando por estar dessa forma. Afinal ela era sua amiga – você vai? – perguntou assim que ela pegou o convite e abriu.

- É claro que sim! – o respondeu com um enorme sorriso, mas que se desfez logo.

- o que foi? – ele notou a súbita mudança de atitude dela.

- É que começa às 15:00 e nessa hora no sábado eu ainda estou na casa da minha avó. A gente sempre vai visitar ela, sabe? Desde que o vovô morreu, é muito triste ela ficar sozinha.

- Ah...

Era notório que ele ficou chateado. Não era como se ela fosse a única convidada da festa. Scorpius era bem popular na turma dele, ainda mais depois que se tornou o criador de skates modernos. A maioria das meninas ficavam de olhos nele, mas penas a que estava na frente dele o interessava verdadeiramente.

- Mas se você não se importar que eu chegue um pouco mais tarde... eu sei que não é certo, e falta de educação com você, mas se for possível...

Ela nem conseguiu terminar a frase e ele já estava radiante mais uma vez.

- SIM! – percebeu que falou alto demais e com empolgação demais, arrancando um sorriso tímido dela – quer dizer... claro que sim, afinal você tem que ir ver sua vozinha. Não seria nada justo com ela. E a festa vai levar mais umas horas.

- Obrigada, Scorpius! – dera um abraço no menino, que ficou sem jeito e completamente rubro.

Do outro lado da rua, enquanto secava os pratos recém lavados, Hermione sorria para a cena que estava presenciando.

- Acho que nosso menino está experimentando as primeiras emoções do amor.

Severus, que estava guardando a louça, fechou o armário e foi ver o que a esposa falava. Ao se deparar com isso, sorriu de lado.

- Porque será que é sempre a vizinha? – ele ainda observava – e sempre as mulheres castanhas que enganam a nós, pobres e indefesos homens? 

Hermione o bateu com o pano de prato, recebendo um gemido de dor extremamente falso da parte do marido.

- Lembre que amanhã é a consulta com o médico.

- Como eu poderia esquecer – ele se virou, passando as mãos pela cintura dela, a trazendo para mais perto de si – há meses que quero saber quem está aí dentro – encostou os lábios nos dela, a beijando com devoção – acho que podemos começar o quarto do bebê depois da festa de Scorpoius.

- Concordo – ela beijava o pescoço dele, sabendo bem como o provocar- será que ele quer ir amanhã com a gente? – ela o olhou nos olhos – pode demorar um pouco esperando o médico nos atender, de qualquer forma.

- Estranho seria se ele não quisesse – Severus fazia carinho nos braços dela – e também, ainda faltam algumas coisas para a festa dele. Poderíamos passar no shopping – colocou uma mecha do cabelo dela atrás da orelha.

- Ah eu não sei, amor. Não que eu não queria ir, mas será que não poderia ser no outro dia, ou hoje? Estou me cansando cada vez mais rápido, e esse inquilino dentro de mim parece que achou minha bexiga e a usa como brinquedo. Volta e meia tenho que ir ao banheiro para fazer xixi!

- Acha que eu não notei – ele falou com a voz brincalhona – perdi a noção de quantas vezes tive que usar o social, porque sempre que me viro, você está ocupando o nosso!

- A culpa é sua, Severus! Você fez isso comigo! – apontou para a barriga saliente – feliz???

- Muito! – ele a puxou mais uma vez, encostando os lábios. Beijava ela com delicadeza, massageando os lábios dela com os dele, para gentilmente pedir passagem com a língua, explorando a boca da pequena como se fosse a primeira vez. Ele sentiu o gosto do suco de laranja que ela tomou mais cedo, e ela do café preto que ele sempre tomava logo de manhã – eu vou com ele no shopping e você fica em casa descansando. Se quiser eu trago algo para jantarmos de lá mesmo.

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Lá estavam os três na sala de espera da obstetra. Hermione lendo uma revista que tinha por lá, Severus o jornal e Scorpius com o celular jogando. A sala estava realmente cheia com várias futuras mamães. Alguma acompanhadas, mas nem todas. Hermione pensou que tinha sorte pelo esposo e filhos irem com ela, e por decisão deles mesmo. Tinha sorte de ter encontrado aquela família para fazer parte. Bendito seja o supermercado de alguns anos atrás.

