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História Alguém Como Você - Capítulo 13


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Capítulo 13 - Capítulo 13


Samantha foi quem telefonou para os sogros dando a notícia do que havia acontecido com Lena. Obviamente não mencionou o fato de suas filhas terem saído na porrada uma hora antes, tampouco que o motivo disso era porque Alex, no passado, estuprou Lena. Essa parte definitivamente era melhor ficar de fora.

Eliza quase teve uma síncope, mas a enfermeira a tranquilizou dizendo que a cirurgia era rápida e relativamente simples. Ela e o marido não precisavam fazer nada exceto cuidar dos netos como já estavam fazendo. Os pequenos não precisavam saber de nada por enquanto, pois já era tarde da noite e ainda não havia um prognóstico do que aconteceria a seguir.

A cirurgia de Lena levou duas horas, foi uma histerectomia abdominal total, ou seja, o médico fez um corte em seu abdômen semelhante ao de uma cesariana para a retirada do útero, dos ovários e das outras áreas afetadas ao redor. Ocorreu tudo bem, Dr. Edge veio dar a notícia às três mulheres que não saíram da sala de espera nem por um instante.

O médico ficou intrigado com a dinâmica delas. Ele conhecia Samantha, porque ela era a enfermeira nova da neonatal. Muito bonita e competente por sinal. Todos sabiam que ela era casada com uma mulher, mas quando ele viu a dinâmica das três, pensou que a esposa de Sam fosse a ruiva e não a loira que praticamente fez uma jura de amor a sua paciente antes da cirurgia. Enfim, não era de sua conta, mas... Estranho.

— A cirurgia foi um sucesso — comunicou para o alívio delas.

Kara pôs a mão sobre o peito e chorou de felicidade, afastada de sua esposa e de sua irmã, que pareciam ter uma estranha e súbita cumplicidade.

— Lena vai ficar internada uns quatro dias e depois o tempo de recuperação é de umas seis semanas — explicou. — Qualquer dúvida, vocês podem perguntar a Samantha — ele alternou o olhar entre Kara e Alex — Ela poderia ter feito essa cirurgia no meu lugar de tão eficiente e capacitada — elogiou a colega de repente, deixando-a tímida. Foi um pouco inoportuno o momento, mas Kara sequer se importou enquanto Alex franziu o cenho e sentiu algo estranho, como se ele estivesse dando em cima de sua amiga, o que não era nada respeitoso. — Quanto a radioterapia, falaremos dela amanhã, até porque só poderemos começá-la após a retirada dos pontos. Agora é deixar Lena descansar... Ela já está no quarto, mas o efeito da anestesia demora para passar...

— Obrigada, Doutor Edge — Sam o agradeceu.

— Obrigada — Alex e Kara disseram também.

Ele apenas sorriu antes de se afastar.

O clima de tensão voltou a reinar entre elas. Na verdade, ele não desapareceu nem por um instante. Kara estava furiosa com a irmã, não queria vê-la, mas não podia expulsá-la dali. Também estava com raiva de Samantha, mas percebeu que havia extrapolado os limites no jantar e que precisaria conversar com ela seriamente depois. Só que naquele momento não tinha cabeça. Kara só conseguia pensar em Lena.

— Podemos vê-la? — a escritora perguntou meio sem jeito a Sam, que conhecia o hospital e suas regras.

— Acho que são pessoas demais para esse primeiro momento, Lena deve estar acordando ainda. É melhor que somente uma pessoa entre e fique com ela pelo resto da noite — Samantha explicou com a frieza necessária de um enfermeiro, esquecendo de suas emoções e do quanto estava magoada com sua esposa.

Era nítido pela expressão de Kara, por toda agitação de seu corpo, pelas pupilas dilatadas. Ela não sairia daquele hospital nem para tomar banho enquanto não visse com seus próprios olhos que Lena estava bem. Além disso, depois da revelação, depois de saber que a morena nunca a traiu, Samantha estava certa de que sua esposa tinha muitas razões para querer ficar perto de Lena... Por isso, nem se opôs ao que a loira disse a seguir.

— Eu vou ficar com ela essa noite.

Discutir seria inútil e só traria mais exaustão. Aquele dia já havia sido cansativo o suficiente.

— Ok — foi a única coisa que Samantha falou.

A enfermeira olhou na direção da Alex, que não ousou interferir, pois apesar de se importar com Lena e ainda ser sua esposa, estava ciente de que a irmã precisava ficar ao lado de Lena naquele momento. Inclusive a morena de olhos verdes cristalinos também precisava que sua irmã estivesse lá para ela.

Kara foi descobrir onde era o quarto que Lena estava, deixando sua esposa para trás com Alex. Esse gesto simbólico explicitava bem o que Sam já previu: Kara estava jogando o casamento delas no lixo.

