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História Algoritmos De Uma Paixão - Capítulo 9


Escrita por:


Notas do Autor


Oii gente! Então, voltei com mais uma atualização pra vocês. Obrigada pelo feedback que vcs têm me dado com essa fanfic ❤️
Bom, esse capítulo é um capítulo bem importante e essencial. Vamos entender um pouco como está a cabeça da Emma e da Regina nesse momento de tantos acontecimentos. Espero que vocês gostem!
Boa leitura 🥳💜

Capítulo 9 - Nove.


Regina.

Diferente de todas as outras noites, aquelas que passei agoniada, sentindo-me sufocada e preocupada com os meus próprios sentimentos, essa em especial, passei bem, tranquila, leve. Era como se todos os meus sentimentos estivessem em uma enorme peneira na qual eu, aos poucos, ia peneirando e eliminando todos aqueles que poderiam me fazer mal. Estava ficando cada dia mais claro, cristalino. Mas eu não iria apressar para chegar à uma conclusão. Como dito à Emma: deixaria acontecer naturalmente.

Pensando em Emma me deitei, pensando em Emma me levantei.

A manhã chegou fria, me obrigando a vestir moletom. Eu odiava, mas era a roupa de frio mais confortável para se vestir dentro de casa. O relógio ao lado da cama marcava nove e meia da manhã, e mesmo sendo praticamente madrugada para todos os outros, eu conseguia ouvir risadas e conversas vindo do andar de baixo. Após escovar os dentes e pentear o cabelo, fui em direção à cozinha. Nem me esforçando ao máximo eu conseguia disfarçar minha leveza e, até arriscaria dizer felicidade.

— Caíram da cama? — Eu disse ao encontrar Ruby e Emma na cozinha. Minha afilhada sorriu para mim e lançou um beijo, e Swan, que estava de costas, sequer se mexeu. — Bom dia.

— Bom dia! — Ruby disse sorridente, mas franzindo o cenho para mim.

Em um virar de costas de Ruby, Emma finalmente se virou pra mim. Suas bochechas estavam vermelhas, talvez de vergonha, ou de frio, eu não fazia ideia. Ela sorriu e franziu o nariz de um jeito adorável.

“Bom dia” Ela sibilou, me deixando aliviada. Abri um sorriso pequeno e discreto.

Eu tive medo que Emma, mesmo tendo sido compreensiva na noite anterior, reagisse mal e começasse a querer se afastar. Por insegurança, medo. Eu ainda não a conhecia perfeitamente, isso seria questão de tempo. Queria conhece-la de dentro pra fora, de fora pra dentro. Talvez não fosse tão difícil. 

— Por que você tá assim tão feliz? — Ruby perguntou a mim, me deixando paralisada por alguns segundos. Franzi o cenho, fingindo confusão, quando na verdade, só tentava pensar em alguma desculpa. — Você acordou sorrindo largo assim e... sei lá, eu te conheço, e você tá diferente.

Eu e Emma nos entreolhamos rapidamente, Ruby não percebeu. Os seus olhos verdes estavam arregalados por trás dos óculos. Sentia-me mal por esconder algo tão importante de Ruby, mas por enquanto, não tinha alternativas, principalmente quando nem fazia ideia do que realmente estava acontecendo, ou o que iria continuar acontecendo. 

Deixar acontecer naturalmente.

— Ah, não acho que eu esteja diferente. — Disse enquanto servia a mim mesma café. — Mas devo estar mais... relaxada. É bom ficar longe dos problemas de vez em quando.

— É verdade. Bate até uma tristeza ao lembrar que amanhã já vamos embora e que quarta-feira volta tudo de novo. — Ruby revirou os olhos. — Emma, passa o pão? — Ela pediu, mas Swan parecia estar no mundo da lua, segurando um bolinho de chocolate. — Emma! 

— Ah, oi. O que foi? — Acordou do pequeno devaneio, fazendo Ruby rir. Eu apenas sorri pequeno, balançando a cabeça negativamente.

— Pode passar o pão pra mim? — Emma assentiu e pegou o pão do outro lado da mesa, entregando para a minha afilhada. — Onde tá a sua cabeça hoje? — Riu.

Emma não respondeu, apenas esperou a melhor oportunidade para arquear uma sobrancelha pra mim. Comprimi um sorriso largo, desviando o olhar para o meu café, sentindo o vapor quentinho aquecer meu rosto.

Era uma sensação nova e diferente. Parecia ter voltado à minha época universitária, com os sentimentos e emoções a flor da pele. E eu não conseguia deixar de me sentir uma boba. Meu coração de gelo infelizmente –ou felizmente – era fácil de começar a derreter. E esses momentos estavam começando a fazer isso.

— Ei, bom dia! — Eu disse quando Henry, completamente descabelado e com a cara inchada de sono, apareceu na porta da cozinha. Ele veio até meu colo, sentando sobre uma das minhas pernas. — Não sei o que deu em vocês hoje pra acordarem tão cedo.

— O Ed já tá descendo também. — Ele comentou um pouco mal humorado. — O que nós vamos fazer hoje?

Um minuto de silêncio surgiu ali. Não era o tipo de lugar que se tinha variedade de coisa para fazer, principalmente no inverno.

— Eu e Ed podemos brincar de pique esconde na floresta? — Henry perguntou, e eu imediatamente arregalei os olhos.

— Você está ficando maluco, Henry Daniel Mills? Não sabe o que acontece nos filmes quando as pessoas inventam de brincar na floresta? — Falei seriamente, olhando-o nos olhos. Pude ouvir Emma rir baixo.

— O Slender vem e pega elas? — Edward surgiu na cozinha, se juntando à mesa. — Bom dia.

— Bom dia, Ed. — Todos dissemos em uníssono. 

Terminamos de tomar o café da manhã em um clima agradável. Vez ou outra sentia os olhares de Emma sobre mim, mas não retribuía. Deixei que Henry e Edward retirassem a mesa e lavassem as louças e fui direto para a sala, onde tentaria sentar na confortável poltrona reclinável para ler meu livro.

