História Além dos Portais - terceira Temporada - Capítulo 13


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Categorias Eldarya
Tags Eldarya, Ezarel
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Palavras 5.946
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Fantasia, Ficção Adolescente, Magia, Romance e Novela
Avisos: Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Quem diria que Ykhar e Valentim... Treta!

Capítulo 13 - Caminhos Imprevistos


 

 

 

 

 

 

 

Jow percorreu milhares de quilômetros no mundo ressonante, e já estava se arrependendo de ter entrado por aquele buraco. Agora nunca mais conseguiria sair.

Os bichos lagostas-lagartos começaram a perceber a sua presença, e a segui-la. Em cada lugar que chegava, mais bichos ela encontrava.

Viu que eles atropelavam uns aos outros para chegar mais perto dela, e subiam nos cogumelos brancos, fazendo com que estourassem.

- É isso!  Os esporos! - Disse ela. -Vou seguir as nuvens de esporos!


 

Os esporos escapavam para dentro de fendas nas ravinas, mas por mais que ela assumisse o elemento Ar, não conseguia passar. Chegou a se desfazer em partículas minúsculas como os esporos, mas não atravessava as fendas microscópicas.

Continuou procurando as chamas que ardiam nos caminhos mais profundos, chegou a encontrar algumas, mas nenhuma levava ao caminho do porão.

-Estou muito ferrada agora. Nunca mais vou sair daqui.

E desceu para o solo. Um daqueles seres chegou até ela. Jow sentou-se no chão e pegou o bicho no colo. Ele era bem pequeno, do tamanho de um pássaro.


 

O bicho começou a brilhar, à medida em que ela o segurava. Ele estaria comendo a sua magia? Ela teve certeza que sim, porque ele crescia. Jow o jogou longe quando percebeu que  ele aumentava de tamanho, e brilhava com uma luz verde fluorescente.

A pequena lagosta continuou avançando na direção dela, mais rápido, esticando as pinças para ela, e Jow o chutou. O bicho foi arremessado de encontro à parede rachada da ravina, por onde entravam os esporos, e estourou ao bater nela, deixando escorrer seu líquido viscoso, verde e reluzente, misturado aos pedaços da sua casca.


 

-Eca! Que nojento! - Disse ela, enquanto olhava para a gosma escorrendo pela parede.

Jow olhou melhor para aquilo. A gosma que saiu do bicho colou na rachadura da ravina… Como uma cola, uma resina.

Teria descoberto uma forma de fechar os buracos? Não podia ser tão fácil. Ela nunca imaginou que aqueles bichos fossem tão frágeis!


 

Mas ainda precisava continuar procurando uma saída.

Percebeu que mais bichos vinham, atraídos por ela.  Voltou a flutuar, e cada vez mais rápido, cruzou o espaço entre as montanhas, até que avistou as grandes labaredas.

O caminho parecia conhecido, e levava a um subterrâneo.

-Achei! Achei o caminho do porão! Mas preciso marcar essa bagaça…

Conjurou alguns monolitos azuis, reluzentes e os enfileirou, começando pela entrada do túnel para o subterrâneo, beirando as ravinas, por um enorme trajeto, até o local q=em que a água jorrava da fenda.

Aquilo serviria para guiá-la. Bastaria flutuar beirando a ravina e procurar pela luz azul dos monolitos.

-Acabo de criar a história… 2031… Uma Odisséia no Mundo Ressonante. Daria uma boa fanfic.


 

Jow então retornou e entrou no caminho cheio de fogo que levava para os túneis alagados, e encontrou o lago do subterrâneo.

Sombras cruzavam o ambiente.

Ela mergulhou e viu a rachadura. Desfez-se em ar, misturou-se ao vapor e atravessou com a correnteza quente daquelas bolhas… E saiu dentro da piscina quente do porão do QG.

Jow ficou aliviada.

Dessa vez tinha exagerado. Não falou com ninguém o que ia fazer. Aliás, nem planejou nada, apenas… Foi.

Total inconsequência sua... Mas agora tinha uma entrada e uma saída. E sabia que os bichos eram frágeis, comiam mesmo magia e cresciam com ela, e soltavam uma resina nojenta quando estouravam.

Pelo menos agora tinha um caminho para recomeçar.


 

*****


 

-Besta rabuda! - Berrava Kiyoto para Chrome - Eu disse que estava errado!

-Ué… Eu misturei tudo certinho! O que eu fiz de errado?

-Usou pouca água purificada. Agora vai ter que fazer tudo de novo, hahahaha! Coisa burra!

Chrome suspirou. Demorou um tempão para fazer a poção de invisibilidade, e agora ela não funcionava.

-Nem me lembro pra que estamos fazendo isso, Kiyoto... Pra que mesmo?

-Pra invadir a cozinha do templo e roubar as tortas! Oi? Esqueceu?

-Já tinha me esquecido. Você me deixa tonto!


 

-Queria deixar mais tonto… Mas deixa pra lá! Tu é burrinho mesmo…

-Eu entendi, peixe gosmento… - Disse ele, ficando vermelho.- Já disse que  você deixa mesmo!

