História Alarm - porque te amar nunca será o bastante - Capítulo 11


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Notas do Autor


"A verdadeira face do mal"

Boa leitura ❤

Capítulo 11 - The true face of the devil


Fanfic / Fanfiction Alarm - porque te amar nunca será o bastante - Capítulo 11 - The true face of the devil

"Aquelas pequenas coisas que deixamos passar sempre voltam para nos atormentar."

Senti um beijo molhado em minha testa, logo outro em minha bochecha. Senti uma barba por fazer arranhando minha pele levemente me fazendo cócegas, sorri e logo senti um beijo em meus lábios.

- Já está na hora? - murmurei com os lábios quase fechados por conta da minha preguiça matinal.

- Infelizmente - mais um beijo em minha bochecha, abri os olhos devagar e logo a imagem borrada de um homem foi se tornando mais nítida, ganhando forma. Sorri para ele enquanto olhava seus belos olhos castanhos que eu reconheceria em qualquer lugar.

- Não quero ir - murmurei lentamente.

- Não quero que vá - sua mão veio de encontro ao meu cabelo o alisando.

- Então boa noite - me virei para o outro lado afundando minha cabeça no travesseiro com a intenção de dormir mais umas boas horas. Ouvi a risada baixa do loiro ao meu lado.

- Vamos, Safira - me cutucou e eu pulei na cama pelo susto.

- Sai, Harvey - falei em tom sofrido.

Ter que sair todos os dias de madrugada me custava umas boas horas de sono, todo dia eu tinha que passar corretivo em minhas olheiras para não ser confundida com um panda. Me pergunto como Sebastian continua belíssimo mesmo com todo esse tempo de traição e mentiras.

Ah Sebastian... 

Já faz três meses desde que comecei a me encontrar secretamente com Thomas. Meu casamento está estagnado, mas Sebastian parece ligar cada dia se importando menos comigo, somos apenas dois conhecidos que dividem a mesma casa e que se esbarram vez ou outra. A cada dia que passava, mais eu perdia a fé em nosso relacionamento.

Já com Thomas tem sido o total oposto, nos vemos praticamente todos os dias, quando não na empresa nos vemos no chalé dele. Tem sido uma aventura, um completo sonho. Estar com Thomas era como estar em um começo de uma relação, é tudo tão novo e insano, nós nos desvendamos e desvendamos outras coisas, lugares. As vezes saímos para a cidade vizinha, lá não somos Safira e Thomas, somos Ruby e Jake. As pessoas lá nos conhecem, acham que somos um verdadeiro casal, nos tratam como tal e eu prefiro mil vezes a minha vida lá do que aqui. Infelizmente, nem tudo são rosas.

- Vem, você tem que bancar a esposa perfeita, mais uma vez - mesmo não o vendo sabia que ele tinha revirado os olhos. Ele não gostava dessa parte e nem eu. Thomas já havia me perguntado várias vezes sobre quando eu pediria o divórcio, mas eu não sabia a resposta. Eu gosto muito dele, muito mesmo, mas eu tenho uma história com Sebastian e não dá para esquecer isso tão facilmente, ele é meu esposo, é praticamente um direito dele ter uma segunda chance.

- Tá bom - suspirei e me sentei na cama piscando meus olhos que ardiam por causa do sono.

- Vejo você na empresa?

- Não, não irei hoje, desde que Denise se demitiu aquilo tem estado uma bagunça, meu novo secretário é um pouco desastrado então vou deixá-lo só hoje para que o seu secretário ensine algumas coisas para ele.

- Sabe por que ela se demitiu? 

- Não tenho ideia, só recebi uma carta de demissão em minha mesa e nada mais - dei de ombros - eu já não aguentava mais ela mesmo, então...

- Entendo - murmurou enquanto levantava da cama e começava a se vestir, depois me alcançou minhas roupas, logo estávamos devidamente vestidos - até mais tarde então - me puxou para que me desse um abraço e um beijo leve.

- Até - sorri para ele enquanto guardava meu celular em um de meus bolsos e pagava as chaves do carro.

