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História Além do Fim - Jeon Jungkook - Capítulo 4


Escrita por: blackswaan

Notas do Autor


tcharam! mais um capítulo, +6k de palavras recheadíssimas com muita confusão, porrada e gritaria 😮‍💨

espero que gostem e boa leitura ♡

Capítulo 4 - Sentenças de morte


Fanfic / Fanfiction Além do Fim - Jeon Jungkook - Capítulo 4 - Sentenças de morte

 

Voltei ao galpão em passos apressados, recorrendo à única pessoa que estava acordada e podia ter alguma ideia do ocorrido. Não é possível que Stefan saiu sem ninguém perceber…

— O que foi dessa vez, Griffin? — quando tomei o caderno das suas mãos, Jungkook suspirou, me olhando com tédio. — Já disse que estou ocupado estudando algo muito importante, você sabe, não posso ser interrompido.

— Que seja! — cruzei os braços, farta dessa mesma desculpa. — Só quero saber se viu Stefan hoje.

Ele maneou a cabeça, coçando a nuca logo em seguida.

— Ah, ele saiu antes do amanhecer. Ouvi alguns barulhos dele quebrando coisas e resolvi perguntar… bom, só me disse que ia procurar novas lâmpadas na cidade.

Arregalei os olhos.

— Você ficou louco, Jungkook? Como só me diz isso agora? — joguei o maldito caderno em cima dele, tomada pela raiva. — Não é pra ninguém sair daqui sozinho, muito menos Stefan! Porra, você sabe que ele não está bem! 

— Eu sei, é que… eu estava muito concentrado, não podia perder a linha de raciocínio disso aqui, caralho! — nervoso, ele apontou pra folha em sua mão. 

Meus olhos migraram dos desenhos estranhos e equações esquisitas, até ele, o fuzilando. Jeon me encarou de volta, o pomo de adão subindo e descendo, enfatizando a tensão que nos rodeava.

E de repente, me odiei por achá-lo bonito num momento tão impróprio, onde eu deveria estar mais focada na sua falta de consideração.

— Foda-se. — neguei com a cabeça, afastando os pensamentos anteriores.  — Pode continuar com seus cálculos, não vou mais te atrapalhar.

Focada em cumprir com a minha promessa, dei meia volta, em passos bravos. Eu precisava manter todos a salvo, custe o que custar, com ou sem a colaboração de Jungkook.

— Espera, pra onde você vai? — quando apanhei meu casaco, ouvi seus murmúrios atrás de mim e não consegui conter a risada sarcástica. — Griffin!

— Sei que não quer ser incomodado, mas ao menos tenha um pouco de noção, Jungkook. — continuei andando, sem virar para encará-lo. — É tão difícil assim tirar os olhos desse papel e enxergar o que está acontecendo ao seu redor?

Não precisei vê-lo para saber que estava mordendo a pele dos lábios em nervosismo, mania que me peguei, sem querer, notando ao longo desses dias.

— Vai ficar tudo bem, ok? — parei em Max, suavizando o tom, deixando um beijo na sua testa. — Vou procurar o seu pai e vou trazê-lo de volta.

Ele assentiu, me abraçando rapidamente antes que eu me levantasse.

— Griffin, é sério. — aflito, Jungkook continuava insistindo. — Você não pode ir assim, os meus cálculos, eles… eles dizem alg…

— Um de nós sumiu, Jungkook, e eu não vou ser egoísta. — parei, o fitando por cima do ombro, esperando mesmo que as minhas palavras sirvam de lição de moral para as suas ações. — Eu vou procurar Stefan, e você vai ficar aqui com os outros. Isso é uma ordem.

 

(...)

 

Enfiei as mãos nos bolsos do meu meu casaco fino, uma das peças encontradas naquela naquela loja destruída, e continuei andando pela estrada deserta até o centro de Baltimore. Ao meu redor, só existia mata queimada, destruída pelos incêndios, muito diferente do cenário que eu e Thomas costumávamos apreciar nas nossas vindas ao aeródromo. 

Mas meu pensamento passava longe disso. Não sabia se me preocupava mais com o sumiço de Stefan ou com os outros no aeródromo. O fato de eu estar sozinha e sem nada para me proteger não me importava. Eu só queria manter todos longe de perigo, por mais que seja quase impossível. 

Sou só uma, afinal.

Durante o caminho, encontrei uma barraquinha de alimentos, provavelmente já estragados, derrubada no chão. Os corpos dos donos estavam lá, abandonados, empoeirados e com marcas de tiros, o que me fez descartar a hipótese de ter sido a gangue a tê-los matado.

Foram, na verdade, os soldados russos. E cada vez que me lembro deles, minha garganta se embola numa imensa vontade de chorar, somente porque nunca saberei o paradeiro de Thomas, nem mesmo poderei lhe dar uma despedida, um último beijo, ou até mesmo… confessar meus sentimentos, estes, naquela época, ainda incertos.

Fechei os olhos, abaixando a cabeça, voltando a abri-los quando decidi não me culpar por isso também. Eu precisava me concentrar por apenas um motivo, que era encontrar Stefan. 

