História Akuma to Deau - Capítulo 7


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Akuma To Deau, Encontro, Namorando O Demônio, Possessão, Romance, Terror
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Palavras 6.711
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção, Ficção Adolescente, Mistério, Poesias, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror
Avisos: Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Peço perdão pela demora da prontidão do capítulo.

Capítulo 7 - Conflito


Fanfic / Fanfiction Akuma to Deau - Capítulo 7 - Conflito

Neste mundo de repetições e degradações, estamos todos conectados, constantemente criando laços uns com os outros mesmo sem perceber. Você, eu, ele, ela, todos ao nosso redor estão conectados. Tudo tem razão, nada é por acaso. Você pode ser diferente e vaidoso, vindo de um lugar longe de onde eu vim, mas nós dois temos algo em comum. Todos presos no interior de uma aliança eterna, fadados a cumprir nossos deveres e pagar pelos nossos erros, lutando por um pingo de esperança. Você não está sozinho, e mesmo quando está, não está. Você não está rodeado somente de boas pessoas; pois na escuridão, tenha toda certeza, o mau lhe conhece muito bem.

- Narra um certo ser.

Horas depois do último ocorrido do capítulo anterior:

Parecia ainda estar escuro, provavelmente já era madrugada. Todas as tendas estão acesas, indicando que todos os alunos estão acordados. No centro daquele acampamento, estava Yamaguchi Asami sentada num banco, coberta por um edredom macio enquanto balançava nervosamente. Seu olhar demonstrava pavor e trauma, o que fazia seus balanços ainda mais sinistros.
Algumas alunas que conheciam Asami sentaram-se ao lado dela, enquanto outras ficaram de pé em frente a ela querendo mais informações do que havia acontecido. Perto delas, estava o professor Ryotaro, que parecia imensamente preocupado, apesar de mostrar seriedade.

''Asami-san, por favor, nos conte o que houve! Você está pálida!'' - Pediu uma de suas colegas. Outra que estava sentada ao lado de Asami resolveu colocar sua mão nas costas de Asami, dando-lhe um conforto amigável. Mas nem isso fazia Asami voltar a realidade. Seus lábios separavam levemente, como se ela estivesse incapaz de falar, e mesmo assim, tentando.
Enfim, agoniado, o Professor decide aproximar-se mais e perguntar.

''Senhorita Yamaguchi, sei que o que você pode ter visto ou ouvido deve ter sido uma experiência assustadora. Mas quero que você lembre-se que você está ao lado de suas amigas, está segura.'' - Disse - ''Esqueça o medo e conte-nos o que houve.''

Ela olhou atentamente para ele, ainda mostrando pavor. Do nada, ela ergueu uma mão e começou a apontar para ele nervosamente, tentando esforçadamente falar ''Você''. Alguns alunos de longe ainda assistiam aquela cena, indignados com o que acontecera. Alguns, estavam entediados e incomodados, já que foram acordados em meio a madrugada.

''E-E-Eu a vi! E-Estava na mata, com uma motosserra!'' - Resmungava com muito esforço. Sua voz alterava-se drasticamente com seu choro incontrolável.
''E-Ela tinha a d-droga de uma motosserra!'' - Exclamava. O professor ergueu-se novamente, demonstrando decepção com o olhar. Parte dele sabia do que Asami estava falando, e outra parte ousava pensar que ela estava enlouquecendo, tendo alucinações.

''Acho que foi um erro nosso tentar fazer você falar algo. Por favor economize seu oxigênio e beba algo.'' - Disse, apalpando suas costas e deixando-a para falar com o dono do terreno. Este também estava indignado, coçando a testa com agonia. Em nenhum momento, o professor Ryotaro deixou de tirar seu olhar sério.

''O que houve aqui ?'' - Perguntou o senhor.

''Nada com que se preocupar, senhor. Uma das alunas só teve uma experiência ruim uma vez e isto voltou a perturbá-la hoje.'' - Respondeu, cruzando os braços e ficando ao lado do dono do terreno, enquanto ainda observava os alunos. Alguns voltavam para suas barracas e desligavam as luzes. Mas os que montaram suas barracas próximas da barraca de Asami não desligavam a luz, pois não conseguiam dormir com o choro desesperador de Asami.

''Pobre menina..'' - Comentou o senhor - ''Esta não é a primeira vez que um adolescente toma um susto neste território.''
O professor voltou a olhar para o senhor com curiosidade.
''Mesmo ?'' - Perguntou.

''Nada demais. Aqui tem muitos animais distintos, mas felizmente muitos não são perigosos.'' - Respondeu - ''Mas pelo que me informaram, antigamente, foi construido aqui um cemitério. E você sabe tão bem quanto eu, que dormir aonde os mortos estão enterrados nunca dá coisa boa.''

O professor voltou a olhar para os alunos. Ele viu os arbustos mexerem-se no local em que encontraram Asami. Ficou atentamente olhando para eles enquanto o dono do terreno olhava para os alunos. Ficou observando até ver duas silhuetas. Aparentemente, uma pessoa segurando a outra pelos ombros, como se a outra estivesse inconsciente ou incapaz de andar.
Conforme os dois se aproximavam do acampamento, que tinha uma quantidade considerável de luz, eles foram tornando-se visíveis. Yamada Shinichi segurando Kamine, que parecia exausta.
O que era notável, é que Shinichi segurava ela para dar-lhe apoio, mas Kamine se segurava nele com liberdade total. Colocava sua mão esquerda sobre o peito dele enquanto entrelaçava o outro braço em seu ombro e pescoço, aproveitando a companhia dele. Ela tinha um olhar que demonstrava alegria e cansaço ao mesmo tempo.