- Não se esqueça do nosso jantar mais tarde - gritou quando eu já estava abrindo a porta do chalé para ir embora.

- Tá bom.

- Nem do vestido que lhe comprei.

- Ta, te amo, tchau.

E quando eu me toquei do que havia falado já era tarde demais, a porta já estava fechada e eu olhava fixamente para o meu carro me perguntando o porquê de eu ter falado aqui. Céus, era para ser um simples "tá bom", como isso se transforma em um "te amo"?

Tudo bem, talvez ele não tenha escutado, vamos torcer para isso.

Entrei em meu carro e respirei fundo, parecia que tinha borboletas em meu estômago e não era uma sensação fofinha como a de um primeiro beijo, eram mariposas furiosas que me deixavam ainda mais nervosa.

Certo Safira, não é nada demais, isso passa.

Céus, que estúpida! Era verdade, eu estava começando a amar o Harvey e isso definitivamente não podia acontecer, não era o que eu queria ou esperava, era para algo por pura diversão, algo casual. Eu amo o Sebastian e não posso fazer isso com ele, enquanto a traição era algo somente carnal eu ainda conseguia não me sentir culpada, mas trair com o coração? Eu não quero isso, não quero ser esse tipo de pessoa. Não quero ser como o meu marido.

Eu preciso resolver isso, preciso ficar com Sebastian, é o certo a se fazer. Ele é meu marido e eu o amo, não existe combinação mais perfeita. Minha aventura com Thomas teria um fim.

- Merda - praguejei ao ver o carro de Sebastian estacionado em frente a nossa casa. Agora as borboletas travavam uma guerra em meu estômago, eu estava nervosa e suando frio. O que eu diria para ele? Mais uma mentira? Talvez fosse a hora de falar a verdade, procurar uma ajuda com um terapeuta ou algo assim, afinal, nós dois erramos.

Encostei o carro ao lado da nossa calçada e tentei criar forças para entrar em casa, ao fazer isso encontrei Sebastian sentado no sofá. Fechei a porta que pareceu estrondar por conta do silêncio que habitava a casa.

- Onde você estava? - perguntou ele. Seu olhar estava fixo na lareira que estava acesa, seus olhos brilhavam por conta do fogo, seu pé batia rapidamente contra o chão como sinal de impaciência.

- Eu... - suspirei tentando me sentir menos nervosa - eu saí para espairecer um pouco - por que é tão mais fácil criar uma mentira ao dizer a verdade? Céus, como sou covarde.

- As cinco da manhã? - me olhou indignado.

- Sim... - franzi a sobrancelha e movi meu corpo em direção as escadas.

- Onde pensa que vai? Estou falando com você Safira - levantou do sofá, suas mãos estavam fechadas e claramente ele colocava força nos punhos, sua respiração estava acelerada, podia ver seu peito subindo e descendo cada vez mais rápido e seu rosto ficar cada vez mais vermelho como se ele estivesse correndo uma maratona.

- Você está bem? - perguntei vagarosamente com medo de sua resposta.

- Não, não estou bem, não quando a minha própria esposa fica mentindo na minha cara - me olhou ainda mais duro - vou perguntar mais uma vez Safira: onde você estava?

- Eu estava no parque tá bom? Fui dar uma caminhada - bufei impaciente - agora dá licença que eu quero tomar um banho - desviei do sofá e fui em direção às escadas começando a subir.

- Você só pode estar achando que eu sou um idiota não é? Ninguém vai caminhar de carro, em tempo chuvosa e de sobretudo - parei quase na metade da escada. Droga, e agora?

- Bom, pois eu vou - dei de ombros em um movimento brusco. Merda, eu estava tão nervosa.

- Mas sabe o que é interessante? - pude ouvir seus passos se aproximando, mas me recusei a olhá-lo - Enquanto eu esperava você voltar da sua caminhada - debochou - eu liguei para a empresa de segurança que contratamos, pedi uma lista de todas as entradas e saídas, de cada vez que aquela porta se abriu e fechou. E adivinha?

