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História Akaichurippu - Capítulo 4


Escrita por: Naorinha

Capítulo 4 - Roda-gigante


A visão lá de cima era extremamente linda; era possível observar quase Tóquio inteira de dentro daquela cabine.

As duas garotas se mantinham vidradas na janela, apenas admirando tamanha beleza e com o entardecer que estava próximo, as luzes da cidade, aos poucos, estavam sendo acesas, iluminando o local e o tornando ainda mais belo na visão de todos.

Nobara demonstrava estar muito entretida com tudo aquilo e Maki se sentia bem pela alegria da outra. Simplesmente não havia nada naquela garota que pudesse acabar com o humor da mais velha, apenas se impressionava com tudo vindo dela. Não sabia se deveria achar aquilo bom ou ruim.

A roda-gigante se movimentava lentamente para todos poderem aproveitar o brinquedo, também fazia algumas "paradas" para que outras pessoas pudessem entrar ou sair. Pensando nisso agora, a veterana imaginou que o sobrinho pudesse estar passando o maior sufoco de sua vida, afinal ele morria de medo de altura. Mas seria bom passar por aquilo, ele estava perto da pessoa mais simpática do mundo, com certeza se sentiria, nem que fosse um por cento confortável.

— Olha, Maki-san!

Tratou de observar o que Nobara estava tentando lhe mostrar; ela apontava pela janela e para algo lá embaixo que Maki estava tendo dificuldade para encontrar.

— Okkotsu-senpai e Inumaki-senpai — ela falou sorridente. — Dá para ver os dois daqui de cima!

Procurou por ambos os garotos e conseguiu avistá-los sentados em um banco não muito distante e aparentemente conversando, pelas expressões que faziam, pareciam estar se entretendo muito. Maki sentiu que, um dia, esses dois também iriam iniciar um relacionamento, torcia internamente para isso acontecer.

Voltou a se ajeitar em seu assento, ficando em uma posição meio desleixada; ainda estava muito nervosa, aquele era o momento que tanto sonhou, mas ainda sentia que havia algo entalado em sua garganta que não permitia que iniciasse o assunto desejado. Estava nervosa e a pior parte, não havia nem pensado no que diria. Não estava nem um pouco preparada, sabia disso, mas também sabia que Megumi fez um esforço para ajudá-la, até enfrentou o seu medo, tudo porque queria vê-la feliz. Aquele garoto era um anjo, estranho, mas era.

Respirou fundo, tentando manter a calma e tentando controlar as cambalhotas que seu estômago dava. Tinha que falar, não importasse como, tinha que enfrentar aquele desafio, mesmo que fosse difícil e mesmo que fosse lhe machucar muito. Não podia apenas manter em segredo.

— Kugisaki... — chamou meio baixo, mas alto o suficiente para a mesma ouvir.

A que teve o seu nome mencionado desviou a atenção da janela e a fitou diretamente nos olhos, com um sorriso no rosto e um certo brilho que quase matou Maki do coração.

— Sim?

E mais uma vez congelou.

Sentiu seu coração falhar umas três batidas seguidas, logo ele começou a bater muito rápido. Desse jeito acabaria tendo um ataque cardíaco.

Nunca foi uma pessoa que demonstrasse tanta fraqueza emocional, mas agora estava sendo muito diferente; seu nervosismo era visível, seu rosto ficava vermelho a cada segundo que passava e por conta da temperatura de seu corpo estar aumentando, seus óculos acabavam ficando muito embaçados.

Puxou o acessório de seu rosto e tentou limpá-lo com a barra da blusa que usava, era uma boa desculpa para enrolar e quem sabe desse jeito acabasse se sentindo um pouco mais confiável na hora de falar.

— Está tudo bem, Maki-san?

Sentiu-se mais nervosa ainda, pelo jeito o seu nervosismo estava sendo visível demais.

— S-sim. Estou ótima! Por que não estaria? — Perguntou sem levantar o olhar, ainda tentando limpar seus óculos, enquanto forçava um sorriso que saiu muito torto.

— Você gaguejou! — Nobara apontou acusatória para a sua senpai, o que chamou a atenção da mesma. — E agiu meio suspeito o dia inteiro. Estou achando que aí tem coisa.

Levantou um pouco de seu olhar e sentiu uma imensa pressão sobre si quando percebeu o olhar julgador da mais nova. Aquilo iria acabar com ela uma hora ou outra.

— Bem, tem... — murmurou sem um pingo de confiança. — Eu queria falar uma coisa p-para você.

Droga! Gaguejou de novo.

— Pois então diga — pediu a caloura, cruzando os braços enquanto esperava sentada.

Não havia pensado em nada para dizer, mas era agora ou nunca, tinha que fazer aquele dia realmente valer a pena.

Engoliu em seco e ajeitou os óculos no rosto novamente.

— Quando a gente pensa em uma coisa que... Bem, às vezes pensamos em algo que queremos dizer, só que não dá para saber por onde começar...

Deu uma rápida checada em Nobara e ela continuava ali na mesma posição, só que aparentemente confusa.

Certo, tinha que dar um jeito, o seu jeito. Deveria confiar no seu coração e deixar que tudo seguisse de forma mais natural o possível, por mais que estivesse tentando isso e tudo que saía de sua boca eram frases que não conseguiam se conectar direito.