-Bó fazer de novo!

-Bó nada! Encheu! Vou pedir uma torta, que é melhor!

-Ninguém vai te dar, idiota. Elas estão preparando para o festival do Solstício do Inverno.

-Mas ainda faltam alguns dias. É muito tempo!

-Peça por sua conta e risco. Eu, por mim, prefiro entrar e pegar algumas, sem ninguém ver. Se não vai fazer as poções, eu vou!

-Você não sabe fazer, Kiyoto!

-Basta seguir a receita. Você também não sabe, porque deu tudo errado.


 

Chrome e Kiyoto continuaram discutindo.

Mestre Kappa passou por eles e riu.

Chegou à praia dos Kappas e soltou o mascote, o Draflayel de mãe Gaia, com a mensagem para o QG de Eel. Precisava avisar Miiko que a expedição de Ykhar não chegou. Ele ficou preocupado, deveriam ter chegado há alguns dias. Talvez tivesse havido algum problema.

Ele já tinha enviado as Sereias para fiscalizar o entorno da ilha, mas elas não tinham achado nada de anormal. Nenhum destroço, nenhum barco perdido.

Ele esperava que Ykhar chegasse a tempo para o festival, para representar a Guarda de Eel.


 

*****


 

Valentim olhava para a baía seca, calculando a distância para alcançar as águas mais profundas da entrada.

Preparou o material de pesca e começou a arrumar tudo em um cesto.

Ykhar o acompanhava com o olhar, observando ele ajeitar tudo.

Estavam ficando sem provisões. Valentim queria tentar pescar alguma coisa para comerem. Mas na baía seca, não iam conseguir.


 

-Vamos precisar ir muito para o fundo, Valentim! Se a água vier, quando a maré encher, vai nos alcançar antes mesmo de conseguirmos voltar. Não dá pra ir andando, com água pelo meio das pernas.

Ele parou para pensar. Ykhar tinha razão.

-Vamos então pegar um bote? Descemos o bote e deixamos amarrado no barco, aí esperamos a maré subir, então entramos nele e vamos para a entrada da baía.


 

-Não acho uma boa ideia… Tenho muito medo de barcos, se ainda não percebeu.

-Não posso cozinhar pra você se não tiver o que cozinhar… Estamos quase sem comida, Ykhar. Você pode ficar no navio que eu vou.

-E como vai remar e se virar com um braço só, hein? Você está inválido! Precisa de mim!

Ao ouvir aquilo, Valentim sentiu o coração acelerar.

Ele precisava dela mesmo… E muito! Cada dia precisava mais dela. Isso era bom ou ruim?


 

Desde que eles se beijaram, há alguns dias, vinham evitando falar no assunto e evitavam ficar muito perto um do outro. Os dois estavam meio sem saber como lidar com aquilo. Valentim sabia exatamente o que queria. mas ela parecia ainda estar muito confusa.

Ele fazia de tudo para agradar Ykhar. Traria o mundo para ela, se ela pedisse. Ela parecia estar gostando daquilo. E embora soubesse que ela correspondia, pelo menos um pouquinho, ao que ele estava sentindo, entendia que talvez o namorado que preferia polir elmos do que ficar com ela, ainda estava muito presente no coração da coelhinha.

Valentim sabia esperar.


 

-Então, minha Capitã…  O que faremos?

Ykhar pensou por um tempo e depois falou.

-Não tem jeito. Precisamos descer o bote. Você está certo. Não quero morrer de fome.

Desceram o bote e o carregaram com o material, e depois ficaram esperando a maré subir.

Algum tempo depois, a baía estava totalmente cheia.

Eles desceram pela escada e embarcaram no bote.

Valentim segurou um dos remos e Ykhar pegou o outro.


 

Eles remaram com alguma dificuldade até a beira da baía, ancoraram o pequeno bote e começaram a pescar, usando o resto da carne salgada das provisões como isca.

Logo conseguiram pescar vários peixinhos e retornaram.

-Viu? - Disse ele para ela, quando subiram a bordo - Não foi tão ruim assim… Foi?

-Não… Foi bem legal! Gostei muito de pescar.

-Eu costumava pescar de barco com meu pai… Senti falta disso.

-Você não fala muito do seu pai ou da sua mãe… Conte alguma coisa deles.

Valentim se retraiu.


 

-Eles estão mortos. Não há o que contar. Eu não estava falando com meu pai, quando ele morreu. Nós estávamos brigados…

-Oh, me desculpe! Eu não sabia que tinham brigado! Deve ter sido muito triste para você saber que ele morreu brigado com você.

-Você nem imagina o quanto… Não quero falar nisso. Desculpe.

Ykhar percebeu que ele ficou triste.

-Valentim… Me desculpe. Não queria te ver assim. Não precisa ficar triste…

Ele olhou pela mureta. O sol já ia se pôr. Pesadas nuvens vinham, trazidas pelo vento forte.


 

-Vai chover de novo. Vamos logo limpar esses peixes e depois tomar banho. Nossa água doce também está terminando, olhei o reservatório mais cedo, e está quase vazio… Precisamos economizar, senão teremos que ir à ilha pegar água naquele riacho que você achou. - Disse ele simplesmente, e entrou.

