História Ainda gosto dele |hunhan| - Capítulo 17


Escrita por: e fyhluge

Postado
Categorias EXO
Personagens Baekhyun, Chanyeol, D.O, Kai, Kris Wu, Lay, Lu Han, Sehun, Suho, Tao
Tags Hunhan, Luhan, Mpreg, Sehun, Yaoi
Visualizações 641
Palavras 11.710
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Fluffy, Lemon, Romance e Novela, Yaoi (Gay)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Gravidez Masculina (MPreg), Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Pessoal, não vou fazer um texto aqui nas notas iniciais para não tomar o tempo de vocês, então vejo vocês nas notas finais. Desculpem os erros e boa leitura! ♥

Capítulo 17 - Inconstância


Fanfic / Fanfiction Ainda gosto dele |hunhan| - Capítulo 17 - Inconstância

SeHun

 

— Amor! Onde você colocou as minhas meias? — pergunto enquanto tiro algumas peças de roupa da gaveta e depois as jogo no chão do quarto, na tentativa desesperada de achar um mísero par de meias.

Irene tem mania de ficar arrumando as minhas coisas. Não, essa não é a parte ruim da coisa. É que quando ela arruma as minhas coisas, acaba mudando tudo de lugar. A gaveta, que antes era a de gravatas, agora é a de cuecas; a que era de meias, agora é shorts, e por aí vai.

— SeHun — ela fala, com aquele tom calmo (como se eu fosse uma criança que não encontra um brinquedo). Ela não me olha enquanto fala, pois está deitada e concentrada, olhando uma revista de noivas. — Já falei que estão na última gaveta...

Não falou não.

— Então tá.

Jamais que eu ousaria começar uma discussão com Irene às 7:30 da manhã. Ela sempre ganha e isso me irrita. Por que eu nunca tenho razão, caramba? Até quando eu tenho razão, acaba que no final eu não tenho razão!

— Amor — Irene me chama quando estou prestes a sair do quarto, e eu me viro para olhá-la — Estou pensando em chamar alguém para cantar em nosso casamento. Não quero só um cd tocando, quero uma voz ao vivo com alguém tocando violão... o que você acha?

— Eu acho ótimo, mas por que quer isso agora? Lá em Jeju você até me disse que o casamento poderia ser só eu, você e o padre — dou risada.

— Eu mudei de ideia. Quero chamar mais pessoas. Minha família, a sua... — ela fala enquanto divaga um pouco — O LuHan me deu uma dica ótima, ele-

— Quem?! — A interrompi imediatamente após escutar o nome do meu ex-marido.

— O LuHan — ela responde sem perder a expressão. — Ele está me ajudando com o nosso casamento e-

— O que você disse? — a interrompo novamente e noto a sua sobrancelha arquear levemente e seu olhar voltar-se para mim. Agora eu tenho toda a sua atenção. — O LuHan está ajudando você a organizar o nosso casamento?!

Fecho a porta do quarto e começo a caminhar em sua direção, ignorando completamente o fato de não querer procurar discutir com Irene às 7:30 da manhã.

Ela percebe que estamos prestes a ter uma briga, então se levanta da cama e vem até mim, com uma das mãos apoiadas na cintura.

— Por que está falando com esse tom irritado, SeHun?! Ele só está me ajudando, até porque eu nunca me casei, e ele sim, então pedi a ajuda dele! E, como eu já esperava, ele foi muito gentil e aceitou, então por que você está fazendo dessa situação uma coisa tão absurda, hein?!

— Irene! Você consegue se ouvir?! — perco um pouco o controle. — Você pediu ajuda para o LuHan! Meu EX-marido! Tem noção do que fez?!

— Sim! Eu tenho noção! Eu só pedi ajuda para alguém que sabe alguma coisa de casamento!

Isso não pode estar acontecendo.

Bagunço um pouco meus cabelos e a encaro novamente.

— NÃO! PARA DE FALAR ISSO! Você poderia ter pedido a ajuda de alguma amiga sua, Irene! LuHan não é qualquer pessoa, ele já foi meu esposo, então não era para você ter pedido justo a ajuda dele, porra! — Ela senta na cama novamente e se encolhe um pouco. Eu devo ter dito algo que a magoou, mas agora não consigo me arrepender das minhas palavras.

Não aguento mais olhar para o rosto dela, então me viro e suspiro fundo. Não acredito que Irene foi capaz de pedir justo para o LuHan, meu Deus!

E por quê porras ele aceitou? LuHan só pode estar ficando doido! Ou...

— SeHun, eu não entendo... — Irene murmura.

Ela não fez isso por maldade, eu não consigo nem cogitar essa possibilidade; mas isso não apaga o erro dela.

— Desista dessa ideia absurda, Irene! Está me ouvindo? — me viro novamente para encará-la. — Não quero você pedindo ajuda nenhuma ao LuHan. Nenhuma!

Ela faz um bico revoltado e levanta da cama de supetão.

— Quer que eu peça ajuda para alguma amiga minha?! Que amiga?! Acha que eu sou cercada de amigos, SeHun? Acha que eu sou popular? Quando foi que você me viu saindo para "noite de garotas"? Hm?! Me diz! — ela despeja tudo em minha cara, e continua: — Desculpa se eu vejo o LuHan como amigo! Desculpa se o seu EX tem me dado mais atenção do que você, que será o meu marido! Desculpa, okay?! Desculpa!

É então que ela começa a chorar. Pela primeira vez eu sinto raiva do som do choro dela. Caramba, me parece tão falso.

— Para de chorar, Irene! Não percebe o tamanho do seu erro?! Por que caralhos você foi escolher justo o LuHan para ser o seu amigo?!?

— E desde quando se escolhe amigos, SeHun?!

— Quando foi que você começou a ficar burra?! Sério, suas palavras não fazem sentido algum, Irene! Pelo amor de Deus, se toca!

Sinceramente, eu já estou muito irritado. Muito mesmo. Irene só pode estar brincando comigo.

— Você acabou de me chamar de burra?! SeHun!

— SIM! Você foi burra em ter chamado o LuHan 'pra te ajudar! Burra, burra e-

Sinto um forte tapa do lado esquerdo do meu rosto. Tão forte que faz meu rosto virar.

— Nunca mais... NUNCA MAIS, fale comigo dessa forma! — olho para Irene e vejo seus olhos vermelhos. Vermelhos de raiva pura. — Acha que eu sou burra, SeHun? Acha que eu não percebo as coisas que você faz? Hein?!

— O que está querendo dizer com isso? — pergunto, com a mão no rosto, na parte que levei o tapa.

Ela ri.

— Ah, SeHun, sinceramente... — ela se senta na ponta da cama e cruza as pernas. — Saia da minha frente. Agora.

Dessa vez quem dá risada sou eu.

— Desde quando você acha que manda em mim?

— Se você não sair, eu vou fazer com que o LuHan faça muito mais do que só me ajudar com os preparativos.

— Oi?! E você ainda diz que o considera como amigo? Que tipo de amizade é essa? — me aproximo bastante dela, só para que ela olhe nos meus olhos. — Você quer a ajuda de LuHan, ou você só quer lembrar para ele com quem você está se casando, Irene?

Eu não estou reconhecendo a Irene.

— SeHun! Eu não quero magoá-lo! É que você-

— CALE A BOCA! — falo, apontando meu dedo na cara dela. Vejo seus olhos se arregalaram, mas continuo: — Se você pensar em colocar o LuHan nisso de novo... Se você sequer pensar em usá-lo para me atingir... Ah, Irene, você vai se ver comigo — falo em tom de ameaça.

Irene não fala mais nada. Acho que minhas palavras finalmente a deixaram sem reação. Como eu não aguento mais ver a cara dela, pego o que preciso para sair. Tomo alguns minutos em frente à porta até me acalmar. Não estou em condições de dirigir, a raiva que estou sentido me deixa cego, e eu posso causar um acidente.

A raiva não passa. Parece que a cada segundo que se passa, com mais raiva eu fico. Mas não é pela minha discussão com a Irene, e sim porque o mundo quer a minha cabeça em uma bandeja.

Sem demorar mais um segundo, pego meu celular do bolso, já desbloqueando a tela e abrindo a minha lista de contatos, e digito o nome do LuHan. Cogito em ligar, mas ele vai desligar na minha cara se eu aumentar o tom de voz — coisa que eu iria fazer mesmo porque estou puto — então resolvo mandar uma mensagem pelo Kakao mesmo.

Digito com tanta raiva que é possível a tela rachar de tanto que eu aperto o touch com força.

 

LuHan

 

— Junmyeon, você quer morrer? — pergunto após o endemoniado ter feito aquela pegadinha da sujeira na blusa pela milésima vez.

Eu sempre acredito quando ele fala: "Olha, tem uma sujeira aqui", então eu olho e ele passa o dedo podre dele na minha cara. Mereço!

Por que eu sempre caio nessas coisas? Eu lembro que quando eu mais novo, tentava fazer essa brincadeira com o Jongin, mas ele nunca caía. Af.