Assim que viu esta cena, ele reagiu tão friamente que seus olhos perderam vida. Seu rosto estava parado, seus olhos mais sérios do que qualquer pessoa poderia interpretar. O dono do terreno chegou a notar e olhou para ele.
''O que há de errado ?'' - Perguntou.
''Nada, nada mesmo. Mas acho que o que perturbou minha aluna não foram os mortos enterrados.'' - Respondeu. Mais uma vez, o dono do terreno coçou a testa. Desta vez, deu as costas e foi embora.

''Bom, se precisar de algo, minha cabana não fica longe. Só não me acorde se eu estiver dormindo.'' - Disse o senhor antes de ir embora. O professor permaneceu atento observando Shinichi e Kamine.

''Não.. Os mortos enterrados não.. Algo pior.'' - Comentou em voz baixa.

Não tão longe dali, no mesmo instante:

Shinichi andava a procura da barraca de Haruka, pretendendo deixar Kamine por lá. Ou, Kyame, no caso. A própria demônia apareceu novamente, agarrando-se a Shinichi como se não o tivesse feito a muito tempo. Hoje cedo demonstrou fúria e ciúmes, mas agora demonstrava satisfação e felicidade. Seus olhos estavam fechados, mas seu sorriso perverso dizia tudo.

''Shin-kun tem um cheiro tão bom..'' - Comentava. Ao ouvir as confissões alheias de Kyame, Shinichi envergonhava-se e enchia-se de rubor. Mas lembrar do que aconteceu só fazia ele esquecer da vergonha e demonstrar decepção e raiva. Assim que chegou na barraca, ele observou que Haruka não estava por lá. Conseguiu se livrar do abraço de Kyame e afastou-se centímetros dela.

''No que estava pensando quando fez aquilo ?'' - Perguntou - ''Você poderia ter machucado a Yamaguchi-san! Ou até matado ela..''
Kyame não demonstrou surpresa pela reação dele. Assim que ele terminou, ela reagiu com um sorriso que dizia que ela não se afetava com o susto de Asami. Na verdade, só parecia se entreter com o sofrimento daquela garota.

''No que Você estava pensando quando fez aquilo hoje cedo, é o que deve ser perguntado.'' - Disse ela - ''Você poderia ter me machucado, ou pior, partido meu coração.''
Shinichi ignorou e avançou com sua preocupação, deixando de lado tudo o que havia acontecido hoje, com exceção do ataque de Kyame. Estava determinado a castigar Kyame pelo que ela fez, e isso tudo só o seu olhar dizia. Aproximou-se um pouco mais dela, demonstrando um olhar de decepção, quase acertando seu rosto contra o dela.

''Eu achei que tivéssemos feito uma promessa!'' - Disse - ''Nós continuamos juntos; amor reciproco. E você não se envolve com outras pessoas!''
Finalmente, ela inclinou o sorriso. Perdeu a sua moral quando ele mencionou novamente a promessa. Seu olhar demonstrou seriedade, e ao mesmo tempo, uma vergonha disfarçada. No fundo, dava para ver que ela estava envergonhada, apesar de pouco, mas estava escondendo isso com o olhar sério. E isso ficou claro quando ela virou o rosto, deixando ele encarando a lateral de sua face.

''O contrato dizia que não devo machucar ninguém, principalmente esta menina, Kamine.'' - Disse ela com a face virada - ''Mas isto se houver mesmo esse seu ''amor reciproco''.. Como posso acreditar que estamos juntos se você sai por ai agindo normalmente como se eu não existisse ?''

''O que você quer dizer ?'' - Perguntou ele, distraindo-se com o último comentário dela.

''Exatamente o que eu disse.. Será que você ainda não deu conta de que nós somos um casal ?'' - Disse ela, agarrando seu braço e colocando ele entre seus seios. Ele ruborizou-se quando sentiu seu braço entre os seios dela, que na verdade eram da Kamine.
''Nesse tempo todo desde que você me conheceu.. Você só teve medo de mim. E tudo que você desejava perante mim era que eu não aparecesse.'' - Disse ela - ''Eu fiz o melhor que pude não dando chilique por uns dias.. Você queria uma vida normal, e eu estou tentando. Não é só estranho para você, estar namorando um demônio. Isto também não é normal para mim, ter relações com um humano.''

''Veja só quem diz.. Você é uma sucubo.. Já deve estar acostumada..'' - Respondeu, ruborizando-se e quase perdendo sua voz enquanto sentia seu braço entre os seios de Kamine. Em todo o momento, só pensava naquilo. E ela se aproveitou disso para manipular as emoções dele. Era perfeito, ele já estava distraído com aquilo, e ele mencionou que ela era uma sucubo. Deu um sorriso malicioso, cheio de perversidade. Seus olhos voltaram a brilhar com cor vermelha.

''Alguém andou pesquisando demonologia..'' - Disse ela brincando com a voz - ''Você já deve saber que assustar não é minha maior habilidade. E sabe que sou apegada somente a você. Isso não te trás algumas imaginações sujas, Shin-kun ?''
Ela sorria de uma maneira que fazia o coração dele bater cada vez mais forte. Ela aproximava seu rosto, e sua visão focava nos lábios dela, que estavam levemente brilhando já que estavam aguados com a saliva dela. Ele sentia quentura maior em seu abdômen e uma relativamente menor em todo o seu corpo.
Estava quase se entregando ao prazer, mas resistiu. Encheu-se de rubor e sacudiu a cabeça, quase acertando o rosto de Kyame (Ou devo dizer, Kamine).

