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História Álbum de Casamento - Capítulo 11


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Capítulo 11 - Capítulo 10


Fanfic / Fanfiction Álbum de Casamento - Capítulo 11 - Capítulo 10

c a p í t u l o d e z 

 

JELLAL FOI OLHAR PELA TERCEIRA vez a mesa na sala de jantar. Quase nunca a usava, pois em geral comia na bancada da cozinha ou sentado à escrivaninha mesmo. 

 

Na verdade, era a primeira vez que a cobria com uma toalha. Queria conseguir o tom preciso entre o sofisticado e o casual. Pratos brancos sobre uma toalha azul-escura, que ganhava vida com as listras amarelas dos guardanapos. Era o que esperava. 



 

Tirou da mesa as três velas, que davam um ar muito calculado. Mas as pôs de volta. Parecia incompleto sem elas. 

 

Passou as mãos no cabelo, ordenando a si mesmo que parasse de ser obsessivo. Deu as costas à mesa e foi para a cozinha. Afinal, era ali que estava a sua verdadeira preocupação. O cardápio já tinha sido aprovado. Depois de ser avaliado pela professora de ciências domésticas,Levy Mcgarden, foi ajustado de acordo com as sugestões dela e acrescido com uma receita de molho de mel para a salada. 

 

Ela fez uma lista do que deveria ser feito e anotou quanto tempo seria necessário, além de sugestões úteis para a apresentação, que, ao que parecia, era tão importante quanto a comida. 

 

Por isso tinha agora uma toalha de mesa e guardanapos alegres. Fez um ensaio. Tinha tudo preparado, tudo parecia... bem. Ainda lhe restava quase uma hora, o que podia deixá-lo completamente doido. 

 

Nesse espírito, foi abrir a gaveta onde guardara a lista feita por Simon. Aquela que tinha jurado que iria ignorar. 

 

– Música. Droga. Devia ter pensado nisso – murmurou. – Devia ter pensado. 

 

Correu para a sala e foi revirar sua coleção de CDs. O gato se desaninhou da cadeira e foi atrás dele. 

 

– Não vou pôr Barry White, não me importa se Simon acha que esse é um tiro certeiro. Não quero ofender, Sr. White, mas não vamos ser clichês, certo? 

 

Tripé passou a cabeça no joelho de Jellal. Enquanto estava às voltas com os CDs, a porta se abriu e Wendy entrou. 

 

– Oi. Posso deixar isto aqui? 

 

– Pode. Por quê? O que é? 

 

– Um presente de Dia dos Namorados para o Romeo. É uma maleta de médico. Mandei gravar o nome dele e fui buscar agora. Ele vai adorar! Sei que, se eu levar para casa, não vou resistir e darei logo. Por isso tenho que esconder isso dele e de mim. – Sentiu um cheiro no ar. – Está cozinhando? 

 

– Estou. Caramba, você acha que está queimando?

 

 Jellal se levantou de um salto. 

 

– Não, está com um cheiro bom. Muito bom mesmo. – Como ele foi correndo para a cozinha, ela o seguiu. – Não parece com os queijos quentes que normalmente você... Uau, Jellal, veja só! Tem comida no forno. E a mesa está tão bonita! Com velas, taças de vinho e... Está preparando o jantar para uma mulher. – Ela cutucou a barriga do irmão como fazia desde que eram crianças. – Erza Scarlett ! 

 

– Pare! – Jellal sentia literalmente um frio na barriga. – Estou implorando. Já estou à beira de um ataque de nervos. 

 

– Que maravilha! É uma gracinha. O Romeo fez um jantar para mim no nosso primeiro encontro. Foi desastroso – contou ela, suspirando, com ar sonhador. – Eu adorei. 

 

– Adorou o desastre? 

 

– Ele se esforçou tanto... Na verdade, ele é ótimo na cozinha. Só estragou tudo porque estava muito empenhado em me impressionar. Ah... – Ela suspirou de novo, com uma das mãos no coração. – Foi tão fofo. 

 

– Não sabia que era preciso estragar tudo. Por que não existe um manual para essas coisas? 