O nome da Castanha fora chamado. Colocou o avental que a médica entregou, subiu na maca e arrepiou com o gel frio na barriga dela, tirando risinhos dos seus dois acompanhantes, ela penas ameaçou que se continuassem assim, jogaria gelo em ambos, o que fizeram colocar a mão na boca como forma de se segurar.

A medica posicionou o aparelho na barriga dela, ligando o monitor do computador. Logo uma imagem de apareceu. Era o bebê. Snape estava com os olhos vidrados ali. Finalmente seu filho estava aparecendo mais claramente para eles. Da primeira vez, Scorpius passou um bom tempo semicerrando os olhos para enxergar algo além de um mero morrão, chegando a comprar o pobre do feto com um amendoim.

Mas agora, ali estava o novo membro da família, mostrando a mãozinha, os pezinhos para todos. Hermione estava emocionada, segurando na mão do esposo, e Severus trazendo Scorpius mais junto a si para poderem ver o neném.

Foi quando a médica ligou mais um dos aparelhos e um coração forte bombeando sangue foi ouvido. Eles acharam o som o mais perfeito do mundo.

- Olha! Ela existe mesmo – Scorpius disse besta.

- Ainda acha que é uma menina, não é? – a médica fala depois de rir da exclamação do futuro irmão mais velho, recebendo um aceno positivo da parte dele – bom, está com as perninhas cruzadas, mas eu acho que se eu mexer mais para aqui – ela mudou o aparelho de lugar, e Snape esticava o pescoço para ver se conseguia enxergar algo – ah sim, aqui está. Querem saber o sexo? – Acabou ouvindo um coro de afirmação – tudo bem! Tudo bem! Parabéns aos três, é uma menininha forte e saldável que está vindo! Já podem começar a preparar o mundo cor de rosa.

- EEEEUUUUU SABIAAAAAAAAA!- Scorpius não se aguentava de alegria, e Severus dera um beijo na testa da esposa.

- Obrigado, meu amor – ele disse a ela – eu te amo muito.

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Depois de deixarem Hermione em casa, os dois seguiram para terminar de fazer as compras para o de aniversario Scorpius, que seria naquele final de semana. Severus estava colocando tudo o que precisava no carrinho de compras, enquanto Scorpius riscava da lista os itens que buscava.

- Qual a necessidade de tanto refrigerante? – o mais velho estava abismado – é açúcar demais.

- Porque é meu aniversário e mamãe fala que é o meu dever me encher de açúcar nesse dia em especifico.

- Eu fico imaginando o que seus avós falariam.

Esse era um assunto não muito discutido na casa deles. Hermione raramente tocava no nome dos pais. Era doloroso para ela nem mesmo saber onde eles estavam. Retirou as memorias, e foi um enorme ato heroico. Certamente eles estariam mortos em menos de um ano durante a segunda guerra, mas nada a faria sentir menos saudades. Só esperava que estivessem bem. Quem sabe até com um filho.

- A mamãe nunca conseguiu falar com eles, não foi? – recebeu apenas um aceno negativo da cabeça de seu pai – fico me perguntando se eles iriam gostar de mim como neto deles. E se ficariam felizes com a neném que está vindo.

- Eu não tenho a menor dúvida – passou e bagunçou o cabelo do filho – mas sério, tudo isso de chocolate? Está tentando comprar para revender?

- Meus amigos comem muito! Estão em fase de crescimento.

- Só se for dos lados – ele falou na maior cara de pau – que é o que vai acontecer se comerem isso em poucas horas. Estou ficando doente só de olhar.

Scorpius apenas revirou os olhos com tamanha dramaticidade do pai – e meus outros avós? Eles iriam gostar de mim? Seus pais...

