História Além dos Portais - Capítulo 12


Escrita por: ~

Postado
Categorias Eldarya
Personagens Ezarel, Personagens Originais
Tags Eldarya, Ezarel, Magia, Mistério, Romance
Visualizações 43
Palavras 3.774
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Ficção, Magia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela
Avisos: Insinuação de sexo, Nudez, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Bem...
Aqui vai um ship delicioso... Aguardem.

Um pequeno efeito da marca da Terra...

E mais um pouco de treta, que ninguém é de ferro!

"A treta never ends..."

Espero que curtam.

Capítulo 12 - Insanidade Coletiva????


A rotina do QG continuava intensa, apesar da natureza parecer louca.

Hans estava passando mais tempo com Mestre Kratos, que começava a treiná-lo para a telepatia e o controle da mente. Mas o receio do rapaz atrasava seu progresso.

-Desculpe, mestre - dizia ele desanimado - acho que não vou conseguir.

Com paciência e resignação, o mestre o obrigava a praticar mais e mais.

A Mente de Hans era um livro aberto para ele. Sentia-se totalmente confortável em navegar pelos oceanos das suas memórias, das suas lembranças, seus desejos, seus medos e das suas habilidades. Conseguia compartilhar sentimentos e realizações como se devorasse a mente do rapaz.

Hans era uma nave que ele sabia pilotar, e estava muito, mas muito feliz com isso.

“Ele precisa estar pronto. Precisa estar pronto para mim. Sem o poder, ele não será nada. Não será útil…”

Hans engolia diariamente sua poção para auxiliar a desenvolver seus poderes. E passava algum tempo nauseado depois de bebê-la.

Jow tinha até experimentado a poção, para testar os efeitos colaterais, mas nada tinha sentido.

****Flash Back Hans****

Jow bebeu metade da poção de Hans, e ele olhava com olhar de reprovação...

-Que foi, Hans? Não conte pra ninguém que ingeri isso, senão eles vão me matar.

-Não vou contar. Mas você é maluca, Jow! Não devia beber. Isso pode te fazer mal.

-Não sinto nada com essa bagaça. Pra mim isso é placebo… Só pra você acreditar.

-Então não está funcionando. Não acontece nada comigo… Será que vão me nascer orelhas de doberman?

Jow se divertia.

-Hahaha! Seria engraçado! Pega, Hans! Late, Hans! Junto!

-Pára Jow! - Disfarçava o riso. - Já pensou se alguém te escuta debochar do mestre?

-Ah, Hans! Relaxa! Tá todo mundo perturbado aqui nesse QG! E além disso, eu nasci perturbada. Estão todos acostumados… Nada que eu faça aqui ou nada que aconteça comigo vai espantar nossos amigos!

Ele chegava no QG exausto. Passava algum tempo com Ewe, mas logo caía num sono profundo e sem sonhos.

Suas manhãs eram com Ezarel no laboratório sendo provocado e irritado, e suas tardes na embaixada com mestre Kratos, sendo testado e treinado.

Isso se repetia há uma semana, desde a palestra sobre os portais. Não tinha mais tempo para sair em missões. E o tempo que passava com os outros membros da guarda, eram dedicados à sua missão eterna de “fuxicar a vida alheia”, o que ele odiava fazer.

****

Naquela manhã, Hans teve uma discussão com Ezarel no laboratório. O Elfo insistia em criticá-lo constantemente na frente dos demais recrutas. Ele estava ficando de saco cheio do Chefe mal humorado e engraçadinho, que fazia questão de deixar bem claro o quanto ele o aborrecia, por ser Humano, por ser popular, por ser o Queridinho do Mestre, por ser amigo... da Jow. Era disso então que se tratava, ciúmes. Tinha ciúmes dele em tudo. E por que?

-Por que não volta logo pra Terra, Hans? Se já está tão aborrecido assim de ficar aqui? Já não faz mais nada direito!

Ele respondeu impaciente.

- Provavelmente voltarei, nosso tempo está acabando aqui mesmo.

- Como assim nosso? Estou falando de você! De quem mais você está falando?

Hans revirou os olhos. Ele parecia querer ouvir isso a toda hora. Então ele ia dar o que ele queria.

