História Ainda existe um amanhã - Capítulo 22


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Categorias Saint Seiya
Personagens Abel, Aiacos de Garuda, Albafica de Peixes, Aspros de Gêmeos, Camus de Aquário, Eiri, Hyoga de Cisne, Ikki de Fênix, Isaak de Kraken, Julian Solo, Kanon de Gêmeos, Minos de Grifon, Miro de Escorpião, Misty de Lagarto, Personagens Originais, Saga de Gêmeos, Shura de Capricórnio
Tags Camus, Camusxsaga, Drama, Hyoga, Miloxcamus, Miro, Revelaçoes, Romance, Saga, Superação
Visualizações 77
Palavras 4.059
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Festa, Ficção, Hentai, Lemon, Mistério, Misticismo, Musical (Songfic), Policial, Romance e Novela, Slash, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers, Suicídio
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Olha quem vem nesta altura da semana com a maior cara de pau. Euuuuuu.
Perdão mas, acontece intercorrências.
Pra compensar, sábado já está no gatilho.
Esse capítulo foi tenso e muito pessoal, vocês vão entender.
Pra quem acompanha desde o começo, no capítulo 4 - Inimigo Íntimo, Cristal e Camus discutem e o russo joga algumas verdades para o amigo, tá aí. Quando eu digo que tudo está na ficc e porque está.
Revelações bombásticas.

Avisos legais:
* Torturas e violência
* Suicídio

Lembranças em itálico.
Obrigada a todos que estão acompanhando.

Capítulo 22 - Até um novo amanhecer chegar II


Fanfic / Fanfiction Ainda existe um amanhã - Capítulo 22 - Até um novo amanhecer chegar II

Foram longos e deprimentes dias.

As terapias com Julian foram muito importantes para família nesta fase de negação do mestre.

Sob vigília veio a alta hospitalar.

Camus conseguia dar uns passos com auxílio do andador. Estava engraçado, mais curvado que o corcunda de Notre Dame com receio de cair. A gente dava risada e ele ralhava zangado com o irmão sarrista fazendo o chuta que eu chuto.

Em nossa casa foram poucas as modificações necessárias, corrimãos e barras de segurança.

Meu amado primo estava sempre cabisbaixo, sua paz era interrompida por Isaak que fazia Camus falar, andar e treinar o tempo todo. Ele era professor e preparador físico, estava sem trabalho devido suas internações mas fazia um ótimo homecare, melhor que qualquer fisioterapeuta.

Enfim, vejo a luz em minha casa.

…….


 

- Camus vou levar umas tralhas no entulho e na volta passarei no depósito para comprar tinta e removedor. Sasha fez umas artes nas paredes que sabão nenhum tira.

- É o potencial artístico dela. Nunca pode fazer nada. Falam não e não pra tudo. Vocês são muito chatos.

- Com tantas revistas e folhas de colorir precisa desenvolver seu potencial nas paredes? Ela já está bem crescida para entender isso.

O francês espalmou as paredes até localizar o sofá e sentar-se. Ele estava dez quilos mais forte, comia só porcarias, era possível notar seus  músculos e as gordurinhas localizadas.

- Ao menos podes ver suas criações. E eu? Vivo no escuro?

- Ah não Camus. Respira e vamos animar. Quantos deficientes ouvimos falar que são escritores, artistas e professores? Foca no seu braille que logo estará lecionando para crianças com ausência de visão. Sei que é capaz. Lembra a escola que Julian nos levou? O diretor é deficiente visual desde criança.

- Não é justo Hyoga. Todos estão perdendo tempo comigo. Sou um peso...

- Eu nunca perdi meu tempo mocinho. Fiz exatamente o que faria no meu lugar. Estou errado Sr. Versalhes?

- Tens razão. Me desculpe.  - seu sorriso mesmo forçado era bonito. - Adoro quando me chama de, pai. - ele sorri. - Sempre quis ser o melhor e te dar o que nunca tive. Pra você e pro Izzy. Meus dois filhos.

- E eu adoro dizer-lhe isso Pai. Quando voltar leio as cartas de Monaliza. Ela mandou duas esse mês com fotos do filhinho Dengel. Fofo ele. Parece com… você. - Sorri. - Creio que ela não sabe de sua deficiência mas, o menino é lindo, cabelos escuros esverdeados, branquinho, olhos marcantes iguais aos teus. - sorri e ele pareceu satisfeito.