''I-Isto é irrelevante!'' - Disse ele fazendo a manipulação dela parar. Ele deu as costas para ela, evitando olhar para ela para não lembrar deste momento que tivera agora. Ela conteve a leve risada colocando alguns dedos sobre os lábios. Após alguns segundos, ele decide virar para ela com outro olhar. Desta vez de paciência, suspirando e soprando profundamente.

''Eu vou tentar acalmar a Yamaguchi-san.. Mas vê se você me não me causa problema.'' - Disse ele. Começou a coçar a cabeça demonstrando um desapontamento. Ela não mudou o olhar.
''Ah e.. Eu fiquei curioso sobre algo.'' - Disse ele - ''Você mencionou que fizemos um contrato em outra vida, em que você me levava em troca da vida de minha mãe. Eu gostaria de saber mais desta ''outra vida''. ''
O olhar dela mudou. Desta vez, parecia não lembrar muito bem do que ela mesmo falou. Olhou para cima como se estivesse tentando lembrar. Colocou um dedo próximo dos lábios até lembrar.

''Foi assim que eu disse ?'' - Ela perguntou retoricamente.
''Parece que acabei falando demais naquele dia. Você mostrou que consegue puxar meu lado informante quando brinca com minhas emoções.'' - Disse ela - ''Mas mesmo que eu seja quem sou e o que sou, todos respeitamos as regras do pós-vida. Sinto que não posso te dizer muito sobre isto.''

Ele coçou a cabeça mais uma vez, confuso.

''Você me conheceu em outra vida ? Você deve ser bem velha.'' - Comentou. Surpreendentemente, Kyame corou e demonstrou vergonha. Ela deixou sua face ruborizada e demonstrou um pouco de raiva.

''Demônios podem viver por milhares de anos, não morremos de velhice!'' - Respondeu ela. Até ele se surpreendeu pela reação dela.

''E pensar que estamos tendo uma conversa relativamente normal assim..'' - Comentou - ''Me surpreendo com o como eu consigo me adaptar com qualquer coisa.''
Ela não respondeu, permaneceu olhando para ele. Ela já esperava o que ele fosse falar, só estava aguardando seu momento. Até que ele novamente coçou a cabeça e disse:

''Olha.. Isto tudo é novo para mim, já me canso de lembrar as várias vezes que te disse isso.'' - Disse ele - ''Você tem razão. Eu não posso fazer uma promessa com você e voltar atrás com minhas ambições. E-Eu vou tentar me acostumar, sendo um namorado.. Eu acho. Mas contanto que você deixe de tentar se envolver com as pessoas além de mim e a Kamine.''
Ela aproximou-se rapidamente, colocando três dedos em seu queixo. Dois sob o queixo e um sobre, puxando sua face para baixo.

''Nosso acordo já foi feito a muito tempo. Tudo o que eu precisava ouvir era você dizendo que ia agir como um namorado.'' - Disse ela, dando um sorriso um pouco cativante. O sorriso dela fez ele levemente sorrir de vergonha. Ela puxou o rosto dele e roubou-lhe outro beijo.
Ela entrelaçava sua língua com a dele, fazendo de tudo para continuar beijando-o por mais tempo possível. E ele enchendo-se de embaraço, vergonha e um prazer que crescia levemente. Estava se perdendo no beijo daquela sucubo. E no momento não pensava que estava beijando os lábios de Kamine, mas que era Kyame quem estava fazendo ele perder a cabeça.
Ela finalmente parou, justo quando o beijo já estava começando a demorar. Limpou os lábios com dois dedos e, estranhamente, colocou-os dentro da boca novamente. Aparentemente, só para sentir o gosto. Isto era estranho, será que ela era capaz de sentir o gosto do beijo através dos dedos ?

''A propósito.. Também vou me acostumar com a palavra ''Namoro''. De onde venho, só existe Amante. Mas Namoro parece algo mais fofo.'' - Disse ela, fechando os olhos com um sorriso lindo e corado. Shinichi ainda estava envergonhado com o beijo que recebera agora pouco, olhando para ela atentamente.

''Ah e.. É melhor você se acostumar mesmo. Pois nos próximos dias, irei ficar tão presente que será como se eu não precisasse da garota para aparecer.'' - Disse ela, dando um sorriso final. Ela deu as costas, como se estivesse indo embora. Ficou parada, de costas para ele. Ele já estava nervoso, esperando agoniado pelo momento exato em que Kamine fosse cair para pegá-la. Mas ela virou-se para ele novamente.

''Outra coisa, muito importante.'' - Disse ela, fazendo ele reagir com agonia. Ele já não aguentava, queria ver Kamine novamente. Mas o olhar dela fez sua agonia murchar e virar medo. Se só seus olhos vermelhos já não fossem macabros o suficiente, imagina como era com aquele olhar sério. Seu olhar remetia a mais sincera seriedade, sem brincadeiras e nem mentiras. Aquele era o olhar de um demônio.
''Tome muito cuidado, principalmente com este novo professor.'' - Disse ela, fechando os olhos em seguida. Mas antes que pudesse dar sinal de que ia começar a andar, ela abriu as mãos, deixando-as dormentes. E caiu, como se tivesse desmaiado. Kyame se foi, pelo menos, não por muito tempo. Shinichi foi rápido para agarrar Kamine antes que ela caísse no chão.

