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História Além das Quadras - Capítulo 41


Escrita por: MarcelineA

Notas do Autor


Finalmente chegamos ao fim dessa história que eu amei demais escrever!
Agradeço a todos que estiveram comigo nessa caminhada, desculpem por todos os comentários não respondidos, todos os atrasos e por tudo que não agradou vocês
Quero estar melhorando sempre e espero que vocês estejam comigo nos meus próximos projetos ^^
Muito obrigada por tudo mesmo! Vcs são incríveis ♥
Beijin beijin :*
~Maia

Capítulo 41 - Epílogo


Epílogo

Dizer que a separação tinha sido simples seria a maior mentira que Henry já dissera. E ele dizia constantemente que estava tudo bem quando lhe perguntavam a respeito de Erick. 

O início foi muito difícil. Ainda não era fácil, mas os primeiros meses foram sofridos. Sentia muita falta do namorado e queria vê-lo novamente, mas um oceano inteiro os separava, além de suas responsabilidades. 

Não soube quando a comunicação ficou escassa. O fuso horário atrapalhava bastante, então as videochamadas e as conversas por mensagem foram diminuindo à medida que os dias iam passando. Basicamente conversavam para saber se o outro estava vivo. A distância era uma filha da puta e Henry a detestava com todas as forças. 

Henry voltara a jogar no Arsenal e tirou um tempo para pensar a respeito da faculdade. Tinha decidido continuar, mas não queria cursar Educação Física como era o plano inicial. Acabou optando por cursar Administração, para ajudar o pai a tocar a pequena empresa que estava pretendendo montar. 

A vida parecia tranquila, apesar de que algumas coisas estavam estranhas. Os gêmeos haviam crescido e, conforme os anos iam se passando, Henry se via cada vez mais distante, dessa vez tanto de Rach quanto de Jules. Eles já não eram mais bebês e Henry sentia que tinha perdido alguma coisa. 

De fato perdera e não sabia muito bem como recuperar a confiança dos irmãos. 

Era exaustivo. A faculdade e o Arsenal exigiam muito de si, mas foi o meio que ele encontrou de não ficar pensando em Erick 24 horas por dia. Sua psicóloga falou que ele precisava ocupar a mente com outras coisas e era exatamente isso que ele estava fazendo. 

Marge, Bruno e Leo foram essenciais para isso. Eram eles que o chamavam para sair, para festas, churrascos, boates ou bares. Eles saíam, Henry bebia e pegava qualquer um que lhe parecia minimamente interessante para suprir aquela necessidade que ele tinha de ser tocado por alguém.

Mas, no dia seguinte, quando as memórias inundavam sua mente, ele sentia-se completamente arrependido e culpado, um traidor. Ele sabia que não era. Foi deixado claro numa conversa que teve com Erick que eles terminariam por causa da distância, que não seria possível manter um relacionamento com eles estando em continentes diferentes, sem qualquer previsão de se verem. 

Porém, Henry nunca seria de outra pessoa além de Erick. Nunca se apaixonaria ou amaria alguém que não fosse Erick.

Todas as vezes ele falava que nunca mais faria aquilo. Que nunca mais beberia e que ficaria com alguém novamente. Marge sabia que era mentira, então nem se preocupava em alertar o amigo. Não demorava muito para que o álcool escorresse por sua garganta e o tesão e vontade de foder viessem como uma bomba. 

Como Marge sempre dizia: uma vez piranha, sempre piranha. 

Às vezes o álcool vinha pra fazer com que ele se debulhasse em lágrimas por sentir falta de Erick. Bruno que ficava com ele nesses momentos, pois Marge não tinha o mínimo de paciência para as lamúrias do melhor amigo. Henry não a culpava.

Eram nesses momentos que ele abria o celular para ficar vendo as fotos do outro. Erick sempre mandava fotos para Henry, dos lugares que visitava com seus novos colegas de time. Às vezes conseguiam conversar, outras não, mas era sempre bom ver o seu sorriso nas fotos. 

Sua preferida era uma em que Erick estava todo empacotado com roupas quentinhas, touca e cachecol, sorrindo como se fosse uma criança ao ver a neve. Tinha uma sequência de fotos daquelas, com várias expressões como se ele tivesse sido pego desprevenido.