- O quê? - minha voz falhou. Sebastian puxou meu braço e me virou lentamente para ele.

- Aquela porta se abre às duas da manhã e depois as cinco - agora a minha respiração estava ficando cada vez mais descontrolada - então vou lhe perguntar mais uma vez: onde você estava? - sua mão direita acariciou meu cabelo enquanto seu braço esquerdo me encurralada na escada segurando o corrimão. Em seguida Sebastian desferiu um tapa em meu rosto - Responde! - gritou ele. Eu o olhei com minha mão acariciando minha bochecha que estava machucada por conta de sua mão áspera, eu estava incrédula, não acreditava que ele tinha feito isso - Eu acho melhor você me responder ou vou...

- Vai o que Sebastian? - gritei o interrompendo - Vai me jogar da escada como da última vez? - mesmo de costa tentei subir ao menos um degrau da escada, mas ele me puxou de volta.

- Eu não lhe joguei, você caiu - disse com sarcasmo.

- Caí com o tapa que você me deu, o mesmo tapa que me deu agora - gritei mais uma vez - eu odeio você seu filho da puta - lhe devolvi o tapa que ele havia me dado. Ele me olhou pasmo e com ódio, e eu o olhei afrontosa, decidida a não baixar minha cabeça para ele. Sebastian me puxou pelo pescoço e me jogou na parede, por um momento vacilei nos degraus e quase caí, mas seu aperto me manteve em pé. Suas mãos apertavam minha garganta sem nenhuma delicadeza, a dor era absurda, a falta de ar era dolorosa - isso... Me mate... Me mate para ficar com ela... - as palavras saíam entrecortadas, com muita dificuldade - A sua amante... - suas mãos saíram rapidamente de meu pescoço e eu tive que me segurar muito para não cair da escada em meio às tosses.

- Você sabia dela? Sabia esse tempo todo? - ele parecia tonto, como se estivesse em outra realidade - Quando descobriu sobre Denise?

- Denise? Esse é o nome dela? - perguntei debochadamente - Espera, Denise minha secretária? Você só pode estar brincando com a minha cara.

- Então... Não sabia? - me olhou assustado e culpado por se entregar tão facilmente.

- Só sabia que começava com D - revirei os olhos - ou achou que eu não fosse dar a sua falta pela madrugada? Ainda quer ter razão comigo? Me poupe da sua hipocrisia.

- Eu cometi um erro, mas você - riu - você não pode cometer esse mesmo erro. Você me ama, você tem que me amar - sua mão voltou a acariciar meu cabelo, em seguida minha bochecha - e se eu descobrir que você está me traindo - riu mais uma vez - eu mato você.

- Sebastian... - funguei enquanto uma lágrima escorria - a gente pode superar isso, eu posso superar isso. Nós podemos procurar ajuda, um terapeuta, não sei - coloquei as mãos em seus ombros - por favor - meu celular vibrou indicando uma nova mensagem, torci para que ele não tivesse ouvido, mas logo sua mão estava dentro do meu bolso pegando meu celular.

- Esqueci de avisar que lhe comprei uma lingerie, está na empresa, espero que use esta noite - disse Sebastian lendo a mensagem em meu celular com um tom de deboche muito carregado - Harvey - disse com desprezo - então quer dizer que você se encontra com o Harvey? - suas mãos me empurraram contra a parede ainda mais - Responde Safira! - gritou ele bem próximo a mim fazendo eu fechar os olhos com medo.

- Sebastian, por favor... - sussurrei - nós podemos superar isso.

- Sua vadia ingrata - mais uma vez sua mão veio de encontro a minha face - agora, olha pra mim - suas mãos puxaram meu rosto me obrigando a olhá-lo - olha bem pra mim, sua imunda - mais um tapa - agora você vai ter o que merece, está me ouvindo? - gritou comigo e eu gemi de dor ao receber outro tapa, eu lutava contra seus enormes braços, mas ele era tão forte, parecia impossível escapar de seus apertos - Você vai se arrepender de ter feito isso comigo! - gritei de dor quando ele puxou meu cabelo e saiu me puxando escada acima até estarmos em nosso quarto e ele me jogar no chão sem nenhuma delicadeza. Eu estava em prantos, assustada, machucada tanto no físico quanto no sentimental. Aquele não era o mesmo homem com quem eu havia me casado, o mesmo que esteve comigo por anos, não era o Sebastian, era um monstro.

