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História Além das sombras - Capítulo 15


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Notas do Autor


Eu disse que não sou bom com prazos =/

Capítulo 15 - Novos mistérios


Horas depois de irem para a cama, Zia sentiu o namorado se movimentar e o calor de seu corpo desapareceu. Segundos depois sentiu o toque suave de seus lábios contra sua bochecha e sorriu levemente devido a sonolência. O lobisomem sussurrou um “tchau, volto daqui a pouco” e saiu para o treino. Ela apertou os olhos e voltou a dormir tranquilamente. Mais tarde acordou com a iluminação vermelha oriunda da janela coberta por uma cortina de cor forte. Zia decidiu sair dali antes que seus olhos doessem e dirigiu-se para a sala no fim do corredor, onde tiraria um cochilo rápido no sofá e de lá iria tomar uma ducha.

   Quando abriu a pesada porta de madeira a primeira coisa que ouviu foram os chiados irritantes de Chloe e as vozes das meninas tentando acalma-la. Zia seguiu as vozes de deparou-se com Chloe com a testa franzida fazendo beicinho e as amigas ao lado.

- Ah, aí está você – disse Regina; ela usava um robe preto com meias arco-íris – Pode ajudar a gente com essa escandalosa?

- Eu não sou escandalosa! – reclamou Chloe cruzando os braços e franzindo a testa ainda mais – O seu primo me deixou sozinha esta noite! DE NOVO!

- Ué, é normal – disse Zia – Às vezes as pessoas precisam de espaço senão o relacionamento fica sufocante.

- Eu sei disso – disse Chloe; a patricinha usava um robe de pele sintética branca e meias arco-íris compridas nos pés enfiados em pantufas azuis – A gente não dorme toda noite juntos. O problema é que ele me deixou sozinha pra ficar mexendo num monte de papéis a noite inteira! Nem boa-noite veio me dar!

- Ele anda bem fissurado no caso do Obi, da Rainha e tudo o mais – disse Débora; seu robe era verde pastel com um laço dourado na cintura.

- Caramba! – exclamou Zia – Que obsessão! Ele me contou que não parava de trabalhar, mas nunca achei que deixasse de existir pra isso.

- Credo! – soltou Chloe com uma expressão enojada – Ele precisa tirar um ano sabático junto comigo para desestressar, então. Bem que aquele corpinho gostoso tá cheio de músculos tensos. É sério, dá pra ver quando ele tá pelado, sorrindo pra mim enquanto acaricia o...

- Chega! – Zia tapou os ouvidos rapidamente – Chloe, não ponha imagens do meu primo se masturbando na minha cabeça! E não tem nada de errado em trabalhar um pouco. Nem só de folga vive o ser humano.

- Claro que não – concordou a garota – É preciso de uma dose de diversão com outras pessoas também, mas eu não acho que o Hugo anda se divertindo muito comigo. Tá certo, quando ele me toca lá embaixo e vai fazendo aquele movimento gostoso... Ah, como é bom! Só que...

- Chloe! – Débora também havia tapado os ouvidos – Agora eu tenho que concordar com a Zia! Sem mais detalhes, por favor!

- Beleza, parei! – Chloe ergueu as mãos e se levantou – Mas agora voltando ao assunto, algo precisa ser feito. Não quero acordar no meio da noite com o Hugo dando machadadas na porta e fazendo uma cara de psicopata na abertura porque muito trabalho e pouca diversão vão deixar ele doidão!

- Eu vou conversar com ele – disse Zia –, mas você tem que se esforçar pra ser menos preguiçosa também.

- Eu não sou preguiçosa! – reclamou Chloe – Apenas gosto de me divertir ao máximo. Não é pra isso que serve a adolescência? Pra aproveitar a juventude antes da vida chata de um adulto?

- É, mas você tem que ter algumas responsabilidades, pensar no dia seguinte – disse Regina – Eu e a Débora pensamos no nosso futuro e ainda assim não deixamos de nos divertir. Você sabe o que vai querer fazer?

- Eu... ainda não sei, mas vou descobrir – disse Chloe – Podemos debater isso hoje à noite, que tal?

- É uma boa – disse Débora – Às vezes eu fico em dúvida, então é bom ter as amigas pra conversar sobre isso.