— Você é muito bobinho, LuHan — ele diz depois de se jogar no meu sofá e colocar as pernas 'pro alto. Um folgado mesmo. Como sou chato, me joguei em cima dele e comecei a fazer cócegas em sua barriga. — Você é muito chato! P-PARAAA!

Sua risada alta faz com que HunJin apareça na sala correndo, todo pelado e molhado. Céus, minha casa virou um hospício.

— GUERRA DE COSQUINHASSSS! — meu filho grita e depois se joga no sofá também, molhando todo mundo, inclusive meu lindo sofazinho. Ai.

Eu até reclamaria com ele agora, mas o bichinho se enfiou entre mim e Junmyeon e começou a fazer cócegas nos nossos pescoços. Só depois de muita luta que eu consegui colocar o pimpolho no banho de novo.

No caminho de volta para a sala acabo encontrando Yixing no corredor, com os cabelos bagunçados e uma cara engraçada de sono.

— Olá, dorminhoco — o cumprimento e ele toma um susto. Acho que não tinha me visto.

Quer dizer, acho que Yixing nem acordou ainda.

— Ah, oi... Eu acho que eu... Onde que fica o banheiro?

— Então, acho que você não vai querer usar o banheiro depois que o HunJin sair de lá. Sério.

— Como eu vou tomar banho?

— Ah, usa o do meu quarto, ele...

Percebo que a atenção de Yixing não está mais em mim, mas sim em outro alguém. Olho para trás e vejo Junmyeon. Instantaneamente os dois rostinhos ficam vermelhos.

— Oi. — Yixing quem fala primeiro.

— Hm... oi. — Junmyeon fala depois.

Minha vontade de jogar um balde nos dois está grande.

— Então... — pigarreio para chamar a atenção dos dois — Yixing, vai tomar um banho, vai. Vou fazer seu café — Yixing continua parado olhando Junmyeon — Yixing!

O coitado toma outro susto e depois sai correndo 'pro banheiro. Olho de soslaio para Junmyeon, que começa a admirar o piso do chão. Óbvio que está rolando alguma coisa entre esses dois.

Como não sou besta, arrasto Junmyeon para a cozinha e começo a fazer uma série de questionamentos.

— Meu Deus do céu, Lu, já falei que não encontrei o Yixing ontem!

— Eu não acredito em você, seu safado.

— É sério, af!!!

O celular de Junmyeon apita ele o pega para verificar a notificação.

Acho que Jesus me deu olhos de águia, porque eu pude ver o sirigaito digitando uma resposta para o Yixing. Céus, Yixing é outro safado! Mandando mensagens do banheiro.

Para acabar logo com esse mistério, arranco o celular da mão de Junmyeon. Ele até tenta pegar de volta, mas eu sou mais rápido, hehe.

Xing ♡: Não fique com vergonha, Jun, eu gostei muito de sair com você ontem.

— HMMMMMMM! ENTÃO QUER DIZER QUE O SENHORITO MAL CHEGOU E JÁ ESTÁ DE NAMORICO, NÉ? VOU DIZER! — berro para o prédio toda escutar mesmo. — E AINDA COLOCOU UM CORAÇÃO NO CONTATO? AAAAH!

Nossa eu sou muito chato mesmo, acho que nem eu me suporto HAHA!

— Af, Lu! — Junmyeon consegue pegar o telefone da minha mão. — Pronto, que agora até porteiro vai ficar sabendo! Você não tem que trabalhar hoje?!

— Ih... Está me expulsando da minha própria casa, é?

— Estou!

— Para a sua informação, eu só trabalho pela tarde nas terças. E não muda de assunto, garoto, me conta esse babado! O Yixing beija bem? Ele tem pegada? Ele te pediu em namoro?! — perguntei com meus olhos brilhantes de curiosidade e com minhas mãos balançando.

— Céus... você me dá vontade de vomitar, sabia? — revira os olhos, mas logo deixa escapar um sorrisinho de canto de boca. Safado. — A gente não se beijou, mas-

— Como assim? Nem uma bitoquinha?

— Credo, LuHan, quem ainda fala essa palavra? Deixa eu contar como foi a droga do encontro!

— Você é todo escroto, menino.

— Enfim, a gente foi no cinema e depois fomos numa lanchonete. Ficamos conversando, conhecendo um ao outro... Essas... coisas de... pessoas que querem se conhecer melhor. — Junmyeon começa a ficar todo vermelhinho, parecendo um tomate. Muito fofo. — Antes de nos despedirmos, ele se aproximou para me beijar, mas eu acabei...

Ele para de falar e fica mais vermelho ainda. Esse não pode ser o Junmyeon.

— Você acabou...?

— Ai... — ele esconde o rosto entre as mãos. — Eu espirrei bem na cara dele!

Como a pessoa super compreensiva e adulta que sou, comecei a rir alto.

— Não acredito, Junmyeon!

— Não se pode controlar espirros, okay?!

— Não é isso, bobo! Eu estou rindo de você todo vermelho e apaixonadinho, nem parece o Junmyeon que é todo resolvido e metido a sabichão!

— Apaixonado e vermelho é o seu cu! — falou de cara enfezada e depois saiu apressado da cozinha.

Conheço bem esse comportamento, ele é de família.

Sinto o meu celular vibrar no bolso e o pego para checar a mensagem, que logo descubro ser do meu irmão. Na verdade, ele me mandou uma foto dos seus dois filhinhos com os ouvidos grudados na barriga de Kyungsoo, como se tentassem escutar o bebê lá dentro. Tão fofo.

Depois de alguns segundos olhando a foto, mando uma resposta.

Eu: Aposto que já querem dar nome pro irmãozinho.

Jongin: Vai ser irmãzinha.

Eu: Não dá pra ver o sexo ainda, Jongin... você virou Deus, foi?

Jongin: Sempre fui, querido.

Eu: Ah, claro!!! HAHAHA!

Jongin: Você foi embora ontem e eu nem vi, aconteceu alguma coisa?

Eu: Ontem não, mas hoje aconteceu. Adivinha quem está namorando?

Jongin: Não me diga que encontrou um outro SeHun.

Eu: Que? Não, não sou eu, estou falando do Junmyeon, doido! Ele está de namorico com Yixing!

Jongin: Mentira.

Eu: Verdade!!!

Jongin: Não acredito que você ficou sabendo primeiro que eu, af! Eu sou o preferido.

Af.

Eu: Adeus.

Jongin: ♡

Guardo meu telefone de volta no bolso e resolvo me arrumar para sair, porque antes de ir para o trabalho eu quero passar na loja de tecido. Prometi à Irene que olharia algumas opções para o forro das mesas do casamento.

Me arrumo e deixo dinheiro com Junmyeon para ele pedir o almoço dele, de HunJin e o de Yixing pelo delivery. Deixei dinheiro pro jantar também, caso eu não chegue em casa cedo.

Assim que saio do meu prédio, sinto meu celular vibrar e o pego.

SeHun: Luhan, eu estou passando na sua casa agora mesmo. Me espere aí.

Até parece.

Eu: Agora? Sehun, eu trabalho, sabia? Não pode ser a noite?

SeHun: Se você sair para trabalhar, eu vou no seu trabalho!

Eu: Meu anjo, você sabe que se aparecer no meu trabalho, quem vai passar vergonha não sou eu. Não ouse aparecer lá, tchau!

SeHun não me respondeu mais, então decido esquecer a mensagem e sigo para a loja de tecidos.

Depois de ver praticamente todos os tipos e cores de tecido da loja, sigo para o meu trabalho. Nem tive tempo de almoçar, passo o restante do dia imprimindo relatórios e revisando. Minseok insistiu para eu tomar um café ou algo assim, senão acabaria desmaiando, mas recusei tudo. Preciso acabar logo com esses papéis senão não durmo bem hoje.

Antes de continuar, sinto a necessidade de perturbar alguém.

Eu: Você não ficou beijando o Yixing a tarde toda não, né? Meu filhote não pode ver esse tipo de cena ainda rsrsrs.

Peste: Não.

Eu: Que ótimo.

Peste: Corrigindo: não, nós não deixamos HunJin ver a cena. Deixamos ele na sala vendo TV e fomos para o SEU quarto RSRSRS.

Eu: SAFADOS!

Af, eu desisto de Kim Junmyeon. Eu posso ouvir a risada dele daqui.

Olho para o relógio na parede e já são 20:46. Só faltam dois relatórios para revisar, e então poderei ir para minha casa em paz. Amém.

Termino tudo às 21:20 em ponto, e dou graças a Deus por ter deixado o dinheiro do jantar com Junmyeon. Na verdade, dou graças a Deus por Junmyeon existir nesse momento, apesar das adversidades.

A empresa está quase vazia, exceto pelos seguranças que vigiam o prédio. Arrumo minhas coisas e tranco tudo, depois vou para minha casa.

