História Aku no Sawa-san - Capítulo 1


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Categorias Aku no Hana
Tags Aku No Hana, As Flores do Mal, Charles Baudelaire, Lirismo, Poesia
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LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Drabble, Drama (Tragédia), Poesias
Avisos: Heterossexualidade
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


O poeta se compara ao príncipe da altura
Que enfrenta os vendavais e ri da seta no ar;
Exilado no chão, em meio à turba obscura,
As asas de gigante impedem-no de andar

- Charles Baudelaire

Capítulo 1 - Capítulo Único


Como posso eu, após conhecer atroz personalidade, me tornar íntimo da excentricidade, e derrubar as paredes da depravação, voltar para essa decadente cidade de podridão, abaixo do nível das colinas que limitam nossa visão? Como posso eu, esquecer seu sorriso psicótico, seu cheiro inebriante, seu toque sufocante e suas palavras impalpáveis, e voltar ao rosto angelical da minha musa imaginária, virgem pura e imaculada, que não conhece a perversão?

Como posso abandonar a adrenalina, o desespero e a extasia, e retomar a minha rotina de calada solidão? Como posso sonegar sua companhia para ler essa poesia que me falta compreensão? Como hei de conseguir respirar o ar inócuo que, ironicamente, me golpeia os pulmões, e perder cada molécula de veneno intoxicante que exala de seus poros e me acalma o coração? 

Como poderei viver na ausência de seus olhos penetrantes, calculistas, irresponsáveis, e escolher aqueles cujas orbes não se estreitam, cujas pálpebras não estremecem de prazer louco e vulgar? Como esquecerei de toda a história que escrevestes na minha vida ignóbil, que talhastes na minha pele com tuas unhas em carne viva, e que derramastes na minha alma com tuas lágrimas incompreendidas? 

Não tem como fazer isso; você deveria saber mais do que eu. Nas noites em que meu espírito afunda na escuridão, eu vejo seu rosto, suas palavras - outrora cruéis, agora genuínas - definindo minha patética situação. 

Você é a flor do mal que habita dentro de mim, o que eu sempre busquei nesse mundo enfadonho, o que restava para que a vida fizesse sentido, o que, agora, eu não consigo mais ficar sem. Você é meu vício, é insubstituível. Você mudou minha perspectiva - e talvez eu seja louco por dizer isso - você a mudou para melhor.

Eu escrevo, agora, as palavras que você rasgou na minha frente e que eu nunca consegui te dizer - o nó no meu estômago, o medo da rejeição, a falta de coragem, não são desculpas convenientes. Eu tive vergonha de mim mesmo pois tu és a flor divina, que arde no fogo eterno, e veio queimar os meus dias.

Eu te amo, Sawa-san.


Notas Finais


Minha alma é um túmulo que, mau celibatário,
Desde sempre percorro e habito solitário;
Nada enfeitou jamais este claustro sem Deus

- Charles Baudelaire


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