História Algo sobre empadas roubadas. - Capítulo 1


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jeongguk (Jungkook), Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin)
Tags Aosomdecalcinhapreta, Aosomdedjavu, Bts, Crack!fic, Taekook, Vkook
Visualizações 65
Palavras 7.170
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Fluffy, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Heterossexualidade, Homossexualidade
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Eu de novo com mais uma crackfic kkk
Boa leitura ;)

Capítulo 1 - Capítulo Único


Algo sobre empadas roubadas.

– JUNGKOOOOOOOOOOOK! - Ouvi o ser humano que estava usando o meu precioso banheiro me chamar.

– O QUE FOI? - Gritei em resposta, ainda no meu quarto já que a distância entre os dois era bem pequena.

– A MERDA DESSE CHUVEIRO NÃO ESQUENTA MAIS QUE ISSO NÃO? QUANTO MAIS EU LIGO MAIS FRIA A ÁGUA DESSE TROÇO FICA! 

Oh, Deus! Me dê paciência para suportar isso.

Respirei fundo e respondi ao desesperado que aparentemente nunca usou um chuveiro de gente humilde (pobre).

– É ASSIM MESMO, CRIATURA. PRA ELE FICAR QUENTE VOCÊ NÃO PODE LIBERAR MUITA ÁGUA.

– SÉRIO ISSO? QUE COISA MAI...

– MAS NÃO DEIXA MUITO TEMPO LIGADA OU MUITO QUENTE SE NÃO O CHUVEIRO QUEIMA, ENTENDEU? - Avisei meio desesperado. Se ele queimar ou quebrar qualquer coisa nessa casa o Yoongi me mata.

– NÃO PODE LIGAR MUITO NEM PODE DEIXAR MUITO QUENTE. É MAIS FÁCIL NÃO TOMAR BANHO!

– TOMA TEU BANHO QUIETO, VAI. - Falei encerrando o assunto.

Enfim ele começou a tomar banho, tive certeza disso quando ouvir uma música da banda Djavu começar a tocar lá dentro do banheiro. 

Ah, então agora é essa a música que não sai da cabeça dele e ele tem que ficar escutando e escutando...

Voltei a arrumar minhas roupas no armário, mas logo vi a toalha dele ao lado das roupas que estavam na cama. 

E pela segunda vez ele esqueceu a toalha na cama...

Fui até o cubículo minúsculo que chamamos de banheiro levando comigo a toalha dele.

– Vê se não esquece a toalha no quarto! Pelo amor de Deus! Você sabe como o Yoongi fica quando tu anda pelado pela casa. Ele vai me matar se isso acontecer de novo.

Falei irritado, mas quem disse que ele ouviu? Lá dentro do box ele tava concentrado em seu "show". Só faltava dançar enquanto cantava a música da banda Djavu. 

Ver isso fez a minha irritação ir embora. Comecei a rir, mas então notei o celular dele na pia. Pensei em parar a música porque com certeza o Yoongi tava lá da cozinha ouvindo ele cantar. Só que eu não queria acabar com a felicidade do garoto. Então apenas saí, fechei a porta e deixei ele lá em seu "show" solo.

Voltei pro meu quarto e mesmo com a porta fechada eu ainda podia ouvi-lo cantar.

Ah, isso vai ser difícil!

Terminei de arrumar minhas roupas no armário para dar espaço pra roupas do chato que cantava no banheiro e então fui até a cozinha pra preparar o café - isso se o Yoongi não me matar assim que me vê...

Entrei na cozinha e quase tive um ataque cardíaco por causa do que vi. Yoongi preparava algo no fogão, mexendo uma colher dentro de uma frigideira, enquanto cantava a música que tocava no banheiro e dançava balançando os pés e os quadris de um lado para o outro meio tímido, mas muito distraído:

– Quando escuto esse som que é um show de arrasar 

    Impossível resistir essa vontade de dançar.

    Eu acho que vou me apaixon-

Ele parou assim que me viu, desfazendo o sorrisinho que tinha quando dançava.

– Precisamos conversar! - Ele falou de forma muito séria e parecendo bravo (nem parecia que tava cantando e dançando uma música da banda Djavu segundos antes).

– Olha, eu posso exp...

– JUNGKOOOOOOOK! ONDE TÁ A MINHA ESCOVA?

– Quanto tempo vou ter que aguentar isso? Hen? - Yoongi perguntou ao soltar de forma brusca a panela dentro da pia. Ele se referia ao garoto.

– Koooooookie. Eu tô com fome. Oh, bom dia, hyung. - O cantor de chuveiro entrou na cozinha, aparentemente não notando o que acontecia ali. Seu cabelo loiro estava molhado e o pior, ele tava só com uma toalha em volta da cintura. 

Ah, é agora que eu morro.

– Bom dia? Péssimo dia! Afinal, o que significam aquelas malas enormes na porta da sala? - Yoongi estava se contendo pra não explodir ali.

– Hyung, é que... É-é, sabe... É uma situação meio delicada, sabe...

– Não, não sei. A única coisa que eu sei é que eu espero que isso tudo, - ele apontou para o garoto ao meu lado – não seja o que eu estou pensando que é. - Yoongi disse de forma controlada.

Olhei os arredores da cozinha e vi que não haviam facas acessíveis e que Yoongi hyung estava longe da gaveta que continha esses objetos.

– Hyung, sinto muito, mas é isso mesmo! - Falei de vez, quase chorando, mas falei. Peguei uma frigideira limpa que estava em cima do pequeno balcão que separava eu e Yoongi e usei o objeto como escudo para me proteger se ele me atacasse.

Yoongi deu um soco de leve no balcão, - me tremi todo - fechou os olhos e respirou fundo antes de falar:

– Me digam claramente o porquê de tudo isso e...