 

– Não, não é preciso estragar tudo. Com ele funcionou porque... bem... porque funcionou. – Ela abriu a geladeira para dar uma olhada. – Está deixando o frango marinar. Carter, você está marinando! Isso só pode ser amor. 

 

– Vá embora. Suma daqui. 

 

– Vai ficar com essa roupa mesmo? 

 

A voz dele assumiu um tom ameaçador: 

 

– Sou um homem à beira de um ataque de nervos, Wendy. 

 

– Pelo menos, troque de camisa. Ponha aquela azul que mamãe lhe deu. Cai muito bem em você. 

 

– Se eu prometer trocar de camisa, você vai embora? 

 

– Vou. 

 

– Antes de ir, pode escolher uma música? Não aguento mais nenhuma pressão. 

 

– Fique tranquilo. Vá trocar de roupa. – Pegando o irmão pela mão, tirou-o da cozinha. – Eu cuido da música e sumo antes de você voltar. Leve o presente lá para cima, ok? E não me diga onde vai guardar, senão sou capaz de vir aqui escondida para buscá-lo antes do Dia dos Namorados. 

 

– Combinado. 

 

– Jellal? – acrescentou ela quando ele começou a subir a escada. – Acenda as velas uns dez minutos antes de ela chegar. 

 

– Ok. 

 

– E divirta-se. 

 

– Obrigado. Agora, por favor, vá embora. 

 

Ele demorou bastante trocando de camisa, para dar a Wendy tempo de ir embora. Escondeu a caixa de presente no armário do quarto. Quando desceu, encontrou um bilhete em cima do som. “Aperte o play uns cinco minutos antes da hora marcada. Beijos.” 

 

– Parece até que estou me preparando para uma guerra – murmurou Jellal e amassou o bilhete a caminho da cozinha, onde começaria a preparar o frango. 

 

Cortou, bateu com o martelo de carne, temperou, mediu, contou o tempo e só se queimou uma vez. 

 

Enquanto o frango assava, deixando no ar um cheiro magnífico, acendeu as velas da mesa de jantar e do aparador. Dispôs ali vasilhas com azeitonas e castanhas-de-caju. 

 

Faltando cinco minutos para a hora marcada, ligou o som. Alanis Morissette. Boa escolha. Às sete, ela bateu à porta. 

 

– Fui treinada pela Lucy – falou, quando ele abriu. – Por isso sou obsessivamente pontual. Espero que não veja problema nisso. 

 

– Não tem problema algum. Deixe-me pegar o seu casaco. Ah, e... 

 

– A sobremesa – disse ela, passando-lhe uma bela caixa de doces da Votos. – É um bolo italiano com creme, um dos meus favoritos. Sua casa é linda, Jellal. Combina com você – acrescentou, dirigindo-se para a sala, onde havia uma parede coberta de livros. – Ah, você tem um gato. 

 

– Não me lembrei de perguntar se você tinha alergia. 

 

– Não tenho, não. Oi, rapaz. – Ela começou a se agachar, mas parou, inclinando a cabeça. – Você tem um gato de três patas.

 

 – É o Tripé. Foi atropelado por um carro. 

 

– Ah, tadinho! – Erza se abaixou imediatamente e começou a acariciar o gato com delicadeza. – Deve ter sido horrível para vocês dois. Ainda bem que estava em casa. 

 

– Não foi bem assim. Eu estava vindo da escola. Eles... o carro à minha frente bateu nele e simplesmente foi embora. Não entendo como alguém pode fazer uma coisa dessas. Quando parei, achei que ele estivesse morto, mas estava desmaiado por causa do choque. O veterinário não conseguiu salvar a pata, mas ele está bem. 

 

Erza continuou acariciando o gato enquanto olhava para Jellal. 

 

– Aposto que sim. 

 

– Quer uma taça de vinho? 

 

– Quero. – Fez um último afago em Tripé e se levantou. – E também quero ver o que está cheirando tão bem. 

 

– Eu achei que fosse você. 

 

– Além de mim – retrucou ela enquanto Jellal pendurava seu casaco no vestíbulo. 

