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História Algoritmos do Destino - Capítulo 1


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Notas do Autor


bom dia, boa tarde, boa noite, gatinhes! já lavaram as mãos hoje? passaram álcool em gel? espero que sim!
essa taekook aqui é meu xodó... queria escrever ela há um tempão e finalmente ganhei coragem. espero que gostem pelo menos um tiquinhozinho... @busanjimin, MUITO obrigada pela capa! e, @jamless, MUITO obrigada pela betagem do capítulo! eu não sei o que seria de mim sem vocês!!!
boa leitura~

Capítulo 1 - Prólogo: Serendipidade


Medo. Solitude. Inquietação. De novo, Taehyung estava tendo dificuldade para dormir. A insônia decidira ser uma bela de uma convidada indesejada em sua vida nos últimos dias. Passou a noite anterior em claro e não iria suportar outra. Enlouqueceria.

Pegou o necessário: seu casaco, guarda-chuva e um livro, direcionando-se para a porta. Mesmo que ficasse deitado com os olhos fechados, sabia que o sono não o alcançaria. Pensou, então, em sair para andar, talvez cansado seu corpo iria trabalhar a seu favor. O livro não era de seu interesse, pelo contrário, era totalmente chato para Taehyung. Ele nunca foi muito de ler. Na verdade, quando criança, lia pilhas de livros aos montes, mas foi perdendo o interesse aos poucos. Imaginou que aquele livro em suas mãos, por não lhe chamar atenção, fosse o ajudar a adquirir pelo menos um pouco de sono.

No caminho, o Kim notou que algo o incomodava. E, honestamente, havia algo lhe incomodando fazia anos, mas nunca atribuiu esse sentimento a nada. Preferia pensar que ele não existia e, às vezes, isso funcionava muito bem. Porém, hodiernamente, isso já não surtia o mesmo efeito. Seu peito doía como se clamasse por algo, e a dor só parecia piorar. Tinha até dias que não o dava descanso nenhum.

Começou a pensar se isso tinha algo a ver com sua alma gêmea. Taehyung já possuía vinte e três anos, mas ainda não encontrara sua suposta outra metade. Não era assim tão incomum, entretanto boa parte das pessoas conhecia sua alma gêmea ainda na adolescência. E Taehyung estava farto de ficar sozinho. Do jeito que era sortudo, era provável que a sua sequer tivesse nascido, podendo encontrá-la apenas na próxima vida. Era raro, mas sim, casos como esse existiam, e o Kim não duvidava que pudesse acontecer consigo. Chegava até a ter casos de pessoas que nunca encontraram sua cara metade porque moravam em lugares totalmente distantes. Taehyung achava o sistema absolutamente cruel.

E era. Almas gêmeas não eram necessariamente obrigadas a ter um relacionamento romântico, porém claro que era o que acontecia em noventa por cento das ocasiões. Até porque a sociedade ainda tinha uma visão turva sobre o sistema, olhando torto para todos que não seguissem o que era pressuposto pelo universo. Obviamente, no ponto de vista deles. Tontos.

No momento, Taehyung nunca se sentiu tão frustrado com o universo quanto estava agora. Estava ansioso demais e não havia motivo algum. Sentia-se prestes a socar qualquer coisa que viesse à sua frente.

Seu plano inicial era ir para a cafeteria perto de casa — não para tomar café, e sim para comer algo, já que estava com preguiça de cozinhar qualquer coisa —, mas seus pés pareciam o levar para outro lugar. De repente, viu-se de frente para o parque ao lado da cafeteria. Não era má ideia. Sinceramente, parecia até agradável. O clima estava ameno, um pouco frio como Taehyung gostava. 20:45, olhou o relógio de pulso. Não estava muito tarde. Poderia ficar ali por um tempo até o mínimo de sono o tomar.

Passou pelos canteiros de flores, antes graciosos, já meio desordenados. A chuva não tinha sido misericordiosa com eles. 