Ykhar sentiu-se culpada. Valentim não gostava de falar do passado. Era ela quem insistia em falar, porque estava curiosa sobre a família e a vida de Valentim. Ela já tinha percebido que ele às vezes ficava brincando com um chaveiro que ele tinha, que era uma coelhinha em miniatura. Ela achou que fosse de uma garota… Mas talvez fosse uma lembrança dos pais…


 

E agora, ele tinha ficado deprimido… E a culpa foi dela.

Mais tarde, quando ele estava preparando o jantar, sempre sem a camisa, por ordem de sua Capitã, ainda estava meio pensativo.

-Ainda está triste, Soldado?

-Deixa pra lá… - Disse ele - Depois passa.

-Vou arranjar alguma coisa pra animar você!

Ykhar saiu da cozinha e foi buscar o garrafão de hidromel que estava guardado no quarto dela. Quando ele viu, franziu a testa.


 

-Tem certeza de que vamos beber, Ykhar? Da última vez que bebemos, a gente… Quero dizer… Não acha… Arriscado?

-Por quê? Acha que eu vou ficar bêbada e matar você, Criminoso?

-Eu sou o criminoso aqui, esqueceu? Não sei se deveríamos ficar sem as nossas faculdades mentais em ordem.

-IRC! Falou como um soldado bitolado! Se você não quiser beber, azar o seu. Eu quero, estou precisando relaxar. A essa altura, já sabem que não chegamos à Costa de Jade, e logo vão começar a procurar por nós. Estamos a um passo de ser resgatados.


 

-Acha que vão nos encontrar?

-Hans e Jow podem nos encontrar, se quiserem. É só eles começarem a nos procurar. Eles fazem projeção astral.

-Nossa, que maravilha! Eu não sabia que a Jow também tinha essa habilidade...

Ykhar sentiu uma pontada de ciúme.

Será que o Valentim estava interessado na Jow? Ele sempre se referia a ela com tanta fascinação! Afinal, ela era o Avatar de uma Deusa, quem não iria se encantar por uma Deusa? Jow era tão… Inteligente, amiga, bonita, alegre, e tinha tanto poder… Se Valentim estivesse encantado por ela… Não teria olhos para nenhuma outra garota.


 

Valentim notou que ela ficou silenciosa, e tentou quebrar o clima.

-Ande, minha Capitã! Sirva-nos esse hidromel depressa! Se o resgate vai logo chegar, não precisamos mais economizar a comida ou a bebida… Vamos beber tudo!

Ykhar sorriu e os olhos dela brilharam. Ela serviu duas canecas e estendeu uma para ele.

Valentim pegou a sua e bebeu de um gole só. Ele estava mesmo precisando relaxar. Não estava dormindo bem, com as dores das fraturas. As poções tinham acabado.

Ykhar encheu de novo a caneca dele.

-Beba mais! - Mandou ela.

Valentim revirou os olhos e obedeceu.


 

Algum tempo depois, o jantar ficou pronto.

-Você está cozinhando muito bem, mesmo com tão pouca coisa pra preparar! Imagina se estivéssemos em Eel!

Valentim sorriu, e ela percebeu que ele estava ficando mais animado também.

Comeram a comida toda e continuaram a beber.

Já bastante alegres pelo hidromel, eles aproveitaram para ficar no convés até a chuva começar a cair. Depois entraram e sentaram-se à mesa e examinaram o mapa, na cabine de comando.


 

Ela arriscou um palpite, apontando uma ilha no mapa.

-Acho que estamos aqui… Estudando esse mapa, vi que essa é a única ilha que tem um rio.

-Há quantos dias estamos aqui, Ykhar?

-Não sei e nem quero saber - Disse ela rindo - Pensei em fazer risquinhos nas paredes, mas nunca me lembrei de te pedir um lápis… Eu nunca me diverti tanto em um naufrágio…

-Quantos naufrágios você já sofreu?

-Só esse… Que eu me lembre.

-Hahaha, então está certo. Eu também nunca tinha passado por isso.


 

-E você está se divertindo?

-Muito! - Disse ele, levantando a caneca - Um brinde ao Cão Caolho, que nos meteu nessa enrascada.

-Ahhhhh! O cadáver dele deve estar fedendo, apodrecendo no porão!

-Nunca mais entramos lá…

-Nem vamos entrar. Deixe-o apodrecer lá.

O vento frio entrava pela escotilha da cabine de comando.


 

-Vai esfriar essa noite. Estamos próximos do Solstício de Inverno. Eu esperava assistir ao festival no Templo da Deusa… É uma bela festa. Talvez não cheguemos a tempo, Valentim.

-Eu vou adorar conhecer o templo da Deusa. Não foi lá que a Jow treinou para dominar os elementos? Com os seus guardiões?

Ykhar ficou séria. Olha ali a Jow de novo... Ele nunca parava de falar nela?

-Foi sim… E um desses guardiões, o mais bonito e jovem de todos, é o namorado dela!

-O North. Eu o conheci no Templo da Fênix.

-Ela tem outro… O Ezarel.