 

– Venha. – Pegou-a pela mão e levou-a à cozinha. – Você está linda. Eu já devia ter dito isso. 

 

– Só se estiver riscando itens numa lista. 

 

Jellal estremeceu e ficou feliz com o fato de Erza ter a atenção voltada para a cozinha e não para o seu rosto. 

 

– Está com um cheiro bom mesmo. O que está fazendo, Jellal? – Foi até o fogão para cheirar a frigideira. – Bem, vejamos. Temos uma salada verde, um frango com alecrim marinado no vinho branco, batatas-doces coradas e aspargos. 

 

Ela ficou de queixo caído.

 

 – Só pode estar brincando comigo. 

 

– Você não gosta de aspargos? Eu posso... 

 

– Não, não isso. Você fez tudo? – Ela ergueu a tampa da frigideira.

 

 – Na verdade, não se deve destampar enquanto... Ah, não faz mal. – Deu de ombros enquanto ela cheirava a comida de novo e tampava a frigideira. 

 

– Que preocupação, Jellal. 

 

– O quê? Tem algo de errado com o frango? 

 

– Não. Você teve toda essa preocupação! Achei que fosse jogar uns bifes na grelha ou abrir um pote de ragu e dizer que tinha feito. Mas você cozinhou mesmo. Isso demanda um tempo enorme e dá o maior trabalho. Estou admirada. E olha que mesa linda você arrumou! 

 

Ela foi até a sala de jantar e deu uma volta em torno da mesa. 

 

– Você é um cara prendado, não é? 

 

– Por que não pensei no ragu? – Pegou a garrafa de vinho que tinha aberto. – Tenho aqui um branco por causa do frango, mas não sabia qual você iria preferir. Este deve ser bom. 

 

– Deve? 

 

– Não entendo muito de vinho. Fiz uma pesquisa. 

 

Ela pegou a taça que Jellal lhe estendia e provou, sem tirar os olhos dele. 

 

– A pesquisa foi muito boa. 

 

– Erza... – Jellal se aproximou e encostou os lábios nos dela. – Pronto, já estou me sentindo melhor. 

 

– Melhor que…

 

– Provavelmente que qualquer homem do mundo, já que nenhum deles pode beijar você na cozinha. 

 

– Está me deixando desnorteada, Jellal. 

 

– Faz parte do meu plano. Só preciso organizar mais umas coisinhas. Não quer se sentar? 

 

– Posso ajudar? 

 

– Tenho tudo programado... espero. Se você se meter na programação, vai mudar... bem, o sistema. Ensaiei tudo na terça à noite, então acho que está tudo sob controle. 

 

– Você ensaiou? 

 

Foi baixar o fogo sob a frigideira, perguntando-se por que diabos tinha falado aquilo. 

 

– É... bem, eu não sabia como tudo ia transcorrer e é preciso fazer as coisas num tempo determinado, então achei melhor fazer um ensaio do jantar. 

 

– Fez sozinho um ensaio geral para o jantar? 

 

– Mais ou menos. A mulher do Simon tinha um encontro do clube de leitura, então ele veio aqui e eu cozinhei. Nós provamos a comida. Por isso, acho que pode se sentir segura. E o seu teste? 

 

– Meu teste? 

 

– A apresentação de segunda-feira. 

 

– Estou preparadíssima. O que é muito bom, já que, a partir de amanhã, estamos com a agenda totalmente lotada. Fizemos uma reunião geral hoje de manhã e dois ensaios à tarde. O segundo foi bem problemático, porque a dama de honra e o padrinho não se falam. Eles terminaram há pouco tempo, porque ela descobriu que ele tinha um caso com a sócia. 

 

– Como vocês conseguem lidar com esse tipo de situação? 

 

– Como se lidássemos com um fardo de dinamite prestes a estourar. Ter uma empresa de casamentos não é para fracos. 

 

– Estou vendo. 

 

– E, na segunda, vou ter que apresentar um espetáculo capaz de fazer a Sra. Móveis Seaman aplaudir de pé. 