- Da Jow, ué! Nosso intercâmbio está terminando! Faltam poucas semanas para irmos embora, lembra? Ou achou que a gente ia morar aqui pra sempre?

-Por mim vocês podem ir - Disse ele com um falso desdém - E levar com vocês tudo o que for de lá...

- Vamos levar… Mas vou pedir à Jow que deixe pra você aquela camisa do ex-namorado,  pra você se lembrar dela…

Ezarel endireitou o corpo para parecer ter mais autoridade.

-Do que está falando, recruta?

-Da camisa com a imagem do Motoqueiro Fantasma que ela te emprestou na Terra, quando você dormiu na casa dela… Pensei que se lembrava disso.

- Não sei do que você está falando. Que eu saiba, ela não tem nenhuma camisa dessas aqui com ela.

-Inocente você, Ezarel… Ela tem sim, pensei que você sabia disso…Já que sabe de tudo e  são tão…  Próximos… Hahaha, ela não te contou? Dorme com ela debaixo do travesseiro, sabe-se lá que sonhos tem com aquilo! Será que chora de saudades? Será que beija a camisa, todas as noites, até adormecer, exausta de tanto chorar?

Ezarel ficou furioso com a provocação dele.

-Sai da minha frente antes que eu perca a paciência e te acerte, sua peste!

Hans saiu dali muito feliz, imaginando que vingança boa foi aquela, como ele teve prazer em falar aquilo! Foi bem feito pra ele… E afinal, ele tinha merecido. Mas tinha certeza de que sofreria muito mais agora… Mas… Como era mesmo que Jow falava? “Avalio a situação… Se o fato de eu causar a treta me der mais prazer do que a punição me der dor… Eu faço!”  Rindo sozinho, foi para a enfermaria ver Ewelein.

****

Ykhar percebeu que os ânimos estavam agitados naquela semana, no QG.

Ezarel gritava com o recrutas mais do que o necessário.

Jow passava o dia fugindo e tentando se esconder de Leiftan e Keroshane, que estavam fazendo mais testes com ela, exaustivamente.

Nevra saía em missões todas as noites, sem dizer para onde ia. “ Missões de espionagem”. Dizia ele.

Ninguém lhe contava nada... Mas ela sabia ler… Línguas estranhas. Pergaminhos esquecidos por cima das mesas na biblioteca. E tinha lido tantas coisas interessantes ultimamente!

O Clima estava estranho. O ar estava estranho… Seus amigos estavam estranhos. Por que será que todos estavam estranhos? Ela então poderia ficar estranha também… Devia ser algum fenômeno da natureza, e ninguém estranharia se ela fizesse coisas fora do normal. Todos estavam fora do seu normal...

Pensando nisso, entrou na forja.

Valkyon estava ali, preparando armas com alguns guardiões. Quando a viu entrar, levantou o olhar para cumprimentá-la, com um aceno de cabeça e um sorriso discreto.

Ykhar corou, mas contentou-se com aquilo por um tempo. Continuou olhando para ele, e observando cada movimento seu.

Depois de alguns minutos, ele perguntou.

- Precisa de alguma coisa, Ykhar? - Perguntou e afastou com as costas das mãos os cabelos prateados que caíam nos seus olhos.

Ela ficou mais vermelha.

-Quando você terminar aí eu falo.

- Certo então.

Ele pareceu ignorá-la por mais algum tempo, e ela ali ficou, passeando pela forja. Havia diversas adagas sendo fabricadas espalhadas sobre a mesa de trabalho. Algumas de obsidiana, as mais bonitas e resistentes, com o cabo ornamentado com pedras coloridas.

Observou Valkyon afiar as adagas de ambos os lados, e explicar para os recrutas como manter o fio, como fixar o cabo, e como fazer para que os golpes fossem mais eficazes… Se encolheu toda só em pensar numa arma atravessando um corpo.

Após todas as perguntas respondidas, Valkyon deu ordem aos seus guardiões de prosseguirem com o trabalho, e dirigiu- se para onde Ykhar estava.

-Venha. Vamos dar uma volta. Preciso de ar puro - Disse ele -  O que quer falar comigo?

Eles saíram da forja, mas Ykhar ficava calada e estava cada vez mais vermelha.

-Fala, Ykhar! O que foi? Quer fazer alguma fofoca? - Brincou ele.

Ela olhou séria para ele e falou.