Ela não estava tão ofegante, mas respirava para recuperar suas energias. Seus olhos estavam levemente fechados, com centímetros abertos. Aos poucos, ela ia abrindo, voltando a enxergar. Tudo o que ela via parecia um sonho. Um céu escuro cheio de estrelas com uma lua perfeitamente cheia. Shinichi em cima dela, segurando-a, e olhando-a nos olhos. Podia não estar dando seu melhor sorriso, mas ele dava a ela uma expressão de satisfação por ela estar bem. Foi mais do que necessário para fazer Kamine esquentar de vergonha e dispersar vapor pelas narinas.

''Está tudo bem ?'' - Perguntou ele. Ela nem conseguiu falar, só conseguiu mexer sua face para cima e baixo algumas vezes. Novamente, ele expressava satisfação, mas não parecia larga-la.

''V-Você vai me deixar ficar em pé ou vai ficar me segurando assim.. ?'' - Perguntou ela. Ele levou segundos para perceber. Levantou ela rapidamente e afastou suas mãos de vergonha. Os dois olharam para longe, evitando contato visual direto. Era explicito que ambos estavam demasiadamente envergonhados ao ficarem tão próximos com seus rostos. Shinichi, em seu caso, estava quase acostumado, já que já tinha tirado vários beijos de Kyame através de Kamine. Já para Kamine, era algo diferente. Estar perto de Shinichi agora é uma garantia de vergonha, por algum motivo.
Ela disfarçou o embaraço e tentou puxar um assunto importante. No que ela pensou, baixou a cabeça e cruzou os braços, cobrindo-se de frio.

''Ela fez bobagem, não fez.. ?'' - Perguntou ela. Tudo que Shinichi fez foi coçar a cabeça. Ela ficou esperando uma resposta, mas ao entender que o silêncio era a resposta, ela fechou os olhos novamente e suspirou, soprando fortemente.

''Você sempre é sincero.. Mesmo em silêncio.'' - Comentou ela, coçando a lateral de seu braço direito enquanto seus braços permaneciam cruzados. Ele deixou de coçar a cabeça para esfregar seu dedo indicador direito na sua própria bochecha, indicando que estava meio pensativo. Virou os olhos para cima enquanto pensava e respondeu ao comentário.

''Eu aprendi que mentira nunca é boa.. A verdade é que sempre será justa, pura e satisfatória.'' - Disse ele. Ela pensou e respondeu, desta vez, com um humor mais sério, semelhante a seriedade de Kyame mais cedo.

''Você tem certeza disso, Shin.. ? Que falar a verdade sempre é uma coisa boa.. ?'' - Disse ela - ''Se for isso.. Por que estamos tão desesperados em manter a Kyame em segredo ? Por que mentimos para nossos melhores amigos preocupados sobre nosso fardo ?''
Ele ficou em silêncio, abatido pelo que Kamine dizia. Surpreendeu-se um pouco ao ouvir risos leves dela, o que para ele, era raro.

''Eu fico imaginando como seria se contássemos aos outros sobre isto.'' - Disse ela com um sorriso - ''Só iriam achar que somos estranhos e loucos. Na verdade, começo a pensar que não seria diferente do que acham agora mesmo sem saberem.''
''E o que esperaríamos ? Eu estou namorando uma demônia que está no corpo de minha melhor amiga, isto seria algo normal e compreensível ?'' - Respondeu ele. Em reação, ela riu levemente mais uma vez. E parou para pensar em sua resposta. Desta vez, corou enquanto pensava. Ainda estavam de costas um para o outro, e ela aproveitou não estar olhando para ele para fazer esta pergunta.

''Já que mencionou.. Você nunca me contou realmente como é namorar ela.'' - Disse - ''Eu não lembro de muita coisa quando ela sai.. Mas sei que você consegue suportar até o fim. O que você está achando, de ser provavelmente um ser humano único ? Você está namorando um ser de outro mundo, um ser de maldade pura.''
Ele botou a mão atrás da cabeça e demonstrou agonia.

''Você falando assim faz parecer fácil. Eu achei e ainda acho um absurdo, tanto que até agora nunca agi como um namorado para ela.'' - Respondeu - ''Para falar a verdade.. Eu não tenho experiência alguma com relacionamentos.. Talvez isso explique.''
Involuntariamente, os olhos de Kamine piscaram. No mesmo instante, ela pensou que havia uma oportunidade naquilo. Uma vantagem em que ela podia estar muito mais próxima de Shinichi, mesmo que isso sempre mate ela de vergonha. Ela começou a marcar o chão com seu pé direito, enquanto sorria fechada, corando levemente.

''B-Bom.. Eu poderia te ajudar nisto, já que eu já tive um relacionamento antes.. Posso te ajudar te colocando em práticas, motivando-o e ensinando..'' - Disse ela. Ele virou-se na mesma hora e olhou para ela confuso. Em sua inocência, ele tinha dúvida se Kamine realmente queria fazer isso. Já Kamine entendia outra coisa com aquele olhar, só fez ela ruborizar-se mais intensamente.
''D-Digo! Ela exige que você e ela sejam namorados para nos deixar em paz.. Se eu puder ajudar eu ficarei contente de qualquer forma..'' - Disse ela, tentando disfarçar a sua vergonha.