 

– A Móveis Seaman é um possível cliente? 

 

– Tecnicamente, a filha dela é. Mas como é a mãe que paga... 

 

– Vamos comer a uma mesa e sentados em cadeiras que comprei lá. Talvez dê sorte.

 

 Sentaram-se nas cadeiras da sorte, diante da mesa da sorte, com velas, vinho e música de fundo. Erza se deu conta de que estava sendo cuidadosa e descaradamente seduzida. E gostou disso. 

 

– Sabe, Jellal, está tudo tão gostoso que nem estou mais me sentindo culpada pelo fato de você ter comido exatamente a mesma coisa duas vezes na semana. 

 

– Pode considerar que são sobras sofisticadas. Normalmente, as sobras são fundamentais no cardápio aqui de casa. – Olhou para o gato, que se sentara ao lado da sua cadeira e o fitava com aqueles olhos amarelos, sem piscar. – Acho que esse carinha aí está esperando as sobras. 

 

– Ele não está acostumado a me ver comer à mesa. Normalmente como na bancada. Acho que é por isso que está confuso. Quer que o tire daqui? 

 

– Não. Gosto de gatos. Na verdade, já casei várias vezes com gatos. 

 

– Não sabia disso. Acredito que não tenha dado muito certo. 

 

– Tudo depende do ponto de vista. Tenho lembranças muito agradáveis desses casamentos, por mais efêmeros que tenham sido. Quando éramos crianças, Lucy, Juvia, Mira e eu brincávamos muito de Casamento. – Ela riu com a taça de vinho na mão. – Acho que nossa empresa começou nessa época, embora ainda não soubéssemos disso. Tínhamos roupas e adereços e cada uma desempenhava um papel. Casávamos umas com as outras, com os animais de estimação e até com o Laxus, quando Lucy conseguia suborná-lo. 

 

– Ah, então foi numa dessas que tiraram a foto que está pendurada no seu estúdio. Aquela com a borboleta. 

 

– Ganhei a câmera de presente do meu pai. Sem dúvida não era nem um pouco apropriada para a minha idade. Minha avó usou isso para falar mal dele, como sempre. Tirei a foto num dia quente de verão, quando eu queria ir nadar em vez de brincar daquilo mais uma vez. Lucy aplacou o meu mau humor me decretando fotógrafa oficial do casamento, em vez de dama de honra. Eu não queria usar o vestido, e ela decidiu que eu seria a fotógrafa. 

 

– Uma premonição. 

 

– Acho que sim. Se acrescentarmos aí a coincidência do voo da borboleta, tudo acabou se ligando numa espécie de epifania pessoal. Ali entendi que podia preservar uma lembrança, um instante, uma imagem, e que, de fato, era isso que eu queria fazer. 

 

Ela comeu mais um pedaço de frango. 

 

– Aposto que obrigava Wendy a brincar de escolinha. 

 

– Acho que sim. De vez em quando. Ela podia ser subornada facilmente com adesivos. 

 

– Quem não podia? Não sei se somos sortudos ou chatos por sabermos desde tão pequenos o que queríamos ser quando crescêssemos. 

 

– Na verdade, eu me via compartilhando minha sabedoria pelos corredores com ar rarefeito de Yale, enquanto escreveria um grande romance americano. 

 

– É mesmo? Por que não fez isso? 

 

– Eu percebi que gostava de brincar de escolinha. Gostava mesmo. 

 

Erza tinha percebido isso. 

 

– E escreveu o livro? 

 

– Ah, estou escrevendo um romance como qualquer professor de inglês que se preze. E provavelmente vou ficar escrevendo para sempre. 

 

– E que tal? 

 

– Tem cerca de duzentas páginas até agora. 

 

– Não. – Erza cutucou o ombro dele. – Sobre o que é? 

 

– É sobre um grande amor, perda, sacrifício, traição e coragem. O de sempre, sabe? Tenho pensado que ele está precisando de um gato de três patas e talvez de uma palmeira plantada num vaso. 

 

– Quem é o protagonista? 

 

– Você não deve estar interessada nisso. 