 

-Caramba… É mesmo, ela tem dois namorados… Isso é muito estranho. E eles… Aceitam isso assim, na boa?

-Aceitam. Não sei o que ela fez para conseguir isso… Mas eles aceitam. Eu não aceitaria! Não dividiria o meu Valkyon com ninguém…

Valentim ficou sério. Como o Valkyon foi aparecer do nada, na conversa deles? Precisava tirá-lo logo daquela cabine, daquele barco, daquela ilha… Ele percebeu que todas as vezes que ele falava na Jow, Ykhar falava no Valkyon. Ele não era estúpido. Percebeu que a coelhinha ficava com ciúmes da Jow, e revidava com o Valkyon. Aquilo estava virando um jogo.

Valentim levantou-se e vestiu a túnica fenghuang que estava no encosto da cadeira.


 

-Por que você vestiu a camisa? Você está com frio?

Valentim tinha feito aquilo de propósito. Precisava ver onde aquilo ia chegar. Precisava saber se Valkyon ainda estava ali com eles. Ele precisava muito!

-Ykhar, por que não gosta que eu vista a camisa?

-Porque a sua comida fica melhor quando você cozinha sem camisa… É… Sabe, como… Um ritual.

-Mas eu não estou cozinhando agora.


 

-Ahhh! Eu nem percebi… Tem razão… Então pode ficar assim, se quiser.

-Você é minha Capitã, Ykhar. Eu faço o que você mandar. Se quiser eu tiro a camisa de novo. - Falou ele, com uma continência.

Ykhar achou muita graça na cara séria de Valentim, e começou a rir. Rir muito, sem parar.

-O que foi? Falei alguma coisa engraçada?

-Falou, hahaha! Tire a camisa, hahaha! Eu quero!

Valentim sorriu e obedeceu, com outra continência.


 

-Agora sirva mais hidromel pra nós, Soldado!

Valentim obedeceu, levantou-se e serviu as canecas, com o único braço que funcionava.

-Que bom! Fui promovido definitivamente de Criminoso a Soldado. Já é um progresso!

Ela bebeu um gole e riu mais.

-Foi sim!

-E agora, Capitã?

-Agora… Eu não sei. Estou sem ideias.

-Ykhar… Pense bem… O que você quer que eu faça agora? - Perguntou ele, fazendo outra continência.

-Quero que você se sente de novo, soldado! - Disse ela, com a voz autoritária, se levantando e rindo sem parar.


 

Valentim sentou-se. Ela aproximou-se e sentou-se no colo dele, que arregalou os olhos

-O que você está fazendo, Capitã?

-Estou fazendo uma besteira da qual provavelmente vou me arrepender depois… Mas posso botar a culpa no hidromel…

- E o que você quer que eu faça agora?

-Quero que cale a sua boca, Soldado.  - Disse ela, antes de beijar Valentim.


 

*****


 

Jow retornou para o jardim, com seu teleporte bugado.

Amikoh a viu antes de todos e correu para encontrá-la, abraçando Jow.

-Melequenta! Onde você se meteu? Estávamos loucos de preocupação atrás de você!

-Estavam? Por que, Amikoh?

-Jow… Conte-me a verdade. Onde estava?

-Por que a preocupação? Eu me ausentei por algumas horinhas só… Não precisavam ficar assim!

-Melequenta… Você sumiu por cinco dias!


 

-Como assim cinco dias?

-Onde você se meteu?

-Eu não vou contar, Amikoh. Todos agora têm missões sigilosas, eu também tenho uma!

Amikoh sacudiu a cabeça, em desaprovação.

-Estava fazendo alguma eca por aí! Senão você contaria…


 

Kazai, Sion e North vieram correndo, e North abraçou Jow.

-Ah, sua peste! - Ele segurou Jow pelos ombros e a sacudiu. - Onde se meteu?

-É segredo.

-Sem essa, Jow! Não começa com essa palhaçada! Você sumiu depois daquela conversa com o Ezarel!

-Ele confirmou as nossas suspeitas. Sou eu a causa disso tudo.

-Ele disse isso pra você? Porque quando nós perguntamos, ele disse que não sabia! - Disse Kazai.

-Eu disse que eles não podem mais esconder nada de mim. - Falou ela, séria. - Ele não negou, Kazai.


 

-E o que a Pirralha pode ter feito de errado para poder destruir o mundo dessa forma?

-Sion! Seu Gnomo velho e bolorento, não fale assim com ela! - reclamou Kazai. - Ela não fez nada errado!

-Ele está certo, Kazai. Eu fiz mesmo uma coisa muito errada… Foi vir pra Eldarya!

-Chega - Disse North - Não vamos falar disso agora. Quero saber onde você estava!

-Eu estava por aí.

-Por cinco dias? Estávamos todos loucos, Pirralha!

-Me desculpe. Não sabia que estava demorando tanto. Perdi a noção do tempo.

North arregalou os olhos.

-Então estava na fenda!


 

-Por que você acha isso, North? - Perguntou ela, sem negar.

-Porque quando você entra lá, parecem minutos para você, e horas pra nós aqui! Estava na fenda, não estava?

