História Além dos Portais - Capítulo 11


Escrita por: ~

Postado
Categorias Eldarya
Personagens Ezarel, Personagens Originais
Tags Eldarya, Ezarel, Magia, Mistério, Romance
Visualizações 69
Palavras 3.261
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Ficção, Magia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela
Avisos: Insinuação de sexo, Nudez, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Aqui vão os primeiros planos de Kratos.
O que esse Brownie está tramando?
Até onde chega sua vontade de concretizar seus planos?
Até onde ele está disposta a chegar para isso?
E o que isso impacta nos seres de Eldarya?

Capítulo 11 - Os Primeiros Planos do Mago


Fanfic / Fanfiction Além dos Portais - Capítulo 11 - Os Primeiros Planos do Mago

À tarde, após o almoço, o local da palestra já estava preparado. A reunião seria nos fundos do QG, no jardim que dava para as janelas dos quartos. Eram muitos alquimistas, entre mestres e recrutas, e não havia local dentro do QG para reunir tanta gente junta.

Colocaram cadeiras enfileiradas e uma mesa à frente, com três cadeiras maiores para o Mestre Embaixador, Mestre Azham e o Guardião dos Portais e Líder da Guarda Absinto, Ezarel.

Ykhar conferiu a lista e percebeu que convocara todos. Mas não ficaria ali para assistir. Era uma reunião para os alquimistas, para os membros da Absinto.

Os guardiões começaram a chegar e se acomodar nas cadeiras preparadas. Estava um dia claro, ainda com muitas nuvens, mas sem a chuva dos dias anteriores. Os jardins ali estavam exuberantes e cheios de cores. O gramado, ainda úmido das chuvas recentes, ficava com marcas e rastros dos passantes.

Mestre Kratos já ocupava seu lugar à mesa, junto com o Mestre Azham. Mas havia uma cadeira vazia.

Ezarel estava atrasado.

****Pov’s Ezarel****   

Eu estava enlouquecendo. Não conseguia me concentrar, e isso me irritava demais.

Estava no laboratório, tentando fazer um inventário do material que tinha sido usado na missão, mas não conseguia pensar. Perdia a conta toda hora, e tinha que recomeçar!

Num ataque de fúria, joguei alguns frascos rachados que se espatifaram nas paredes, espantando os recrutas mais jovens que ali estavam.

Não sei se estava irritado por ter que fazer a contagem ou por ter ido dormir tão tarde. Jow tinha me infernizado para terminarmos os malditos relatórios na noite anterior, porque é totalmente obcecada por terminar tarefas. Por mim, ficariam pra depois. Ou nunca… Quem lê relatórios? Mas não, ela quis terminar, me encheu o saco e ficamos até tarde discordando um do outro. Depois ainda fui pegar um estoque de medicamentos e poções anestésicas para ela. E depois rolei na cama, sem conseguir dormir, lembrando da… Missão. Agora eu estava muito, muito cansado.

De que adiantava ter o dia de folga? Eu tinha que fazer a contagem e precisava estar na palestra, aliás… estava quase na hora.

“ Que saco! Palestra hoje! Logo no meu dia de folga! Quem inventou essa praga?” Engoli mais uma dose da poção que inventei para  bloquear o acesso do Mestre Kratos à minha mente. Não queria ninguém fuçando na minha cabeça. Isso seria útil contra o Hans também, assim que ele começasse a ler mentes.

Me desculpei e saí. Me desculpei? Como assim? Eu nunca me desculpo! Se estava irritado, a culpa era de alguém! A culpa era dela! Vou aborrecê-la então. Tenho tempo antes do Xarope do Mestre Kratos ficar de mimimi sobre portais! Ahhh, quem me dera ser substituído!

Onde estaria a maldita? Provavelmente na enfermaria.

Fui até lá e ninguém … Vazia! Nem Ewe. Ninguém trabalha nesse QG? Onde será que elas se meteram? No Jardim cutucando as flores... Ou na cozinha, talvez?

Decidi ir até lá. Talvez roubar algo doce para comer e aborrecer o Karuto me deixaria também muito mais feliz. Agora, sem racionamento, estava bem mais fácil.

Andei depressa até a cozinha e … Sim! Eu estava certo! Ela estava lá com o Karuto.