- Espera! – interrompeu Zia – Vocês vão se reunir na torre leste de novo? – ela estava encucada com aquele comportamento há algum tempo. Elas desapareciam por horas e viviam sussurrando às escondidas por aí. Quando se tornaram amigas, Zia achou que elas seriam mais íntimas, porém não era o caso e isso a irritava. Teria caído em uma armadilha de trouxa da Chloe?

- Sim – respondeu Regina – Ah, Chloe! Que tal fazermos a iniciação dela amanhã à noite? Já devíamos ter feito há muito tempo, não é mesmo?

- É verdade! Zizi, largue tudo o que você tem marcado pra amanhã à noite. Você vem com a gente pra torre leste! Agora deem licença que eu vou pro meu banho matinal imaginar aquele lindo todo pelado e ensaboado...

- Tá bom, a gente sai, Chloe – disse Regina revirando os olhos.

- Espera! – Zia interrompeu – Eu te conheço bem, Chloe, então até eu resolver isso com o Hugo você não vai brigar com ele imediatamente. Deixa que eu resolvo isso e... que negócio é esse de iniciação?

- Você verá na hora, coisinha – disse Chloe – Agora saiam, por favor.

   As três meninas saíram e cada uma foi para um banheiro se aprontar. Zia começava a encucar com aquela história de iniciação. Chloe seria tão dramática ao ponto de fazer amizades assim?

 

   No café da manhã ninguém queria falar do que aconteceria a seguir, como procederiam com o que já tinham em mãos. E também, ninguém do grupo de caçadores de Ed encontrou alguma coisa sobre os inimigos. Estavam na estaca zero, exceto pela pista que Zia tinha achado acerca da Casa do Diabo. Chloe encarava a todos, pensativa e serena como um filósofo e Zia comia de seu prato sem tirar os olhos dela, imaginando que explodiria com Hugo a qualquer instante.

- Sabem o que eu acho? – perguntou ela de repente – A Gisele Demônia é o Obi.

- Como chegou a essa conclusão? – perguntou Hugo depois de um gole em sua caneca.

- Simples. Ela passou todo o dia do ataque me ligando, na certa querendo me ameaçar. Só que eu ameacei ela primeiro e desliguei na cara. Então, como ela me odeia, decidiu me matar e todos os outros que estivessem comigo.

- Eu não vou mentir – disse Regina depois de uma garfada na panqueca – Pelo histórico que temos da Gisele Demônia é bem a cara dela fazer isso. Sei que parece loucura e uma teoria completamente aleatória, mas vocês não conhecem a Gisele.

- Eu acho que já ouvi falar dessa menina – comentou Zia.

- Já sim. Lembra do Murilo? – perguntou Débora.

- Se lembro – disse ela, com irritação – Ele era insuportável. O típico valentão de escola. Mas qual a relação?

- Lembra que ele saiu da escola no segundo ano? – continuou Débora – Pois, então. A Gisele ameaçou ele e a família dele quando quiseram denunciar uns podres do pai dela a polícia. Depois disso eles sumiram do mapa.

- É sério? – perguntou Li, incrédulo – Achei que eles tinham só saído da cidade.

- Se saíram eu não sei – falou Débora – O caso é que todos eles desapareceram. A mãe, o pai, o irmão gêmeo gostoso e simpático dele, ai, ai... e ele.

- Faz sentido – disse Ed recostando na cadeira e colocando as mãos atrás da cabeça – A Gisele adora tocar o terror nos outros. É fácil imaginar ela colocar uma máscara assustadora e sair matando geral por aí. E do jeito que as coisas estão, não duvido que isso possa estar relacionado ao pai dela.

- Falando em máscaras, hoje é o final da temporada de Carnaval Letal – comentou Vandinha – Vamos assistir?

- Calada, Boca de Bunda! – exclamou Chloe – Mas dessa vez até que você falou algo que preste. Final de temporada hoje à noite!

- Devíamos ir dar uma olhada na mansão abandonada – disse Hugo, querendo acabar logo com aquilo.

- Isso pode esperar, lindinho – disse Chloe levemente irritada – E também precisamos dar uma checada na área antes, né? Não querermos surpresas desagradáveis.

- É por isso que eu penso em ir logo agora de manhã – sugeriu o garoto – Fazemos umas mochilas, levamos algumas armas e sondamos a área enquanto o sol ainda estiver no alto. Se estiver de boa, a gente entra.

- Você só pensa nisso – reclamou Chloe, por fim – Tenta se divertir um pouco, garoto. Cadê o Hugo que tava na farra no fim de ano? – Hugo desviou o olhar como se quisesse esquecer aquilo – Além disso, o lugar pode ser totalmente seguro já que os principais alvos são os caçadores, que somos nós. E o caso do pai morto da Boca de Bunda é só um adendo.