– Hyung, relaxa. Não é nada de mais e você deveria ficar feliz, terá minha companhia por quase as 24 horas do dia. - O pelado do pedaço resolveu abrir a boca, falando de forma divertida e até um pouco inocente (era melhor ele não ter dito nada), ele havia sentado no banco em frente ao balcão e agora comia o café da manhã do Yoongi e então eu tive certeza de seria assassinado naquele momento.

– AH, QUE ÓTIMO! QUE MARAVILHA! - Yoongi começou berrando e nós olhamos para ele de forma assustada. – Ter você aqui todos os dias, pelado e com suas músicas de ALTA QUALIDADE será ÓTIMO! Sem mencionar as crises existenciais que são a parte que eu mais gosto. - Ele falou transbordando ironia e raiva.

Depois de uma risada debochada o cantor de chuveiro respondeu:

– Devia parar de ser Hipócrita, Min Yoongi! Fala das músicas que escuto, mas é o primeiro a dançar quando elas tocam. - Eu concordei internamente, isso era uma verdade das mais verdadeiras. Mas Yoongi nunca admitiria.

– Não pensei que sou como você! Como pode dizer que eu danço ao som desse tipo de coisa?! Você não ous...

– Com certeza você não é como Eu! Nunca que eu diria um absurdo desse! E você, "hyung", devia ter vergonha de ser tão mentiroso. O mundo sabe que Min Yoongi escuta Djavu, escuta Calcinha preta. O Mundo SABE! - O doido de toalha gritou pro prédio todo ouvir.

– MOLEQUE ATREVIDO! CONTINUA ME CALUNIANDO PRA VOCÊ VER! VOCÊ ME PA...

E aí o barraco rolou solto. Eles se ofendendo de uma forma que nem ofensa era, numa discussão sem o menor sentindo onde os dois diziam coisas bobas e eu sofria no meio por causa da gritaria.

E pensar que tudo isso está acontecendo por causa do roubo de algumas empadas e salgados...

1 ano atrás 

Foi há um ano, no início de uma noite de sexta feira. Para mim era apenas mais uma noite de trabalho onde eu vendo lanches no meu carrinho próximo de um ponto de ônibus numa rua agitada de São Paulo.

Tudo estava normal. Jimin chegou por volta das 17:30 e sentou na mesa que levo junto ao meu carrinho de lanches. Servi a ele o de sempre, uma coca cola e três empadas. O movimento do local estava baixo então me juntei a ele na mesa e como sempre escutei suas reclamações sobre o trabalho e a faculdade.

Eu e Jimin estávamos completamente distraídos enquanto conversávamos, eu ria das desgraças que ele contava que aconteciam com ele e ele me xingava por isso.

Nada fora do lugar, tudo como sempre. Até que Jimin ficou com uma expressão assustada com a boca aberta cheia de empada e eu fiquei confuso.

– Que foi? Jimini o que foi? - Eu perguntava e ele não dizia nada, continuava a olhar assustado para algo.

– Juuu-Jungkook! - Ele tentou falar, mas a boca dele tava cheia demais. Eu estava de frente para ele e de costa para o meu carrinho e quando ele deu sinal de vida começou a indicar de forma desesperada que eu olhasse para trás, ou seja, para o meu precioso carrinho.

– O-o quê?! - Sou meio lerdo então demorei pra capitar a mensagem. Aí Jimin empurrou meu ombro várias vezes para que eu olhasse logo na direção que ele olhava.

Quando vi o que acontecia fiquei completamente chocado. Eu não acreditava no que estava acontecendo e meu corpo paralisou.

Um garoto alto estava ATACANDO as coxinhas e empadas que eu havia acabado de fazer. O compartimento em que guardei os salgados para manter a temperatura quente estava completamente aberto e o doido estava com as mãos cheias, ele enfiava muitos salgados na boca e esses salgados caiam aos pedaços quando não cabia tudo dentro da boca dele. Notei também que ao encher a mão ele acabava por amassar os salgados na tentativa de fazer caber tudo.

Eu ainda não me mexia, tudo aquilo havia me desestabilizado totalmente. Então Jimin cutucou meu braço me fazendo "acordar".

– Faz alguma coisa! Ele ainda não nos viu.

Aí eu finalmente agi. Peguei o taco de basebol que escondo em baixo da mesa em que estávamos e me levantei.

O arrastar da cadeira em que eu estava provocou um barulho que foi ouvi pelo garoto. Ele parou na hora e me encarou.

Olhei bem pro rosto dele até me certificar de que nunca mais me esqueceria dos traços daquele criminoso. Mas o que vi me surpreendeu de uma forma que me fez paralisar de novo.

O garoto estava com os olhos arregalados, a boca estava tão cheia que seu rosto parecia com o rosto de um esquilo que guardou uma noz gigante em cada bochecha e as mãos cheias e sujas estavam dentro do compartimento ainda segurando muitos salgados. 

Só que não foi isso que me assustou.

Os olhos esbugalhados do garoto me permitiram ver a cor castanha mel deles. Já o cabelo era de um loiro muito claro e brilhoso, num corte tão bonito que dava até a impressão de que ele havia acabado de sair do salão.

Na verdade, parecia que ele havia acabado de sair se um Spa ou de um shopping. Ele vestia uma camisa social um pouco larga e aparentemente muito cara, também estava usando uma gargantilha e nos pulsos haviam umas 3 ou 4 pulseiras bem simples mais um tanto brilhantes.

Era um lindo garoto. Um lindo garoto que estava ROUBANDO OS MEUS SALGADOS!!!!!

Tudo aquilo havia me horrorizado. 

E eu não acreditei no que estava acontecendo pq...

Era isso mesmo? Um cara rico tava me roubando?