Jow mudou de assunto.

-Olha a Miiko ali… - Disse, apontando a Kitsune que ia ao encontro deles.


 

*****


 

Miiko recebeu o Draflayel com a mensagem de Mestre Kappa dizendo que Ykhar e Valentim não chegaram na aldeia Kappa.

Só faltava essa agora!

Jow desaparecida por dias e agora Ykhar também! O que teria acontecido?

Ela chamou Jamon.

-Jamon, por favor, convoque os chefes das guardas e Eychi… Acabei de receber o Draflayel de mestre Kappa! Ykhar não chegou na Costa de jade! Ela está desaparecida, como Jow!


 

-Jamon acabar de ver Jow no jardim com os outros Elementais.

-Ah, graças à Deusa, Jamon! Obrigada, um problema a menos. Mas se a Ykhar não chegou à aldeia Kappa, Jamon, alguma coisa aconteceu a eles na viagem!


 

-Miiko mandar Elementais para procurar. Barcos muito lentos para chegar lá.

-Sim, você tem razão. Vamos pedir ao Hans e à Jow que tentem localizar a Ykhar com a projeção astral para ver onde eles estão. Depois os Elementais podem encontrá-los… Se estiverem vivos…

-Devem estar. Miiko se preocupa demais. Vai ver, sofreram só um naufragiozinho de nada.

-Credo, Jamon! Desde quando se preocupa tão pouco assim?

-Jamon prático. Miiko fazer drama a toa.


 

Miiko olhou para Jamon desconfiada. Até ele estava agindo estranho.

Ela saiu da sala do Cristal e foi ao jardim, Vendo que Jow estava ali com os Elementais, ficou aliviada.

-Jow! Graças à Deusa! Onde estava?

Ela usou o mesmo argumento que ela e Ezarel usaram.

-Eu estava em uma missão sigilosa para a Oráculo, Miiko. Está tudo bem? O que houve?

-Preciso que você e o Hans usem a projeção astral para encontrar Ykhar e Valentim… Eles não chegaram na Costa de Jade, Jow! Estou muito preocupada!


 

-Vou encontrar o Hans! - Disse Jow, e desapareceu.

-Ela sempre faz isso! - reclamou North - Quando a gente a espremeu para saber onde ela estava, ela escorregou pela ordem da Miiko!

-Desculpe, North. - Disse Miiko - Eu não sabia que era uma reunião de vocês.

-A pirralha veio com essa de missão sigilosa, mas nós não engolimos. - Falou Sion.

-Teremos tempo pra perguntar mais tarde. A vida da Ykhar e do Valentim podem estar em perigo. - Disse a Miiko, retornando para dentro.


 

Jow encontrou Hans no mosteiro.

-Onde você estava, Jow? Estávamos todos malucos atrás de você! Eu não a encontrei nem com a projeção! Abra essa sua cabeça para mim!

-Deixa isso pra depois, Hans. Ykhar está desaparecida. Não chegou na Costa de Jade! Precisamos tentar encontrá-la.

-Vamos para a sala dos mistérios. É o melhor lugar daqui pra gente se projetar.

Eles entraram na escuridão da sala dos mistérios e se sentaram no chão, um em frente ao outro.

-Cada um de nós se concentra em um deles, Jow. Você foca no Valentim, porque eu não o conheço. Vou focar na Ykhar.

Jow assentiu e começaram a busca. Jow mirou em Valentim, e Hans em Ykhar.


 

A energia de Valentim era clara para ela. Concentrando-se nele, ela viajou por infinitos de água. Se ele estivesse vivo, ela saberia. Se estivesse morto, acharia seu espírito também.

E não demorou muito para encontrá-lo… No navio… Encalhado em uma baía… Dormindo nos braços da Ykhar!

Jow recuou depressa e impediu Hans de prosseguir.

Ele despertou num sobressalto.

-Hans… eu já os encontrei. Eles estão vivos e estão bem. Vá logo avisar à Miiko que eu já o encontro na sala do Cristal…


 

Hans concordou e deixou a sala. E Jow retornou aos dois desaparecidos adormecidos, na sua projeção dourada e transparente.

Estavam muito vivos… E estavam bem. Aliás… Estavam muito bem! Bem até demais! Ela saiu da cabine e olhou ao redor. Estavam encalhados em uma baía seca. Ela elevou-se para avaliar onde estavam. Não era a costa de Jade. Ela não conhecia o lugar. Infelizmente, tinha que interromper aquele sono de intimidade deles… Só não sabia como fazer isso de forma discreta… E viu que não havia forma discreta de fazer aquilo.

Ela chamou pela Ykhar.


 

“-Ykhar… Minha amiga, sou eu, Jow… Acorde, Ykhar.”

Ykhar abriu os olhos e gritou, se assustando com a projeção dela. Valentim acordou assustado pelos berros de Ykhar, e viu Jow.

-Jow… Você nos achou! - Disse ele, puxando Ykhar mais para perto.

“- Onde vocês estão? Onde é esse lugar? “

Foi Ykhar quem respondeu.

