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História Aki: Kouen de kono Neko wo Mitsuketa yo - Capítulo 28


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Capítulo 28 - Hen na Kimochi


Quando Akira se aproximou da porta do apartamento da tia Naoko, a primeira coisa que ele ouviu foi a doce canção de um violino vinda lá de dentro. Ele tocou a campainha e esperou. A canção do violino parou e logo são ouvidos passos se aproximando da porta.
Eis que Naoko abre a porta e Akira quase cai pra trás ao ver como estava sua tia.
A mulher, que já era bem adulta com seus quase 40 anos, estava simplesmente vestida de colegial com uma linda blusa branca de laço vermelho e saia azul escura, junto com meias negras – e os cabelos dela ainda estavam presos com um cordão vermelho num penteado elegante e charmoso. Naoko segurava o violino e o arco nas duas mãos quando atendeu Akira e estava toda sorridente.
-Akira, que bom que veio!-exclamou Naoko aos risos – depois ficou séria.-Trouxe o Aki?
-Claro...-respondeu seu sobrinho com um olhar todo confuso.-Ele está aqui na mochila de gatinhos.
-Yokatta.-Naoko voltou à sorrir e deu uma passagem na porta.-Haitte kudasai.
Por sua vez, Akira adentrou o apartamento de sua tia e deixou suas botas no genkan tão logo foi até a sala de estar. Sentou-se num dos sofás e tirou a mochila das costas antes de abrir o zíper e deixar que Aki pulasse de dentro feito um coelhinho peludinho e fofinho. O gatinho sapeca se sentou no sofá macio e ficou olhando todo aquele apartamento ao seu redor.
Após fechar a porta, Naoko retornou toda de colegial com seu violino e seu arco – ela se sentou no sofá, deixando seu instrumento musical sobre a mesa de centro e começou a fazer carinho em Aki com suas mãos. Enquanto isso, Akira ainda olhava para a roupa de sua tia com um enorme ponto de interrogação no rosto.
-Tia...-disse ele após uns instantes em silêncio.-Qual é a da roupa?
-Não é só uma roupa.-respondeu Naoko, toda sorridente.-É uma fantasia para cosplay. Hoje estou de Miyamizu Mitsuha. Acha que eu acertei no penteado?
-E desde quando você é cosplayer?-questionou Akira.
Aki olhou de um humano para o outro na maior curiosidade fofa.
-É que um dos meus alunos lá do conservatório quer aprender Katawaredoki.-está dizendo Naoko.-Você sabe. Aquela música instrumental maravilhosa do Radwimps que toca quando o Taki e a Mitsuha finalmente se encontram no crepúsculo. Daí eu perguntei pra ele como ele poderia tocar essa música, se ela tem violino e piano. Ele me disse que tinha uma irmã que tocava piano e que era inteligente o suficiente para aprender qualquer música com piano. Acredita que ela conseguiu transformar doze músicas de PUFFY Ami Yumi em música instrumental de piano? Pois então...
Naoko continuou tagarelando sem parar. Akira olhava para todos os lados na mais completa confusão – e Aki encarava Naoko de forma tão perplexa como se já tivesse perdido o fio da meada.
-E teve uma vez que a mãe deles pintou os cabelos de verde e se vestiu de Hatsune Miku!-continuou Naoko na sua tagarelice alegre.-O que ficou demais porque aquela mulher tem a maior cara de universitária que acabou de sair do ensino médio. É impressionante. Ela deve usar um quilo de cremes especiais e tratar muito bem da sua pele. Parece um pêssego lisinho e macio que você...
-Tia!-Akira esbravejou subitamente, fazendo Naoko se calar.-O que tudo isso tem a ver com a sua roupa?
-Fantasia.-corrigiu Naoko.
-Que seja.-respondeu Akira.
-Bom...-Naoko sorriu bobamente.-Como se trata de uma música da trilha sonora de um filme, eu preciso entrar no clima para ensinar bem essa música aos meus alunos.
-Você entrou de cabeça mesmo...-ecoou Akira.