Tudo o que elas viveram estava sendo descartado pelo simples fato de que a loira descobriu que seu primeiro amor não a traiu. Não era fácil assimilar isso. Na verdade, Sam tinha que ter muito estômago para isso. Outra mulher em seu lugar daria as costas àquela situação, mandaria Kara se foder com Lena Luthor, pegaria sua filha e iria embora, mas alguma coisa prendia Samantha em Midvale e não era apenas o novo emprego. Havia algo na cidade, no clima, talvez nas pessoas. Samantha estava realmente gostando de viver ali. Amava sua nova casa, o excesso de natureza, a alegria da filha por estar perto dos avós e do primo e agora... Agora tinha Alex.

— O que fazemos agora? — a ruiva perguntou a ela.

Sam achou graça do questionamento. Como se ela tivesse todas as respostas. Mas aparentemente Alex confiava em seu julgamento e a ouvia, ao contrário de Kara.

— Não há nada que possamos fazer. O negócio é ir para casa e descansar. Eu ainda tenho de arrumar aquela bagunça — se referiu às louças e à comida que foram ao chão por causa da briga. — Sugiro que você vá descansar também. Amanhã é domingo, vamos ter que buscar as crianças e explicar a elas o que está havendo, porque Lena só vai ter alta lá pela quarta-feira, então Dylan vai querer visitá-la...

— Tem razão — concordou suspirando. — Quanto a bagunça, eu posso te ajudar — se ofereceu prontamente. — Aliás, eu que deveria limpar tudo sozinha, porque foi minha culpa. Sinto muito por isso. Eu perdi a cabeça quando Kara te destratou — admitiu sem jeito, desviando do olhar da enfermeira, que a encarou surpresa.

Nunca ninguém havia defendido Sam daquela maneira. Como ela gostaria que alguém tivesse levantado a mão ao seu ex, por exemplo. Aquele homem que a bateu tantas vezes, que a humilhou com as palavras igual Kara fez... Gatilhos.

— Eu não sou adepta da violência nem um pouco, mas entendo. Também perdi a cabeça essa noite. E eu agradeço por ter me defendido, Alex. Significou muito — também foi honesta e sorriu docemente para a amiga, sentindo um alívio inexplicável por estar ali com Alex. Se fosse qualquer outra pessoa, talvez Samantha não se sentisse tão forte para segurar a barra. — Já que faz tanta questão de me ajudar, eu aceito. Vamos para casa.

Lado a lado, elas caminharam em direção à saída.

[...]

Seu coração estava saindo pela boca quando adentrou o quarto de Lena. Ao abrir a porta, foi direto em direção à cama, praticamente correndo. Lena ainda estava despertando da anestesia, mas por conta da exaustão do dia longo e difícil que tivera, suas pálpebras estavam fechadas e não tardaria para que se rendesse ao cansaço. Entretanto, quando seus olhos verdes encontraram os azuis, algo despertou dentro de Lena e ela precisou se esforçar para ficar mais um pouco acordada.

— Kara? — chamou fraca.

A loira depressa sentou na beira da cama, bem perto. Pegou em sua mão direita e a segurou entre as suas, então a ergueu até os lábios e a beijou algumas vezes. Lena sorriu.

— Graças a Deus você está bem — a escritora falou. — Eu nunca senti tanto medo em minha vida — admitiu com os olhos azuis marejados.

— Por que você está chorando? — Lena questionou baixinho. — Eu estou bem, Kara. Só tonta... — falou com a voz pastosa. Levou a mão livre para os cabelos da loira, acariciando sua cabeça com carinho. — Cadê Alex? Samantha?

— Acho que elas foram embora — murmurou meio constrangida.

A revelação do câncer e a cirurgia súbita acabou deixando em suspenso a confusão anterior. Mas em algum momento as quatro teriam de enfrentar as consequências do que aconteceu no jantar, principalmente Alex e Kara.

— Samantha não se importou em você ficar comigo? — perguntou preocupada, afinal de contas, Kara ainda era casada.

— Eu acho que não, ela não disse nada, mas eu ficaria aqui de qualquer maneira — garantiu. — Nada me faria ir embora, Lena.

Era impressionante, chegava a ser um pouco assustador ter a Kara Danvers de dez anos atrás de volta. A loira estava exatamente daquela maneira: furiosa, incontrolável como o oceano. Especialmente quando suas águas não estavam calmas, quando as tempestades se aproximavam. A escritora era exatamente intensa ao ponto de chutar o pau da barraca e fazer o que seu coração mandava.

— Obrigada por estar aqui.

— Não me agradeça, não é preciso. Quer alguma coisa? Posso fazer algo?

— Um pouco de água — pediu.

Kara depressa foi atrás de um copo descartável e trouxe água para a morena, que precisou fazer um esforço para se inclinar e beber. Sentiu um pouco de dor ao fazê-lo na região dos pontos.

 — Quer que eu chame o médico ou algum enfermeiro? — perguntou preocupada, achando que a dor poderia indicar algo de errado.

— Não, estou bem. Só doeu porque fui me mexer, mas não é nada insuportável. O Dr. Edge explicou que seria assim mesmo. Daqui a pouco deve vir algum enfermeiro trazer os remédios, não se preocupe.

Kara assentiu, voltando a sentar onde estava, bem perto dela.

