História Além de mim. - Capítulo 2


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Categorias EXO
Personagens Baekhyun, Chanyeol, D.O, Kai, Kris Wu, Lu Han, Sehun
Visualizações 13
Palavras 1.193
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Ficção Adolescente, Lemon, LGBT, Romance e Novela, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Boa leitura!

Capítulo 2 - Capítulo Dois - Welcome to the hell... Ou quase isso.


            Kyungsoo amaldiçoou o ser humano que inventara a arma mais letal do Ensino Médio, a bolinha de papel. A única arma que podia ser utilizada sem licença.

Estavam a menos de vinte minutos na sala de aula e ele já havia levado pelo menos quinze bolinhas na cabeça, além de duas nas costas, o que lhe custou uma dor terrível. Aquelas bolinhas não doeriam tanto se não fossem tacadas pelos meninos mais fortes dali. Tentava a todo custo se esquivar delas, mas era complicado, quando eles também eram o principal time de handebol da escola, e sendo assim, tinham a mira perfeita.

            - Olha Kyungsoo, porque você não tenta falar com a coordenação sobre isso? – Riu, era a única coisa que conseguia fazer diante da tamanha bobagem que lhe foi dita.

Óbvio que gostaria de poder ir à coordenação e contar o que lhe faziam, adoraria poder falar a diretora sobre tudo o que lhe acontecia, mas não podia. Falar sobre os acontecimentos no colégio acarretaria uma ligação para o pai, e sabia muito bem que o pai odiava ser incomodado com esse tipo de coisa, “cresce garoto, você não é mais um bebê que precisa de colo” diria ele, depois é claro, levaria alguns bons tapas pra deixar de ser besta.

            - Está tudo bem, eu aguento.

A menina, que não lembrava o nome, saiu suspirando de forma pesada. Ele ficava agradecido quando vinham lhe dar dicas, falar sobre coisas óbvias, o problema é que ele não conseguia. Ele tinha que admitir que na maioria das vezes o pai estava certo sobre sua personalidade. Era uma pessoa fechada, era fraco. Não conseguia se livrar nem mesmo de uma simples bola de papel, quem dirá de anos de abusos.

            - Soo...

            - Não – suspirou – olha, eu estou, tudo bem?! Eu realmente estou bem.

            - Venha, vamos até a enfermaria, me deixa passar alguma coisa nos seus machucados.

            - Não precisa...

            - Isso não é uma discussão.

Andaram até a enfermaria, àquela hora geralmente a enfermeira não se encontrava, o que era bom, assim podiam fazer os curativos sem que lhe incomodassem.

Baek respirou fundo quando viu as marcas deixadas pelo corpo do amigo. Nem mesmo um lutador de MMA conseguia ficar com tantos roxos em tão pouco tempo. Abriu o armário já habituado a tudo aquilo. Sabia sobre os abusos que o amigo sofria desde a primeira vez que Kyungsoo fugira para sua casa. Tentava desde aquela vez convence-lo a denunciar o pai, mas o mesmo jamais faria isso. Ele acreditava realmente que era culpado e que merecia os castigos que lhe eram impostos.

            - Não está tão ruim assim, ele estava com a mão leve ontem. – Kyungsoo tentava diminuir os anseios do amigo. – Ele não tem feito mais com tanta frequência, só nós dias em que vai mal o trabalho ou quando sai pra beber com alguns amigos.

            - Você quer dizer todos os dias, certo?! – terminou de passar a pomada no amigo. – Olha Kyungsoo, eu te amo ok, eu vou estar sempre do seu lado, mas vai chegar o dia em que isso vai ter que parar.

            - Eu sei, mas ele ainda não chegou.

Saíram da enfermaria no momento em que o primeiro sinal tocou. Chegaram à sala junto com o professor, e desculpando-se sentaram em seus respectivos lugares.