Aquela foto secretamente tinha virado seu plano de fundo do celular. 

A saudade era uma vagabunda. 

Estava de folga naquele dia em específico que o vira pela primeira vez na televisão. Um canal de esportes estava transmitindo ao vivo os jogos da liga italiana e, por coincidência, era o time de Erick que estava disputando aquele jogo. Henry estava na sala e parou tudo o que estava fazendo para assisti-lo. 

– Eu quero ver TV – Jules apareceu na sala após um tempo

– Mas eu to vendo – Henry devolveu, sem olhar o irmão.

– Mas eu quero ver! – ele bateu o pé, irritado. 

– Deixa de ser mimado, garoto. Eu to vendo. 

– Aff, você é o pior! – e saiu batendo o pé.

Henry revirou os olhos com a teimosia e atitude do irmão. Ele não sabia quando Jules tinha se tornado tão mimado. Talvez fosse a adolescência chegando, pois, se alguém não fazia algo que ele queria, essa era sua reação. Ficava emburrado por tanto tempo que era cansativo. 

Sem a intromissão de mais ninguém, pois, por sorte, seus pais não estavam em casa para Cassandra ir falar com ele para deixar o mais novo assistir, ele pôde se concentrar no jogo. 

Nunca foi de assistir muito aos jogos de vôlei, por mais que gostasse. Então não sabia como era agoniante torcer tanto para um time que estava perdendo. A cada erro era um resmungo e o coração acelerava pelo nervosismo.

Eles perderam aquele set, fazendo com que o jogo ficasse empatado. Iriam para o quinto e último set. Henry não sabia exatamente qual era o campeonato ou se estava nas finais ou na fase de pontos, mas de qualquer forma não importava, iria torcer para Erick até o fim. 

Suas unhas foram embora de tanto que as roeu enquanto assistia ao jogo. Estava tão empatado que era difícil bater o martelo e dizer qual time iria ganhar. Quando Erick marcou um ponto lindo de segundo toque, Henry levantou do sofá, soltando um grito animado.

– Henrique! Não grita! – ouviu Jules xingando, aos gritos também.

Ele devolveu com um “me deixa”, revirando os olhos, e voltou a se concentrar no jogo, cada lance sendo demais para o seu coração. Os últimos pontos daquela partida foram insanos, mas no fim, o time de Erick ganhou e Henry viu todos os seus companheiros pulando em cima dele em comemoração. 

Sentiu o coração apertado por alguns segundos. Queria estar ali, do lado de Erick, comemorando com ele mais uma vitória. Mas aquele sentimento se dissipou quando a câmera focou neles e pode ver o sorriso radiante do outro. Era incrível como aquele homem conseguia mexer com Henry até pela televisão. 

No fim, estava feliz. Não tinha como não ficar vendo aquela cena, vendo a felicidade do homem que ele amava. Com um sorriso triste, ele agradeceu pelo universo ter dado a oportunidade de eles terem se conhecido.

Apesar da saudade, ele não tinha arrependimentos. 

[...]

Cinco anos haviam se passado. 

Foram anos conturbados, um pouco instáveis, mas Erick sobreviveu.

Estar num país completamente diferente não era nada fácil. Teve sorte que o time para qual foi contratado lhe deu todo o apoio para que se instalasse bem. Fez amizade com os outros jogadores, dividindo apartamento com dois outros estrangeiros. 

Os primeiros meses foram bem difíceis. A saudade de Henry batia forte todas as noites, ainda sentia, mas de forma mais amenizada. Sentia falta de muitas coisas no Brasil, principalmente de sua família e do ex-namorado. 

Ainda era estranho pensar que Henry era seu ex-namorado, mesmo que o término tenha sido mútuo depois que se separaram. Mas as horas intensas de treino e do pessoal querendo lhe mostrar o lugar ocupavam bastante o tempo de Erick para que sequer conseguisse pensar direito.

O fuso horário era o que mais atrapalhava e, com a vida adulta batendo na porta, o contato entre eles fora bem prejudicado. Mesmo assim, não deixava de manter o outro informado e gostava muito da reação de Henry às fotos que ele mandava dos lugares que visitava. Marge também amava, mesmo que não fossem fotos tão boas quanto as dela.