— Você vai ficar aqui uns dias, acho que até quarta-feira. Quer que eu te traga algo para te distrair? Um livro, talvez? Tem algo na sua casa que você gostaria que eu trouxesse?

Lena estava amando todo aquele cuidado da loira.

— Um livro seria ótimo. É bom ter uma companhia para passar o tempo já que ficarei tantos dias.

— Não prefere que eu fique aqui com você? — os olhos verdes encararam os azuis em dúvida. — Não sei se é boa ideia deixá-la sozinha.

— Eu estou no hospital, não é como se estivesse sozinha, Kara — sorriu, tentando tranquilizá-la. — Além disso, você não pode ficar trancada quatro dias aqui. Precisa cuidar das suas coisas, da sua família.

Só então que a loira finalmente se lembrou que tinha uma. E que provavelmente sua situação com Samantha estava bem feia àquela altura.

— Merda, você tem razão — suspirou, balançando a cabeça. Apesar de ter lavado as mãos durante o tempo em que Lena ficou em cirurgia, sua camiseta de correr permanecia com manchas de sangue. Ela precisava de um banho e de trocar de roupas. — Vou passar essa noite aqui com você, amanhã cedinho vou para casa me trocar. Acho que depois do que houve no jantar, não poderei escapar de uma longa conversa com Sam...

— Sim. Vocês precisam conversar — Lena concordou, e não falava aquilo por sua causa. Não estava nem pensando nisso. Como presenciou tudo em primeira mão, todo o surto e a confusão, ela sabia que Kara precisava se desculpar pelas coisas horríveis que disse à esposa. — Sabe, você foi muito injusta com Samantha.

— Lena... Não é uma boa hora para falarmos disso.

— É sim. Eu não morri, nem estou com problemas na língua para não poder falar — retrucou acidamente, fazendo Kara franzir o cenho e rir por um momento. Era bom ver que sua Lena permanecia afiada. — Não pode julgar as atitudes dela e ser grosseira daquela maneira quando foi você quem a traiu, Kara — apontou os fatos, deixando a loira constrangida. — Você a traiu comigo duas vezes e não disse a verdade, e ainda queria ter um bebê com ela — Kara abaixou a cabeça, não conseguindo sustentar seu olhar. Sentiu o peso da culpa, da vergonha. — A única coisa que Samantha fez foi tentar ajudar. Ela ouviu Alex, se solidarizou pela nossa situação e se dispôs a ajudar criando um clima na casa de vocês. Ela poderia muito bem não ter tido empatia comigo por eu ser sua ex, podia ter tirado o corpo fora e não se metido, ou pior, poderia ter feito a caveira de Alex e até mesmo a minha pra você. Quantas pessoas não culpam a vítima? Ainda mais no meu caso, que me casei com Alex apesar de tudo! — Lena estava realmente elogiando e protegendo Sam, e tinha razões para isso — Samantha foi muito empática, generosa, aberta, compreensiva, madura. Ela não me julgou, pelo contrário. Não julgou nem mesmo Alex. Você foi bem injusta em dizer aquelas coisas. Injusta e desrespeitosa.

Lena não queria ofender sua amada, por isso tentou falar da forma mais delicada possível, mas também não podia deixar de dizer o que pensava, tampouco passar a mão na cabeça de Kara, que estava completamente errada naquela situação. A loira precisava ouvir a verdade e entender que não era a única a ficar abalada emocionalmente com aqueles acontecimentos. Todos tinham suas dores e versões, ela era apenas mais uma vítima.

A loira então suspirou pesadamente, ergueu finalmente os olhos e encarou Lena.

— Você está certa. Eu fui muito injusta mesmo. Vou conversar com Sam. Mas por mais que eu tenha sido injusta, isso não muda alguns fatos — falou calmamente — Eu não posso controlar o que sinto, e me senti traída por ela ter me escondido a verdade. É como se ela tivesse preferido Alex a mim, entende? Como se tivesse Sam tivesse apoiado ela, e não eu.

— Entendo seu sentimento, mas não acho que é disso que se trata, Kara. Ela só quis ajudar, e não apenas a Alex, mas a mim também. Enfim. Converse com ela, ok? E com Alex também.

Os olhos azuis se esbugalharam com o pedido.

— Não tenho nada para conversar com aquela... — nem tinha um adjetivo para definir a irmã. — Depois do que eu ouvi essa noite, eu nunca mais quero falar com Alex. Se dependesse de mim... Tivemos que nos ver de novo agora por sua causa, por causa... Dessa situação... — era difícil falar a palavra “câncer” em voz alta, era assustador. — Mas eu não tenho mais uma relação com Alex. Acabou por aqui, Lena.

— Kara — a morena então segurou a mão dela. — Não vou te pedir para que faça nada por enquanto, porque eu sei que está de cabeça quente e é muita coisa para digerir. Eu entendo isso. Para mim também não foi e não é fácil. Ainda hoje tudo isso me confunde e me dói, mas eu superei e perdoei sua irmã. Espero que um dia você consiga fazer o mesmo. Mas independente disso, eu tenho um filho com Alex, ela faz parte da minha vida. Meu filho é primo da sua filha. Vai ser um pouco difícil evitá-la, então pense numa maneira de não se atracarem como dois animais na próxima vez que se virem — brincou por fim para tentar aliviar a tensão do assunto.