Ele reagiu com um sorriso de olhos fechados.
''Acho que isso seria formidavelmente útil, Kamine-san.'' - Disse - ''Muito obrigado, como eu esperava, você realmente é caridosa.''

Ela espantou-se de vergonha com os últimos elogios dele, mas jogou sua vergonha fora através de vapor das narinas. Escondeu sua face sob o casaco que estava sobre sua camisa, fingindo estar usando-o para secar o suor.
''Bom, logo logo o sol vai nascer e não vamos ter dormido direito.'' - Disse ele -''Vamos voltar para nossas barracas e descansar logo. Você urgentemente precisa de suas energias.''
Ele disse, deu as costas e foi embora. Ela ficou parada assistindo ele ir. As costas dele foram tornando-se escuras até tornarem-se uma mera silhueta negra antes de entrar numa barraca. Quando ele sumiu, ela deu as costas e entrou na sua barraca.

Horas depois:

Mal amanheceu e muitos alunos já estavam acordados. O sol não estava completamente visível nesta manhã, já que era uma manhã nublada. Ainda estava um pouco escuro pois a madrugada mal tinha acabado. O professor ainda não estava a vista, e por isso, a maioria dos alunos tinham feito suas rodas de amigos novamente para aproveitar o momento.

Entre os alunos que ainda não acordaram, estava Shinichi. Parecia ter algum pesadelo, já que seus olhos não paravam de estremecer e seu corpo não parava de se mexer levemente. Finalmente, ele acorda, levantando-se e permanecendo sentado imediatamente. Ele estava meio ofegante, e segurava sua perna direita com suas duas mãos.
Justamente como naquele dia em que acordou no quarto de Kamine, sentia uma dor tremenda na perna. Algo que era inevitável, pois ele tentava mudar de posição diferentes vezes e a dor não aliviava, só bastava esperar ela passar. Os segundos se passaram, e a dor foi aliviando aos poucos.
Quando se foi, ele suspirou de alívio.

''O que está acontecendo comigo.. ?'' - Perguntou em sua mente. Sua decepção só ficava maior, pois quando começava a reclamar internamente sobre estas dores frequentes, ele lembra dos tantos problemas em que se envolveu. Das tantas demandas que ele tem de resolver.
Ele se agoniou e balançou a cabeça, como se estivesse tentando desfigurar seus pensamentos para se concentrar em algo. Olhou para o lado e viu algo que lhe chamou a atenção; nada. A cortina que Yamaguchi Asami havia feito não estava mais lá, e nem mesmo a própria Asami estava.

''Ela não dormiu aqui.. ?'' - Perguntou. Começou a coçar a cabeça enquanto entrava em estado de preocupação. Foi surpreso pela aparição do professor Ryotaro.

''Por que se preocupa com ela ?'' - Perguntou o professor. Foi falando que Ryotaro conseguiu assustar Shinichi. Ele apertou o peito quando viu que era só o professor, aliviando-se imediatamente.

''Ah, é você, professor.. Aparecendo deste jeito você me faz ter um ataque cardíaco..'' - Disse, mas Ryotaro permanecia friamente sério.

''Esqueci, bom dia.'' - Disse o professor - ''E você não respondeu.''

''B-Bom-'' - Shinichi não conseguiu nem raciocinar direito. Ryotaro parecia direto demais e sério demais com o que ele exigia. Ele então não entendeu o que o professor queria dizer com aquela pergunta.

''Por que se preocupa com ela ?'' - Perguntou novamente o professor - ''Simples assim.''

''B-Bom.. Eu não sei o que aconteceu, mas com certeza magoou a Yamaguchi-san.. Eu só me pergunto se ela está bem neste momento..'' - Respondeu. O professor ficou em silêncio por mais alguns segundos.

''Pelo visto você não entendeu que minha pergunta tem duplo sentido, Yamada.'' - Disse - ''Yamaguchi Asami vai para o meio do mato, assusta-se com algo, e volta traumatizada. Em seguida, você e Aimino Kamine saem da mata da maneira mais suspeitosa possível.''

Shinichi sentiu o abdômen esfriar de medo. Estava começando a sentir que estava encurralado. Engoliu no seco e tentou improvisar.
''S-Sabe, professor, a Ka-, digo, Aimino-san seguiu a Yamaguchi-san mas tropeçou sobre um tronco e se machucou.. Eu a ouvi me chamando e fui ajudá-la..'' - Disse, começando a soar.

''Se vocês não são suspeitos então começo a achar que a senhorita Aimino estava se aproveitando da sua ingenuidade para fazê-lo agir como namorado dela.'' - Disse o professor, levantando-se lentamente - ''Eu conversei bastante com a Yamaguchi recentemente, e ela acredita fielmente que a Aimino é uma má influência para você.''

Shinichi levantou-se, tentando não demonstrar seu medo. Saiu da barraca junto com o professor e ficaram de pé na frente da entrada dela.
''Eu não acredito no mesmo. Na verdade, acho que a Yamaguchi tem uns parafusos a menos, se é que você me entende.'' - Disse o professor, fazendo Shinichi sentir aliviado. Shinichi começava a pensar que conseguiu despistar o raciocínio do professor, fazê-lo desistir das suspeitas.

''Entretanto, eu acredito que ela é uma vítima. Tal como é você.'' - Disse ele, chamando a atenção de Shinichi - ''Não cheguei a falar muito com a Aimino, mas entendi que ela não é uma má influência. Acho que vocês dois são vítimas de algo em comum.''

