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História Ainda é você - Naruhina - Capítulo 5


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Capítulo 5 - Sofrência


Fanfic / Fanfiction Ainda é você - Naruhina - Capítulo 5 - Sofrência

Segui sem rumo pelas ruas por horas, tanto que nem notei quando escureceu. Eu só queria acordar daquele pesadelo, porque, obviamente, devia ser um sonho muito ruim. Não era possível, que, de fato, tinha perdido o amor da minha vida para sempre.

Não podia ser definitivo, eu sentia do fundo do meu coração que Hinata ainda me amava. Por que estava fazendo aquilo comigo, conosco?

Era tão surreal saber que não mais a sentiria em meus braços, que nunca mais apreciaria a sensação de ter seus lábios nos meus, muito menos teria o calor de seu corpo para me aquecer nas noites frias. Assim como ela fazia, quando dormíamos na mesma cama.

Eu só queria voltar atrás, para o dia em que ficamos em minha casa enquanto nevava lá fora. Aqueles dias foram tão perfeitos, nos beijamos pela primeira vez, eu aprendi o que era amar... Por que tudo não podia voltar a ser como antes?

Lágrimas lavavam meu rosto e minha alma, enquanto eu dirigia sem rumo. Até que decidi parar em um barzinho de cultura brasileira, eu sempre frequentava esse tipo de bar quando morava no Brasil. Tinha acostumado àquele tipo de cultura. Assim sendo, estacionei o carro, limpei o rosto com o dorso da mão e desci. Eu iria encher a cara, não havia nada mais que eu pudesse fazer.

Cumprimentei a atendente, com meu português carregado de sotaque e ela me sorriu grande. Na real, eu poderia me passar perfeitamente por um brasileiro, para qualquer desavisado. Era só não abrir a boca. Porque não tinha conseguido perder o sotaque durante esses anos que morei fora.

Sentei e pedi uma caipirinha, notando olhares curiosos de várias mulheres em mim. Ignorei todas, só queria curtir a minha fossa. O local possuía dois ambientes, eu estava onde dispunha de um karaokê; inclusive, algumas pessoas cantavam desafinadamente, músicas que eu aprendi como o ritmo sertanejo. Até gostava, eu tinha um vizinho, aliás, que só ouvia esse tipo de música. Consequentemente, decorei algumas na marra.

Passei os olhos ao redor, observando diversos casais namorarem naquela luz fraca, enquanto eu sofria. Respirei fundo e vi a mesma atendente trazer meu pedido, agradeci em português e ela sorriu novamente, me dando uma piscadinha antes de ir embora.

Sorri de volta, só por obrigação e virei a caipirinha de uma vez só, sentindo o líquido descer queimando pela minha garganta e anestesiar minha dor. Depois disso, pedi outra e mais outra... Quando dei por mim, estava um tanto quanto bêbado. Mas, quem se importava?

Nesse momento, o karaokê desocupou e eu levantei, apesar de alto, conseguia disfarçar bem. Tinha tolerância à bebida e ainda estava razoavelmente lúcido. Escolhi a música, vendo os olhares das mulheres se virarem para mim imediatamente. Por certo estavam estranhando encontrar um japonês naquele local.

Eu era descendente de alemães, graças ao meu avô por parte de pai, por isso os traços diferentes. Meus olhos azuis, o cabelo loiro, tais características eu herdei do meu pai, que, obviamente, herdou do finado avô que casou-se com uma japonesa. Minha mãe também não tinha somente sangue japonês. Ou seja, eu era uma perfeita mistura.

O Brasil mesmo tinha o povo bem miscigenado, eu estranhava muito no começo. Eles eram todos diferentes uns dos outros, não seguiam um padrão como no Japão. Por isso, eu me encaixei tão perfeitamente lá, o país me acolheu muito bem. Claro, graças a meu padrinho, que já morava no Brasil há bastante tempo.

Porquanto, não foi muito difícil me enturmar. Eu sempre fui bastante curioso, no que tangia a outras culturas. Por consequência, logo tinha me acostumado aos costumes do país, que eram, de certa forma, muito diferentes do país onde nasci e me criei.

Mas, deixando esses pormenores pra lá, finalmente iniciou a minha música e eu comecei a cantar, ignorando a vergonha que estava passando. Eu não estava em aí, eles iriam me ouvir, acaso não quisessem, que fossem para outro lugar.

Tantos anos no Brasil me ensinaram uma coisa. Eu estava na sofrência. E, a música que escolhi, só constatava isso.

Ela ligou terminando
Tudo entre eu e ela
E disse que encontrou
Outra pessoa

Ela jogou os meus sonhos
Todos pela janela
E me pediu pra entender
Encarar numa boa

Como se o meu coração
Fosse feito de aço
Pediu pra esquecer
Os beijos e abraços
E pra machucar
Ainda brincou comigo

Disse em poucas palavras
Por favor entenda
O seu nome vai
Ficar na minha agenda
Na página de amigos

Como é que eu posso ser amigo
De alguém que eu tanto amei
Se ainda existe aqui comigo
Tudo dela e eu não sei
Não sei o que eu vou fazer
Pra continuar a minha vida assim
Se o amor que morreu dentro dela
Ainda vive em mim... - minha voz saia arrastada, devido ao álcool, mas eu seguia cantando.