No momento, aquilo era o máximo que Lena falaria a respeito do assunto, pois estava exausta após um aborto espontâneo e uma cirurgia de retirada de seus órgãos reprodutores por causa de um câncer. Qualquer outra coisa, naquele momento, parecia insignificante.

Kara suspirou e não quis retrucar. Estavam num hospital, a mulher estava doente, frágil, debilitada. Não tinha sentido querer discutir por aquele assunto. Kara só queria que Lena ficasse bem, todo o resto não importava.

Mas o pensamento de Lena ter perdoado Alex a ponto de defendê-la lhe trazia sentimentos mistos. Por um lado, a intrigava e até causava ciúmes, mas por outro isso fazia a escritora admirar Lena ainda mais por ter um coração generoso. No fim, Lena era uma pessoa tão boa e incrível quanto Samantha. Kara nunca devia ter duvidado disso.

**

Depois de finalmente limparem toda a bagunça, as duas caíram exaustas no sofá. Eram duas horas da manhã e ainda não haviam comido, já que o jantar tinha sido arruinado horas atrás.

Quando sentiu seu estômago roncar, Alex se deu conta de que estava há muito tempo sem comer.

— Acho que estou com fome — falou um pouco sem graça.

Sam a olhou de lado, a cabeça deitada no sofá, o corpo estava mole de cansaço.

— Pior que eu também estou — sorriu, pondo uma das mãos sobre a barriga. — Só que não tem nada aqui para nos alimentar de verdade. Vamos pedir algo?

— O que você sugere? Pizza? — a enfermeira negou com a cabeça. Pizza lembrava Kara, e a última coisa que queria era pensar na esposa. — Um lanche bem gorduroso com fritas?

— Agora você falou minha língua!

Em pouco tempo, um entregador trouxe dois combos de lanches com batata frita e onion rings, além de refrigerantes. As duas comeram num clima ameno, nem parecia que o dia havia sido tão pesado. Aparentemente elas conseguiam se esquecer das coisas ruins quando estavam juntas, ou ao menos aliviá-las.

— Você acha que Lena tem chances reais de se recuperar? — Alex perguntou de repente após terminar de comer. Estava muito preocupada com a quase ex esposa.

— Sim, eu acho que sim. Como o Dr. Edge disse, ela é jovem e tem boa saúde. Geralmente esse tipo de câncer é mais complicado quando a mulher tem idade avançada. O problema mesmo é estar no estágio III, mas ainda temos a radioterapia e a quimio para recorrer... — explicou, finalizando seu refrigerante e então limpando os lábios. Olhou para Alex, que parecia bem cansada. — Hoje foi um dia difícil para todas nós, especialmente pra você e Lena. Eu nem sei como você deve estar se sentindo — tocou o braço dela de maneira carinhosa. — Eu sinto muito que as coisas tenham saído daquele jeito. Achei por um momento que Kara fosse ser mais razoável...

— Tudo bem, é normal, eu acho. Eu não esperava outra reação. Podia ter sido pior se você não estivesse aqui — falou, dando um pequeno sorriso. — Ah! — gemeu de dor ao fazê-lo, pois seu rosto todo estava doendo do lado esquerdo. — Tinha me esquecido que Kara tinha um cruzado tão potente — brincou.

— Como você consegue fazer piada dessas coisas? — não era uma crítica, Sam estava sorrindo. — Como ainda está aqui, inteira, depois de tudo? — falou admirada, encarando a mulher que estava sentada ao seu lado.

— Eu poderia te fazer a mesma pergunta — se encaravam intensamente.

— Não acho que dê para comparar... Espere aí, vou pegar um gelo para pôr nisso!

Sam foi até a cozinha, pegou alguns cubos de gelo e colocou em um pano de prato. Voltou para o sofá, sentou de lado, ficando de frente para Alex e cuidadosamente se inclinou para perto dela, encostando o pano com gelo bem em cima do canto de seus lábios, que estava roxo e inchado. A ruiva gemeu de dor e deu uma leve estremecida, o que causou um ligeiro desconforto entre elas, especialmente quando Sam caiu o olhar para os lábios de Alex.

Então, para quebrar o clima estranho e prosseguir com a conversa, Alex disse:

— Você aceitou me ajudar mesmo depois de saber do meu erro terrível, criou esse jantar, apartou minha briga com Kara, tentou me defender mesmo sabendo que isso iria te prejudicar. Você se importou com Lena, a última pessoa que deveria, afinal, aos olhos de muitos, ela poderia ser considerada sua rival, mas isso não foi um impedimento pra você ser empática. Sam, você ajudou a socorrê-la, nos deu suporte no hospital e agora está aqui comigo, me trouxe para sua casa mesmo sabendo que Kara provavelmente faria um escândalo se soubesse disso — Alex falou com os olhos brilhando, exaltando todos aqueles feitos da enfermeira. Tinha admiração em seu olhar.