- Depois quero que escreva para ela. Faz tanto tempo que foi para o Brasil, estava grávida. Seu sonho era ser mãe. Ela foi a única lésbica que conheci que não parecia com uma. Tão doce, calma e tão feminina.

- Volto rapidinho e agente conversa ok?

- Me trás um alfajor. Tô com vontade. - sorri com seu pedido e beijei sua testa.

 

Me certifiquei que estava tudo seguro e em ordem. Isaak estava limpando o carro, aproveitei e pedi umas ferramentas de pintura da garagem.

 

Me encontro com Cristal no mercado e retornamos juntos.

- Chegou bem na hora de ajudar com a obra de sua filha. Precisa ver o talento que ela deixou na sala.

- Ai, jura. Não sei mais o que fazer Hyoga. Ela está regredindo, inventando histórias, sonhos e amigos imaginários.

- Crianças são assim quando reagem negativo ao divórcio dos pais. Julian não atende crianças?

- Não. Agora que Sheila está morando com o Lune, ele pode usar isso contra mim. Aquele cara quer tirar minha filha e meus direitos.

- Esse idiota. Você é um ótimo pai. A menina te ama e dúvido que eles consigam te separar dela.

- Ontem peguei Sacha contando as bonecas que o padrinho dela iria se enforcar. Falou que ele precisava morrer para voltar a viver, só assim voltaria a enxergar. Me arrepio só de lembrar. Perdi a cabeça e dei umas chineladas nela.

- Credo. Deus é mais.

- Ela inventa cada coisa. Tenho até vergonha de falar. Disse até que vou… tipo que eu vou namorar o Isaak. - Jadhes corou com o dizer. - Fiquei tão aborrecido, aí surtei e dei umas nela.

- Aguenta firme Cristal. Estamos todos saturados mas, ela é criança. Não fez por mal. Dê certo ouviu as lamúrias do padrinho dela e imaginou isso. Ela gosta muito do Izzy. Vai saber o que falam na casa dela. Procure puxar dela as origens dessas histórias.

- Sim, sim.  Também vou rever com os advogados nossa situação com a guarda, a pensão e meus dias de visita. Sheila está estranha depois que oficializou o casamento. Faz viagens repentinas sem avisar e agora, quer morar em Moscou. - O russo bufou esgotado.

- E você deu umas chineladas na menina? Quando a mãe souber. Aiai.

- Era de pantufa, nem doeu. - rimos da situação.

De fato o amigo de meu pai era muito molenga.


 

Ouço gritos pavorosos de nossa casa. Parece ser Isaak. Deixo cair as sacolas e corro rapidamente a residência.

Senti minha vida esvair pelos poros.

- Naaaaao...

Camus estava pendurado em uma trança feita de suas gravatas. A face arroxeada marcada por vasos sanguíneos  e a língua fora da boca praticamente preta. Ele busca por fôlego com sofreguenistão, olhos esbugalhados e braços e pernas se debatendo.

Horrível.

Isaak berrava sustentando desesperado o irmão.

- Alguém me ajuda por Deus. Não me deixe irmão. Não me deeeeixa...


 

Camus seguiu com vida a emergência. Se não fosse a rápida intervenção de Isaak, ele não teria essa chance.

Infelizmente para Izzy, foi mais que traumático. Ele teve a pior das recaídas. Depois de dias desaparecido, Cristal o encontrou em uma viela, sujo, alucinado, totalmente fora de si. Izzy teve uma overdose seguida de convulsões e parada respiratória.

Nosso mundo caia.

Meu primo menor sobreviveu por um milagre enquanto Camus,  desistia de viver.

 

Um mês depois

 

O francês estava muito melancólico. Recordava nossa infância, momentos felizes com minha mãe e com os dois garotinhos que sempre cuidou. Camus cantou  cantigas da infância com emoção e saudade. Talvez porque acreditasse que aqueles foram os dias mais felizes de sua vida.

Seu irmão reagiu ao ouvir sua voz.