Abro a porta, já me preparando para me jogar no sofá e assistir a novela que passa nesse horário. Encontro os três pestinhas esparramados no sofá e já me preparo 'pro sermão porque, porra, minha novela, né?

— Ei, vocês, eu-

Sou interrompido pelo som do interfone tocando.

— Aproveita que está em pé e vai atender, vai — Junmyeon fala balançando uma das mãos e eu só não dou uns cascudos nesse folgado porque estou muito cansado do trabalho.

"Boa noite, Sr. LuHan! É que o Sr. SeHun está aqui querendo falar com o senhor. Posso deixar ele subir?" Ouço a voz do porteiro depois que atendo o interfone.

Meu Deus, me senti um idoso de tanto que ele me chamou de 'senhor'.

— Pode, pode... — respondo enquanto passo a mão pelo meu rosto e depois desligo.

Alguns poucos segundos depois, ouço a campainha tocar. Acho que SeHun subiu correndo pelas escadas, não é possível. Me pergunto como ele adivinhou que eu acabei de chegar em casa.

Assim que abro a porta, me deparo com a carranca de SeHun, então logo mando Junmyeon, HunJin e Yixing irem 'pro quarto e dou espaço para SeHun entrar.

— SeHun, o que você-

— LuHan, se você ainda tem um pingo de consideração por mim, você vai parar com o que está fazendo agora mesmo! — SeHun me interrompe.

Fico confuso no início, mas logo entendo quando ele me mostra a aliança em seu dedo.

— Ah... Isso? Ela contou para você?

— "Isso?" — SeHun repete, em tom de deboche, o que eu disse e depois solta uma risadinha. — Está brincando?

— Eu? Por que eu estaria brincando?

— Jura, LuHan? Vai se fazer de sonso?

SeHun se vira, ficando de costas para mim, depois respira bem fundo. Ele fica nessa posição pelo que se parece uma eternidade para mim.

Até que eu não aguento mais e quebro o silêncio.

— Você vai ficar aí parado ou...?

— Está tentando provar algo para mim? — ele pergunta de repente e depois se vira para me encarar.

Juro que o olhar dele está diferente. Não sei explicar, só sei que o SeHun nunca me encarou da forma como está me encarando agora.

— Provar? O que eu preciso provar para você?

— Provar que não me ama mais, provar que pode transar com quantos caras quiser... — SeHun dá de ombros. — Não sei, não foi você quem disse que eu sou passado para você? Não foi você quem disse que o que passamos lá em Jeju foi inútil?!

— Espera um minuto — levanto meu indicador e começo a andar devagar em sua direção. — Você vem na minha casa, começa perguntando sobre a droga do seu casamento, e depois vem com um assunto que tem nada a ver com o que deveria ser o foco?! Está achando que é quem, SeHun?!

SeHun explode em risada. Uma risada forçada, claro. Nossa, que ódio, quero enforcá-lo.

— Quem eu estou achando que sou?! QUEM EU ESTOU ACHANDO?! JURA?!

— Abaixa o tom...

— Não!

— Então vai embora da minha casa, seu maluco!

— Eu não vou embora até a gente conversar direito!

— Conversar é o caralho, SeHun! SAI AGORA!

Junmyeon chega correndo na sala assim que eu termino de gritar.

— Ei, vocês dois! Ficaram loucos?! — ele fala com expressão assustada — O filho de vocês consegue ouvir toda essa briga, okay? Ele não é surdo!

No mesmo instante me sobe uma raiva descomunal de SeHun. Ele vem na minha casa e começa a gritar comigo, parece até que eu devo satisfação a ele. Mas o que me dá mais raiva ainda é o fato do nosso filho ter que escutar a nossa briga.

— Está vendo o que você provocou, SeHun?! — dou um empurrão nele que o faz cair de costas no sofá. — Junmyeon, como o HunJin está?

Junmyeon cruza os braços e revira os olhos.

— Ele está com o Yixing, oras — responde com voz de tédio.

— Eu quero saber como ele está, e não com quem ele está, Junmyeon!

— Ele não está chorando, se é isso que quer saber — respondeu novamente, então eu suspirei aliviado — Não pense que só porque ele não está chorando que significa que ele está bem — completou e eu o olhei com cara feia.

Mas logo um sentimento de desespero vem á minha mente, então começo a andar em direção ao quarto, mas sinto uma mão em meu braço me impedir.

Olho para o lado e vejo SeHun me segurando.

— Me solta, eu estou falando sério — digo a ele enquanto o encaro nos olhos.

— Ainda precisamos conversar, LuHan.

— Já disse que não temos o que conversar, SeHun!

— Não, LuHan! Que porra! Vai me dizer que está ajudando a Irene porque se considera amigo dela? Hein?!

Por que SeHun está insistindo tanto nisso? Que saco, eu não aguento mais tanta cobrança de alguém que nem deveria estar me fazendo esses tipos de perguntas.

— E SE FOR?! Caralho, você sempre acha que o mundo gira ao seu redor, otário! — me aproximo mais dele e continuo a cuspir as palavras em sua cara. — Deixa eu te dar um conselho, seu bebezão. Aprenda a ver as coisas de outra forma, e não só do jeito que você acha que é favorável para o seu ego de bosta!

Escuto um assovio vindo de Junmyeon. Com certeza ele deve estar achando essa briga um máximo de se ver.

Ainda olhando para SeHun, vejo suas sobrancelhas arquearem após minhas palavras.

— Ah, agora estamos falando de ego? Que tal falarmos do seu ego, LuHan? — ele começa a se aproximar, então eu dou passos para trás, até sentir a parede nas minhas costas. Me sinto encurralado. — Você já gosta de mostrar as "verdades" para as pessoas, né? Como se sua opinião fosse a absoluta! Se alguém te contraria, o que você faz? Destrói o coração desse alguém, para que ele fique mais preocupado em acreditar no que você diz, do que analisar a própria opinião! O seu defeito é sempre achar que a única coisa que importa nesse mundo é a sua decisão, quando existem outras pessoas ao seu redor... — ele aperta mais a sua mão em meu braço — Escute a porra do seu próprio conselho, LuHan...

— E-Eu não sou assim...

De alguma forma suas palavras me atingiram num ponto que não sei explicar. Na verdade, acho que foi sua proximidade mesmo.

— Não? — ele aproxima seu rosto ainda mais do meu — E o que você está fazendo agora, então?

— Estou falando a verdade!

— NÃO! Aí que está a questão, LuHan! Você acha que sabe da verdade, mas você não sabe de porra nenhuma! — sinto a raiva de suas palavras me atingirem mais uma vez — Você gosta de brincar com as pessoas, LuHan. Achou divertido o que fez comigo lá em Jeju? Aquilo foi só uma brincadeira para você, certo?

Sinto meus olhos lacrimejarem e me seguro para derramar as lágrimas.

— N-Não, SeHun, eu juro, e-eu-

— CHEGA DE MENTIRAS! — ele dá um grito de repente e eu me assusto — VOCÊ SABE QUE EU AINDA TE AMO! VOCÊ SABE, PORRA! — ele deixa de segurar meu braço para segurar meus ombros com suas duas mãos. Seus olhos encaram com precisão os meus — Como pode ser tão cruel, LuHan? Eu nunca deixei de te amar, e então você deixa eu chegar bem perto do seu coração 'pra depois me empurrar para longe outra vez. Eu estou ficando louco com isso, não percebe? Jura que você não sentiu o mesmo que eu senti naquele quarto de hotel? Esqueceu de quantas vezes você sussurrou que ainda me quer, enquanto, juntos, fazíamos amor? Ouviu o que eu disse? Eu falei a palavra 'amor', LuHan, porque foi isso que aconteceu lá em Jeju, e é isso que ainda existe entre mim e você — solta meus ombros e suspira — Eu não aguento mais... Eu aposto que essa ajudinha que você está dando para a Irene é só mais uma de suas formas de fazer eu me sentir um completo imbecil.

— Para de falar essas coisas, SeHun! — praticamente imploro para ele — Caramba, minha vida já é uma droga e você só consegue piorar a situção!

— Sua vida é uma droga porque você quer! E outra, você sabe que estou falando a verdade.

— O que eu sei é que você está vendo coisa onde não tem! Eu estou ajudando a Irene porque ela me pediu muito gentilmente!

Tem um pouco de verdade nisso.

— Ah, claro! E desde quando você é tão bonzinho?

— Eu...

— Já chega, LuHan, eu não aguento mais. Sim, eu fui um miserável no passado. Sim, eu lhe fiz sofrer! Eu também era um garoto... A minha vida tinha acabado de começar, LuHan. Eu tinha tudo! Eu tentei ser forte, eu tentei ser responsável, mas não consegui. Não consegui porque também me faltou apoio dos meus pais, faltou apoio dos meus amigos, faltou o apoio do amor da minha vida! Eu também estava sozinho! Eu tive que lidar com tudo sozinho, enquanto você só sabia chorar: "ah, o Jongin, ah meu irmão, meu tudo!". E eu, porra?! O que eu era para você?! — ele pergunta enquanto bate no próprio peito com força — Hoje você me menospreza, diz que significo nada na sua vida, e de quebra ainda aceita ajudar no meu casamento? Você não me ajuda, caramba! Quer acabar comigo de vez? Fala logo! Fala logo, porque, sinceramente, esse seu joguinho escroto já deu.