Depois de muito tempo, reconheci a placa da cidade, ainda que caída no meio da rua. Para chegar ao centro, como Jungkook havia dito, eu precisaria passar por algumas avenidas residenciais, inclusive a minha. No entanto, antes disso, lembrei que os escombros de onde eu havia resgatado Max e seu pai ficavam em algum lugar por ali, e cogitei a possibilidade dele ter voltado para buscar algo lá também.

Não custa nada checar.

Continuei a busca, forçando a mente a lembrar do exato lugar, revirando as esquinas sem nenhum sinal de almas vivas, até um som estranho chamar a minha atenção. 

— Oh, puta merda… — ao ver uma silhueta magra, grisalha, ajoelhada aos pés de uma construção aos pedaços, movi meus pés com pressa, correndo até ele. — Stefan!

— Eu sempre vou te amar, Olga… — aos prantos, ele fitava uma parte inexistente da porta. — Ty nuzhen nashemu synu…

Cheguei perto dele, mas não fui ouvida. Stefan estava completamente absorto, imerso em lágrimas e em súplicas, como se houvesse alguém bem na sua frente. Os nossos enlatados de feijão e macarrão estavam espalhados pelo chão, e eu custei a acreditar que aquilo era verdade mesmo.

Os dias sem comer, sem beber água, falando sozinho…

Stefan estava alucinando.

— Stefan. — pus uma mão no seu ombro, sendo o mais cautelosa possível. Eu não estava com medo dele, e sim, do seu proceder quando me reconhecesse. — Sou eu, Griffin.

Uma careta de desgosto se formou na sua face molhada de suor.

— Saia daqui. Você não é bem-vinda na minha casa.

Engoli em seco, olhando pros pedaços de concreto ao chão, sem saber o que fazer ou dizer para convencê-lo a vir comigo, já que eu não era a sua melhor fonte de confiança.

— Vamos, saia, tupaya devchonka… — tirou o meu toque do seu ombro com brutalidade, voltando-se à frente mais uma vez. — Olga, querida, não quer mesmo comer um pouco? Trouxe isso só pra você…

Suspirei derrotada, jogando a cabeça pra trás ao perceber que seria muito mais difícil do que eu pensei. Andando para um lado e pro outro, fechei os olhos com força, nervosa, frustrada em vê-lo tão vulnerável e fora de si, preocupada com a sua sanidade mental num momento tão conturbado.

Ainda que nossa relação não fosse nada amigável, eu queria o bem de Stefan.

— … e eu te juro que farei justiça, os porcos americanos vão sofrer! Todos eles, em nome do nosso filho, meu amor, eu juro que vou te proteger! — se pôs de pé, esbravejando com os braços ao céu. Por um segundo, pensei que essa seria a sua deixa para, finalmente, abandonar o meio da rua, mas não. — O que disse? Que não tem mais volta?

— Ei... — tentei intervir de novo e acabei ignorada. Bufei, largando as mãos nas laterais do corpo, para em seguida respirar fundo, tentando manter a tranquilidade. — Stefan, podemos conversar um instante?

— Me deixa, caralho! Olga está aqui, não vê? Ela está machucada, tenho que ajudá-la…

E assim, precisei dar dois passos pra trás quando, inesperadamente, ele pegou um dos trocentos pedaços de concreto e começou a batê-lo contra os escombros, ocasionando barulhos altos e gemidos de dor pela sua fraqueza. 

— Stefan, para! — tentei intervir, mas seus gritos aumentaram ainda mais. — Assim alguém pode nos notar aqui!

— Olga! Venha comigo, meu amor!

Suspirei com raiva, tentada a jogar tudo pro alto.

— Stefan, não tem ninguém aí. — não tive outra escolha a não ser falar a verdade, da forma mais direta possível, o impedindo de continuar se esforçando para absolutamente nada. — Olga não existe mais, e a sua casa também não, ouviu bem?

Minha fala o deixou pasmo por algum tempo, mas não demorou muito para ele alternar a feição séria para um sorriso debochado e assustador.

— Maluca… — piscou os olhos com força, se aproximando de mim em passos ameaçadores. — Como ousa falar assim comigo e com a minha mulher?

Eu queria me afastar, queria dar motivos para largá-lo aqui, mas contei com a sorte de que Stefan estava debilitado e cansado demais a ponto de avançar na minha direção. E não, ele não estava. Na verdade, o russo parecia bem disposto a me alcançar, se outro alguém não tivesse tirado a nossa atenção primeiro.

Mais precisamente, Jeon Jungkook.

Correndo feito um louco, segurando os óculos tortos no rosto para não caírem, sendo seguido pela porra de um carro vermelho desgovernado. Era, com certeza, a gangue vigiando as ruas em busca de mais aparições.

Eu só não entendi porquê diabos a aparição tinha que ser justamente ele.

— Stefan, corre! — empurrei o mais velho na direção contrária, me certificando de ficar atrás para alcançar Jungkook e fugirmos os três juntos. 