Pensou em ser apenas ser a Maki que sempre fora e o melhor passo para isso era adotar sua pose arrogante, por mais ruim que arrogância seja, ela era um ótimo primeiro passo para ganhar confiança, foi o que Gojo lhe ensinou quando estava na turma dele — claro que o homem falava por experiência própria já que era a arrogância em forma física.

— Tem muitas coisas que eu quero te dizer, mas não faço ideia de onde deveria começar. Talvez dizendo o quanto eu te amo? Ou mencionar que nos dias em que estive com você foram os melhores da minha vida? Melhor dizendo... que nesse tempo que estivemos juntas, comecei a acreditar que nascemos uma para a outra? Não, não está bom...

— Espera aí! — Pediu a mais nova, recebendo o olhar da outra sobre si. — Você, resumidamente, está dizendo que gosta de mim?

— É.

— Mais como uma amiga?

— É...

Ambas ficaram em silêncio, uma encarando a outra, só que a diferença era que Maki estava extremamente vermelha de tanta vergonha.

O clima ali estava bem estranho, mas ficou extremamente ridículo quando Nobara simplesmente começou a gargalhar igual a uma hiena, como se alguém tivesse contado a piada mais engraçada do mundo para ela ou se tivesse visto algum gato cair de um jeito engraçado.

Maki ficou um pouco irritada com aquilo, queria falar algo, mas não sabia o que; por que Nobara estava rindo? Será que achou engraçado o fato de sua amiga ter uma queda por si? Se fosse isso mesmo, queria deixar de viver porque seria algo doloroso demais para ela suportar. Talvez Yuji não fosse um completo idiota na hora que mencionou que poderia pular da cabine, pois já estava cogitando essa ideia.

— O que tem de engraçado? — Perguntou em voz baixa, olhando brava para Nobara; sinceramente estava forçando muito aquela expressão, porque o que realmente queria fazer era chorar.

— O seu jeito... — ela limpou uma lágrima que escapou no canto de seu olho, enquanto tentava conter as risadas. — Caramba! Eu ri muito, puta vida. Como eu dizendo, o seu jeito de se declarar foi fofo.

— Fofo?

— Foi fofo. Quero dizer, você tentou se declarar e se embaralhou toda, foi fofinho sim!

Agora sim estava sem reação, já não tinha mais certeza do que estava acontecendo ali e isso foi até bom, pois já não estava sentindo tanta vergonha assim — ao menos um pouco sumiu. Apesar de ter sido bem constrangedor, Nobara fez a garota de óculos se sentir mais confortável, mesmo com toda a vergonha que sentia.

— Isso prova que o que você disse é cem por cento verdade!

— E é. Cada palavra que eu disse é verdade. E-eu tentei, ao menos...

— Sim, eu sei!

Mais uma vez ambas ficaram em silêncio. Maki fitou o chão, sentindo seu rosto esquentar mais uma vez, o clima estava ficando desconfortável novamente e isso só a fez corar de novo.

— Ouça, Maki-san. Gostei muito de tudo o que você disse e aceito essa declaração...

— SÉRIO?! — A mesma a interrompeu, levantando a cabeça com os olhos cheios de esperança.

— Sim, mas assim, acho que está meio cedo para uma relação séria, sabe — quase toda sua alegria sumiu ao ouvir aquelas palavras. — Quero te conhecer melhor, entende?

— Não. Pode explicar?

— Vou tentar. Um passo de cada vez. É isso.

Foi a explicação mais meia-boca que Maki já ouviu, parecia até justificativa de prova de português, mas acabou capitando bem a ideia; o que Nobara queria era se tornar mais íntima dela antes de começarem uma relação séria, no caso namorar e isso já enchia a veterana de alegria e expectativas.

— Gostei — comentou, com um sorriso bobo no rosto. — Isso significa que vamos passar mais tempo juntas, não é? Falando do que gostamos, do que não gostamos, histórias bobas sobre o nosso passado, o sabor preferido de sorvete...

Interrompeu sua própria fala ao perceber Nobara se levantando; a mesma se sentou ao seu lado, por mais apertado que fosse os bancos — já que era um assento para cada pessoa. Acompanhou cada movimento da mesma com atenção, vendo como ela tentava se ajeitar ao seu lado, viu como ela colocou as mãos em seu rosto, uma em cada bochecha, aquilo já estava fazendo-a ferver muito. Fechou seus olhos e esperou, pois percebeu o rosto da outra se aproximar. Esperou, com o coração a mil por hora, mas tudo o que sentiu foi algo tocar a sua testa.

Abriu os olhos para conferir o que fora aquilo e percebeu que Nobara havia beijado a sua testa. Não podia negar, ficou decepcionada, mas era como a mais nova havia dito: um passo de cada vez. Teria que se contentar com isso.

— Vamos aproveitar o passeio, ainda não acabou — comentou Nobara, voltando para o seu assento. — Na volta, nós conversamos sobre isso, pode ser?

— Vamos falar sobre isso no colégio — pediu, ainda sentindo seu rosto quente.

— Certo.

Sorriu para a mais nova antes de voltar a olhar para a janela da cabine. Foi emoção demais para um único dia, deveria deixar o resto para o dia seguinte.

 

Continua...


Notas Finais


Relaxem, ainda vai ter mais dessas duas.

Beber água é legal e faz bem.


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