História Akai Ito 2 - LAÇOS INQUEBRAVEIS - Capítulo 96


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Categorias Percy Jackson & os Olimpianos
Personagens Annabeth Chase, Charles "Charlie" Beckendorf, Frank Zhang, Hazel Levesque, Jason Grace, Percy Jackson, Piper McLean, Silena Beauregard, Thalia Grace
Tags Akai Ito, Amor A Segunda Vista, Drama, Percy Jacson, Romance
Visualizações 81
Palavras 3.564
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Famí­lia, Ficção Adolescente, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Yaoi (Gay), Yuri (Lésbica)
Avisos: Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 96 - Ligação de Alma


FELIPE

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Passar mais tempo com meus amigos tinha me feito bem, melhor do que eu imaginei que seria. Agora eu estava na casa da gêmeas porque era um sábado e o bonito do meu amigo tinha resolvido dormir até mais tarde.

- Kira, não mexe ai - Reclamei

Ela fingiu que nunca tentou tocar no arranjo de vidro sobre a estante.

- As coisas estão estáveis por enquanto - Tia Hazel comentava sobre a questão dos bens deixado para Kira - Mas você sabe que só poderá ter direito da tutela de tudo quando fizer dezoito, não é?

- Sei, tia! O que não vai demorar muito

- Está ansioso por isso?

- Não quero que o Thiago encontre uma maneira de acabar com o planejado, a Diana tem conversado comigo e apoia de certa maneira. Indicou um administrador fiscal para cuidar das coisas da empresa.

- Preciso do contato dele pra saber se não deve ser armação

- Claro

- E quanto ao Thiago, não se preocupe, Mateus deixou tudo judicialmente claro, testamento, papéis assinados, e uma declaração que comprova tudo. Ele sabia o que estava fazendo, e soube fazer da forma certa, não há nada que eles possam fazer, pelo menos, não comigo a frente do caso.

- Eu tenho plena certeza disso - Não conhecia ninguém além da Clar que gostasse tanto de entrar em uma briga pra ganhar, como tia Hazel.

- Papai… - Kira pediu colo resmungando

- Está com fome?

- Fome

- Posso usar sua cozinha pra preparar uma papinha pra ela?

- Fique a vontade meu amor - Ela se levantou - CLAR? DUDA? SE VOCÊS DEMORAREM MAIS UM MINUTO EU JURO QUE VOU TRAZÊ-LAS PELOS CABELOS. - Ela gritou

- Estão lavando o cabelo - Tio Frank disse ao passar pela sala

- Então vai demorar um pouco - Ela olhou para o relógio

- Não marcamos de sair as 10?

- Estão atrasados.

- Como sempre - Ele suspirou

Tia Hazel lhe lançou um olhar, e ele deu de ombros.

- Vou ligar para o Miguel de novo, e vou pra lá.

- Não se preocupe meu bem, você não marcou de sair com as meninas?

- Na verdade com a Clar.

- Não tem problema esperar por ela aqui.

- Posso usar sua cozinha pra fazer o mingau da Kira?

- Fique a vontade

Fui até a cozinha e coloquei a Kira sobre a mesa.

- Não se mexa ou você vai cair

- Cai dói, né?

- Sim, cair dói

A campainha tocou alguns segundos depois, e eu ouvi uma recepção calorosa entre tia Hazel e o convidado, como eu não queria ser inconveniente fingi que não estava prestando atenção. Esquentei a água e misturei o mingau, peguei a mamadeira e coloquei, verifiquei se estava quente e me virei para a mesa, dando um pulo para trás ao ver que havia alguém me observando.

- Bruno? - Perguntei sem entender

- Oi! - Ele sorriu. Estava apoiado em um batente perto da porta de entrada.

- O que você está fazendo aqui?

- Bem, eu faço parte da família pelo que eu saiba, então sou eu quem deveria fazer essa pergunta.

Pisquei

- Ah… Claro - Disse sem graça, e ele deu um riso - Eu ia pra casa do Miguel, mas ele está dormindo ainda, então como a Clar ficou de passar lá, vim aqui primeiro.

- Papai… Gagau! - Kira gritou

- Desculpa - Cantarolei pra ela e entreguei a mamadeira

- Olha só a coisinha que costumava estar dentro da barriga de uma garota da última vez que estive aqui. - Ele olhou para Kira - Inclusive sinto muito pela garota e… Pelo Mateus, teria mandado uma mensagem se eu tivesse redes sociais, ou seu número.