Izzy e eu tínhamos pouca diferença de idade e estatura. Camus nos mimava por igual. Combinava nossas roupas, corte de cabelo, sapatos e brinquedos. Parecíamos irmãos gêmeos. Lembro que ele cantava essas canções e belas histórias quando íamos dormir. Era tanto amor que Isaak o via como seu tudo, seus verdadeiros pais.

Nos ensinava a ser gentis e amáveis. Camus era carinhoso e responsável, sempre estava a nos defender.

Meus olhos se ardem com as lembranças, Eire me abraça com carinho.

- Seja forte amor. Ele vai sair desta. Não desista.

- Eu não tô aguentando mais Eire. Não sei se consigo.  - chorei nos braços de minha namorada que me afagava os cabelos em seu apertado abraço.

 

Aquele incidente teve que acontecer. Os médicos disseram que ao comprimir a circulação da carótida, houve uma irrigação sanguínea maior ao cérebro e nos vasos capilares que se romperam deixando os globos oculares com traumas e vermelhidão. Sua visão foi restaurada e ele voltou a luz.

Julian acreditavam que a cegueira poderia ser uma defesa de negação a todos os traumas de meu primo na vida. Com a certeza do sucesso do suicídio, o cérebro desbloqueou sua deficiência psicológica e devolveu a luz de seus postigos.

………

 

Minha tia estava com mais frequência no hospital. Ela ajudava com os afazeres da casa, cozinhava e congelava as refeições. Desta vez, estava sociável e até ficava com Camus de bom grado. Aquela tentativa de suicídio mexeu muito com seu interior.

O ruivo dormia em tempo integral. Nem se dava o trabalho de ir ao banheiro. Quase todo dia urinava na cama e nem incomodava por ficar molhado ou assado. O homem perdeu toda sua autoestima.

Os dias passavam e ele parecia sentir falta da cegueira, seu mundo era um isolamento total.

Dias e noites, sol e chuva se passavam. Camus seguia mórbido esperando a morte lhe aceitar de bom grado.

Numa tarde, fui fazer alguns pagamentos e deixei minha tia com os filhos. Assim que ela entrou no quarto do mais velho foi abrindo as cortinas.

- Porquê faz isso? Parece gostar de me irritar. Que inferno. - o filho bravejava intolerante pela claridade.

- Basta com isso Camus. Esse cheiro de mofo é devido a falta de luz. Esse quarto precisa de purificação.

- Desde quando se importa Angelina Rousseau? - Camus deu de costas. - Vá embora. Sua presença que infecta o ambiente.

A francesa ficou a pensar e suspirou desconsolada. Recentemente ela estava muito estranha.

- Eu sinto que vou morrer a qualquer momento e estou com medo. Preciso de meus filhos. - a mulher de aparência arrogante sentou-se. - Meus vizinhos estão todos indo embora e eu estou ficando para trás... sem ninguém.

- Foi o que plantou. Nunca foi gentil e amável. Fico a pensar, como pode um mesmo útero gerar tia Natassia e você?  - Camus voltou-se para a mulher. - Porque mãe? Porque sempre me odiou? Foi pela gravidez que a impediu de ser bailarina? Qual minha culpa?

O ruivo parecia o náufrago com a barba por fazer e descabelado porém, consciente buscando a verdade pelos misteriosos olhos de sua mãe. Com seu francês impecável e belo, a mãe resolveu se abrir.

- Eu fui má e invejosa quando moça Camus. Meu balé era único e perfeito. Menosprezava todas as outras bailarinas e sempre era escolhida para os mais importantes eventos. Aos dezessete anos, tinha minha sala de aula infantil. Um dia fui na casa dos Versalhes com minha mãe, ela trabalhava como doméstica lá. As moças que frequentavam, sempre iam bem arrumadas pois seus filhos, eram os mais belos de Paris. Nesse dia vi o tenente Krest Versalhes, o filho mais velho. Me apaixonei. Fui a lavanderia externa levar umas roupas e me escondi ao vê-lo. Porém, uma moça  também entrou. Ela o beijou ardentemente e fizeram amor ali, escondidos, feito dois devassos profanos. Ela era Hilda, prima deles. Achei inaceitável aquilo, primos e pecadores. Infelizmente fui descoberta por seu irmão Andreas, o ruivo cobrou alto por seu sigilo.