Precisei conter todos os xingamentos que eu queria dirigir a ele e me empenhei apenas em arrastá-lo pelo casaco, desviando dos corpos no chão, dos escombros e, também, das balas que começaram a passar rente à nossas cabeças.

— Olga… — o mais velho chorava na nossa frente, tropeçando nos próprios pés. — Me perdoe, Olga… 

Eu sabia que escapar era pedir demais para alguém sem nada para se defender, carregando uma pessoa fora de si e outra desesperada, no meio de uma rua abandonada, sendo alvo de tiros. E dessa vez… eu estava certa.

Ouvi os pneus cantando contra o asfalto, e em questão de segundos, fomos impedidos de seguir.

Agora, era um rifle que se encontrava apontado bem na minha testa.

— Pro carro, agora! — o garoto ruivo ordenou após pular do carro, ameaçando atirar. Quando viu que não nos mexemos, partiu pra cima de Stefan, o acertando com uma coronhada na nuca. — Vão, caralho! Querem morrer?

Levaram exatos 2 segundos até o russo cair ao chão, em prantos, segurando a cabeça com força, imerso em dores inimagináveis e gritos que denotavam a sua sanidade mental nada estável. 

— Porcos… nojentos, não a levem! Olga…

O garoto se assustou, sem entender absolutamente nada, mas não avançou, tampouco abaixou a mira. E essa foi a minha deixa para, depois de notar que ele estava sozinho, arriscar tudo.

Obrigada, Thomas, pelas aulas de auto defesa. 

Bati o punho contra o cabo do rifle, desestabilizando a mão dele sem muitos esforços. O tiltar da arma no chão abriu espaço para que eu pudesse acertar um chute no seu estômago, e logo em seguida, vários socos no nariz e na mandíbula para garantir que ele permanecesse ali, sangrando, jogado no chão.

Então, ajudei Stefan a se levantar e o estimulei a fugir dali primeiro, correndo na direção da outra rua. Ele, malmente são, fez o que eu pedi, ainda envolto em soluços de dor e sussurros de perdão à Olga. Jungkook foi logo depois, por conta própria, e eu fiquei pra trás, por segurança, me certificando de levar o rifle do ruivo conosco para nos proteger de qualquer outra aparição estranha como essa.

— Yah! — o grito escapou, tão ofegante e assustado quanto eu. — Griffin… 

Quando paramos num beco, apontei a arma na direção de Jungkook, tremendo de nervoso e raiva.

— P-pode… — gaguejou, com as mãos erguidas em rendição. — Pode abaixar isso?

Cá entre nós, eu estava me segurando mesmo para não voar na garganta dele. Onde ele estava com a cabeça pra vir até aqui? E como se não bastasse, causando esse alvoroço todo, chamando a atenção de um membro da gangue...

Jungkook é inacreditável.

— Me diz o porquê, Jeon. — perguntei baixo, entredentes, voltando a encará-lo. — Por que caralhos você não consegue obedecer uma ordem sequer?

Notei quando estremeceu, mas sua feição continuou séria.

— Eu… só queria que você me escutasse, por isso te segui. 

— Como quer que eu te escute sendo que você não fez o mesmo comigo? — avancei em passos firmes até ele, exalando frustração no tom de voz. — Olha o que nos fez passar, Jungkook...

Não sei quanto tempo durou a nossa troca de olhares, mas estava estampado na minha cara o meu desapontamento. 

Ainda que desse jeito tímido, eu acreditei que sua estadia seria saudável e bem-vinda para todos no grupo, mas ele sempre preferiu se manter sozinho, quieto, imerso na sua bolha de números e cálculos, num mundo onde a colaboração é mais do que essencial.

E isso me frustrou. 

— Vamos sair daqui. — retomei a minha postura, lançando-o um último olhar de irritação antes de dar as costas e seguir com Stefan. — Essas ruas não são mais seguras.

— Como iremos voltar, então? — ouvi seu murmúrio, contido.

— Não iremos. — foi tudo que eu respondi, e a partir de então, me mantive calada, caminhando mais à frente.

E sim, eu estava chateada. Não só com Jungkook, mas por estar tudo dando errado e fugindo do pouco - ou nenhum - controle que nos sobrava. Viver num mundo apocalíptico já é difícil, mas viver de discussões e escapadas de uma gangue que ninguém sabe quem está por trás é mais difícil ainda, senão impossível.

Queria que mamãe estivesse aqui, me dando um norte do que fazer, ou de como agir. Queria ouvir a voz de Thomas outra vez, esta que sempre me fez rir quando eu mais precisei.

Queria mesmo não estar lidando com tudo isso. 

— É aqui. — anunciei, parando de andar após um tempo. 

Bem na nossa frente, os portões destruídos e a fachada quebrada denotava o estado da minha própria casa. Era difícil olhar e não querer chorar, ainda mais por saber que minhas últimas memórias foram deixadas aí dentro, quando me despedi de mamãe para pegar o ônibus até o distrito da base aérea.