- Eu odeio você! - gritei o mais alto que pude, alguém tinha que me ouvir, me socorrer, me tirar das garras daquele ser irreconhecível - Socorro!

- Eu acho melhor você não gritar - disse ele em um tom ameaçador enquanto tirava seu cinto - caso contrário - bateu o cinto contra a minha coxa, mais uma vez gritei de dor pelo ardor insuportável em minha pele - você irá receber várias dessas.

- Por que está fazendo isso? - perguntei em meio aos soluços - Você também me traiu, me traiu com a minha secretária.

- Eu já disse que foi um erro porra - gritou ele tão alto que me assustei e me encolhi ainda mais no chão frio - um erro que você não podia cometer - e mais uma vez ele chocou o cinto contra a minha pele, no mesmo local de antes - aquela vadia me enganou, roubou todo meu dinheiro, todo o nosso dinheiro meu amor - me olhou com olhos compreensíveis - e ainda me dedurou pro meu chefe, disse que eu estava atrás de Jason para matá-lo por uma vingança pessoal - riu tombando a cabeça para o lado enquanto fazia "tsc tsc" com a língua no céu da boca - irônico como tudo sempre volta aos Harvey's não é? - andou um pouco para trás até chegar a penteadeira e pegar um espelho até que o lançou contra a parede em um ato de fúria - E então meu chefe me afastou do trabalho, pegou meu distintivo e minha arma. Fiquei sem Denise, sem dinheiro e sem trabalho - agachou em minha frente - mas pensei que ao menos tivesse você e então descubro que anda dando pra outro, sua vagabunda - mais um tapa, eu tentei me afastar o máximo para me encontrar ainda mais na parede, mas eu estava encurralada - mas se acha que vai ficar com ele está completamente enganada - riu alto - você é minha e sempre será, e vou lhe provar isso agora - levantou e em seguida me puxou pelo braço até eu estar completamente em pé sendo segurada pelos punhos - você irá me amar, aqui, agora e pra todo sempre - suas mãos saíram de meus punhos e foram ao meu sobretudo começando a tirá-lo.

- Sebastian, não - relatei tentando afastar suas mãos - para, por favor - me desesperei ainda mais quando ele rasgou meu vestido - Sebastian, por favor - falei em meio ao choro.

- Se você relutar será pior - me jogou na cama - você tem que querer, tem que me amar, você é tudo o que eu tenho - tentei fugir, mas ele colocou o corpo sobre o meu fazendo disso uma missão impossível - e eu sou tudo que você vai ter.

- Socorro - gritei mais uma vez na esperança de que alguém fosse me acudir, mas parecia estarmos só nós dois ali, como se o vizinho mais próximo não fosse ao nosso lado e sim a quilômetros de distância. E por que eu estava surpresa? "Briga de marido e mulher ninguém mete a colher" não é mesmo? Eu poderia morrer ali mesmo pois todos acham que a mulher que gosta de fazer escândalo e drama, sempre é assim, como em todas as nossas outras brigas, sempre vai ser. Sua mão esquerda prendeu meus punhos acima da minha cabeça e sua mão direita desferiu um soco em meu rosto que me deixou tonta por alguns segundos.

- Já mandei parar de gritar porra - disse ele tentando manter a paciência que não tinha - agora fique quieta para fazermos amor, porque é isso que temos, amor, e nada e nem ninguém irá nos separar, pois se você não for minha não será de mais ninguém.