-Todos aqui estão ficando loucos ou perturbados, Valk. Então acho que eu também posso ficar.

Valkyon riu.

-Sério? Do que você está falando?

Deve ser a Lua... A Lua crescente deve fazer todos ficarem perturbados…

-Eu não fico perturbado com as luas. Você fica?

-Posso ficar, não posso? Sou Brownie.

-Pode, ué, você pode qualquer coisa... Por que está me dizendo isso? Está se sentindo mal?

-Estou me sentindo muito bem, Valk. Bem até demais! Tão bem que quero te convidar pra sair comigo hoje.

Ela ficou mais vermelha ainda, quando Valkyon parou de andar e olhou sério para ela.

-Isso é sério, Ykhar?

Ela abaixou o olhar, triste. “Ele vai me achar maluca. Ele vai me dispensar. Eu não deveria ter feito isso!”

-É sé- sério sim…- Balbuciou ela.

-E por que demorou tanto pra me convidar?- Disse ele rindo.

Ela olhou para ele com os olhos arregalados e as orelhas em pé.

-Você aceita? Você sabia que eu queria sair com você?

-Claro que sim, há muito tempo. Mas nunca achei que teria coragem de me chamar pra sair.

Ela fez cara de zangada.

-E por que o senhor chefe da Obsidiana nunca me chamou?

-Por que queria que você me convidasse.

Ykhar agora tinha certeza de que o mundo mágico estava louco. Então... Ela se privou durante tanto tempo de tentar um romance, perdendo tempo em arranjar pares para os outros, e ele ali falando na cara dela que queria que a iniciativa fosse dela? Era o que? Louco? Burro? Sádico? Preguiçoso? Ela se encheu de autoconfiança. E falou com uma voz autoritária.

-Ótimo! Esteja pronto hoje após o jantar! Vamos passear na praia. Isso pra começar! E... Trate de usar uma roupa legal! Nada de uniformes ou espadas! E... Leve uma garrafa de hidromel! E copos, não quero beber no gargalo! E… sei lá mais o quê! Vai me encontrar no portão de saída do QG! Não se atrase! Isso é uma ordem!

Ele fez uma continência para ela.

-Sim minha Senhora, Mensageira da Guarda reluzente! Estarei na hora certa pronto para nossa missão!

Ykhar saiu dali depressa, pensando que deveria estar correndo muito agora, mesmo com suas “pernas curtas”. Foi direto para o seu quarto, deixando Valkyon plantado na frente da porta, rindo e olhando para ela.

Ainda não acreditava no que tinha feito.

Que audácia, que homens preguiçosos, pretensiosos, lerdos e bobos vivam ali naquela cidade! “Nós, as garotas, temos que fazer tudo sozinhas, que absurdo!” E foi, pensando que precisava de uma roupa bem legal!!!

****

Quando Keroshane e Leiftan testavam Jow de todas as formas que conseguiam, para fazê-la mudar de humor e de cor, nunca conseguiam fazê-la chegar ao extremo.

Ela parecia não ter limites.

Porém, ela já estava sim, irritada com eles, e fugia sempre que os via aparecer. Não sabia o porque daquilo, e como eles não explicavam, ela não queria mais colaborar. Suas perguntas não tinham respostas concretas.

Ficava respondendo intermináveis questionários sobre a sua vida na Terra, tinha que falar das saudades que sentia dos pais, da expectativa do fim do intercâmbio, do Hospital Escola e até da sua vida amorosa antes de chegar a Eldarya!

Que saco, estava perdendo a paciência, e olha que ela tinha uma paciência absurda!

Faziam Jow perder horas na biblioteca pesquisando coisas que não entendia, lendo coisas em uma língua estranha. Até dormiu em cima dos livros, de tão exausta que ficava. Como se não tivesse trabalho suficiente na enfermaria e no laboratório, eles ainda a mantinham por horas na biblioteca. Não sabia o motivo daquela obsessão.

Mas naquele dia, ela estava especialmente aborrecida. Após o almoço, ela fugiu mais uma vez para tentar se esconder deles. Experimentou a porta que levava para o subsolo e descobriu que estava aberta. Desceu as escadarias para a antiga prisão.

Nunca tinha estado lá, estava sempre trancada.

Descobriu o jardim selvagem que crescia lá, esquecido.