Ao invés de descansar, se recuperar daqueles ferimentos horríveis, estava na cozinha de papo furado com o Karuto! Depois ia reclamar, que estava cansada, que as costas doíam, blablabla…vai me olhar com aquele olho azul infantil e falar... Me examina, Ezarel! Faz curativo, Ezarel! Passa pomada, Ezarel! Me dá poção pra dor, Ezarel!... Ahhhh! Não vou ajudar mais! Pra ela aprender. Mandei que ela repousasse! Ela nunca me escuta!

Quando ela me viu foi logo gritando!

- EZAREL!! SAI DAQUI!

Cheguei a tremer, minhas orelhas também! Sai daqui? Agora mesmo é que eu não saio! Andei até eles irritado, pra que gritar assim? Não sou surdo, pelo contrário, ela faz de propósito, pra me irritar, sabe que minha audição é sensível!

-Então foi aí que você se meteu! Estou há horas te procurando!

- Pára de palhaçada, orelhudo! - Defendeu Karuto. - Deixa a garota em paz! VOCÊ NÃO É MARIDO DELA! Ou é?

Jow gargalhou, me irritando ainda mais.

-Que a Deusa me proteja disso... Sai daqui logo, maldito!

Fui olhar o que eles estavam escondendo… e… Ahhhh!

- Pudim? Isso é pudim de leite? - Meus olhos brilharam. Abri um sorriso de orelha a orelha. Lembrei do pudim que ela me deu na Terra, na casa dela. Morreria mil vezes por aquele pudim! Ela tinha nas mãos uma panela com calda de caramelo - Eu... Preciso de pudim!

- Pois é, orelhudo, ela queria te fazer uma surpresa e você estragou tudo, vindo aqui fuçar! IDIOTA!

Sem me importar com as ofensas do Karuto, olhei para ela com olhos de cão faminto.

-Me dá? Por favor! Precisooooo!

Jow me olhou de cara feia.

-Era pra ser surpresa, ô peste! - Mas cortou mesmo assim um pedaço enorme de um dos pudins que Karuto arrumava, pôs num prato e despejou a calda de caramelo ainda quente por cima. Eu estava nas nuvens, agora sim, ficaria feliz!

Peguei o prato de doce e fui me sentar à mesa. Nem esperei a colher, escorreguei o doce pelo prato direto pra minha boca, queimando o lábio e derramando calda quente pra todos os lados. Ela me olhou de cara feia, quando chegou com a colher..

-Eca! Que porcaria! Ô Elfo educado, que fineza! Ainda tá muito quente, maldito!

-Quando se trata de pudim, não tenho educação… Nossa! Isso tá bom demais! Me dá mais?

-Dou se comer com a colher… E mais devagar...

-Fechado!

Aceitei a colher, ela me deu mais pudim e comi muito feliz. Sem usar a colher…  Enfrentando o olhar de dela de reprovação, mas divertido… Aquilo era tudo o que eu precisava. Pudim na companhia da Jow…

Karuto olhava pra mim e sacudia a cabeça.

- Olha o Elfo porquinho! Todo melecado de calda! Limpa a cara do seu filho, Jow, ele não pode chegar assim na palestra. Ah, esqueci, ele é seu marido... Hahaha!

Jow jogou uma colher na cabeça do Karuto.

Eu fiquei de pé.

-A palestra! Esqueci da palestra! - Saí correndo para a palestra com a cara melada, a boca queimada e a roupa suja de calda. Ouvia atrás de mim as gargalhadas da maldita e do Karuto. Fui lambendo os dedos… Esperava não estar muito atrasado!

****

Ezarel chegou ao jardim, onde todos só esperavam por ele para começar a palestra. Limpava a boca com as mangas da túnica e tinha alguma coisa marrom escorrida pela roupa. Mas ninguém ousou falar nada.

-Boa tarde, desculpem o atraso.

Ocupou seu lugar à mesa e começou a rabiscar num pedaço de pergaminho que estava à sua frente, já entediado.

O Mestre esperou que Ezarel ocupasse seu lugar e levantou-se, cumprimentando os alquimistas com uma breve reverência. Mas voltou a sentar-se.

-Espero que me perdoem por ficar sentado. Ando adoentado e ainda estou debilitado.

Hans, da platéia, observou os curativos por debaixo das mangas da túnica, lembrando-se de que Ewe descreveu para ele as feridas horríveis do Mestre.

-Pedi que reunissem os alquimistas, mais uma vez, porque precisam sempre ficar atualizados sobre a magia dos portais. Alguns aqui já estiveram muitas vezes em palestras como essa - Ezarel revirou os olhos- E outros estão sendo iniciados agora na alquimia - E olhou fixo para Hans, que se encolheu na cadeira. - Posso estar sendo repetitivo para os demais, mas para os iniciantes, tudo é novidade. Então vou resumir a história desses nossos portais tradicionais, que permitiram que trouxéssemos alimentos em maior quantidade e iniciássemos o intercâmbio entre os mundos.