 — Nossa, quando você fala dessa maneira até parece mesmo que fiz algo grande... — ficou constrangida a ponto de desviar o olhar e sorrir timidamente. Deixou que Alex segurasse o pano e tirou a mão dali. — Você é muito mais forte que eu ou qualquer um que eu conheça, Alex. Sabe, o que você passou quando criança... Segurar essa barra sozinha todos esses anos... Me admira demais você não ter perdido a cabeça ou voltado a beber sendo que só começou a terapia recentemente. Eu te admiro muito, Alex! De verdade! Eu não concordo com o que você fez, acho que foi um erro terrível e por isso mesmo você se culpa tanto por ele, mas admiro o fato de ter se arrependido e de querer corrigi-lo.

Os olhos da ruiva transbordaram de lágrimas gordas que vieram subitamente.

— E como eu te disse semana passada, independente dos desdobramentos da sua briga com Kara, eu seguirei sua amiga. Estou aqui para o que você precisar, ok?

— Ok. Eu também. Estou aqui pra você, Sam.

No fim, uma protegeria à outra.

— Agora acho melhor dormirmos. Está bem tarde e imagino que esteja tão exausta quanto eu.

— Sim, estou. E quero ir cedo na casa dos meus pais pegar o Dylan e explicar o que aconteceu. Ele vai querer ver a mãe na mesma hora.

— É verdade, tem que dar a notícias às crianças ainda... Coitado do Dylan, ele é tão sensível, vai ficar arrasado. Mas devemos falar de uma maneira que não o preocupe tanto.

— Você pode me ajudar nisso? — Alex pediu com uma expressão adorável que fez Sam sorrir imediatamente. — Eu não tenho muito jeito na hora de explicar as coisas, e estou tão nervosa que posso acabar me embolando.

— Claro que sim. Como eu disse, estou aqui pra você, Alex — Sam segurou a mão dela por um instante e elas apenas se encararam num clima esquisito.

Então a enfermeira levantou depressa, porque de repente a tensão que pairou ali a incomodou e confundiu. Já estava com problemas demais para querer arranjar mais um, pensou. Seja lá o que fosse, era melhor ignorar.

— Vou pegar um travesseiro e lençol de cama para você, ok?

— Ok — a ruiva murmurou sem graça, sem mover-se do sofá.

Era inegável a cumplicidade crescente entre elas. Acontecia tão naturalmente. Nenhuma delas podia controlar. Simplesmente se sentiam à vontade uma com a outra, além de estarem construindo uma relação de confiança.

Alex confiou na enfermeira como nunca o fez com ninguém a ponto de contar seu segredo, e isso tornou a relação delas ainda mais íntima e bonita. Isso deixou Sam emocionada, pelo fato de Alex confiar nela. Ao mesmo tempo que era um peso guardar um segredo tão importante, também a fazia se sentir bem.

Samantha estava muito chateada com todos os acontecimentos daquele dia, principalmente a reação tão violenta e desrespeitosa de Kara para com ela, que não tinha culpa alguma de absolutamente nada. Aliás, Sam achava que sua única culpa era ser tão permissiva.

Não era ingênua ou boba como a maioria achava, inclusive sua esposa. Arias já havia notado que ainda existia sentimento entre ela e Lena há muito tempo, só que preferiu não fazer um escândalo a respeito porque seria inútil e só pioraria a situação. Ninguém podia controlar o que sentia, as únicas coisas que podiam ser controladas eram as ações a respeito. Samantha esperava que Kara, como sua esposa, como alguém que a amava e respeitava, fosse ter atitudes coerentes, respeitando seu matrimônio. Aparentemente estava enganada.

Não, ninguém havia dito nada ainda, mas Sam desconfiava que possivelmente um beijo, pelo menos, havia acontecido entre Lena e Kara antes de toda aquela confusão. E por mais que a traição doesse e a fizesse sentir raiva de Kara por submetê-la a algo que a própria sabia ser tão ruim, a enfermeira ainda assim estava disposta a tentar entender e perdoar em nome de sua família, pois Arias gostava de estabilidade e queria mantê-la.

O que podia ser mais estável que estar casada com uma mulher tranquila feito Kara, que amava a vida no interior, que trabalhava em casa, que era uma escritora romântica e mãe dedicada? Não era uma vida cheia de aventuras como muitos buscavam, mas era exatamente o que Samantha queria. Ou costumava querer.

 

Alex tentou dormir, mas não conseguiu. Deitada no sofá de sua irmã, ela pensou em tudo que aconteceu no jantar e na notícia fatídica de que Lena estava com câncer. Era muita coisa para processar. Ainda que esperasse aquela reação de Kara, não podia fingir que isso não a abalou e muito. Perder a irmã de novo, ainda mais naquele momento em que teria que lidar com o fato de a mãe de seu filho estar correndo risco de vida, era demais. Alex não sabia como conseguiria conciliar as coisas. Ela precisaria se fazer ainda mais presente na vida de Dylan, porque se algo acontecesse com Lena... Nem queria pensar a respeito.