-Pois bem!-exclamou Naoko e pulou do sofá.-Vou trazer umas coisinhas lá da cozinha e aí decidiremos sobre o bolo todo.
Ela saiu andando até a cozinha e sumiu lá. Enquanto isso, Akira olhou para Aki e Aki olhou para Akira. Os dois se olharam por alguns instantes. Olhos castanhos com olhos verdes. O escritor sorriu e fez carinho no seu gatinho peludo que, muito confortável, se deitou sobre o sofá e se aconchegou muito bem ali com os olhinhos fofos meio fechadinhos.
Instantes depois, Naoko retorna carregando uma panela com uma colher dentro e algumas folhas de papel. Ela se sentou no sofá e empurrou a panela para o colo do sobrinho.
-Kore wa nan no ka?-perguntou ele inocentemente.
-Brigadeiro.-disse sua tia, toda feliz da vida.-E dessa vez eu fiz direitinho. Prove um pouco.
Cada vez mais curioso, o marmanjo pegou a colher de pau de dentro da panela e passou o dedo dentro de sua concha. Com o dedo coberto de um delicioso brigadeiro cremoso e gostoso, Akira meteu na boca e foi como se um reino doce estivesse se construindo sobre sua língua.
Com o dedo na boca, ele olhou para sua tia de forma maravilhada.
-Subarashii...-sussurrou ele debilmente.
-Eu sabia que ia gostar.-riu Naoko, satisfeita.-Eu pensei em colocar morangos junto. É sempre uma ótima combinação.
-Suki da.-sorriu Akira tão logo pegou um pouco mais de brigadeiro com o dedo.-Vou querer.
-Vou fazer um bolo de chocolate com a massa bem molhadinha.-falou Naoko em pura inspiração.-Vai ficar uma delícia. Agora, Akira, escolha um desses três.
Então, ela colocou sobre a mesa de centro três folhas de papel que carregava consigo. Eram folhas de papel com fotos impressas e cada uma com um desenho curioso. A primeira era uma árvore cheia de ramos e raízes entrelaçados, a segunda era uma união de três espirais e a terceira era uma estrela de cinco pontas dentro de um pentágono.
Akira olhou para aqueles símbolos bizarros e não entendeu nada. Naoko o olhou e riu.
-Veja.-disse e apontou para cada um dos símbolos.-Árvore da Vida, triskelion e pentagrama. Qual você prefere?
-Como assim?-Akira estava perdido.
-Ah, seu tapado.-sibilou Naoko e se voltou para Aki.-Nee, Aki? Por quê você não escolhe?
-Tia, que história é essa?-exigiu saber Akira.
-Não se faça de desentendido agora, Akira.-rebateu Naoko e pegou Aki nos braços.-Deixemos que Aki escolha por você porque este gatinho tem muito mais atitude e senso de decência do que nós, humanos.
O escritor apenas assistiu sua tia colocar seu gato sobre a mesa de centro. Lá, Aki ficou sentadinho sobre o móvel e olhou para os símbolos impressos nas folhas de papel – ele se abaixou por um momento e ficou cheirando as folhas como se ainda estivessem frescas após saírem da impressora.
Naoko ficou toda sorridente, ansiosa e esperançosa, já Akira já havia desistido de tentar entender o que acontecia ali.
Então, como se perscrutasse minuciosamente com o seu olhar, Aki se aproximou da folha de papel que possuía a imagem impressa do pentagrama. O gatinho cheirou a folha novamente antes de simplesmente se deitar sobre ela e ficar ali todo gorduchinho e esparramadinho no maior conforto.
-Clássico.-riu Naoko.-Eu sempre soube que Aki tinha bom gosto.
-É...-ecoou Akira, ainda muito confuso.-Eu nem quero mais saber que loucura é essa...
-Bom, Akira, sua irmã e eu vamos tratar das guloseimas da festa. Se você tiver algum desejo especial, nos diga.-Naoko se levantou do sofá.-Eu estou pensando em takoyaki e yakitori, já que você ama comidinhas de festivais. Deixa eu ir ao banheiro agora. Ainda bem que estou sem calcinha.
