História Agorafobia - Capítulo 3


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Agorafobia, Autodestruição, Drama, Recomeço, Romance, Superação
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Palavras 903
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Álcool, Heterossexualidade
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 3 - Capítulo 2 - Sotaque estrangeiro


Sofro de Agorafobia, a maior parte das pessoas não conhece essa fobia, então vou explicar rapidamente o que é: Agorafobia é o medo de situações e lugares da quais não se possa escapar, basicamente é a fobia de estar em uma situação que não possa controlar. Como por exemplo estar no meio de uma multidão, a pessoa que sofre de Agorafobia teme que se um incêndio começar ou houver uma situação com um atirador ela não possa escapar rapidamente. Por isso o portador da fobia passa a evitar lugares e situações que não possa controlar.

É o que eu faço.

Sempre sofri de agorafobia, desde criança. Quando jovem fiz terapia, a psicóloga juntamente aos meus pais elaboraram um plano de tratamento que eu segui a risca; assim, aos 14 eu já vivia uma vida relativamente normal. E foi assim até aquilo acontecer, até aquele dia fatídico.

Não é preciso ser psicóloga para saber que a morte dos homens que eu mais amava foi um gatilho para todo o medo e ansiedade que há muito eu tinha enterrado em um lugar escuro e solitário do meu ser.

Porque eu me lembrava da sensação, e ela tinha voltado. O medo de situações que não posso controlar, a ansiedade e a angústia de estar em lugares desconhecidos, o desespero que sentia durante os ataques de pânico.

Lucas por anos foi meu porto seguro, e sem ele eu voltei a ser um bote à deriva. Lucas esteve ao meu lado por tanto tempo que se tornou parte de mim e mesmo agora, cinco anos depois, ainda não sei viver sem ele. Lucas era meu melhor amigo e Nicolas era tudo, Nicolas era meu filho, meu bebê.

Respiro fundo, Kate tem razão, não é nada saudável ficar remoendo o passado.

Me aproximo da grande janela de vidro da sala de estar e me sento na poltrona azul ao seu lado, como faço todos os dias. A poltrona rosa em frente à minha pertencia a Lucas e a roxa que tem melhor vista para a janela pertencia a Nicolas. Costumávamos nos sentar todos os dias às 6 horas para tomar chocolate quente, e é exatamente isso que faço agora, todos os dias às 4 horas. Alguns hábitos, mesmo que prejudiciais, não podem ser abandonados.

Olho pela janela, enquanto dou um gole em meu chocolate. Moro em uma pequena cidade do interior de Minas Gerais, minha casa fica em um condomínio de classe média alta, não há muito movimento nas ruas, mas mesmo assim gosto de olhar as poucas pessoas que passam vez ou outra.

Como sempre, a senhora passa às 4:15 com seu enorme cão. Logo em seguida o casal de adolescentes passa de mãos dadas. E depois disso os garotos gêmeos em seus skates.

É então que às 4:47 uma figura inusitada aparece em meu campo de visão: um homem. Ele está no final dos vinte, usa um chapéu azul e uma rosa cor-de-rosa presa atrás da orelha, sorrio, é engraçada a forma com que a rosa contrasta com sua pele corada e o chapéu de feltro azul. Ele desce de uma Range Rover branca, pára em frente a casa ao lado da minha e a avalia por alguns segundos, volta ao carro pega uma caixa e some por alguns segundos, e é tudo o que ele faz pela próxima hora.

Quando ele desaparece e não volta por 10 minutos eu deixo de observá-lo, e vou para a biblioteca onde passo o resto da tarde com outro copo de chocolate quente.

Ao contrário da maioria da população eu não gosto de café, não gosto do sabor ou da sensação enérgica que dá. Por isso tomo em média 5 xícaras de chocolate quente com marshmallow ao dia, chocolate é minha comida favorita em todo o mundo.

Hoje é dia de colocar o lixo para fora. O caminhão passa às 7h30, por isso às 7h00 em ponto eu junto todo o lixo da casa em um enorme saco preto e o arrasto até a calçada. Não há muros no condomínio onde moro, por isso meu enorme gramado da frente dá direto para a rua. Coloco o saco na calçada, estou prestes a entrar quando o vejo novamente.

- Olá - Ele diz se apoiando na cerca de madeira que separa nossas casas. - Sou seu novo vizinho.

De perto ele é ainda mais bonito, a pele é de um lindo tom marrom; o cabelo é curto; mas posso ver sinais de pequenos cachos nascendo; reparo imediatamente que ele é forte, músculos despontam da camisa social justa e os olhos são do mais lindo tom de mel que já vi. O encaro, pensando no que dizer, meu coração está acelerado e as mãos suam. Não sei ao certo o que fazer, não falo com um desconhecido há 4 anos. Tento dizer algo, mas nenhuma palavra sai da minha boca. Algum tempo se passa até que eu tome uma atitude: corro para dentro de casa.

- Espera, disse algo errado? - ouço-o gritar, quero me virar e gritar que não, que ele não disse nada de errado, que a errada sou eu, mas não consigo.

Fecho a porta atrás de mim e me apoio nela, minha respiração está entrecortada e meus batimentos acelerados. Percebo então que ainda não sei o nome do homem,  e que seu sotaque é estrangeiro, desejo voltar e falar com ele, para poder ouvir seu lindo sotaque estrangeiro dizendo seu nome. Mas em vez disso vou preparar meu jantar.



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