Apesar da rua movimentada, não tinha muitas pessoas no parque, Taehyung notou. Apenas uma família brincando com suas crianças e um rapaz sentado numa toalha de piquenique de frente ao lago. Ele estava com um caderno, aparentava estar muito concentrado, alheio a tudo ao redor. O Kim tentou espiar pelo canto do olho o que o garoto fazia, vendo um desenho do local. Era muito bonito, ele sabia desenhar maravilhosamente bem. Taehyung sentiu até uma pontada de inveja, seus desenhos realistas não deviam nem chegar aos pés dos dele.

Contemplou os arredores mais uma vez antes de decidir ficar a beira do lago, jogando seu sobretudo no chão e deitando-se por cima dele. Não tinha cenário mais tranquilizante para Taehyung. Pegou o livro e começou a ler. Perdeu-se nas palavras rapidamente. Não conseguia digeri-las com facilidade. Por causa da infinidade de pensamentos passeando por sua mente, divagava demais nas páginas, tendo que ler o mesmo parágrafo de novo e de novo para compreendê-lo. Enfureceu-se.

E, como se o tempo entendesse seus sentimentos, decidindo-se mesclar a eles, começou a chuviscar. Frustrou-se mais ainda, porque já devia ter se passado uma hora que estava lendo e sequer avançara vinte páginas.

Levantou-se, pegou o casaco, abriu o guarda-chuva e seguiu em direção a saída. Ao passar pelo banco em que o menino estava, observou mais uma vez o desenho, notando uma coisa diferente. Tinha uma pessoa ali. E a pessoa era Taehyung. O rapaz desenhava Taehyung deitado no gramado, lendo o livro em suas mãos.

Não sabia se achava estranho ou fofo. Porém, tinha que concordar que era uma obra bonita, não merecia ser estragada pela chuva, e não vira nenhum tipo de abrigo para o menino se proteger. A chuva estava começando a ficar mais forte. Chegou, então, mais perto de onde ele se encontrava e posicionou o guarda-chuva de modo que protegesse tanto a si quanto o menino até então desconhecido.

O moreno a sua frente quase deu um pulo com o susto que levara. Virando a cabeça e levantando o olhar para cima, encontrando Taehyung.

— O-oi — disse o garoto.

— Oh, eu não queria te assustar. — Espiou mais uma vez o desenho, mas agora, o rapaz colocou as mãos por cima da folha, escondendo-o. — É um desenho bonito! Não esconda ele. — Sorriu. — E a pessoa que está nele também.

Retribuiu-lhe com um meio sorriso, abaixando a cabeça, envergonhado.

— Obrigada. — Encolheu-se, apertando ainda mais seu casaco ao corpo. — Tenho que concordar com essa última declaração. — Riu um pouco, ainda um tanto embaraçado. — Também tenho que lhe agradecer pelo guarda-chuva. — Juntou as mãos nas pernas, apertando os lábios e o encarando novamente.

Taehyung não pôde deixar de achar seus olhos lindos.

— Kim Taehyung. — Estendeu-lhe a mão em forma de cumprimento.

— Jeon Jeongguk. — Apertou a mão que lhe fora oferecida.

E então, ambos sentiram o mundo parar. Por alguns segundos, o som fora omitido, como se estivessem no vácuo do espaço e ele não existisse. O tempo parou e pareceu que apenas os dois aparentavam sentir aquilo. Encaravam um ao outro, sem conseguir desviar o olhar. Uma corrente elétrica percorreu o corpo de Taehyung — e, provavelmente, o de Jeongguk também —, mas ao contrário do que pensava, era uma sensação boa. Uma onda que se assemelhava a alegria juntou-se ao pacote.

Como se tivesse achado o que precisava; o que lhe fazia falta, o aperto no peito de Taehyung, que o incomodava há anos, parou. De forma que parecia ter descansado, como se tivesse perambulado perdido por tanto tempo até achar sua casa. Estava em êxtase.

Quando o tempo voltou ao normal, os dois olharam para os pulsos, que estavam formigando. E, tatuado ali, encontrava-se a bela constelação de Andrômeda.

Taehyung gargalhou como nunca antes. Jamais se sentira tão bem como agora. Voltou de novo seu olhar para Jeongguk, que também estava rindo.

— Oi, soulmate. — Ele disse.



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