- Tudo bem - Ajeitei as coisas na bolsa da Kira e a peguei no colo. - Acho que o Miguel ja deve ter acordado.

- Ja vai?

- É melhor, não gosto de incomodar, ainda mais com visitas em casa

- Mas eles ja saíram - Bruno apontou para o silêncio na sala.

- Ah!

- Eles estavam esperando meu pai, o uber atrasou

- Ah!

Bruno riu

- Porque eu tenho a sensação de que você parece estar desconfortável ao me ver?

Porque eu estava

- Não estou, só não sabia que viria, e faz tempo que você não aparece. - Passei por ele e fui até a sala.

A verdade era que parecia estranho ver o Bruno, lembrar dos momentos em que conversamos, do aviso dele sobre o Mateus, dos ciúmes do Mateus com ele, da Maisa ainda estar viva quando ele estava aqui… Não estava preparado pra tantas memórias de uma vez. Foi como pensar que antes com o Bruno tudo parecia ser perfeito, e agora com ele de novo, tudo parecia ter virado de ponta cabeça.

- Não sabia? Então ninguém comunicou minha chegada? - Ele perguntou magoado

- E porque você precisaria ser anunciado? - Duda chegou a sala ainda com cabelo pingando e tentando desembaraça-lo. - Oi primo!

- Oi, Duda! - Ele se jogou na poltrona

- Você não deveria ter ido com nossos pais? - Ela perguntou

- Não queria atrapalhar a diversão da saída dos adultos

- Diversão para livrar sua cara de mais um processo?

- Que processo? - Perguntei surpreso - Mais um Bruno?

- Besteira - Bruno estalou a língua como se não ligasse.

- Ele brigou na rua e quase matou um garoto na porrada - Insinuou a Duda

- Não foi bem assim - Ele revirou os olhos

- Não foi bem assim? Minha mãe estava até preocupada se realmente podia fazer alguma coisa por você nessa história.

- Ela sempre consegue - Ele encarou as próprias unhas

- Deve ser por isso que você é tão irresponsável, ja que sabe que minha mãe vai livrar sua cara. - Duda revirou os olhos e foi até a TV

- Quem é tão irres… Ah, você! - Clar apareceu diminuindo o passo até chegar a sala

- Olá priminha! - Bruno despojou de um sorriso provocador

- Você não deveria estar na audiência?

- Tecnicamente, não

- O que o infeliz fez pra ter merecido a surra? - Clar olhou distraidamente a estante de livros - Ofendeu seus pais, você ou seu irmão?

- Meus pais - Ele respondeu um pouco timido

Duda e eu olhamos para ele.

- Ofendeu tio Nico, e tio Will? - Duda perguntou

Bruno deu de ombros

- Vocês acham mesmo que o Bruno parte pra agressão sem motivos sérios? - Clar perguntou

- Por isso você é minha prima preferida - Ele deu um sorriso sínico

- Ele é o primeiro a correr quando propaga uma discórdia. - Ela continuou

- Obrigada, Clar… Eu acho - Ele desfez o sorriso. - Enfim, o que vamos fazer hoje?]

- O que vamos fazer? Não tem o verbo nós, nos meus planos. - Duda perguntou ajeitando a TV na netflix - Eu vou assistir minha série, e vocês vão calar a boca.

- Eu vou na casa do Miguel com Felipe vamos jogar uma partida de game.

- Nossa, seria bem mais divertido eu ter ido pra audiência.

- Pode ir pra casa do Miguel com a gente, da última vez que veio, ele não estava aqui.

Eu tive que rir. Juntar Bruno e Miguel em uma sala seria o que? Disputa de ego?

- Depende do quanto o Miguel pode parecer atraente - Bruno mordeu os lábios

Duda tentou disfarçar uma olhada cautelosa, mas não deu.

- Pergunta pra Duda - Clar disse - Ela é expert em relação a atrações do Miguel - Ela piscou

Eu ri

- Não sei de nada disso - Ela disse rápido demais para parecer verdade

- Então vamos pra piscina - Bruno se levantou

- Mas você não gosta nem de sol - CLar resmungou

- Não, mas gosto de apreciar corpos se bronzeando. - Ele parou por um segundo - Você vai se bronzear, Clar?

São raras as vezes que vejo a Clar corar, e aquela foi uma.