Agora, ainda estava dia, mas o sol da tarde parecia encolhido detrás das nuvens. Se quiséssemos nos esconder de verdade, a estadia aqui teria que ser, pelo menos, até o amanhecer. Então, segui na frente, abrindo caminho entre os tijolos e as paredes derrubadas até o interior de casa.

A sala estava destruída, praticamente explodida em cacos de vidro, restando apenas a escada e as pilastras de mármore que, creio eu, tenham sido as únicas responsáveis por sustentar os quartos do andar de cima. No tapete, notei quando uma foto do porta-retrato quebrado atraiu os olhares de Jungkook.

— Esta é…

— Minha casa, sim. — o interrompi. — E vamos ter que arriscar subir. Enquanto eu revisto os armários da cozinha para ver se sobrou algo, leve Stefan pro primeiro quarto à direita, por favor.

Não quis soar tão seca, mas com o respirar fundo de Jeon, notei que sim, era mais forte do que eu. Ele atendeu ao meu pedido sem reclamações, mas ainda assim, senti que talvez essa não seja a melhor forma de tratá-lo.

Bom, resolvo isso numa outra hora. 

Sozinha no térreo, pulei os vestígios de móveis queimados, rumando até a cozinha. Por sorte, a dispensa estava quebrada, mas não inteiramente inacessível. Alguns embalados de frutas haviam sobrado, porém estragados, assim como os pacotes de arroz e lámen. A única coisa intacta era um pacote de cookies, assim como um sanduíche natural envolto num plástico, provavelmente preparado pela minha mãe quando saí e a deixei. Entretanto, antes de levar tudo ao andar de cima, parei próximo à geladeira quando acabei pisando, sem querer, num post-it rosa.

E eu reconheceria a letra de Kang Yujin a quilômetros de distância.


Nae sarang, 
 fui à floricultura, volto ao anoitecer.”

 

Apertei os olhos, desprendendo um fôlego pesado. Meus dedos trêmulos pousaram na tinta da caneta, acariciando a escrita que, agora, simbolizava muito mais do que apenas um recado pra mim. Era o único vestígio que eu tinha da pessoa mais importante da minha vida. 

E não sei quanto tempo permaneci ali, em silêncio, engolindo a saudade que emanava do meu peito. Pareceram minutos demais para serem contados, apenas sentidos. 

— Espero que me perdoe um dia, mãe.

Guardei o papelzinho dobrado no bolso da calça, certa de que ele seria lido e relido por mim incontáveis vezes, e decidi subir, sem demorar mais nenhum segundo lá embaixo ou eu certamente me juntaria à Stefan, presa nos gatilhos das lembranças.

Ao abrir a primeira porta, notei o russo de cabeça baixa, sentado na antiga cama dos meus pais com a nuca inchada pela pancada de mais cedo. Sem dizer nada, fui até a última gaveta do armário e tirei de lá uma caixa de primeiros socorros, procurando por alguma pomada ou spray que ajudasse a diminuir a dor. 

— Posso? — perguntei antes, mantendo um tom suave, e ele resmungou um sim baixinho. Já estava bem abatido, tanto que não parava de tremer e piscar os olhos com força. — Pronto. Pode ficar aqui descansando, trouxe um sanduíche pra você. 

Deixei o plástico perto dele, na cama, e dei as costas. Sei que nunca ouviria um agradecimento saindo da sua boca, mas ao menos, a minha parte eu fiz. Depois, decidi passar no banheiro, aproveitando que ele estava intacto, e rumei ao meu quarto.

Só não contava que acabaria encontrando Jungkook apoiado na minha janela, olhando pro céu, perdido em pensamentos. Os fios negros balançavam devido ao vento, cobrindo da sua testa até os óculos prateados. Por mais que eu não quisesse, a raiva que eu senti dele tinha se dissipado, restando apenas curiosidade. 

Eu queria conhecê-lo um pouco mais além do que ele se mostra ser e do que eu esperei que ele fosse. Queria entender Jungkook e me sentir confortável com ele.

— O que faz aqui? — após um pequeno espasmo assustado, ele me fitou, pondo a mão por cima do seu moletom branco, bem no lado esquerdo do peito. — Desculpe, não quis te assustar.

— Não, está… está tudo bem. — balançou a cabeça, se afastando do batente da janela. — E… eu só vim porque a porta estava aberta. Pensei que não subiria agora, então…

— Não tem problema. — murmurei, deixando o rifle e o pacote de cookies na bancada ao lado da minha cama, onde apoiei o meu quadril logo em seguida, virando para o garoto que continuava sem saber se encarava a mim ou os próprios pés. — Bom, Jungkook… 

— Não! — me interrompeu, fechando os olhos com força. — Sou eu quem te devo explicações. Por favor, me deixe fazer isso antes que eu esqueça tudo que planejei dizer.

Franzi o cenho, surpresa, mas num aceno, lhe permiti seguir em frente.