Ruby e Emma saíram para dar uma volta ao redor do lago, afinal, era uma das únicas coisas que tinha para fazer naquele lugar. E por mais que eu tentasse me concentrar nas inúmeras palavras das folhas amareladas do livro, eu não conseguia. As letras iam se embaralhando e causando uma confusão da minha mente. Tudo me remetia à noite anterior, e quanto mais eu fazia esforço para que isso desaparecesse da minha cabeça, mais aparecia, e de repente lá estava ela. Emma estava lá.

Eu sentia falta de uma amiga. Alguém que eu pudesse ligar no meio da noite, sair para beber alguma coisa, fofocar, assim como eu fazia com Victoria. Em momentos como estes, que eu precisava de alguém para me ouvir, escutar meus mais confusos sentimentos, desejava alguém. Não faria o menor sentido desabafar com Swan sobre... bem, ela. E não faria isso com Ruby. Não ainda.

 

A tarde passou tranquila, mas me senti sozinha uma boa parte do tempo. Os meninos estavam jogando futebol do lado de fora, e Emma e Ruby só voltaram depois do pôr do sol, quando o céu já estava tomado por aquele azul escuro.

— Nossa! — Eu disse assim que as duas abriram a porta de casa. — Onde vocês estiveram o dia todo? 

No final das contas, consegui ler algumas páginas do livro.

— Passeamos. — Ruby respondeu, se jogando no sofá. — Vimos árvores, árvores, mais árvores... — Riu. — Também tiramos algumas fotos pra atualizar o feed quando voltar pra casa. Ou melhor, a Emma tirou fotos minhas. Ela não quis que eu tirasse dela. 

Levantei meu olhar para Emma, que, como de costume, tinha as bochechas vermelhas de vergonha. Arqueei uma sobrancelha.

— É, eu... não gosto muito. Tirei foto das paisagens pra mandar para os meus pais. — Ela comentou, desviando o olhar para as próprias mãos.

Sorri e balancei a cabeça negativamente.

— Bom, — Dei um leve tapinha na perna de Ruby, que estava jogada no sofá por cima de mim. — os meninos brincaram o dia inteiro, e já estão na cama dormindo. Amanhã vamos sair cedo para ir embora. Não quero chegar tarde porque quero aproveitar o último dia do feriado para adiantar alguns trabalhos, então... seria bom se fossem deitar cedo hoje. Pelo menos eu vou já, já.

Ruby levantou em um pulo, assustando um pouco Emma, que estava sentada no braço do sofá.

— Eu vou usar o seu chuveiro antes que você vá dormir. — Minha afilhada disse apontando pra mim. — Emma, depois eu vou direto pra cama, ok?

— Hum... tá bom. — Swan respondeu. — Quando você sair do banho, eu entro, e depois vou dormir também.

Ruby me deixou sozinha com Emma, e eu agradeci internamente. Eu estava esperando por aquele momento desde cedo. E é claro que o silêncio pouco constrangedor se instalou ali, entre nós.

Dei duas batidinhas na superfície do sofá, ao meu lado, e ela, completamente tímida, sentou onde indiquei. Seu cabelo loiro estava preso num rabo de cavalo alto, e dessa vez ela não usava seus óculos – que estavam presos na gola do seu moletom de super-heróis.

— Você gostou de ter vindo viajar com a gente? — Eu perguntei suavemente. 

Emma respirou fundo, olhando pra baixo, como se pensasse em alguma resposta. Quando meu coração começou apertar por medo de alguma reação inesperada, ela abriu um sorriso. — Eu amei. De verdade. — Olhou em meus olhos, dizendo sinceramente. — Quero dizer... foi bem diferente de qualquer coisa que já fiz na minha vida. E olha que eu não estou incluindo apenas a trilha. — Comprimiu um sorriso, arrancando uma risada de mim. 

— Fico feliz que tenha gostado. 

Ela apenas sorriu, mas senti seu corpo relaxando um pouco, eliminando ali a tensão e nervosismo que se instalavam. Deixei meu olhar suave pousado sobre seu rosto, que em segundos já estava ainda mais corado.

— Para. — Ela pediu cobrindo o rosto com as mãos, deitando a cabeça no encosto do sofá.

— Com o quê? — Perguntei.

— De ficar me olhando! — Tirou as mãos do rosto, agora me olhando nos olhos, suavizando as expressões. — Me deixa com vergonha. 

— Gosto quando você fica com vergonha. — Ela revirou os olhos e eu me aproximei. Olhando em seus olhos, umedeci os lábios, e mentiria se dissesse que não foi numa tentativa de provoca-la. Funcionou, pois captei o exato momento em que seu olhar caiu para minha boca.

Sorrir foi inevitável.

— A gente não pode fazer isso aqui! — Ela disse rápido, se esquivando, quando me aproximei mais, na intenção de beija-la.

— Por que não? — Perguntei suavemente.

Seu olhar terno sobre mim me deixava hipnotizada. Acho que ela ainda não sabia disso. Dos efeitos que há algum tempo já vinha me causando, mas que eu apenas percebi depois de um grande choque de realidade.

Ela me deixava boba, leve, de um jeito que só me lembro de ter sentido uma única vez na vida.

— Porque alguém pode nos ver. — Respondeu como se fosse óbvio, agarrando a gola do meu moletom. Seu olhar estava fixo na minha boca, e senti minha visão borrar quando Swan, mesmo sem perceber, mordeu seu lábio inferior. — Não seria muito legal, né?

Revirei os olhos sorrindo e assenti lentamente. Ouvi barulho de portas de fechando e passos no andar de cima, concluindo que Ruby talvez tivesse terminado de tomar banho e ido para seu quarto.

— Ouviu isso? — Ela assentiu. — Ruby deve ter saído do banho. Você vai subir agora?

Ela apenas assentiu. Nos levantamos juntas e caminhamos até o andar de cima. Percebi que enquanto subia a escada, ficou observando os quadros que tinha ali atentamente. Haviam fotos minhas com a minha mãe, com Victoria, Daniel... era quase uma galeria. Senti uma certa curiosidade de sua parte, talvez pelas fotos com a minha mãe. Eu não falava muito sobre ela, afinal. 