- Tio Andreas? - Camus ficou interessado e curioso com o passado de seus pais.

Angelina se virou limpando a mesinha de refeição, estava tensa e decidida prosseguir.

- Fiquei dias desejando ser ela, ter aquele homem me tocando, me amando. Num baile oferecidos por sua família, fui bela e formosa, pronta para conquistar meu militar. Eu era pura, donzela e certa para ele se casar. Depois da valsa, Krest e Hilda assumiram o noivado. Trocaram alianças e foram aplaudidos por seus pais. Sai correndo em lágrimas até me esbarrar em Andreas. Ele me arrastou até um quarto e… ele era jovem mas sedutor, sua cabeleira vermelha até às costas faziam as mulheres se derreterem. Naquela noite, sofrendo por não ter o homem de meus sonhos, me entreguei ao seu irmão. Foi nosso segredo eterno. De fato, foi a única vez que… um homem gentilmente me tocou. A primeira e única vez. - a francesa engoliu o choro. - Andréas me prometeu ajudar conquistar seu irmão e impedir seu casamento. Krest voltou do exército e foi beber com os amigos. Acabou bêbado e não se aguentava de pé. Andreas me ajudou levá-lo até um quarto de uma pocilga do bairro. Despi seu corpo belo e me ofereci mas Krest, estava muito bêbado e não conseguiu fazer nada, acabou dormindo pesadamente. Fiz um corte e deixei o sangue verter no lençol. Quando Krest acordou, ficou desesperado ao me ver ali nua. Sabia que eu era donzela e que seria um escândalo aquilo. Me levou pra casa, jurou que me recompensar por seu mal porém, sua noiva não poderia jamais saber. Ele se casaria e me sustentaria por toda a vida. Não tens idéia de como me senti uma ramera abandonada. Ele não se importou com meu sonho de ser mãe e esposa. Fui aprovada no Cisne Negro e convidada para seguir a companhia de dança na Rússia. Seus avós ficaram tão honrados e felizes. Chegou o dia do casamento de Hilda e eu, fui reprovada da companhia por estar grávida. Desesperada e vendo uma única luz, fui a igreja e revelei a todos o ocorrido. A cerimônia foi cancelada e Krest obrigado por seus pais a se casar comigo. Um sonho por outro. Foi num domingo nosso casório, algo simples mas era minha honra protegida. Ao fim da cerimônia, Hilda foi encontrada morta na sala dos Versalhes. Ela tinha se enforcado. Precisei ser forte e tolerante com o desespero de meu marido que amava sua prima imoral. A única mulher que foi capaz de amar. Nem seu nascimento o confortou. Meu bebê era tão lindo, parecia de porcelana. Ele nunca o segurou no colo, nem em seu batizado foi. Krest se tornou um homem frio e amargo. Se deitava comigo apenas para seu alívio, sem amor, sem carinho. Sua maldita avó paterna era apaixonada por ti, dizia ser igual a ela, creio que para não dizer Andreas. Krest te repudiava por ser o causador da morte de sua amada todavia, ficou do meu lado como cavalheiro. Meu marido virou um fervoroso religioso devoto das tradições e eu o segui, precisava ficar do seu lado. Fiquei grávida novamente e acreditei que ele iria aceitar nossa família mas, me enganei. Isaak nasceu semelhante com ele porém, Krest não conseguia amar meus filhos. Nesta época você morou dois anos com sua avó. Achei bom, seu pai te repudiava e vivia a espancá-lo sem motivos. Andreas morreu em um acidente aéreo cinco anos depois, ele sempre foi muito carinhoso contigo e com seu irmão. Não se casou e nem... teve filhos. Quando seu pai te pegou aos beijos com aquele garoto, disse claramente saber que não era seu pai. Preferiu não me desonrar e esperava viver para ver o fruto do meu pecado se autodestruir pelos meus erros. Ele quase te matou aquele dia, te jogou  na rua sem nenhuma piedade e eu... não fiz nada. Daquele dia em diante comecei viver meu luto, meu sonho de ser amada pelo homem que desejei para pai de meus filhos. Krest faleceu e me deixou sem nenhuma memória boa da nossa união, apenas reputação e lendas de boa família. Tudo que fiz por amor, foi em vão, nunca fui feliz.

