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História Alfa-Humanos - A nova espécie - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


Já vou avisando que essa história é bem pesada, vai pegar bastante na parte psicológica e vai ser muito sangrenta e violenta. Porém, trabalhei semanas para que ficasse pronta
Espero que gostem!

Capítulo 1 - Desligamento



Síria - meados de 2009

 

Hallie corria, assustada, ignorando os seus músculos da perna, que praticamente gritavam de dor e fadiga. Haviam três dias que a guerra finalmente chegara em seu bairro, na cidade de Damasco. Ela morava em um bairro nobre da cidade, onde a influência do Estado Islâmico demorara mais para aparecer.

 


Porém, quando chegou, veio de uma forma avassaladora, com diversas bombas detonando muito próximas da casa de Hallie, o que rapidamente demoliu a casa em cima dela e de sua família. A garotinha de apenas sete anos de idade, a muito custo, consegue escapar dos escombros, que agora serviam de catacumba para seus pais e irmãos.

 

Os ataques do Estado Islâmico naquela área eram constantes e potentes, com bombas e fuzilamentos contra a população civil. Tudo o que restava para Hallie era correr por sua vida. A menina, considerada por todos ao redor como um prodígio por ser extremamente inteligente, agora tinha que lutar por sua sobrevivência tendo apenas sete anos de idade.

 

O cheiro de carne humana carbonizada enchia o ar, fazendo o seu estômago vazio embrulhar fortemente. Era muito difícil de correr na rua, pois estava entulhada de escombros de construções demolidas à força pelas bombas, que vinham tanto do Estado Islâmico quanto pelas forças armadas dos Estados Unidos. Hallie não comia nada havia três dias, quase não bebeu água, a única coisa que a mantinha em movimento era o imenso medo de ser acertada por uma bomba, uma bala ou ainda de ser capturada pelos cruéis soldados, tanto pelos do Estado Islâmico quanto pelos das forças estadunidenses.

 

O cenário era de completa devastação. Prédios inteiros ruíram com a força das bombas, casas estavam reduzidas a entulho, pilhas de corpos nas ruas, alguns com estado avançado de decomposição, enchendo o ambiente com cheiro de carne podre. Hallie corre tanto nesses três dias que encontra a sua escola, que ficava a mais de nove quilômetros de sua casa. Como já estava de noite, a garota considerou usar o local como abrigo.
A construção estava parcialmente demolida. A parte do refeitório e algumas salas de aula estavam intactos, e aparentava que não havia ninguém, como se todos tivessem fugido, o que, muito provavelmente devido às circunstâncias, aconteceu. Ela corre até a porta de entrada, cujos vidros estavam arrebentados, o que facilitou a entrada. Hallie, assim que encontra o abrigo seguro e checa se havia alguém, deita-se no meio do corredor do colégio e finalmente apaga de exaustão devido aos três dias de fuga.

 

Ela não sabe ao certo que horas acordou, sabia que era manhã por conta da luz fraca do sol entrando pela janela do corredor. Cautelosamente, a garota caminha do corredor até o refeitório, receosa de que havia mais alguém em seu colégio. Hallie encontra o local vazio, então se apressa para arranjar algo o que comer. Esquenta pedaços de pizza e encontra pacotes de bolinho recheado de baunilha.
Come tudo avidamente, quando termina, um barulho chama a sua atenção. Hallie se esconde atrás do balcão, tremendo de medo, pensando que eram os soldados americanos, ou pior, os rebeldes do Estado Islâmico. Porém, quando ela dá uma espiada, vê uma mulher baixinha que vestia uma burca.

 

— Não tenha medo, garotinha! - diz a mulher para Hallie, quando a vê - a minha casa foi explodida, os soldados do Estado Islâmico mataram o meu marido e a minha filha e estão atrás de mim, preciso me esconder!
Mas a mulher não consegue nem terminar de falar. Um grupo de mais de trinta homens armados e com os rostos escondidos por panos aparece no refeitorio. A mulher começa a debulhar-se em lágrimas, e Hallie não consegue esconder-se. Os rebeldes apontam suas armas para ela, obrigando-a a se juntar com a desafortunada viúva, que já se encontrava ajoelhada.

 

— Eu quero brincar com a garotinha! - diz um homem negro, muito forte e muito alto.

 

— Isso! Vamos brincar com ela! - diz um baixinho, empolgado.

 

Os soldados começam a se adiantar na direção de Hallie, porém a mulher se põe entre os rebeldes e ela.

 

— Peguem a mim - diz ela - Por favor, poupem a garotinha! Eu me entrego a vocês!

 

Diversas mãos agarram a mulher, rasgando à força as suas roupas, expondo o seu corpo cheio de escoriações profundas. O grupo de soldados a deita no chão, ficando todos ao seu redor, o que, para a sorte de Hallie, cobriu a sua visão das cenas horrorosas que se prosseguiram. Os homens violaram o corpo da mulher e a deram socos na cara e no corpo por mais de uma hora, até que ela finalmente morreu por conta dos ferimentos.