Eu não tava entendendo nada. Ou o cara tava drogado ou ele era um ladrão profissional e havia roubado o shopping inteiro e naquela hora, pra comemorar, tava roubando os meus salgados.

– EI! O QUE PENSA QUE ESTÁ FAZENDO??!!! - Berrei já descontrolado.

O garoto encheu mais a boca e eu corri até ele com o bastão em mãos. Vi quando ele encheu mais a mão com salgados e depois saiu correndo. E eu fui atrás é claro.

– Jimin! OLHA O CARRINHO PRA MIM, EU JÁ VOLTO. - Falei pro Jimin, o filho da puta do jeito que é ainda tava comendo as empadas dele enquanto tudo aquilo acontecia.

– VOLTA AQUI SEU CRIMINOSO! - Sai correndo atrás do doido com o bastão na mão.

Eu segui o cara por apenas uns 3 minutos porque depois ele entrou num beco e sumiu. Ainda assim fiquei um tempo procurando ele, mas aí uns seguranças de um condomínio rico próximo ao local vieram falar comigo dizendo que tinham pessoas assustadas por eu estar com o bastão na mão.

Só me restou voltar pro meu carrinho. E foi aí que eu me desesperei.

Pensei no meu carrinho e como ele deveria estar naquela hora. Corri o mais rápido que pude na volta e quando cheguei, infelizmente, Jimin me recebeu com uma grande cara de enterro e então eu quis chorar.

– Jimin! Como tá tudo aí? - Perguntei me aproximando.

Jimin apenas balançou a cabeça em negativa e quando cheguei perto pousou a mão em meu ombro em sinal de consolo e eu soltei o bastão no chão.

– NÃO!!! - Gritei em desespero ao ver todo o estrago que aquele psicopata loiro tinha feito.

Tudo estava estragado. Pedaços de empada, coxinha e outros salgados por todo lado. Não tinha nada inteiro, tudo mordido ou amassado. Haviam poucas empadas destruídas, então ele roubou mais delas do que de outros salgados. 

Tudo aos pedaços, o trabalho inteiro de uma tarde aos pedaços. Tudo desperdiçado e um prejuízo enorme pra mim.

Fiquei desolado. Sentei no chão ao lado do carrinho e apertei com força meus cabelos.

– Jungkook... Eu sinto muito. - Jimin falou tentando fazer eu me levantar, o que foi em vão.

– MAS POR QUE INFERNOS NINGUÉM IMPEDIU AQUELE MANÍACO? - Gritei tremendo de raiva.

– Jungkook, calma. Não tem ninguém aqui por isso ninguém o impediu.

Olhei ao redor e, realmente, a rua estava completamente vazia.

Só que em breve ela ficaria bem movimentada e isso me fez lembrar de algo que me deixou ainda mais desesperado. Levante rapidamente e comecei a arrumar o carrinho pra ir pra casa.

– Jimin, me ajuda a arrumar as coisas pelo amor de deus! - Eu falava desesperado.

– T-tá. Mas por que todo esse desespero? - Jimin perguntou, notei que estava preocupado.

– Jimin do céu! Que horas são?!! - Eu perguntei enquanto tentava parar de tremer para guarda tudo corretamente.

– S-são 18:20. Por qu-

– Aí, meu Deus du céu!! Ela vai chegar a qualquer momento!

A rua começou a encher, pessoas estavam andando por todo lugar e várias manadas de estudantes vinham em direção ao ponto de ônibus.

Estava tudo dando errado e aparentemente a minha saída dali também iria dar errado.

– Ela quem, meu filho?! - Jimin perguntou ficando desesperado também. Acho que eu estava afetando o coitado do menino.

– A...

– Jungkook-ssi? - E ela chegou.

Eu ainda tentava fechar o compartimento com os salgados estragados quando ela chegou. Estava atrás de mim e eu mal consegui ter forças para encara-la.

A garotinha do último ano do fundamental de uma escola a poucos metros de onde eu vendia meus lanches que, se não me engano, tinha por volta de seus 14 anos estava como sempre. Ela carregava uma enorme mochila, que eu sabia estar cheia de livros, se vestia como qualquer adolescente, tênis all star azul, calça jeans preta e por baixo do casaco preto camiseta do anime Assassination Classroom, um pouco maior para seu tamanho. Seu cabelo preto, de tamanho comprido, embora fosse liso estava um pouco bagunçado. Ela arrumava sua franja e os óculos de grau no rosto. Ela estava cansada, isso era bem aparente. Era uma grande nerd, da melhor forma possível. Sua aparência era muito bonita, mas a boa personalidade a deixava linda.

E mesmo a conhecendo pouco, meu coração se partiu por ter que dizer que o que ela queria não tinha naquela noite.

Ela já tinha me dito: uma das poucas coisas que a faziam feliz era comer uma empada ou uma coxinha no meu carrinho. Ela estudava muito e não tinha muito tempo pra se divertir com o que gostava, então comer no meu carrinho nas sextas feiras era como um consolo para sua solidão e como um brinde para seu começo de final de semana que significava um pouco de descanso.

Tive vontade de chorar quando vi seus olhinhos em expectativa esperando minha resposta.

– O-oi! - Falei trêmulo.

– Estamos fechando. - Jimin falou e eu tomei um susto. Ele terminava de arrumar o carrinho quando falou.

– O-o quê? - Ela perguntou para mim, totalmente tímida e eu tive vontade de matar o Jimin.

– É-é que eu tive um imprevisto e tenho que voltar logo para casa, então estou encerrando agora. Me desculpe, por favor. - Pedi triste. 

– Ah tá, tudo bem. - Ela sorriu simpática.

– Na segunda eu estarei aqui. Prometo! - Disse convicto.