Snape respirou fundo. Ele certamente não teve um homem que tivesse o prazer de chamar de pai – meu pai era um bêbado. Sinceramente, não há nada que eu gostaria que você soubesse dele, e agradeço que ele não esteja vivo para você o conhecer. E sinceramente não permitiria isso se ele estivesse entre nós. Sua avó foi uma bruxa poderosa, de uma longa família de puros sangues, mais antigas do que os próprios Malfoys, e mais ricos também. Nunca vou compreender o porquê dela ter deixado tudo e se apaixonado por um trouxa como o meu pai.

- Mas aí o senhor não estaria aqui.

- Não é como se fosse lá uma grande perda – colocava mais um saquinho de salgados no carrinho, que sabia que Hermione gostava.

- Seria sim. Para mim, para a mamãe e a neném que está vindo.

Parando para pensar assim, ele até poderia dizer que o menino estava correto, mas aquela conversa estava ficando macabra para aquele momento. Não deseja isso. Apenas terminou de pegar tudo o que precisava e se dirigiu ao estacionamento.

- Pegue isso e vá pagar o estacionamento. Eu vou colocar tudo na mala.

Assim ele fez. No caminho, passando entre as lojas, viu uma loja de produtos infantis e algo que chamou muito a tenção dele. Entrou e pediu para que embrulhasse para presente. Pagou o estacionamento e foi encontrar o pai, que já estava dentro do carro com o mesmo ligado. Estranhou a demora e viu o pequeno embrulho nas mãos.

- o que tem ai?

- Uma surpresa para a mamãe.

- Ah – ele sorriu de lado – cuidado para não a emocionar demais. Ela anda com os nervos à flor da pele e quem paga por isso sou eu. – já fora saindo do lugar.

- Como?

- Er... você vai entender quando crescer, e tiver sua esposa. Boa sorte.

Scorpius compreendeu que não deveria ser lá um mar de rosas ser casado, mas ao mesmo tempo via como seus pais eram felizes. Sim, tinham suas brigas e desavenças, mas ainda assim, extremamente felizes, e se perguntava se teria essa chance com uma certa vizinha de cabelos castanhos.

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Chegando em casa, encontraram a mulher com os pés na bacia com agua quente. Estavam um pouco inchados o que indicava retenção de liquido. Ela estava virando uma bolinha com o passar dos dias e Severus rezava a Salazar e Merlin para que deem forças para ele não começar a rir nos próximos meses. Sabia que a mulher já nos últimos estágios da gravidez começava a andar como um pato. Ela poderia estar de repouso, mas ele sabia muito bem a fúria e o poder que ela escondia.

- Foi tudo bem nas compras?

- Ah sim – respondeu o mais velho trazendo as sacolas junto com o filho, para que só dentro de casa pudesse levitar e arrumar tudo com magia – e você? – chegou perto e deu um beijo na testa dela, para depois se afastar e pendurar o casaco.

- Pés inchados – ela mexeu as perninhas na agua – mas já vai melhorar. Não é nada.

Scorpius chegou perto dela com o embrulho cor de rosa na mão – para minha irmãzinha, mamãe – a entregou e viu a cara de surpresa dela.

A Castanha pegou o presente, puxando o filho para dar um beijo demorado na bochecha. Ao abrir a sacolinha se deparou com uma boneca de pano, de cabelos pretos e lisos, feito com carinho e uma delicadeza impecável. O vestidinho era verde esmeralda. Era simplesmente perfeita, não tinha outra definição.

- Que linda – ela olhava cada detalhe – não deveria gastar seu dinheiro assim, querido. Ela parece que foi bem cara.

- Um pouco, mas valeu cada centavo.

- Está ganhando tão bem assim, amigão? – Severus perguntou de algum lugar do seu escritório.

- Até que sim – ele disse saindo do sofá, indo para as escadas. Queria jogar vídeo game – cada skate está saindo há cem dólares, sendo que faço ao menos três por semana.

- MAS HEIN? – falaram ambos ao mesmo tempo.

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Finalmente o dia do aniversário chegou, assim como um mar de crianças no quintal atrás das casa dos Snapes. Severus contratou garçons e um serviço de buffet para não ter mais dores de cabeça com isso, e para evitar que Hermione se estressasse preparando algo. Era bem mais prático.