— Ficou demente?! Não estou fazendo nenhum joguinho!

— Quer saber? Eu vou pedir a guarda do nosso filho.

Sinto minhas mãos tremerem e minhas pernas fraquejarem, assim que escuto suas palavras.

— Não pode fazer isso...

Ele ri.

— Não? Por que não?

— P-Porque você m-me prometeu... — já não consigo segurar minhas lágrimas. Droga, ele está falando em tirar o meu bebê de mim! O meu HunJin!

Não, não, não, não! Isso eu não posso aguentar.

— Não posso, e não vou, deixar o meu filho com uma pessoa manipuladora e sem caráter!

As palavras de SeHun conseguem finalmente me tirar do sério.

— ELE TAMBÉM É MEU FILHO!

— AH, É?! VOCÊ TENTOU ABORTÁ-LO, VOCÊ NEM QUIS OLHAR O ROSTINHO DELE ASSIM QUE ELE NASCEU!

— PARA DE FALAR ISSO, ELE VAI OUVIR, SEHUN!

— É BOM QUE ESCUTE MESMO, ASSIM ELE VAI SABER O ÓTIMO PAI QUE QUASE O MATOU!

— EU ESTAVA DOENTE, SEHUN! POR SUA CAUSA!

— LÁ VEM VOCÊ QUERENDO ME CULPAR POR TUDO DE RUIM QUE ACONTECE NA SUA VIDA! CONTA OUTRA, LUHAN! O que é? Está fazendo isso para me machucar, é isso? Porque se for, não precisa, porque me machucar é tudo o que tem feito desde que você saiu daquele hospital! Até quando vai durar esse seu rancor? Tudo o que eu tenho feito todos esses anos foi tentar me redimir com você! TODOS OS DIAS!

PÁ!

Não me aguento e dou um tapa em seu rosto. Coloquei tanta força que o barulho ecoou por toda a sala.

— Você acha que o seu dinheiro muda alguma coisa?! Acha que pagar a escola do nosso filho faz com que eu te veja com outros olhos?! Sinceramente, SeHun, EU TE ODEIO! ODEIO!!

SeHun fica assustado por alguns segundos, mas logo vem para cima de mim de novo.

— EU TAMBÉM TE ODEIO! E VOU CONSEGUIR A GUARDA DO NOSSO FILHO!

— CALA A PORRA DA SUA BOCA!

— NÃO! AGORA QUEM TEM O DIREITO DE GRITAR IGUAL UM LOUCO SOU EU!

— Gente, já está na hora de parar... — Junmyeon fala.

O cômodo fica em silêncio por um instante, até que eu escuto um chorinho abafado. Olho para o lado e vejo HunJin agarrado às pernas de Yixing e me olhando. Meu mundo desaba.

Há quanto tempo ele está aí?

— F-Filho... — começo a andar em sua direção, mas ele sai correndo de volta para o quarto, sendo seguido por Yixing.

— Parabéns para os dois, conseguiram o prêmio de babacas do ano — Junmyeon diz e depois sai também.

— Espero que isso sirva de lição para você, LuHan — SeHun fala para mim.

— SeHun, pare com isso, okay? — seguro em sua camisa enquanto deixo as lágrimas desesperadas rolarem por minhas bochechas — Só pare de dizer essas coisas! Eu não sou esse tipo de pessoa, e-eu não sou!

— É, SIM! — ele pega minhas mãos e as tira de sua camisa com força. Isso faz com que eu caia direto no chão.

Olho para cima e vejo sua figura um pouco borrada, devido às minhas lágrimas não deixarem eu enxergar com clareza. Então abaixo minha cabeça e começo a soluçar muito alto. Não posso acreditar que SeHun esteja falando sério... Ele me falou todas essas coisas com tanta raiva...

— Quando eu penso que podemos nos dar bem... — começo a falar baixo, mas sei que ele consegue me ouvir — você vem e prova que isso nunca mais será possível. Não percebe que não adianta? Não adianta tentar mudar as coisas

Termino de falar e me levanto do chão. Olho para SeHun e vejo como ele se esforça para não chorar junto comigo.

— Isso não é verdade...

— Não? — dessa vez quem dá risada falsa sou eu — Olhe ao seu redor e me diga o que vê. Estamos brigando outra vez, SeHun, por quê acha que disso vai nascer algum sentimento bom?

— Eu não acho que disso vai nascer um sentimento bom, porque esse sentimento já existe, LuHan. O problema é que a única pessoa que não aceita isso é você!

— Por que você insiste tanto? Porra, você está prestes a se casar com uma mulher maravilhosa, mas e eu?! Por que você não me deixa em paz? Eu não tenho o direito de achar outro alguém?! — SeHun só fica parado me escutando. Ando até ele e seguro seu rosto com minhas mãos, fazendo com ele olhe atentamente em meus olhos — E-Eu lembro de tudo que aconteceu entre nós dois lá em Jeju... eu lembro de cada pequeno detalhe, porque foi com você, SeHun. Eu ainda sinto tantas coisas, e admito que uma delas pode ser o amor, mas ao mesmo tempo sinto tanto medo, tanta angústia... e até mesmo vontade de me jogar de um penhasco, para ver se todos os sentimentos ruins vão embora...

— Então você prefere morrer do que tentar viver ao meu lado? — SeHun pergunta com voz de choro, mas eu não consigo lhe dar uma resposta — Okay... — ele dá um sorriso forçado, afasta minhas mãos com força e depois sai andando em direção à porta.

— SeHun, espera, eu-

Não termino de falar, pois ele já havia saído e batido a porta com força.

 

SeHun

 

Insistir no mesmo erro parece que é a única coisa que eu sei fazer esses tempos. Por que procuro discutir com LuHan, mesmo sabendo que ele vai me esculachar? Não consigo fazer com que meus argumentos tenham os mesmos efeitos que os dele.

Simplesmente opto por dizer algo que não o faça pensar e, sim, o despedaçar. Mas quer saber? Estou cansado de procurar as palavras certas para dizer ao LuHan. Não posso passar o resto da minha vida tentando agradá-lo. Principalmente quando ele quer ficar bem longe de mim. Se ele não quer me perdoar, não posso fazer mais nada. Vou seguir a minha vida. Sei que um dia finalmente vou deixar de amá-lo.

Depois de sair do apartamento de LuHan e ficar meia hora sentado na calçada chorando feito um condenado, decido que voltar para casa está completamente fora de cogitação. Ainda estou com raiva de Irene e não pretendo desculpá-la tão cedo.

Então começo a avaliar as minhas opções. Ir para a casa do Tao? Não, não. Eu terei que ouvir um sermão, e os sermões do Tao me fazem pensar na vida, e pensar na vida é o que eu menos quero agora. Eu não quero ter que passar a noite em claro tomando decisões para, quando sol raiar, não colocar nenhuma delas em prática. Jamais irei para casa do Chanyeol, porque Baekhyun vai ligar para 
LuHan e perguntar o que aconteceu e logo depois serei expulso. Jongin? Não. Não o farei ficar no meio desse fogo cruzado. Então... meus pais?

Bom, depois de muito pensar, resolvo ir para a casa dos meus pais. Quem diria? Há alguns meses atrás eles nem seriam as pessoas com quem mais eu gostaria de estar; mas cá estou eu, indo para a casa deles em busca de "abrigo".

 

 

Toco a campainha e bato na porta. Passo uns dois minutos em pé até que minha mãe finalmente vem atender a porta. Assim que me vê, ela estranha, mas logo me dá espaço para eu entrar em casa.

— Aconteceu alguma coisa? — ela pergunta.

— Posso dormir aqui hoje? — pergunto, ignorando completamente sua pergunta.

— É claro, meu filho — ela responde e puxa de leve a minha orelha. — Essa casa, por mais que você não considere, é sua também. Portanto, Oh SeHun, ela sempre estará de portas abertas para você.

Não falo mais nada, apenas rio. Minha mãe então fala que eu posso dormir no quarto do meu irmão, e que se eu estiver com fome tem comida chinesa na geladeira. Agradeço e ela sobe para o quarto.

Tiro meu casaco e jogo em cima do sofá. Dou uma boa olhada na sala e automaticamente me lembro de como eu adorava ficar deitado no sofá com LuHan, assistindo um filme aleatório na TV, enquanto fazia carinho na sua barriga quando esta já estava aparecendo.

— Maldito... Não tem uma vez que eu venha nessa casa e não lembre de nós dois — digo em voz alta. Uma lágrima escorre pelo meu rosto e eu a bebo quando ela toca meus lábios.