– Ok. Boa noite, Jungkook-ssi. - Ela se despediu sorrindo educadamente.

– Tchau! Não se esqueça de passar aqui na segunda! 

Ela apenas acenou com a cabeça e se dirigiu ao ponto de ônibus.

– Tchau, lindinha. - Jimin se despediu também e vi que ela ficou um pouco surpresa - até eu fiquei, nem pareceu que ele tinha sido meio mal-educado com ela segundos antes - e apenas mandou um tchazinho pra ele.

De qualquer forma, tivemos que falar o mesmo para todos os outros estudantes que vinham animadamente até meu carrinho enquanto arrumávamos as coisas para sair: Hoje encerramos mais cedo.

Triste...

– Pronto, você pode ir agora.

– Ah, valeu Jimin. - Eu agradeci e me encostei no carrinho me sentindo pra baixo, decepcionado, desesperado... Eu tava totalmente na merda. 

– Kook... Não se preocupa, tudo vai se resolver. - Jimin tentou me animar. 

– Não, não vai. Agora que terei problemas. - Falei cobrindo meu rosto com as mãos. Naquela hora eu tive vontade de me trancar num quarto escuro e não sair mais.

– Olha, se você fazer as contas direitinho, verificar seu prejuízo e separar tudo, vai conseguir cobrir isso. Tenho certeza que você consegue, você tem muitos clientes e... - Jimin hyung ficou lá falando, falando e falando, mas ele não sabia de nada. Eu sou péssimo nesse negócio de "fazer contas", e por isso estava até o pescoço de dívidas.

– Valeu por me ajudar, hyung. Mas é que eu tô com tanta dívida que as vendas de hoje iriam salvar a minha semana. Só que agora que tudo foi estragado eu terei que fazer outro empréstimo no banco pra pagar o meu cartão e pra poder comprar tudo que eu preciso pra fazer os lanches pra próxima semana. Eu tô numa merda muito grande, hyung. - Desabafei quase chorando (que vergonha T-T)

– E-eu sinto muito, Kook-ah.

– Mas de uma coisa eu tenho certeza, eu irei encontrar aquele filho duma prostituta mentirosa acabada, maníaco, psicopata, criminoso safado nem que seja a última coisa que eu faça na minha vida, nem que eu tenha que pagar por isso. Eu juro que aquele filho do satã vai me pagar!!! 

Minha promessa estava feita e eu iria cumpri-la.

Fiquei tão mal que nem fui pra faculdade naquele dia.

Em casa eu contei para o Yoongi hyung o que aconteceu e ele quase se mijou de tanto rir da minha cara.

Só fiquei mais pra baixo e com mais vontade de dar uma lição naquele sujeito.

No sábado eu fiz meu décimo empréstimo no banco, chorando pra caramba, mas fiz. Comprei tudo que precisava para as vendas de segunda e TENTEI organizar tudo, mas ainda assim tinha certeza que só estava me endividando mais.

Mas eu não iria deixar aquele bandido sair ileso. Prometi que quando o encontrasse lhe daria uma lição e eu também faria ele arcar com todas as despesas que ele me deu.

Por isso, na segunda feira passei o dia todo de olhos bem abertos na procura pelo garoto doido que atacou o meu carrinho.

Eu não o encontrei naquele dia, mas pelo menos tudo ocorreu bem. A garotinha passou lá depois da escola, ela não pôde ficar para comer porque tinha algo para fazer em casa, então preparei suas empadas para ela levar e ainda coloquei, sem que ela soubesse, um sanduíche com o pão que ela mais gosta, - Ela ama pão, diria até que é viciada - esse foi o meu pedido de desculpas por não ter as empadas, que ela ama tanto, dias antes.

Os outros estudantes também me perdoaram por aquele dia e o dia terminou bem.

A vida voltou ao normal, e o normal dessa minha vida era eu trabalhar pra caramba e viver em dívidas. E esse fato não me deixaria esquecer o ser, que dizem ser humano que, me deu altos prejuízos.

6 dias se passaram desde o que havia ocorrido e eu não tive sinal algum do cara que eu procurava. Pensei em deixar pra lá, mas as mensagens que o banco enviava dizendo a data do vencimento do meu cartão e dos meus boletos, principalmente o da mensalidade da faculdade, não me deixavam dormir.

Até que na sexta seguinte, exatamente uma semana depois, eu vi algo, quero dizer, alguém que me chamou muita atenção.

Ainda era muito cedo, por volta das 8 da manhã, eu passava com meu carrinho perto de um grande prédio espelhado, sabia que ali era uma grande empresa, mas não lembrava do que ela se tratava. Vi várias pessoas, todas muito bem vestidas em ternos ou roupas sociais caras, entrarem no prédio. Tive que parar meu carrinho antes de passar em frente ao prédio porque os funcionários entravam praticamente em manadas. Esperei que todos passassem e enquanto o faziam os observei bem durante o pequeno percurso. Não sei se era por causa do horário ou da manhã fria e nublada, mas nenhum deles sorria. Todas possuíam a mesma expressão de mau humor, não cumprimentava uns aos outros ou conversavam, apenas seguiam seu caminho em direção ao prédio. Pude notar alguns me olharem enquanto passavam, os olhares deles de desprezo sobre mim não me atingiam mais. Eles olhavam por um breve momento e depois empinavam o nariz como se tivessem se arrependido de ter olhado. 

Ah, aquelas pessoas... Todas pareciam muito infelizes. Mas uma delas parecia muito mais infeliz.

Um jovem homem vestido em um terno que parecia custar uns dois carros e segurando uma fina pasta, seguia em direção à entrada do prédio como se estivesse indo pra forca. Sua expressão era fechada e sombria e ele caminhava lentamente, parecendo querer adiar sua entrada.