O loirinho estava radiante. Todos os amigos deles vieram, todos menos uma em especifico. Os pais perceberam que ele volta e meia desviava os olhos das conversas que estava tendo com alguém para olhar a porta que dava para o quintal e ver se ela tinha chegado, e todas as vezes viam o desapontamento estampado nos olhos dele, e já eram 17:30.

A pilha de presentes estava se acumulando na mesa, e severus acabava esvaziando, levando tudo para o quarto do pequeno. Na festa tinha de tudo, desde pipoca e algodão doce, até pula pula e a piscina que já era deles mesmos. Os pais dos convidados puderam ficar, o que foi mais um dos pontos que Snape achou melhor em contratar um serviço de profissionais. Para os adultos acabava sendo servido um requintado chá da tarde, na sala de estar, deixando os filhos se divertirem.

Chagando as 18:30 foi cantado o parabéns para o aniversariante, que mais uma vez fitou a porta da casa, esperando que ela abrisse e aparecesse quem ele mais esperava, mas não aconteceu. O homem de olhar ônix olhou para a esposa de olhos âmbar, e ele não sabiam o que fazer. Estava tudo como o loirinho queria, menos quem ele mais queria.

Ele acabou dando de ombros, se sentindo derrotado, e porque não, traído, afinal ela disse que vinha. Apagou as velhinhas e recebeu as palmas dos amigos e do restante dos convidados ali presentes. Tirou uma generosa fatia de bolo, entregando aos pais e a neném que ainda iria chegar a esse mundo.

Perto das 20:00 os convidados começaram a se despedir, agradecendo a festa de forma sincera e desejando muitos anos de vida, bem como tudo o que ele desejasse. Ele desejava que ela não tivesse faltado com a palavra. Pensou que algo poderia ter ocorrido com a avó dela, o que o deixou com o coração ainda mais apertado, porque aí teria sido egoísmo da parte dele a estar julgando nesse patamar todo.

As 21:00 todos já teriam ido e o serviço de buffet limpando tudo deixando impecável. Scorpius estava sentado no meio da escada, com o chapéu de festa na cabeça, olhando para os próprios pés. Severus se sentou ao lado dele, enquanto Hermione terminava de pagar os funcionários e os levava a porta.

- Eu lamento que não tenha sido da forma como você esperava – o mais velho falou, olhando para o menino.

- Foi tudo perfeito, pai. Não há razão para o senhor lamentar. Eu agradeço o dia e o esforço que vocês dois fizeram.

- Então porque essa cara de maracujá azedo?

- Ela não veio.

Era o que ele e a esposa pensavam. O moreno estava juntando uma forma de explicar ao menino que as vezes essas coisas poderiam acontecer, e que talvez algo tenha a impedido de aparecer, mas não teve chance, pois Hermione falou da porta.

-  Querido, tem uma amiga sua aqui querendo falar com você.

Scorpius arregalou os olhos, tentou não encher seu coração de esperanças, mas não poderia controlar isso. Saindo em disparada até a porta, a viu. Estava com um vestido azul clarinho, segurando um embrulho em uma sacola de papel preta. Ele percebeu que ela estava de cabeça baixa, estava com vergonha. Hermione entrou para dar privacidade aos dois.

- Me desculpe não ter vindo – ela disse ainda sem jeito – acabou que minha avó passou mal e tivemos que levar ao hospital.

- E ela está melhor?

- Sim. Minha mãe vai ficar com ela por uns dias, e só agora pude vim para casa com meu pai – foi a primeira vez que ela o olhou nos olhos – aqui, é para você. Sinto muito o grande atraso – esfregava a mão no braço dela, e ele esticou a mão dele para pegar o embrulho.

- Obrigado – disse ele com um largo sorriso – não precisa se desculpar por algo que não foi a sua culpa. É o que o meu pai sempre me diz.

- Scorpius, a chame para comer um pedaço de bolo – Hermione gritou da cozinha – sobrou muito. Assim ela pode levar para o pai dela também. Pode ser que ele queira.

O menino de olhos azuis acinzentados sorriu – e então? Aceita?

