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História Alfa. - Capítulo 1


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Notas do Autor


voltei com mais uma abo

Capítulo 1 - Se parecer com um alfa.


Lee Taeyong era um alfa. Um alfa alto, magro a beça e de olhos bem grandes e sérios. Tinha um rosto delicado para um alfa, e um porte nada intimidador. Desde que fora designado ao que é hoje, aos dez anos de idade, ele sente como se fosse o pior erro da família.

Ser um alfa não era ruim, não entendam mal. Ser alguém dominante e presente lhe garantia vantagens, porém uma vida de incertezas. Ômegas eram cobiçados, e havia até mesmo uma pequena corrida para conseguir um parceiro, já que permanecer muito tempo sozinho poderia ser perigoso. Atualmente, Taeyong diria que preferia ter nascido um ômega, para que ele finalmente agradasse os pais. Ele tinha uma linda irmã ômega, delicada, uma princesa linda e cobiçada. O orgulho da casa, trazia somente bons pretendentes e provavelmente daria a todos motivos para sorrir ainda mais no futuro já que suas opções de faculdade eram de altíssimo nível. Já Taeyong? Bem, ele não sabia o que iria ser, seus únicos amigos eram todos alfas, assim como ele, e ele nunca tinha chegado muito perto de ômegas a não ser por sua irmã e mãe.

Ele era uma decepção. O Lee tentava ignorar os olhares preocupados toda a vez em que se pronunciava durante a janta, ou em público, era sempre a mesma coisa. O mesmo olhar torto de desgosto.

Naquela tarde, o tédio tomava conta de seu corpo, era verão e estava quente. Sua pele derretia por baixo de sua blusa branca fina e bermuda soltinha. Ele observava o fluxo de pessoas na rua enquanto se apoiava na janela.

A irmã havia saído, acompanhada de algumas amigas para ir ao cinema. Seus pais ao menos negaram quando ela pedira toda eufórica para sair. Se fosse ele em seu lugar, provavelmente seria chutado de casa.

Sentiu seu celular vibrar no bolso da calça e depois de uma chucada rápida constatou que era apenas Jaehyun, seu vizinho, pedindo ajuda em alguma atividade que envolviam mangueiras. Obviamente que Jaehyun apenas estava dando uma desculpa para se molhar e tinha chamado seu melhor amigo porque sabia que ele sacaria seu plano genial. Exatamente como Taeyong fazia naquele momento.

Trocou sua blusa atual por uma regata velha e calçou seus chinelos de couro, descendo a escada enquanto verificava o horário. Assim que pisou na sala, seus pais o encararam de cima a baixo.

— Aonde vai, Taeyong? – Sua mãe perguntou, se remexendo no sofá.

— Na casa do Jaehyun, ele precisa de ajuda com um negócio lá. – Deu de ombros, um nervosismo já conhecido se apossando de seu corpo.

— "Um negócio lá"? – Seu pai se manifestou, abaixando o jornal que lia até o encarar por debaixo dos óculos. — Que negócio?

— Arrastar alguma coisa do quintal. É um trabalho braçal. – Soltou, esperando ser liberado logo. As vezes, queria muito trocar de corpo com Eunha.

— Não demore. Os pais de Jaehyun não gostam de visitas. – Alertou sua mãe, apontando para si.

— Tudo bem, obrigado. – Acenou com a cabeça enquanto saia de casa.

A porta se fechou atrás de si com um baque e ele suspirou alto. Por que as coisas eram difíceis daquela maneira? Por que ele precisava ser rejeitado pela própria família? Se ele arranjasse um ômega fofo, isso pararia? Taeyong não fazia a mínima ideia. Até a alguns anos atrás, quando passou a não demonstrar nenhuma característica específica de alfa, ele não sabia que não corresponder expectativas poderia ser tão doloroso.

Caminhou até a casa de Jaehyun que era ao lado da sua e tocou a campainha. Pouco tempo depois um Jaehyun totalmente bagunçado abriu a porta enquanto sorria e convidava-o para entrar.