 

— Agora é a vez da garotinha! - grita um dos homens.

 

Porém, eles não conseguem fazer nada com Hallie. Um rapaz de pele com cor  de café com leite, muito alto, muito forte, com não mais do que vinte anos de idade, entra  no aposento portando um rifle H&K. O rapaz vestia uma roupa das forças armadas americanas e estava com um rosto inexpressivo.

 

Apesar da apatia que o rapaz aparentava, esse levanta o rifle na direção dos homens e, sem hesitar, fuzila todos, sem chance nenhuma de reação, pois todos estavam tão entretidos na ideia de estuprar a mulher que deixaram suas armas de lado. Um deles, porém, consegue acertar um tiro no ombro do rapaz.

 

O impressionante acontece: o rapaz nem olha para o seu ombro destroçado por um tiro. Agiu como se nada tivesse acontecido, acertando um tapa tão forte na cabeça do homem que atirou em seu ombro que o matou instantaneamente. Pega o seu rifle. Andou até Hallie, ignorando completamente o tiro em seu ombro. Apontava o rifle para a testa de Hallie, com uma expressão vazia, como se estivesse robotizado.

 

Porém, antes dele fazer qualquer coisa contra Hallie, ele finalmente apaga por conta da perda de sangue de seu ombro. O rapaz cai no chão, batendo fortemente a cabeça. Por quase uma hora, Hallie fica paralisada, por conta do choque diante do que viveu.

 

O rapaz acorda e olha para Hallie. Ela tremia de medo, mas algo estava diferente no rosto do rapaz. Ele tinha uma expressão de confusão.

 

— Por favor... não me mate... - Hallie consegue dizer, com o pouco de inglês que teve na escola.

 

— Eu não vou te matar, garotinha - diz o rapaz, com uma voz tranquila, apesar de estar com o rosto pálido por conta do tiro que levou - onde eu estou?

 

— Na minha escola. - responde Hallie, tímida.

 

— Eu sei - responde o rapaz - mas em que país... em que cidade estamos?

 

—  Damasco, Síria.- responde Hallie.

 

— Meu Deus... Aconteceu de novo. - o rapaz tinha uma expressão de desespero.

 

— O que aconteceu? - pergunta Hallie, curiosa.

 

— Depois eu te explico - diz o rapaz - cadê a sua família?

 

— Morreram quando a minha casa explodiu - diz Hallie, com lágrimas nos olhos e um nó na garganta.

 

— Ah, que péssimo - lamenta o rapaz - sabe, vou voltar aos Estados Unidos, e consigo levar você para longe desse inferno, você gostaria?

 

— Eu... sim. Por favor. - implora Hallie - qual o seu nome?

 

— Eu sou o Blue, por causa do meu olho azul. Tenho dezenove anos de idade - Blue mostra para Hallie. Ele tinha um olho castanho e o outro azul, condição conhecida como heterocromia - e você?

 

— Hallie. Hallie Amber. Sete anos. - diz Hallie.

 

Blue sorri. Era um sorriso bondoso e acolhedor. O rapaz tinha um olhar muito inteligente.

 

—  É um belo nome. Sabe, Hallie, estou precisando de uma garotinha corajosa para cuidar de mim - diz Blue.

 

—  Jura? - pergunta Hallie, parecendo impressionada.

 

— Ah, sim - afirma Blue, com sinceridade - mas antes, precisamos tratar o meu ombro, além de que você parece que não come faz tempo, estou certo?

 

— Sim. - responde Hallie.

 

— Então vamos cuidar de nós dois, e vamos embora daqui, para os Estados Unidos, combinado? - pergunta Blue.

 

— Certo! - diz Hallie, parecendo feliz pela primeira vez em bastante tempo - você será meu irmão mais velho?

 

— Tipo isso - responde Blue, sorrindo o melhor que podia com a dor incrível que sentia em seu ombro.

 

— Como você é tão forte? - pergunta Hallie, indagando o óbvio, depois de ver Blue matar um homem com um tapa na cabeça, e levar um tiro e quase não se abalar.

 

— Isso nós conversamos depois - diz Blue - agora vamos, precisamos ir.

 

Hallie estende a sua mão para Blue, que a segura, em um gesto carinhoso. Aqueles dois deram tão certo que, quem acredita, certamente diria que não era coincidência. Nascia um amor poderoso ali. Juntos, eles deixam a cena de morte que Blue causou com aqueles soldados do Estado Islâmico.


Notas Finais


Gostaram? Deixem a sua opinião nos comentários, é muito importante para o escritor ter o feedback de quem consome a sua obra, ou seja, como os leitores se sentem quando a leem. Muito obrigado, e até a próxima!


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