- Eu quero, mas meu pai pode se preocupar. Ele disse que eu só poderia levar o presente, até porque está tarde, e vocês devem estar cansados do dia.

- Não tem problema. Peço ao meu pai para ligar para o seu e a gente te leva até em casa quando acabar de comer e conversar um pouco. Acho que você está precisando se distrair.

Ela fez um sinal de positivo com a cabeça e entrou. Ficou lá por cerca de uma hora e severus a levou para casa com o filho de lado. Chegando lá a porta foi aberta pelo pai da menina, e Snape fora falar com o vizinho para saber se precisava de algo, deixando os dois sozinhos.

- obrigada pelo bolo – ela disse ainda sem jeito.

- obrigado por ter ido.

Ela se despediu dele, dando um rápido beijo na bochecha, o que o fez parecer um tomate de tão vermelho que ficara.

Voltando para casa, após a porta do vizinho ter se fechado, Severus aproveitou a oportunidade.

- Alguém ganhou um beijiiiiiiinho. Vou contar para sua mãe!

- PARA, PAI!

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Hermione já estava com um senhor barrigão, e tudo estava se encaminhando para os últimos preparativos da chegada de Nicole. O quarto dela era com cores claras, tinha uma poltrona no canto da parede, quadros dos três e um vazio que seria colocada a foto assim que ela nascesse, completando a família. Muitos bichinhos de pelúcia, se destacando um pequeno leão e uma cobra de pelúcia, que foi mandada fazer, o que deixou as pessoas da encomenda no mínimo achando entranho aquele pedido excêntrico.

A boneca mais do que especial que foi dada pelo irmão seria colocada dentro do berço de Nicole, que estava sendo montado por Severus e Scorpius, ou ao menos tentando. O que vale é a intenção.

- Eu ainda acho que essa peça vai aqui, pai.

- Se fosse ela encaixaria perfeitamente, não acha? E isso não está acontecendo!

- Porque o senhor errou naquela dali!!! Era para ser do outro lado.

- Está querendo sabe mais do que eu? Fui eu quem montou seu berço!

- O mesmo que caiu quando eu tinha seis meses de idade?

- ... você era um bebê inquieto! Ficava se debatendo. Eu não tive culpa – ele levantou uma das partes do berço para ver se estava tudo certo – acho que aqui está terminado, vamos para a outra parte.

- E essas peças no chão?

- Partes sobressalentes, claro.

- Hein???

A conversa findou quando Hermione entrou no quarto trazendo o que seria um lixeiro para colocar as fraldas. Notou que os dois estavam se segurando para não rirem dela.

- o que foi dessa vez? – ela colocou só um mão na cintura, já que a outra estava atrás das costas. Estava com uma senhora barrigona mesmo, e estava muito pesada – só vejo os dois de complô contra minha pessoa.

- Não é nada, mãe.

- Não mesmo, querida.

Ela ficou fitando ambos por um tempo, até que não conseguiram mais segurar e explodiram em risadas assim que ela deu mais alguns passos para colocar o lixeirinho no lugar dele.

- FALEM!

Severus levantou as mãos, mostrando que se rendia e que não queria ser abatido.

- É que... amor... sem querer te ofender, mas você está parecendo uma... é que você está andando meio engraçado e...

- Andando engraçado? – ela o encarava com real raiva – eu estou parecendo o que, Severus Prince Snape?

- Uma pata – Scorpius voltou a rir com a indignação da mais velha – mas patas são bonitas, mamãe, ainda mais com todo o gingado de quadris delas.

Ela quis matar os dois, pela milésima vez só naquele dia.

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Durante o restante da gravidez, Severus mais parecia ser um zumbi do que um homem. A esposa passou a ter os mais desejos estranhos em relação a comida. Era bolo de chocolate com sardinha, morango com macarronada de salsicha, melão com file e queijo, pudim com sal em cima.

Quando ele entregava essas coisas para comer, sentia seu estomago embrulhando imediatamente, e pensava no que realmente ocorria com o corpo das mulheres nesse período. Já Scorpius ficava ao lado do pai vendo a mesma cena, e pensando o que exatamente diferenciava o apetite da mãe com o de um alienígena.