Depois de pegar suas roupas de dormir no quarto que Ruby já dormia, entramos no meu quarto, e ela, receosa, parecia que estava entrando pela primeira vez. Olhava ao redor, prestando atenção em cada detalhe. Percebi o pequeno pulo de susto que deu quando ouviu a porta se fechando.

— Eu vou ligar a água quente pra você. — Eu disse, já caminhando para o banheiro, e ela apenas sorriu. 

Antes de voltar para o quarto, me olhei rapidamente no espelho, encarando meu rosto mais vívido e com menos olheiras do que normalmente costumo ter em uma rotina agitada. O que eu estou fazendo, afinal? Perguntei a mim mesma, mas balancei a cabeça freneticamente, tentando afastar aquela pergunta.

Deixe-se levar, Regina. Eu repetia, repetia, repetia.

— Já deve estar quente o suficiente. — Disse ao voltar para o quarto.

Emma estava fuxicando minhas coisas em cima da pequena cômoda, e recuou quando se sentiu flagrada, como se de alguma forma eu fosse brigar. 

Sorri.

— Eu só estava... — Tentou dar alguma explicação, mas falhou. — Fuxicando. — Disse, como se estivesse lendo minha mente.

— Não tem problema. — Observei a cômoda. Havia apenas perfumes, joias e outros produtos de beleza. Emma estava passando a ponta dos dedos sobre os perfumes quando a flagrei. 

Ela colocou sua toalha sobre o ombro e, ao passar por mim, inclinou levemente a cabeça para o meu pescoço, respirando fundo, e me fazendo arrepiar completamente.

— Gosto do seu perfume. — Ela falou sem me olhar nos olhos, mas seus lábios escondiam um sorriso que dizia “eu sei exatamente o que eu estou fazendo”. 

Foi até o banheiro e fechou a porta como se nada tivesse acontecido, me deixando um pouco desestabilizada para trás. Dez minutos depois, Emma saiu do banheiro com o cabelo preso num coque, e vestia um pijaminha do homem de ferro. 

— Obrigada por me deixar usar seu banheiro mais uma vez. — Colocou os óculos e bocejou. Eu estava deitada na cama, coberta e acomodada. — Acho que vou deitar, já tô ficando com sono.

— Vem cá. — Abri um espaço ao meu lado e dei batidinhas na superfície do colchão, onde ela se sentou. — Até amanhã, dorme bem. — Sem nem perceber, eu já fazia carinho em seu pescoço com a ponta dos dedos.

Ela se abaixou suave, e deixou um beijo na minha bochecha. Mas sem se afastar do meu rosto, disse, sussurrando:

— Boa noite.

Numa troca de olhares intensa de míseros segundos que pareceram uma eternidade, fiquei presa. Nos olhos dela, sim. E quando fui me dar conta, já estávamos a milímetros de distância novamente. Não demorou muito para que eu delicadamente puxasse sua nuca para mim e selasse o pequeno espaço entre nós em um beijo delicado.

Aquilo era diferente de qualquer outra coisa que eu já havia vivido em toda a minha vida. A sensação de estar ali, com ela. Eu ficava feliz de perceber que ela estava confortável e entregue ao momento, talvez à mim. Suas mãos passeavam pelo meu cabelo enquanto as minhas faziam desenhos imaginários em suas costas. Seu coque já havia soltado, e o cabelo agora caía por cima das minhas mãos.

Seu beijo era doce, calmo, intenso. Assim como ela era. Não sei se alguém alguma vez já disse que o beijo reflete a personalidade da pessoa, mas o de Emma com certeza refletia a sua.

O fôlego gritou mais alto, e nos obrigamos a nos separar. Ela ainda tinha os olhos fechados, respirando ofegante. Alguns fios loiros caíam sobre meu rosto, mas eu sequer me importava. 

Seus braços, que sustentavam todo seu corpo, fraquejaram e ela caiu ao meu lado, com a cara enfiada no travesseiro. Me deitei de lado, esperando o momento que ela fosse se virar para mim, mas ela não o fez. Ficou deitada ali, como se estivesse desmaiada.

— Emma... — Chamei-a, cutucando sua costela. Ela se mexeu um pouco.

— Tô com tanto sono. — A voz saiu abafada por ter falado contra o travesseiro. Finalmente se virou, com os óculos um pouco tortos no rosto. 

— Vai dormir, então. Amanhã saímos cedo. — Disse calmamente, sem nem perceber que já fazia cafuné em seu cabelo. 

— Eu vou. — Suas piscadas eram longas, como se fosse dormir a qualquer momento. Ela se levantou um pouco preguiçosa, e eu acompanhei com os olhos seu caminhar até a porta. Antes de sair do meu quarto, sibilou um “boa noite” e foi embora, me deixando para trás com um sorriso bobo e involuntário no rosto.

*

Emma.

Fui acordada na manhã seguinte às seis e meia da manhã, e para a minha surpresa, foi por Regina. Ruby já havia acordado; sua cama estava vazia e feita. E a mulher à minha frente já estava perfeitamente arrumada. O sol batia contra seu rosto, que eu ainda via meio borrado por ter acabado de abrir os olhos, mas acho que ela estava rindo da minha reação espantada.

— Bom dia. Vamos sair às sete. Vai se arrumando, ok? — Disse suavemente, passando a mão pelo meu braço.

Ela vestia uma blusa social branca, calça social preta e saltos nos pés, como se estivesse indo para um dia de trabalho. Pensei que ela talvez não gostasse de ser vista na cidade com as roupas confortáveis que usara durante o fim de semana.

Sem nem me dar a oportunidade de falar qualquer coisa, saiu do quarto. Eu ainda estava extremamente sonolenta, não tinha sido fácil de dormir. Regina apareceu na minha cabeça até durante os sonhos, e eu não sabia se isso era bom ou ruim, pensar em alguém o tempo todo. Nunca tinha passado por isso antes.

Mas eu gostava dos momentos com ela, ou melhor, estava gostando, aproveitando e, como ela disse, deixando acontecer.