O problema era que Kara gostando ou não, elas teriam que se cruzar. Mais que isso, que conviver. Porque certamente a loira não abriria mão de ficar perto de Lena, de ir à sua casa vê-la todos os dias para se certificar de que ela estava bem. Alex faria a mesma coisa, afinal, elas estavam se divorciando, mas permaneciam amigas e mães do mesmo filho. Por isso, Kara e ela teriam que encontrar uma forma de lidar com suas emoções e manter o controle pelos próximos meses, pelo menos até Lena se recuperar da doença.

[...]

Kara demorou até pegar no sono. Como se estivesse eletrizada pela série de acontecimentos, ela não conseguiu pregar os olhos. Então ficou um longo tempo observando Lena, que dormia serena, nem parecia ter acabado de descobrir um câncer.

De todas as coisas que imaginou, nunca pensou que um dia se encontraria num cenário tão caótico. O grande amor da sua vida não havia a traído como pensou, mas sim tinha sido estuprada pela sua própria irmã e agora estava numa cama de hospital com câncer de útero. Era surreal.

Se em algum momento chegou a duvidar, agora estava certa de que ainda amava Lena com todas as forças. Não havia mais como negar. Ficou claro, não pela descoberta do jantar, mas pelo medo paralisante que sentiu de perdê-la naquela noite. Quando se deparou com a chance real de perder Lena para a morte, para sempre, Kara se viu desesperada e nada mais importou senão Lena.

Isso significava algo. Significava que havia chegado a hora de fazer a escolha que Cat Grant havia dito no sábado passado. Tinha que escolher entre a família perfeita que construiu ao longo dos anos, o casamento ideal, ou o grande amor de sua vida, a paixão de adolescência que ainda não havia esquecido.

Se escolhesse ficar com Sam, Kara sabia exatamente como sua vida seria. Absolutamente nada mudaria. Não sofreria, não enfrentaria grandes dilemas. Moraria na mesma casa com a filha, o que era a maior vantagem de todas. Teria jantares deliciosos sempre que a enfermeira estivesse em casa, seu almoço estaria pronto mesmo com a correria de Sam no dia-a-dia. Teria uma esposa dedicada, fiel, tranquila, ponderada, que dificilmente elevaria o tom de vez numa discussão ou a faria enlouquecer de ciúmes por estar perto de Alex, por exemplo.

Com Samantha, tinha estabilidade. Com Lena, não. Tudo era novo, mesmo que já a conhecesse há anos. Tudo era imprevisível, não sabia o que aconteceria a seguir. Era uma grande aventura, dava medo, dava vontade de fugir, mas ao mesmo tempo atraía.

Se escolhesse ficar com Lena, resgataria os sonhos de adolescente, teria de volta aquele encantamento e frio na barriga que só ela conseguia causar, mas também precisaria se esforçar para lidar com questões difíceis que não existiam naquela época. Se escolhesse Lena, teria que lidar com a presença de sua irmã, a outra mãe de Dylan, que era o filho de sua amada. E essa era a parte mais complicada da história.

Pensando na escolha que tinha a fazer, em algum momento a loira adormeceu sentada ao lado da cama com a cabeça no colchão, encostada no quadril de Lena.

Pela manhã, quando Lena despertou, ela viu a cabeça loira deitada ali pertinho e sorriu, sentindo uma sensação calorosa que há muito não sentia. Era como acordar e dar de cara com o Sol. Os primeiros raios solares do dia aquecendo sua pele. O Sol, no caso, era Kara, que emanava luz mesmo desacordada.

— Ei — Lena tocou os cabelos dela, fazendo cafuné. — Bom dia, Kara.

Levou um minuto para que a loira preguiçosa se erguesse, abrindo finalmente os grandes olhos azuis. Ela encarou Lena e sorriu tão largamente, foi como se o céu se abrisse por completo e deixasse o Sol brilhar resplandecente.

— Hey, bom dia, Lena. Como você dormiu? Até onde eu vi, estava bem.

— Sim, eu dormi bem, acordei agorinha. E você? Não está com dor nas costas de ter dormido desse jeito não?

— Eu? Imagina, pf — foi quando levantou da cadeira que fez uma careta de dor, grunhindo ao sentir alguns ossos estalarem. — Talvez um pouco — as duas riram, Lena segurou a barriga ao fazê-lo por causa dos pontos.

— Devia ter dormido no sofá, seria menos pior.

— Não foi intencional, eu apaguei. Fiquei aí porque não queria desgrudar do seu lado — falou sincera, fazendo Lena morder o lábio de nervosismo e abaixar o olhar por um instante. — Eu vou ter que ir para casa. Estou suja, com fome, um caco. Além disso, preciso ter aquela conversa com Sam e ver a Mandy, mas eu volto ainda hoje, ok?

— Kara, não precisa se explicar e nem se preocupar. Eu estou bem e não é como se eu fosse ir a algum lugar. Estou presa nessa cama — brincou, mas era verdade. — Saiba que eu entendo a situação. Não estou te pedindo nada.