“Como é lindo! Como nunca vim parar aqui antes?”

Ezarel estava de pé na porta do laboratório e viu quando ela abriu a porta e desceu as escadas.

“Por que aquela porta está aberta? A chave mestra não sai do meu armário no laboratório… Vou lá falar com ela. Vou tocar no assunto da camisa. Quero ver o que ela vai me responder.”

E pensando nisso, desceu as escadas atrás dela.

Keroshane os observava da porta da biblioteca. Sabia que ela estava tentando fugir deles. Estava ficando entediada daquelas sessões que ele e Leiftan a obrigavam a aguentar. Ele esperou que Ezarel descesse e os seguiu.

****

Jow estava encantada com a beleza do porão. Vasculhou cada canto daquele lugar e descobriu geradores de energia, e mais escadas. Onde aquilo ia parar?

Chegou até o último pavimento e viu gaiolas suspensas e correntes nas paredes, onde antes deveria ter sido um calabouço.

Tinha uma nascente ali, uma fonte… Ela aproximou-se e mexeu na água. Era quente. Pra onde ia? De onde vinha?

-O que está fazendo sozinha aqui? Esse local deveria ficar trancado.

Ela levou um susto e virou-se. Era Ezarel.

“Ah, ele me achou! “

Esperava não ter minutos desagradáveis pelo menos uma vez naquele dia. Ela escutou os gritos dele no laboratório pela manhã, e sabia que estava brigando com Hans. Ele andava irritado e irritante. Não queria que sobrasse para ela. Estava sem paciência.

O Elfo aproximou-se dela e apontou as gaiolas.

-Isso aqui era uma prisão, antigamente.

-Ainda me parece ser.

-Mas não é mais usada.

-Por que?

-Porque agora eliminamos nossos inimigos com magia, hehehe. - Fez uma cara de mau e as mãos se iluminarem.

Jow gargalhou.

-Hahahaha! Até parece! Não te imagino matando ninguém, nem com magia. E essa luzinha aí na sua mãozinha de princesinha, não me impressiona não. - E mostrou as mãos para ele - As minhas ainda são maiores que as suas, hahaha! Imagine elas com magia!

Ezarel estufou o peito.

-E por que não te impressiona, recruta? Não sabe que os membros da Absinto são super poderosos?

-Poderosos comedores de pudim - Zombou ela. -Por que está me seguindo, maldito?

- Como estão seus ferimentos? - Disfarçou ele, sem ter coragem de falar da camisa.

-Estão curados, quer ver? - E levantou a túnica mostrando as costas, antes que ele pudesse protestar. Por que ela fazia sempre isso? Não fazia idéia de como isso o perturbava.

-Não!… isso é, não precisa… nossa! Ficou uma tatuagem aqui!  

- Ficou, você me falou que não ficaria marca…- Reclamou ela.

- Não deveria ficar… Ei! Não é culpa minha! Não fui eu quem ficou lá no mato se esfregando no… “Anjo da Morte”! - Reclamou ele, examinando a pequena tatuagem verde de árvore.

Ele passou os dedos pela Marca, esfregando a pele e tentando apagar.

- Deve ser falta de banho… Se lavar vai sair - Falou tentando irritá-la.

- Você quer lavar pra mim? Tem uma fonte ali. - Retrucou para provocá-lo.

Ele ficou vermelho, já imaginando a cena...

-Como assim? Deixa de ser boba! Até parece!

Ela riu, adorando deixá-lo sem graça.

-Isso não sai não. Esfreguei até com uma pedra, não saiu essa coisa. Acho que vou ficar marcada... pra sempre… com essa… coisa feia.

Ezarel, que ainda mexia na pele dela, distraído, retirou a mão depressa.

- Não, não é feia. Até que está bonitinho...

Ela abaixou a túnica, interessada na fonte.

-Pra onde vai essa água?

-É um canal para o mar.

-Por que é quente?

-Não é quente.

-Põe a mão… é sim.

Ezarel adiantou-se duvidando dela, e sentiu a água quente.

-Não deveria ser quente...

-Legal! Tem vulcão em Eldarya?

-Não que eu saiba… Que estranho… Quando entrei uma vez aí para resgatar a guardiã a água estava fria.

Ela arregalou os olhos.