E ali, na minha própria casa, na minha própria cama, com meu próprio marido eu fui violentada, fui desrespeitada, fui estuprada. Às lágrimas não paravam de rolar, meu coração doía tanto que parecia que eu iria morrer a qualquer minuto e se eu morresse seria um alívio, no momento era o que eu mais queria, morrer. Eu não merecia aquilo, ninguém merecia. Eu o traí, mas ele também me traiu, então por que estava fazendo aquilo comigo?

Deus, por favor, leve-me agora, eu te imploro, acabe com a minha dor, com todo esse sofrimento. Eu quero meus pais, quero vê-los e abraçá-los, preciso sentir carinho, preciso sentir amor outra vez. Preciso ser salva.

[...]

Com bastante dificuldade consegui abrir meus olhos e ver Sebastian sentado na ponta da cama segurando algo, pelo reflexo do espelho pude ver que era o meu celular que estava tocando. Tentei me mexer e falar algo, mas simplesmente não consegui. Meus olhos pesavam como se estivesse carregando toneladas em minhas pálpebras, perdi a luta contra o sono.

[...]

Acordei assustada, ofegante e com meu coração a mil. Parecia que eu estava submersa e havia encontrado a superfície. Céus, que sensação péssima. Me sentia nauseada, a boca seca, o nervosismo em minhas veias.

- Sebastian... - sussurrei sem consegui abrir meus olhos por completo, meu corpo tremia sobre a cama e o suor escorria em minha testa - Sebastian - sussurrei um pouco mais alto.

- Ei, ei - senti mãos em minha testa - o que foi?

- O quê você fez? - sussurrou mais uma vez, deixando as palavras irem ao vento e querendo ir com elas.

- É efeito colateral do remédio querida, não se preocupe - disse ele perto do meu ouvido, sua mão esquerda acariciava meu cabelo molhado de suor.

- Que remédio? Sebastian...

- O calmante que lhe dei, você estava muito nervosa ontem - sussurrou - nervosismo fora de hora, até tivemos uma linda noite de amor.

- Você me estuprou - falei entredentes, tremendo de medo, raiva, dor. Mais uma vez, a mão que estava em meu cabelo me esbofeteou. Com o susto consegui abrir os olhos e pude ver sua face raivosa, seus olhos em chama, o prazer em me ter totalmente vulnerável.

- Nunca mais fale isso de novo - disse quase sem mexer os lábios - não é estupro se você é minha esposa. Suspirei lentamente tentando acalmar meu coração e continuei assim enquanto ele se afastava para ir ao closet. Logo ele volta e eu já estou mais controlada do que antes, continuo respirando profundamente para que eu não perca minha sanidade mental - vou pedir Samantha para lhe trazer algo leve, não preciso que engorde ainda mais - disse enquanto colocava um relógio em seu pulso - tenho que resolver umas coisas, mas logo volto - veio até a mim e deu-me um beijo duro - até breve - saiu do quarto batendo a porta com força o bastante para estrondar e me assustar.

Apoiei meus punhos na cama e obriguei meu corpo a se erguer, com muita dificuldade e ajuda dos móveis consegui me manter em pé. Andei até o banheiro e encarei meu reflexo no cristal. A grande empresária Safira Allen-Connor parecia a pessoa mais pobre das ruas, com trapos que já não eram mais considerados roupas, coberta de suor e lágrimas, o rosto que outrora fora branco como a neve agora estava alternando nas cores roxas e vermelhas devido aos maus tratos. Eu estava no meu pior momento, na pior fase da minha vida, com a pior pessoa que eu havia conhecido. Como pude me casar com Sebastian sem conseguir ver ao menos um rastro do monstro que ele se mostra hoje? Como pude ser tão cega e deixar minha vida chegar a este ponto?

Deus, sei que não somos próximos, mas por favor, me ajude. Preciso de alguém.

E Thomas? Céus! Eu tinha que falar com ele, com a polícia, com alguém. Não podia continuar naquela situação, eu não permitiria ser tratada daquela forma. Nesses últimos três meses que convivi com Harvey a frase que ele mais falava era "Se você duvida que algo seja bom para você, é porque definitivamente não é". Em todo esse tempo Thomas sempre me disse que sou melhor quando estou comigo mesma, que não preciso de Sebastian ou dele, eu sou forte porque sou forte. E mesma que essa frase não tivesse feito muito sentido antes, agora se encaixava perfeitamente.

