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História Algo Pior que a Morte - Dramione - Capítulo 21


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Capítulo 21 - Capítulo 20 - Um Sonho Prateado


Você está completamente estonteante hoje, McKinnon.

A frase se repetia na cabeça de Hermione como um sino especialmente estridente e irritante. E os dedos de sua mão queimavam com o beijo que Draco havia dado ali, fazendo com que Hermione enlouquecesse de pensar durante o dia inteiro.

Ela amara Rony, de certa forma, e isso, somado ao fato de que era Draco Malfoy quem estava flertando com ela fazia com que Hermione quase gritasse para o próprio cérebro tentando entender tudo o que estava acontecendo dentro de si. Primeiro, ela estava preocupada com Blas e Harry, com todo aquele plano para libertar seu irmão. Isso era o que mais pesava, junto com a ansiedade para que desse certo.

Hermione precisava que todo aquele plano desse certo, porque se não desse... se não dessa ela poderia muito bem cair num tipo de buraco da qual jamais voltaria. O pensamento traiçoeiro de fracassar a atormentava mais do que tudo. Porque era a vida de todos eles que estavam nas mãos dela, nas táticas e em tudo o que ela podia aprender.

Talvez fosse por isso, então, que Pansy a tenha encontrado devorando livros sobre etiqueta bruxa depois do jantar — ao qual Hermione não compareceu. Ao vê-la ali, a bruxa de cabelos pretos piscou, surpresa.

— O que você está fazendo? — perguntou.

Hermione olhou para cima do livro que lia — A Sociedade Bruxa para Nascidos Trouxas — e olhou para ela, piscando por um momento antes de responder:

— Eu pensei em fazer alguma pesquisa sozinha hoje à noite. 

Pansy olhou para ela estranhamente e então para o livro, mexendo em algo que estava em seu pulso. Hermione notou que era a pulseira roxa que simbolizava o luto pelos pais dela.

— Tudo bem — Pansy suspirou, parecendo desagradada de ter companhia no que normalmente era seu abrigo depois do jantar, o lugar onde ela ia para ficar sozinha. Hermione engoliu em seco, hesitando entre sair e continuar ali.

— Eu voltou outra hora — falou ela afinal, deixando o livro de lado, e fingiu não ver a gratidão brilhando nos olhos negros de Pansy. Quando Hermione estava na porta da biblioteca, no entanto, ela se virou de volta para a outra garota — Posso te fazer uma pergunta, Pansy?

A bruxa pareceu surpresa novamente, mas assentiu, concordando com cautela.

— Por que você aceitou fazer parte disso? — Hermione perguntou, respirando longamente. — Quero dizer... Você tem todas as razões do mundo para querer os trouxas dominados ou mortos.

Se Pansy estava surpresa que Astória tivesse compartilhado sua história, ela não transpareceu, apenas pensou por algum tempo, os olhos vagando para a lareira acesa, que iluminava boa parte do lugar, além de aquecê-lo. 

O inverno, pensou Hermione por um momento, estava chegando, e com ele, a primavera. A temporada começaria na primavera, o que queria dizer que seu tempo definitivamente estava acabando. O pensamento lançou uma onda de ansiedade pela corrente sanguínea de Hermione.

— Eu faria muita coisa pelo Draco. — Pansy respondeu então, os olhos ainda perdidos nas chamas da lareira enquanto seus olhos negros pareciam refletir toda a luz do fogo. — Ele me salvou quando meus pais estavam condenados. Ele me ajudou através da dor, junto com Astória, é claro. Mas a verdade é que, por Draco, o mundo seria um lugar melhor. Ele sonha em transformar todo o nosso mundo em um lugar como Mangata.

Hermione piscou.

— E você tem o mesmo sonho?

Pansy balançou a cabeça, sorrindo tristemente.

— Eu vejo o mundo como ele é, assim como o Draco, mas não sonho como ele. Não sou esse tipo de pessoa. — Foi a resposta de Pansy. — Eu não sei exatamente quando ele se tornou assim, ou se ele sempre foi assim, mas éramos crianças demais para entender a força desse tipo de sonho, desse tipo de esperança inquebrável no mundo. Realmente não sei dizer.

— Mas...