Jaehyun e Taeyong se conheciam desde de pequenos, quando seus pais resolveram que estava na hora de sair do interior e vieram parar em Seoul. De início, ambos não se deram bem, assim como seus pais, que também só faziam questão de se suportarem por serem vizinhos. Mas somente alguns anos depois da mudança é que os dois meninos ficaram amigos. Essa união repentina se dera devido ao fato de descobrirem estudar na mesma escolinha. Depois disso, ambos eram inseparáveis. Até mesmo ambos descobriram que eram alfas praticamente juntos.

Dois alfas. Besteira, Jaehyun não se parecia como um alfa deveria ser.

Taeyong entrou na casa, cumprimentou ambos os pais do menino e seguiu para o quintal dos fundos, de onde podia ver a janela do seu quarto e a janela do quarto de Eunha. A pintura da parede naquele lado da casa estava meio gasta e meio maltratada pelo tempo.

— Que bom que veio. – Jaehyun comentou sorrindo. Ele tinha belas covinhas.

— É eu vim, mas não sem antes passar por um puta interrogatório antes. – Bufou, tirando os chinelos e os atirando longe. Obviamente que Lee Taeyong estava exagerando, mas Jaehyun não precisava saber disso.

— Como assim? – Questionou, ligando as torneiras.

— Você sabe, eles me controlam, enquanto Eunha é livre. É injusto, mas é como as coisas funcionam lá em casa. — Deu de ombros.

— Eles ainda não superaram, não é? – Entregou uma das mangueiras a Taeyong que sorriu de lado.

— Não mesmo, nunca pensei que ser alfa seria tão ruim. Na realidade, eu não ligo muito para o que eu sou, mas meus pais ligam, então eu me sinto um fracasso por não ser do jeito que eles querem. Afinal, eu não me comporto como um alfa.

Jaehyun franziu as sobrancelhas com aquele comentário ridículo do melhor amigo. Desde quando seus pais precisavam controlar seu jeito? Taeyong se contradizia em cada palavra, e era como se ele estivesse assistindo uma novela de camarote, onde a cada semana um capítulo novo e cheio de intrigas se desenrolava. Ele suspirou e tirou a franja dos olhos encarando o garoto de cabelos rosas a sua frente. Mas que droga de situação, hein.

— Olha, não deixe que eles te ponham pra baixo. Não ser igual a todos, é bom. – Explicou, sorrindo. Taeyong lhe encarou profundamente antes de dar de ombros. E foi assim que o Jung percebeu que a conversa tinha terminado.

Taeyong não respondera nada e apenas ligou a mangueira, esperando Jaehyun se movimentar em direção ao pequeno canteiro de flores que tinha no quintal. Os dois se aproximaram, esguichando água a toda velocidade em direção as plantas que se enxarcaram. A água em contato com a terra molhada provocava um cheirinho gostoso que Taeyong amava. Parecido com um cheirinho de chuva.

Fechou os olhos e por um momento apenas apreciou aquilo, se esquecendo de quem era, de onde estava, e qual era sua posição. Alfa, ômega, Beta. Que isso importava afinal? Sorriu fraquinho sentindo um olhar sobre si, Jaehyun lhe encarava travesso, antes de apontar a mangueira em direção ao seus cabelos, de propósito. Taeyong rosnou, irritado, seus olhos oscilaram entre o vermelho e o castanho habitual, o que significava que ele havia se zangado, colocou o polegar na fenda de saída da água e devolveu o golpe.

— Meu cabelo, Jung Jaehyun! – Ralhou, esguichando água na cara do mais novo, que virou o rosto e apertou olhos com aquele jato de agua

— Tae! – Gritou alto, pondo as mãos na frente do corpo, se defendendo. — Meus olhos... – Choramingou. Jaehyun tossiu e se curvou e então o olhou. Seus olhos estavam vermelhos também, mas um vermelho fixo. Taeyong se assustou e largou a mangueira, Jaehyun rosnou e jogou mais água em si e o Lee se rendeu, espremendo os olhos.