-Estamos no mar de Phibéia, estávamos indo na direção do arquipélago de Phibéia… Essa aqui é a única ilha que tem um rio saindo dela.

“- Vamos chegar logo, Ykhar, talvez em algumas poucas horas. Fiquem prontos… “


 

-Jow… - Disse ela, preocupada - Não diga nada sobre nós…

Jow sorriu.

“- Quando eu os vi, espantei o Hans daqui. Ninguém mais viu vocês. Se depender de mim, não vou dizer nada pra ninguém. Podem fazer o que quiserem. Vamos chegar logo, então, fiquem espertos…”

E desapareceu.

Valentim olhou para ela e riu.


 

-Por que está rindo, Soldado?

-Ykhar! Você nunca mais me chamou de criminoso! Fui mesmo promovido a Soldado?

-Foi… Por mérito. Mas ainda está rindo… O que foi?

-Você ouviu a sua amiga… Podemos fazer o que quisermos, Ykhar.

-Tudo que eu quero fazer agora é achar um buraco para me enfiar, Valentim!

-Ah, Ykhar. Não precisa. Você pode culpar o Hidromel… Lembra?- Disse ele, dando outro beijo nela.

-Não… Não quero… - Disse ela com a voz chorosa.

-Ykhar… Se você não quiser mais que a gente…


 

Ela o interrompeu.

-Eu não quero… É ser resgatada! - Falou abraçando Valentim. - Por que nós não ficamos juntos antes? Por quê? Agora nosso tempo acabou! Como vamos ficar juntos?

Ele apertou Ykhar no abraço.

-Ykhar, minha Capitã… Nós temos a vida toda pra isso… É só você querer...


 

*****


 

-Jow, precisamos conversar! - Gritava Ezarel para ela. - Não me deixe no vácuo!

O Elfo, quando soube que Jow tinha aparecido, a cercou no mosteiro, e andava atrás dela aos berros. Quando eles alcançaram o jardim, Amikoh já esperava por ela.

-Ezarel… Conversaremos quando eu voltar. Temos mesmo muitos assuntos pendentes… Eu e você… Não se preocupe, assim que eu chegar a gente conversa.

Ele não conseguiu mais acompanhá-la. Ela segurou Amikoh e desapareceu no céu na companhia do Silfo. Eles alcançariam Ykhar e Valentim em algumas horas, na forma de elementais do ar.


 

Ezarel ficou ali no jardim, e viu que o olhar perdido de North para o céu era de frustração como a dele.

-North… Vá atrás deles. - Pediu ele.

-Não consigo acompanhá-los da água, se eles vão pelo ar. Vão chegar antes de mim, eles podem ver o barco do alto… Acha que eu não estou furioso também, por ela ter sumido esse tempo todo? Ela também não nos contou nada! Ela estava de novo na fenda, eu tenho certeza! Sabe porque ela fez isso, não sabe, Elfo?


 

-Vai botar a culpa em mim de novo, North? Eu não mandei ninguém me seguir! O que ela foi fazer de novo naquele buraco? A culpa é de vocês por terem me seguido! - Disse ele, empurrando North para trás.

North revidou e empurrou Ezarel também.

Kazai e Sion entraram na frente deles.


 

-Se acusarem não resolve nada, rapazes... - Disse ela.- Você realmente pretendiam sair no tapa aqui?

-Precisam é parar de criancice e achar uma forma de terminar com essa ameaça! - Disse Sion.

-Eu estou fazendo isso, Sion. Se eles parassem de me seguir, me ajudariam, não atrapalhando.

- E onde está indo por esses portais de sangue todos os dias, Elfo? - Perguntou o Gnomo.

-Não posso dizer. - Disse ele, e olhando para North… - Nosso assunto ainda não terminou também, Ondina! - E deu meia volta, indo em direção ao QG.


 

*****


 

Amikoh e Jow viajaram por algumas horas na velocidade dos ventos, em direção ao Mar de Phibéia, que ficava próximo à Costa de Jade.

Passaram pelo mar bravio e viram as ilhas de coral.

-É uma daquelas, Amikoh - Disse Jow - Podemos ver o barco do alto. A ilha em que eles encalharam tem um rio desembocando na praia. Não é muito grande.

-Podemos nos dividir ou procurar juntos, Jow.

-Vamos nos separar, Amikoh.

E cada um procurou em uma ilha.


 

Foi Amikoh quem os achou.

Quando ele desceu no convés, Ykhar e Valentim estavam ali à espera deles.  

Amikoh os cumprimentou.

-Olá! Fico feliz em ver que estão bem.

-Onde está Jow, Amikoh? - Perguntou Ykhar.

-Está procurando em outras ilhas. Já vai nos encontrar. - E olhando para as velas - Icem as velas. Vou tirar esse barco daqui.

-Mas a baía está seca… - Disse Valentim, olhando para os bancos de areia expostos pela maré baixa, enquanto Ykhar descia as velas.


 

Nesse  momento, Jow chegou, e desceu no convés. Foi correndo abraçar Ykhar.

-Puxa vida, minha amiga! Assim que sairmos daqui, vão nos contar o que houve com esse barco!