Novamente, Shinichi começou a se arrepiar e a sentir medo. Do nada, este homem parecia não ter perdido o raciocínio da suspeita. Do nada, ele já estava perto da verdade. Shinichi desta vez sentia-se muito mais inseguro, olhando para os lados tentando achar algo que distraísse esse professor.
Ele olhava nervosamente, enquanto na sua cabeça a seguinte frase não cessava:
''Tome muito cuidado, principalmente com este novo professor.''

''D-Do que somos vítimas, professor ?'' - Perguntou. O professor permaneceu em silêncio por mais segundos. Em seus olhos, dizia claramente que ele sabia o que Shinichi estava pensando. E Shinichi conseguia ver através dos olhos dele exatamente ''do que'' eles são vítimas.

''Do mundo, meu caro estudante.'' - Disse ele - ''O mundo é grande, bonito e questionável. Outrora também é corrompido, cheio de coisas ruins e pecados. Antigamente o acesso a liberdade era muito menor, e todos se conheciam, todos conversavam abertamente, todos confiavam uns nos outros. Hoje a liberdade é quase completa para todos e agora só nos afastamos uns dos outros, o que me faz recapitular, vocês são vítimas do mundo.''

Outra vez, Shinichi se aliviava.
''Vocês dois são jovens. Ingênuos, ao pé da letra.'' - Disse ele - ''Já estão numa fase em que dizem saber o que é melhor para vocês, mas eu digo, vocês ainda não sabem.''
O professor segurou Shinichi nos ombros, o que fez Shinichi arrepiar-se.

''Por isso, Yamada, não se entregue demais por meros hormônios. Não me entenda como um estranho, mas peço que confie nos que sabem mais.'' - Disse ele - ''Eu sei que você particularmente quer o que é melhor para todos, de maneira pacífica. Mas eu digo que nem todas as bênçãos devem ser trazidas por você. Se houver algum problema, por mais sério que seja, não deixe-o crescer no seu jardim. Corte o mau pela raiz.''

Ao ouvir aquilo, Shinichi tinha certeza que o professor ainda não sabia do seu segredo. Mas percebeu que o ensinamento que ele deu agora servia perfeitamente para sua situação. Shinichi abaixou a cabeça de leve, voltando a pensar. O professor deu as costas e se foi.
O que o professor disse servia para todos os problemas que Shinichi estava tendo, especificamente todos os que ele imaginou quando reclamou mais cedo de sua dor na perna.
Algo deveria ser feito. Shinichi se envolveu com coisas que irão contra as possibilidades da natureza. Após perder sua mãe, converteu-se para a igreja Católica. Participou de um exorcismo e se envolveu com um demônio.
Pior, começou a ter um relacionamento com o próprio demônio. Ele mentiu diversas vezes para os amigos, mesmo que tenha sido para o bem deles. E mentir não era algo que Shinichi fazia naturalmente. Foi pensando assim que Shinichi chegou a conclusão.. De que todos os seus problemas vieram com Kyame.

Fazia todo o sentido. Kyame era um demônio, um ser que mente por natureza, um ser que só causa discórdia. Ter aceitado a existência de Kyame permitiu que ela se aproveitasse da ingenuidade dele, ela manipulou ele, fez ele cometer erros e lentamente tornar-se alguém que não era. Se ela fazia mau a Kamine, então fazia mau a todos.
Ele fechou os punhos com força, finalmente demonstrando raiva. Sua raiva se converteu em lágrimas naquele momento, que desceram e pingaram em seus punhos.
''Por que decidi ser independente.. Se qualquer um pode prever os meus movimentos ?'' - Perguntou em sua mente.
Ele continuou a segurar suas lágrimas, evitando a todo custo que sua tristeza se manifestasse pela boca com um choro alto. E para seu azar, ele sente que alguém o troca no ombro por trás. Ele se vira surpreso, e vê Haruka que parecia estar curiosa. Parecia, agora que notou as lágrimas em seu rosto parecia muito mais preocupada.

''Shin-! Houve alguma coisa de errado ?'' - Perguntou ela, imediatamente alterando sua expressão facial. Shinichi é rápido o suficiente para limpar seus olhos com as laterais de seu braço e balançá-lo para jogar fora as lágrimas em seu punho. Assim que o faz, respira profundo, chegando a fungar.

''Nada.. Só estou começando a achar que vou voltar a usar óculos.'' - Respondeu. Ele desviou o olhar quando percebeu que Haruka estava justamente tentando analisar ele.

''Hm.. Eu vi o professor falando com você. Tem algo a ver com o que houve com a Asami ?'' - Perguntou - ''Sinceramente, até agora ninguém me contou o que aconteceu com ela.''

''Ela foi no mato e acabou tendo lembranças ruins.. Acho que foi só isso.'' - Disse, enquanto seus olhos miravam em Kamine. Ela estava arrumando sua mochila, enquanto sentada na entrada de sua barraca. Parecia completamente focada.
''Ou talvez aterrorizada por um demônio.'' - Pensou.

''E pensar que ela acha que a Kamine que é problemática.. '' - Comentou Haruka - ''Eu esqueci completamente o objetivo desta excursão. Eu só vim por que minha mãe insistiu dando tempo livre a mim.''