 

Os olhos do ruivo estavam petrificados com as revelações. 

Agora entendia seu sofrimento e rejeição.

- Creio que a solidão está te deixando louca Dona Angelina.

- Quando você se pendurou naquela corda para se enforcar, foi como… como se Hilda viesse me torturar por minha mentira. Tudo veio à tona. - a mulher enfim, chorava.

Camus seguiu ao banheiro fitando-a com mágoa.

- Tio Andreas sabia? Sabia que era meu pai?

- Não Camus. Ele te amava muito mas nunca soube. Sustentei que engravidei da bebedeira de Krest. Menti o tempo da gravidez para que ninguém desconfiasse. - Angelina se aproximou suplicante. - Me perdoa filho. Por todo mal que sofreu. Foi minha culpa seu sofrimento nunca ser amado por um pai, não ter uma mãe…

- Eu tive uma mãe. Uma que me recolheu daquela rua onde fui atirado feito um verme. Você lembra? Eu estava nu e ensanguentado quando ela me acolheu com amor. Ela se chamava Natassia e foi mais que uma mãe na minha vida. - as lágrimas de Camus escorriam. - Ela não teve medo de se doar e viver. Foi mãe solteira e honrada. Estudou e deu tudo  ao filho, amor de pai e mãe, não se importando em dividir comigo, de acolher o sobrinho gay, um garoto ferido e mal amado…

- Filho eu… eu tive medo de perder seu pai, de ser infeliz.

- E para isso fez da sua própria vida um inferno. Não pensou no futuro. Se tivesse um coração no lugar desta pedra tinha agarrado seus filhos e ido embora. Não se importaria de viver uma vida humilde, de voltar para casa de seus pais, de lavar roupas ou trabalhar em um mercado. Seria uma mulher de honra, seria mãe.

- Eu fiquei por vocês. Pra garantir um futuro...

- Mentira Angelina. Voce podia ter mudado pelo menos por Isaak...

- O que eu pude fazer fiz. Você acha que seu pai não me cobrava por deixar Natassia levar vocês naqueles passeios e para sua casa. Isaak fugia de casa…

- Ele fugia para sobreviver e vocês o fizeram ser um garoto infeliz e doente.

- Pare Camus. Não sabes o inferno que vivi com o vício de seu irmão.

- E você sabe o inferno que ele viveu mamãe? Sabe? Vocês foram os culpados do mal que caiu sobre meu irmão. Se mudaram para ninguém saber dos problemas que Isaak sofria e deixaram ele a própria sorte. Meu irmão pereceu com um pai violento, vendo minhas agressões diárias. Eu apanhava simplesmente porque acordava vivo. Não tens idéia da sorte que tive quando SEU MARIDO me pôs a rua. Foi minha salvação. Infelizmente meu coração ficou para trás, pois deixava meu irmãozinho. Eu deixei Isaak sofrendo nas mãos de dois MONSTROS.

- Piedade filho. Estou velha…

- Você que deveria ter morrido naquela explosão, você que deveria estar nas águas da Sibéria. MOSTRO. VOCÊ É UM MONSTRO SEM CORAÇÃO. Me esqueça de vez, me deixe morrer em paz.

- Camus…

O ruivo entra ao pequeno banheiro fechando a porta. Ele não se aguentava mais, mordia os lábios até sentir o gosto do sangue. Chorava amargamente enquanto puxava seus cabelos entre os dedos. O pai que sempre tentou entender era uma ilusão, ele era órfão.

- Perdão filho… - a mulher ficou jogada ao chão enquanto chorava. Apertava o peito rancorosa por sua existência, pelo abandono do mais velho e de tudo que nunca conseguiu viver.

Agarrado aos joelhos Camus se entregava as suas tormentas, seu sofrimento cada vez mostrava o quanto era insignificante sua existência.

 

O jovem Isaak Luke Versalhes desacordado a dias ao leito da semi intensiva gemia fraco, vagarosamente remexia a cabeça como se tivesse um pesadelo.

- Irmão…

 

Flashback

 

Camus entrava rápido no quarto, estava todo machucado após mais uma surra do  nosso pai. Lesões e hematomas das marcas do fio do ferro nas costas e pernas. Soluçava baixo.