Sua expressão triste me chamou tanta atenção que eu não reparei em outros detalhes muito importantes. E então, pouco tempo depois eu vi... Pulseiras e anéis brilhantes e um cabelo loiro muito bem cuidado. Era Ele! Ou não era?

Será mesmo?

Acho que nunca tive uma dúvida tão grande como aquela. Como um cara como aquele poderia fazer o que fez? Ou melhor, por que o fez?!!

Paralisei no momento em que cogitei a possibilidade de ser ele ali e quando ninguém mais passava ali e o caminha estava liberado para mim, eu permaneci parado.

Se aquele era o mesmo ser humano que atacou meu carrinho uma semana antes então ele era doido ou drogado.

Segui meu caminho pensando no que deveria fazer para ter certeza de que aquele era ou não era o desgraçado que atacou meus salgados.

Eu não sabia o que fazer. Passei o dia todo distraído, pensando em como deveria agir e por isso quase entreguei troco errado duas vezes. 

Pensei em mudar meu ponto de vendas, em ir vender meus lanches lá do lado daquele prédio só pra ficar de olho naquele cara. Mas eu sabia que aqueles funcionários arrogantes me fariam sair dali. Então, essa não era uma opção.

Eu tinha que fazer algo...

Na segunda feira eu ainda não tinha conseguido encontrar uma forma de achar o tal cara. Sem ter noção do que fazer, a única coisa que me veio à cabeça foi procurar saber sobre a "rotina" dos funcionários daquele prédio. 

Pesquisei na internet e descobrir que aquela era a empresa Kim, uma exportadora de frango. No caso o prédio era a sede onde eles resolviam os contratos e negócios nacionais e internacionais entre outras coisas que eu não entendia porque estudo artes, não negócios.

Isso não me ajudou muito. Saber do que a empresa se tratava não me forneceu informações sobre o horário dos funcionários.

Eu tinha que encontrar aquele cara.

Para prosesguir com minha pesquisa, no dia seguinte por volta das 11 horas eu fui vender meus lanches ao lado daquele prédio. Minha intenção era só observar quando os funcionários saiam pra almoçar ou coisa do tipo, na esperança de ver o loiro doido de novo. 

Até que eu vendi bem por aqueles lados, passava bastante gente e mesmo não conhecendo meus lanches as pessoas compraram e até elogiaram. Pelo menos eu não perdi vendas por não estar no meu lugar de sempre. Mas ninguém saia do prédio, já era por volta de 12:30 hr e eu não podia ficar ali por muito tempo. Já tinha perdido o horário de saída da escola que ficava ali perto e eu não podia perder o próximo horário de entrada. Os estudantes eram como meus clientes fiéis, por isso os horários de entrada e saída da escola eram tão preciosos pra mim. 

Quando deu 13:00 eu já tava retirando meu carrinho dali, até que vi uma única pessoa sair daquele prédio. E quem era essa pessoa?

O loiro corria rápido com um sorriso no rosto. Vi ele virar uma esquina e o perdi de vista.

Ele parecia até os alunos que eu via todos os dias na hora da saída da escola.

Enfim pude voltar para o meu ponto. Eu acabei pensando em algo para encurralar o tal cara pensando em pôr em prática a ideia depois, mas surpreendentemente algo a mais aconteceu.

Pra resumir, Jimin foi demitido e eu dei um bico pra ele no meu carrinho. O que ele tinha que fazer era ficar no meu lugar das 13 às 14 da tarde - sei que isso nem um trabalho é, mas eu não tinha dinheiro pra pagar ele. Enquanto ele ficava lá eu ia até a esquina do tal prédio. Levei comigo uma grande bolsa térmica com meus salgados pra vender lá. Isso durou uma semana, observei bem o tal loiro por uma semana e consegui até descobrir alguns detalhes.

Ele era o primeiro a sair, sempre saía animado e com muita pressa. E ele comia em um restaurante caro que tinha ali perto, sempre sozinho. 

Meu plano era: na próxima semana eu iria aborda-lo na hora de seu intervalo.

PORÉM, o que aconteceu foi que:

Eram 18:40 da sexta feira da semana em que comecei minha pesquisa, exatamente duas semanas depois do infeliz ataque. Eu andava com pressa empurrando meu carrinho, tinha apenas uma hora pra chegar em casa, tomar um banho e ir pra faculdade, como todos os dias.

Eu passava em frente ao prédio quando vi ele sair. 

Uma adrenalina se apoderou de meu corpo, aquela era minha oportunidade de ir até ele. 

Eu ia cobrar todo o prejuízo que aquele desgraçado, maníaco, psicopata me deu.

Ele seguiu até o final da rua, e depois virou à direita. Acelerei meu passou e empurrei meu carrinho com toda a minha força até o cara.

Vi ele entrar em um carro que estava estacionado naquela rua e pensei que tinha perdido minha oportunidade.

Eu tava cansado, aquele carrinho era pesado, empurra-lo deixava meu corpo dolorido e o pior era que eu ainda tinha aula na faculdade.

Por isso quis chorar ajoelhado no chão quando vi o cara entrar naquele carro.

Fique parado lá esperando ele sair e aí percebi que ele só entrou mesmo, não ligou o carro e nem saiu do lugar. 

Pouco tempo depois ele saiu do carro vestido de forma totalmente diferente. Seu terno habitual havia sido substituído por uma larga camiseta branca lisa e por uma larga calça preta de pano fino que ia até seus tornozelos e a pasta executiva foi substituída por uma mochila simples. A única coisa que ele manteve em si foram as pulseiras e os anéis.

Ele trancou o carro e se espreguiçou, sorriu para si mesmo e começou a andar.