Shinichi voltou a olhar para Haruka enquanto ela falava. Inclinou um lado do sorriso e virou o olhar para o professor, que já parecia estar falando com o dono daquela propriedade.
''Ouvi dizer que não vamos levar muito tempo aqui, apesar de termos literalmente dormido aqui..'' - Respondeu Shinichi.
''É estranho. Por que o professor nos permitiria dormir num lugar em que não vamos ficar por mais de três horas ?'' - Pensou Shinichi, voltando a pensar e buscar razão enquanto analisava o professor de longe.
''Concordo com o estranhamento.. Mas você ainda não me disse o que o professor foi falar com você.'' - Disse ela.

''Ele só..'' - Shinichi estava prestes a contar outra mentira para Haruka, mas parou quando sentiu uma estranha sensação sobre seu pescoço. Ele lembrou imediatamente do que pensara mais cedo, estava na hora de voltar a ser ele mesmo. Ele engoliu no seco e encarou Haruka com uma ligeira determinação interna.
''Ele só pediu que eu confiasse nele sempre que algo desse de errado.'' - Disse. A expressão que indicava dúvida em Haruka mudou rapidamente para uma expressão de suspeita. Ela e Shinichi olharam para o professor mais uma vez.

''Eu começo a não confiar neste professor.'' - Disse ela.
''Por quê ? Ele parece se importar tanto com os alunos.'' - Perguntou Shinichi.
''Justamente por isso, ele se importa demais. Mal chegou e já está querendo se envolver nas nossas vidas pessoais, nos fazendo falar coisas que só nossos amigos mais íntimos nos fariam dizer..'' - Dizia ela - ''Eu não confio neste professor, ele não parece regular bem.''

Shinichi prestou atenção enquanto pensava no que ela disse. Agora estava confuso, confuso sobre tudo. Num momento estava conversando com sua amiga de infância, e agora estava no meio de uma encruzilhada.
Que caminho tomar ? Quem deverei seguir ? Quem está certo, quem está errado ? É o que passava em sua cabeça. Ele olhava para um lado e via seus amigos de mãos estendidas, um caminho de luz e muita felicidade. Mas também de muitas dúvidas sob o olhar frio do professor que parecia estar sempre atrás de todos. Olhava para outro lado e via Kamine estendendo a mão em desespero, enquanto via atrás dela Kyame engolindo-a nas sombras, um caminho de escuridão, medo e amor. Se ele escolher os seus amigos, nunca mais terá que se preocupar com Kyame, mas perderá para sempre Kamine que já foi sua melhor amiga. Porém, se escolher Kamine, irá viver todos os dias ao lado daquela demônia enquanto seus amigos sofrem em virtude disto.

Era a pior das escolhas para Shinichi, não conseguia nem chegar perto de uma solução fantasiada. Ele fechou seus punhos com força mais uma vez, levemente se irritando por sua falta de capacidade. Mas quando voltou a si, já se passara tempo demais.
Horas depois:

Os alunos já estavam arrumando as suas mochilas e voltando ao ônibus escolar. Ele até tomou um susto, foi como piscar de olhos e pular no tempo. Mas a verdade era que ele atualmente já estava voltando para o ônibus, só que sua mente estava concentrada demais no que havia acontecido antes. Novamente ele olha para um lado, e vê Yamaguchi Asami ao lado dele. Os longos cabelos loiros dela parecem cobrir parte de seu rosto agora, que deste ângulo em que Shinichi está, não permitem revelar seus olhos. Mas apesar dos olhos escondidos, seu sorriso revirado demonstrava que com toda certeza não estava feliz.

Eles estavam na fila para o ônibus. Apesar do ônibus ter um tamanho relativamente normal, havia uma quantidade absurda de alunos para ele, era impossível imaginar como tantos alunos caberiam neste veículo sem ao menos dar-lhe problemas durante a viagem. Ele aproveitou que estavam ainda no meio da fila para dialogar com ela.
''Y-Yamaguchi..-san ? Você está bem..?'' - Perguntou, e ela não respondeu. Permaneceu quieta e andando na mesma velocidade que ele. Ele esperou uns segundos pela resposta, e quando percebeu que ela não iria responder, voltou o seu olhar para frente com um rosto de preocupado.

Na sua frente, pelo menos quatro alunos de distância naquela fila, estava Kamine e Haruka, aparentemente sorridentes com uma conversa que tinham. Ele vê Kamine, e não consegue mais imaginar a mesma Kamine que ele conhecia. Quando a conheceu, ela era tímida e sensível, tanto que só conseguia se socializar com ele. E quando voltou para Kyoto, ela era triste, uma mulher sofrida. Mas agora, parece que tudo tinha desaparecido, que ela tinha esquecido de seu fardo.

Novamente Shinichi pensa que decidir ficar ao lado de Kamine fará ela parar de sofrer com Kyame. Isso o faz lembrar de que Kyame pode estar mentindo o tempo todo e manipulando ele, mas logo ele pensa, que é somente um fardo secundário a se tomar para cuidar de Kamine e esconder este segredo. Não é um fardo maior e nem menor do que aquele que Kamine carrega. Ele se sente mais confortável ao escolher estar ao lado dela agora.
Mas lembra que quem está ao seu lado é vítima de Kyame. Ele não pode abandoná-la insensivelmente sem dar-lhe satisfação. Passaram-se somente alguns segundos com todo este pensamento, e ele decidiu falar mais alguma coisa para ela.