Ele se sentia diferente e carente, tinha apenas um amigo, Cristal, o qual nosso pai vivia a fazer comparações. Meu irmão foi flagrado em um singelo beijo com um jovem de dezesseis anos. O ruivo estava amedrontado com o desfecho de seu primeiro beijo com um garoto. Imaginando que seria levado para um internato, foi ao quarto ficar comigo. Tentar se despedir.

Eu estava quase a cochilar mas senti o afago de suas mãos em meus cabelos. Camus era franzino, os cabelos vermelhos até o ombro.

- Oi irmãozinho. Eu vim dizer que te amo muito. Nunca se esqueça disso e por favor… não tenha vergonha de mim. Nunca deixe de acreditar no meu carinho. - ele me beija a testa. - Aconteça o que acontecer, seja forte. Um dia, agente vai se reencontrar e viveremos a nossa família. Prometo que voltarei pra te buscar. - senti as lágrimas quentes cair a minha face. - Sempre vou te amar.

- Mon frère... ( Meu Irmão...)

- O QUE ESTÁ FAZENDO? - o grito nos assustou.

- Pai. - Camus tremia. - Eu, eu tava contando uma história pra ele dormir.

- Balbuciava coisas imorais ao seu ouvido não é? Confesse seu pervertido? Eu vi sua mão alisando meu filho. - o jovem ruivo de quatorze anos sentia medo.

- Não ia fazer mal algum pai...

- EU VI SUA INTENÇÃO.

- Krest, por favor... - minha mãe tentou falar algo mas logo baixou a voz e o olhar.

- CALE-SE PECADORA. - gritou afugentando a mulher. - Vá terminar meu jantar pois eu, eu vou ensinar meus filhos a serem homens de verdade. - chorando a mulher consentiu saindo.

Krest pegou da penteadeira uma escova com cabo de madeira.

- Venha até aqui Camus

- Sim senhor meu pai.

- Abaixe suas calças.

- Pai. - o jovem temendo a crueldade de nosso pai deixou as lágrimas caírem. - Por favor.

Eu também comecei a chorar .

- Cê cala essa boca Isaak. Quer ser viadinho feito seu irmão? QUER?

- Não senhor.

- RESPONDA.

- Não senhor.

- ENTÃO OLHA E VEJA O QUE ACONTECE COM OS VIADINHOS.

Kreat socou a face de meu irmão o fazendo cair, desceu suas calças e o ajoelhou a sua frente.

- Não pai... - Camus cuspia sangue.

- Se gritar Camus, eu juro, eu juro que te mato na frente de seu irmão. - o homem de cabelos esverdeados faltava babar em fúria.

- Por favor pai. Eu nunca mais vou chegar perto de um garoto. Eu juro que vou pra igreja, serei padre. Viverei num internato em busca de redenção. Por favor... - o adolescente implorava enquanto seu pai lhe abriu as pernas. - Na frente do Izzy não papai, por Deus. Não me machuque mais. - ele gritava apavorado.

- Gay maldito. Aberração. Gosta de tomar no rabo heim? ENTAO TOMA ISSO...

- Aaahhhhhiiii.

Cobri meus olhos no pânico de ver meu pai socar o cabo daquela escova em meu irmão. Ouvia seus gritos de dor e senti muito ódio dentro de mim. Forçado pelo pescoço a não cair enquanto o objeto entrava e saía lhe rasgando as entranhas.

Nunca presenciei tamanha crueldade de um pai contra um filho.

- Por favor meu pai. Misericórdia de mim...

Assim que meu irmão caiu, ouvi a cinta cortar o ar e lhe acertar as nádegas nuas.

- É para olhar Isaak. Olha bem pro seu irmão bixa e aprenda a ser homem. Olha o que acontece com quem é pecador.

Me enchi de coragem e pulei da cama segurando a fivela  nas mãos.

- Deixa meu irmão em paz seu monstro Maldito. Eu te odeio… - tomei uma cotovelada na face que voei.

Eu tinha seis anos e vi Camus ser pisoteado e agredido feito o pior criminoso do mundo.

O adolescente foi arrastado todo ensanguentado pelos cabelos até a rua. Atirado feito um animal enxotado ao asfalto.

- Eu só não te mato porque não quero sujar minhas mãos com seu sangue imundo.