Tomei um rápido banho gelado, vestindo meu uniforme diário: jeans preto e um moletom de Game Of Thrones. Fui até a cozinha e encontrei todos sentados à mesa conversando e tomando café. Me juntei e obviamente evitei qualquer contato visual com Regina para não ficar vermelha de vergonha.

— É, agora provavelmente só ano que vem. — Ruby comentou enquanto todos nós cobríamos os móveis com os mesmos lençóis de antes. 

As malas já estavam no carro e a casa toda fechada.

— Melhor irmos logo. — Regina disse.

Após trancar a casa, entramos no carro, todos na mesma posição que viemos. Observei a pequena casa sumindo do meu campo de visão, até que só consegui ver árvores e o lago já era impossível de se ver.

Durante o trajeto, Ruby colocou música para tocar. Seu gosto era bem diferente do meu. Eram músicas com letras muito fora da casinha, mas não era ruim. Eu até que estava gostando. 

A volta foi bem mais rápida que a ida. Não houveram paradas, e Regina acelerou bastante. Talvez tivesse descoberto que mexe comigo ver mulheres dirigindo. Ou mexia comigo ver Regina dirigindo, ainda não sabia muito bem.

— Swan? — Ouvi sua voz rouca me chamando, e só percebi que dormia quando abri os olhos e vi o carro parado em frente ao meu prédio. — Está entregue.

Ela me olhava de canto de olho, e seu perfil era tão bonito.

— Vou te ajudar a pegar sua mala. — Continuou.

— Não, não precisa. Eu pego. Só abre a mala pra mim daí mesmo. 

Saí do carro e peguei minha bolsa na mala. Fui até a sua janela, que ela abriu automaticamente.

— Obrigada por terem me convidado. Foi muito divertido esse fim de semana. Eu adorei. — Falei olhando para Ruby, sem coragem de alternar o olhar entre ela e Regina, que me olhava de cima a baixo.

— Foi perfeito, Emma. Até amanhã! — Ruby disse sorridente.

— Sua companhia é muito agradável, Swan. — Regina disse rouca, e seus olhos pareciam querer falar muito mais. — Até qualquer dia.

— Até! — Sorri, e ela umedeceu os lábios discretamente. — Tchau, meninos! — Acenei para Henry e Ed.

Quando Regina seguiu seu caminho para casa, eu subi saltitante até o apartamento. Ainda um pouco incrédula com o tanto de informação sobre o fim de semana que eu teria que processar. Bastou a porta atrás de mim se fechar que eu comecei a surtar, literalmente surtar. Larguei minha mala e gorrinho em qualquer canto da casa e comecei a andar de um lado para o outro. Eu ria de nervoso, gargalhava. 

Eu tinha beijado Regina Mills. Uma mulher mais velha. Uma MULHER. Killian não estava errado, no final das contas. Meu Deus. Madrinha da minha amiga.

Estava tão envolvida no meu momento de crise, que nem percebi que a casa não estava do mesmo jeito que havia deixado quando saí para viajar. A porta da sacada estava aberta, o aquecedor estava ligado e tinha louça suja na pia. Foi uma questão de segundos até eu perceber que alguém já tinha alguém em casa, e então Sabine, em seu pijaminha baby-doll e segurando um pão de forma, surgiu na sala, me olhando um pouco espantada.

Tentei esconder minhas mãos trêmulas e controlar minha respiração ofegante. 

— Sabine! Bom dia. Você já tá em casa! É... — Engoli e seco, tentando afastar tudo e qualquer coisa que me remetesse à Regina da cabeça. Pelo menos naquele momento. — Eu te acordei?

— Bom dia, Emma! — Sorriu pra mim, mas era um sorriso que dizia ‘onde eu fui arrumar uma roomate tão estranha como você?’. — Eu cheguei ontem à tarde e não, você não me acordou. Agora, será que você pode me dizer por que está surtando? — Mordeu o pão e me encarou. Eu queria mudar de assunto, não falar sobre aquilo, apenas gritar.

Quem eu queria enganar? É obvio que eu queria conversar, contar sobre a minha doida experiência de sair beijando a madrinha da minha amiga. 

Minhas bochechas queimaram e eu me joguei no sofá, enfiando o rosto numa almofada que cheirava à... Rose.

— Emma, posso saber onde você passou o feriado pra ter chegado tão surtada assim? Quero dizer... você jogou seu gorro no ventilador de teto? — Tirei o rosto da almofada e olhei pra cima. Sim, eu havia jogado o gorro no ventilador de teto e nem tinha me dado conta. 

O tom se Sabine já era desconfiado. Desde o dia que ela flagrou Regina em nossa casa, de manhã cedo – mesmo eu tendo negado que nada aconteceu, e que eu não sentia nada, o que não era exatamente mentira –, ela vem tentando jogar verde para tentar arrancar alguma coisa de mim, mas nunca conseguia, afinal, antes não tinha o que arrancar. Eu disse antes.

Afundei na almofada de novo, e senti as mãos de Sabine acariciando as minhas costas.

— Eu passei com Ruby na casa de campo da Regina. Eu, elas, Henry e um amigo dele. — Minha voz saiu abafada por ter falado contra a almofada.

— E eu presumo que o motivo dessa crise seja... — Tirou a almofada do meu rosto e jogou longe, me obrigando a olhá-la nos olhos. 

— Regina. — Confessei, e ela respirou fundo.

— É, ainda bem que você preferiu nem perder seu tempo tentando omitir esse fato de mim. Meu bem, eu estou estudando pra ser uma advogada! Já sei reconhecer quando alguém está mentindo, e isso eu reconheci naquela mesma manhã que flagrei a Regina aqui. — Foi direta, me deixando um pouco se ar. Ela era realmente boa naquilo. — Agora, Emma, me diz. Você está balançada pela tão linda e renomada arquiteta da cidade, Regina Mills? A mãe da Ruby Luccas cujo todos os seus amigos têm uma queda?

Meu coração errou as batidas só de ouvi-la citando Regina. 