Eu não preciso de Sebastian.

Não preciso de uma pessoa que não me acrescenta nada, que parece que sempre que está perto leva algo de mim. Estou tão cansada disso, de ser seu refúgio, seu estepe. Eu não mereço isso, eu definitivamente sou melhor do que isso. Mas eu deveria ter percebido isso antes, parece ser tão tarde demais para ter amor próprio.

- Senhora Connor - disse Samantha após dar três batidinhas na porta do banheiro - trouxe seu café da manhã.

- Pode deixar aí, já estou indo - tirei as poucas peças que cobriam meu corpo e tomei um rápido banho pois meu corpo febril reclamava a cada contato com a água. Sai do banho enrolada em um roupão e levei um leve susto ao ver Samantha parada no meio do quarto - credo criatura - disse com a mão no peito - o que está fazendo aqui?

- Senhor Connor pediu para que eu ficasse de olho em você - disse com a cabeça abaixada e mãos cruzadas de trás do corpo.

- Eu não preciso de uma babá - disse de modo rude.

- São ordens do senhor Connor, não posso desobedecer - revirei os olhos e sentei na ponta da cama pegando uma das uvas na bandeja.

- Ele já saiu?

- Sim senhora - levantei da cama em busca do meu celular, olhei em todos os cantos, armários, gavetas, até debaixo da cama - o que a senhora deseja? - revirei os olhos mais uma vez, murmurei "meu celular" ainda olhando ao redor do quarto - Senhor Connor disse que a senhora não pode usar telefones.

- O quê? - perguntei indignada - Quem ele pensa que é? - murmurei para mim mesma. Levantei do chão onde eu analisava debaixo da escrivaninha e segui rumo a porta, mas Sam me barrou.

- Para onde vai senhora? - perguntou ela em minha frente, poucos centímetros a menos do que eu, mas muita arrogância.

- Não te interessa - falei lentamente, tentei passar mais uma vez e novamente ela me barrou.

- Não posso, são ordens...

- Do senhor Connor, já sei caralho, se repetir isso de novo perderei a paciência - fechei os olhos e suspirei fundo mais uma vez, abri eles e dei meu melhor sorriso - Samantha, será que pode se fingir de cega e surda só por alguns segundos? Por favor, se quiser até lhe pago.

- Não posso - negou com a cabeça freneticamente.

- Por favor Samantha, olhe para mim - ela levantou a cabeça - isso é só o começo do que ele irá fazer comigo - minha voz tinha desespero, medo, frustração.

- Sinto muito - sussurrou ela - não posso fazer isso.

- Então saia daqui - disse de forma arrogante - agora!

- Mas senhora... - a peguei pelos ombros e a empurrei para fora de meu quarto e em seguida fechei a porta com força a trancando. Ao menos a chave ele não havia restringido. Deslizei pela porta até estar sentada no chão frio, as lágrimas rolavam e o soluço era cada vez mais forte.

- Inferno! - gritei batendo minha cabeça na porta, queria sentir outra dor, outro tipo de dor, queria sentir a dor física e não a sentimental, eu precisava disso, porém acima de tudo eu precisava não sentir.

[...]

- Vai ficar aí parada com uma estátua? - perguntei com a voz áspera à Samantha que estava parada ao lado do sofá da sala - Só vou assistir televisão, não vou assaltar um banco - calada estava, calada ficou. Poucos minutos depois pude ouvir o chiado da panela de pressão, Samantha me olhou atenta até dar passos rápidos em direção a cozinha. Como o fogão ficava do outro lado, ela não podia me ver, aproveitando a oportunidade corri para o escritório do Sebastian sabendo que aquele seria o único canto da casa com um telefone ou computador. Tentei fazer o mínimo barulho possível, fechei a porta e corri para a mesa encontrando um telefone fixo. Busquei no fundo da minha memória lembrar o número de Thomas ou da casa dele, e quando consegui percebi que o telefone estava mudo - mas o quê...?