Jaehyun voltou a cor normal de seus olhos assim que viu que o amigo tinha se rendido. Até porque ele era o errado, quem tinha começado com aquilo foi ele. Ele devia desculpas a Taeyong. Largou a sua mangueira próxima ao canteiro e sorriu, esperando Taeyong abrir os olhos. O mais velho ficava adorável com os olhinhos fechados daquele jeito e o corpo magrelo encolhido. Seus cabelos rosas arrepiados e as mãos coladas ao corpo. Se fosse qualquer outro alfa teria começado uma briga. Mas Taeyong apenas se rendeu, para que ambos parassem com aquela besteira.

Tocou um dos ombros do colega, vendo este se retesar ao contato.

— Me desculpe, TY. – Pediu, vendo este o encarar. Ele sorriu e Suspirou. — Vamos brincar direito...

— Você quem começou, pateta. –Provocou catando a mangueira esquecida no chão e gargalhando alto. Jaehyun sorriu mais, as covinhas aparecendo.

Ele amava o sorriso de Taeyong, e também estava feliz que ele estivesse sorrindo ao invés de continuar em sua bolha de depressão. Pegou sua mangueira e esguichou água no amigo e logo o canteiro de flores foi esquecido. Ambos riam e se acertavam pra lá e pra cá fazendo um alvoroço no quintal.

Jaehyun gostava do lado bobo de Taeyong, era raro vê-lo se desestabilizar por qualquer coisa, mas ali estava ele rindo como uma criança e sorrindo a beça. Ele gostava muito daquilo.

Ambos pararam assim que ouviram o barulho de uma janela abrindo do outro lado. Jaehyun olhou para cima e enxergou Eunha os encarando como se pudesse ler sua alma. Ela apenas continuou observando os dois até se pronunciar.

— Taeyong, papai precisa de você aqui. – Chamou, imediata, vendo Taeyong suspirar. — Vamos, ele está bravo.

E fechou a janela.

Taeyong bufou e desligou a mangueira, a colocando no lugar. Jaehyun imitou seu gesto, franzindo o cenho preocupado. Será que Taeyong levaria bronca de seus pais por estar molhado? Tudo que ele menos queria era causa mais problemas ao amigo.

— Tae, quer uma muda de roupa emprestada? – Perguntou, se aproximando.

— Não, se eu for com a sua roupa pra casa ele vai ficar ainda mais bravo. – Abaixou o olhar, observando seu próprio corpo todo enxarcado, pingando água. Seus cabelos rosas descoloridos todo despontados. Uma droga.

— Tudo bem, então, eu te acompanho. Pode ser? – Pediu, sorrindo. Taeyong não conseguia dizer "não" àquelas covinhas.

— Pode. – Sorriu fechado, pegando suas coisas e chacoalhando suas roupas para retirar o excesso de água do corpo.

Juntos os garotos andaram até a casa ao lado em silêncio absoluto. Jaehyun matutava sobre qual seria a reação do pai do amigo só lhe ver naquele estado. Confessava estar com medo.

Taeyong primeiro forçou a maçaneta da porta assim que terminaram de cruzar o jardim da frente. A porta estava trancada, então ele resolveu simplesmente apertar a campainha. Poucos segundos depois, seu pai abriu a porta com um semblante nada feliz. Taeyong podia ver que ele apenas não tinha passado um sermão ainda porque Jaehyun estava ali, e seus pais viviam de aparências. O homem os olhou de cima a baixo e focou em Jaehyun atrás de si, a cara num misto de desconforto e raiva.

— Entre, Taeyong. Preciso da sua ajuda com um negócio lá. – Enfatizou a última frase, e logo Taeyong soube o porque da fúria do pai.