Agora, as duas da manhã, ali estavam os dois, dentro do carro com Severus dirigindo e Scorpius adormecido no banco da frente segurando uma caixa de pizza de anjovas e abacaxi com canela, mais um milk-shake de baunilha. Snape ficava orgulhoso com o filho ajudando nessas empreitadas, mesmo preferindo que ele ficasse em casa, no conforto da cama, o menino fazia questão de o acompanhar e procurar possíveis lugares abertos para saciar os desejos da mãe.

Certa vez, enquanto esperavam a pipoca estourar e o bacon fritar, o loiro perguntou ao pai se era verdade que se a mãe não comesse aquelas coisas, Nicole nasceria com o rosto daquela comida. Mesmo sabendo que amaria a irmã de qualquer maneira, achava que não seria legal o recém-nascido com aquelas feições.

Severus estacionou o carro e o chamou, que abriu os olhos com muita dificuldade, mas desceu do veículo, seguindo o mais velho para enfim subir as escadas e colocar a caixa de pizza nas mãos da mãe, que fora logo abrindo e comendo uma enorme fatia.

Scorpius fazia uma cara de nojo. Só o cheiro era indicativo o suficiente que o que ela estava ingerindo não deveria ser considerado alimento – mamãe, tem certeza que isso não vai fazer mal para a senhora e a neném?

- Claro que não, amor – ela disse com a boca cheia, já procurando a bebida – quer um pedaço? Está tão bom!

- POR DEUS! NÃO! – os dois homens da casa falaram ao mesmo tempo.

Ela apenas dera de ombros, pegando mais uma fatia e a colocando para dentro. Severus não tinha mais um grau de energia, e desabou na cama ao lado dela, virando para ela observando sua monstra devorar tudo. O menino de olhos azuis acizentados vez o mesmo, ficando entre os pais. Ele tinha aula em algumas horas, então achava que o melhor seria tentar dormir um pouco.

- você sabe que já estamos ficando famosos pelo bairro, não sabe? – perguntou o esposo fazendo um carinho no cabelo do filho para ver se o mesmo dormia – seus pedidos estão lendários. Nenhuma outra gravida tem as mesmas vontades que você.

- não tenho culpa se não são criativas – mais um longo gole da bebida.

- Criativas? É assim que você encara seus pedidos? Como criatividade?

Scorpius que só estava meio adormecido começou a rir da conversa, mas logo ficou sério.

- Mãe, a senhora derrubou o milk-shake na cama – disse ele sem abrir os olhos.

- Hum? – Severus estava vendo que o copo estava na mão da mulher e foi quando perceberam o que teve.

A bolsa estourou.

Os dois rapazes levantaram da cama em um pulo, pedindo para que ela tivesse calma. Corriam de um lado para o outro, pegando a bolsa dela, os documentos, a bolsa pré-preparada da neném.

- Calma, amor, vou pegar o que falta.

- Calma, mãe, vou pegar a roupa da neném!

- Calma, amor, vou pegar a chave do carro!

E ela apenas olhando o desespero deles, correndo de um lado para o outro, mais perdidos do que cego em tiroteio.

- mas eu estou calma...

Assim que juntaram tudo o que precisava, entraram no carro e se dirigiram para o hospital.

- Pai...

- Sim – ele estava terrivelmente focado na estrada.

- Onde está a mamãe?

O menino olhou para o banco de trás. Esqueceram a gravida em casa.

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Horas depois, Nicole veio ao mundo. Uma menina forte e saudável, de cabelos lisos e pretos com o olho da cor avelã. Severus e Scorpius estava ao lado de Hermione, cada um de um lado da cama do hospital, observando o pacotinho embrulhado nos braços dela.

O papai todo orgulhoso pegava a menina quando a Castanha precisou dormir. O irmão mais velho tomava conta a observando no berço enquanto Hermione ia tomar banho e Snape a auxiliava com o que ela precisava.