-Como assim? Você resgatou uma guardiã? Entrou na água pra isso? Duvido!

Ele coçou a cabeça.

-É uma longa história do passado…

-Ah, quero saber! Quem ela é? Por que resgatou ela? Estava ferida? O que ela estava fazendo nadando aí? E por que você? Quanto tempo faz isso?

-Ahhhh! Pára de me encher assim de pergunta! E depois -  acrescentou divertido - Ela era uma sereia…

-Sereia? Tem sereias aqui?

-Não sabia? A “doutora sabe tudo” não sabia disso? Claro que tem! Temos uma na Guarda Absinto. Alajéa.

Jow revirou os olhos.

-Ah, é mesmo! A Sereia invisível. Porque eu nunca a vi aqui.

Ezarel riu.

-Ela está em missão na Terra. Por isso não a conhece.

-Você a resgatou?

-Não foi ela. Foi outra.

-Outra? Outra sereia? Uma... Namorada?

-Hahaha! Tá doida? Namorada? Não! Ela estava se afogando.

-Uma sereia afogada? Hahaha! Mentiroso!

Ezarel estava ficando irritado. E quis se explicar.

-Ela tinha bebido um poção pra virar sereia e o efeito começou a acabar antes dela chegar. Estava em missão com o Chrome, um jovem lobisomen da Guarda da Sombra. Eles perderam o barco e tiveram que voltar nadando da missão. Por isso a poção.

Ela ouvia interessada e… Calada? Ele aproveitou aquele momento raro de silêncio e prosseguiu.

-Aí eles chegaram, nadando por esse canal, e eu tive que entrar aí para retirá-la da água. Foi isso.

-Como foi isso?

-Ué… Entrei e peguei ela no colo, e…

-Ahá! Pegou uma garota no colo… né? Tipo, se atirou nas águas frias do canal escuro, tomou-a em seus braços e retirou da água… assim… - Ela debochada, solenemente encenou como deveria ter sido.

Ezarel estava sem graça.

-E daí se foi issoi? Faz muitos anos… - E depois percebeu o que ela estava pensando - E o que você tem com isso? Está com ciúmes? Hahaha! Está com ciúmes de mim, hahahaha!

Foi a vez dela fechar a cara.

-Tô nada, idiota! Por mim você pode agarrar quantas sereias quiser na vida, que estou pouco me lixando! Acho até bom que você tenha tido uma namorada, porque mostra que não é um palhaço bobão e insensível… - Falou sem graça. Ele percebeu.

-Hahahaha! Essa foi boa, Jow, a engraçadinha, a espertinha, que adora uma treta com os outros, ficou toda sem graça e está com ciúmes de mim… Também, pudera, sou lindo, irresistível, e… Ahhhh!

Jow empurrou Ezarel na água. Ele afundou inteiro.

-Cala a boca, Elfo maldito! Tá pensando que é quem, o Nevra?

Ele praguejava e ela ria.

-Pára de rir! Isso foi golpe sujo!

Ela gargalhava dele, e quando se descuidou ele agarrou a perna dela e a puxou para dentro da água. Foi a vez dela afundar inteira...

-Sua peste!

-Gostou? Precisava mesmo de um banho. Pra ver se sai essas marcas...

Ela escalou a beirada e saiu rápido dali.

- Vai lá que tem bicho aí dentro dessa água escura! Idiota!

-Ué… Não quer que eu te salve deles? Hahahaha! Não ficou com inveja da guardiã? Não queria que fosse você, no lugar dela?

Ela saiu da água visivelmente irritada. Sentou-se no chão. Retirou as botas e as esvaziou. Abraçou os joelhos e ficou emburrada.

Ele saiu também e sentou-se ao lado dela, retirando as dele. Olhou para ela, de cara amarrada, e cutucou seu joelho com a bota. TInha um sorriso no rosto.

-Ei, não fica com raiva não. Você me empurrou primeiro.

-Você estava me provocando.

-Eu estava só brincando com você. Sei que não tem ciúmes de mim.

Ela virou o rosto.

-Não tenho mesmo.

-E nem precisa ter. Ela não era minha namorada.

Jow virou o rosto e sorriu sem perceber. Mas ele percebeu.

-Qual era o nome dela?

-Não me lembro. Ela tinha muitos nomes…

-Mentiroso!