- Eu ja nasci bronzeada, idiota - Ela se apressou em ajeitar as coisas jogadas no sofá dentro da mochila

- E você Felipe? - Ele me encarou

Eu ja conhecia o joguinho do Bruno, e não tinha como ele me pegar.

- Não tenho problemas com isso - Respondi

- Que bom - Ele deu um meio sorriso

***

- Toma! - Eu joguei a Kira nos braços do Miguel quando entrei no quarto

- Não jogue sua malinha pra mim - Ele resmungou

- Dintu! - Kira disse em um sorriso alargador e o Miguel se derreteu

- Ok, pode jogar de vez em quando… O que foi?

- Marcamos de jogar hoje e você estava dormindo

- Foi mal, varei a noite assistindo uma série… Quem está na sala? - Ele perguntou ao reparar as vozes

- Clar e Bruno

- Bruno?

- Sim, o Bruno…

- Bruno, primo da Clar?

- É

- Nossa… Ultima vez que vi esse cara eu tinha uns onze anos eu acho. - Ele disse pensativo - Porque ele está aqui? Digo, na minha casa?

- Clar convidou ele

- Hmm

- Então… - Eu apertei os lábios - Será que podia vestir uma roupa e ir na sala?

Miguel olhou pra si mesmo notando que estava apenas com uma bermuda de dormir. Ele me devolveu a Kira e pegou umas roupas indo até o banheiro.

- Cinco minutos - Ele disse

Voltei para sala, e o Bruno parecia ter provocado a Clar com algo, pois ela estava vermelha e parecia irritada, mas não apareceu muito para que o Miguel aparecesse então não deu muito pra realmente saber o que havia acontecido.

- Olha só, quem é vivo sempre aparece - Miguel disse cumprimentando o Bruno

- Eu quem o diga, da última vez que eu estive aqui era você quem estava fora.

- Estava conhecendo outras línguas - Ele piscou

- Eu sei muito bem o que é conhecer outras línguas.

Os deram risada, e a Clar e eu fizemos uma careta

- Então, o que temos para hoje? - Miguel perguntou

- Disseram que iam jogar, mas sugeri uma tarde na piscina - Bruno deu de ombros

Clar suspirou

- As vezes até eu esqueço que esse condomínio tem piscina, mas pode ser.

- Não trouxe roupa de banho pra Kira - Resmunguei

Bruno deu um risinho

- Isso é tão fofo - Ele disse ainda sorrindo

Revirei os olhos.

Miguel e Bruno foram na frente conversando sobre coisas que nem a Clar e nem eu queriamos fazer parte, pareciam ter sido amigos desde sempre, e que nem passaram mais de cinco anos sem se encontrarem.

- Ei - Chamei a Clar - Nunca vi você tão sem jeito com alguém, quanto está sendo com o Bruno.

- É… - Ela fez uma careta - Ele me provoca, e me sinto desconfortável porque tenho a Brenda.

- Ele te provoca? - Não havia entendido

- Bem… - Ela pigarreou - Ninguém além da Duda soube disso, mas….

- Você e o Bruno ficaram? - Perguntei surpreso

- Mais que isso

- Como assim?

- Ele foi o cara que literalmente tirou minha virgindade - Ela deu de ombros, como se aquilo fosse tão natural.

Eu quase engasguei com a saliva.

- Isso é…

- Nojento?

- Estranho

- Porque ele é meu primo?

- Porque não consigo imaginar você transando com um cara

- Você me imagina transando com uma garota? - Ela ergueu uma sobrancelha

Parei por um segundo

- As vezes

- Que pervertido

- Não é pervertido - Fiz uma careta - Só imaginava por… Sei lá, curiosidade.

Ela riu

- O que é? - Perguntei

- Nada - Ela apertou a boca.

Miguel nem esperou chegarmos até ele, ja estava pulando na piscina feito um peixe pedindo pela água. Bruno se afastou e veio em nossa direção. Clar olhou para cima onde ficava o quarto da Duda no prédio ao lado.

- Aposto que se a Duda nos ver aqui, ela vem.

- Vai entrar? - Perguntei

- Não

- Fica com a Kira?

- Claro

- Naum - Kira cismou - Que pixina papai

- Papai te leva depois

- Naum - Ela começou a resmungar e a querer chorar

- Filha, deixa o papai ficar na piscina um pouquinho

- Naum - Ai abriu o berreiro

- É nessas horas que a gente para e pensa: Onde tava a porra da camisinha? - Suspirei - Ta, ta… Vamos!