Saio da sala antes que eu me sentasse no sofá e começasse a chorar. Vou, então, para cozinha e abro os armários atrás de alguma bebida. Eu preciso beber. Infelizmente não vai dar para aguentar esse porre se eu estiver sóbrio. Felizmente meu pai tem uma garrafa de uísque. Pego um copo em cima da mesa, passo uma água nele e abro a garrafa de uísque, já despejando o líquido dentro do copo. Encho até a borda, conto mentalmente até três e tento tomar tudo de uma vez, mas só consigo até a metade.

— Vai acabar tendo uma ressaca forte desse jeito! — ouço a voz do meu pai e me viro.

— É exatamente disso que eu preciso — respondo.

— De uma ressaca?

— Sim! — afirmo falando e com a cabeça.

Meu pai, então, se senta à mesa e pega um copo também. Ele ergue o copo em um sinal para que eu também coloque a bebida para ele, e assim eu faço, só não enchendo até a borda como o meu.

— Senta aí, SeHun... — ele diz e eu obedeço.

O velho toma o uísque de uma vez só e não faz careta nenhuma. Que humilhação.

— Então, vai me dizer o que está acontecendo? — ele me olha nos olhos — O que está acontecendo com o meu filho que até alguns dias atrás eu não sonharia em tê-lo em casa para passar um fim de semana, ou bater na minha porta no meio da noite apenas para vir dormir na casa dos seus pais. O que está acontecendo filho?!

— A minha vida está virada do avesso — admito sem rodeios — Faz um mês que eu descobri que nunca deixei de amar o meu ex-marido e, mesmo o amando, ainda iludo uma mulher e recentemente a persuadi a ser minha noiva enquanto estou indo insistentemente atrás do meu ex-marido para reconquistá-lo. E isso está acabando comigo porque começou a afetar a minha vida profissional tem um tempo, pois se não estou bem emocionalmente, eu não me sinto bem para trabalhar. E eu preciso estar bem emocionalmente para trabalhar, porque o meu trabalho tem a ver com criatividade e se o meu dia está uma merda eu não posso ser criativo, não posso pensar ou estudar nada.

Falei tanto que esqueci até de respirar. Meu pai apenas alcança a garrafa de uísque e enche o seu copo até a metade. Ele nada expressa. O seu rosto é apático como o meu. Ele suspira, remexe o líquido e leva o copo até o nariz, cheirando o álcool, e depois toma tudo de uma vez. Espera algum tempo para finalmente falar:

— Eu jurava que você estava com problemas financeiros... — ele ri um pouco.

— Quem dera meus problemas fossem financeiros, pai...

— Então são problemas amorosos, hm?

— Sim... — suspiro — Sabe, pai, não precisamos falar sobre isso. Não quero ocupar sua cabeça com essas besteiras.

— Besteira é o que você acabou de dizer — ele diz seriamente — Se isso está afetando você, é claro que me afeta. E como pai, SeHun, eu farei o que estiver ao meu alcance para resolver nem que seja ao menos 1% do seu problema.

— Pai...

Meu pai suspira e torna a falar:

— SeHun, o amor é uma ferida que arde sem doer. E no momento em que ele está construindo barreiras, já deixou de ser ele, porque, o que é o amor se não uma forma de quebrar as barreiras do coração? Não devia ser difícil. Pense, se você amasse o LuHan, você não estaria de casamento marcado com a moça.

— Pai, não é fácil assim...

— Por que não? Não existem dúvidas no amor, SeHun. Não existe dilema quando se ama alguém. Não minta para si mesmo, filho...

Dito isso, meu pai levanta e sai da cozinha, me deixando completamente submerso nos meus pensamentos. Existe um fundo de verdade em tudo o que meu pai me falou. De fato, o amor é uma ferida que arde sem doer. Mas eu tenho plena consciência dos meus sentimentos. Então por que às vezes parece que dói tanto?

Não consigo responder a minha pergunta pois meu celular começa a tocar. O retiro do bolso e atendo sem nem ao menos ver quem é.

"SeHun?"

É a voz de Irene.

Demoro um pouco para responder. Lembro da raiva que estou sentindo dela e penso em desligar, mas acabo me colocando em seu lugar. Claro que eu estaria preocupado se quem tivesse saído de casa sem dar satisfações fosse ela.

Sendo assim, venço o meu orgulho e respondo.

— Sou eu...

"Graças a Deus! Amor..."

Amor... como ela pode ainda me chamar assim depois de todas as palavras infelizes que eu havia lhe dito essa manhã?

"Desculpa!''

Ela diz e começa a chorar.

"Amor, por favor, venha para casa. Me desculpe por hoje cedo, por favor! Vamos esquecer isso. A gente não precisa de festa nenhuma, de cerimônia nenhuma. Por favor...." Ela soluça. "Eu estou tão sozinha, volta pra casa!"

Deus, acabo não conseguindo segurar o choro. Choro pelo grande filho da puta que eu estou sendo com ela.

— E-Eu já estou chegando, okay? — digo entre lágrimas e alguns soluços.

Desligo o celular, levanto da cadeira e vou até a sala pegar meu casaco. Quando estou quase saindo, algo me para, e não é a minha mãe ou meu pai, mas sim as lembranças que estão alojadas nessa casa.

Lembranças da vida que ela ganhou desde que LuHan pôs os pés dentro dela. Ele coloriu todas as paredes mórbidas da minha infância com sorrisos. Cada canto dessa casa é especial desde que ele tocou. Por isso não consegui ficar aqui quando ele decidiu ir embora.

~flashback on

— O que é isso? — perguntei assim que cheguei em casa e entrei no quarto, encontrando LuHan arrumando as malas.

— Eu vou embora! — ele disse simples.

— Embora? — soltei minha pasta de papéis no chão — E para onde você pretende ir?

— Jongin me arranjou um apartamento no centro.

— Como assim ele "arranjou"? — fui até LuHan, fazendo com que ele parasse de fazer o que estava fazendo para me olhar. — Você tem noção do que está me dizendo?

— Sim. — Ele disse simples.

— LuHan, como assim você está indo embora?! — meus olhos se encheram de água.

— SeHun, esta casa só me traz péssimas lembranças. Não posso criar meu filho aqui.

— E o que custava você ter conversado comigo? Por acaso você não quer que eu vá?

— Olha, SeHun, você vem se você quiser, mas vou logo lhe dizendo que nessa casa eu não fico mais um minuto! — Ele então saiu da minha frente e voltou a arrumar suas coisas e do nosso filho.

Meu mundo foi ao chão. LuHan estava me deixando sem mais nem menos. E o pior de tudo, ele estava levando um pedaço de mim com ele. Meu filho. Meu tudo!

Me ajoelhei e comecei a chorar. LuHan parou o que estava fazendo para me olhar, e eu passei a olhar para a cama, onde nosso HunJin dormia tranquilamente.

— Não posso viver longe do meu filho... — voltei a olhar LuHan. Algumas lágrimas desciam pelo meu rosto. — Eu vou com vocês.

~flashback off

No final, LuHan tinha razão. Aquela casa só trazia péssimas lembranças... e ninguém vive de lembranças, porque elas fazem parte do passado e o passado já não existe mais.

 

 

Assim que entro em casa, Irene pula nos meus braços e eu prontamente a abraço.

— Você voltou! — ela diz chorando de felicidade.

— Desculpa por hoje! — aperto ainda mais o abraço.

— Desculpo, desculpo, desculpo! — ela fala e enche meu pescoço de beijos em seguida.

— Obrigado...

— Eu que agradeço!

— Porquê? — pergunto.

— Por não desistir de nós.

Desistir de nós.

O que Irene disse ecoa pela minha cabeça. Nós... Desistir... LuHan...

Já está na hora, não é?


LuHan


Não dormi direito ontem à noite. Eu não parei de pensar na discussão que eu e SeHun tivemos ontem a noite e o curso estrondoso que ela levou. E, por incrível que pareça, o fato dele ter falado sobre pedir a guarda de HunJin é o que menos me preocupa agora, porque se tem alguém que eu conheço bem, esse alguém é SeHun e eu sei que ele só falou aquilo por conta do momento. Na verdade, que me deixou triste mesmo foi o fato dele usar isso para me atacar, mas não quero ficar pensando nisso.

Estávamos de sangue quente e falamos tanta besteira, que pensando agora eu fico com vergonha. Por que sempre que discuto com o SeHun as coisas terminam assim?

Pensei durante uma boa parte da noite, e cheguei à conclusão de que tudo termina assim porque eu sou um covarde. Estou sempre fugindo. Fugindo dele! E quando chega o momento de confrontá-lo, eu coloco o meu rabo entre as pernas e me faço de vítima.

É. Essa é a verdade.

Levanto da cama para tomar banho. Hoje será um dia cheio.

Depois do banho eu me visto para trabalhar e vou cuidar em fazer o café para os dorminhocos de férias. Quando chego na cozinha, fico surpreso de encontrar Yixing sentado à mesa, tomando um café que ele mesmo havia feito.