Kyungsoo não prestara atenção na aula, não precisava na verdade, tudo o que o professor contava não era novidade para ele. Por viver trancado dentro do quarto passava a maior parte do tempo estudando, o que lhe garantia excelentes notas no final do semestre. Tinha o melhor desempenho em todo o colégio, era o único motivo de orgulho do pai, e era só por isso que ainda estudava ali. O pai já havia lhe dito que só o sustentava por sua excelência no colégio, e que se fosse o contrario, provavelmente já estaria vivendo em baixo da ponte ou em qualquer lugar que o pouco dinheiro que tinha lhe permitia pagar.

 

...

 

            O intervalo era a parte que mais odiava de toda aquela selva. Eram ali, no meio do grande pátio, que homens e mulheres viravam verdadeiros bichos. Um verdadeiro empurra, empurra pra ver quem conseguia pegar a parte boa do almoço. Para os poucos que demoravam a chegar (Kyungsoo e seus amigos incluídos ali) restavam somente algumas poucas migalhas e gelatina, muita gelatina. Kyungsoo não reclamava, adorava gelatina desde criança, sempre gostara de coisas doces, mas para o amigo, um verdadeiro glutão, as sobras eram sempre as piores.

            - Nós definitivamente precisamos chegar mais cedo.

Baek olhava para a bandeja relativamente vazia com certo amargor. Se não tivesse esperado Chanyeol, que resolvera ir ao banheiro justamente no momento do sinal do intervalo teriam conseguido pegar comida.

            - Olha, não está tão ruim assim, pelo menos tem gelatina – Chanyeol tentou em vão acalmar o amigo enquanto Kyungsoo sorria vendo a cena.

Não era sempre que sorria, eram raras as vezes que se viam seus dentes, preferia manter-se sério, achava que assim os assédios diminuíam. Leigo engano, parecia, muitas vezes, que só piorava.

            - Como a primeira aula? – Chanyeol sussurrava para Baek tentando não se fazer audível, mas era difícil quando o amigo media mais de um e oitenta e tinha um alcance vocal tão longo quanto seu tamanho.

            - Quinze bolinhas só nos primeiros minutos de vida escolar!

            - Isso definitivamente é um recor... Ai! Por que fez isso?

Baek batera no amigo para que se calasse. Soo não se importava com o que Chanyeol falara, na verdade até gostava, preferia comentários como os do amigo aos outros tantos fingidos que recebera ao longo do dia.

            - Com certeza, o mais novo recorde de Kai todo poderoso!

            - Você sabe que eu posso conversar com ele sobre isso, não sabe?! Se você me permitisse explicar o que realmente acont...

           - O que acontece ou deixa de acontecer em minha casa é problema meu... Olha, eu sei que vocês querem ajudar, e eu agradeço muito por isso, mas eu não quero que mais ninguém saiba do que realmente acontece.

            - Soo, Baek tem razão, você precisa contar para alguém, denunciá-lo.

            - Eu sei, mas não é tão fácil assim. – Respirou fundo. – Eu já tentei, mas ninguém quis me ouvir da primeira vez, não vai ser agora que o farão!

Levantou-se da mesa e saiu em direção à biblioteca. Perderá a fome no momento em que começaram a falar sobre o pai. Por Deus, por que nem mesmo na escola conseguia ficar livre dele?! Já não lhe bastavam os dias infernais em casa, onde não sabia nunca quando podia se mover. Precisava até mesmo ali, um dos poucos lugares que ainda o fazia bem, conversar sobre aquele homem.

A biblioteca ocupava o último andar do colégio, era enorme e silenciosa, e por isso Kyungsoo adorava ficar ali. Podia simplesmente se jogar naquelas tantas almofadas espalhadas pelo recinto e dormir o resto da manhã. Sairia somente quando precisasse encontrar o amigo para irem juntos para casa.

Olhou para os lados e na medida em que não via ninguém, pode enfim se permitir chorar... Até quando, céus, ele teria que fingir que estava tudo bem.



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