Akira assentiu e Naoko saiu andando para o corredor. Seu sobrinho parou, olhou para a tia maluca dele desaparecendo no corredor do apartamento e ficou se perguntando se ouviu o que ouviu agora há pouco.
Mas depois deixou pra lá. Quando voltou-se para Aki, ele percebera que o gatinho desaparecera misteriosamente da mesa de centro.
-Aki?-Akira olhou ao redor da sala de estar.-Kimi wa doko da?
O gatinho parecia completamente sumido no apartamento como se tivesse se enfiado em algum canto secreto. Akira já estava se levantando para procurar seu gato quando parou no exato momento em que seus ouvidos captaram notas musicais de piano.
O marmanjo ficou imóvel e ouvindo tudo. As notas do piano vinham por trás e eram doces e suaves – e Akira reconheceu na hora: era o piano da música Katawaredoki, a mesma que sua tia estava tocando com o violino.
Pois bem, ele se virou para trás e viu lá no pequeno estúdio de música da sua tia seu gatinho sentadinho no banco do piano.
-Aki?-sussurrou Akira debilmente.
Será possível que seu gato estava tocando piano? Não, não seria possível. Aki poderia curar machucados com lambidinhas, multiplicar petiscos de gatos e transformar folhas de gingko amarelas em verdes, mas tocar piano já era demais.
Rapidamente, o escritor saiu marchando até lá e acabou parando quase no finalzinho quando percebeu que seu gato não estava tocando no piano com as patinhas. Ele só estava lá sentado olhando para o longo teclado preto e branco. Confuso com o ocorrido, Akira chegou mais perto e olhou.
É como se o piano estivesse tocando música sozinho. As teclas se afundavam e tocavam as notas musicais como se um yuurei estivesse tocando o piano sem ninguém vê-lo. Todo chocado, Akira olhou para Aki e Aki olhou para Akira na maior inocência, mas tinha um jeitinho suspeito de gatinho brincalhão.
O piano continuava tocando Katawaredoki como se nada estivesse acontecendo. E lá, gato e humano se encararam longamente.
-Você...-Akira ecoou com um olhar perdido.-Não está fazendo isso com o cérebro... está?
Subitamente, uma descarga vinda do banheiro e a porta se abre.
-Akira?-Naoko chamou, do nada.
E aí, tomado pelo pânico, Akira agarrou Aki do banco do piano e ficou segurando o gatinho nos braços. Nessas, o piano parou de tocar música e se silenciou.
Naoko retornou com um olhar curioso olhando para seu estúdio de música e para seu sobrinho como gato nos braços.
-Você estava tocando piano?-ela perguntou curiosamente.
-Anou...-Akira procurou as palavras.-Hai!
-Mas eu pensava que você tinha perdido a prática.-respondeu Naoko confusa.-Shakuhachi não era o seu grandioso favorito?
-Bom...-Akira sorriu todo sem graça.-Hoje em dia tem tutorial pra tudo na Internet. Até pra saber como entrar na Internet.
-Ah, omoshirosou.-Naoko sorriu.-Será que tem tutorial ensinando como decorar bolos?
Enquanto isso, Aki ficou com a maior carinha de suspeito nos braços de Akira.
:
Após deixar o apartamento de sua tia em Roppongi Hills, Akira decidiu dar um passeio pelo Parque Yoyogi com Aki. Ele havia trazido alguns petiscos para o caso do gatinho fofo sentir fome, afinal ele quase sempre estava com fome. Lá chegando no parque repleto de folhas secas por toda parte, o escritor se sentou debaixo de uma árvore gingko toda amarela e tirou a mochila de gatinhos das costas.
Colocou a mochila sobre a relva verde e abriu o zíper. Rapidamente, Aki deu um salto para fora feito um coelhinho fofo e veio se chegando até Akira todo manhosinho e fofinho querendo carinho.
-Nyan! Nyan! Nyan...-miava ele, começando a esfregar a cabecinha e as orelhinhas no joelho do seu dono.
-Nem vem com nyan.-retrucou Akira, fechando o semblante.-Achou que eu esqueci o que você fez no apartamento da tia Naoko?
Aki se sentou e o olhou inocentemente.