No meio da música, algumas pessoas começaram a cantar junto comigo e a balançar os braços, pareciam... estar, gostando? Quanto terminei, ouvi muitas palmas e uma mulher loira e alta chegou perto de mim com um sorriso insinuante.

— Quer que eu te ajude a esquecê-la? - sua voz soou rouca e sensual.

— Não, obrigado. - fui curto e grosso e coloquei outra moeda para liberar uma nova música.

Ainda não estava satisfeito.

A vi afastando-se emburrada e sorri de canto, coitada, como se ela pudesse me fazer esquecer a minha hime.

Suspirei e a música iniciou:

Não aprendi dizer adeus
Não sei se vou me acostumar
Olhando assim nos olhos seus
Sei que vai ficar nos meus
A marca desse olhar

Não tenho nada pra dizer
Só o silêncio vai falar por mim
Eu sei guardar a minha dor
E apesar de tanto amor vai ser melhor assim

Não aprendi dizer adeus
Mas tenho que aceitar que amores
Vem e vão, são aves de verão
Se tens que me deixar
Que seja então feliz

Não aprendi dizer adeus
Mas deixo você ir
Sem lágrimas no olhar
Se o adeus me machucar
o inverno vai passar
E apaga a cicatriz... - no final da música eu já sentia várias lágrimas escorrerem pelo meu rosto.

Aquilo não estava adiantando, segui até o caixa do bar, ainda com diversos olhares em cima de mim, agora um misto de pena e solidariedade, por fim, paguei a conta e fui embora. Minha cabeça girava e eu tinha noção de que não estava em condições de dirigir, o que faria? Claro, ligaria para o teme, ele viria me socorrer, ainda éramos amigos, apesar do tempo em que ficamos sem nos vermos. Aliás, eu até tinha ido visitá-lo há alguns dias, só para ver que ele estava feliz e devidamente casado com a mulher que amava, ela mesma, Sakura.

Bom, ele era minha única opção, se eu ligasse para o meu pai, ouviria um sermão eterno e ele me levaria diretinho pra casa, o que não era meu plano para o restante da noite, ou melhor, madrugada.

— Teme? - falei e minha voz saiu toda engrolada, tipica voz de bêbado.

Dobe, o que aconteceu? - respondeu parecendo preocupado.

— Está preocupado? - ironizei e ele bufou.

Encheu a cara, não foi? - me repreendeu. - Está sozinho? De carro?

— Estou... - cuspi as últimas palavras. - Vem me ajudar, por favor. - pedi e comecei a chorar ao telefone.

Liga o GPS do celular, estou a caminho. - ouvi em resposta.

— Obrigado, Sasuke. Você é um amigo. - eu ri, tinha ficado ainda mais idiota morando no Brasil por tanto tempo.

Sasuke não tardou a chegar, eu estava no carro, com a cabeça apoiada no volante. Mesmo alto, sabia que não devia dirigir naquele estado.

— O que você está fazendo, Naruto? - Sasuke bateu no vidro do carro. - Sabe o que eu estava fazendo com a Sakura?

— Não me conta, pelo amor de tudo o que é mais sagrado! - exclamei derrotado. - Eu tô na merda, não está vendo?

— Sai desse carro e vai pro carona, vou te levar em casa.

— Eu não quero ir pra casa. - revidei. - Me leva até Hinata.

— Tá louco? O que vai fazer lá a essa hora e caindo de bêbado?

— Se não me levar eu vou sozinho. - fiz menção de ligar o carro.

— Sai fora, eu te levo, cacete! - Sasuke respondeu entredentes.

— Obrigado. - sorri fraco e fui para o outro banco. - Lembra quando me ajudou a invadir o quarto dela?

— Lembro sim, até meu cu congelou naquele dia! - vociferou. - Nem pense em subir ao quarto da Hinata assim, você vai cair e quebrar o pescoço feito uma galinha. - ele riu. - Que merda, Naruto; esquece a Hinata e segue sua vida!

— Você esqueceria a Sakura?

— Jamais.

— Então me leva até lá e cala essa boca!

Sasuke me deu um cascudo no cocuruto e eu ri.

— Velhos tempos. - recordei.

Ele também riu.

— Senti sua falta, dobe. - confessou na sequência.

— Eu também, teme. - afirmei nostálgico.


Notas Finais


Gente, essa fanfic é universo alternativo e na minha cabeça o Naruto vem para o Brasil e curte um sertanejo raiz, ok? Hahahahahaha ❤️ e, por mais que o capítulo seja triste, eu me rachei escrevendo, porque eu imaginei o Naruto fazendo exatamente o que eu escrevi e foi hilário kkkk


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