- Por que você acha que meu pai foi morto por ele? – perguntou Vanda.

- Além do fato óbvio dele ser um jornalista sensacionalista chato pra caralho que só fala as coisas gritando pra levantar a audiência, dar opiniões radicais que não vão ajudar em nada e acabar com a sensação de segurança? – perguntou Chloe sem paciência e a garota emburrou a cara para ela.

- Simples, querida – explicou Débora – Mídia. Um escandaloso como o seu pai ia botar medo em todo mundo e isso iria escandalizar. E, claro, as pessoas iam ficar em pânico e reforçar a proteção. Aposto que é por isso que ainda não saiu uma reportagem sobre os crimes dele em outras emissoras depois que ele e a testemunha morreram.

- O safado é um maldito de um esperto – falou Regina cruzando os braços – Calar a mídia impondo medo é jogo sujo. Sem falar que isso é prato cheio pra Gisele Demônia vender “salvação” da seita dela pra as pessoas assustadas e alienar ainda mais gente pra seita sinistra do pai dela.

- O pai dela é líder de seita? – perguntou Zia espantada.

- Das piores, Zizi – disse Chloe – Eles queimam gente que acreditam ser bruxas ou demônios. Agora entendo porque a Regina é a que mais odeia ela de nós três.

   Hugo se levantou e Ed, Li e Vandinha o acompanharam.

- Bem, eu vou começar a planejar a tocaia – disse ele – Quem quiser vir...

- Opa, opa! Parou aí, meu querido! – intimou Chloe se levantando e indo em direção ao garoto – Tá certo que nós temos que proteger nossas vidas e investigar a mansão, mas você acabou de acordar, comeu quase nada e já quer ir brincar de aventureiro? Nada disso! Senta aí, come um pouco e tira o dia de folga.

- Chloe, qual é! – retrucou o garoto cruzando os braços – Eu tô superbem descansado! As semanas que o pessoal ficou na cidade foram um alívio.

- Então porque os seus olhinhos estão rodeados de olheira, hein? – Chloe contornou com o dedo as marcas escuras sob os olhos de prata do garoto – Sabe o que é isso? Você ficou planejando isso há dias! Pensa que eu não sei? A gente quase não fica mais junto, nem mesmo se fala direito! Um bom-dia sequer você não me deu! A tarde inteira até de manhã você fica com a cara enfiada nos livros ou limpando as suas armas ou pesquisando sobre isso tudo... Chama isso de descansar?

- Você também, hein, Chloe! – exclamou ele, aborrecido – Tudo pra você tem que ser diversão? Você ficava o dia inteiro com as suas amigas fazendo mil coisas e sequer lembrou que um monte de gente morreu e que tem não só um assassino atrás da gente, como também a porra da Rainha dos vampiros e o maldito do Golias Volque!

- Eu não esqueci! Eu fui no funeral de cada um deles, a Zia tá de prova! E a gente tava seguro com os caçadores aqui! Será que não podíamos fazer uma pausa?

- Caçadores não fazem pausas! O mal está sempre à espreita e temos que combate-lo!

- Então vá trabalhar no seu plano de investigação sobrenatural que eu vou tratar da minha vida!!! – gritou Chloe pisando duro.

- Eu vou mesmo! Pelo menos vou estar fazendo algo útil! – berrou Hugo, saindo da sala de jantar.

- Ótimo! Vamos assistir série sozinhas hoje à noite porque o cabeça-dura só pensa em trabalhar! Vamos meninas! – chamou e Regina e Débora a seguiram com suas canecas na mão.

   Hugo saiu pisando duro e Edgar foi atrás dele. Se alguém poderia acalma-lo era ele. Li deu um beijo na bochecha de Vandinha e ela acariciou seu braço sorridente.

- Eu volto logo, mor – disse ele – Preciso resolver a situação da minha matrícula na Maresia antes de ir pra Wolf.

- Até mais tarde – acenou ela e Li assoprou um beijinho que a garota pegou no ar e levou ao coração. Ela suspirou e sentou-se na mesa, agora composta apenas por Luca e Zia. Algum tempo se passou até ela voltar a falar – Olha, gente... Vocês não me odeiam, né?

- Não – disse o vampiro, simpático – Você não é tudo aquilo que a Chloe diz.