-Consegue entender que para um ser humano normal pode ser uma loucura um gato tocando piano com a mente?-questionou Akira.-Coisas assim não acontecem num mundo, onde a ciência e a matemática parecem ser as coisas mais plausíveis e sensatas, mas você...
Aki lambeu a boquinha e piscou os olhinhos verdinhos de um jeito fofo. E Akira acabou sorrindo.
-Você é um gatinho fofo.-disse ele, sorrindo.-Você não precisa de ciência e matemática pra lhe dizerem o que fazer. Você é fofo simplesmente.
-Nyan!-e, com um pulinho fofo, Aki subiu no colo de Akira e se aconchegou todo ali.
O marmanjo sorriu e começou a acariciar o seu peludinho fofo com a mão. Aki já estava ronronando de felicidade ali no maior conforto daquele colinho gostoso.
-Tem fominha?-indagou o humano ao gatinho.
O gatinho lhe olhou e começou a lamber a boquinha com a lingüinha. Akira riu e foi mexer nos bolsos da mochila. Pegou um dos petiscos de peixinho e rasgou a embalagem. Com a ponta dos dedos, ele pegou o petisco em formato de peixinho alaranjado como se fosse um filé de salmão. Aki, todo gulosinho, já foi logo abocanhando o petisco gostosinho com seus dentinhos afiadinhos.
-Você é fofinho até quando está comendo...-Akira sorriu docemente.
Todo fofuchinho, Aki agarrou o dedo indicador de Akira com as suas patinhas e ficou lambendo as migalhas nele.
-Hmm, lingüinha áspera...-sussurrou o marmanjo de forma meiga.-Vou pegar mais petisco pra você.
Ele pegou outro petisco de peixinho e deu para seu gatinho, que já foi logo devorando tudinho na maior felicidade. Akira riu.
-Akiraaa!!!-alguém gritou ao longe.
Como se tivesse levado um susto, o escritor levantou a cabeça e olhou ao seu redor. Não muito longe dali, Natsumi e Makoto se aproximavam bem alegres e sorridentes e com mais sete gatinhos à tiracolo. Ela estava com Benzaiten dentro daquele seu moletom com bolsa para carregar gatinhos, além de Hanei e Kannon nas coleirinhas andando no chão – e ele estava com Anko, Yuki e Gojira também nas coleirinhas e com Hana sobre seus ombros à la James & Bob.
-Mas o que é isso...?-sussurrou Akira debilmente.
Aki não parava de encarar aquele monte de gatinhos.
A dupla dinâmica amante de gatos foi se chegando mais com todos aqueles gatinhos e Akira só assistia a cena.
-Akira!-falou Natsumi toda sorridente.-Veio passear com o Aki aqui no parque?
-Hai...-respondeu ele, encarando os sete gatos.-E vocês?
-Nós também, seu bobo.-riu Makoto.
Eles se sentaram na relva verde junto de Akira e foram colocando todos os gatinhos livres para relaxar depois da viagem. Nessas, todos os gatos de Natsumi e Makoto pareceram um tanto curioso para com Aki, que permaneceu todo enroladinho no colo de Akira.
Os sete gatinhos se sentaram de frente para Akira e ficaram olhando para o seu gato de forma curiosa como se sentissem que Aki não era um gatinho normal. O escritor olhou para o seu e para todos aqueles gatos como se temesse que fosse haver uma briga de gatos no meio do Parque Yoyogi.
Entretanto, para sua felicidade e total alívio, isso não aconteceu. Os gatinhos apenas se aproximaram mais e começaram a cheirar Aki. O peludinho logo saltou do colo do seu dono e foi para a relva conhecer os novos amiguinhos.
Em instantes, Aki já estava sendo tratado pelos gatos de Natsumi e Makoto como se ele fosse um rei, um imperador poderoso e supremo sobre eles. Aki ficou sentadinho enquanto todos os outros gatinhos mais pareciam querer lhe reverenciar e lhe agradar. Benzaiten ficou sentadinha ao seu lado lambendo suas orelhinhas, Gojira ficou esfregando o rostinho e as orelhinhas no pescoçinho de Aki, já Hanei e Kannon se deitaram bem perto do gato de Akira enquanto que Anko, Yuki e Hana ficaram brincando com sua longa cauda peluda.