— Oh… isso é difícil. Ok, tudo bem. — respirou fundo, por fim, erguendo os olhos até os meus. — Eu… tenho dificuldade de interagir com pessoas. Pode parecer meio tolo, mas me sinto mais confortável quando passo o tempo estudando, sozinho, e acho que poderia ter deixado isso um pouco mais claro ao invés de sair discutindo com você mais cedo. — levou a mão à nuca, um tanto aflito. — Reconheço que errei, e que a culpa por isso tudo acontecer foi minha. Poderia ter evitado ter deixado Stefan sair, ter corrido esse risco todo e… ter te irritado também. 

Involuntariamente, dei um passo na sua direção, cruzando os braços de maneira distraída. Por algum motivo, ouvir sua explicação me deixou um pouco mais confortável para prolongar a conversa, sabendo que a sua atenção estava inteiramente em mim agora.

— Eu estava de cabeça quente, Jeon. Ainda estou, mas na verdade, também acho que peguei pesado com você. — me redimi, mordendo a ponta do lábio inferior. — Sim, você não me ouviu, fez o que quis e deu no que deu, porém, não é hora de se lamentar, apenas… assumir as consequências e seguir adiante. Sei que você tem seus gostos, suas prioridades, mas… só sugiro que tente enxergar um pouco o mundo na prática, fora das teorias, sabe? Nem tudo ocorre como planejamos, então…

Jeon piscou os olhos, compreensivo.

— Eu entendi. — ergueu o canto dos lábios minimamente, parecendo envergonhado. — Você está certa. Eu peço desculpas mais uma vez se te decepcionei, e… concordo plenamente se quiser me expulsar do grupo, me jogar de volta pra gangue ou, sei lá, me matar agora mesmo com essa arma enor…

— Céus, eu não vou te matar, Jungkook! — sem deixar de rir um pouco da sua afobação, neguei sutilmente. — No mínimo, vou tirar um dia para tentar consertar essa lente torta, mas só isso.

— Ok. Só isso. — repetiu, soltando o ar pela boca em alívio. — Então você não está mais brava comigo?

— Ah… — ri anasalado. — É isso que te preocupa?

Pensei ter soado brincalhona o suficiente para quebrar o clima tenso, mas Jungkook, em contrapartida, levou minha fala bem a sério.

— Claro que me preocupa. Olha só pra você! Toda confiante, corajosa, destemida… — parou o olhar num canto do quarto. — Não quero que alguém como eu seja o motivo do seu stress.

Hm, tarde demais, quis revelar. 

— O que quer dizer com “alguém como eu”? — inclinei a cabeça, me aproximando dele um pouco mais. Havia ignorado os adjetivos que ele se dirigiu a mim de propósito, apenas por não saber exatamente como reagir a eles. 

— Assim, ué. — apontou pra si mesmo. — Sou um cara medroso, desengonçado, não sei lidar com gente e gosto de números. 

— Esqueceu de dizer que é teimoso também. — completei, ganhando um bico indignado e um estreitar de olhos em resposta. — Ué, estou mentindo?

Jungkook suspirou alto, se sentando na pontinha da minha cama, cruzando as mãos acima dos joelhos cobertos pela calça jeans preta. 

— Não está. — após um tempo, devolveu. — Só é difícil pra mim reconhecer isso, ainda que eu tente. Por isso costumo ser mais calado, tenho medo de incomodar as pessoas com esse meu jeito.

Me sentei ao seu lado, mantendo uma boa distância entre nós para não constrangê-lo. O ambiente ficou ainda mais triste de repente e eu me senti na necessidade de ouvi-lo. 

— Não existem mais tantas pessoas assim, Jungkook. — mantive um tom ameno, atraindo suas orbes ao meu sorriso triste. — E ninguém do nosso grupo tem outras preocupações além de sobreviver. Então, só nos resta seguir em frente, dando o nosso melhor, sem se culpar demais…

Até então, pensei que o assunto estava voltado apenas em confortá-lo, porém, fui posta contra minhas próprias palavras quando ele mudou o semblante, me fitando profundamente, parecendo bem certo do que diria a seguir.

— Você costuma se culpar demais.

Um riso nervoso escapou da minha boca, um tanto desconcertada pela afirmação repentina, e convenhamos, bem certeira.

— Eu não sei quase nada sobre você, você não sabe quase nada sobre mim. — balancei os ombros, tentando driblar a verdade que eu não esperava ouvir justamente da boca dele. — Como pode afirmar isso?

— Observando. 

Sua resposta simples pareceu piorar ainda mais a minha situação, e ele notou isso ao desviar os olhos pela primeira vez desde que a conversa se voltou para a minha vida. Agora, eu estava um pouco preocupada com o jeito em que eu me mostrava pras pessoas.

Ou, com a leitura exata de Jungkook sobre mim.

— Você não sabe meus motivos. — crispei os lábios, virando o rosto.

— Acha que eu não entenderia?

De um certo modo, me sinto um pouco pressionada ao tocar nesse assunto. Não é nenhum pouco fácil, mas eu assumi os pesos das responsabilidades que carrego hoje e sei que dividi-las só causaria mais preocupações.