Eu não tinha perdido minha oportunidade. Empurrei meu carrinho com toda a força e comecei a fazer o meu "trabalho" pra chamar a atenção do garoto.

– Ó O SALDADO, Ó O SALGADO. TÁ BARATINHO. TEM COXINHA, EMPADA, SANDUÍCHE. Ó O SALGADO. - Eu fui empurrando o meu carrinho até ele e fazendo a minha "propaganda". Eu não costumo trabalhar desse jeito, então tava sendo meio difícil pra mim aumentar a voz.

Ele ia andando na calçada e eu do lado, empurrando o carrinho. Ele me olhou animado, talvez querendo comprar algo, mas acho que me reconheceu porque logo depois ele pareceu assustado, olhou pra frente e começou a andar rápido.

– VAI UMA COXINHA MOÇO?! - Perguntei a ele, já estando ao seu lado.

Ele não me olhou, seguiu andando e apenas respondeu: 

– Não, não. Mas obrigado, moço.

– Ah, sim. Claro. O senhor prefere atacar um carrinho, roubar uns salgados do que pagar por uns, não é? - Falei tentando me controlar pra não o matar ali mesmo.

Ele parou no lugar, diria até que paralisou. Ficou olhando pra baixo e eu fiquei lá esperando.

Parei meu carrinho ao lado da calçada e me coloquei na frente dele. Cruzei meus braços e comecei a falar:

– Olha aqui! Se você pensa que...

Não pude terminar de falar, ele levantou a cabeça bruscamente e seus olhos marejados me calaram. E então ele soltou com força a mochila no chão e começou a berrar.

– EU NÃO AGUENTO MAIS! O QUE VOCÊ QUER?! FALA! EU POSSO PAGAR O QUE TE DEVO!

Fiquei surpreso. Quem deveria estar gritando era eu, não ele.

– ESCUTA AQUI, MEU FILHO! SOU EU QUEM TEM QUE GRITAR AQUI, NÃO VOCÊ! VOCÊ NÃO TEM O MENOR DIREITO DE GRITAR COMIGO. ME DEU O MAIOR PREJUÍZO E AINDA TÁ GRITANDO COMIGO! AH, FAÇA-ME O FAVOR!

E então ele começou a chorar. E eu nunca fiquei tão confuso na minha vida.

Eu não sabia o que fazer pra ele parar de chorar, então pensei em fazer o que sempre fazia quando Jimin chorava.

Respirei fundo e pedi para que ele me seguisse, e ele veio.

Voltei para o ponto em que vendo meus lanches e armei a mesa e as duas cadeiras que trago com o carrinho.

Pedi que ele sentasse e o servi uma latinha de sprite e um sanduíche. 

Me sentei a sua frente na mesa e o encarei por breves segundos, ele mantinha a cabeça baixa e não se mexia.

– Só quero saber porquê. Por que cometeu tal atrocidade? - Perguntei de forma calma e esperei que respondesse.

Passados alguns segundos, ele respondeu:

– Eu não aguento mais... - Ele começou. – É horrível. Eu não quero trabalhar naquela empresa e não quero continuar estudando administração. Eu odeio tudo isso. Aquelas pessoas daquele lugar sempre falam de mim pelas costas. Aliás, todos falam de mim pelas costas: " Olha, não é Kim Taehyung? O filho do dono?" - Ele parou por um instante e riu amargo. – Ou: "Não é ele o melhor aluno da sala?". Estão sempre apontando e comentando. Um simples erro, um pequeno e maldito erro e todos já me cobram. " Por que ele fechou o semestre com 9.9?", "Por que ele não quer se candidatar a diretor?". - Ele parou novamente e secou algumas lágrimas que escorriam por seu rosto. – Eu tenho que ser o melhor em tudo que faço. Sou massacrado quando fico em segundo lugar ou quando minha nota é 9. Sem contar a pressão que sofro por dizerem que só estou naquela empresa por ser filho do dono e que não tenho talento ou força de vontade. E AINDA TEM A MINHA FAMÍLIA! LOUCOS... ME COLOCÃO PRA VENDER FRANGO PROS CHINESES E AINDA QUEREM QUE EU TENHA SUCESSO NISSO! JÁ TENTOU VENDER ALGUMA COISA PROS CHINESES? OU MELHOR, JÁ TENTOU NEGOCIAR ALGUMA COISA COM CHINESES?! É PRATICAMENTE IMPOSSÍVEL!!! 

Eu estava chocado... E com muita pena do coitado, porque eu já tentei vender um único pastel pra um chinês e não consegui, imagina tentar fazer acordo de exportação de frango! Coitado desse garoto. 

Porém, quando ele começou a falar eu achei estranho, mas deixei que prosseguisse pensando que no meu disso ele me diria porque roubou meus salgados. Mas não, ele só falou dos problemas dele... No momento pensei que ele era realmente louco.

– Olha, eu sinto muito, mas... Por que fez aquilo? O que uma coisa tem a ver com a outra?

– Eu estava bêbado e com muita raiva de tudo isso. Naquele dia eu não fui ao trabalho nem a faculdade. Passei o dia bebendo, queria aliviar a pressão que sofria. No início daquela noite eu estava vagueando por essas ruas. Eu sempre faço isso, bebo e depois vou pichar aquele prédio dos infernos. Mas aí eu vi você e seu amigo. Dois coreanos felizes, comendo e se divertindo. Tive inveja. Eu nunca atacaria seu carrinho, só que eu estava muito bêbado. Mal lembrava o que aconteceu no dia seguinte... Acho que tudo veio de uma vez e eu quis descontar em alguém, ou seja, quis fazer mal a você por causa dos meus problemas. Eu realmente sinto muito.

Ele terminou secando suas lágrimas. 