Também teve o fato de que não ficou apenas na Itália. Passou dois anos lá e depois foi por um ano para a França, onde encontrou Gabriel, o que foi o ápice dos seus dias naquele lugar. Voltar a jogar com Gabriel era empolgante e pela primeira vez pôde ver um lado menos mandão do outro, já que não era capitão do time. 

Foi muito bom ter alguém que falasse português para conversar. Nathy falava que Erick estava tanto tempo fora que tinha desaprendido a língua, já que volta e meia ele esquecia alguma palavra em português e a irmã tinha que lembrá-lo. Ela ria e brincava, mas sentia falta de falar sua língua nativa. 

O quarto ano fora do Brasil consistiu em um ano turbulento no Japão. A cultura totalmente diferente lhe pegou desprevenido, mas ele aprendeu bastante coisa no país, principalmente como se proteger em um terremoto. A mãe quase infartou quando soube, mas tinha ficado tudo bem,

Nesse meio tempo, tivera uma proposta para jogar no time brasileiro no Mundial e nas Olimpíadas, mas infelizmente foram em épocas que já estava com contrato fechado e não podia voltar para o Brasil. 

Doeu demais seu coração negar uma volta para o Brasil mesmo que fosse temporária, mas não deixou de ir quando teve um tempo de férias. Passou uma semana com sua família e outra com Henry antes de voltar para Itália novamente e encarar mais um ano de contrato. 

– O que é isso? – Henry perguntou com o cenho franzido, encarando um pacote de cores berrantes de algum doce japonês que Erick havia trazido para ele – Eu tenho medo dessas coisas japonesas. 

– Essa bala é super gostosa, você vai ver! – mentira. Era uma das piores que tinha comprado e queria ver a cara do outro ao prová-la. – Anda, experimenta. 

Erick acompanhou ansiosamente o outro colocando a bala na boca e fazendo uma careta tão engraçada que Erick gargalhou alto, abraçando o homem à sua frente e lhe enchendo de beijos mesmo que Henry tentasse se desvencilhar. 

 As pessoas que passavam pelo Parque Municipal encaravam os dois com olhares estranhos, mas Erick estava feliz demais para se importar com o que os outros pensavam.

– Você é terrível! – exclamou Henry lhe empurrando, mas com um sorrisinho mínimo no rosto.

– Mas você me ama mesmo assim – Erick disse com o sorriso mais sincero do mundo. Henry retribuiu e se inclinou para lhe dar um beijo.

– Infelizmente é verdade. 

Foi a semana mais rápida da sua vida. Eles fizeram de tudo para ficarem juntos, viajaram para um hotel fazenda por dois dias, mas tudo parecia querer correr para que eles se separassem logo. 

A despedida foi o pior momento. Henry não quis ir ao aeroporto novamente e repetir aquele clima tenso que foi 4 anos atrás, então eles passaram a noite juntos na casa de Henry e se despediram por lá mesmo. Lágrimas escorreram de ambos e o coração de Erick foi deixado no Brasil mais uma vez. 

Quase um ano depois, ainda na Itália e se preparando para uma final do Campeonato Europeu, Erick recebeu uma proposta de voltar para o Brasil e outra para continuar no time que estava. Aquilo tinha lhe deixado totalmente desnorteado, pois estava amando toda a experiência e conhecimento que estava ganhando jogando fora do Brasil. 

Mas tinha a chance de voltar e ficar com Henry, ainda por cima ganhando dinheiro com isso, já que continuaria a jogar. Só que não se sentia preparado para voltar, sentia que precisava aprender mais coisas, explorar e conhecer mais outros lugares. Precisava decidir aquilo, mas não tinha cabeça para isso.

O nervosismo antes de qualquer jogo era inevitável, mas quando se tratava de uma final, aquele sentimento se multiplicava absurdamente. Estava sentado no banco do vestiário, suas mãos mexendo na aliança que estava na corrente em seu pescoço. Mexer no objeto lhe acalmava, ainda mais porque sentia que Henry estava ao seu lado.

Ele queria ganhar, faria de tudo para isso, sempre fazia, mas pensar em Henry deixou aquele aperto incômodo em seu coração. Aquilo atrapalha ele um pouco, então fechou os olhos, respirando fundo e tentando mentalizar que tudo aquilo seria passageiro, que em algum momento, ele ficaria com Henry novamente.