Me sirvo de uma xícara do seu café e sento à mesa com ele. Percebo que ele está pensativo, então acho melhor descobrir o porquê, pois desde que entrei na cozinha ele não me desejou nenhum bom dia.

— 'Tá tudo bem, Yixing? — pergunto bebericando o café.

— Lu... Você sabia que o Junmyeon se corta? — ele é direto. Fico estático apesar de já saber. — Ontem... — Yixing continua —, eu estava colocando HunJin para dormir, depois da discussão, e percebi que o Jun não voltou para o quarto. De início não estranhei porque achei que ele estivesse com você, mesmo assim ele não voltou depois de um tempo. Daí eu lembrei que o Junmyeon fala umas coisas esquisitas de vez em quando. Então... eu fui atrás dele. Olhei no seu quarto e ele não estava dormindo com você, não estava na varanda, nem na sala e nem na cozinha — seus olhos enchem-se de água — Foi aí que eu percebi que o banheiro do corredor estava com a porta fechada... — ele começa a soluçar — Q-Quando eu entrei, e-ele estava no chão do banheiro com uma tesoura enfiada na p-perna..

— O que?! — me levanto imediatamente para ir até o quarto, mas Yixing segura a minha mão e eu o olho sem entender.

— Ele está dormindo. Espere ele acordar, por favor! Ele pegou no sono quase ainda agora.

— Yixing, eu não ouvi nada... — falo me sentindo muito culpado.

— Ele pediu para não chamar você. Desculpa, Lu, eu deveria ter ignorado, mas fiquei com medo de que ele enfiasse a tesoura ainda mais na perna.

— Tudo bem... O importante é que você me avisou — puxo Yixing para abraçá-lo. Ele deve estar muito assustado, e não é para menos. O garoto retribui meu abraço com força e chora em silêncio.

Não consigo imaginar o tamanho do seu trauma. Começo a pensar em Junmyeon e o sentimento de culpa me invade mais ainda.

Eu sabia. Eu sabia que Junmyeon estava com problemas, mas eu estava tão preocupado com coisas pequenas que esqueci completamente do real problema. Ah, Deus... Por favor, que não seja tarde demais.

 

 

Infelizmente não consigo me livrar do trabalho. Saio de casa com o coração apertado, precisando confiar em um garoto de quinze anos de idade para cuidar do meu filho e de outro adolescente com problemas além da compreensão dele.

Prometi a Yixing que tentaria sair o mais cedo possível, mas está parecendo impossível. Hoje tem quatro designers para entregar.

— Porra! — falo no auge da frustração.

Não estou conseguindo fazer nada. Absolutamente nada. A arte está uma merda e a cada quinze minutos Minseok me manda uma mensagem perguntando se já está tudo pronto.

Começo a ficar desesperado. A preocupação e o nervosismo me atacam de forma fatal.

Sinto o ar fugindo dos meus pulmões como se eu tivesse corrido uma maratona. Me levanto suando frio e muito zonzo. Tento alcançar minha bolsa para pegar a minha bombinha.

— LuHan, eu preciso da sua opi... — Baekhyun para de falar assim que me vê caído no chão, completamente roxo. — LuHan!!

— M-Minha b-b-bomb-b-inha-a... — é tudo o que consigo falar.

Baekhyun, então, passa por cima de mim e pega minha bolsa pendurada na parede. Ele abre o zíper e joga tudo no chão de uma vez. Pega a bombinha em meio a bregueços e sacode um pouco antes de enfiar na minha boca.

— Calma, Lu! — ele diz — Respira fundo! — sinto ele pressionar o spray e eu consigo inalar o ar.

Aos poucos vou me recuperando. Baekhyun me ajuda a levantar, então ele me senta na cadeira e me deixa segurando a bombinha, indo atrás de um copo d'água em seguida.

Baekhyun volta na velocidade da luz, e com ele vem Kyungsoo e Minseok mortos de preocupados.

— O que aconteceu?! — Kyungsoo pergunta assim que me vê só o trapo, sentado na cadeira.

— Ele teve uma crise. — Baekhyun explica.

— Mas já está tudo bem? — Minseok pergunta.

— E-Está tudo bem... — falo com um pouco de dificuldade.

Assim que me recupero totalmente, imediatamente volto ao trabalho. Por um milagre do destino, duas artes são canceladas de última hora. Péssimo para a empresa, porém parece bom para mim no momento. Consigo fazer as outras duas sem muitos esforços porque são apenas convites de aniversário.

Na hora do almoço eu ligo para casa e Yixing diz que está tudo bem. Junmyeon ainda está dormindo, e HunJin e ele estão almoçando.

— Certo! Vou tentar sair um pouco mais cedo do trabalho, okay?

"Okay!" Yixing diz e desliga.

Guardo meu celular no bolso e vou para a área de lazer da empresa finalmente comer alguma coisa. Desde ontem que não como nada e meu corpo já está pedindo ao menos por uma barra de cereal.

Sento na mesa junto com Baekhyun, Kyungsoo e Minseok. Eles estão muito animados hoje.

— Qual é o motivo de toda essa agitação? — pergunto ao me sentar e roubar a comida de Kyungsoo.

Eles ficam em silêncio, alternando os olhares entre si, sorrindo, e eu estranho.

— O que foi? — insisto logo.

Então Minseok levanta a mão direita e só então eu percebo o anel em seu dedo.

— Não creio! — falo com a boca cheia de pasta de feijão.

— Sim! — Baekhyun confirma todo animado e continua: — Finalmente o Jongdae pediu a mão dele. Eu já estava para esganá-lo vivo, mas felizmente ele agiu rapidamente!

— Meu Deus, Minseok! — levanto para abraçá-lo. — Que coisa boa. Estou muito feliz por você, primo. Quando vai ser o casamento?

— Ainda não sei, mas nesse final de semana vamos viajar e decidir tudo! — ele responde animado.

Estão todos animados, e, por um momento; eu também fico. Contudo a realidade se faz presente. Não posso ocupar minha cabeça com coisas pequenas agora. Não que a felicidade dos meus amigos não importe para mim, mas eu não posso me dar ao luxo.

Sem perceber, acabo ficando sério. Começo a fitar o nada de repente, e quando sinto a mão de Kyungsoo em meu ombro eu me assusto.

— Você está bem, Lu? — ele pergunta gentilmente.

— E-Estou! — respondo esboçando um sorriso, mas não convenço Kyungsoo. Quando ele tiver oportunidade, com certeza, me pegará sozinho e vai me encurralar. — Vou no banheiro. — falo, me levantando e saindo dali.

Passo direto pelo banheiro. Vou em direção à saída de emergência do prédio; eu preciso pegar um ar.

O dia está insuportavelmente lindo. Está ventando e o sol está tão fraquinho e tão gostoso de sentir. Pela primeira vez no dia eu me sinto relaxado. Fecho os olhos para curtir o vento e deixar ele, por alguns minutos, levar todas as minhas preocupações para longe.

Sinto meu celular vibrar no bolso e penso em ignorar, mas não posso. Pode ser Yixing. Então pego o celular e desbloqueio a tela. É uma mensagem de Irene.

Irene: Lu, será que podemos nos ver amanhã?

Respondo na mesma hora.

Eu: Sim, sim. Eu também estou querendo conversar com você. Pode ser amanhã? Você pode jantar lá em casa, o que acha?

A resposta também não demora.

Irene: Tenho uma ideia melhor, vou te levar para jantar!

Eu: Ah... Tudo bem então, está marcado. 

Irene: Maravilha! Então eu te busco amanhã, bjs :*. 

Suspiro e guardo o celular no bolso, voltando ao meu ritual. Fecho os olhos novamente e deixo o vento me levar dali pelo restante do tempo.

— Então o banheiro mudou para o telhado? — ouço a voz de Jongin. Solto uma risada, porém não abandono o meu ritual. — As pessoas não ficam incomodadas de levar urina na cara? — ele pergunta quando para ao meu lado.

— Deixa de ser bobo! — falo ainda com os olhos fechados.

— O que está fazendo aqui? — ele pergunta.

— Tive uma crise mais cedo, estou pegando um ar — respondo.

— Sim, eu fiquei sabendo. Kyungsoo me ligou.

Abro meus olhos. Viro meu rosto e vejo que Jongin está fazendo o mesmo que eu estava. Está com a cabeça erguida, mãos nos bolsos, olhos fechados, apenas curtindo o vento.

— E você, que veio fazer aqui? — pergunto.

Jongin sorri. Abre os olhos para me olhar e, ainda sorrindo, responde:

— Sou o advogado desse micro-empreendimento, esqueceu?

— Ah... — rio.

Volto, então, ao que estava fazendo e meu irmão me acompanha. Passamos uns cinco minutos em silêncio, até eu quebrá-lo.

— Preciso que você vá lá em casa hoje a noite — falo — Aconteceu uma coisa e eu preciso da sua ajuda.

Jongin abre os olhos e passa a me encarar sério.

— O que foi? — ele pergunta preocupado.