-Ei! É a segunda vez que me chama de mentiroso hoje!

-Como assim não lembra do nome dela? Então agarra uma garota…

-Eu não agarrei ninguém! Já falei para parar de besteira!

-Ela morreu?

-Claro que não! Pára com essas perguntas idiotas. Mas afinal… O que você está fazendo aqui?

Estou fugindo do Kero e do Leiftan.

-Por quê?

- Eles estão me enlouquecendo a semana toda com uns testes loucos!

-Tipo o quê?

-Não faço idéia. Já deveriam ter desistido de testar se sou fairy. Já sabem que não sou. Nem todo mundo é. E ainda tem aqueles questionários malucos e sem sentido…Parece que querem me provocar. Me mandam ler livros e recitar feitiços numas línguas que eu não conheço! Já devo ter vendido a alma pro capeta ou invocado algum demônio, e nem sei...

Ele não pôde deixar de rir.

- Mas por que estão fazendo isso? Eles não te falaram por quê?

-Não. Nenhum dos dois me fala nada. Disseram que são apenas testes. Por que você não tenta descobrir? Vai ser meu espião! Você é Chefe da Guarda, o Poderoso Elfo das mãos iluminadas... Descobre lá!

-O que você quer que eu descubra, Jow? - Falou ele calçando as botas molhadas.

- Li pergaminhos estranhos numa língua que não conheço. Eles me fazem repetir coisas com uma pronúncia esquisita...Tinha várias figuras. Pareciam hieróglifos. Mas se não tenho sangue fairy, também não tenho sangue de múmia. Não posso ler aquilo. Talvez esteja numa língua que você conheça…

Ezarel se animou. Pelo menos alguma coisa interessante para se fazer naquele dia estranho. O que aqueles dois queriam com isso? E se era ele, Ezarel, quem fazia os testes com as poções, por quê ele não sabia de nada? Esqueceu até do assunto que o levou ali.

- Vou relevar o fato de que você insinuou que eu era múmia… E vou descobrir. E se eu não puder ler… Com certeza conheço uma mensageira perita em línguas que pode ler… Vamos subir e trocar de roupa?

-Vou ficar por aqui mais um pouco. Não quero correr o risco de ser encontrada, ok?

-Isso! Aproveita, volta para a água e toma aquele banho... Hahaha! - E foi acertado na cabeça pela bota dela.

-Vaza!

Ezarel saiu depressa dali, praguejando. Mas tinha uma missão divertida e interessante, afinal.  

****

Eles não perceberam que Keroshane os escutava do alto da escadaria. No fundo, como no dia em que espreitou Jow e Hans na praia, ele ficou ali esperando ver alguma cena romântica se desenrolar… Ficou na vontade… Porque foi só treta.

Então, ela já desconfiava de alguma coisa. Claro, não era burra, o comportamento deles não estava normal, desde o aparecimento da marca da Terra. Aliás, parecia haver alguma loucura coletiva no ar em Eel onde todos se comportavam de forma estranha ultimamente. Até a Ykhar. Ele a ouviu convidar Valkyon para sair! E ele mesmo, nunca tomou coragem para chamá-la! Poderia ter aproveitado a onda de loucura também!

Se Ezarel queria descobrir o que eles estavam fazendo com ela, ele ia se aproveitar disso... Voltou correndo para a biblioteca.

O mestre não queria usar Ezarel. Mas ele queria. No final, ele compreenderia… Era sua chance de provocar uma grande emoção… Em todos eles. Os dois melhores amigos dela brigando… Alguma coisa tinha que acontecer, e ele já ia descobrir o que era.

Kero guardou os pergaminhos com as runas em um armário e o lacrou com magia. Pegou o relatório de Hans da missão do resgate e espalhou por cima de uma das mesas, saindo dali depressa. Imaginou a confusão que daria. Então… que assim fosse. Aproveitaria a insanidade coletiva de Eel…

Saindo do laboratório, postou-se atrás de uma pilastra, e esperou.

Viu Ezarel passar em direção ao corredor das portas, provavelmente para se trocar. Minutos depois voltou… E entrou na biblioteca.

 


Notas Finais


Bem... Eu prometi treta. E mandei treta.
Apenas as primeiras das muitas que virão.
Beijos!


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