Conseguiu colocar a cabeça no lugar e deu seu sangue e suor em todas as bolas que levantava. A cada ponto era uma comemoração rápida e ele sentia aquela adrenalina gostosa passando pelo seu corpo a cada lance. O nervosismo vinha quando perdiam um set, mas os treinador os motivava ao máximo para não desanimarem. 

Erick não sabia onde estava com a cabeça, mas não percebeu quando ganharam o jogo. Quando piscou depois de passar uma bola de segunda e ela marcar o ponto final, ele já estava sendo abraçado por todos os colegas de time. Estava tão atônito que quase caiu quando foi levantado pelos outros em comemoração. 

O estádio inteiro gritava o nome do time, vibrando com a vitória. Foi colocado no chão depois de uns minutos e foram chamados para receber a medalha de primeiro lugar. Eles subiram no pódio e ao som da gritaria, ele não conseguia conter a emoção ao colocarem a medalha em seu pescoço. 

Então foi anunciado o prêmio de melhor jogador da temporada. Ele não esperava que o narrador falaria seu nome. Ele ficou ainda mais confuso quando se deu conta de que era Henry quem estava à sua frente, segurando o troféu de melhor jogador, com aquele sorriso pelo qual ele era apaixonado. 

Erick ficou totalmente estagnado olhando para Henry. Tantas coisas que ele queria falar, mas só conseguiu descer do pódio correndo e pegar o outro pela cintura, levantando-o e dando-lhe um beijo.

Os aplausos ao fundo não faziam parte da cena, Erick só conseguia sentir seu coração acelerado ao beijar Henry. Só conseguia concentrar-se na presença do outro. 

– Parabéns, amor – Henry sussurrou quando foi descido, entregando o prêmio. 

– O que você tá fazendo aqui? Como chegou aqui? – Erick perguntou afoito, a respiração ofegante. 

Henry sorriu.

– Tinha que te responder um negócio né? – disse, puxando a corrente em seu pescoço, mostrando a aliança ali. 

Erick encarou o objeto por alguns segundos e depois olhou para Henry. 

– Isso é um sim? 

– Uhum – Henry concordou com a cabeça, sorrindo abertamente. 

– Meu Deus… – Erick sentia que estava sem fôlego – Eu te amo – ele agarrou Henry e começou a beijá-lo. – Eu te amo, eu te amo, eu te amo. 

Henry riu com o ataque de beijos e afastou o noivo. 

– Eu também te amo, meu noivo. 

Erick nem acreditou o quanto aquilo era maravilhoso. 

– Isso é de verdade ou um sonho? – ele murmurou, fazendo Henry sorrir. – Como?

– Eu tive uma ajudinha – ele disse indicando uma pessoa atrás de Erick. Ele se virou e viu Gabriel com um sorriso mínimo, dando de ombros. – Agora estou pronto pra ficar aqui com você. 

Por um segundo, Erick achou que tinha ouvido errado. 

– Aqui? Sério?

– Não teria aceitado o pedido de casamento aqui se não fosse pra ficarmos aqui – Henry deu de ombros – E eu trabalhei bastante pra isso, então não estrague tudo. 

A última parte claramente foi brincadeira, mas Erick estava tão feliz que nem se deu o trabalho de fazer um draminha básico por conta daquilo. 

Tudo tinha começado de forma tão boba e inocente. Uma amizade, uma promessa. E então tudo virou uma caminhada tão longa que Erick não soube quando chegaria ao fim. Mas ali estava, finalmente com a pessoa que amava, se sentindo completo, enfim, sentindo que tudo tinha terminado e nada mais podia abalar aquilo. 

Uma caminhada muito além das quadras, além da amizade, além deles dois. E depois de tudo isso, podia se sentir em paz novamente. 

 


Notas Finais


Obs:
— Leiam as notas iniciai! Por favor
— Não vou colocar a história concluída ainda, pois pretendo escrever alguns extras. Mas a história acabou e os extras é apenas um fanservicezinho ♥
— Me adicionem ou me sigam para receber atualização das minhas próximas histórias!
— Mais uma vez, muito obrigada por tudo ♥
Beijin beijin :*
~Maia


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