— Eu sei que não, mas eu quero estar aqui.

Se encararam profundamente. Kara então segurou a mão dela e apertou.

— Tudo bem. Faça suas coisas e volte quando puder.

[...]

Samantha e Alex foram juntas à casa dos Danvers explicar às crianças o que aconteceu e buscá-las. Realmente a ruiva estava muito nervosa para encarar o filho, que era tão inteligente, e dizer a ele que sua mamãe estava com câncer e corria risco de vida. Por sorte, sua amiga estava lá para ajudá-la. Na verdade, foi ela quem fez todo o trabalho. Botou as crianças lado a lado no sofá e explicou de uma maneira didática e simples que Lena estava doente no hospital, mas que logo voltaria para casa e tudo ficaria bem.

Dylan assimilou tão aparentemente bem que Alex só pode suspirar aliviada e agradecer a Sam pelo suporte. Em particular, conversou com seus pais e explicou a delicadeza da situação. Eliza questionou se aquele seria o melhor momento para elas divorciarem, se não seria apropriado a ruiva voltar para casa e cuidar de Lena, mas aquela hipótese não estava em cogitação. Não com Kara em jogo.

Alex sabia que independente do que acontecesse entre sua irmã e Samantha, Kara se faria presente. Ela iria querer cuidar de Lena e era até melhor que o fizesse, pois Alex não se sentia capacitada para tal. Ainda estava tentando digerir a notícia do câncer. Era muito assustador. Além disso, sua maior contribuição naquele momento era cuidar do filho. Lena teria que descansar e focar no tratamento, então Alex cuidaria de Dylan.

 

Chegou no hospital com o filho, se identificou na recepção para descobrir o quarto de Lena e então foi até lá com o menino. Chegaram bem na hora que uma enfermeira estava lhe entregando medicações e trocando o curativo dos pontos.

— Mamãe! — o menino falou meio desesperado e correu antes que Alex pudesse contê-lo. — Você está bem? — se debruçou do outro lado da cama, agarrando o braço dela e olhando para sua barriga.

— Oi, meu amor — Lena sorriu surpresa, achou que demoraria mais um tempo até que ele e Alex viessem. — Eu estou bem, não se preocupe.

— O que aconteceu? Por que cortaram sua barriga? Tia Sam disse que você está doente e que tiveram que fazer uma cirurgia...

A enfermeira olhou para o belo menino e sorriu.

— Sim, sua mãe passou por uma cirurgia, mas ela está ótima. Só estou trocando o curativo dela, vê? — mostrou a ele e Lena agradeceu por ela estar presente. — São os pontos da cirurgia.

— Eles te cortaram, mamãe!? — arregalou os olhos por de trás das lentes. — Não doeu?

Lena riu brevemente e sentiu as lágrimas virem com tudo, mas fez uma força descomunal para detê-las. Não queria desmoronar na frente do seu pequeno. Precisava ser forte por ele.

— Não, meu amor, não doeu. Eu estava dormindo na hora.

— Lembra que a tia Sam explicou? — Alex se aproximou, parando do lado do menino à cama. — Eles dão algo chamado anestesia, e isso faz com que a pessoa durma e não sinta dor.

— Ah, é verdade, tia Sam explicou. E quanto tempo vai ficar aqui, mamãe?

— Eu não tenho certeza, filho.

— Quarta-feira no máximo — a enfermeira disse, finalmente terminando o curativo. — Prontinho. Qual seu nome?

— Dylan! — o menino respondeu com um sorriso.

— Meu nome é enfermeira Cissy, Dylan. Foi um prazer te conhecer. Você é um menino muito esperto.

— Obrigado.

A enfermeira saiu, deixando os três a sós. Dylan sentou do lado da cama, pondo as pernas sobre a cama e esticando ao lado das dela. Lena passou o braço sobre seus ombros e beijou sua cabeça várias vezes, precisando daquele contato para se acalmar e aliviar o peso em seu coração.

— Já estava morrendo de saudade — murmurou. — Olha, eu quero que você me escute, ok?

Alex ficou parada em pé observando os dois.

— Sim, mamãe.

— Nos dias que ficarei no hospital, você vai ficar com a sua mãe Alex. Faça tudo o que ela mandar, ok? Seja um bom menino.

— Pode deixar! Vamos ficar lá no seu motel, mamãe? — o garoto olhou para Alex. Era até divertido, mas dividir um quarto apertado com a mãe não parecia tão interessante quanto ficar na sua própria casa, que era espaçosa e contava com um jardim. Além disso, Dylan não podia abandonar seu melhor amigo, o Chewbacca.

— Não sei ainda a logística da coisa, Dylan. Podemos pensar sobre isso.

— Vocês podem ficar em casa, não tem problema nenhum você ficar lá, Alex — Lena garantiu e então ela viu no olhar da ruiva o nome de sua preocupação: Kara Danvers. — Aquela casa é do Dylan, e você é mãe dele.

— Faremos do seu jeito, então — a ruiva deu um sorriso meio constrangido. Estava pisando em ovos depois do jantar, embora não tenha feito nada de errado e Lena tenha concordado com a revelação. — Como você se sente? — perguntou em genuína preocupação. — Muita dor?