O Mestre começou a narrar.

“Anos atrás, alguma força desconhecida danificou o Grande Cristal, causando rachaduras. Muitos fragmentos se perderam pelo nosso mundo. Isso causou um enfraquecimento dele e uma diminuição na geração de Maanas, a força vital desse mundo. Coincidentemente, círculos de cogumelos se abriram na Terra, favorecendo a entrada de estranhos em Eldarya. Isso culminou, como está nos nossos registros, com a chegada da primeira guardiã Humana.”

“Descobriu-se que ela era mestiça e tinha sangue faery, fortalecendo a lembrança de que muitos de nós, do mundo da magia, não migraram e ainda habitavam a Terra. Escondidos, esperando, talvez pelo fim da rivalidade entre as raças.

Com a escassez de comida que tínhamos e o enfraquecimento do fluxo de maanas, foi preciso criar alternativas para nossa sobrevivência. Foi aí que desenvolvemos a magia que canaliza maanas para a abertura dos portais tradicionais.”

“Algumas raças faery têm mais facilidade e composição corporal perfeita para canalizar maanas, como os Elfos e os Silfos. Sua estrutura molecular é adequada e seu corpo não sofre danos, como a maioria das demais raças.

Raças híbridas já não têm essa vantagem.”

“Os portais são abertos preferencialmente na lua cheia, porque facilita a canalização de maanas. Fora dessa época, o guardião dos portais precisa utilizar a própria energia para manter os portais abertos. E não são todos que possuem essa capacidade...

Existem poções que ativam alguns portais construídos de obsidiana, que ficam permanentemente montados nas nossas embaixadas, na Terra, para receberem a energia dos nossos...“

O mestre prosseguiu com a história dos portais, e explicou as técnicas utilizadas para canalizar a energia e abrir o portal entre os mundos. Explicou sobre o Orbe, uma réplica do grande cristal, construído com um fragmento do mesmo, e como configuravam o Orbe para ficar sintonizado com a energia do Guardião do Portal. Prosseguiu ensinando os exercícios de concentração para canalização de maanas e tudo aquilo que os mais graduados já faziam há anos.

Explicou ainda como o Orbe, sintonizado com o próprio Oráculo, selecionava os recrutas que vinham para o intercâmbio, de acordo com as necessidades de Eldarya.

Todos escutavam em silêncio e com o máximo interesse.

Todos, menos Ezarel, que continuava rabiscando o pergaminho à sua frente.

Desenhava bolinhos, pudins e potes de mel… Florezinhas com cinco pétalas… Estrelinhas de cinco pontas e… Três letras “aleatórias”...

Entediado e com vontade de mais pudim, sua cabeça estava muito distante dali. Estava na cozinha… Quem dera o Mestre escolhesse logo outro guardião, e ele nunca mais iria a palestra nenhuma. Comeria pudim o resto da vida!

Hans escutava maravilhado. Em toda a sua vida, nunca tinha imaginado que existisse um mundo como Eldarya, e toda aquela magia! Ele mesmo não tinha sangue faery. Mas tinha habilidades mentais que o Mestre queria que ele desenvolvesse o máximo possível.

Experimentou ali tentar sentir o que os outros pensavam, e se viu mergulhado em pensamentos alheios, sem perceber...

A palestra durou mais de duas horas.

Ao fim da explanação do mestre, os alquimistas começaram a fazer perguntas, que Ezarel e os mestres respondiam automaticamente, pois faziam isso há anos.

Nesse momento, Jow sentou-se no parapeito da sua janela, balançando as pernas penduradas para fora. Observava o local onde ocorria a palestra, mas lá longe, onde estava, não conseguia escutar o que diziam.

Ezarel olhou para a janela dela e a viu ali, olhando. Ela fazia sinais para ele… E tinha nas mãos… Um prato com mais pudim! Estava sentada na janela, comendo o pudim dele!

“Ah, maldita! Você me paga quando eu sair daqui! “

Ele já não prestava mais atenção em nada. Só pensava no pudim, acabando ali na frente dele. “Como ela é má, ela está ali amando terminar de comer tudo sozinha! “ Fez sinal para que ela descesse. Ela fez que não, e sumiu para dentro do quarto levando o "SEU" pudim…

O Mestre encerrava a palestra! “Graças à Deusa! “

Ele saiu dali correndo e entrou no QG.