- Não resistiu, não é? - perguntou Sebastian atrás de mim fazendo eu pular e gritar de susto, arremessei o telefone longe - Eu dei ordens de não se comunicar com ninguém e você me desobedeceu - ele me empurrou contra a mesa e segurou meu queixo com força - e se pensou que eu não fosse cortar a linha telefônica você é mais burra do que eu pensava - riu ironicamente - sabe o que é isso aqui? - perguntou tirando meu celular do bolso da calça dele - Algo que você não irá ver ou ter tão cedo - com muita brutalidade ele arremessou meu celular no chão e eu ofeguei com o susto.

- Sebastian, eu...

- Cala a boca - gritou e eu me encolhi ainda mais - aquele bando de idiotas achavam que eu tinha apenas uma arma, imbecis - riu alto - mas adivinha amor? - senti algo gelado adentrar minha blusa e encostar na minha cintura - Eu tenho mais - gargalhou.

- Sebastian tira isso de mim, por favor - pedi desesperadamente tentando mais uma vez controlar minha respiração.

- O quê foi querida? Está com medo? - ele passou o cano da arma no meu cabelo o puxando para trás - Não precisa ter, eu não mataria você, você é tudo que eu tenho. E tenho boas notícias: vamos fazer uma viagem! Já arranjei novas identidades, uma casa, vamos recomeçar, ser outras pessoas, ter uma vida nova, não é legal? - dizia ele entusiasmado.

- O quê? Meu Deus, Sebastian não, Sebastian eu não quero - sussurrei - eu não vou - em um movimento rápido eu senti o cano da arma bater com uma força extrema em minha testa me deixando zonza, por pouco não caí no chão.

- Eu li as mensagens, Ruby - disse sarcasticamente - sei o que aprontaram. E eu vou curar você dessa doença, desse vício. Você irá voltar a me amar, me idolatrar, estará sempre aos meus pés, como deve ser querida.

- Eu nunca mais vou amar você, eu te odeio - cuspi essas palavras com o maior desprezo possível. Suas mãos agarraram meus ombros e me sacudiram.

- Eu disse que não lhe mataria, mas não falei nada sobre te deixar sem uma perna, um braço ou até mesmo paralisada da cintura para baixo - falou entredentes enquanto uma de suas mãos puxava meu cabelo e a outra de cutucava com a arma - anda - puxou meu cabelo e me pôs a andar - vamos ter nosso recomeço - saímos do escritório com ele me puxando com uma mão e a outra me apertando com arma que estava escondida - Samantha - gritou e logo ela apareceu quase correndo. Em uma fração de segundos Sebastian tirou a arma de trás de mim, apontou para Samantha e disparou. Gritei. Quase como em câmera lenta vi o corpo de Samantha cair no chão e aos poucos uma poça de sangue foi se formando ao seu redor colorindo o carpete de vermelho escuro, vermelho sangue.

- Por que você fez isso? - gritei descontroladamente com algumas lágrimas escorrendo. Ela era uma vaca, mas isso? Ninguém merecia isso. Meu Deus, Sebastian estava tão descontrolado ao ponto de matar alguém. Eu não sabia o que pensar, como agir, o que falar. Tudo que vinha na minha cabeça era "ele é um monstro".

- Pra você saber que não estou de brincadeira Safira - revirou os olhos - o que é mais um corpo pra quem já tem uma pilha? - debochou - Agora anda - apontou a arma para mim e eu ainda perplexa me pus a andar em direção a porta, seu carro estava estacionado na frente de nossa casa, logo já estávamos dentro - agora seremos apenas você e eu - sorriu maldoso e me beijou a força. Deu partida no carro e seguimos em direção a minha possível morte.

E se Sebastian Connor não era o diabo, eu não queria conhecê-lo. Então Deus, eu te imploro, me ajude.


Notas Finais




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