— Me sinto bem, apesar de tudo. Dói um pouco, mas só quando está chegando a hora de tomar os remédios de novo ou quando troco os curativos. Pelo menos a comida do hospital é boa, tomei um ótimo café da manhã — brincou com um sorriso e Dylan encostou a cabeça em seu ombro.

— Eu não posso ficar aqui com você, mamãe? — o menino indagou de repente. — Não quero te deixar sozinha...

Lena sorriu emocionada. Seu menino era tão preocupado e doce.

— Meu amor, não se preocupe, eu não ficarei sozinha — o apertou e beijou mais vezes. — Os médicos e enfermeiros estão aqui o tempo todo. Além disso, você poderá vir me visitar depois das aulas se quiser. Kara também virá me ver... — contou erguendo os olhos na direção de Alex, querendo ser o mais honesta possível.

— Eu imaginava que sim. Que bom que estão se entendendo.

Lena assentiu também constrangida, ainda mais porque na frente do filho não podiam falar abertamente sobre o que aconteceu.

— Você precisa de algo? Quer que eu busque algo na sua cabeça?

A morena sorriu, porque Kara havia perguntado as mesmas coisas. Elas eram tão diferentes e ao mesmo tempo iguais em tantos aspectos. Lena gostava de reparar nisso.

— Kara ficou de me trazer um livro, esqueci de pedir chá. Você poderia trazer?

Ela era apaixonada por chá, tinha uma caixa inteira com diversos sabores em sua casa e em seu escritório na livraria-sede.

— Claro, vou buscá-lo hoje mesmo e o trago.

— Obrigada, Alex.

— Filho, por que você não vai buscar um salgadinho e um refrigerante? — Alex ofereceu, tirando notas amassadas do bolso. Ela sabia que isso era o ponto fraco do menino, que imediatamente se soltou de Lena e pulou da cama.

— Oba!

Dylan saiu correndo porta à fora deixando-as a sós.

Lena queria conversar com sua esposa. Algo que ele não podia ouvir, porque não estava a par.

O aborto.

— Você está mesmo bem? — sentou na beira da cama, não sabendo até que ponto devia se aproximar ou não. — É tanta coisa para lidar que eu não posso imaginar como está se sentindo... O aborto, o câncer... — falou com a voz estrangulada.

Lena suspirou pesadamente.

— Olha, eu mal tive tempo de pensar. Porque tudo aconteceu tão rápido, e depois da cirurgia eu apaguei. Acordei agora há pouco e a enfermeira já estava aqui batendo à porta e então vocês chegaram. Não tive tempo de processar, e sinceramente estou com medo de desmoronar quando o fizer — admitiu com um sorriso nervoso. — Eu sempre quis ter muitos filhos e agora...

Um nó se formou em sua garganta, as lágrimas vieram e Lena não pode contê-las.

Alex não sabia o que dizer. Não havia como consolar alguém naquela situação.

Pegou a mão dela sobre a cama e apertou.

— Você ainda vai ter muitos filhos — disse com um sorriso, tentando fazê-la se sentir melhor. — Infelizmente não poderá engravidar, mas há outras formas de se ter um filho...

Lena estava ciente disso, inclusive amava e era adepta da adoção. Só nunca planejou fazer isso antes porque, casada com Alex, sob aquelas circunstâncias, Lena não conseguia pensar em nada exceto sobreviver sem enlouquecer.

— Eu sei, mas ainda assim... Não poder gerar outra vida... Eu não tenho mais útero, Alex — murmurou enquanto chorava. — Nem ovários, nem nada. Estou oca.

— Deus, não fale assim — apertou mais forte a mão dela e a envolveu entre as suas. — Você está viva e é isso que importa. Foque nisso, no seu tratamento, em sobreviver pelo seu filho. Dylan precisa de você.

Lena sabia que Alex tinha razão, mas isso não tornava as coisas mais fáceis.

— Eu sei que sim, por isso vou dar tudo de mim nesse tratamento, vou lutar até o fim, mas... Se eu não conseguir... — a voz foi ficando ainda mais embargada.

O clima estava bastante tenso, Alex começou chorar sem perceber.

— Lena...

— Se eu não conseguir, você tem que manter a promessa que me fez ontem. Preciso que olhe pelo Dylan e pela Kara. Sua irmã não é forte como você, Alex — falou e a ruiva se surpreendeu com aquela declaração.

Samantha afirmou que Alex era a mais forte, mas ela sabia o que a ruiva havia passado na infância. Sobreviver aquele nível de trauma e conseguir superar tudo aquilo sem se acabar no álcool e nas drogas era memorável. Mas Lena não sabia de nada, então como podia afirmar que ela era mais forte que Kara? Em que sentido?

— Kara não vai aguentar se algo acontecer comigo. Ela vai perder o chão, ela vai perder o rumo e vai precisar de você. Me prometa, Alex.

Lena estava implorando, mas nem precisava.

— Eu prometo.



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