— Sabine, assim você me deixa pressionada. — Coloquei a mão no peito e respirei fundo. — Olha... eu fico muito nervosa perto dela, sim, isso é um fato, mas... eu tenho ficado assim perto dela desde o dia que eu a conheci, e consigo lidar bem com esse nervosismo, eu acho. Não é exatamente por estar balançada por ela que eu estou... surtando.

Ela arqueou uma sobrancelha e semicerrou os olhos. Por um minuto, me senti num tribunal, sendo a testemunha de algum assassinato, e ela me interrogava e tentava arrancar todas as verdades de mim só com o seu olhar profundo.

— Ela me beijou. — Disparei, e Sabine pareceu perder toda a postura de estudante de direito que estava tentando manter, como um treinamento do tribunal. Ela deixou o queixo cair e cobriu a boca com as mãos. — É, isso ai que você ouviu. Ela me beijou. Contra a parede. Na cozinha da casa e com gosto de vinho na boca. — Senti um arrepio me subir a espinha ao lembrar daquele momento.

Sabine enfiou todo o pão na boca, como num ato de nervosismo, ansiedade. Parecia pensar, processar aquela informação, e me olhava fixa, mastigando o pãozinho.

— Espera. Ok. — Respirou fundo. — Vocês se beijaram. E isso partiu dela? — Assenti. Ela tinha me provocado até conseguir o que queria. — Meu Deus, Emma! — Riu nervosa. — Você beijou a Regina! Se isso partiu dela, significa que ela está tão balançada quanto você! Ela também queria.

— Ela... — Respirei fundo. Estava um pouco mais aliviada agora, depois de ter posto para fora. — ela disse que gosta de mim. — Esfreguei os olhos por trás dos óculos. Sabine arregalou os olhos. — Mas não acho que tenha sido, tipo, de um jeito amoroso, sabe? Romântico. Eu acho que é mais um... eu gosto de você o suficiente para não querer te magoar igual eu já fiz com outras pessoas que usei e larguei. Apenas isso.

— Então você tá querendo me dizer que... ela não quer que você seja algo... passageiro na vida dela? — Sabine segurou minhas mãos e perguntou suave

— Eu não sei? — Saiu em tom de dúvida. Respirei fundo. — Ela disse que não quer rotular o que aconteceu ou o que vai continuar acontecendo. Disse que sabe que não vai conseguir parar e, bom, acho que isso significa que ela me quer por perto de alguma forma. Ela quer deixar ir acontecendo e ver até onde isso vai levar.

Sabine soltou minhas mãos e começou a andar de um lado para o outro, na minha frente. 

— Ok. — Parou de frente para mim. — Eu acho que entendo o lado dela. Ela quer entender o que está sentindo, de fato, mesmo que não tenha te falado isso nessas exatas palavras. Mas você mexe com ela, e isso é um fato, Emma. Ela poderia muito bem deixar acontecer sozinha, sem você, até chegar à uma conclusão. Mas ela te quer por perto. — Parei para refletir por alguns segundos e fazia sentido. — Ela quer você, ela quer seu corpo... — Engoli em seco e comprimi os lábios. Embora tenha consciência de que sim, tenho reparado em seu corpo mais do que deveria, nunca tinha passado pela minha cabeça a possibilidade de ir para cama com Regina. — E você? Você quer ela o tanto que ela te quer, Emma?

Sabine era assustadora. Pegou uma pequena coisa que eu disse e foi descobrindo mais, fazendo virar contra mim mesma. Agora ela estava ajoelhada à minha frente, apoiada em meus joelhos. 

— Olha... — Deu continuidade, quando percebeu que eu não respondi, e provavelmente nem iria. — Eu consigo ver nos seus olhos.

Eu queria Regina, isso era um fato. Mas como eu a queria? Havia outra forma de querê-la a não ser apenas tê-la sem rótulos? Apenas vivendo cada dia e esperando algo acontecer?

— O que você vê nos meus olhos? — Perguntei, retirando os óculos e encarando a minha amiga, que sorriu pra mim.

— Você gosta dela mais do que deveria. E o seu gostar não é um gostar do tipo de apenas gostar o suficiente para não querer machucá-la. É mais que isso. — Mais uma vez, foi direta, me pegando de surpresa. Revirei os olhos por pensar na possibilidade de Sabine estar certa. — Olha, amiga, escuta... durante o período que eu e Ruby fomos amigas, fomos bem próximas. Eu cheguei, através dela, conhecer um lado da Regina que eu suponho que você já conheça, porque acho que já têm um nível de intimidade. Ela não é o que aparenta ser para as pessoas, e você sabe disso. Você sabe disso porque ela se permitiu te mostrar. Por que acha que ela fez isso, Emma? — Perguntou, com os olhos fixos nos meus, e eu sequer piscava. — Porque ela viu que, mesmo você conhecendo as suas fraquezas, você não seria capaz de machucá-la, assim como ela nunca seria capaz de te fazer nenhum mal. Ela confiou em você. Ela também gosta de você, eu não tenho dúvida disso. Vocês duas apenas estão... em processo de descobrir esse sentimento.

Meu coração bateu forte a cada palavra proferida por Sabine. Fazia sentido. Todo o sentido, na verdade. Pensar em Regina durante aquele longo minuto em silêncio foi inevitável. 

— Você não precisa se pressionar pra descobrir se de fato está gostando dela. — Sabine acrescentou.

— Como eu vou saber, afinal? Eu nunca gostei de ninguém. Não tenho a experiência que ela tem. — Perguntei receosa, e Sabine sorriu pra mim.

— Você vai descobrir. Essas coisas levam um tempo. — Beijou o topo da minha cabeça. — Agora, por que não toma um banho pra espantar esses pensamentos obsessivos? Eu estava querendo ir ao cinema, aproveitar as últimas horas da vida boa. Quer vir comigo?

Me sentia tão acolhida por Sabine, que sorri largo, involuntariamente. Era bom tê-la comigo, para me ouvir, me aconselhar e quem sabe me fazer enxergar a verdade que estava na minha cara, mas eu não queria ver?

— Claro, eu topo!

*

Regina.