 

– Se não estivesse, não perguntaria. Quem é o protagonista e o que ele faz?

 

 – Vai ficar espantada, mas é um professor. – Ele sorriu e encheu a taça de Erza. Assim teria uma desculpa para levá-la em casa. – Foi traído por uma mulher, claro. 

 

– Claro. 

 

– Teve a vida arruinada, bem como a carreira e a alma. Destruído, precisa recomeçar, encontrar coragem para consertar o que se partiu dentro dele. Precisa aprender a confiar novamente, voltar a amar. Precisa muito da palmeira plantada no vaso. 

 

– Por que ela o traiu? 

 

– Porque ele a amava, mas não lhe dava atenção. Ela o destruiu para que ele prestasse atenção nela, acho. 

 

– Então, o gato de três patas pode ser uma metáfora para a alma ferida dele e sua determinação em sobreviver com as cicatrizes. 

 

– Boa interpretação. Eu lhe daria A. 

 

– Agora, a pergunta importante. – Ela se inclinou para perto dele. – Tem cenas de sexo, violência e palavrão? 

 

– Tem. 

 

– Vai ser um sucesso. Precisa terminar de escrever. Na sua área, não é obrigatório ter publicações? 

 

– Não precisa ser um livro. Publiquei uns artigos, ensaios e contos para ganhar uma graninha. 

 

– Contos? Sério? 

 

– Só em pequenas publicações. O tipo de coisa que não circula fora do meio acadêmico. Você devia publicar as suas fotos. Fazer um livro de arte. 

 

– Às vezes penso nisso. Acho que é como o seu romance. Quando não é nosso trabalho, acabamos deixando esses projetos para trás. Lucy acha que devíamos fazer uma série de livros ilustrados sobre casamento: arranjos de flores, bolos, fotos. O melhor que cada uma de nós é capaz de fazer. 

 

– É uma boa ideia. 

 

– Lucy só tem boas ideias. Só precisaríamos arranjar tempo para organizar esse material e procurar uma editora que publique esse tipo de livro. No entanto, temos três eventos, três dias seguidos, e o de sábado vai ser bem complicado. Você podia ir. 

 

– Ir... ao casamento? Não posso, não fui convidado.

 

 – Você faria parte da nossa equipe – decretou Erza, de repente. – Deus sabe como nos ajudaria ter mais um homem com cérebro nesse casamento. Em alguns eventos, uso um fotógrafo assistente... quando é preciso. Na maioria das vezes, prefiro trabalhar sozinha. Mas já tinha decidido contratar alguém para esse, uma vez que terei que carregar uma dinamite prestes a explodir. As duas pessoas que sempre me socorrem em situações como essa não estão disponíveis. Está contratado. 

 

– Não entendo nada de fotografia. 

 

– Eu entendo. Você vai me passar o que eu for pedindo, vai posar e servir de burro de carga quando for necessário. Tem um terno escuro? Que não seja de tweed? 

 

– Eu... tenho, mas... 

 

Ela abriu um sorriso sedutor. 

 

– Vai ter bolo. 

 

– Bem, nesse caso... 

 

– Gray foi intimado de última hora para ser o acompanhante da dama de honra por causa do canalha traidor do padrinho. E o Laxus vai ajudar porque o Gray o obrigou. Você conhece os dois. E nos conhece. – Ela comeu mais batata. – E vai poder comer o bolo. 

 

Nada daquilo serviria para convencer Jellal, mas a ideia de estar com ela, em vez de ficar apenas pensando em estar com ela, o motivou. 

 

– Está certo, se tem certeza do que está dizendo... 

 

– Três horas, no sábado. Vai ser fantástico. 

 

– E dessa vez eu é que vou ver você no seu habitat natural. 

 

– Vai mesmo. Por falar em bolo, meu estômago ainda não tem espaço para a sobremesa. Vou digerir esta maravilhosa refeição lavando a louça. 

 

– Não precisa se incomodar com isso. 

 

– Você já fez o jantar. Duas vezes. Vou arrumar as coisas enquanto você toma um brandy e fuma um charuto. 