Jow o esperava sentada na escadaria, terminando de engolir o último pedaço. Ele olhou desconsolado para o prato vazio, ainda com um pouco de calda no fundo...

-Maldita! Você fez de propósito! Como você é ruim!

-Deixa de ser guloso, Ezarel! Você já comeu mais de um quilo de pudim!

-Mas eu queria mais, você não fez pra mim?

-Não, fizemos pra todos! Vai ter mais na sobremesa do jantar, você pode se empanturrar depois e comer até vomitar.

- Nossa, que delicadeza de princesa você tem. Sua... Sapo!

-Princesa sapo, pra ser mais exata.

Ele pegou o prato vazio das mãos dela e lambeu a calda do fundo.

-Wow! Que fineza de Príncipe! - zombou ela - Depois eu é quem sou o sapo...

****

Mestre Kratos, Leiftan e Keroshane se reuniram na biblioteca, após a palestra. Eles estavam ansiosos para conversar com o mestre e ouvir as teorias dele.

Leiftan estava muito confuso.

- O que ela é, Mestre? Um Elemental, um Avatar? Como despertar esse poder adormecido?

O Mestre respondeu.

-Um Avatar Híbrido. Devemos esperar para ver todas as marcas antes de afirmarmos.

-Mas isso… Isso não é só uma lenda Kappa?

- Todas as lendas têm um fundo de verdade, Leiftan.

Keroshane ouvia atentamente, e acrescentou.

- Os pergaminhos que temos não estão completos, Mestre. Não há ali tudo sobre esses seres. Somente que são… Divindades... Que dominam os elementos.

O Mestre discordou.

-Lembrem-se de que ela é uma humana, ela é mortal. Não é uma divindade. E isso para nós é ótimo. Não queremos um Deus. Queremos o sopro de um Deus. Queremos acordar o Espírito para usar seu poder. Um espírito como o Oráculo. E como atrair os elementos necessários? Com fortes emoções. Tristeza. Raiva. Alegria. Frustração. Amor. Medo… - dizia Mestre Kratos.

- Devemos então fazer Jow explodir em várias emoções, ela que já é tão intensa? Se ela já é assim adormecida, desperta vai explodir o QG! - Kero argumentou.

- Mestre… - prosseguiu Leiftan - Nós temos o direito de despertar o poder de um ser assim? Isso é, se o senhor estiver certo… O que isso fará com ela?

- Temos o “dever” de despertar, Leiftan. E ela não é um ser qualquer. Aliás...Não deve nem ser tratada como um ser. Esqueçam que ela é uma pessoa, ela não é. É fruto do descuido de uma divindade, um capricho esquecido na Terra, uma aberração, uma força da natureza, uma… Coisa… Nascida no lugar e no tempo errado, sem a mínima percepção do que é capaz.

O Mestre fez uma pausa antes de prosseguir. Suas feridas doíam.

-Ela está aí para ser utilizada. Ela pode ser capaz de restaurar a natureza em Eldarya de modo que não dependeríamos mais só do grande cristal. Isso não seria maravilhoso? Ela já foi marcada pela Terra. Se eu estiver certo, faltam ainda três elementos. Você viu, não viu, Keroshane?

Kero confirmou com a cabeça, mas estava em dúvida. Mas o que isso faria a ela? Como seria… “Utilizada”?  E que emoções fariam despertar qual elemento? A terra teria sido desperta, talvez, pela alegria?

- Keroshane, não tenha dúvidas – disse o Mestre, lendo a mente dele. - As marcas estão ligadas às emoções. Na trilha, ao ser envenenada, comungou com a morte ali, junto à natureza. Creio que experimentou a mais profunda alegria e paz. Despertou fácil a runa da terra, porque já veio meio desperta com ela. Vejam o efeito que ela sempre teve nas plantas.

- Não sei o que podemos fazer. Não quero tacá-la no fogo pra despertar mais uma marca!

- Não acredito que seja isso, Kero. Não é a ação do elemento que vai despertá-lo - disse Leiftan.

- Exatamente – Disse o mestre – As emoções modificam as cores da aura, e dependendo da intensidade do sentimento, isso despertará um elemento que no ser, está ligado àquela cor. A cor representa apenas a energia do elemento. Ela não precisa ficar à beira da morte. Testem-na. Vejam quais emoções mudam a cor da aura, e façam com que seja submetida a cada uma das emoções... Ao extremo. Alcancem seu limite… Não meçam esforços...