A semana passou devagar, e quando fui perceber, já era sexta novamente. As horas que se estenderam de terça-feira de manhã, quando tive meu último contato com Emma, até agora, foi tranquila, embora eu só conseguisse pensar em uma coisa: Nela. A única maneira de afastá-la da minha cabeça para o bem da minha sanidade mental, era a mais óbvia de todas: trabalhando.

Eu poderia ter ido até seu apartamento, conversado, ligado, feito qualquer outra coisa. Mas eu não podia. Ela precisava de um tempo pra ela, pra pensar, assim como eu, de certa forma, também precisava. Ou de alguém para falar sobre.

Sentada no sofá da sala, e assistindo um documentário qualquer que passava na televisão, eu esperava uma cliente. A tal Zelena que Emma tinha me indicado. Havia marcado com ela um horário para conversarmos sobre o projeto de seu restaurante. Ruby estava na faculdade e Henry, que já havia chegado na escola, fazia lição em seu quarto. 

A campainha tocou, me obrigando a desligar a televisão e atender a porta. Sempre tentava parecer o mais séria e elegante possível quando recebia clientes, o que era raro, visto que na maioria das vezes eu ia até eles. Mas Zelena, com a voz estridente que tinha, me explicou que não tinha um lugar muito bom para conversar. Ou era em sua casa que, palavras dela, era um inferno, ou na cafeteria com teias de aranha da família.

Ao abrir a porta, me deparei com uma figura diferente do que eu imaginei quando falei com ela ao telefone.

— Oi! Sou Zelena! Você é a Regina, certo? É um prazer te conhecer! Foi tão difícil de chegar aqui. Eu moro do lado de lá da cidade. — Apontou para o final da rua. — Muito contramão até aqui. Nossa, sua casa é tão linda! Foi você quem projetou, né?

Ela atropelou as palavras de um jeito que embaralhou minha mente. Ao menos a voz não era tão estridente como pelo telefone. Zelena era mais alta que eu, tinha cabelo ruivo liso na altura das costelas, sardinhas pelo rosto e olhos irritantemente azuis, da cor do céu. Tão bonita que poderia facilmente ser confundida como uma grande atriz de Hollywood.

— Olá, Zelena. É um prazer te conhecer. — Apertei gentilmente sua mão e concedi passagem para dentro da minha casa. Ela entrou receosa e cuidadosa como se pisasse em cristais, e varreu o ambiente com o olhar. — E obrigada. Fui eu quem projetei, sim.

— Você manda bem demais. É tão linda por dentro quanto por fora. Você também decora interiores? — Perguntou animada, fitando a decoração da casa.

— Eu arrisco, mas não sou profissional. Mas como trabalho nesse ramo de construção e tudo mais, conheço muita gente do meio. Posso te indicar os melhores profissionais para o seu restaurante. 

— Ai, Regina! — Ela exclamou, me dando um pequeno susto. Muito expressiva, eu pensei. — Olha, eu estou contando com você pra realizar meu sonho. Não mexi até hoje na herança da família porque não sabia em quem confiar pra esse projeto. Eu tô tão animada!

Sua felicidade não era irritante. Pelo contrário, contagiante.

— Você pode contar comigo, não se preocupe. — Disse sorrindo e segurando seu ombro. — Bom, antes de começarmos a conversar sobre o projeto, aceita uma água, café, suco...?

— Ah, água seria ótimo, por favor!

Servi água à Zelena e logos fomos para o meu escritório para começar a informal reunião. Antes de tudo, fiz questão de mostrar desenhos e projetos realizados para que ela entendesse a maneira que eu trabalho, e então conversamos sobre suas vontades, seus gostos, o que exatamente iria satisfaze-la e, claro, orçamento.

Durante as duas horas que conversamos, vi que Zelena era realmente divertida. Sequer tinha visto a hora passar. E ela gostou tanto do simples esboço que fiz de como seria o restaurante, que pediu uma cópia.

— Eu estou muito animada pra isso! — Zelena comentou enquanto descíamos as escadas. Eu descia degrau por degrau focada em responder e-mails no celular. — Eu tenho que agradecer muito à... — Já no andar debaixo, no último degrau, olhou para a porta de entrada e gritou: — Emma!

 — Ah, sim. Ela realmente merece a maior parte do crédito por ter me indicado pra você. — Falei ainda com o olhar fixo no celular. 

— Sim, mas ela tá aqui! — Zelena disse sorrindo, e quando segui seus passos com o olhar, vi que ela abraçava a figura loira na minha frente. — Oi, querida!

Congelei. Fui pega de surpresa, tanto que travei no último degrau da escada e encarei estaticamente aquela situação. Ruby entrou alguns segundos depois, com algumas sacolas de compras na mão. Emma ainda não tinha olhado diretamente para mim.

— Oi, dinda! — Ruby disse sorridente ao me ver. Zelena já estava ao meu lado novamente. Swan me lançou um sorriso tímido e logo abaixou o olhar, indo ajudar Ruby com as sacolas. — Passei no mercado e comprei algumas coisas pra gente tomar café. Ah, e trouxe a Emma também. — Depositou as sacolas de papelão sobre o balcão da cozinha. — É amiga de vocês? — Perguntou para mim e Emma, sorrindo para Zelena.

— Oi, meu amor. — Dei um beijo em sua testa. — Essa é Zelena, uma cliente. Emma a conheceu primeiro e me indicou pra ela. — Zelena, essa é Ruby, minha afilhada, e bem, a Emma você já conhece.

Eu e a loira nos entreolhamos até sua bochecha corar e ela sutilmente desviar o olhar para os próprios dedos. Percebi um sorriso bobo querendo brotar de seus lábios.

— Bom, é um prazer te conhecer! — Zelena disse à Ruby, e apertaram as mãos. — Foi um prazer conhecer todas vocês, mas é melhor eu indo. Regina, vamos marcando outros horários, certo? Pra ajustar detalhes finais e tudo mais.

— Ah, claro! Sem dúvidas. — Eu disse.

— Espera, Zelena, toma café com a gente. Eu comprei bolo, salgados de padaria, suco... — Ruby convidou e Zelena me lançou um olhar receoso.

— Se não for incomodar... — Ela disse.