— Mas esse tipo de esperança é contagiante. — disse Pansy com um sorriso para o fogo. — Os sonhos dele nos faz acreditar e... Eu nunca vi alguém como ele, Hermione.

— Então você aceitou fazer parte disso...

— Porque o mundo com o que Draco sonha vale muito mais que o ouro e as jóias, vale muito mais para mim do que vingança. — Pansy disse, voltando os olhos para ela e Hermione se viu subitamente esmagada sob o peso do olhar cheio de brilho da bruxa a sua frente — O mundo com que ele sonha me dá direito de amar quem eu amo. E isso é a coisa mais importante para mim no mundo. Então eu aceitei fazer isso com Draco porque estou cansada de me esconder, cansada de fingir ser algo que eu não sou. Eu quero amar muito mais do que quero odiar.

————————————

Pelo resto da noite, Hermione pensou sobre o que Pansy falara, incapaz de não pensar naquelas palavras. O Draco que sonhava como Pansy falara — ela o vira algumas vezes através dos anos em Hogwarts. E vira aquilo em algumas outras coisas ultimamente: memórias que voltaram para ela como um soco, desveladas daquela máscara que ele usava tão cruelmente.

Primeiro, em seu primeiro ano, quando Hermione fora pesquisar sobre o basilisco. Aquela página rasgada no meio do livro — que não pertencia àquele livro — com a palavra canos escrita em uma caligrafia bonita e forte. 

A mesma caligrafia de Draco. 

Ele sabia, sempre soube. E talvez não pudesse avisar por causa de seu pai, mas sabia que ela iria achar a resposta. Ou alguém, pelo menos. Ele sabia que alguém olharia aquele livro empoeirado que ninguém nunca pegava e acharia a resposta ali dentro.

Então quando ele os provocou na Copa Mundial de Quadribol, quando ele os mandara em direção à floresta logo antes que mais Comensais da Morte chegassem perto do lugar onde conversado. Então na Mansão Malfoy, quando ele dera a própria varinha para Harry. Ela poderia estar tão errada sobre ele? Sobre o valor dele?

Hermione não conseguia decidir.

Algumas crueldades dele pareciam ser despropositadas e feitas apenas para uma diversão maldosa, mas outras... ela podia ver um menino que sonhava nas feições dele quando se lembrava daqueles acontecimentos. Podia vê-lo lutando para ser algo que não era. Para não se deixar engolir pela maldade — e ainda assim sendo coroado nela.

— Você está pensando alto demais, você sabe. — Draco disse, sentado ao lado dela em frente à lareira. — Quer me falar sobre isso? Eu ofereço um sicle.

Hermione rolou os olhos diante da gracinha de Draco, mas sorriu suavemente.

Eles tinham tornado aqueles encontros, naquela sala, algo permanente, como rotina, e se reuniam sempre que a casa ia dormir, depois de Draco fazer uma ronda de segurança. Ele bateria na porta do quarto de Hermione e então eles rumariam para aquela sala pequena e aconchegante onde a mãe dele guardara o toca-discos.

Algumas vezes, eles ficavam em silêncio, apenas lendo ou aproveitando a companhia enquanto o sono não vinha pegando-os pelas mãos. Outras vezes, eles conversavam. As vozes baixas sob o estalar constante da lareira. 

Hermione não respondeu a insinuação imediatamente e Draco não a pressionou, apenas esperou para ver se ela falaria. Ela sabia que, se não falasse, ele não tentaria novamente até que ela quisesse falar. Sabia que ele mudaria de assunto ou retornaria ao silêncio. Mas que bem fazia esse silêncio? Todas essas perguntas não respondidas dentro dela demandavam resposta... exatamente como antes da guerra, percebeu Hermione, baixando os olhos para as próprias mãos ao piscar, surpresa.

Ela queria saber, estava curiosa. E talvez tenha sido o choque que a impulsionou a falar:

— Eu estava me perguntando o que fez você decidir lutar contra o Lorde das Trevas. — Chamá-lo assim deixava um gosto estranho na boca de Hermione. Ela não gostava nem um pouco de pensar em Voldemort como Lorde. Especialmente porque ele não fazia ideia do que eram as Trevas de que ele tanto se exibia.

Draco franziu a testa para ela, não por desagrado — Hermione percebeu —, mas considerando a pergunta, assim como ela. Pesando a própria resposta.