Acho que eu podia escutar as engrenagens da minha mente trabalhando pra processar aquilo tudo.

Tentei não surtar com os fatos de que o cara a minha frente era filho do dono da empresa Kim, a maior exportadora de frango da América; ele era o melhor aluno do curso de administração; ele odiava a própria vida e ficava bêbado todo final de semana; e depois de bêbado ia pichar o prédio de sua própria empresa.

ERA MUITAAAAAA COISA PRA RACIOCINAR.

Ainda em estado de choque, fui até meu carrinho e peguei minha mochila que eu pendurava em um canto. Peguei a nota fiscal onde constava o que eu tinha gastado com os ingredientes dos lanches que ele tinha roubado e estragado duas semanas antes. Eu o entreguei a nota e ele entendeu o recado na hora.

– Claro. - Ele disse e depois tirou de sua mochila um grosso talão de cheques.

Eu guardei a latinha de sprite e o sanduíche em um de meus "pacotes pra viagem" e entreguei a ele quando ele me entregou o cheque.

Aí quando ele levantou pra ir embora eu o chamei. 

– V-você pode voltar aqui quando quiser. Claro, se estiver sóbrio. - Ele pareceu surpreso com o que falei, então acenou com a cabeça e foi embora.

Até hoje eu não sei o que deu em mim pra fazer aquilo, só sei que fiz.

E no momento em que ele foi embora eu pensei que nunca mais o veria de novo.

Só que uma semana depois, em uma sexta feira, as 13:00 da tarde ele apareceu no meu carrinho.

Estava completamente sóbrio, e não sei porque mas automaticamente nós dois nos comportamos como se não nos conhecêssemos.

– O-oi. - Ele falou meio tímido.

– O-olá - Eu tabém não estava muito confortável com a situação, mas algo em mim dizia que eu devia mantê-lo ali.

E adivinhe o que ele pediu? Sprite e sanduíche. E eu o convidei a sentar na mesa em que só meus amigos se sentavam.

– Como você disse que se chama mesmo? - Eu perguntei enquanto ele comia.

– Eu nunca disse. - Ele falou e eu fiquei envergonhado, aí ele riu da minha cara e eu fiquei com raiva. – Kim Taehyung. E posso saber como se chama?

– Jeon Jungkook.

E foi assim que Jeon Jungkook, 23 anos, estudante de artes e vendedor de lanches na rua pra pagar a faculdade, conheceu Kim Taehyung, 24 anos, estudante de administração, herdeiro de uma empresa familiar milionária e, até aquele dia, insatisfeito com a própria vida.

Demorou para que nos aproximássemos - nem sei por que eu queria isso - acho que ele queria ter certeza de que eu não era nenhum interesseiro. Mas eu nunca tive interesse nenhum no dinheiro de Kim Taehyung, desde o começo sempre soube que, do jeito que ele era iria ser deserdado em breve. 

Pelo menos em pouco tempo ele passou a evitar os bares, os trocou pelo meu carrinho de lanches. Fiquei feliz em ver que ele melhorava, ele aguentava com todas as suas forças a empresa e a faculdade e assim ficamos amigos.

Só não sei quando e como ele passou a ir do meu carrinho até o meu quart... Quero dizer a minha casa! É, a minha casa!

A casa toda menos o chuveiro hahaha

(Ele sempre ia embora antes do Yoongi acorda, praticamente saía correndo. Eles não se davam muito bem naquela época.)

Atualmente

Bom, só sei que nós acabamos nos tornando bem mais que amigos e isso recentemente foi descoberto pelos pais extremamente rigorosos do Taehyung.

Ontem tudo estava bem. Era sábado e estávamos eu, Taehyung e Jimin juntos ao lado do meu carrinho. Já eram 21:30 hr, a noite era fria e o movimento na rua era baixo e nós conversávamos tranquilamente sentados na mesa.

O único detalhe era que o Taehyung estava sentado no meu colo. Bom, isso já tinha se tornado normal. Ele era como um bichinho carente e eu não me importava que ele fosse grudento assim. Aí ele estava lá e além de tudo eu abraçava a cintura dele. Jimin estava de boas sentado à nossa frente contando como estava indo no seu novo emprego. 

Estávamos felizes, meu esquisitinho estava bem e Jimin estava contando como sua vida tem ficado melhor.

Até que um carro preto bem grande, parecia ser blindado e tudo, parou ao nosso lado. E eu só escutei o sussurro do Taehyung perto do meu ouvido:

Ferrou...

Ele disse para si mesmo, mas eu ouvi.

Aí uma perua saiu do carro acompanhada de um cara que me lembrava alguém.

– Que pouca vergonha é essa, Kim Taehyung?! - A mulher berrou, o cara berrou também e foi assim que eu conheci os meus sogros e foi assim que o Taehyung foi demitido da própria empresa e deserdado. Foi o maior vexame.

Os pais dele enviaram de madrugada as malas que estão na porta de casa (Como eles sabem o meu endereço se um dia antes eles nem sabiam da minha existência? Bom, isso eu também não sei). Agora, Yoongi hyung não está reagindo bem a isso e o Taehyung ainda tá o provocando.

– VOCÊ ME ESPERA E EU DOU LOGO UM JEITO... - Taehyung cantava uma música da banda (eu acho) "Calcinha Preta" pra provocar o Yoongi.

– EU TE MATO, MOLEQUE! 

– JÁ CHEGA! - Falei já sem paciência. – Yoongi hyung, me desculpa, mas o Taehyung não tem pra onde ir e eu não vou deixar ele ficar debaixo da ponte. Então, ele vai ficar aqui.

– Jungkook- ah, isso não vai dar certo... - Yoongi falou quase chorando.