— Acho que não quero falar disso. — tentei, educadamente, encerrar esse tópico. — Por favor.

— Tudo bem. — mantendo a tranquilidade, ele assentiu.

E mais uma vez, fiquei surpresa. Em tão pouco tempo, não imaginei que teríamos uma conversa como essa, triste, profunda, do tipo que eu sempre fugi. Por mais que eu não tenha dito, também possuo a mesma dificuldade de Jungkook em reconhecer certas atitudes, principalmente as que envolvem meus próprios sentimentos. 

Alguns instantes depois, enquanto eu ainda tentava processar a conversa, ele se pôs de pé na minha frente, esticando a mão na minha direção.

— Preciso que veja uma coisa. — explicou, ainda aguardando a minha mão que, logo depois, juntei à sua. 

Jungkook voltou pra janela comigo bem ao seu lado. Não sei o que deu nele para, tão de repente, se mostrar decidido e confiante num gesto tão… inovador como um segurar de mãos, mas eu não protestei. Queria que a minha presença não fosse algo embaraçoso pra ele, e acho que esse é um bom começo.

Acho.

— Olha lá pra fora. — a voz suave próximo ao meu ouvido me pegou um pouco desprevenida, fazendo-me enrijecer a postura de imediato, soltando a sua mão. — Não acha que está tudo meio…

— Cinza? — perguntei, vendo a noite caindo naquela cor mórbida.

— É, cinza.

Virei levemente o rosto, apenas o suficiente para conseguir fitá-lo de relance. Ele não parecia ter se tocado da proximidade até esse dado momento, e com isso, deu um pequeno passo pro lado, envergonhado.

— Olha, eu queria ter te dito isso antes. Ainda tenho que refazer alguns cálculos, procurar alguns livros de teoria, mas… — sem desgrudar os olhos do céu, ele suspirou, mudando a feição para algo mais preocupado. — O tempo está mudando, os dias estão mais curtos ultimamente. Se isso perdurar, se as temperaturas diminuírem drasticamente, há chances das bombas terem ocasionado um bloqueio atmosférico, e…

— Jungkook. — notando sua fala apressada demais, eufórica demais ao ponto de engolir as palavras, toquei levemente o seu antebraço, atraindo sua atenção. — Pode falar… com um pouco mais de calma?

— Tudo bem. Me desculpe, eu só… — ele ajeitando os óculos que deslizavam até a ponta do nariz avantajado. — Só estou tenso. Eu não quero estar certo quanto a isso, mas me lembro de exatamente tudo que estudei. 

Acabei rindo levemente.

— Não tenho dúvidas disso. — comentei, mordendo fraco o lábio inferior antes de retomar à tensão a que ele se referia. — Mas, voltando, o que tem de perigoso nisso? 

— Acredite, muita coisa.

— Mas o inverno está chegando. É normal dos dias ficarem assim… não?

— Não. Não é esse inverno que eu temo, Griffin. — Jeon engoliu em seco, as orbes me encarando, cintilando um temor implícito. — É algo bem pior. 

Bem pior.

O que poderia vir de pior num mundo destruído?

Permaneci calada, esperando que Jungkook começasse a explicar. E quando ele começou, não parou nunca mais, me deixando completamente nervosa e atordoada. 

— … então a luz solar é bloqueada pelas partículas da nuvem de fumaça, perdendo a intensidade do calor e da iluminação, consequentemente, causando o que a física chama de inverno nuclear. A temperatura cai de uma maneira bem drástica, principalmente nas cidades, e  eu não sei quanto tempo dura o efeito, mas não deve ser tão fácil assim de se dissipar já que…

Minha cabeça deu um nó.

— Espera aí! — recuei, pondo as mãos na cintura. Na minha frente, Jungkook tenta não morder a pelinha dos lábios o tempo inteiro, descontando o nervosismo no pacote de cookies que ele pegou para dividirmos. — Está me dizendo que vamos morrer congelados? 

Jeon piscou os olhos algumas vezes.

— Se não der tempo de nos protegermos, sim. Há chances.

Dei as costas, caminhando pelo pequeno espaço do quarto de volta à minha cama. Nela, me joguei, pouco me importando se estava com Jungkook ali ou não, eu só queria o mínimo de conforto para processar todas as merdas que estavam acontecendo ao mesmo tempo.

Uma Guerra Nuclear. Um mundo destruído. Uma gangue assassina.

Agora, uma puta queda na temperatura. Gelo. Um apocalipse gelado.

— Eu serei a próxima a alucinar.

— Huh?

Seu murmúrio fez um eco no quarto.

— Eu serei a próxima a alucinar. — repeti, olhando pra parede azul clara em minha frente. Deitada de lado, agarrada num travesseiro, eu estava mesmo perdida sobre o que seria de nós daqui pra frente. — Não acredito que fiquei viva pra enfrentar um desastre após o outro.

— Isso não é verdade.

— Não? — girei o pescoço na sua direção. — Me diga uma coisa boa que aconteceu, então.