Akira ficou besta de ver a cena. Por outro lado, Natsumi e Makoto acharam tudo perfeitamente normal.
-Oh, kawaii naa!-exclamou Natsumi num sorriso apaixonado.-Nossos gatinhos gostaram do seu gatinho, Akira.
Akira olhou para Natsumi.
-Isso significa que nós vamos ser uma grande família feliz!-Makoto começou a rir feito um maluco.
Akira piscou os olhos inocentemente.
-Ja, hajimeyou.-disse Natsumi e só agora Akira percebeu que ela carregava uma bolsa enorme no ombro.
De dentro da bolsa, Natsumi tirou o que parecia ser uma toalha de piquenique. Makoto a ajudou à arrumar a toalha sobre a relva verde e logo depois Natsumi tirou de dentro da bolsa um troço bizarro de plástico preto que se desmontou todo e magicamente virou uma mesinha baixa para piquenique.
Akira ficou paralisado encarando a cena e os gatinhos pareciam bem curiosos sobre o desenrolar daquela maluquice.
Em seguida, os dois malucos tiraram de dentro da bolsa umas oito almofadinhas e colocaram todas elas em volta da mesinha preta de plástico. Feito isso, Natsumi e Makoto tiraram do interior da bolsa que parecia não ter fundo umas oito tigelinhas duplas que eles foram colocando em volta da mesa como se tudo aquilo fosse um jantar de classe. Depois, Natsumi pegou um pote grande e quadrado que parecia cheio com alguma coisa e Makoto pegou uma garrafa térmica azul bem grande.
Akira continuou assistindo tudo e agora até ele mesmo estava curioso sobre o final de tudo aquilo.
Natsumi serviu nas tigelinhas duplas alguns punhados de uma ração caseira para gatos de salmão e frango desfiados com arroz cozido, abóbora esmagada e molho de espinafre ao passo que Makoto serviu nas mesmas tigelinhas um leitinho especial para gatinhos numa deliciosa temperatura morna.
Eles guardaram tudo na bolsa e Akira já ia falar alguma coisa, mas Natsumi e Makoto o interromperam.
Ela pegou da bolsa nada menos que um lindo vasinho de ikebana com flores kikyou roxas bem graciosas e colocou no centro da mesinha – e ele pegou um lindo sininho prateado e começou a tilintá-lo alegremente.
-Tabemashooou!!!-falou Makoto bem alto.
E então, feito magia, todos os gatinhos, incluindo Aki saltaram da relva verde e foram todos se juntar em volta da mesinha. Aki e Benzaiten sentaram-se de frente um para o outro enquanto que os outros seis gatinhos se sentaram nas laterais da mesinha. E finalmente, todos os gatinhos começaram a comer a comidinha deliciosa que lhes foram servida no maior prazer e felicidade.
Akira olhou dos gatos para Natsumi e Makoto, e de Natsumi e Makoto para os gatos, um enorme ponto de interrogação no rosto.
Decididamente, a única explicação para aquele fenômeno de fofura felídea total radiante era Aki, que tinha uma inteligência muito maior que os outros, e os gatos de Natsumi e Makoto terem simplesmente sido treinados para esta maluquice.
Os gatinhos ficaram lá sentadinhos na mesinha saboreando a ração deliciosa como se fosse a coisa mais normal do mundo, aliás era a coisa mais fofa do mundo. E Akira, assistindo a cena, viu Natsumi e Makoto pegaram os celulares e tirarem um monte de fotos e fazerem vídeos dos gatinhos comendo todos juntinhos.
Tudo isso durou uns sete minutos que foi o tempo para todos os gatos comerem toda a ração ate o finalzinho. Depois dessa, quase tudo foi recolhido de volta na bolsa enorme de Natsumi, restando apenas a toalha de piquenique e as oito almofadas para os gatinhos se aconchegarem confortavelmente. É claro que Aki ficou no centro de todos os gatinhos, ganhando lambidinhas e até massagem de algum gatinho amassando pãozinho em seu corpinho fofinho.