- Sinceramente, Vanda – disse Zia – Ela tem razão em algumas coisas.

- Quê? Aquela menina implica comigo por qualquer coisa e você fica do lado dela? – disse Vandinha, zangada.

- Por qualquer coisa, não! – Zia parou para refletir o que tinha dito e se corrigiu – Isto é, na maioria das vezes ela tem razão! Toda vez que você podia ter ajudado só ficou parada reclamando, irritando...

- Isso é um absurdo! Ela só me odeia porque meu pai é mais famoso que o dela! – defendeu-se Vandinha um pouco hesitante – Eu não vou ficar aqui ouvindo besteira de gente que anda com ela! Eu achava que você era inteligente, Zia, mas parece que a Chloe consegue alienar todo mundo com a conversinha dela.

   A garota saiu e Luca também se levantou.

- É, ela não quer entender...

- Uma hora a ficha cai. O que vai fazer hoje?

- Proteger a casa – disse Luca – Regina me emprestou um livro de feitiços que vou usar pra manter a gente informado caso apareça algum lobisomem do Golias ou vampiro da Rainha. Vou tirar o dia para estudar um jeito disso não afetar a mim, ao Cláudio e ao Aneko. E você?

- Ela vai vir com a gente, não é? – perguntou Chloe retornando com as garotas. O trio todo usava um casaco preto amarrado ao pescoço, mini saias brancas e saltos altos. Chloe tinha prendido o cabelo num rabo de cavalo, Débora tinha feito um coque e Regina manteve o cabelo solto. Luca aproveitou a deixa e se despediu das garotas indo para seu quarto.

- Aonde vão? – perguntou a garota.

- Vamos investigar a Gisele – disse Débora – Tudo isso deve ter agitado os ânimos da seitinha dela e não gostamos de ver gente irritante e mentirosa por aí. Ainda mais um grupo que caçaria nossa amiga sem piedade alguma.

- Alguém precisa manter as pessoas sob controle no meio dessa bagunça e não acho que a polícia vá conseguir muita coisa a partir do que já tem, ainda menos com a mensagem clara que Obi deixou pra todo mundo – disse Regina – Então vamos dar uma olhada nos movimentos da seita, talvez sabotar alguma coisa e arrancar alguma verdade da Demônia.

- É uma boa ideia – disse Zia – Deixa só eu trocar o pijama que já vamos.

- Estaremos na sala, querida – disse Chloe colocando um par de óculos escuros.

 

   Hugo adorava Chloe, mas hoje ela estava insuportável. Ficavam se encarando na sala. As meninas até tentavam chamar a atenção dela, mas ele sabia que por trás dos óculos escuros ela o encarava com julgamento. Ed estava sendo seu melhor parceiro apenas por estalar os dedos em sua frente e chamar sua atenção para suas anotações. Ele se perdia de vez em quando, claramente incomodado com o clima de guerra fria e as outras garotas desistiram de tentar levar a amiga para outro cômodo.

   O celular novo de Hugo, um mais acessível para os outros, chamou e surpreendentemente era Martinez ligando. Edgar e ele trocaram olhares e o garoto levou o aparelho ao ouvido.

- Alô?

- Alô, Hugo? – perguntou Martinez – Olha, desculpa incomodar e... não pergunta como eu consegui o seu número. A situação é séria. Você tem que vir aqui com o Ed agora! É sobre... aquele assunto, lembra?

- Onde você tá? – perguntou Hugo se levantando abruptamente com Edgar em seus calcanhares.

- No San Ramos, na recepção. Venham logo, por favor!

- Claro, a gente tá indo! – Hugo desligou e Edgar meneou a cabeça como se já tivesse entendido tudo. Ele olhou para Chloe – Posso levar o Cadillac?

- Não – disse a garota com gosto – Pegue o Studebaker Commander 1960, mas o Cadillac é meu por hoje.

- Chloe, isso é infantil – disse Regina, mas a amiga ignorou e sorriu debochada para Hugo – Argh, isso tá me dando fome. Vou comer um croissant na cozinha. Tchau, galera.

- Não vou discutir – disse Hugo, irritado pela bobagem da garota – Até mais tarde.

- Até - despediu-se ela e Débora.

   Os garotos foram até a garagem e entraram no belo modelo vermelho de colecionador. O tempo urgia e Edgar pegou no volante. Se Martinez voltara a falar daquele caso, então a situação era mesmo séria. 



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