Assim que recebeu alta foi que o mais velho lembrou bem como era ter um recém nascido na residência, ainda mais no meio da noite. Nicole era cheia de vida e demorava para dormir, além de ter um grande apetite. A mãe tirava leite, pois nem sempre conseguia ficar dando o peito direto. Quando Hermione precisava descansar, bastava Severus esquentar a mamadeira, e ele mesmo sentava na poltrona para alimentar a pequena. Ele sentia o coração aquecido com a menina dormindo em seus braços.

Já Scorpius ajudava na hora do banho, ajudava a pentear os cabelos da irmã, a dar de mamadeira, mas corria quando o negócio era trocar a fralda. Certa vez, Hermione precisou sair para finalizar a entrega de um trabalho, antes da apresentação do TCC dela, deixando a pequenina nos cuidados do homens da casa. Nicole fez cocô na fralda, mas parecia mais que era uma pequena bomba de fedor, devido aos dois estarem paramentados com luvas e mascaras, além do jovem Malfoy estar com mais um pregador no nariz. A pequenina começava a rir da cena que estava na frente deles, mas Severus estava perigosamente perto de vomitar o café da manhã dele. A partir desse dia, Scorpius corria quando se tratava da limpeza da irmã.

Em uma determinada noite, o casal estava completamente exausto. Quando estavam em um sono pesado, a babá eletrônica transmitiu o início das reclamações de Nicole.

- Eu vou lá – uma Hermione muito cansada estava para se levantar da cama. Seus cabelos estavam tão rebeldes que conseguiriam competir com o da medusa.

- Não, amor – Snape colocou a mão sobre ela para a segurar no lugar, mas ele também não estava muito melhor do que ela. Os olhos estavam com orelhas – amanhã é a apresentação do seu TCC. Deixa que eu vou agora.

- Oi, pequenina.

Os dois pararam de falar ao ouvir a voz do filho saindo pela babá eletrônica.

- Não consegue dormir? – eles continuavam ouvindo e foram levantando vagarosamente para ver do que se tratava – eu também tinha medo do escuro, mas você não precisa ficar assim. Aqui está protegida. Sabe, a gente tem os melhores pais do mundo. Eles são heróis de guerra, mega inteligentes e carinhosos. Um dia você vai ser uma bruxinha tão boa quanto eles. Eu espero que eu também seja.

O casal olhou pela porta e viu Scorpius dentro do berço, com a irmã no colo, ninando ela, enquanto continuava a conversar baixinho.

- Você tem que tentar dormir, não pode acordar a mamãe hoje. Amanhã pela manhã ela tem uma apresentação muito importante, e precisa estar descansada. Eu sei que esse mundo as vezes assusta, e que você preferia estar na barriga dela porque era quentinho e aconchegante. E já deve ter percebido que esse berço é duvidoso pela maneira como foi construído, mas aguenta essa noite, vai. Eu fico aqui com você. Vamos enfrentar isso juntos. E eu te prometo que vai ser assim com tudo na vida, afinal eu sou seu irmão mais velho.

Snape e Hermione se abraçaram ficando comovidos com o filho. Depois entraram no quarto, ajudando a bebê voltar e a dormir, e Severus explicou para o filho que o berço não tinha nada de duvidoso. No dia seguinte, a apresentação de Hermione foi um sucesso, recebendo dez no TCC, havendo uma pequena plateia com seu marido e filhos no fundo da sala torcendo por ela.

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Passada algumas semanas, em uma quarta-feira enquanto tomavam café juntos, uma coruja começou a bater na janela deles. Severus a reconheceu de longe, era a coruja de Minerva. Ele sempre soube que esse dia chegaria. Hermione abriu a janela deixando a ave entrar, entregando a carta ao filho, para logo depois dar comida e água a ave que foi embora.

Scorpius pegou a carta com as mãos tremendo em antecipação, e lá estava, seu convite a escola de magia e bruxaria de Hogwarts. Finalmente ele voltaria ao mundo bruxo, mundo esse que mal conhecia. Os Snapes voltariam ao seu lugar de direito, e nada mais seria como antes.


Notas Finais


Espero que tenham gostado. Essa quarentena tá tensa, entao porque nao ter uma leitura neh nao?
Gostaram? vale uma terceira temporada?


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