— Eu falei para você que minha irmã morreu quando eu tinha nove. — Ele disse e havia uma tristeza tão tranquila em seu rosto que retorceu o estômago de Hermione. — Quando eu era pequeno, ela era como um cachorrinho me seguindo para lá e para cá sem parar. Ela sempre queria visitar o mundo trouxa, mas meus pais nunca permitiram. Mas quando ela estava morrendo, depois do acidente, eles a levaram até lá. E a mim. Brianna e eu brincamos o dia inteiro em um parque com as outras crianças e naquela noite ela me falou no quanto queria que aqueles... amigos... que fizemos soubessem a verdade sobre nós. O quanto ela queria que pudéssemos viver juntos, como em Mangata.

Draco engoliu em seco, os olhos cinzentos brilhando com lágrimas silenciosas que ele não tinha nenhuma vergonha em derramar diante dela. E Hermione conteve o instinto de estender a mão e secá-las. Ela se forçou a permanecer imóvel e então Draco continuou:

— Aquela ideia, aquele desejo que Brianna me confiou... aquilo cresceu dentro de mim ao longo dos anos. E sim, eu ainda me comportava como um idiota, eu sei, mas nunca deixei de pensar em um mundo como o que minha irmã queria. — Draco pausou — Eu só compreendi que um mundo em que ela e aqueles que eu amo teriam liberdade e felicidade para ser e amar cobrava um preço quando o Lorde das Trevas voltou. Aquele desejo se apagou dentro de mim por um ano inteiro antes que eu me forçasse a acendê-lo de novo.

— Por quê? — perguntou Hermione em um sussurro, mal ousando interrompê-lo.

— Porque a perspectiva de construir esse mundo é a única coisa que me fazia levantar de manhã. — Draco disse, a voz rouca com a emoção que lhe apertava a garganta. — Então eu encontrei Blás, Theo, Pansy e Astória. E esse sonho é a única coisa que dará à eles o mundo que eles merecem. E eu me tornaria um monstro para dar isso a eles. Talvez já tenha me tornado.

Hermione piscou, tentando afastar a ardência em seus olhos, tentando entender tudo o que rugia dentro dela. Tudo o que ela lentamente estava entendendo sobre Draco Malfoy. Hermione estendeu a mão e agarrou a dele em cima do sofá, apertando o tanto quanto podia ao se permitir falar:

— Eu passei os últimos cinco anos presa em um ninho de monstros, Draco. E nenhum deles tem a menor ideia do que é sonhar desse jeito. Amar desse jeito. — Hermione pausou, sem olhar para ele, apesar de saber que ele a encarava. — Você não se tornou um monstro.

Ele ficou em silêncio por uma quantidade incalculável de tempo, a madeira estalando na lareira entre eles sendo o único som que os envolvia. Então, Draco apertou a mão que Hermione segurava e falou com a voz fraca:

— Obrigado. — Hermione não respondeu, apenas assentiu e esperou. Ao final, Draco perguntou: — Por que você me perguntou isso?

— Porque eu queria ter um pouco da esperança que você e os outros parecem ter. — Disse Hermione afinal, depois de alguns segundos de silêncio. Compartilhar aquele tipo de coisa não era uma tarefa fácil, mas Draco havia feito aquilo, havia compartilhado um coisa extremamente íntima. Era justo que ela fizesse o mesmo. — Porque eu queria entender o que faz vocês lutarem dia após dia, sempre indo em frente quando falham. Eu falhei na guerra, falhei com Harry, com Rony e com todos os outros. Falhei com Gina e os outros Weasley quando não fui capaz de achar um jeito de sair... e eu não consigo nem pensar em falhar com isso, Draco.

— Você nunca falhou com eles, Hermione. — As palavras de Draco eram gentis, mas firmes. Ele realmente acreditava nisso. — Nem uma vez. Gina pode te assegurar isso.

Hermione balançou a cabeça, negando.

— Não quero que eles saibam. — Ela falou. — Nenhum deles.

Nem mesmo Hermione sabia o motivo disso, desse segredo que ela mantinha de seus amigos mais queridos. Draco suspirou ao lado dela e disse

— Tudo bem. Eu não vou contar.

E aquilo, por alguma razão, significou tudo para Hermione.



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