— É o Junmyeon...

— Junmyeon? — Jongin fica confuso. — O que aconteceu com ele?

— Por favor, vá sozinho, okay?

— Por quê?

— Jongin...

Meu irmão fica em silêncio. Ele pensa, pensa e pensa até que concorda.

— Okay.

— É um assunto delicado, Jongin. Não quer dizer que eu não confio no Kyungsoo, mas é que, por enquanto, eu acho melhor só nós dois sabermos... Vou esperar você lá em casa.

Só acabei deixando meu irmão ainda mais angustiado e nervoso. Me arrependo da forma como falei, mas... de que outra forma eu deveria ter falado? O assunto é sério: um garoto com quinze anos à beira da sua autodestruição. Um assunto como esse não dá para falar sorrindo e dizendo: "Não é nada", quando se é tudo.

 

SeHun

 

Eu: Yixing, você vai passar mesmo as férias na casa do LuHan? Não era pra ser na minha casa? :(

Fico com a conversa aberta por uns dois minutos, mas não tenho nenhuma resposta. Ele nem sequer está online.

— Mas o que é isso? Os jovens de hoje não são viciados em internet? — falo jogando o meu celular em cima da mesa do restaurante.

— O que foi? — Tao pergunta.

— Meu irmão! Você acredita que ele está na casa do LuHan desde a semana passada?!

— E o que isso tem demais?

— Tem que ele perguntou se podia passar as férias na minha casa e não na do namoradinho dele.

— Que namoradinho dele? — Tao para de tomar a sopa para me olhar confuso.

— O Junmyeon! — revelo e ele ri tanto que cospe um pouca da sopa que está tomando em cima da mesa, mais precisamente em cima do meu celular!! — Aish... — pego meu celular e o limpo com o guardanapo.

— Quer dizer então que o Junmyeon já chegou fisgando o seu irmãozinho?!

— Ele não só fisgou, ele embrulhou para presente e o levou para casa do LuHan.

Tao revira os olhos e volta a tomar a sua sopa.

— Vai buscar ele para mim? — pergunto para Tao e ele nega com a cabeça. — Por quê? — pergunto indignado dele ter recusado um mínimo favor para mim.

— Por que você mesmo não vai?

— Tao, você sabe muito bem como anda minha situação com o LuHan! E eu não posso aparecer lá tão cedo depois da discussão de ontem...

Ainda assim ele recusa. Nojento!

— Até quando você e o LuHan vão ficar nesse cabo de guerra? — ele pergunta, mas eu nem respondo, porque não é exatamente uma pergunta. Tao só está preparando o terreno para começar o seu discurso. — Vocês precisam parar com isso. São dois homens adultos, resolvidos e ficam de picuinha de adolescente para cima e para baixo. Por favor, cresçam! Vocês dois tem um filho para criar e educar.

— É fácil falar quando não é com você que essa merda toda está acontecendo, Tao!

— Mas não é fácil falar, não — ele rebate — De todos esses anos eu só vim me meter nessa palhaçada agora, porque já está começando a afetar o HunJin. — Tao, então, larga a colher da mesa e me olha ainda mais sério do que estava. — SeHun, o seu filho só tem 5 anos de idade. Ele é apenas uma criança, sem culpa, e está no meio do fogo cruzado de vocês dois. Enquanto vocês acham que só estão machucando um ao outro, na verdade quem mais ferem é o próprio filho de vocês.

— Eu sei. É por isso que estou levantando a bandeira branca...

 

LuHan

 

Abro a porta do meu apartamento, desesperado, pois ouvi gritos do Yixing quando estava no corredor.

— ALGUÉM!!!! POR FAVOR!

Corro em direção aos gritos e ao ver Yixing no chão do banheiro com Junmyeon todo ensanguentado em seus braços, perco a força nas pernas.

Junmyeon está desacordado e muito pálido. HunJin começa a gritar assim que vê o primo coberto de sangue. Luto com todas as minhas forças para sair do estado de choque, mas estou atônito. Minhas pernas não se mexem, eu não consigo sair do lugar.

— LuHan! — ouço meu nome ser chamado, mas não sei quem chamou.

Alguém tira Junmyeon dos braços de Yixing e o leva correndo dali. Yixing levanta e vai atrás. Eu continuo ali, até ser levantado de uma vez.

— EI! ACORDA!!

Ainda não consigo identificar a pessoa à minha frente. Só depois de ser sacudido como uma bebida no liquidificador, é que eu consigo ver de quem se trata. SeHun.

Começo a chorar na medida que volto a ter consciência. Quando dou por mim, já estou abraçando ele com todas as minhas forças.

— LuHan, você precisa se controlar! O Junmyeon está precisando de nós!

— SeHun... Eu, eu-

— Eu sei! Vamos, eu já chamei a ambulância!

— Espera! Cadê o nosso filho? HunJin!! — o chamo.

SeHun então agarra meu rosto e me faz olhar em seus olhos.

— Ele está bem, Lu! Eu vim com o seu irmão, ele está no quarto com o nosso filho. Agora vamos! — SeHun termina de falar e começa a me puxar até a sala.

Quando vejo Junmyeon ainda ali e desacordado, não consigo me segurar, é mais forte que eu. Acabo desmaiando e perdendo a consciência ali.

 

 

Acordo em uma cama de hospital ao lado de Junmyeon, que está dormindo em outra. Aos poucos vou recuperando a consciência do que havia acontecido.

Tento levantar, mas estou muito zonzo e com muita dor de cabeça. Fecho meus olhos com força, na esperança que a dor passe milagrosamente, mas ela só se dissipa aos poucos. Abro os olhos novamente, e só então percebo que tem mais pessoas dentro do quarto.

Jongin está dormindo ao lado da cama de Junmyeon, em uma poltrona, e ao meu lado está SeHun. Estamos de mãos dadas; então, ainda com a minha mão segurando a de SeHun, me sento na cama fazendo um esforço para não o acordar, pois ele está com sua cabeça apoiada na cama.

— Por que você também está aqui, Lu? — ouço uma dizer baixinho. Olho para Junmyeon, que até nesse instante eu pensei que estava dormindo. Ele está com os olhos abertos e fixos no teto.

— Eu desmaiei quando vi que você...

— Você não tem mesmo sangue de barata, não é?! — ele esboça um sorriso.

— Não tem graça! Você não sabe o medo que eu senti...

— Sei, sim... — ele finalmente me olha e continua a falar em seguida: — É você quem não sabe o medo que eu senti.

E ele está certo. Eu jamais saberei o medo que ele sentiu, porque eu não estava lá quando ele precisou de mim. Porque eu não soube ser forte...

Junmyeon volta a fechar os olhos, e então eu me me deito novamente. Viro meu rosto para olhar SeHun dormindo, e o meu sangue fica frio quando o olho e ele está com o par de olhos apáticos olhando para mim.

— Puta que pariu, SeHun! — digo sussurrando. — Você quase me matou de susto...

— Já que você está bem, eu posso ir — ele diz — Vou levar HunJin para minha casa. Ele está traumatizado, precisa se distrair um pouco.

— Mas você vai trazer ele de volta, não é? — pergunto, pois automaticamente me lembro de suas palavras ontem à noite.

SeHun solta a minha mão, e então faz um carinho suave na minha testa, a beijando em seguida.

— É claro, afinal, ele mora com você.

— E o Yixing? — pergunto ao lembrar que ele está lá em casa.

— Eu liguei para Irene ir buscá-lo. Ele está lá em casa e amanhã ele vai voltar 'pra casa dos meus pais.

— Hm... É bom mesmo que ele passe uns dias em casa. — SeHun então se levanta e vai em direção à porta. — SeHun! — o chamo antes que ele saia, porém não consigo pedir para ele ficar. As palavras não saem.

 

 

Junmyeon recebe alta no dia seguinte. Jongin nos leva para sua casa, onde teremos uma conversa com o pai de Junmyeon que ficou de chegar hoje à tarde. Kyungsoo fez um almoço delicioso, mas ninguém come com muito apetite, exceto as crianças.

Junmyeon dorme a tarde inteira, e só acorda quando seu pai finalmente chega. O clima está tão pesado que eu trouxe a minha bombinha só por precaução.

— Tio, o Jun precisa de ajuda médica. Mais especificamente psiquiátrica. Ele foi diagnosticado com Depressão Bipolar. — Jongin explica para meu tio. Ele está muito abalado com tudo. Junmyeon é seu único filho, ele o zela como ninguém.

Ah... A palavra depressão faz meu tio chorar uma cachoeira. Ele pergunta como Junmyeon havia desenvolvido algo assim, quando ele sempre teve tudo. Carinho, amor e atenção. Além de não lhe faltar comida, roupa e regalias. É tudo surreal!

— Calma, tio! — digo massageando suas costas, enquanto ele soluça e segura a mão de Junmyeon, que está do seu lado.

— Já marcamos a primeira visita dele com um psiquiatra que é amigo meu — Kyungsoo quem começa a falar — Ele é muito bom, e o Jun concordou em se consultar.