 

– Não tenho brandy nem charutos em casa. 

 

Ela deu um tapinha no ombro de Carter quando se levantou. 

 

– Um professor de inglês deveria reconhecer uma metáfora. Tome mais uma taça de vinho, já que não vai dirigir. – Ela serviu outra taça para ele antes de começar a tirar os pratos da mesa. – Na verdade, gosto de lavar louça. É a única tarefa doméstica que me agrada. 

 

Ela abriu a torneira de água quente, encontrou o detergente no armário embaixo da pia e despejou um pouco nas panelas e nas frigideiras. 

 

Jellal gostou de ficar sentado, observandoa fazer aquelas tarefas básicas, tão mundanas. Esperava que ela não dissesse nada importante, porque sua mente estava atordoada. E não tinha nada a ver com o vinho, mas com o fato de imaginá-la ali, arrumando a cozinha na semana seguinte, no mês seguinte, no ano seguinte. Imaginava-a sentada ao lado dele, comendo com ele. 

 

Sabia que estava indo longe demais, rápido demais, mas não conseguia evitar. A atração tinha passado por uma rápida e brusca reviravolta, fazendo com que ele começasse a descer aquela estrada em direção ao amor. 

 

– Onde estão os panos de prato? 

 

– O quê? 

 

– Os panos de prato – repetiu ela, abrindo uma gaveta qualquer. 

 

– Não é nessa aí. Ficam na do outro lado. Vou pegar. 

 

Ele se levantou, abriu a gaveta certa e tirou um pano. 

 

– Posso enxugar as panelas. – Voltou-se para ela e sentiu o estômago embrulhar. 

 

Com a cabeça inclinada, ela lia a lista de Simon. 

 

– Você tem uma lista. 

 

– Não. Quer dizer, sim. Não é minha. Quero dizer, é minha, sim, mas não fui eu que a escrevi. Não fui eu que a fiz. Droga! 

 

Com uma expressão atenta, Erza continuou a ler. 

 

– É bem detalhada. 

 

– Foi o Simon. Aquele que você conheceu. Ele é louco... Acho que não mencionei isso quando o apresentei a você.

 

 – Tem itens. 

 

– Eu sei, eu sei. Desculpe. Ele está determinado a bancar o Mikazuchin. Quero dizer... 

 

Ela ergueu os olhos e o fitou. 

 

– Sei quem é Mikazuchin, Jellal. 

 

– Ah, claro que sabe. Ele se casou há poucos anos, estão esperando um bebê. 

 

– Dê os parabéns a ele por mim. 

 

– Enfiou na cabeça essa ideia de que precisa me ajudar, bem... nessa área. Foi ele que trouxe a lista na terça-feira. Eu falei que ele veio jantar aqui na terça-feira, não falei? 

 

– Para o ensaio. 

 

– Isso mesmo, para o ensaio. Devia ter jogado isso fora depois que ele foi embora, mas guardei na gaveta. Foi só…

 

 – Por precaução, não foi? Como um backup. 

 

– Foi e não tenho como me desculpar. Não a culpo por estar chateada.

 

 Ela voltou a atenção para Carter.

 

 – Eu pareço chateada? 

 

– Ah... Não, agora que mencionou, realmente não parece. O que é bom. É um alívio. Diria que está achando... engraçado? 

 

– De certa forma... – respondeu ela. – Segundo a lista de Simon, estamos cumprindo direitinho a programação. 

 

– Não segui essas instruções. Juro. – Ergueu a mão, com a palma voltada para Mac. – Tenho minha própria lista. Na cabeça. Que de repente percebo que é igualmente estúpida. 

 

– Como estamos nos saindo em relação à sua lista?

 

Ela sorriu, mas Jellal não conseguiu perceber o que havia por trás daquela expressão. Devia haver alguma coisa. 

 

– Bem. Estamos nos saindo bem. Quem sabe não podemos comer um pedaço do bolo? 

 

Ela ergueu o dedo quando ele tentou voltar à lista. 