Um, dois, três minutos, nada. Silêncio.

— Foi o que eu pensei.

— Aish, se eu soubesse que ia ficar desse jeito, não teria te contado…

— Como não? 

— Temos que pensar em algo, não é hora de ficar se lamentando. E olha só, você mesma me disse isso há quinze minutos atrás.

— Costuma fazer isso sempre? — mesmo que ele não pudesse ver, formei um bico em birra. — Jogar a palavra das pessoas contra elas mesmas?

— Sim.

Depois de me virar de barriga pra cima, inspirei o ar, soltando-o com força pela boca. O pior é que ele está certo. Se até hoje sobrevivemos, é porque não perdemos tempo em lamentações.

— O que você sugere? 

— Sugiro que descanse essa noite. — disse ele, simplório, me fazendo unir as sobrancelhas em contradição. — Eu vou refazer os cálculos, depois vou procurar algum livro no que restou da biblioteca municipal… não sei. — deu de ombros, caminhando em passos curtos até a porta, segurando a embalagem vazia dos biscoitos em mãos. — Sabe-se lá quando vai poder voltar pra sua casa algum dia, então… aproveite.

— Não.

Me sentei na cama num só impulso.

— Não o quê? 

— Não é justo. Todos temos que descansar, Jungkook. — tentei soar o mais convincente possível. — Além de que é perigoso ficar lá fora, o garoto ainda está vivo e com o carro.

— Por que não tomamos o carro dele pra fugir? — de repente, a hipótese se projetou na cabeça dele. — Seria, no mínimo, inteligente.

— Seria, no mínimo, suicídio. Podem ter rastreadores.

— É, você tem um ponto.

— Enfim… — deixei as mãos caírem sobre meu colo, respirando fundo para retomar ao assunto principal. — Fique e descanse. Amanhã, no caminho de volta pro aeródromo, me junto à você na pesquisa, combinado?

Jungkook olhou pros lados, depois pro chão, depois pra mim. 

— Tem certeza?

— Tenho. — confirmei, mas logo depois me toquei de algo importante. Não havia muitas opções de lugares para ele dormir, o que me deixou sem graça por um instante.  — Ah, é… Você pode…

— Não se preocupe. Eu fico com o corredor. 

— Está maluco? — instintivamente, me irritei só de imaginar essa cena enquanto há tanto espaço vazio… bem ao meu lado. — Pode deitar aqui, se não for problema pra você, claro.

— Huh? E quanto a você? — hesitante, ele frisou a última palavra.

— Tá tudo bem. — garanti, esperando que no fim de tudo eu não me arrependa. Ainda é um homem dormindo na minha cama, de qualquer forma, e nem mesmo Thomas teve essa oportunidade. 

Céus…

— Ok. — concordou, por fim, repousando uma mão na maçaneta. — Eu… vou checar Stefan antes.

Assim que ele saiu, voltei a me deitar. Só Deus sabe o quanto senti falta da minha cama, do meu colchão, dos meus travesseiros, da minha casa, e, até hoje, nunca se passou na minha mente que eu poderia voltar e encontrar - parcialmente - tudo do jeito que sempre foi.

Entretanto, em meio ao alívio, também perdurava a preocupação. E mamãe sempre costumava me dizer que nada é bom o tempo todo. 

Segundo ela, haverão altos e baixos em todas as situações, ainda que a tendência do ser humano seja sempre focar nas coisas boas e positivas. O que podemos fazer, entretanto, é aprender a lidar com as ruins, levando-as de lição para a vida. 

Mas infelizmente, mamãe, preciso discordar da senhora. Pelo visto, nessa nova vida, não há um dia de glória sequer.

 

(...)

 

O mundo aos meus olhos parecia bem mais brilhante do que o habitual. Um mundo bonito, colorido, vívido.

O motivo para eu estar nele ainda era incerto, mas constatando que eu não estava sozinha, me senti melhor. Thomas estava lá comigo, segurando a minha mão, caminhando no jardim rumo a um arco florido, igualzinho ao de um…

Casamento.

Ao me dar conta disso, um frio na barriga tomou conta de mim por nunca imaginar chegar a esse ponto com ele. Éramos só duas pessoas que se gostavam, mas… nunca tive uma resposta concreta sobre meus sentimentos.

Fui surpreendida, então, com uma mão no meu ombro. Ao meu lado, encontrei a moça de cabelos curtos, brilhantes, e olhos puxados de quem herdei. Mamãe sorria pra mim do mesmo jeito que sempre fazia quando eu lhe contava sobre meus encontros escondidos com Thomas, de um jeito cúmplice e sincero.

Ela adorava ele.

Porém, hoje, contrariando tudo que eu imaginei, ela me levou pra longe. Segurando firme na minha mão, mamãe me puxou, me afastando do homem ao meu lado como se fosse o certo a se fazer. E então, olhando uma última vez para Thomas, notei seu semblante antes calmo e sereno, tomando outras proporções.

Ele parecia… raivoso. Irritado, de um jeito ameaçador, como nunca vi antes. 