Bruno e Clar riram.

 

CLARICE

_____________________________________________________________________

- Ele mima muito ela? - Bruno perguntou

- Não faz ideia

- Isso não vai estragar a criança?

- Com certeza, mas até que o Felipe é mais rígido, o Mateus era totalmente servo dessa criança.

- Era? - Perguntou com um certo interesse

- Sim

- Ela deve sentir falta dele então

- Felipe não fala muito sobre o Mateus, não mais… Mas sim, a Kira às vezes pergunta por ele, mas isso está se tornando menos frequente.

- Hmm

O silêncio caiu sobre nós por alguns segundos

- O que vai fazer hoje a noite? - Ele perguntou

Sentamos em uma das cadeiras da piscina debaixo do guarda sol de uma mesa, o que eu deveria responder? O que eu deveria fazer? Ok, eu não deveria me preocupar com isso, a Brenda não se preocupa, porque eu me preocuparia?

- Sair com a Brenda, talvez eu durma por lá.

Não era verdade, era uma possibilidade, mas mesmo assim achei que seria o mais certo a se responder.

- Você está fugindo de mim? - Ele sorriu

- Talvez - Não pude deixar de sorrir um pouco sem graça

- Sabe que não vou fazer nada que você não queira

- Eu sei

- Então porque está fugindo?

- Do que eu possa querer - Dei de ombros

A risada do Bruno saiu como uma surpresa

- Do que possa querer? Eu acho que não entendi

Revirei os olhos

- Na verdade você entendeu sim

Ele mordeu os lábios tentando esconder uma expressão cínica.

- Como é seu relacionamento com a Brenda?

- Aberto

- Aberto? Uau… Tipo, sem compromisso?

- Com muito compromisso, sem muita cobrança

Ele tombou a cabeça para o lado como se realmente não tivesse entendido. Eu suspirei, odiava conversar sobre minha vida com alguém, mas com o Bruno era sempre mais fácil falar, afinal, ele era como eu.

- Sabe a questão de fidelidade? - Perguntei e ele deu espaço para que eu continuasse - Sei que sou fiel ao sentimento que tenho por ela. O tempo que passamos separadas acabei conhecendo tanta gente, e me envolvendo com tanta gente, mas nunca senti nada do que sinto quando estou com aquela garota. Não é como se eu fosse bancar a possessiva se caso eu me batesse com ela na rua e a visse com alguém, mas eu iria gostar de saber se aquilo envolvia sentimento ou não, na verdade era a única coisa que eu iria me preocupar. Me preocupo com o sentimento que ambas sentimos uma pela outra, não se pertencemos fisicamente uma a outra… Se a Brenda deixar de me amar, eu ficaria arruinada, mas… Confio na ideia de que isso não vai acontecer, mesmo que nossa relação seja aberta. É até injusto com outras pessoas, sabe? Eu ficar com alguém que não seja a Brenda, ou a Brenda ficar com alguém que não seja eu, sabendo que no final uma vai procurar a outra quando se tratar de descansar a alma em um lugar seu. Mas relacionamento em si, a ideia de se prender ainda não é o que eu quero, não é aqui que quero cravar minhas raízes, não ainda… Tem tanta coisa que ainda tenho pela frente. - Suspirei novamente - Tenho apenas dezessete anos, quero ter o máximo de uma vida bem vivida que eu puder.

Bruno fez um bico como se estivesse analisando

- Isso foi bem profundo

- Você é um idiota

- Não, Clar. Sério! Eu nunca… - Ele pausou - Nunca tinha pensado dessa forma, em pertencer a outra pessoa pela alma e não pelo corpo. Parece ser uma ligação muito profunda. - Ele continuou com uma expressão de quem analisava a situação

Eu sorri um pouco orgulhosa de mim mesma. Era a primeira vez que eu conseguia ser tão sincera com o que eu realmente sentia, e não me enganei quando achei que o Bruno entenderia.

- Mas e a Brenda? Tipo… Ela é de boa com isso?

- Sim - Afirmei sorrindo - Pela primeira vez na vida, depois que nós duas entendemos isso, tudo ficou mais fácil.

- Não acha que ela sofre em segredo?