— Senhor Lee. – Jaehyun o chamou, deixando o pai do garoto surpreso por ver a palavra ser dirigida a si. — Não tem motivos pra se zangar com o Taeyong. Eu que comecei. – Explicou vendo este o encarar de maneira confusa. Jaehyun piscou para o garoto de cabelos rosas e saiu dali meio correndo meio andando.

A porta foi fechada por seu pai que continuava igualmente zangado.

— Pensei que você fosse ajudar seu amigo, e não brincar de esguicho com ele. – Pôs as mãos na cintura, se controlando.

— Eunha saiu. Pensei que o senhor não se importaria. – O mais velho suspirou, vendo o filho sustentar aquele olhar de gatinho assustado que ele sempre fazia quando ia tomar bronca. Queria que o filho reagisse a suas broncas, respondesse que ele estava sendo injusto. Reagisse. Mas Taeyong apenas engoliu em seco e abaixou a cabeça.

— Eunha é diferente, vocês são diferentes. Ela mereceu sair. – Ditou e Taeyong sentiu aquela típica dor de cabeça de uma discussão que está prestes a estourar.

— Tudo bem então. Só não culpe Jaehyun, ele me convidou porque sabe das minhas condições. – Resmungou, subindo as escadas em direção ao quarto.

— Onde vai, moleque? – Berrou, em fúria. Sua esposa saiu da cozinha assustada, mas seus olhos normalizaram quando viu a situação que se desenrolava.

— Trocar de roupa, pai. – A palavra pai pensou em seus lábios com um gosto amargo. Tão amargo que até o senhor Lee pode sentir. — Afinal, o senhor me chamou aqui porque precisava de ajuda, não é? Aqui estou eu. O alfa da família.

— Você–

— Chega, eu vou subir. Peça ajuda a Eunha.

— Lee Taeyong! – Gritou enquanto Taeyong subia as escadas e limpava as lágrimas teimosas que escorriam pelo rosto. Ele abriu a janela e encontrou Jaehyun o esperando do outro lado, ainda molhado.

— Jaehyun, eu não aguento mais. – Soluçou, enfiando as mãos no rosto, escondendo a careta de dor que se formava em seus lábios e temporas.

— TY, quer fazer uma loucura? – Se apoiou no parapeito. — Quer ou não?

— Eu não posso, Jaehyun, não posso.

— Então eu faço. – Ele sumiu por entre a sacada e em pouco tempo estava escalando a árvore debaixo de sua janela, agarrado nela como um coala agarra em sua própria árvore.

— Jung Jaehyun! – Murmurou, estendendo uma das mãos ao amigo e o colocando para dentro do próprio quarto. — O que você pensa que está fazendo?

— Isso. – E abraçou o amigo com força suficiente para esmagar seus ossos. — Eu não aguento ver você com essa carinha.

— Veio aqui só para me abraçar? – Levantou uma das sobrancelhas, ainda limpando as lágrimas. Foi até a porta do quarto e a trancou.

— Não, eu vim aqui para vermos um filme, só eu e você. – Sorriu, o abraçando de lado. — Vamos!

— Maratona Marvel?

— O que você quiser. – Acariciou os cabelos cor de rosa de Taeyong e então se jogou em sua cama, agarrando uma de suas almofadas. — Vem, senta aqui do meu ladinho, bebezão.

— Obrigado, Jaehyun. – Sorriu fraquinho, se sentando ao lado do amigo. — Não sei o que eu seria sem você.

— Provavelmente alguém bem sem graça.

— Ei! – Empurrou o amigo de leve e então encostou a cabeça em seu ombro. — Deixa eu ficar aqui só um pouquinho?

— O tempo que você quiser. – E retribuiu o gesto, encostando suas cabeças. — Eu adoro você, e vou fazer de tudo pra você ser feliz, TY.

Taeyong sem perceber estava sorrindo enquanto se aninhava contra Jaehyun. Seu melhor e único amigo.


Notas Finais


eu tenho esse plot guardado a tanto tempo que resolvi tirar do fundo do baú


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