-Jow, encha logo essa baía… Vamos tirar esse barco daqui. - Disse Amikoh, aumentando os ventos e inflando as velas.

Jow atraiu as marés, e rapidamente a baía foi se enchendo. Ykhar olhava para o mar, debruçada na mureta.

-Isso é tão legal!


 

O barco logo flutuou, e Amikoh empurrou as velas, levando o navio de volta para o mar revolto de Phibéia.

-Vai  ter que abaixar essas ondas. - Falou Amikoh para Jow, e o mar começou a se acalmar. O Silfo empurrou o navio pelas águas até saírem dos redemoinhos de Phibéia.

Depois Jow retornou para o navio e sentou-se com Ykhar e Valentim na cabine de comando.

-Prontinho, crianças… Agora podem me contar o que aconteceu para vocês virem parar aqui?


 

Foi Valentim quem começou a explicar.

-O Capitão e seus tripulantes decidiram me vender para um grupo de soldados humanos mercenários que foram deixados em Eldarya, Jow. Há um prêmio pela minha cabeça.

-Wow! Não sabia que ainda havia soldados aqui… Você então é um procurado?

-Pois é. Nem eu sabia… O fato é que eles nos prenderam, pra me entregar e pegar a recompensa, e se não fosse a Ykhar estar aqui, eu estaria morto.

-E onde estão os marinheiros desse barco?

-O Capitão está morto no porão. Os outros dois caíram no mar enquanto atacavam a Ykhar.


 

-Eu os empurrei no mar… - Disse ela, nervosa. - Será que serei punida? Eu também dei dois tiros no capitão!

-Tiros? Têm armas a bordo?

-Sim, há um antigo fuzil do exeŕcito lá embaixo. Nem sei como aquela velharia funcionou… - Disse ele.

-Jow… Eu serei uma criminosa também? Porque o Valentim já é, e nós… Sabe, nós…

Jow interrompeu Ykhar e a abraçou de novo.


 

-Ykhar… Vocês não são criminosos. E se esses humanos fedorentos estão procurando pelo Valentim, pode ter certeza de que são eles que não prestam!

-Será que podemos conversar em particular? - Pediu ela, ainda mais nervosa, puxando Jow para dentro da cabine do Capitão.

Elas entraram e Ykhar fechou a porta.

-Ykhar… Você não precisa explicar nada pra mim! Relaxa!

-Eu… Eu preciso sim! Eu… Estou muito preocupada agora! Eu acho que fiz uma burrada…

-Acha mesmo que fez uma burrada? Não é o que parece estar sentindo. Está arrependida?

-Não. Nem um pouco! Isso é o que me preocupa!


 

-Qual foi a burrada?

-Eu e o Valentim… A gente… Você sabe o que eu estou querendo dizer.

-Ainda não enxerguei a burrada…

-Mas tem o Valkyon! O que vou fazer?

-Ykhar… Não posso falar por você. Você deve decidir o que fazer.

-Como você fez para que o Ezarel e o North aceitassem que você namorasse com os dois?

-Você quer… Ficar com os dois?

-Eu não sei! Não sei de nada!

-Ykhar… Minha situação é complicada. Eu nem estou viva! Apenas aconteceu. Sua situação é completamente diferente da minha…


 

-Por quê?

-Porque eu nunca tive dúvidas. Eu sempre soube o que eu queria, eu sempre amei os dois. Se eu tivesse que escolher, eu não ficaria com nenhum deles… E posso te garantir uma coisa. Vai haver um momento em que os dois não vão mais concordar com isso. E a treta vai começar. Eu nem quero pensar nisso agora…  Você está com dúvidas…


 

-Eu não sei o que eu quero fazer… Eu me sinto uma criminosa agora… Eu matei três pessoas!

-E eu matei mais de três mil. E daí? Fizemos o que precisávamos fazer. E vamos continuar fazendo o que for preciso para proteger quem a gente ama.

Elas se abraçaram.

-Eu Preciso pensar nisso tudo… Preciso pensar, Jow… Eu não sei o que eu quero… Quero dizer… Eu acho que eu sei sim… Mas não estou bem com isso.

Elas se abraçaram de novo.

-Pense com calma. Vai ter tempo para isso, você e Valentim vão ficar muito tempo juntos na Costa de Jade. Converse com ele, Ykhar, aproveite para conhecê-lo de verdade, enxergar dentro do coração dele… Descubram o que vocês querem. Agora eu preciso examinar o Valentim. Posso tentar ajudar a consertá-lo. Vá buscá-lo…


 

Ykhar assentiu, saiu e retornou com Valentim.

Com a ajuda de Ykhar, Jow o examinou. Algumas costelas quebradas… Hematomas sem importância, pequenos cortes no rosto e na boca… Retirou a imobilização e apertou o antebraço fraturado dele, até ele gemer.

-Ai! Ainda dói muito...

-Os dois ossos estão mesmo quebrados… Mas parecem quase consolidados.

-Eu dei para ele toda a poção cicatrizante que eu trouxe… Era só o que a gente tinha.

-Fez um bom trabalho… Os ossos estão alinhados…. - Disse ela, assumindo a forma das Salamandras e o abraçou, deixando as chamas envolverem Valentim.