Temerosa, não contive as lágrimas, estas que inundaram minha visão e a deixaram completamente turva. Não tive tempo de fazer perguntas, porque minha voz não saía. Não consegui gritar, pois não tinha mais forças, e…

— Que porra é essa? 

Ao abrir os olhos, inquieta, assustada pelo pesadelo, constatei que me encontrava em outro, bem diante dos meus olhos. Já havia amanhecido, mas Stefan estava no meu quarto, na minha frente, chorando, com o rifle pendendo nas mãos trêmulas.

— Stefan? — engoli em seco, sentindo um arrepio tomar conta da minha espinha. — O que faz aqui, o que… abaixa isso!

Jungkook ainda dormia pesado, encolhido no limite da borda da cama, o mais longe possível de mim. Só restava eu e o russo, lutando silenciosamente entre a loucura e a sanidade. Ele não dizia nada, mas parecia um verdadeiro morto-vivo. Olheiras fundas, rosto magro, cabelos bagunçados. O olhar lascivo, impiedoso, como se desejasse descontar toda a raiva do mundo todo em mim.

E ele faria isso.

— Você… — rosnou, fazendo-me encolher e fechar os olhos por medo. — Eu vi. Você e um deles na foto. Você faz parte disso, você não me engana! Nunca me enganou!  Eles mataram Olga, tiraram de mim a minha esposa!

Eu e um deles. Uma foto. Olga.

Em meio aos seus gritos rente ao meu rosto, tentei com a ponta de lucidez que me restava, entender o que ele dizia. Só assim, lembrei do porta retrato dos meus pais e eu, dentro do quarto deles. Coronel Adam Griffin fardado ao meu lado, exibindo o símbolo do exército nacional, com uma arma no coldre.

Já era. Estava aqui a minha sentença de morte.

— Nojenta! — deixei uma lágrima escapar quando Stefan, insatisfeito em ter apenas a ameaça da mira voltada pra mim, me acertou uma pancada na bochecha, deixando o local latejando, ardendo, com certeza machucado. — Você não merece viver, é exatamente como eles, todos os soldados que tiraram a vida do meu amor! Tomara que apodreça no inferno, sua desgraçada!

Minha mente parecia não funcionar mais. Eu estava atônita, envolta em tanto medo que até o ar se tornou rarefeito nos meus pulmões.

Eu continuava repetindo que era um pesadelo, que logo iria embora,  esperando que Stefan atirasse logo de uma vez e me livrasse dessa sensação horrível, mas não.

Um solavanco atrás de mim fez Stefan recuar, apontando a arma em outra direção, completamente perturbado. E eu agradeci mentalmente por isso.

Era Jungkook. 

— O que… 

Sem tempo a perder, aproveitei o segundo de distração para avançar no abdômen de Stefan, o empurrando com os ombros até a bancada, onde suas costas colidiram com força, provocando-lhe um urro de dor e, posteriormente, um estrondo no teto.

Ele atirou.

— Griffin! — não vi quando Jungkook pulou a cama e se juntou a mim, mas certamente, o alvo de Stefan era outro.

Mesmo com os braços de Jungkook tentando segurá-lo, eu não conseguia livrar a arma das suas mãos. Stefan podia estar velho, louco e bem abatido fisicamente, mas ele também estava com raiva, com uma fúria descontrolada. Uma ira tão grande a ponto de respirar feito um touro, querendo a qualquer custo me atingir, sem um pingo de arrependimento.

— Stefan, larga isso, por favor!

A briga pareceu durar horas. Meu corpo pingava suor, nervosismo e desespero, mas, na verdade, só se passavam flashes diante dos meus olhos:

Stefan gritando e se debatendo contra meu corpo, arrumando uma força antes inimaginável pro seu estado deplorável.

Eu apertando seu braço, puxando a arma, tentando a qualquer custo nos proteger. Todos nós.

Jungkook acertando um soco no rosto de Stefan, movido pela raiva.

Stefan apertando o gatilho, dessa vez, na nossa direção.

O barulho do tiro, e posteriormente da arma sendo jogada ao chão, ecoou várias e várias vezes na minha cabeça, misturado com gritos e rugidos de dor que não eram meus. 

E eu preferia mil vezes que fossem.

 

 


Notas Finais


Tradução:

Ty nuzhen nashemu synu: Nosso filho precisa de você
Tupaya devchonka: Garota estúpida
Nae sarang: Meu amor

ALÔ? AINDA TEM ALGUÉM VIVO AÍ?

Porque na fic, eu já não sei 🤐 Stefan realmente não tá pra brincadeira...

Mas e o jk hein? vacilou, chutou o balde e correu pra buscar, coitado! Pelo menos assim, bem de 0 a 100, ganhamos uma interação! A Nat tá bem disposta a entender o JK e a deixar ele confortável perto dela 🥺 por de trás da casca grossa, existe uma fofa!

é isso amores, quero muito saber as opiniões e ficar por dentro das teorias de vocês sobre o que está por vir ♡ um beijo e até o próximo!


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