– Hyung, vamos pelo menos tentar, ok? E não vai ser por muito tempo. Vamos procurar um outro lugar pra morar quando o Tae arrumar outro emprego. Agora sumam da minha cozinha que eu tenho muito salgado pra fazer.

Os dois saíram e quando vi estavam se divertindo JUNTOS jogando vídeo game e tomando os meus toddynhos. Se amam, por isso brigam tanto.

Eu fazia minhas coxinhas de boa quando o Taehyung resolveu se intrometer e o Yoongi veio atrás.

– Ainda tô com fome. - Ele falou me abraçando, ainda usando só a toalha na cintura.

– Problema seu. E vai vestir uma roupa porque eu não vou cuidar de ninguém resfriado, não. Agora deixa eu trabalhar.

– Para de ser chato com o menino. Eu vou no mercado compra algo que não seja sanduíche ou salgado pra comer, você quer alguma coisa, Tae? - Yoongi falou. Não falei que eles se amavam? Mereço viu...

O Tae não respondeu e quando eu vi ele estava mexendo na gaveta do armário onde eu guardo meus boletos, minhas faturas e minhas notas ficais. Entrei em desespero porque ele estava olhando todos os papéis, eles estava vendo as minhas dívidas, ou seja, ele ia saber que eu sou um falido e que não poderia ajudá-lo em nada.

– Tira a mão daí, desgraça. - Tentei tirar meus documentos da mão dele, mas ele correu pra longe com eles na mão.

– Jungkook do céu! Como tu tem dívida, criatura. Você está fazendo tudo errado! Tem que calcula todos os gastos e despesas da tua produção e adicionar o percentual de lucro pra não sair no prejuízo.

Por um momento, pensei que ele estava falando grego.

– Quê?! - Perguntei.

– Jungkook... como você conseguiu manter seu trabalho administrando ele desse jeito? Não tá tendo lucro, só tá pagando o aluguei e nem tá cobrindo as dívidas do banco.

– EU FALEI! Falei que ele estava fazendo algo errado, mas ele me escuta? Claro que não! - Yoongi hyung se pronunciou meio revoltado.

– Olha, eu sei o que eu tô fazendo e..

– Não, você não sabe! E que merda de empréstimo é esse? Você nunca tentou fazer um acordo com o banco? - Taehyung perguntou analisando meus papéis.

– Dá pra fazer acordo com banco? Como é um acordo? - É, eu tava ficando confuso.

– Senta aí. Vamos analisar isso direito, vou tentar te ajudar a acabar com essas dívidas. - A pessoa que eu conheço como Kim Taehyung falou, só que parecendo outra pessoa.

– Como você... - Eu ia perguntar, mas ele saiu da cozinha.

– Jungkook, lembra que eu falei pra você largar ele? - Yoongi hyung perguntou.

– Tu falou isso? - Perguntei, acho que ele nunca falou isso.

– Esquece isso. Não largue ele nunca. E eu quero ser o padrinho do casamento de vocês. - Min doido Yoongi falou e saiu de casa.

– Vamos começar. Quanto você vende por dia? - Taehyung perguntou entrando na cozinha, finalmente vestindo uma roupa. Ele segurava meus papéis e meu notebook.

– E eu que sei?

– Jungkook... - Ele começou a rir e eu por algum motivo também. – Jungkook, já parou pra pensar que tudo parece estar no lugar? - Ele perguntou depois de uns instantes parecendo reflexivo.

– Como assim? 

– Sabe, é como se atacar seu carrinho fosse a coisa mais certa que eu fiz na vida...

Pensei por um momento, mas eu sempre tive certeza disso.

– Talvez... - Falei e começamos a rir de novo. 

– Te conhecer meu deu forças pra suportar melhor tudo aquilo e, mesmo que eu não tenha tido coragem pra largar tudo antes, o que aconteceu ontem foi uma das melhores coisas que aconteceu na minha vida. - Tá, agora eu ia ficar emocionado. – Você foi a melhor coisa que aconteceu...

– Para ou eu vou chorar... Você também foi pra mim e...

Aí começamos a rir, novamente.

Eu soube que o que ele fez tinha um propósito desde o momento em que ele voltou sóbrio até mim. E como ele mesmo disse: Agora tudo estava no lugar.

– Me diz uma coisa, por que nunca me pediu ajuda sobre isso? - Ele perguntou se referindo as minhas dívidas.

– Você sempre esteve tão sobrecarregado com seus problemas... Eu não podia te perturbar com mais problemas e... - Eu ia falando, mas ele me interrompeu com um beijinho na minha bochecha e depois sorriu pra mim.

– Tudo bem... Bom, agora eu vou te dar uma aulinha de administração e depois nos vamos no banco pra deixar sua situação um pouco melhor.

Bem, acho que nem tudo estava no lugar. Eu fazendo contas? O mundo tá é de cabeça pra baixo.

– Tae, eu estudo artes, não administração e...

– Agora eu sei porquê você falou que ia demorar pra terminar a faculdade! Seus boletos viraram uma bola de neve.

– Tá, tá. E o que tu quer que eu faça?! - Perguntei já aborrecido, me sentando ao seu lado.

– Só siga o mestre aqui. - Falou convencido. – Você me tirou de uma vida infeliz e eu te tirarei das dívidas, olha que legal! Vamos começar.

É, acho que o roubo das minhas empadas teve um propósito.


Notas Finais


Enfim está pronto!

kkkk é cada coisa que eu escrevo.

Seguindo certas tradições fiz essas crackfic. Espero que tenham gostado :)
@PinkDonut perdão pela demora e obrigada pela ideia ;) I love you <3

Crackfic é o único tipo de fic que eu consigo fazer kk eu acho.

Digam se gostaram ou se não gostaram kk

Então é isso, bye bye...


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