 

– Acho que deveríamos apenas empilhar os pratos. A menos que pense, como leio agora entre parênteses, que estou achando que você lavou mal a louça. Simon acredita, e nós sabemos como é o Simon, que lavar a louça junto, se for preciso, pode ser considerado uma preliminar. 

 

Mortificado, Jellal fechou os olhos. 

 

– Pode me matar, por favor? 

 

– Desculpe, mas isso não está na lista. A lista diz que, depois de ter escolhido a música apropriada, e Barry White é a forte recomendação dele, você deveria dançar comigo. Pode ser na cozinha ou na sala de jantar, os dois locais são aceitáveis. Tem que ser uma dança lenta, que encaminhe para a parte da noite dedicada à sedução. Ele aconselha ainda que, nesse momento, você tente perceber se posso ser convencida a ir lá para cima. 

 

– Quer que eu o mate? Tenho pensado nisso. 

 

– Não ouvi Barry White. 

 

– Acho que não tenho nenhum... Mesmo que tivesse, eu não teria... Já disse que o Simon é louco? 

 

– Tem uma coisa que eu gostaria de saber, Jellal. – Olhando para ele, Erza deixou a lista na bancada. – Por que não está dançando comigo? – Ela se aproximou e passou os braços em volta do pescoço dele.

 

 – Ah.

 

 – Não queremos desapontar o Simon. 

 

– Ele é um ótimo amigo. – Jellal encostou o rosto no topo da cabeça dela e tudo voltou ao seu devido lugar. – Não sou um bom dançarino. Tenho pés muito grandes. Se pisar em você... 

 

Ela ergueu a cabeça. 

 

– Cale a boca e me beije, Jellal.

 

 – Posso fazer isso. 

 

Dançando, Jellal encostou a boca na dela. Deu-lhe um beijo suave e delicado, como o momento pedia. Continuou dançando bem devagar, sentindo-a passar os dedos em seu cabelo e suspirar, o que embotou a mente dele. Ela moveu a cabeça para percorrer seu queixo com os lábios. 

 

– Jellal? 

 

– Humm? 

 

– Se estiver prestando bem atenção, vai perceber que estou convencida. – Manteve os olhos abertos, fitando os dele, quando voltaram a juntar os lábios. – Por que não me leva lá para cima? 

 

Ela deu um passo para trás e estendeu a mão. 

 

– Se me desejar. 

 

Ele pegou a mão de Erza e a beijou. 

 

– Acho que passei a vida toda desejando você. 

 

Saíram da cozinha. Quando chegaram ao pé da escada, ele teve que se deter para beijá-la novamente. Perguntava-se se o vinho, o desejo e as imagens fervilhavam na cabeça dela tanto quanto na dele. Levou-a para o andar de cima, a pulsação se acelerando a cada degrau. 

 

– Pensei em flores e velas – disse ao entrarem no quarto. – Depois achei que isso podia estragar tudo, apesar de não ser supersticioso. E queria tanto ter você aqui que não podia me arriscar. Queria você na minha cama. 

 

– Ouvir você dizer isso é bem melhor que velas e flores, pode acreditar. 

 

Assim como o resto da casa, pensou Erza, o quarto era a cara dele. Linhas simples, cores suaves, espaço organizado. 

 

– Eu queria estar aqui. Queria estar na sua cama. 

 

Indo até ela, Erza viu a foto do cardeal na parede em frente. Comovida, virou-se para fitálo e o desejou mais do que achava possível. Começou a desabotoar a própria blusa. 

 

– Não, por favor. Se não se importar, quero tirar sua roupa. 

 

Ela baixou as mãos.

 

– Não, não me importo. Jellal se aproximou e acendeu a luminária da mesinha de cabeceira. 

 

– E quero ver você enquanto faço isso. 

 

Fez um carinho no rosto de Erza e percorreu seu corpo com ambas as mãos, puxando-a para si. Então sua boca procurou a dela.

 


Notas Finais


eu só ma deixei a parte boa pro próximo cap

n sei quando vou posta pós fim de semana meu irmão n deixa eu usa o pc a n ser que ele saia

eu vou tenta implora para meu outro irmão para deixa eu usa o note

comentem por favor


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