- Pai… por favor.

Vizinhos, curiosos e colegas de nossa escola corriam a rua para ver a vergonha do jovem exposta. Camus se abraçava em desespero.

- De hoje em diante não é mais meu filho. Nunca foi. SEU GAY MALDITO. SEU MARICAS IMORAL.

Chorando diante de toda aquela plateia, Camus foi obrigado a caminhar como ordenado pelo quarteirão ao som de fiveladas as sua costas. Nossa mãe apenas engolia o choro me apertando para não correr até  meu amado irmão. Eu gritava enlouquecido por algum socorro.

O jovem francês andou três quadras até encontrar nosso anjo. Uma longa cabeleira loira e esvoaçante corria a sua direção. Camus esqueceu de sua dor e nudez e com a pouca força que ainda lhe restava correu aos braços da mulher.

- Me ajude minha tia...

- Camus...

Natassia abraçou o garoto e chorou com ele. A jovem dita como má exemplo por ser mãe solteira acolheu o sobrinho com amor e nunca mais o deixou ser humilhado novamente. 

Camus se tornou um grande homem com seu apoio.

..........

 

Abro os olhos sonolentos após uma antiga e triste lembrança.

- Ele acordou Doutor. Isaak acordou. - conheço aquela voz, aqueles olhos azuis acinzentados tão belos. Vejo a face de meu tão amado Cristal.

- Izzy. Que bom que acordou. Não desista, respire de vagar.

- Cristal e, e... meu irmão?

- Ele vai ficar bem. Calma. Não fale nada.

- Eu vi ele morrendo. Não minta pra mim... - falei com dificuldade e temendo a realidade.

- Camus está vivo Isaak. Você o salvou. Meu grande herói. Você o salvou. - senti seu confortante abraço e suas lágrimas de recepção. Eu amava sigilosamente nosso amigo.

Naquele instante eu decidi voltar. Por aquele homem ao meu lado e por meu irmão.

Minha história será diferente. Eu prometo que o sofrimento de meu irmão não será em vão.


Notas Finais


E aí?
Travou?
Vamos destravar.
Foi um dos piores a escrever. Olha que resumi muita coisa e cortei, não suportaria ver meu Camyu sofrendo. É por isso galera, esse amor focado no irmão e em Hyoga. Por honra a sua tia ele jamais deixaria o primo.
Alguém Chorou? Porquê o gente que chora nesta ficc.
Pobrezinho. Que revelações de sua mãe. Participação especial de Krest, Andreas. Gostaram?
Praticamente explica o capítulo 4 e 5. Um revew de Hyoga e Isaak.
Era possível Camus não cair em depressão? Difícil.
Sobre Sacha. Alguém tem observado essa garota?
Agradeço a todos até aqui. Façam críticas, sugestão, se fui contraditória me ajudem a corrigir ok.
Muito obrigada e... Tem perfil Calisto.
Abraços e até sábado.


Angelina Rosseau Versalhes

Nascida 01/12/1966 ( +/- 51anos)

Filha de pais russos, nasceu e viveu em Paris - França.

características: olhos castanhos avermelhados, cabelos castanhos. Estatura média, magra. Altiva e de olhar frio.

Irmã mais velha de Natassia. Determinada, ambiciosa e astuta para seu tempo. Desesperada por seu amor não correspondido pelo tenente do exército Krest Versalhes se aproveitando da embriaguez do homem dez anos mais velho, seduz e finge uma gravidez para se casar com o militar no lugar de sua prima de primeiro grau.
No dia de seu matrimônio, a noiva abandonada comete suicídio tornando o ex tenente da França um homem amargo, indócil e infeliz até seus dias finais.
Com ele teve dois filhos que não tornou o ex tenente e atual metalúrgico afetuoso. Um casamento conservador sob ditadura. Submissa, não defende o filho mais velho ao se revelar homossexual. Apenas assisti o filho ser enxotado as ruas. Satisfazer o ego autoritário do esposo, não vê a opressão do caçula e tão pouco sua depressão após o acidente que leva a vida de sua irmã e o mesmo cair nas drogas e prostituição.
Mesmo após a morte do marido não tem tolerância ou compaixão. Preconceituosa, discrimina os dois filhos.


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