Por fim, quando Akira sentiu que estava de volta à realidade, ele olhou para seus amigos que já deviam estar postando todas as fotos e vídeos na Internet. Assim que eles terminaram tais coisas, olharam para seu amigo escritor, guardaram os celulares nos bolsos e abriram aqueles seus sorrisos totalmente amalucados.
-Dou shita?-ecoou ele com um olhar inocente.
-A gente já sabe de tudo.-disse Makoto, todo sorridente feito um Gato Sorridente.
-Vocês já sabem de tudo o quê?-Akira arqueou a sobrancelha confusamente.
-Ora, do garoto.-riu Natsumi.
-Que garoto?-questionou Akira.
-O garoto com o qual você esteve lá no café.-respondeu Makoto.
Akira empalideceu. Aki, que estava lambendo um dos gatinhos, olhou para seu dono de forma misteriosa.
-Eu não...-ele balbuciou debilmente.-Não sei do que estão falando...
-Não se faça de idiota, Akira.-Makoto começou a rir.-Só porque a Natsumi e eu trabalhamos em turnos diferentes dos outros lá no Magic Cat Cafe não quer dizer que não podemos fazer amizades com todo mundo ao ponto de sabermos tudo o que acontece por aquelas bandas. E nós dois sabemos tudo o que acontece por aquelas bandas.
-Hmm.-Akira assentiu, ainda se fazendo de desentendido.
-E nós ficamos sabendo por fontes confiáveis que você esteve lá ontem com um garotinho muito fofinho.-acrescentou Natsumi, o sorriso todo sapeca.-Agora vai. Desembucha!
Por um momento, Akira ficou calado, tão tranqüilo e impassível quanto inacessível, mesmo que dentro de sua mente sirenes e luzes vermelhas estrondavam num total alerta vermelho exigindo que ele arranjasse a maior e mais perfeita desculpa esfarrapada urgentemente para socar no fundo da goela de seus amigos pirados antes que essa história se espalhasse para mais pessoas piradas.
-Ah, isso é tão simples.-disse ele com uma naturalidade fantástica.-Era só um garoto fã dos meus livros que me reconheceu e pediu com uma maravilhosa educação para se sentar comigo e almoçar ao lado do seu escritor favorito. Nada de mais.
A desculpa pareceu ser genial, pois Natsumi e Makoto murcharam, desanimaram consideravelmente.
-Bom...-Natsumi lançou um olhar para Makoto.-Já que é assim...
E por algum motivo, o assunto da conversa mudou rapidinho:
-Nee, Akira?-disse Makoto, pegando o celular novamente.-Já viu os novos vídeos do Hosico?
:
Por fim, Aki e Akira estavam em casa. Akira preparou um chá vermelho e ficou bebendo sentado na varanda de sua casa com as costas contra a parede enquanto admirava uma leve brisa soprando as folhas secas em seu jardim. Aki veio de dentro da casa – ele já se encontrava na sua forma humanóide e veio engatinhando com a cauda peluda toda para o alto e as orelhinhas fofas se mexendo lindamente.
O gatinho sapeca se chegou todo manhoso para o seu marmanjão e começou a esfregar as orelhinhas em seu bíceps musculoso. Akira olhou para Aki e sorriu. Deixou seu copo de chá sobre o chão de madeira da varanda e deu um tapinha no colo de calça de moletom para aquele fofinho subir e se aconchegar ali.
Todo feliz, Aki subiu no colo de Akira e se aconchegou bem ali, pousando sua cabeça em seu peito musculoso e desnudo, cujo coração batia calmamente como uma canção de shakuhachi. Akira envolveu Aki com um de seus braços musculosos e ficou acariciando suas costinhas magrinhas de pele lisinha enquanto continuava à saborear do seu chá vermelho.
-Seus amiguinhos fizeram um lanchinho muito gostosinho, Kira.-sussurrou Aki de súbito.
-Honestamente, eu não sei aonde aqueles malucos vão parar.-comentou Akira.-Eles tem uma adoração quase obsessiva por gatos.