— De forma alguma. Por favor, fica! Infelizmente você não vai conhecer meu filho porque ele está na casa do amigo. Ele iria adorar você. — Disse à Zelena e ela riu.

Nós quatro nos sentamos à mesa e conversávamos enquanto tomávamos café. Emma naquele dia vestia uma blusa de listras pretas e brancas, uma calça preta justa e uma jaqueta jeans da mesma cor. O cabelo estava solto e, diferente do comum, liso. Sua beleza era algo de tirar o ar, literalmente. Eu havia perdido o meu fôlego e nem tinha me dado conta.

Quando terminamos de comer, tiramos juntas a mesa e Zelena se ofereceu a me ajudar a lavar as poucas louças sujas. Emma e Ruby haviam subido, provavelmente para estudar, e eu e a minha... cliente, estávamos na cozinha. Eu lavava, ela secava e guardava. O clima estava agradável e eu estava gostando da presença de Zelena mais do que eu esperava. Ela tagarelava demais, mas não era algo que incomodava. Suas histórias eram engraçadas e sua risada contagiava.

— Enfim, Regina... — Após secar o último prato, Zelena disse. — Muito obrigada mais uma vez por ter me recebido tão bem. Que bom que agora eu vou finalmente sair daquela cafete...

Zelena foi interrompida por Emma que entrou na cozinha derrubando alguma coisa – alguns potes em cima do balcão que ela esbarrou, fazendo um barulho alto.

— Ai, Deus. Desculpa. — Ela disse nervosa ao se abaixar e catar tudo. Fui ajuda-la e nossas mãos acidentalmente se tocaram. Era como se faíscas tivessem saído dali com aquele toque, causando uma troca de olhares intensa que eu não consegui evitar, muito menos ela. — Eu sou muito desastrada. — Levantou e sorriu tímida, consertando os óculos.

— Não tem problema. Foi um acidente. — Sorri pequeno e me levantei.

Percebi Zelena alternando o olhar entre mim e Swan, que como o de costume, estava vermelha igual um morango. Achar aquilo a coisa mais adorável do mundo era inevitável.

— Eu só vim pegar o remédio de dor de cabeça da Ruby que ela pediu. Você sabe onde tá? — Ela me perguntou.

Peguei o remédio e entreguei em sua mão.

— Obrigada. — Sorriu e desapareceu dali, me deixando um pouco boba para trás.

Meu coração estava em um ritmo descompassado desde o momento que Emma e pegou de surpresa vindo até a minha casa. Eu apenas sentia vontade de poder falar mais, olhar mais, tocar mais. 

— Bom, eu vou indo. — Zelena disse após alguns segundos, me despertando de um transe que eu sequer notei que havia entrado. O transe se chamava Emma Swan. — A gente se fala, ok?

— Ah, claro. Qualquer dúvida que você tiver, você pode me ligar. — Caminhamos juntas até a porta. — Até qualquer dia.

— Até! — Sem eu esperar, Zelena me abraçou. Senti o cheiro forte do seu perfume doce. Retribuí o abraço que durou mais do que deveria, mas tudo bem.

Ela entrou em seu pequeno carro vermelho e sumiu do meu campo de visão.

Sorri involuntariamente ainda pensando na situação que acabara de acontecer. Zelena era completamente fora da casinha, mas eu tinha sentido uma conexão incrível com ela.

*

Narração.

O sol estava se pondo quando Henry chegou em casa. A mãe de Edward havia dado uma carona. Ele entrou em casa saltitante contando para Regina sobre as notas altas que tirara em ciências e matemática. E omitiu as de filosofia para não levar uma bronca, mesmo Regina já sabendo de tudo, porque recebera da escola pelo e-mail. Pensou que talvez a facilidade com números pudesse ser de família.

— Posso jogar videogame? — Ele pediu, ou melhor, praticamente implorou à mãe, que estava trabalhando no computador, na sala mesmo.

— Você já fez a lição de casa de filosofia? — Regina perguntou sem tirar os olhos da tela do computador. Estava fazendo uma simulação 3D do restaurante de Zelena.

— Não, mãe, mas hoje é sexta! Eu posso fazer amanhã, né? — Ele revirou os olhos e se jogou sobre Regina.

— Henry Daniel Mills, você realmente acha que eu não sei sobre o seu D na prova de filosofia? — Ele arregalou os olhos, ficando pálido como nunca antes. — Vai fazer a lição agora. E estudar o que foi passado na última aula de filosofia. Vai!

— É tão chato! Não tem números, não tem graça! Matemática. Matemática é legal. 

— Pois saiba você, Henry, que se não fosse pela filosofia, não haveria matemática. Você sabia que os grandes gênios da matemática eram também filósofos? Isaac Newton, Pitágoras, por exemplo. Então... — Bateu de levinho em sua perna, e ele revirou os olhos divertido. — Vai. Agora! 

Contra vontade, Henry subiu as escadas em direção ao seu quarto para fazer a tarefa.

Emma e Ruby apareceram na sala alguns minutos depois, rindo juntas de alguma coisa que estavam conversando. Cada dia que passava ficavam mais próximas e íntimas, o que era muito bom para Emma, que estava tendo uma ótima experiência com sua primeira amizade verdadeira.

— Dinda, ela tá indo embora. — Ruby disse, apontando para Emma. — Vou dar uma carona pra ela.

Regina arqueou uma sobrancelha e, impulsivamente, disse:

— Não, meu amor, pode deixar que eu levo ela em casa. — Se prontificou imediatamente. Precisava de alguns minutos a sós com Emma.

— Relaxa dinda, eu le...

— Eu preciso ir ao centro pra comprar meu remédio que acabou. É caminho. Não vai me custar nada. — Interrompeu Ruby, que levantou os braços em redenção.

— Sendo assim... tchau, Emma. Até segunda. — Abraçou a loira.

— Tchau, Rubs!

Emma estava disfarçando bem para alguém que estava com o coração quase saindo pela boca. Sequer parecia nervosa.