''Sobre ontem, no bosque..'' - Disse ele, mas foi interrompido ao ouvir Asami falar ao mesmo tempo que ele.
''Não conte a ninguém.'' - Disse ela, com uma voz que demonstrava frieza e seriedade. Ele ouviu, engoliu saliva no seco e afirmou com a cabeça.
Já era a vez deles de subirem os degraus para o ônibus. Ele de gentileza deixou que Asami passasse primeiro, e ela passou sem pensar duas vezes. Mas antes de terminar sua subida, ela segurou na porta e parou. Permaneceu de costas para ele por rápidos segundos até ficar de lado, olhando para ele com sua visão periférica.
''O que aconteceu entre nós aqui.. Ficará aqui.'' - Disse ela, virando-se e caminhando até a sua poltrona. Ele afirmou novamente, ainda demonstrando estar preocupado com ela. Só não está mais preocupado do que isto por não ter visto uma lágrima descer de um dos olhos dela no mesmo instante em que ela se virou.

Apesar do sufoco, tudo se foi com o vento da estrada. Todas as demandas e os acontecimentos de ruins que aconteceram naquela excursão foram sendo esquecidos conforme Shinichi olhava através da janela do ônibus escolar. Desta vez, o que ele via através daquela janela era o inverso; aos poucos, a zona rural ia sumindo, as árvores iam desaparecendo. E começavam a aparecer os prédios, o asfalto e o cimento cinzento. No lugar das árvores, os postes de luz, no lugar dos campos de gramados, as longas e intermináveis fileiras de edifícios.
Vendo aquela mudança de clima e paisagem fazia Shinichi ter o pensamento oposto ao que teve quando chegava. Ao em vez de pensar nas desventuras em que se intrometeu, passou a pensar nas mudanças que ele teve em sua vida. Assim como a paisagem mudava drásticamente através da imagem da janela, remetia a sua vida que mudou a cada ano.

A fartura ia sumindo, a liberdade ia se trancando e a felicidade ia murchando. Aos poucos, vinha a agonia, o auto desprezo e o medo. Mas antes que pudesse se convencer das coisas boas que já ocorreram em sua vida, ele quase acerta o seu rosto na poltrona da frente quando o ônibus freia e para. Ele olha mais uma vez para a janela e vê o Colégio Estadual de Fuko.
Era como se tivesse acabado de acordar, ainda estava com poucas energias, mal mantinha seus olhos abertos e seus braços pesavam mais que suas pernas. Mas de maneira agoniante ele suportou a preguiça e o cansaço e levantou daquela cadeira com sua mochila. Olhou para o lado com medo de acidentalmente se esbarrar em Yamaguchi Asami, mas ela nem estava lá, foi tão rápida que já tinha saído do ônibus.

Ele é um dos últimos a descer do ônibus. Por um segundo até esqueceu que caminho tomar para ir para casa, mas deixou de lado o objetivo de ir para casa quando se encontrou num outro momento de escolha. Mais cedo ele procurou com seus olhos Asami, que tinha saído cedo. Do outro lado ele viu Kamine, que estava a alguns metros de distância dele, aparentemente esperando por ele para acompanhá-la.

''Que caminho tomar ? Quem devo seguir ?'' - É o que pensou. Viu uma aura de angustia e depressão em volta de Asami, algo que lhe fez querer segui-la. Mas viu-se sendo puxado para perto de Kamine. Já era tarde demais. Ele já tinha escolhido Kamine, e por ter escolhido ela, escolheu a demônia. Ele estava olhando para Asami com medo em seus olhos, como se estivesse gritando por ajuda.

Mas em suas costas, Kamine se erguia com um olhar inocente, mas com um sorriso demoníaco e estrangeiro atrás dela. As mãos daquela demônia pareciam puxar Shinichi para ela, como se dissessem ''você é meu agora''.
Já era tarde demais, Shinichi escolheu este caminho, e terá de lidar com ele em sem lamuria.

''Vamos, Shin. Você prometeu estudar para os exames finais do bimestre comigo.'' - Disse Kamine. Foi a última coisa que ele ouviu, que para ele, os detalhes eram irrelevantes, mas que se resumia a Kyame dizendo o mesmo de mais cedo.

Muitas horas depois, no hospital mais próximo da capital:

O padre Takegoshi Mitsugo, quem recebeu a missão de exorcizar e expulsar Kyame, ainda estava em sua cama no hospital. Não parecia estar nada bem, parecia nem conseguir mover mais o seu rosto. Mas ele não parecia estar reclamando, parecia preferir estar paralisado. Em segundos, dá para ouvir passos, e logo quem aparece é Takegoshi Ryotaro, o professor, e seu filho.

Ele ficou em silêncio, só esperando seu pai falar.
''V-você.. Conseguiu... ?'' - Murmurou o coitado. Tudo que Ryotaro fez foi abaixar a cabeça e cerrar os punhos em angustia. Ele os cerrou tanto que dava para ouvir sua pele fazer sons semelhantes a de borracha rasgando.
O velho suspirou, já sabendo da resposta de seu filho através daquela atitude.

''Você.. Tem que se apressar.. Enquanto o opositor de Deus descansa em nossas casas.. O mau cresce junto com ele..'' - Disse o velho - ''Corte o mau pela raiz.. Antes que a árvore desabe sobre nossas cabeças..''
E o velho se silenciou, ficou inconsciente de repente. Mas seu aparelho cardíaco não aparentava parar, não detectava nenhuma parada cardíaca, ainda.

''Farei o que for preciso, pai.'' - Disse Ryotaro - ''Não deixarei o sofrimento do senhor continuar.''



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