— Mas ele vai ao médico aqui? — meu tio dá um tempo no choro para encarar Jongin. — Não seria melhor se ele fizesse esse tratamento na nossa cidade? Assim eu posso acompanhá-lo!

— Pai, eu quero fazer aqui... — Junmyeon diz.

— Mas, meu filho, papai não pode ficar indo e voltando de uma cidade todos os dias... — eles se olham enquanto se falam.

— É exatamente por isso que quero fazer aqui! O Kyungsoo vai poder me acompanhar, pai. Não quero que o senhor falte no seu trabalho, as consultas são marcadas em horários diferentes. Um dia vai ser de manhã, outro à tarde. E, além do mais, é só por enquanto que estou de férias. Depois eu volto! — Junmyeon sorri e seu pai leva a mão que segura a dele até os lábios e dá um selar breve, antes de puxar o filho para abraça-lo.

— Você tem certeza? — meu tio pergunta.

— Sim! — Junmyeon responde convicto.

Eles se afastam e meu tio olhou bem para o filho, e depois volta-se para Jongin.

— Faça uma lista de preços do que ele precisar e me mande. Não posso deixar que você arque com tudo. Você tem a sua família, Jongin!

— Tio, não precisa! — Jongin quer ser gentil, mas o meu tio insiste.

Depois que tudo é acertado sobre as despesas do tratamento de Junmyeon, eu resolvo propor que saiamos para jantar, mas todos já tem planos para o jantar.

— E vão jantar aonde? — pergunto chateado, porque até então ninguém havia me convidado.

— Ora, na casa dos seus pais! — meu tio responde.

— Ah...

— Você não vai? — ele pergunta.

— Não, não! Lembrei que preciso ir a um lugar, então eu já vou indo! Bom jantar! — desejo e vou atrás da minha jaqueta.

Vou até à sala, onde LinJan e SooAn estão brincando. Ao me ver, eles fazem uma festa e me convidam para brincar com os bonecos de super herói.

— Hoje o titio não vai pode brincar com vocês, mas outro dia eu volto e trago o HunJin para brincarmos todos juntos, que tal?

— HunJin, HunJin, HunJin! — os meninos começam a gritar e a falar o nome do priminho.

— Certo, então o tio já vai! — agacho e abro os braços, dizendo: — Abraço triplo?

LinJan e SooAn pulam em cima de mim, me fazendo perder o equilíbrio e cair no chão.

Jongin me oferece uma carona, mas eu não quero que ele se atrase para a "reunião" familiar.

— Eu sabia que você iria se morder... — Jongin acerta na mosca, mas é claro que eu deixo transparecer.

— Quem está mordido aqui é você. — rebato.

— Lu... por que você não vem? Deixa esse rancor de lado. Tenho certeza que nossos pais vão ficar felizes em te ver.

— Seus pais! — enfatizo. — Eu não tenho pai e nem mãe...

— Ah, é? E você veio ao mundo como?

— Tá, tá, tá, tá, tá, tá! Deixa eu ir embora, antes que algum fantasma resolva aparecer nessa casa.

— LuHan...

— Jongin, não...

Ele só faz suspirar e abaixar a cabeça. Então aproveito para pegar minhas coisas e sair.

 

 

Irene mandou mensagem dizendo que vem me buscar às 20:00. Estou achando meio tarde para um jantar comum, parece mais um encontro. Eu também não estou muito no clima de sair, minha mente só pensa no Junmyeon, se ele vai ficar bem; mas não quero decepcionar Irene, ela sempre me trata tão bem.


Fico pronto alguns minutos antes, então sento no sofá e pego meu celular para ver minhas notificações. Tem várias mensagens do Baekhyun, porém ignoro todas. Ele deve estar reclamando do Chanyeol, tenho certeza. Enquanto penso nisso, recebo uma mensagem de Jongin.

Jongin: Lu, pensa de novo no que eu te disse. Nunca é tarde para perdoar.

Ignoro sua mensagem também.

Sério, algum dia ainda vou acabar brigando feio com o Jongin por causa desse assunto. Ele não cansa!

Ouço a campainha tocar e levanto para abrir a porta. Assim que abro, me deparo com uma Irene toda arrumada, com um vestido preto tubinho e um salto vermelho. Eu fico, tipo, sem saber o que fazer, porque minha roupa não está desarrumada, mas também não chega aos pés da roupa de Irene, né? Porra, eu só coloquei uma calça jeans preta, um tênis e uma blusa de gente "normal".

— E-Eu acho que vou trocar de roupa... — falo enquanto aponto para a direção do meu quarto.

— O que? Não precisa, Lu! Você está ótimo!

— Está brincando? Para onde vamos, Irene? Olha, eu não gosto de lugares sofisticados, okay?

— Está falando isso por causa da minha roupa? Não é nada de mais! — ela fala e depois dá uma risadinha, para então completar: — Eu só quis me arrumar para essa noite, porque é o nosso primeiro jantar juntos e sozinhos... como amigos, claro!

Faço cara de desconfiado.

— Então... para onde vamos?

 

 


Ainda estou sem entender o porquê de Irene ter se arrumado tanto sendo que ela me trouxe para jantarmos num lugar "normal". Tipo, o restaurante não é daqueles super chiques, nem daqueles mais humildes. Ele é meio termo, acho que posso chamá-lo assim.

Irene não para de sorrir e isso está me deixando desconfortável, já que, eu acho (né?), o motivo de estarmos aqui é que o SeHun descobriu que estou ajudando no tal casamento.

Ficamos boa parte do tempo falando sobre como a comida do lugar é maravilhosa, e Irene falou que sempre vem aqui quando não está muito afim de cozinhar.

— Eu até pensei em perguntar 'pra eles se dá para fazerem a comida do meu casamento — ela fala em meio à conversa —, mas não sei se é uma boa... O que você acha, Lu?

Irene me pergunta com certo brilho nos olhos, como se minha opinião fosse a única que importa para ela. Meu coração aperta um pouco.

— O que eu acho? — pergunto e vejo ela concordar várias vezes com a cabeça. — Irene... eu acho que a gente não pode continuar com isso.

Ela faz uma cara confusa no começo, mas depois solta um risinho.

— Não ligue para o que o SeHun diz, bobinho! Veja só, ele acha um absurdo você me ajudar só porque você é o ex-marido dele, uma total besteira! Se vocês não estão mais junto, é porque não se amam mais, certo? — ela diz enquanto leva sua taça de vinho até sua boca.

Eu dou risada para socializar.

— Pois é, super concordo! — digo e depois bebo um pouco do meu vinho também.

— Aliás, decidi que você vai ser o meu padrinho.

Cuspo a bebida de volta na taça.

— O-Oi?!

— Isso mesmo que você ouviu, Lu, eu sou muito agradecida a você, por tudo. Por isso quero que você esteja bem pertinho de mim lá na hora do casamento.

Jesus, eu acho que cometi um crime muito grave na minha reencarnação anterior.

— Olha, eu nã-

Sou interrompido pelo som do meu próprio celular tocando, avisando que a mensagem chegou. 
Em outra ocasião eu não teria verificado a mensagem, mas agora eu não estou muito no clima de discutir com Irene sobre o casamento dela com o SeHun, e nem conversar sobre eu ser o padrinho dela. Nem morto eu vou nesse casamento. Ajudei ela na decoração e tal, mas não passará disso.

Olho a tela do meu celular e vejo que é uma mensagem de Jongin. Logo imaginei que ele me mandou outra mensagem porque não respondi aquela outra lá. Porém, meu coração quase para assim que leio a mensagem do meu irmão.

Jongin: Você precisa vir pro hospital, por favor, aconteceu uma coisa horrível!

Continua...

 


Notas Finais


Demorou mas finalmente saiu o comeback da fanfic (fica a dica SM!!)

Pessoal, espero que vocês tenham gostado do capítulo. Mil perdões por ele ter quilômetros, mas é que realmente não dava mais para repartir ele. E já aviso que os outros também serão assim, porque estamos na reta final da fanfic. Eu e a Alina estamos muito tristes, porque a gente realmente se apegou a essa fanfic e principalmente ao Hunjin. QUEM NÃO QUER ESSA FOFURA DE NENÉM COMO FILHO?
Ah :( ... Enfim gente, o próximo capítulo também vai demorar um pouco, mas vai sair. Não vamos mais demorar TANTO pra atualizar, porque a fanfic já está acabando. Obrigado por terem nos acompanhado todo esse tempo, por não terem desistido da fanfic, por continuarem comentando os capítulos, eu me divirto muito lendo os comentários/surtos de vocês. Eu e Alina agradecemos muito de coração! Beijos e até breve ~♥

PS. Quero saber qual TEAM vocês são. TEAM HUNHAN, TEAM HUNRENE (inventei pois não sei nome de ship hétero jfhdsj) TEAM HANRENE ou TEAM É MELHOR FICA ALONE? fahfj


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