- Eu também sofro, Bruno, mas o medo que tenho de perder a Brenda não é fisicamente, é de achar que um dia ela irá se apaixonar por outra pessoa enquanto eu estiver a milhões de quilômetros de distância. E é exatamente esse medo que ela sente também, que quando eu estiver longe por muito tempo eu deixe de amá-la.

- E você acha que isso não é possível?

- Talvez sim, mas preferimos pensar que não.

- Então vamos supor, que ela saiba que você ficou comigo…

- Ela sabe

- Ok - Ele piscou surpreso - Que ela saiba que estou aqui...

- Ela sabe

- Certo - Ele fez uma careta e riu - Certo, então sendo direto. Ela não se incomoda com fato de que nós dois poderíamos ficar novamente?

- Depende… Você por acaso tem essa intenção?

- Clar, me desculpe pela sinceridade - Ele levantou as mãos em sinal de defesa - Mas eu sempre terei essa vontade, você ja foi marcada como meu desafio preferido.

Eu ri

- Talvez ela tenha, por isso prefiro ficar com ela. Ainda estamos nos entendendo sobre isso, ela ainda está se acostumando com minha necessidade de correntes quebradas a uma relação, e não quero magoá-la, mas acima de tudo… Eu tenho vontade de estar com ela o tempo todo, então não seria um sacrifício pra mim. Eu não estaria abrindo mão da minha liberdade, do que eu quero.

- Hmm - Ele ficou pensativo - Não podemos sair…

- Não - Eu o cortei - Não podemos sair nós três, pelo menos não para chegarmos onde sua mente imunda o levou agora.

Bruno deu um meio sorriso travesso.

- Eu ja te disse que você é minha prima preferida?

- É, estou sabendo.

Nós dois sorrimos um para o outro e voltamos a encarar o nada.

***

Estava frio naquela noite, cheguei a casa da Brenda e comprimentei a sua mãe. Brenda estava sobre sua cama entre uma pilha de papéis e livros.

- Que noite legal - Eu entrei cantarolando

- É! - Ela disse desanimada - Estou tentando entrar no foco

- Posso ajudar? - Sentei ao seu lado a afastei seu cabelo do pescoço depositando um beijo

Brenda riu

- Isso com certeza não ajuda

- Posso te desestressar - Eu a puxei pela cintura

- Clar… - Ela me repreendeu

- Ok, ok! - Levantei as mãos - Quando foi que você resolveu ficar tão focada nos estudos?

- Tenho dezenove anos, trabalho em uma lanchonete, não faço nem curso de inglês para compensar algum tempo, preciso passar em uma universidade, Clar… Meus pais não tem condições de pagar uma particular.

- Desculpa - Disse sentida - Não quis ofender

- Não ofendeu - Ela segurou minha mão - Só quero que entenda o porque não tenho como te dar tanta atenção.

- Eu entendo - Beijei sua mão - Pode continuar, vou ficar quietinha te olhando daqui

- Vai monitorando meu estudo?

- Ah… Sim?

- Clar!!

- Eu vim aqui pra ficar um pouco com você, por favor não me faça voltar pra casa tão cedo - Supliquei - Eu queria dormir aqui - Fiz biquinho

- Ai meu Deus, não faça chantagem com esse biquinho, Clar, isso é apelação demais.

- Mas é só um biquinho - Continuei fazendo

Brenda revirou os olhos, depois riu.

- Você vai tirar toda minha vontade de estudar - Ela resmungou choramingando

- Não vou não

- Vai sim… Você veio de saia jeans. Não tem como eu competir a atenção das anotações com suas pernas.

- Boa jogada, não é? - Eu joguei minha perna sobre a outra.

Brenda me olhou com um ar repreendedor.

- Ta bom! - Suspirei frustrada - Eu vou deixar você estudar a noite inteira hoje, com uma condição.

- Qual?

- Seja minha a noite inteira amanhã?

- O dia inteiro, a noite eu trabalho

- Fechado - Eu lhe dei um beijo - Te amo!

- Te amo.

Apesar da Brenda saber que o Bruno passaria a noite de sábado na minha casa ela não perguntou por ele, e nem eu senti vontade de comentar sobre isso. Talvez realmente as coisas entre nós estivessem dando certo, e é como o Bruno havia dito, nossa ligação é mais profunda que um relacionamento, não importa o futuro, o passado, o que pode ou não acontecer, não pertencemos uma a outra fisicamente, vivemos o presente, e somos ligadas pela alma.

 



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