- Talvez possamos usar Ezarel para isso - disse Leiftan - Eles são muito próximos.

O mestre reagiu.

- Não! Não metam Ezarel nisso! Não toquem no assunto com ele!

Os rapazes estranharam.

-Porque mestre?

O mestre disfarçou.

- Ele... Não está nos melhores dias dele. Anda sem foco, aborrecido. Precisavam ver como estava alheio à palestra... Vai acabar... atrasando as coisas. E se estiver assim mesmo, tão… Próximo dela, não vai lidar bem com o assunto. Já se imaginaram tentando explicar alguma coisa para ele? Com essa importância?

- Ele tem razão, Leiftan. Não devemos meter Ezarel nisso. Ele voltou da missão muito... Chato. Mais chato do que o habitual.

O mestre sorriu para eles, aliviado.

- Vou deixá-los agora. Vão cuidar de seus trabalhos. Preciso retornar à embaixada. Cumpram a missão de vocês. Testem a garota.

Kero e Leiftan insistiram em acompanhar o mestre até a cidade, deixando-o na embaixada.

Uma vez só, no refúgio do seu ambiente, ele adiantou-se até o caldeirão no meio da sala, estalou os dedos e um fogo púrpura acendeu-se, enchendo a sala de uma fumaça da mesma cor.

Procurava nas brumas por algo que não conhecia. Tinha lido na mente de Leiftan e Keroshane o que poderia estar acontecendo entre Ezarel e a médica. “Ele são muito próximos”...  Então, aquela jovem humana conquistou o coração azedo do Elfo irritante?

Não o surpreendia ver um Elfo atraído por todo aquele poder da Natureza, aquela alegria borbulhante, aquela força inocente e pura. E ela teria que continuar assim, ignorante de sua essência. Ele não permitiria que Ezarel atrapalhasse seus planos. De forma alguma, ele nunca poderia saber de nada. Além disso, ele era um mistério para o Mestre. A mente totalmente fechada para sua telepatia…

Kratos ainda sentia uma presença ali, espreitando, um ódio que fazia doer seus ossos, espremia sua alma, afundava as garras invisíveis nas suas feridas. Feridas que muito pouco mudaram, quando tratadas por Jow e Ewe. Nenhum efeito surtiu, nenhuma melhora mágica, apenas o controle da infecção com antibióticos humanos melhorara um pouco os ferimentos.

Precisava dos outros elementos, das outras marcas, precisava dos selos quebrados, precisava daquela aberração completa. Precisava usá-la para restaurar seu poder, restaurar seu corpo apodrecido, restaurar a energia do Grande Cristal, que ele mesmo sugava há anos, para se manter vivo e para manter abertos os portais invisíveis que usava para fins próprios. Por isso o cristal se fragmentou. Porque ele o exauriu.

Mas a presença do ser que o espreitava, era puro ódio.

Sabia que aquele espectro poderia acabar com tudo. Não sabia quem era, nem o que era e nem de onde vinha, mas sentia nele uma força maligna, que impregnava o ambiente.

Fosse ele quem fosse, estava ali para destruir o Cristal, destruir o Oráculo, destruir o plano dele de marcar as runas dos elementos na garota e destruir sua chance de alcançar o Poder Maior que almejava e salvar aquela terra.

Ele não permitiria isso, era o Mago Supremo, Embaixador de Eldarya , Protetor do Grande Cristal e Sumo Sacerdote do Oráculo.

Tinha tido um pesadelo, quase uma premonição, onde um ser mascarado vestido de preto, compelido por ódio, com uma aura maligna, saía de um portal invisível como os seus, e atravessava seu corpo com uma adaga de obsidiana… E ele não permitiria.

****

A Terra florescia. O efeito da Marca, cada vez mais forte, influenciava o solo, os animais, a vegetação.

Seres elementais ligados à Terra, cada vez mais atraídos pela Marca, se aglomeravam ao redor de Eel. Com isso, os animais acasalavam fora da época.

Sementes, nunca antes germinadas, estéreis, brotavam e rapidamente floresciam, enchendo o ar com perfumes inéditos e pólens estranhos, mexendo com o ecosistema e a biosfera do lugar, alterando o comportamento natural de tudo. Nada estava como deveria estar...

 


Notas Finais


Bem...
É isso aí.
Espero que tenham curtido, se alguma coisa ficou no ar... É porque será esclarecida em breve.
E... não odeiem o Kratos, não ainda, hahaha!

Beijos!


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...