Regina vestiu o primeiro casaco que viu pela frente e calçou um par de coturnos antes de sair de casa com Swan. A noite não estava extremamente fria, apenas agradável, mas um casaco, mesmo que fino, era necessário.

Entraram no carro em silêncio, e antes de dar partida, Regina acariciou a perna de Emma, que estremeceu dos pés à cabeça.

— Você vai passar na farmácia antes ou depois de me deixar em casa? — Emma perguntou depois de um tempo, e franziu o cenho quando Regina gargalhou e balançou a cabeça negativamente.

— Eu não vou comprar remédio nenhum, Emma!

— Ué? Mas você disse que...

— Foi só uma desculpa pra te levar em casa e ter alguns minutos a sós com você. — Confessou um pouco tímida, e Emma sorriu pequeno, desviando o olhar para a janela.

Depois de alguns minutos, Regina estacionou de frente para o prédio. Emma observou a morena por alguns segundos, de perfil. 

— Acho que vou subir então. — Emma disse atraindo a atenção da mulher para si. Regina fixou seus intensos castanhos sobre ela, e traçou seu rosto com o olhar.

— Você vai esperar. — Disse autoritária, ficando a milímetros de distância do rosto da loira, que agora prendia a respiração. — Porque eu esperei o dia todo por isso.

Emma engoliu em seco e umedeceu os lábios propositalmente, e o olhar de Regina foi parar ali.

— Então para de enrolar. — Revirou os olhos e Regina sorriu.

A morena puxou o lábio inferior de Swan antes de puxá-la para um beijo lento e carregado de desejo, que foi se intensificando aos poucos. Regina tinha os dedos entrelaçados nos fios loiros e as mãos de Emma seguravam o rosto da morena com delicadeza. A cada segundo, Swan se entregava mais, deixando Regina dominar o quanto quisesse. 

— Eu... tenho que subir... — Emma disse sussurrando enquanto Regina trilhava beijos do pé da orelha até o pescoço. Agarrava forte o cabelo da morena, que sequer parou com os beijos. — Regina...

Mills a calou com outro beijo, dessa vez mais intenso, caloroso. Emma sentia seu corpo todo arrepiado a todo momento, juntamente com seu coração acelerado. Estavam numa sincronia perfeita, e se alguém pudesse congelar um momento para revivê-lo sempre, as duas com certeza congelariam aquele. 

Completamente ofegantes, finalizaram o beijo. Swan, estava completamente pressionada contra a porta do carro, percebeu a veia saltada na testa de Regina, que estava tentando recuperar o fôlego. Seu batom vermelho estava borrado, seu cabelo bagunçado e seu peito subia e descia. Emma sentiu uma pressão no pé da barriga ao observá-la daquela maneira.

— Eu... — Emma deu início, e Regina levantou o olhar para ela. Um olhar intenso, de arrepiar. A loira engoliu em seco. — Eu vou subir.

A mulher passou a mão nos fios negros, arrumando-os rapidamente, e jogando todo o cabelo para um só lado.

— Vai lá. Nos vemos por aí. 

— Tchau. — Sorrindo, Swan disse tímida antes de sair do carro e fechar a porta.

Bastou ficar em pé para perceber que suas pernas estavam bambas, e precisou se apoiar num poste para não cair. Agradeceu internamente por Regina já ter dado partida e não ter visto aquilo. Sorrindo feito uma boba, Emma subiu até seu apartamento, onde, na sala, deu de cara com Rose e Belle. Rose lia uns papéis e usava marca texto em alguns trechos e Belle, como sempre, lia algum livro.

— Por que sua boca tá toda vermelha? — Rose perguntou com os olhos arregalados assim que notou a presença da loira.

— Vermelha? — Emma cobriu a boca. Sabine apareceu ali naquele exato momento. — Ah, é... eu...

— É batom, gente. Batom vermelho. — Sabine disse, tomando frente.

Sim, era batom vermelho. O de Regina.

— Desde quando você usa batom? — Belle perguntou desconfiada, e Rose arqueou as sobrancelhas.

— Desde quando eu emprestei um pra ela hoje, pra ver se ela gostava! — Sabine respondeu novamente, e Emma apenas assentiu.

— E por que está todo borrado? — Rose perguntou e Sabine, já sem paciência, jogou a almofada mais próxima em sua cara.

— CHEGA! Tá borrado porque ela passou e não gostou. O pigmento dele é forte, ela tentou tirar e borrou. Simples. — Emma agradecia internamente por cada palavra de Sabine. 

Rose e Belle se entreolharam, arquearam as sobrancelhas e voltaram às suas atividades anteriores, fingindo que tinham acreditado naquela história.

Emma correu para o quarto e se jogou na cama, fitando o teto acima de si. Ficou rindo e falando consigo mesma, até chegar à conclusão que estava à beira de outro surto. Mas dessa vez era um surto por estar feliz, e finalmente vivendo algo que nunca pensou que fosse acontecer em sua vida.

Passaram-se vinte minutos e Emma entrou para um banho quente, vestindo um pijama mais fresquinho aquela noite. Sua ideia era dormir o mais rápido possível para não ficar pensando demais naquilo que tira facilmente seu sono: Regina Mills.

Seus olhos já estavam pesando e Emma entrou naquele cochilo leve antes de cair definitivamente no sono, mas deu um pulo de susto quando seu celular, em cima da pequena cômoda ao lado da cama, tocou. Com os olhos semicerrados por conta da claridade, viu que na tela refletia um número desconhecido antes mandando mensagem. Assustou-se de primeira, pois estava acostumada a ver isso em filmes e séries de assassinato. 

Número desconhecido: Espero que tenha uma boa noite. A minha vai ser porque vou passar pensando em você.

Emma arregalou os olhos e sentiu seu coração parar por alguns segundos.

Número desconhecido: Ah, aqui é a Regina!


Notas Finais


Espero que tenham gostado e que comentem comigo o que acharam! Não se esqueçam de compartilhar a fic com amigos se vcs quiserem 💙😘
Nos vemos no próximo! Até maisss!
Twitter: @lanasmorphine
Grupo das fanfics: https://chat.whatsapp.com/EcAwoszjgI34r9fGwGbLB9


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