Ele apertou os olhos. Aquilo era meio… Fascinante e… Apavorante… Ficar envolto em chamas que não queimavam.


 

-Isso não vai curá-lo de vez, Valentim… - Disse Jow, percebendo a preocupação dele. - Mas deve acelerar a cicatrização. E vai melhorar as dores nas costelas. Quando chegar na Aldeia Kappa, poderá tomar remédio de verdade. A cura do fogo não faz milagres…

-Obrigado, Jow.

-De nada. Daqui pra frente, fica de novo aos cuidados da Ykhar… Está muito bem acessorado! Ela fez um trabalho incrível!

-Fez mesmo… Não sei o que seria de mim sem ela.

Ykhar ficou vermelha, mas sorriu.

-O barco não pode ir mais depressa, Jow? - perguntou ela.


 

-Acho que está na velocidade máxima que Amikoh pode dar. Mais do que isso a embarcação não aguenta. Onde está o cadáver? Quero ver…

-Para que você quer ver um cadáver? - Perguntou ela com uma careta.

-Para me lembrar dos velhos tempos…

Ykhar fez outra careta e apontou a escotilha do porão. Jow desceu.

-Wow! - Exclamou ela, quando chegou no porão.

O espírito do Capitão estava sentado ao lado dele, ainda preso ao cadáver que apodrecia.


 

Quando a viu, ele riu.

-Ah! Mais uma alma penada para juntar-se a mim na minha vingança!

-Eu não sou uma alma penada. Sou um elemental.

-É a mesma coisa!  Que tipo de elemental é você? Nunca vi um elemental dourado! Preciso de ajuda!

-A única ajuda que vai receber de mim é uma carona para o outro lado… Vou invocar um Ceifador que vai levar você para os quintos dos infernos.


 

-Não! Não pode fazer isso! Eu não vou sair daqui antes de me vingar daquele humano e daquela Brownie que o ajudou!

-Isso não vai acontecer… - Disse Jow tranquilamente.

O Capitão berrou furioso.

-Que tipo de Elemental estúpido é você? Por que fica do lado dele?Achei que todos adorariam saber que eu o encontrei! Todo mundo agora pode se vingar nele!

-Isso não é justo! O fato do Valentim ser um humano, não faz dele um…


 

O Capitão a interrompeu, com uma gargalhada.

-Hahahahaha! Não é só a Fenghuang burra que foi enganada por ele! Até os faeries e os Espíritos Elementais… Hahahaha! Não imaginei que ele fosse tão ardiloso em esconder quem ele é!

-Eu sei muito bem quem ele é. E ele me contou o que ele fez pelos faeries! Você é quem é um lixo estúpido! Deveria ter vergonha de entregar alguém que arriscou a própria vida para salvar faeries! - Gritou ela já acendendo a aura vermelha.


 

O Capitão espantou-se.

-Estava dourada, agora está com fogo… Já sei quem é você. Você é a Filha da Lua!

-E daí?

-Hahaha, é muito engraçado mesmo! A filha da Lua protegendo o Valentim! Logo você!

-Cala essa sua boca enorme. Não quero ouvir mais nada. Está preso a esse corpo em decomposição? Pior para você. - Disse ela, se teleportando para fora dali.


 

Amikoh conversava com Valentim e Ykhar no convés, quando ela chegou.

-O que foi, melequenta? Parece que viu um fantasma…

-Vi mesmo! O espírito do Capitão está lá embaixo, preso, com o cadáver!

-Sério? - Perguntou Valentim - E o que faremos?

-Vamos invocar um ceifador para levá-lo embora.

-É simples assim? - Perguntou Ykhar.

-Não. - Respondeu Amikoh - Não é nada simples. Você sabe invocar um ceifador, Melequenta?

-Não. Mas vou aprender, e assim que chegarmos à Costa de Jade, vou fazer! - Falou Jow irritada. - Ele ficou falando barbaridades do Valentim. Encheu o saco!


 

Ykhar agarrou-se ao braço de Valentim, com força.

-Ele pode nos fazer mal?

-Não creio que possa… - Falou Jow pensativa - Ele está preso ao corpo. Ele é só um espírito agora, Ykhar.

-Um fantasma?

-Sim, um fantasma… Não pode ferir vocês.

-Onde vai aprender a invocar ceifadores, Jow? - Perguntou Amikoh.


 

-Eu li alguma coisa na biblioteca do Templo de Esquíatos. Precisa ser feito em território sagrado. A aldeia Kappa tem um cemitério. Podemos fazer isso lá.

-Sim, parece perfeito. - Disse Amikoh, rindo. Jow parecia muito segura do que estava falando, mas não fazia ideia da energia que precisaria usar para aquilo. Até mesmo para ela, poderia ser demais. - Quando chegarmos, transportaremos o cadáver para o cemitério, você invoca o seu ceifador e ficaremos livre dele, hahaha! É simples assim...

Jow sorriu animada, dando pulos e dançando, enquanto os ventos empurravam as velas do navio para a Costa de Jade.

 


Notas Finais


Pronto.
Tá feito!


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