Aki começou a rir.
-É sério.-e Akira riu também.-Todo o 22 de fevereiro, eles fazem uma festa toda ritualística para reverenciar os seus sete gatos. Os malucos fazem viagens pelos santuários de gatos e até de manekineko pelo país todo e agora eles descobriram aquele templo budista, onde os monges são gatos e ficam insistindo para eu ir conhecer.
-Existe um templo, onde monges são gatinhos?-Aki olhou para seu dono de forma curiosa.
-Claro. Por quê não?-Akira sorriu, brincalhão.-É o Nyan Nyan Ji. Fica lá em Kyoto. Na última vez em que estive lá foi para fazer umas pesquisas para um romance que estava escrevendo na época. Acho que eu devo ter ouvido alguém falar sobre um templo budista com monges gatos em alguma ochaya de Gion, mas não dei muita atenção...
Aki começou a sorrir de um jeito fofo e aproximou o narizinho do pescoço de Akira até tocá-lo de leve. O marmanjo se arrepiou todo e ruborizou.
-Aki, yamero.-ordenou Akira, sem rodeios.
Mas nessas alturas Aki já estava ronronando e com a caudinha peluda se abanando toda – e ele começou a lamber todo o pescoço de Akira, fazendo seu dono rir só por sentir cócegas num lugar tão bobo. Ele teve de deixar de lado o seu copo de chá e agarrou aquele garotinho gatinho sapequinha com seus braços musculosos e ficou brincando de morder seu pescoçinho e sua bochechinha. Aki riu como um menininho fofo e sapeca – e a pegação fora tanta que Aki acabou parando deitadinho no chão da varanda com Akira bem por cima dele entre suas perninhas.
O marmanjo musculoso, com seus longuíssimos cabelos negros pintados de azul caindo sobre o garoto ruivo sob si, foi trilhando aquele pescoçinho gostoso com mordidinhas meigas e fofas, subindo e subindo, até chegar ao seu maxilar, onde continuou até chegar aos seus lábios carnudos e rosadinhos.
E foi onde Akira parou.
De repente, tudo ficou meio embaraçoso, meio tímido. O escritor ruborizou violentamente e se encolheu um pouco. Por outro lado, o gato sapeca que já havia enroscado as perninhas em sua cintura tinha um sorrisinho manhoso e fofo no rostinho lindo.
Akira teve uma sensação estranha. Uma sensação de conforto emocional tão doce e prazerosa que o fazia querer ficar ali com Aki o dia todo. Alguma coisa naquele gatinho sapeca o atraía e lhe concedia uma paz saborosa, mas sobre tudo um estranho sentimento que ele não conhecia bem.
Algo doce e bom. Puramente, simplesmente.
Então, dando um risinho sapeca para o rostinho vermelho de Akira, Aki aproximou sua boquinha dos lábios de seu dono, mas não foi um beijo. Foi mais uma mordidinha carinhosa no lábio inferior dele. Como quem gosta de brincar, Aki mordiscou carinhosamente o lábio inferior de Akira e o puxou levemente com seus dentinhos como se fosse um docinho saboroso.
E nessas, o marmanjo sentiu seu corpo todo estremecer de prazer e ele fechou os olhos castanhos devagar até o rosto ruborizar um pouco mais. O garoto brincou com aquele lábio carnudo, rosado e gostoso até se cansar em algum momento – depois seus dentinhos o soltaram e os dois se olharam com seus olhos se abrindo vagarosamente.
Se olharam profundamente. Aki enroscando um pouco mais os braçinhos no pescoço de Akira. Akira apertando o corpinho magrinho de Aki em seus braços musculosos.
-Nee, Kira?-sussurrou Aki, o sorrisinho fofo no rostinho.
-Nani... Aki?-sussurrou Akira, o olhar fixo nos olhinhos verdes.
-Kimi ga daisuki...-Aki sorriu mais.-Kimi dake ga daisuki...
E o marmanjo abriu um sorriso torto, bobo, fofo e acanhado para o garoto.
-Hontou ni... kimi ga daisuki...-respondeu ele carinhosamente.-Aki... 



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